História If Tomorrow Comes - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Drama, Itcomes, Romance
Exibições 541
Palavras 3.775
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, seres humanos! Estou de volta, sem muita demora. Esse capítulo é, propositalmente, meio curtinho. A partir de agora, as coisas vão começar a andar de verdade. Chega de enrolação. A propósito, preciso dizer que ando meio triste com vocês. Ando fazendo um esforcinho para não aparecer aqui de mês em mês, mas parece que quanto mais rápido eu apareço, com menos intensidade vocês votam e comentam. Jamais vou deixar de postar por esses motivos, porque ainda que tivesse uma pessoa aqui, eu continuaria com isso. Porém, não posso mentir, me faz triste.

Música do capítulo: Firefly - Ed Sheeran

Capítulo 21 - Like a dark paradise


Fanfic / Fanfiction If Tomorrow Comes - Capítulo 21 - Like a dark paradise

"Ninguém pode, por muito tempo, ter um rosto para si mesmo e outro para a multidão sem no final confundir qual deles é o verdadeiro."

Incomparável. Era assim que eu me sentia quando tinha os olhos de Camila sobre mim. Todo aquele castanho eclodindo sobre meu corpo, me inebriando, me embevecendo, me deixando extasiada pouco a pouco. Fazendo-me pensar que eu era única, digna de não ser comparada a nenhuma outra pessoa ou coisa existente sobre a face do planeta Terra. Completamente incomparável.

Insuperável. Era assim que eu queria que Camila se sentisse em relação a mim. Queria que ela tivesse em mente que eu era alguém ímpar e singular, para que então houvesse uma única chance de que ela fosse exclusivamente minha. Não particularmente de uma forma romântica, mas de uma maneira que ela estivesse ali sempre que eu necessitasse, de uma maneira que eu pudesse a ter comigo assim que a chamasse, de uma maneira que eu fosse tão especial quanto ela seria para mim. Absolutamente insuperável.

Inigualável. Era assim que eu enxergava Camila. E não, isso não quer dizer que eu não a comparava com outras pessoas, mas significa que, ainda que comparasse, jamais conseguia encontrar alguém que chegasse perto de possuir o mesmo nível de importância e relevância que ela tinha para mim. Camila era como meu ar, enquanto os outros eram como a água. A falta de qual deles te leva a morte primeiro? Plenamente inigualável.

Incomparável, inigualável e insuperável, assim como aquela manhã cinza em Bristol, na qual pude ter o prazer de, pela primeira vez na vida, acordar ao lado da garota do parque.

Eu estava feliz. Contente o bastante para segurar um sorriso frouxo nos lábios, antes mesmo que tomasse coragem para abrir meus próprios olhos. E o motivo? Eu ainda podia sentir o braço de Camila enlaçando minha cintura, exatamente como ela o havia deixado na noite do dia anterior, com a desculpa de que precisava dele ali para se certificar que eu não a abandonaria assim que o sono lhe alcançasse.

Entretanto, não apenas por isso a felicidade me atingia. Naquela mesma data, depois de semanas tomadas por limitações, depois de semanas tendo Sofia vigiando minhas visitas à Camila, depois de aguentar que Dave arrastasse a jovem de um lado para o outro sobre a garupa de sua moto – que, de forma clichê, parecia ter sido retirada de um filme antigo de cinema –, finalmente ela se veria livre da férula em seu tornozelo. E assim, consequentemente, eu me veria livre daquela que julgava ser a pior versão de Camila: aquela que tinha sua liberdade comprometida.

Camila era um ser livre. Ela tinha asas, que não eram visíveis aos olhos de todos, mas que qualquer um sabia que ali estavam. Não como um anjo, porque na minha cabeça eles eram seres, que ainda que tivessem inteligência, emoções e vontades, eram espirituais e surreais, diferente de Camila, que era tão humana quanto qualquer outro. E eu sei que existem anjos não tão puros, mas também arrisco dizer que ela não era um daqueles maus. Talvez fosse uma borboleta, uma espécie de fadinha disfarçada, com todos os poderes mágicos e a capacidade incrível de nos deixar encantados.

E assim como todo ser livre, Camila chorava por dentro ao ter seu livre arbítrio obstruído. Era possível ver isso quando seu humor mudava constantemente e em velocidade única. O sorriso branco e brilhante, que repentinamente era substituído por uma cara fechada e um olhar perdido. E era horrível presenciar aquilo. Assistir seu sorriso morrendo aos poucos e sua expressão desolada surgindo. Caso quisesse, eu sentia que poderia segurar sua tristeza em minhas mãos, de tão grande que ela se manifestava.

Às vezes acontecia porque ela queria poder me mostrar algo e, na empolgação do momento, se levantava de maneira brusca, invocando assim a dor e lembrando-a de que ela não estava em seus melhores dias. Outras vezes acontecia porque Sofia lhe sugeria alguma atividade, da qual ela sabia que não podia participar. Em outras ocasiões, talvez um pouco mais raras, ela parava próximo a janela do quarto e ficava encarando a rua, provavelmente louca para sair de casa, mas compreendendo que não poderia caminhar por muito tempo sem sentir as reclamações advindas do seu corpo.

E ela sabia que podia pedir para que eu ou qualquer outra pessoa pegasse o que quer que necessitasse, sabia que podia propor à Sofia uma brincadeira que envolvesse menos atividade física e sabia que podia pedir para que Dave a levasse de moto para qualquer canto da cidade, porque ele o faria. Porém, como qualquer ser livre, ela não queria alguém para comandar, não queria estar regada de regras sob suas costas e, muito menos, queria depender de outro indivíduo, a não ser de si mesma.

Camila Cabello era o ser livre e eu, Lauren Jauregui, era o ser torturado ao assistir a sua própria tormenta.

— Será que a senhorita poderia parar de olhar para o teto com essa cara de maníaca? Está me deixando com ciúmes. – A minha, até então, voz favorita soou, fazendo com que minha atenção fosse focalizada no lado direito da cama e permitindo que encontrasse a sua dona portando um tímido sorriso no rosto.

— Você com ciúmes de mim? – Questionei suavemente, com medo de espantar a intimidade que nos banhava, juntamente com um raio de sol que atravessava a sua janela e corria acima das cobertas que estavam sobre nosso corpo.

— Claro que não, Lauren. Estou com ciúmes do teto, ele é meu, ok? – Respondeu com uma pitada característica de sarcasmo em sua voz, aproveitando para me empurrar pelos ombros e tomar impulso para se sentar. Não rebati, mas sorri com seu comentário. Era bom saber que alguém gostava o bastante de mim, a ponto de sentir uma pontada de ciúmes, seja lá do que ou quem fosse.

Tomando proveito de seu movimento, e com tanta calma quanto ela, também sentei sobre a cama. A silhueta fina e bem moldada de Camila distanciava-se do lugar que eu ocupava, conforme ela caminhava para perto do gaveteiro que tomava espaço em seu quarto. Ela já se movimentava sem muita dificuldade, mas era possível perceber que ainda sentia dores e não estava cem por cento confiável em apoiar seu peso sobre a perna machucada.

— Você tem certeza que está bem o suficiente para tirar isso da sua perna? – Sondei, como quem não quer nada, mesmo tendo consciência do quão desesperada ela estava para que aquilo acontecesse.

— Você está brincando? Me sinto mais que bem, e não ouse supor o contrário para o ortopedista ou meu pai.

— Ei, calma, só estava checando! Prometo que vou ficar quietinha durante a consulta.

— Melhor assim. Você sabe que eu não suportaria a ideia de chegar lá e ouvir que só iria substituir a férula estática por uma dinâmica. Não aguento mais ficar dentro dessa casa!

— Talvez fosse uma boa ideia. Você ainda sente dores e nem se apóia direito sobre esse pé. – Iria continuar a expor minha opinião, ainda que soubesse que ela não a aceitaria no final, mas tive minha voz enterrada na garganta quando Camila puxou sua camiseta para fora do corpo, presenteando-me com a visão de suas costas nuas por alguns segundos, até que ela se enfiou em uma outra blusa.

— Lauren, foram três semanas de imobilização com órtese, sendo que já tem uma que estou fazendo reabilitação com fisioterapeuta. É mais que o suficiente para tratar uma torção considerada leve. Eu preciso tirar isso aqui para me restabelecer. E se te deixar mais tranquila, eu posso usar uma tornozeleira por um tempo, pra proteger o local.

— Pensasse nisso antes de tentar subir em uma bicicleta enquanto estava bêbada.

— Eu estava bem o bastante para fazer isso, ok? Eu só me distraí em meio aos meus próprios pensamentos! – Ela respondeu revoltada, como sempre que eu colocava aquele assunto em questão. E, por mais que a irritasse, eu adorava trazê-lo à tona, porque era adorável vê-la bufar de raiva ao me ver recusar seus argumentos. – De qualquer forma, eu não vou tornar a discutir sobre isso com você. Vou ao banheiro escovar meus dentes, para finalmente poder te encher de beijos.

Jamais admitiria aquilo em voz alta, mas adorava o quão matinal Camila poderia ser, adorava a forma carinhosa que ela costumava ter comigo e como estava sempre disposta a ter seus lábios conectados aos meus, mesmo que tivéssemos concordado em não torná-los algo obrigatório em nosso “relacionamento”.

A verdade era que, tanto quanto ela, eu queria que nossas bocas colidissem uma contra a outra durante o máximo de tempo possível.

Talvez ainda não tivesse aprendido o suficiente sobre o amor e todo o circuito complexo que o envolve, mas eu tinha certeza que havia adquirido uma vontade incontrolável de beijar. Por aquela garota estranha do parque, eu havia me tornado uma adepta da basorexia.

Nem mesmo precisava fechar os olhos para que meus pensamentos fossem preenchidos por imagens nítidas e bem detalhadas da enigmática morena de olhos profundos castanhos e sorriso cativante me incitando a desejar cobri-la de beijos, a beijá-la até que saciada estivesse.

Não precisava nem mesmo descobrir uma única característica do amor, contanto que ainda me fosse possível sentir o gosto sua boca sobre a minha por outras vezes. Quem sabe aquilo não fosse o meu alcance máximo para o universo do amor. Muito possivelmente, para mim, o amor começasse no instante em que nossos lábios se colassem e terminasse no momento em que os mesmos se separassem.

Estava tudo traduzido no auge do incontrole de pensar, ao dormir e ao acordar, em quando poderíamos nos beijar. Estava tudo traduzido na vontade única de morrer inúmeras vezes, para em cada uma delas por aquele beijo renascer.

— A primeira coisa que quero fazer quando tirar isso aqui é ir para o Brandon Hill. Tem cinco dias que não vou até lá. Você sabe o sacrifício que é para mim ter que fazer isso? – Ela perguntou quando retornou para o quarto, me obrigando a voltar à realidade.

— Se tudo der certo na consulta, isso não vai ser um problema. – Respondi simples, passando direto para o banheiro, na intenção de também fazer minha higiene bucal. Porém, diferente do que Camila havia feito, deixei a porta do banheiro aberta, possibilitando que ainda pudesse ouvir a sua resposta de onde estava.

— Será que não pode ficar um pouco empolgada por mim?

— Estou empolgada, Camila! – Em meio ao processo de escovar os dentes, soltei desesperadamente a frase impregnada de mentira, o que não tornou a cena nada bonita. Por sorte, Camila parecia distraída em arrumar os lençóis em sua cama e mal notou o quão desastrada eu parecia.

— Não minta para mim, eu sei que não está. Só não entendo o porquê...

"Talvez porque você ainda reclame de dor quando tenta se apoiar sobre o pé machucado. Talvez porque vou me sentir ainda mais preocupada quando estiver sem a férula, livre para ir onde bem entender. Talvez porque não vou ter mais uma desculpa para te visitar todos os dias.", respondi ela mentalmente, mas não deixei que uma palavra sequer escapasse de minha boca, fingindo para mim mesma que não o faria por estar ocupada demais em manejar o movimento da escova de dentes em minha boca.

— Quer saber, não vou nessa consulta. O Dave já vai te levar mesmo, ele pode aproveitar e ficar lá pra te fazer companhia. – Disse assim que terminei o que antes fazia, conforme adentrava o quarto outra vez.

— Lauren? O que? Não vai dizer que você ficou chateada por eu insinuar que não estava empolgada o bastante. Eu estava só brincando, Lo! – Indagou, aterrorizada com a possibilidade de que eu estivesse realmente chateada, sentando rapidamente sobre a cama, na qual ela havia se deitado novamente.

— Não estou chateada, Camz! Eu preciso ir em casa, Ally deve estar preocupada. E além disso, vou preparar algo para nosso fim de semana, então você vai ver o quão empolgada estou. – Disse enquanto me jogava ao seu lado na cama. – Agora onde estão aqueles beijos de que você estava falando?

— Camz... Isso continua novo para mim, mas eu gosto. – Falou, já projetando, com todo cuidado, seu corpo sobre o meu.

E então, tudo o que precisei fazer foi fechar os olhos e esperar. Esperar até que sentisse o gosto de sua boca na minha. Esperar pela sensação indescritível de se sentir tão perto do céu quanto do inferno. Esperar para que sua língua se enlaçasse a minha, tão suave quanto brisa de manhã, mas com efeito tão devastador quanto um tufão que desabriga famílias durante a noite.

— Camila, chega. – Murmurei contra a boca dela, depois de dois minutos. – Vamos descer para tomar café. Você ainda tem que se arrumar para ir ao hospital.

— Ugh, parece que temos uma estraga prazeres por aqui.

— Estraga prazeres não... Temos uma pessoa responsável aqui. No caso, eu mesma.

— Ok, senhorita responsável, por que você não desce e toma seu café da manhã, enquanto termino de me arrumar por aqui? – Ela disse, conforme saía de perto outra vez, me fazendo reclamar internamente. Talvez, deveria ter ficado quietinha, apenas aproveitando os seus beijos.

— Camila, eu não sei se quero tomar café com seu pai e sua irmã...

— Não me diga que ainda tem medo de ficar sozinha com eles.

— Bem, não é minha culpa se seu pai está sempre me avaliando e se Sofia é assustadora demais comigo. – Respondi, ouvindo sua risada dominar cada lacuna do quarto rapidamente.

— Eu tenho certeza que meu pai gosta muito de você. Se ele te olha tanto, provavelmente é por admiração ou por estar questionando a si mesmo os motivos de você continuar me aturando. E Sofia só está sendo protetora. Aquele dia ela deixou que você desenhasse com ela, certo? E vamos admitir que ela tem diminuído suas visitas ao meu quarto, enquanto você está aqui. Isso já é um grande avanço.

— Uh, tudo bem. Estou descendo.

Minha apreensão só aumentou quando ela fez sinal com a mão na direção das escadas, para indicar que eu podia descer. Sabia que ela tinha boas intenções, mas ela claramente não sabia que qualquer boa intenção não podia ultrapassar meu medo insistente perante a sua família.

Era algo involuntário, que havia sido adquirido durante meu relacionamento com Maia. Uma vez que seus pais teriam problemas com sua sexualidade, nós estávamos constantemente nos escondendo, e eu estava sendo paranoica o tempo inteiro em relação aos seus familiares, que claramente não gostavam de mim. No fundo, acho que eles sempre souberam. Talvez eu não fosse tão boa em disfarçar quando estava na companhia deles.

A família de Camila, entretanto, era o completo oposto. E apesar de também me assustarem, não pareciam ter nada contra nosso suposto envolvimento. Sim, suposto. Nós nunca havíamos trocado nenhum tipo de carícia suspeita em frente de qualquer outra pessoa. Porém, considerando que eu estava sempre tão preocupada com Camila e vivia enfiada no quarto dela, tinha noção de que eles desconfiavam de algo. Dormir no quarto dela aquela noite, enquanto a casa tinha pelo menos dois quartos de hóspedes, havia sido um prato cheio para a imaginação deles.

Para minha sorte, ao descer as escadas, tudo o que encontrei foi uma mesa bem servida, sem qualquer pessoa da família Cabello por perto. O vazio do cômodo só me incentivou a querer ir em frente com aquilo logo, antes que um deles, por exceção de Camila, pudesse aparecer.

No fim das contas, o máximo que surgiu foi a figura bem carismática de Violet, a senhora que trabalhava na casa de Camila. Mesmo assim, me senti constrangida. Ela mantinha um sorriso simpático no rosto o tempo inteiro, mas parecia estar me analisando, tanto quanto o pai de Camila poderia fazer. Era como se aquele sorriso me dissesse que ela estava feliz em me ajudar com qualquer coisa que eu precisasse, mas que não deveria precisar de nada, porque ela sabia que eu havia dormido no quarto da “garotinha do papai”.

— Nós só dormimos! – Eu disse, sem mais nem menos, cansada da pressão sob minha cabeça.

— O que? – A senhora questionou, aparentemente confusa.

— Camila e eu, nós só dormimos... Ela me pediu para ficar lá enquanto ela dormia, e acabou que peguei no sono também.

— Oh, não me entenda mal, jovem. – Violet fitou o corredor que dava para a sala, antes de se aproximar e tomar um lugar à minha frente na mesa. – Me perdoe se te olho assim, um tanto admirada. Não estou te julgando por ter dormido junto com Camila. Amo aquela garota como se fosse a minha própria filha e, contanto que ela esteja feliz, não importa quem seja a pessoa a lhe fazer companhia. Minha admiração, na verdade, é justamente por Camila ter deixado que permanecesse lá com ela e, principalmente, por você ter conseguido ficar lá.

— Eu não entendo...

— Depois que a mãe de Camila se foi, ela passou a ser atormentada todas as noites por pesadelos. Às vezes, ela grita, esperneia na cama e chora, até que acorda. É tão alto, que no começo pensávamos que alguém estava sendo atacado. Eu estava sempre lhe fazendo companhia, mas depois ela passou a trancar a porta do quarto, não querendo ninguém lá. Me sentia mal, porque sabia que ela continuava revivendo o pesadelo, mesmo de olhos abertos. E até me culpo por ser tão acomodada, ter deixado ela se afastar. Depois todos, assim como eu, se acostumaram e ninguém comenta sobre isso. Agora, eu só estou feliz que ela tenha te deixado dormir lá, que não tenha acordado gritando essa noite... Não a deixe se afastar.

— Eu não vou. – Respondi bem baixinho, apenas para que ela ouvisse. – A propósito, a senhora tem ideia de algo que Camila goste de fazer, além de ir para o Brandon Hill?

— Camila gosta de andar a cavalo. O pai até a presenteou com um quando era mais jovem.

— Ah sim, eu conheço o Mustang. – Assisti como os olhos da senhorinha brilharam em uma mistura de expectativa e surpresa.

Antes que eu pudesse continuar a sondar Violet, escutei as passadas barulhentas de Camila se aproximando. Não era como se ela andasse na tentativa de esmagar o chão sob seus pés, mas a férula acabava por produzir um som bem característico, impossível de ser confundido.

Violet logo se levantou e manteve sua posição em pé, ainda sorrindo, assistindo Camila se juntar a mim na mesa. Depois de muito insistir, a jovem conseguiu com que Violet voltasse a se sentar e desfrutasse da comida junto a nós duas. Mesmo que parecesse mais à vontade quando estava apenas em minha companhia, Violet conversou avidamente, nos contando sobre as travessuras de seus netos e da vida agitada dos filhos.

Cerca de trinta minutos depois, Dave apareceu para levar Camila em sua consulta. Nesse dia, ele estava particularmente bem mais arrumado. Usava um conjunto altamente social, o que me fazia pensar que ele havia acabado de sair de algum compromisso extremamente importante. Dave era charmoso e já havia sido noivo de Camila, porém, incrivelmente, depois de conhecê-lo um pouco melhor, não conseguia mais sentir tantos ciúmes da sua relação com a garota do parque. Além disso, ele era um dos únicos que sabia do estreitamento que meu relacionamento com Camila havia tomado e estava sempre disposto a nos ajudar, facilitando nossos encontros.

Aproveitando a saída dos dois, tomei meu rumo para casa. Minha amiga estaria para o trabalho, então não a veria tão cedo, muito provavelmente. Ally ainda tinha os dois pés para trás em relação a Camila, mas não era mais tão protetora. Ela não dava mais pitacos sobre como eu deveria levar minha amizade com a outra jovem e nem tentava me impedir de passar algum tempo com ela, por mais que se mostrasse incomodada ainda. Apesar disso, ainda não tinha me sentido confortável para falar como as coisas estavam sendo levadas. E, uma vez que ela ainda estava alheia a tudo, não seria eu que lhe daria motivos para voltar a se interpor.

Eu tinha certeza que Camila já havia dito algo para Normani, porque a dona da livraria sempre me dizia coisas de duplo sentido ou estava rindo de forma zombeteira quando estava em nossa companhia. E, considerando que Normani sabia, era óbvio que Dinah também o fazia. No entanto, a sua ex-namorada e melhor amiga de Camila, não parecia tão contente com nossa aproximação, diferente dos outros. Ela não me encarava mais direito, desde a nossa briga no hospital, e por mais que eu quisesse acabar com a falta de palavras entre nós, sentia como se ela não fosse ceder no final.

Keana e Evan, que eram uns dos mais próximos de mim na cidade, pareciam não desconfiar do que acontecia. Eu continuava os encontrando nas noites de sexta, ia a pubs com eles e adorava a companhia que me faziam. Keana visitava Camila em algumas manhãs, mas eu nunca estava lá quando isso acontecia e só sabia porque a própria me contava. Ainda estranhava a amizade das duas, mas nunca questionava Camila, porque sabia que não gostaria das histórias que ela teria para me contar.

Outra coisa que não entendia muito bem era a própria Keana. Ela estava sempre tentando alguma coisa comigo ou querendo que eu afirmasse que confiava nela, mesmo com minha insistência para que ela não fizesse. Mas no fim da noite, quando estava bêbada, era por Camila que perguntava e era dela que indagava sobre a confiança.

Eu não queria acreditar que Keana sentia algo por Camila, além de amizade, mas me questionava verdadeiramente sobre isso. Então, na última vez que nos falamos, decidi externar meus pensamentos e perguntar para própria Keana sobre tudo aquilo. E mesmo que não parecesse tão convincente, ela esclareceu que já tinha pensado ser apaixonada por Camila no passado, mas que agora não sentia nada por ninguém, além de mim. E para ser sincera, eu me achava horrível por gostar daquilo. Mas não podia me conter ao saber que Keana gostava de mim, porque aquilo enchia o meu ego.

Ela havia prometido então que arrumaria uma forma de provar isso para mim, ainda que não soubesse como o faria. Nem eu mesma sabia o que esperava dela, por isso, me surpreendi quando senti meu celular vibrando em meu bolso enquanto caminhava de volta para a casa de Ally naquela manhã de céu acinzentado em Bristol. Me surpreendi ainda mais com o conteúdo daquela única mensagem que não havia sido lida. Exposto em uma única frase, com poucas palavras, mas com um significado imenso, que parecia me desestruturar, tornando-me ainda mais ansiosa, fazendo meus passos diminuírem gradativamente.

“Eu convenci Ally a te contar a verdade sobre Camila.”


Notas Finais


Enfim... Apostas sobre o segredo entre Ally e Camila?


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