História Idéias Na Mente de Um Louco - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Artist, Crazy, Fantasy, Lemon, Magnum Opus, Yaoi
Visualizações 17
Palavras 2.451
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ao som de "Piece of My Heart" de Janis Joplin posto um novo capítulo repleto de mistérios. ;3
Boas Lonjuras!

~Rockeiro Sem-Noção.

Capítulo 5 - A Mulher de Chapéu


Depois de toda a comilança de cupcakes, Leon subiu para o seu quarto e foi se jogar em sua cama.

Já eram 22 horas da noite. A Lua cheia estava brilhando lá no mar e sua luz azul adentrava o quarto do garoto de olhos verdes, iluminando o chão, a cama, um pouco das paredes e do teto.

Leon ficou largado em sua cama encarando o teto de seu quarto. Observava as carpas japonesas nadando serenamente na lagoa do teto, tentando entender como aquilo era possível. Depois que seus pais morreram, sua irmã o deixou parar de tomar todos aqueles antipsicóticos que só faziam mal ao seu organismo saudável, então ele começou a procurar respostas para essas alucinações.

O garoto fez todo o tipo de pesquisas no antigo computador da casa, mas não conseguiu encontrar nada. Ele pesquisou por alucinações da esquizofrenia, hipnose e até mediunidade, no entanto nada daquilo se comparava ao que ele via todos os dias.

Era normal ter uma lagoa de carpas no teto do quarto?

Leon bufou e rolou para o lado, para olhar a Lua brilhando em sua janela – só que há uma pequena invasão irritante em sua paz sagrada.

A joaninha voltara.

Às vezes, Leon se perguntava como conseguia ter alucinações tão bizarras assim. A joaninha era grande como um pé de pantufa. Era toda feita de papel vermelho com suas bolinhas pretas. É como se ela fosse um grande origami vivo que conseguia se transformar em qualquer outra coisa de papel em instantes.

Leon observou a joaninha voar pela sua janela e pousar no chão. Ela foi andando até a sua cama e parou ali mesmo antes de olhá-lo.

-Você não é real...-Leon sussurrou.-É só uma alucinação...

Então, para o seu total desgosto, a joaninha assumiu a forma de uma lâmpada, depois de um cérebro humano e aí de um grande relógio cuco com o passarinho saindo para fora. Leon fechou o semblante com uma raiva intensa.

-Leon?-Joshua apareceu na porta do quarto.

A joaninha sumira dali misteriosamente.

-O que foi?-Leon diz ao se sentar na cama.

-Estava tendo alguma visão?-Joshua se animou na hora.

-Mas é claro.-Leon assentiu.-Acabei de ver a ONU fechando um acordo de paz revolucionário com todo o Oriente Médio.

-Uau!-Joshua sorriu de orelha a orelha.-Você tem visão telescópica?

-Eu estou tirando sarro, Joshua.-Leon replicou.

-Bom...-Joshua dá de ombros.-Pior para aqueles refugiados, infelizmente.

O ruivo adentrou o quarto e se sentou na cama do seu melhor amigo. Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Ele olhou para o teto e tudo o que viu foi apenas o teto liso e o lustre antigo pendurado.

-Eu queria tanto ver a lagoa de carpas...-Joshua lamentou.

-Não ia querer ver isso...-Leon respondeu.

-Por quê?!-Joshua questionou.-Deve ser super incrível ver essas coisas!

-Isso, se não te chamarem de louco, ou de bruxo por todos os dias...-Leon ecoa vagamente.

Seu amigo o olhou e fez carinho em seu ombro.

-Ei, não fica assim...-Joshua diz delicadamente.-Aqueles idiotas só tem inveja do seu dom.

-Dom? Joshua, isso mais parece uma maldição que me lançaram!-Leon exclamou.-Desde o dia em que eu nasci, eu via essas coisas e falo no sentido literal mesmo! Meus pais achavam que eu era esquizofrênico e me levaram para todo o tipo de psiquiatras e neurologistas para saber o que é que eu tinha e todos faziam diagnósticos errados e me dopavam com um milhão de remédios pesados. E quando eu resistia, eu era internado numa porcaria de uma instituição para doentes mentais!

Há um silêncio pesado no quarto. Leon ficou abraçado nos seus joelhos enquanto encarava o lençol eternamente bagunçado de sua cama. Por outro lado, Joshua ficou pensativo. Desde que era criança, ele foi o único que se interessou pelas alucinações do seu amigo e quis conhecê-las. Isso gerou um certo conforto para Leon por saber que tinha alguém que ainda estava ao seu lado. Porém, ainda havia a sombra da dúvida que o fazia pensar todos os dias sobre o que eram aquelas alucinações que jamais iam embora com nenhum tratamento sequer.

-Olha, eu não sei o que são essas alucinações.-Joshua voltou à falar.-Você não é esquizofrênico porque não tem retardo mental e nem linguagem confusa, e muito menos é um bruxo porque até hoje eu nunca vi nenhum traço Wicca na sua família toda.

-Então, o que eu sou?-Leon quis saber.-O que é isso que eu tenho? Nenhum especialista quer tratar disso, todos já desistiram porque está fora da sua ossada. Eu não sei mais o que eu faço...

Joshua olhou para Leon por um momento e abriu um sorriso todo otimista e cheio de esperança.

-Relaxa, Leon.-Joshua disse-lhe.-Estamos procurando demais por respostas para uma questão muito complexa e não é assim que funciona.

-E como é que funciona?-Leon exigiu saber.

-Deixe que a resposta caia na sua cabeça...-Joshua responde num sorriso divertido.

Pensando bem, era tudo o que restava para Leon.

:

Leon costumava passar horas sentado numa cadeira atrás de um dos balcões de vitrines da Launches Perfume, pois só assim as suas alucinações não iriam aparecer porque sua mente ficaria distraída vendo todas aquelas pessoas indo e vindo entre si para comprar os produtos de beleza da Lily.

Hoje era sexta-feira. Lily já estava com as malas prontas para viajar até o outro lado da cidade para ajudar a sua amiga com uma porcaria de chá de bebê. Joshua já tinha preparado uma mala de viagem inteira para passar o final de semana com Leon para lhe fazer companhia. Tudo estava nos conformes.

No entanto, Leon tinha um certo pressentimento de que alguma coisa ia dar errado. Ele sabia que um chá de bebê era algo bem simples, mas grávidas não eram tão simples assim. E ele também não deixava de ver que Joshua recebia mensagens várias vezes durante o dia. Todas essas mensagens se resumiam à encontros supostamente românticos, conversas safadas de baixo calão e até mesmo convites para orgias na casa de algum dos incontáveis namorados de Joshua, onde ele sempre seria o passivo safado e guloso. Decididamente, aquilo era um poliamor.

Leon não podia deixar de sentir uma ansiedade na boca do estômago. Então, ele se manteve quieto no balcão apenas fazendo desenhos de estrelas e flores num bloquinho de anotações para não assustar os fregueses, apesar de eles estarem meio hesitantes em agir normalmente dentro da loja de sua irmã.

-Sabia que você parece um gato preto afugentando esses trouxas?-Joshua murmurou perto do ouvido de Leon ao passar por ele com alguns frascos de hidratante.

-Eu devo ser o gato preto, a escada e o espelho quebrado.-Leon sussurrou de volta.-Tudo junto.

-Sem dúvida.-Joshua riu e saiu andando.

Lily tinha acabado de vender alguns sabonetes de morango e lavanda para uma freguesa qualquer quando ouviu a porta da loja se abrindo e o sino tocando.

Um silêncio profundo se instaurou dentro da loja. Todo mundo estava olhando. Até Leon levantou a cabeça para olhar quem tinha acabado de chegar.

Era uma mulher. Possuía longos cabelos loiros com franja reta e olhos tão verdes quanto esmeraldas brilhantes. Ela usava um grande chapéu rosa queimado de abas largas com um colar artesanal de pedra de ametista, uma jaqueta jeans por cima de uma blusa de mandala tibetana e uma saia longa toda tingida de roxo e azul com botas pesadas e uma bolsa de pano no ombro.

A última vez em que aquela mulher apareceu em Avalon foi em julho do ano passado e ela só veio comprar quatro sacos grandes de fertilizante que ela levou embora na caçamba de sua picape.

Todos na cidade sabiam que ela morava nos arredores de Avalon entre a floresta Ravenwood e o litoral da cidade. Ela era conhecida simplesmente pelo nome Elsie e a geração atual pouco sabia sobre ela. Só haviam histórias de que ela era uma bruxa que via criaturas misteriosas e conversava com elas.

Ninguém queria chegar perto.

Elsie começou a andar e todos os fregueses saíram do seu caminho e se encolheram. Até uma mãe tapou os olhos da filha como se aquela mulher fosse hipnotizá-la. Ela olhou para a vitrine de um dos balcões e andou até lá. O que faz um homem quase cair no chão para se afastar dela.

Seus olhos verdes olharam para as fileiras de perfumes dentro da vitrine por um momento – depois voltou-se para Lily.

-Você tem perfume de flores aqui?-Elsie perguntou numa voz profunda e séria, mas bem feminina.

-Sim...-Lily consegue dizer e vai andando até o balcão, onde a mulher estava.

Leon e Joshua se entreolharam. Todo mundo estava assistindo em profundo silêncio. É como se estivessem num sonho horrível em que suas pernas ficaram imobilizadas.

-Você tem alguma preferência?-Lily diz educadamente.

-De orquídea, por favor.-Elsie respondeu rapidamente.

Lily mexeu nos frascos dentro da vitrine e logo tirou um transparente com toques rosáceos. Ela andou até a caixa registradora e Elsie a seguiu com todo mundo abrindo caminho para ela.

Elsie pagou o frasco de perfume em dinheiro vivo.

-Gostaria de embrulhar para presente?-Lily diz sem saber o por que dessa pergunta.

-Sim.-Elsie respondeu naturalmente.

Pois bem, Lily pegou uma linda caixinha de madeira com palha dentro e colocou o perfume de flor de laranjeira ali dentro. Fechou-a e amarrou uma fita lilás, junto com um lindo laço decorativo por cima. Ela pegou um cartãozinho pequeno e escreveu o nome de Elsie.

-Para quem?-Lily perguntou.

A mulher de chapéu parece hesitar por um momento.

-Gekkou.-Elsie respondeu.

De fato, isso não era um nome, mas Lily escreveu mesmo assim e entregou a caixa de presente para Elsie.

-Volte sempre.-Lily consegue sorrir um pouco.

Então, Elsie saiu marchando dali, passou pela porta da loja e enfim tudo voltou ao normal.

:

Já tinha anoitecido.

Havia um único poste de luz de estilo clássico iluminando o jardim perto do chão de cascalhos na frente da casa. O mar estava calmo, sem muitas ondas batendo nos rochedos do litoral.

Leon estava sentado sozinho no balanço da cerejeira, observando os seus pés descalços tocando a grama verdejante. Na verdade, ele não estava tão sozinho assim até porque tinha uma grande pantera branca dormindo nos galhos da cerejeira acima dele.

Ele olhou para a pantera por um momento. Até na noite mais escura, aquele felino gigantesco conseguia mostrar a sua pelagem branca como a neve. Não era à toa que ela tinha o nome de Pérola. O garoto voltou à ficar cabisbaixo e pensativo mais uma vez. Estava pensando sobre aquela mulher que entrara na Launches Perfume depois de tanto tempo sem dar nenhum sinal de vida.

Leon sabia que aquela mulher era a sua tia, irmã mais velha de sua mãe. Até onde ele sabia, Elsie e sua mãe nunca se deram muito bem. Segundo as histórias, Elsie sempre fora mais sonhadora e artística, o oposto de sua irmã que preferia entender tudo através de cálculos e razão. Este era um traço herdado por Lily.

Durante a sua infância conturbada, Leon se lembrava de algumas aparições de Elsie. Ela estava lá brigando com sua mãe, falando que ele era especial demais e não merecia ser tratado como um doente mental. Isso sempre deixou Leon curioso. O que ela queria dizer com “especial”?

Elsie ainda ficou certo tempo lutando para livrar Leon de todas aquelas idas à psiquiatras e internações, mas acabou sumindo. Ela sumiu depois que os pais de Leon morreram naquela tempestade no mar que virou o barco deles e os levou para as profundezas. Agora, Elsie aparecia raramente na cidade e parecia fingir que Leon e Lily não eram os seus sobrinhos.

Por outro lado, Leon e Lily estavam tão confusos por tanto tempo que não sabiam mais como reagir na frente de sua própria tia. Sua mãe os afastara dela por ela ter “más influências”. É como se ela fosse outra louca também, apesar de não haver nenhum quadro psiquiátrico na família Hawkins.

No entanto, o que intrigava Leon era esta história de Elsie conversar com criaturas misteriosas. Seria sua tia igual à ele, ou quase? Se sim, ele não estaria sozinho no mundo com essa “maldição”, só que ele nem sabia onde Elsie morava exatamente e Lily jamais o deixaria ir até lá. Estava fora de cogitação.

Os faróis brilhantes da picape de Lily iluminaram a frente da casa. Leon se levantou do balanço e foi andando até lá. Ele encontrou sua irmã tirando algumas sacolas de compras do carro e decidiu ajudá-la.

-Cadê o Joshua?-Leon perguntou quando eles adentraram a casa.

-Ele foi para a casa dele para arrumar as suas coisas antes de vir para cá.-Lily respondeu ao se dirigir para a cozinha.

-Mas ele já não tinha feito uma mala de viagem inteira?-Leon questionou.

-Sim, mas o maluco teve a brilhante idéia de fazer uma festa do pijama com você.-Lily explicou.-Por isso, ele vai trazer mais coisas.

-E ele vai andar com todas aquelas coisas até aqui?-Leon diz ao colocar as sacolas de compras sobre a mesa da cozinha.

-Não. Eu vou emprestar a picape para ele quando for para a rodoviária pegar um ônibus.-Lily diz enquanto abria a geladeira e guardava algumas coisas lá dentro.-Ele vai chegar aqui num instante.

Leon foi tirando todas as compras de dentro das sacolas e colocando tudo em cima da mesa. Ele viu um alguns filés de salmão e de frango em bandejas de isopor, garrafas de molho shoyu, farinha de trigo, ovos, chocolate em barra bem grande e bastante molho curry.

-Lily, o que você vai fazer com tudo isso?-Leon perguntou.

-Salmão assado no molho shoyu com batatas, brócolis e cenouras.-Lily começa a contar nos dedos.-Tortinhas de frango com curry, bolo de chocolate trufado e milkshake de chocolate também.

-Uau...-Leon sorriu, já lambendo os lábios tinindo de sabor.-Um jantar com direito à milkshake.

-É porque eu sou a melhor irmã do mundo.-Lily brincou ao fechar a geladeira.-Mas, neste momento, eu estou sendo a pior irmã ao deixar o meu irmãozinho sozinho nessa casa enorme, fazendo um monte de loucura e quebrando tudo...

-Eu já entendi, Lily.-Leon interrompeu.

Sua irmã suspirou e foi andando até o seu irmão antes de segurar o rosto dele com suas mãos, as pulseiras de berloques e guizos tilintando.

-Eu volto na noite de domingo.-Lily diz bem baixinho.-O Joshua vai ficar esse tempo todo com você. Não dê atenção à nada de... anormal que aparecer por aí quando você estiver sozinho. Isso só vai te fazer mal, então tente ser... normal.

Normal. Esta era uma palavra muito forte para o caso de Leon. Apesar disso, ele sorriu e assentiu.

-Tá bom, irmã.-Leon respondeu.

Lily sorriu e beijou-lhe na testa antes de voltar-se para as compras em cima da mesa.

-Muito bem. Vamos começar pelo salmão.-Lily diz antes de arregaçar as mangas.

 



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