História Ideologia - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ciencia, Deus, Drama, Homofobia, Ideologia, Mudança, Religião
Exibições 8
Palavras 3.055
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá, pessoas...

Aqui está o capítulo final dessa short fic...


Boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo 3 - Final


Fanfic / Fanfiction Ideologia - Capítulo 3 - Capítulo 3 - Final

            O homem suspirou, não era bem um assunto que queria conversar com ela, tinha mais de uma razão para achar que a menina era tão mente fechado quanto a mãe.

- Olha, Madeleine, a única coisa que posso te dizer é que minha opinião sobre isso é bem parecida com a de Benjamin.

- Ahh... Entendo... - Foi tudo que Madeleine respondeu, surpreendendo o pai que esperava resistência.

            Aquele fim de semana foi bem reflexivo para Madeleine que passou o tempo pensando sobre tudo aquilo, aquela visão que ela nunca tinha tido. Benjamin passou a maior parte do tempo fora, mas ainda teve tempo de a ensinar a mexer no computador, e ela descobriu que tinha facilidade, então ficou parte do fim de semana mexendo no computador, pesquisando coisas na internet. Mas as informações e opiniões lá eram cruzadas e só a deixou mais confusa.

Conversou com o pai e descobriu que sua pele cor de canela, como a do pai, tinha vindo de seus avós por parte de pai, ambos mexicanos, descobriu também que tinha tios e primos. O cabelo negro e liso também era uma herança do pai, só os olhos castanhos esverdeados que eram da mãe, pois os do pai eram escuros.

E acima de tudo, Madeleine gostou do ambiente da casa e do fato de que poderia ver TV sempre que quisesse e o que quisesse, que poderia abrir a geladeira e comer qualquer coisa sempre que sentisse fome, e que tinha um computador onde podia mexer. Mesmo assim seu maior medo estava ligado ao fato de que segunda teria de ir à escola. E o fim de semana passou mais rápido do que ela desejava.

Na segunda pegou um de seus vestidos e o colocou para ir para a escola. E o pai a levou até lá com alguns materiais que Benjamin tinha dado a ela. Assim que entrou na escola viu que as pessoas olhavam pra ela e riam, como se ela fosse uma piada. Ela tentou ignorar e seguiu para sala, olhou onde era, demorou um pouco, mas chegou a sala que estava no papel. Não tinha muita gente ali, então achou que seria fácil. Tinham penas sete pessoas. Duas meninas sentadas juntas e com cara de poucos amigos, usando roupas muito curtas. Um garoto perto da porta que parecia tão deslocado quanto ela. Um outro sentado perto da janela com a cabeça baixa que parecia dormir. Um menino que parecia o tipo estudioso e parecia não estar nada feliz de estar ali. E no fundo um rapaz que parecia mais velho com um sorriso irônico nos lábios olhando Madeleine como se ela fosse uma presa, ao lado dele um outro menino que parecia se sentir importante com sua posição ao lado do grandão.

- Olhem só, temos uma beata na sala – falou uma das meninas e com isso quase todos riram, menos o cara que dormia, o estudioso e o menino deslocado.

- Se cortarmos a saia desse vestido dá pra fazer outro – completou o grandão e o menino ao lado dele riu como uma hiena.

            Madeleine queria ignorar tudo aquilo. Mas as risadas a incomodavam mais que as falas. Não havia nada de errado com o jeito que ela se vestia, havia? Era só um vestido, e daí se era longo.

- Ninguém te disse que não precisa estudar pra ser feira? – perguntou agora a outra das meninas, e as risadas continuaram.

            Madeleine só baixou a cabeça sem saber o que dizer, não entendia o que estava errado, em casa ninguém tinha dito nada. Seu vestido ia até a baixo do joelho e as mangas era como as de camisetas, não era o fim do mundo, era? Apesar de Madeleine sempre ter vontade de usar calças a mãe nunca a tinha dado uma.

            Então o professor entrou e todos se calaram. Ele não fez apresentação nenhuma e logo começou a aula que era de física. Madeleine então tentou prestar atenção. A aula era interessante, explicava algumas coisas a volta dela de maneira diferente a que conhecia, pois a mãe tinha dito a ela que tudo era Deus. Mas a aula que a confundiu mesmo foi biologia a teoria da evolução. Isso a deixou tão confusa que acabou fazendo uma besteira, ao abrir a boca.

- Evolução? Mas Deus já criou os animais como são.

            E foi só ela abrir a boca, desta vez todos eles deram risada dela, alguns até bateram na mesa.

- Beata, ninguém te contou que Deus não é um mago com uma varinha mágica? – falou o grandão do fundo as gargalhas.

- Ok! Todos calados! – falou o professor daquela matéria.

- Ok. Como é o seu nome? – ele perguntou a Madeleine que agora estava de cabeça baixa e sentia o rosto queimar.

- Madeleine – ela respondeu.

- Até o nome é de freira – falou o grandão rindo de novo.

- Já te disse pra ficar quieto, James. – o professor então olhou para Madeleine – Muito legal esse livro de onde você tirou isso, mas ele não é real, querida. Só me diga onde os dinossauros se encaixam nessa sua estorinha legal e podemos começar a argumentar. Se não tiver resposta, é melhor esquecer tudo que ouviu sobre um homem com poderes mágicos criando o mundo, e começar e entender como ele realmente se formou. Você entendeu?

            Madeleine só assentiu ainda arrependida de ter aberto a boca, e prestou atenção no que ele explicava. Não abriu a boca mais aquele dia, e nem foi comer, sua cabeça estava uma confusão. Embora tudo que ouviu fosse contra seus ensinamentos, fazia mais sentido e isso a confundia cada vez mais.

            Foram três dias de aulas que a fazia ficar cada vez mais confusa. Então naquela quarta quando chegou em casa e pela primeira vez encontrou Benjamin ali, ela se sentou na bancada da cozinha onde Benjamin mexia como sempre, e levou a mão ao rosto suspirando.

- Você está bem? – Benjamin perguntou.

- Não... as aulas me confundem, vão contra tudo que sei...

- Ok. Meu pai me xingou por falar de Deus com você. Ele me disse que você teve uma criação religiosa e que não entenderia meu modo de pensar.

- Eu entendo... sério. Eu entendo... é só que me confunde, pois ele, assim como as aulas, faz mais sentido que tudo que aprendi.

- Olha, o mundo hoje, está dividido em basicamente dois tipos nesse aspecto. Os que acreditam em Deus e os que acreditam na ciência. Meu conselho é, não seja nenhum dos dois, ambos podem coexistir. Não é porque Deus existe que a ciência não faz sentido, não é por que a ciência explica que não foi Deus que criou. Já imaginou se tudo isso foi criação dele? Cada célula, cada lei da física, cada reação química, cada aspecto da evolução. Não feche sua mente para nenhum, só veja onde eles se encaixam.

- Isso faz sentido.

- Faz, tente pensar assim. Você está indo à escola com essas roupas? – ele mudou de assunto do nada.

- Sim...

- E tudo bem? – era como se ele soubesse o que ela estava passando.

- As pessoas riem de mim.

- Imaginei. Eu conheço alguém que pode te ajudar com isso, mas você, como uma religiosa, acredito que não aceitará a ajuda dele. Você não aceita pessoas como nós – ele falou.

- Eu gosto da pessoa que você é – respondeu Madeleine sem entender,

- Você não faz ideia da pessoa que eu sou. Vai descobrir logo, não surte.

            Madeleine o olhou sem entender, mas ele deu as costas a ela e voltou a mexer na cozinha. Ela não querendo discutir com ele agora subiu e foi tomar um banho. Quando saiu e desceu as escadas viu que o pai estava ali, assim como um outro rapaz. Tinha quase a altura de Benjamin, cabelos negros cortados em uma franja que lhe caía de lado sobre os olhos negros, e tinha um sorriso muito lindo. Usava uma calça negra, bota negra de cadarços e uma camisa negra com flores roxas, que era na verdade meio feminina, mas ficava tão boa nele. Uma das mãos dele estava engessada, provavelmente parte do braço que ela não via, o que a fez ter certeza que ele era o amigo do Ben, o tal Mike. 

            Ele estava junto de Benjamin na cozinha, será se ele era a pessoa que podia ajuda-la? Ele parecia... Madeleine sentiu um frio na barriga. Era isso, ele era gay... eles eram. Mas Benjamin era um cara tão legal, não viu nada de ruim nele... E ele não parecia gay. Lembrou-se de Jenna, a única pessoa que quis ajuda-la na sua própria cidade, a julgou mal ao ver que tinha uma namorada e agora ele... não parecia haver nada de errado ali. Os dois riam juntos ali na cozinha e o pai nem os olhava, era como se fosse natural. Mas ela aprendeu a vida todo a odiar essas pessoas, aprendeu que era errado. Agora viviam com uma delas, e ele era legal e lindo. Não sabia como agir. Estava ao pé da escada ninguém parecia tê-la notado. Ficou observando.

            O rapaz de franja então se virou beijando o rosto de Benjamin que sorriu para ele e voltou ao que fazia, o rapaz se afastou e foi se sentar ao lado do pai deles. Marcus se virou para ele e começou a conversar com ele, normalmente... será se a errada ali era ela? Mas a mãe... A mãe! Amava a mãe, mas a cada segundo fora da prisão da casa onde vivia, descobria que a mãe a tinha a afundado em um mundo preconceituoso e solitário, um mundo muito diferente do que existia ali. Correu escada a cima e ligando o computador começou a ler tudo ali. Lei que defendia a opção sexual das pessoas, pessoas defendendo umas às outras, pessoas hétero apoiando as gays em sua luta por inclusão. E o papa, dizendo que não é ninguém para julgar um gay. Tudo isso que leu em questão de minutos a fez pensar que suas ações vinham sendo erradas, e mesmo que ainda estranhasse muito aquilo, não tinha direito de falar nada, ela sim não era ninguém.

            Depois de botar na cabeça que não os julgaria, desligou o computador e voltou a descer. Desta vez não parou e entrou na cozinha. O rapaz estava de volta ao lado de Benjamin, e a viu antes dos outros.

- Oi – ele falou assim que a viu, e tinha o belo sorriso no rosto.

- Oi – ela respondeu tentando não transparecer sua luta para parecer imparcial.

- Mike essa é minha irmã Madeleine. E Madeleine esse é meu namorado Michael, pode chama-lo de Mike – Benjamin os apresentou os olhando, principalmente avaliando Madeleine.

- Oi, muito prazer – ela falou, mas não se aproximou.

- O prazer é meu – falou o rapaz que também não foi até ela.

- Era dele que eu estava falando, então se quiser ajuda, só dizer...

- Ok. Eu digo. - Com isso ela se afastou e foi se sentar com o pai. Ambos ficaram em silêncio por um tempo.

- Então... espero que Benjamin ser gay não a afaste dele. Ele é sua melhor chance de se dar bem fora dessa casa, escute o que eu digo. Não conheço ninguém mais esclarecido, esperto e bondoso que ele. Pode ser estranho para você, mas é normal para maioria.

- Eu sei... eu sei... estou tentando, depois de tudo... fico confusa.

- Todo mundo fica confuso com as coisas na vida. A questão é ter alguém que te ajude e aconselhe bem sobre isso...

- Como o Ben.

- É, como ele.

            Madeleine não podia ignorar o fato de que ele vinha tentando ajuda-la. Ele estava mais ciente dos problemas dela, do que ela mesma. Sabia que podia confiar no que ele dizia, e sem ele onde conseguiria essa ajuda? Talvez o namorado dele fosse igual, e pudesse mesmo ajuda-la. Ela não via Benjamin com alguém que fosse menos do que ele mesmo em personalidade.

            Logo depois dela chegar eles se sentaram juntos para jantar. Madeleine ainda estava um pouco incomodada, mas sabendo que ela era a errada, só ficou na dela. O pai dela logo tinha terminado o jantar e saiu dizendo que estava cansado, ia tomar um banho e dormir. Madeleine ficou ali comendo a sobremesa com Ben e Mike.

- Nossa, isso está maravilhoso – Madeleine deixou escapar.

- Obrigado – Ben respondeu.

- Vocês... eh... vocês estudam juntos? – Madeleine perguntou puxando assunto.

- Na mesma universidade, sim, mas cursos diferentes – Mike respondeu.

- E o que cursam?

- Eu faço gastronomia – respondeu Ben, o que explicava o fato dele estar sempre na cozinha e a comida ser ótima.

- E eu moda... – Mike contou.

            Madeleine olhou Ben indignada. Era por isso que ele disse que ele podia ajuda-la, um estilista.

- Sério, Ben? Acha que eu preciso de um estilista?

- Eu não disse isso – Ben falou com um sorriso enquanto Mike ria muito. – Eu disse que ele poderia te ajudar.

- Sei... – Madeleine falou o olhando de lado.

- Esquece ele. Olha, eu posso sim te ajudar, não do modo como está pensando, eu gosto de simplesmente sair e comprar roupas, posso te levar a boas lojas – falou Mike para ela. – Só me avisar.

- Claro eu te digo... E como vocês se conheceram? Na universidade?

            E quando deu por si Madeleine estava conversando com eles e rindo. Era tão fácil, ele era tão receptivos e bons ouvintes, ela podia falar sobre qualquer coisa. E o fato deles serem gays em nada influenciava, por mais que ela achasse que mudava, era o mesmo Benjamin receptivo e cheio de conselhos pra dar, o sorriso ainda era doce, e o pior de tudo, ele ainda a atraia, o cheiro, os trejeitos, a bela voz... E Mike com seu sorriso encantador e sua voz aguda, era um cara super engraçado e comunicativo... Como pessoas assim podiam ser ruins? Isso estava errado. Logo depois disso Mike foi para casa, e Benjamin e ela foram dormir.

            O resto da semana continuou uma tormenta para Madeleine, o professor de biologia implicando com ela, e os alunos rindo de suas roupas. Além de tudo ela notou que muitas pessoas também sofriam com isso. E algumas delas por serem gays, as pessoas nunca estavam satisfeitas com nada, qual era o problema em ser diferente? Isso era ridículo. Começou a entender o que o mesmo Deus dela dizia sobre não julgar o próximo e ama-los incondicionalmente, isso não estava sendo feito no mundo, e por ideias erradas quase que ela mesma não o fazia também.

            Chegou à conclusão de que não queria ser parte dessas pessoas preconceituosas e maldosas, ser legal com todos parecia tão mais certo.

            Notou que fazia apenas uma semana que chegara na casa do pai, e parecia que fazia um ano. Sentia muita falta da mãe, mas em contrapartida tinha aprendido tanta coisa nova, tanta coisa boa. Tinha sido humilhada e ajudada, tinha ficado confusa e recebeu conselhos... parecia tanto tempo de aprendizado. Se em uma semana ela tinha se tornado tão maior, o quão melhor ela seria em um ano.

            Decidiu que ia aceitar a ajuda de Mike para encontrar roupas melhores, e ligou para ele perguntando se podia ser no fim de semana, assim ela tinha combinado de sair com Benjamin e Michael para conhecer a cidade e fazer compras. Ela se sentia feliz com isso, o sorriso que viu no rosto do pai, que ela mal conhecia, ao saber que os filhos se davam bem, era impagável. Nunca tinha imaginado que estaria tão à vontade em uma casa desconhecida. E a mulher do pai era uma pessoa maravilhosa, e a tinha aceitado tão fácil quanto o próprio pai, ela se sentia bem-vinda naquela casa.

            Em um dia, pouco mais de um mês depois de chegar àquela casa, que hoje ela podia chamar de sua sem medo, Madeleine estava mexendo em suas coisas quando encontrou a folha que a tinha guiado até ali. A folha dada por uma enfermeira prestativa e boa de coração. Viu bem no fim da folha o número da moça. Madeleine devia tudo que tinha, desde o conhecimento atual, a casa e o pai, a uma mulher que simplesmente resolveu ajudar. Tinha que agradecer, mas não ligaria, não saberia o que dizer. Pegou seu novo e belo celular, dado pelo pai e a madrasta. Recompensa pelas boas notas nas primeiras provas. Abriu o aplicativo de mensagens e começou a digitar:

            “Oi, se lembra de mim? Eu sou Madeleine Lewis. Você me ajudou quando perdi minha mãe, e me pediu para entrar em contato quando estivesse bem... eu estou. Graças a você. Eu tenho muito a agradecer. Você me ajudou muito mais do que imagina. Quando deixei essa cidade eu era uma pessoa rígida, religiosa ao extremo, preconceituosa, homofóbica, leiga... eu não sabia nada da vida. E quando eu vi você com aquela mulher minha reação foi a pior possível, mas eu não podia renegar sua ajuda, foi a única que tive. Com pequenas dificuldades eu consegui encontrar meu pai. Ele me recebeu muito bem, e o filho dele (na verdade filho da minha madrasta) também, eles foram legais comigo e me ajudaram. Benjamin (meu irmão de coração) sempre tinha um conselho ou uma lição para me dar, eram duras e confusas para alguém travada como eu... Mas por incrível que isso possa ser, ele me flexibilizou em menos de uma semana. Eu frequento a escola agora, nunca tinha ido antes e adoro aprender. Depois de tudo que aprendi e por simples capricho do destino descobri que Benjamin é gay... fiquei confusa, estranhei... Mas ele era sempre tão bom comigo, e isso me fez ver que julgar as pessoas é algo terrível. Hoje eu, ele e o namorado dele, somos muito amigos e eles continuam me ajudando. Minha madrasta é um doce, e essa casa agora é meu lar... Mas nada disso seria possível sem um gesto seu... Tão simples, mas que mudou uma vida pra sempre. Você é meu anjo. Espero um dia poder te encontrar de novo, para te dar um abraço, um beijo e dizer olhando nos seus olhos: “Obrigada por ser essa pessoa maravilhosa que você é”. Te desejo toda felicidade do mundo. Fique com Deus!

 

Madeleine Lewis Perez”


Notas Finais


Espero que tenham gostado... Me deixem saber o que acharam!

Até a próxima!


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