História Identidade - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Camila Cabello, Camren, Camren G!p, Fifth Harmony, Lauren G!p, Lauren Jauregui, Romance
Exibições 663
Palavras 2.565
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Sexo, Transsexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 13 - "...uma boa garota..."


Twitter: ISBB5H

 

Duas décadas se passaram desde que o pequeno quarto da antiga residência dos Cabello abrigou, o que na compreensão de uma jovem mulher, parecia ser uma desnecessária infinidade de pessoas. A ansiedade alimentava-se do silêncio cruel e todos os olhos pairavam sobre a jovem, quando de repente o alto som de um choro se fez presente, e partir deste instante toda a atenção fora desviada até a origem do pranto.

O choro persistiu. Era progressivo. Estridente e reverberava entre as quatro paredes, através destas e em direção ao corredor.

A cabeça da jovem cubana já àquele ponto não funcionava em plenas condições, mas no momento em que teve em seus braços pela primeira vez aquela pequena boneca de preguiçosos olhos cor de chocolate e feições amarrotadas, ela soube… Sinuhe soube ter em suas mãos, e para sempre em sua vida, uma boa garota.

Camila não cresceu cercada de luxos ou extravagâncias, coisas que só vieram muito mais tarde, mas sim de bons exemplos e abundante amor. O pulso firme e o aconchego seguro de Alejandro construíram base para a sua coragem. O carinho irrestrito e o entusiasmo exclusivo de Sinuhe montaram acampamento permanente em sua forte personalidade. Alguns anos depois, a chegada de Sofia lhe devolveu importantes pitadas de uma inocência infantil, e munida de todas essas armas e escudos, a boa garota tornou-se mais do que isso, tornou-se boa mulher. Não boa pelo que é capaz de oferecer ou pelo formato de seu corpo ou mesmo pelos atributos que possui, mas por portar e ostentar um coração enorme, humilde e gentil.

Eventualmente a boa garota que um dia coube nos braços da mãe, tornou-se a boa mulher que curiosamente cabia hoje perfeitamente nos braços de Lauren.

– Todo o meu corpo está formigando. Quase como se queimasse lentamente. Soa muito estranho?  – Declarou baixo e escovando seus lábios aos de Lauren. Sorriu e se permitiu abrir os olhos encontrando os verdes, tão claros e tão úmidos, lhe encarando com extremo encanto. Estavam ainda no banheiro do quarto da latina, abraçadas e recostadas à dura bancada de pedra. – O que você… – Suavizou a feição enquanto desfazia o aperto dos braços ao redor do pescoço pálido para que pudesse levar uma das mãos até a bochecha da outra, limpando o fino rastro de uma lágrima recente. – Está chorando?

– Mas estou feliz. – Respondeu sem precisar pensar. – Feliz porque você ainda está aqui. – Lauren apertou a cintura da pequena mulher trazendo-a para mais perto. – Bem aqui comigo mesmo de depois de tudo o que lhe contei.

– Não há nenhum outro lugar em que eu quisesse estar, senão aqui. Bem aqui com você. – Beijou os lábios vermelhos da garota maior mais uma vez. – E não reclamaria se você quisesse ficar… – Sabia que a morena tinha já elaborado um irritante costume de recusar seus convites e por isso se encontrou incerta sobre prosseguir ou não. – Ficar um pouco mais e me fazer companhia, talvez?

Mas contrária a preocupação da latina, a morena de olhos claros tornou a surpreender. – Quer mesmo que eu fique? – Devolveu a pergunta com evidente choque e empolgação.

– Tenho motivos para não querer?

– Eu só pensei que depois…

– Shh. – Pousou o dedo indicador sobre os lábios vermelhos enquanto negava com a cabeça. – Nem pense em dizer que pensou que algo mudaria entre nós duas após essa conversa.

– Então não muda? Não muda nada? – Envergonhada, baixou seu rosto, escondendo-o atrás da cortina de cabelos compridos e escuros. – Taylor disse que, bem, Taylor tinha razão em se impressionar com o fato de estarmos juntas.

– Eu não me importo com o que Taylor disse ou com o Taylor acha. Eu só me importo com Lauren. Pode dizer isso à ela? – Mordiscou o lábio inferior da morena devagar e soltou-o em seguida. – Hun? Pode dar esse recado à Lauren por mim? – Cutucou-a na cintura provocando cócegas e a saída de uma risada leve e despreocupada da garota maior. Uma risada tão bonita que Karla não mediu esforços para ouvi-la muitas vezes mais, prosseguindo com as cócegas e levando-as a uma disputa escandalosa banheiro afora.

Dispararam para fora do quarto e a morena de olhos claros agora tinha a vantagem. Seu corpo e sua resistência eram maiores. Seus braços mais compridos para alcançar o corpo desejado e o aperto em suas mãos mais forte, para prendê-la no lugar. Se manteve grudada às costas da latina, seus braços circulando a cintura fina e os dedos se ocupando da prisão improvisada e das provocações com determinados toques. – Você vai me pagar, Cabello. – Se divertia com os gritos desesperados da menor e ao chegarem à sala de estar ergueu-a de modo a colocar o corpo esguio sobre o grande sofá. Levou os braços que inutilmente se debatiam até as laterais da cabeça e os segurou sem dificuldade. – Não adianta, eu sou mais forte. Quando é que vai desistir e nos poupar de todo o esforço? – Aproveitava o momento para não tão secretamente assim admirar Camila abaixo de si. Era linda. Os traços eram delicados, a pele macia, o cabelo cheiroso e o sorriso… A visão mais perfeita sobre a qual já pusera os olhos. Foi quando os olhares se cruzaram, de repente, que perceberam que nenhuma das duas garotas se esforçava mais. Pararam de lutar e deixaram que os sentimentos falassem mais alto.

– Vai me beijar? – Karla murmurou bobamente, ansiosa pela proximidade que crescia a cada novo respirar que trocavam.

E Lauren riu. – Cale a boca, Camila.

– Grossa.

– Tagarela. – Devolveu a ofensa.

– Estúpida. – O hálito quente se chocou como uma muralha de pedras contra o rosto de Lauren, que fechou os olhos e sorriu mais largo ao ser inundada pelo doce aroma.

– Cale-se. – Essa foi a vez da menor de provar da mesma sensação. – Eu vou te beijar agora. – E assim o fez. Deixou que seus lábios escorregassem pelos da garota e gemeram baixo, juntas, com o contato. Incapaz de raciocinar com clareza, no instante em que a língua de Camila pediu por passagem, Lauren soltou todo o peso sobre o corpo da outra, que aceitou a conexão de bom grado, usando os braços para circular o pescoço da maior, enterrando ambas as mãos no cabelo negro. Puxou as raízes com força quando se remexeu e se deu conta de um algo mais que vinha do corpo acima do seu, mas antes que pudesse consolidar o pensamento foram interrompidas.

– Lugar para mais uma nessa festa? – A voz de Dinah fez com que Lauren saltasse para longe da latina, tentando se equilibrar na intenção de não cair do sofá e tornar o momento ainda mais ridículo. Seu rosto já vermelho pelo esforço foi se colorindo cada vez mais e mais na medida em que a loira enganchava os próprios dedos na blusa que usava agora erguida acima da altura do umbigo e chegando perigosamente próxima do pescoço. Sem sombra de dúvidas Dinah estava se despindo.

– Nã-não! – Gritou com os olhos arregalados.

– O que? Não sou gostosa o bastante para você? – Se fez de ofendida.

Um líquido gelado desceu por sua espinha. – Cami-camila, e-eu…

As duas amigas e companheiras de apartamento não demoraram até explodirem em uma alta gargalhada. – Ok, já chega. É o suficiente! Pare de constrangê-la, DJ! E abaixe logo essa blusa! – Karla ordenou ainda tremendo pelo riso forte e se arrastou até onde a morena de olhos claros estava. – Ei, você. – Usou as duas mãos para obrigar Lauren a tirar os olhos assustados da amiga e trazê-los de volta para si. Somente para si. – Tudo bem? Foi só uma brincadeira da chata da Dinah. – Os verdes e brilhantes olhos piscaram algumas vezes antes que a garota recobrasse por completo a razão e no instante em que o fez, se emburrou.

– Vocês são idiotas. – Afastou Camila de si e cruzou os braços no peito. – Inferno.

O restante da noite foi leve. Agradável.

As duas amigas brincaram um pouco mais às custas da morena de bico enorme e zangada, pois aparentemente a personalidade aborrecida de Lauren divertia não só a latina, mas também a mulher mais alta. Em pouco tempo parecia que aquela estranha conversa havia acontecido não hoje, mas já há muito tempo. Lauren, vez ou outra, se pegava observando Camila atentamente a procura de qualquer gesto, ato ou indício que indicasse o desconforto com sua presença e condição, mas claramente nada disso aconteceu. Em determinado momento Dinah deixou escapar que Mila havia perdido a primeira audiência junto à coordenação da Universidade, fazendo com que a morena se sentisse culpada, mas isso também fora logo esquecido quando a maior contou às duas sobre a reunião.

Segundo ela, a coordenação havia se posicionado quanto a falta de evidências que condenasse o diretório de Camila, afirmando que se nenhuma nova e concreta prova surgisse ao prazo da próxima reunião ou se o autor da denuncia anônima não se assumisse, não existiria qualquer possibilidade de condenação. E foi com o alívio dessa notícia que Lauren resolveu que era hora de partir.

Levantaram-se com desânimo, mas com as mãos entrelaçadas. Trocaram beijos rápidos e se despediam na porta da frente a espera do elevador. – Eu… Te…

– Me vê amanhã? Claro. – A latina adiantou tanto a pergunta quanto a resposta. – Alguma dúvida quanto à isso?

Lauren sorriu timidamente. – Ok.

– Hey, olhe para mim. – Camila ergueu seu queixo para que pudessem se encarar devidamente. Exigiu atenção dos verdes e somente prosseguiu quando a teve. – Obrigada por ter me contado a verdade. Obrigada por ter vindo até aqui.

– É.

– Você é linda, Lauren Jauregui. Nunca duvide disso.

Quando o elevador enfim chegou, a morena ainda hesitou no lugar. – Camila. – Chamou baixo. – Depois de hoje e de tudo o que eu contei… – Mordeu o lábio inferior com força. – Como ficamos?

– Juntas. – Respondeu deixando um carinho preguiçoso nas bochechas coradas.

Suspirou cansada. – Você tem certeza?

– Sobre você? Toda. Certeza absoluta. – Se inclinou para deixar um selinho nos lábios vermelhos, obrigando-a a desfazer a mordida nervosa e voltou a dizer. – Vou precisar que seja paciente quanto às minhas dúvidas, porque elas irão surgir. Vou precisar que seja paciente quanto a minha ignorância no assunto, pois tenho certeza de que há muito sobre você e sobre a sua condição que eu ainda não sei. Vou precisar que seja paciente consigo mesma quando os truques em sua cabeça te fizerem acreditar que tenho algum problema em relação a você, pois honestamente, eu não tenho. Lauren, eu me recuso a dizer que “te aceito sem problemas”. Jamais poderia “te aceitar”, isso não cabe a mim porque simplesmente não diz respeito a mim. Contudo, te respeitar, te admirar e… Te amar. – Tragou com dificuldade após externar a expressão máxima de seus sentimentos. – Essas são coisas que eu posso fazer. São coisas que eu quero fazer, se você for paciente. Você pode ser?

– Não faz sentido para mim que alguém tão… – Camila calou-a com um beijo urgente. Seria último daquela noite, prometeu a si mesma. Provou, provocou e exigiu daquela boca tudo o que já era seu por direito e deu-se por satisfeita somente ao roubar da morena o último resquício de ar.

– Cale a boca, Jauregui. Você fala demais. – Brincou e a empurrou pelos ombros apertando o botão indicado para que o elevador descesse, mas antes que as portas pudessem se fechar os pares de olhos se encontraram por poucos segundos que bastaram para que ela pudesse atordoar Lauren outra vez mais. – E eu continuo sendo sua.

Após essa cena, voltou para o apartamento sentindo-se vitoriosa e encontrou Dinah fazendo um lanche na cozinha. Caminhou sem pressa e se sentou na bancada da pia, sacudindo as pernas que já não podiam tocar o chão daquela altura e assistindo a amiga trabalhar na difícil tarefa de empilhar os itens escolhidos entre os pães. Mesmo que soubesse que a sensação estava prestes a fugir pela janela, deixou que a felicidade de um dia junto à Lauren, e que começava em seu sorriso, irradiasse para o resto do corpo. – Você é uma boba apaixonada. – Ouviu da amiga.

– Não nego.

– Ela se explicou?

– Sim. – Mordeu o lábio inferior incerta do quão sincera poderia ser com a amiga, mas sabia que mais cedo ou mais tarde precisariam conversar. As informações fornecidas por Lauren eram muitas e de extrema importância, e Dinah era a fiel amiga com quem contava para absolutamente tudo.

– E por um acaso devo acreditar que ela tinha bons motivos para te tratar daquela maneira no refeitório?

– Conversamos sobre isso, DJ. Não se preocupe. Não irá se repetir.

– Tudo bem. Realmente espero que não se repita, ou eu mesma vou me encarregar de quebrar aqueles dentes brancos e enormes.

Riram juntas. – Obrigada DJ.

A loira deixou de dar atenção à própria refeição e encarou a amiga com compaixão. – Está me agradecendo por ameaçar a sua garota?

– Estou agradecendo por não ter dito o que quer que tenha acontecido naquela reunião na frente de Lauren. – Karla sabia. Sabia no instante em pôs os olhos na loira, que as notícias não eram boas e realmente apreciava o fato da amiga ter mantido tais informações ocultas da visitante.

– Eu achei que seria o melhor.

Suspiraram. – E quais são as notícias? São tão ruins quanto parecem ser?

– Mila… Eu não menti sobre a falta de provas ou sobre o prazo para que alguém se apresente e assuma a denúncia feita.

– Mas isso não é tudo, estou certa?

A loira concordou com pesar. – Os demais diretórios se zangaram com o aparente “desinteresse” da coordenação em nos condenar, e fizeram uma única exigência. Se formos condenados, eles não apenas querem nos destituir do cargo e dar início a uma nova eleição. Eles exigiram a nossa definitiva expulsão.

[…]

Na manhã do dia seguinte Camila andava pelo campus com o corpo pesado. Não havia pregado os olhos na noite anterior. Se por um lado havia ficado feliz com a falta de provas que pudessem condená-la e aos colegas, por outro se preocupava com a exigência dos outros diretórios, afinal se haviam chegado àquele ponto graças a uma vil armação, quem lhe garantiria que Jeremy e os amigos não forjariam uma falsa evidência?

Tinha decidido que a melhor solução para o problema seria procurar o garoto para uma conversa franca. Apelaria para seu juízo e bom senso, pois o que estava em jogo era algo bastante sério. A última coisa com a qual poderia lidar é com uma possível e injusta expulsão.

Marchou refeitório adentro e encontrou Jeremy junto à turma em uma mesa específica. Andou até lá ignorando os vários chamados de seus amigos, Dinah e até mesmo Lauren. Essas últimas logo se apressaram naquela direção ao perceberem as intenções de destino de Camila, que ao se aproximar do rapaz não teve a oportunidade de falar, sendo por ele interrompida. – Parece que a novata escolheu errado. – Franziu o cenho confusa antes de perceber que Jeremy não falava com ela, mas olhava por cima de seus ombros. Olhou para trás e encontrou uma séria Lauren praticamente grudada em si. – Já soube que a garota com quem está se envolvendo, caloura, está prestes a ser expulsa dessa universidade? – O choque foi grande. Ao ouvir tais palavras, os verdes se abriram em surpresa enquanto o resto do corpo ficou tenso diante da ameaça de perder Camila. Isso não poderia lhe acontecer de forma alguma. Automaticamente os punhos pálidos se fecharam, seguidos das batidas intensas de seu coração amedrontado. – E o que vai ser da novata quando a namoradinha não estiver mais aqui? 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...