História If I Stay - Norminah - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Norminah
Exibições 216
Palavras 2.707
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Escolar, Famí­lia, Ficção, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


CHEGUEI, SEGUREM OS FORNINHOS.

BOA LEITURA!!

Capítulo 6 - 15h47


Acabaram de me levar da sala de recuperação para a Unidade de Tratamento Intensivo, ou UTI. É uma sala em formato de ferradura, e vejo uma dúzia de camas e um grupo de enfermeiros que não param de circular pelo espaço, lendo as impressões dos computadores que saem de algum lugar à altura dos nossos pés e que registram os nossos sinais vitais. No meio do quarto há ainda mais computadores e uma escrivaninha enorme, com outra enfermeira sentada.

Há duas enfermeiras que me observam, além de uma ronda interminável de médicos. Um deles é um homem taciturno, rechonchudo, tem cabelo loiro e bigode e com o qual não simpatizo muito. E a outra é uma mulher cuja pele é tão negra que chega a ser azul e ela tem a voz muito alegre, me chama de “docinho” e não para de esticar os cobertores da minha cama, mesmo que eu não esteja fazendo praticamente nenhum movimento com o corpo para tirá-los do lugar.

Há tantos tubos ligados em mim que não consigo contá-los: um ligado à minha garganta, respirando por mim; outro no meu nariz, e que mantém o meu estômago vazio; um na minha veia, me mantendo hidratada; um na minha bexiga, fazendo xixi por mim; muitos estão ligados ao meu peito, registrando as batidas do meu coração; outro está ligado a meu dedo, registrando a minha pulsação. O respirador que está cumprindo o papel da minha respiração tem um ritmo tão suave quanto um metrônomo: inspira, expira, inspira, expira.

Ninguém, a não ser os médicos, os enfermeiros e uma assistente social, veio me ver. É a assistente social quem conversa com o vovô e a vovó, com a voz baixa e solidária. Ela diz a eles que o meu estado é grave. Não tenho certeza do que isso significa – grave. Na TV, eles dizem que o estado dos pacientes é crítico ou estável. Grave soa como algo ruim. Grave, em inglês, significa “túmulo”. O lugar para onde você vai quando as coisas aqui não estão dando mais certo.

— Queria que houvesse algo que pudéssemos fazer — afirma vovó. — Me sinto uma inútil em ficar aqui parada, só esperando.

— Vou verificar se a senhora pode vê-la, nem que seja um pouquinho — oferece a assistente social. Ela tem cabelos grisalhos e frisados e uma mancha de café em sua blusa. A sua expressão é de gentileza. — Ela ainda está sedada devido à cirurgia e continua com o balão de oxigênio para ajudá-la a respirar enquanto seu corpo se recupera do trauma. Mas, para pacientes em estado de coma, ajuda muito escutar a voz de seus familiares.

O vovô reage com um gemido.

— Tem alguém para quem vocês possam ligar? — pergunta a assistente social. — Parentes que possam ficar aqui com vocês... Sei que deve ser muito difícil, mas, quanto mais forte vocês forem, mais poderão ajudar a Dinah.

Eu me assustei quando ouvi a assistente social dizer meu nome. Soa como um alarme estridente perceber que é sobre mim que eles estão falando. O vovô fala o nome de várias pessoas que estão a caminho neste exato momento, tias, tios... Não ouço qualquer menção a Normani.

É ela quem eu realmente quero ver. Queria poder saber onde ela está agora para tentar ir até lá e encontrá-la. Não faço a menor ideia de como Normani vai descobrir o que aconteceu comigo. Nem a vovó nem o vovô tem o telefone dela. Eles não andam com o celular, então Normani não vai conseguir entrar em contato com eles. E eu nem sei se passaria pela cabeça dela ligar para os meus avós. As pessoas que normalmente poderiam dar a notícia do que aconteceu comigo não estão mais em condições de fazer isso.

Permaneço aqui, observando esse corpo entubado e sem vida que sou eu. Minha pele está cinza. Meus olhos fechados com uma espécie de esparadrapo. Queria que alguém viesse tirá-lo. Ele provoca coceira. A enfermeira legal aparece. Ela tem pirulitos no jaleco, embora aqui não seja a unidade de pediatria.

— Como você está, docinho? — pergunta ela, como se tivéssemos acabado de nos encontrar, por acaso, no supermercado.

 

 

 

As coisas não começaram tão bem entre Normani e eu. Acho que eu tinha aquela ideia de que o amor é capaz de superar tudo. E, quando saímos do concerto de Yo-Yo Ma, tanto eu quanto ela nos demos conta de que estávamos nos apaixonando. Pensei que essa fase era o grande desafio. Nos livros e nos filmes, as histórias sempre acabam quando as duas pessoas finalmente dão o beijo romântico e o “foram felizes para sempre” fica implícito, simples assim.

Não foi bem assim com a gente. O fato de pertencermos a dois universos sociais completamente diferentes tinha lá suas desvantagens. Continuamos a nos encontrar na ala de música, mas nossas conversas eram muito formais, como se nenhum de nós quisesse estragar o que tinha acontecido de bom. Mas quando nos encontrávamos em qualquer outro lugar da escola – quando sentávamos juntos na cantina ou quando estudávamos um ao lado do outro no pátio num dia ensolarado era como se algo estivesse errado. Normani e eu nos sentíamos desconfortáveis uma com a outra. A conversa era artificial. Quando uma começava a falar sobre determinado assunto, o outro falava também, simultaneamente, sobre outro assunto totalmente diferente.

— Vai, fala você — disse eu.               

— Não, fala você primeiro — respondeu Normani.

Toda essa gentileza era terrível. Eu queria superar isso, voltar ao brilho daquela noite no concerto, mas não sabia ao certo o que precisava fazer para recuperar aquilo.

Adam me convidou para assistir a um ensaio da banda dela. E foi pior do que na escola. Se eu já me sentia um peixe fora d’água na minha própria família, me senti um peixe em marte entre os amigos de Normani. Ela estava sempre cercada de pessoas animadas e descoladas, garotas bonitas que tingiam o cabelo e usavam piercing, caras rebeldes que se entusiasmavam quando Normani começava a conversar sobre rock com eles. Eu não me encaixava no grupo. E definitivamente não sabia como conversar sobre rock. Era uma linguagem que eu deveria ter aprendido, já que era musicista e filha de pai também músico, mas não aprendi. É como os falantes de mandarim, que mais ou menos conseguem entender cantonês, mas não compreendem de fato a língua; mesmo que pessoas que não são chinesas suponham que todos os chineses podem se comunicar entre si, o fato é que o mandarim e o cantonês são, na verdade, dialetos diferentes.

Eu odiava ter de ir aos shows de Normani. Não por ciúmes, nada disso. Nem porque eu não era muito fã daquele tipo de música. Eu adorava observá-la tocando. Quando Normani estava no palco, era como se a guitarra e ela fossem um só, o instrumento uma extensão natural do seu corpo. E, quando descia, ela estava todo suada, mas era um tipo de suor tão limpo que parte de mim se sentia tentada a lamber o seu rosto, como se ela fosse um pirulito. Mas não fazia isso.

Quando as fãs se aproximavam dela, eu me esgueirava e ficava num canto. Normani tentava me puxar de volta, colocava o braço ao redor da minha cintura, mas eu me desvencilhava dela e voltava para as sombras.

— Você não gosta mais de mim? — repreendeu-me Normani depois de certo show. Ela estava brincando, mas pude sentir por trás daquela pergunta repentina que ela estava chateada.

— Não sei se devo continuar vindo para os seus shows — falei.

— Por que está dizendo isso? — perguntou. Dessa vez, ela não se preocupou em esconder a mágoa.

— Acho que a minha presença acaba impedindo você de curtir melhor as coisas. Não quero ser uma preocupação pra você.

Normani disse que não se incomodava em ter de se preocupar comigo, mas posso dizer que parte dela se importava sim.

Provavelmente, Normani e eu teríamos terminado naquelas primeiras semanas não fosse pela minha família. Na minha casa, com a minha família, nos sentíamos em terra firme. Depois de um mês de namoro, levei ela para o nosso primeiro jantar em família. Ela se sentou na cozinha com o meu pai e os dois ficaram falando sobre rock. Fiquei observando, e mesmo sem entender metade do que falavam, diferentemente dos shows da banda dela, não me senti excluída.

— Você joga basquete? — perguntou meu pai.

Em se tratando de assistir aos jogos, meu pai era um fanático por beisebol, mas quando o assunto era jogar, ele preferia fazer cestas no basquete.

— Claro — respondeu Normani. — Quer dizer, não sou muito boa...

— Você não precisa se boa, só precisa se empenhar. Quer jogar um pouco? Você já está com os seus tênis de basquete — disse meu pai, olhando para os tênis de cano alto de Normani. Depois, ele se virou para mim: — Se importa?

— Nem um pouco — respondi, sorrindo. — Vou treinar um pouco enquanto vocês jogam.

Os dois foram para a quadra de uma escola primária que ficava bem perto de casa. Retornaram quarenta minutos depois. Normani estava com a pele brilhando, suada e parecia meia aturdida.

— O que aconteceu? — perguntei. — O coroa derrubou você?

Normani balançou a cabeça, afirmando, mas depois a balançou de novo, negando.

— Bem, sim, é mais ou menos isso. Uma abelha picou a palma da minha mão enquanto estávamos jogando e o seu pai agarrou a minha mão e sugou o veneno.

Assenti. Esse era um truque que meu pai tinha aprendido com a vovó, e diferentemente do que se faz com o veneno das cobras, a técnica de fato funcionava com picadas de abelhas. Tiram-se o ferrão e o veneno, e então, resta apenas uma leve coceira.

Normani esboçou um sorriso envergonhada. Depois inclinou-se e sussurrou ao meu ouvido:

— Acho que estou me sentindo meia estranha porque estou mais íntima do seu pai do que de você.

Dei risada. O que ela disse não deixava de ser verdade. Nas poucas semanas em que estávamos juntos, não havíamos feito nada muito além de nos beijar. E não que eu fosse algum tipo de puritana. Eu era virgem, mas certamente não fazia questão de continuar assim. E com certeza Normani não era virgem. O problema é que os nossos beijos também estavam cheios daquela gentileza toda das nossas conversas.

— Talvez seja hora de mudarmos isso — sussurrei de volta.

Normani ergueu as sobrancelhas como se quisesse me perguntar algo. Fiquei com as bochechas coradas. Durante todo o jantar, sorrimos um para o outro enquanto ouvíamos Seth, que não parava de falar sobre os ossos de dinossauro que ele aparentemente tinha desenterrado do jardim naquela tarde. Papai havia feito sua famosa carne assada, que era o meu prato favorito, mas eu não tinha o menor apetite, então, fiquei revirando a comida no prato, na esperança de que ninguém notasse. Enquanto isso, uma agitação crescia dentro de mim. Pensei no diapasão que uso para afinar o violoncelo. Quando eu o utilizava, atingia notas de “Lá” – vibrações que aumentavam, aumentavam, até que a afinação harmônica atingia todo o espaço. Era isso que o sorriso de Normani estava causando dentro de mim durante aquele jantar.

Depois que jantamos, Normani deu uma olhadela no achado fóssil de Seth. Em seguida, subimos para o meu quarto e fechei a porta. Camila não tinha permissão para ficar sozinha em casa com garotos (não que ela tenha tido a oportunidade com meninos e sim com meninas). Meus pais nunca estabeleceram nenhuma regra em relação a isso, mas tive a sensação de que eles sabiam o que estava acontecendo entre a Normani e eu e, embora meu pai gostasse de bancar o Papai sabe tudo, meus pais eram uns tapados quando o assunto era amor.

Normani deitou na minha cama e cruzou os braços por detrás da cabeça. Sua expressão era puro sorriso: olhos, nariz, boca.

— Me toque — disse ela.

— O quê?

— Quero que me toque como você faz com o violoncelo.

Comecei a retrucar, dizendo que aquilo não fazia o menor sentido, mas então percebi que fazia todo o sentido. Fui até o meu armário e peguei um dos meus arcos.

— Tire sua blusa — falei com a voz trêmula.

E Normani obedeceu. Seus seios ficaram a mostra junto com o seu sutiã. Mas ela queria que eu me aproximasse mais. E eu também queria.

Sentei ao lado dela na cama, e o corpo da Normani estava ali, todo esticado bem à minha frente. O arco tremeu quando o coloquei sobre a cama. Com a minha mão esquerda, acariciei a cabeça de dela como se fosse a voluta do violoncelo. Ela sorriu e fechou os olhos. Eu me senti mais à vontade. Toquei as orelhas dela como se fossem as cravelhas, brinquei um pouco com elas e Normani sorriu, discretamente. Coloquei dois dedos sobre as maçãs do rosto dela.

Em seguida, depois de respirar fundo para tomar coragem, fui para os seus seios. Passei a mão para cima e para baixo, apertei seu seio esquerdo, e depois o direito.

Peguei o arco e o passei na altura do quadril dela, onde imaginei que seria a ponte do violoncelo. Ela retirou sua calça, e ficou nua em minha frente. Meus dedos chegaram perto de sua intimidade. Comecei a tocar devagar, arrancando alguns gemidos de si, mas depois aumentei a velocidade e a força como se a música que estava tocando na minha cabeça estivesse aumentando de intensidade. Normani estava entregue para mim, deixando apenas escapar alguns gemidos por entre os lábios. Olhei para o arco, para as minhas mãos e para o rosto dela, e fui tomada por uma explosão de amor, desejo e por um estranho sentimento de poder. Nunca imaginei que eu pudesse fazer alguém se sentir dessa forma. Senti ela rebolando em meus, e que em alguns segundos ela gozaria.

Quando terminei, ela se sentou e me beijou, um beijo longo e profundo. Desceu para o meu pescoço e deu uma leve chupada.

— É a minha vez — disse Normani.

Ela me colocou de pé e começou a tirar a minha camiseta e abaixar a minha calça jeans. Depois, me sentou na cama e se sentou sobre o meu colo. Então fechei os olhos para sentir o seu olhar sobre o meu corpo, senti ela me olhar como nunca ninguém jamais o fizera.

Então ela começou a tocar.

Normani dedilhou as cordas em cima do meu peito, como se elas estivessem ali, o que me fez sentir cócegas e dar risada. Delicadamente, ela passou as mãos um pouco mais embaixo. Parei de rir. As vibrações do diapasão começaram a ficar ainda mais fortes, e se intensificavam toda vez que ela me tocava em algum lugar que não tinha tocado antes.

Depois de certo tempo, ela começou a dedilhar como num acorde espanhol, uma batida mais concentrada e rápida. Usou a parte de cima do meu corpo como se fosse o braço do violão, e acariciou o meu cabelo, meu rosto, meu pescoço. Tocou o meu seio e a minha barriga, mas pude senti-la em lugares onde a mão dela nem tinha passado perto. À medida que me tocava, a agitação interna aumentava, o diapasão emitia vibrações enlouquecedoras, ardentes, descontroladas, até que o meu corpo inteiro estava zunindo e eu, sem fôlego. E quando senti que não poderia aguentar nem mais um minuto, um turbilhão de sensações se transformou num crescendo estonteante, levando cada parte do meu corpo ao delírio, ao estado de alerta máximo.

Ela começou a se movimentar em meu colo, roçando nossas intimidades, me fazendo ficar com um fogo. Segurei ela pela cintura, para forçar mais os movimentos.

Ela gemia baixinho em meu ouvido.

Senti ela segurar meu cabelo, mostrando que iria gozar. Forcei mais a intimidade dela contra a minha e logo após gozamos juntas.

Abri os olhos, saboreando a calma enternecedora que percorria todo o meu corpo. Nos beijamos por muito tempo até que chegou a hora dela ir para casa.

Eu a acompanhei até o carro e senti vontade de dizer-lhe que a amava. Mas seria algo muito clichê depois do que tínhamos feito. Então esperei e disse que a amava no dia seguinte.

— Que alívio! Pensei que você só estava me usando como objeto sexual — brincou ela, dando risada.

Depois disso, continuamos tendo problemas, mas a gentileza excessiva de uma com a outra certamente não era mais um deles.


Notas Finais


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