História Iguais - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Lu Han, Xiumin
Tags Conto, Effluckymar, Kurt Vonnegut, Lumin, Sociedade Utópica, Xiuhan
Visualizações 51
Palavras 1.820
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Surgindo com uma OS diferente de tudo o que já escrevi (ou mais ou menos isso).

É pra um projetinho maneiro e resolvi participar porque ESSE PLOT É MAGNÍFICO. Me inspirei no conto "Harrison Bergeron", de Kurt Vonnegut, super recomendo, ele é curtinho e tem até um curta chamado 2081. Leiam e assistam se quiserem entender melhor o assunto da fic.

Boa leitura ~

Capítulo 1 - Novas leis


Já era tarde quando Minseok atravessou os portões de sua casa com a respiração ofegante devido a corrida que tinha feito de seu trabalho até ali. O peso em seus ombros não contribuía em nada para que tivesse sido mais rápido. Muito menos o aparelho infernal que toda hora soava como um apito em seus ouvidos. Odiava aqueles aparelhos, mas nada poderia fazer em relação a isso.

 

 

Com o corpo pesado e suor escorrendo por suas tempôras, correu o mais rápido que se permitia até o quarto de sua mãe, encontrando a senhora de idade estirada no piso bege do chão. Desesperado, jogou-se próximo ao corpo e o sacodiu enquanto gritava pelo nome de sua progenitora. Demorou muito para que sua ficha caísse e as lágrimas começassem a rolar por suas bochechas. Estava feito. Tinham tirado a única coisa importante em sua vida.

 

Há alguns anos, quando ainda era ingênuo demais para entender o que aquilo significava, uma nova lei foi criada para que a igualdade fosse estabelecidade de uma forma rígida. Não existiriam mais pessoas melhores que outras pessoas. Os bonitos deveriam usar máscaras; os inteligentes usariam fones com frequências que os impediriam de ter um raciocínio melhor; os fortes usariam bolsas com peso sobre os ombros; os talentosos usariam algo que os tornassem igual aos outros. Não existia mais diferença entre ninguém. Eram todos completamentes iguais. Demorou muito pouco tempo para que essa lei estivesse sendo seguida rigidamente por todo o país, menos tempo ainda para que outros lugares do mundo estivessem as seguindo também. Bastou alguns meses para que ela fosse introduzida nos Direitos Humanos.

 

Nesse ponto, Minseok achava graça.

 

Era engraçado achar que seus direitos como ser humano era se tornar igual ao próximo por meios tão ridículos. Não existia mais o livre-arbítrio, a liberdade de expressão, as diferenças que revolucionariam o mundo. Não existia mais humanos, mas sim um monte de cascas vazias tentando sobreviver à uma injustiça disfarçada de justiça. Mas também, o que poderiam fazer? Quem não seguisse a lei pagaria com a própria vida, e isso tinha tirado a vida de sua própria mãe.

 

A senhora de quase oitenta anos de idade já não conseguia dormir com as frequências que lhe atormentavam a mente naqueles malditos fones. Fazia dois dias desde que tinha decidido, contra a aprovação do filho, que não usaria mais aquele aparelho que não a permitia ter uma noite digna de sono. Dois dias foram o suficiente para que a matassem como um animal qualquer e deixassem a carcaça para trás apenas para avisar Minseok do que aconteceria com ele se tentasse fazer o mesmo.

 

Depois da morte da mãe, demorou meses para que Minseok conseguisse viver sua rotina normalmente, sem madrugadas de insônia e quantidades duvidosas de comprimidos para dores de cabeça. E em meio a esses meses, ele conheceu Luhan.

 

Luhan trabalhava numa padaria de frente para a pequena loja de convêniencia onde trabalhava. Apesar de sempre ter visto o outro algumas vezes, nunca tinham se falado. Acabaram por conversar quando um gato foi atropelado na rua e acabou com a pata quebrada. Minseok saiu da loja por curiosidade, já Luhan por desespero e preocupação. Os dois se responsabilizaram em levar o animal num veterinário e em alguns dias já conversavam bastante nos horários de almoço.

 

Se tornaram bons amigos apesar de Luhan ser bem mais tagarela que o esperado. E um detalhe, Minseok nunca tinha visto completamente seu rosto. A máscara que o outro usava era vermelha e cinza, tinha ondulações esquisitas e desenhos horríveis por ela toda; ela cobria metade do rosto de seu recente amigo, deixando apenas a boca e parte das bochechas a mostra. Às vezes, Minseok ficava imaginando como o outro deveria ser. Para ter que usar uma máscara tão feia quanto aquela, só poderia ser bonito demais para que pudesse andar sem ela. Provavelmente sentiriam inveja e isso não o tornava igual aos outros.

 

Foi num domingo a tarde a primeira vez que Minseok teve a oportunidade de vê-lo sem aquela peça que escondia seu rosto. Os dois estavam deitados com travesseiros e cobertores no chão diante a televisão, onde um filme tosco de romance passava com atores mascarados e falas tão sem graça que era impossível prender a atenção de qualquer um. A sala estava sendo iluminada apenas pela televisão e Minseok mal conseguia focar na mesma, pois toda vez que começava a pensar demais, o fone apitava, fazendo-o respirar fundo e conter um resmungo.

 

– Acha que eles vão terminar juntos? – perguntou Luhan, sem desviar os olhos do filme.

 

– Sempre terminam juntos – respondeu.

 

Olhou para seu amigo e o observou em silêncio. Apesar de nunca tê-lo visto sem a máscara, o achava estranhamente bonito. Talvez fosse o sorriso sincero que tinha recebido algumas vezes junto de um olhar caloroso que transmitia uma calma incomum. Ou o corpo magro e a pele num tom tão clarinho que chegava a ser um tom único aos seus olhos. Também poderia englobar os abraços reconfortantes e a forma como os dedos do outro sem embrenhavam em seu cabelo quando soluçava de saudade da sua mãe enquanto seu cérebro explodia com os sons que o atormentavam quando pensava no assunto. Não saberia explicar com certeza, mas Luhan era, de uma forma única, a pessoa mais bonita que tinha conhecido.

 

Sequer notou quando teve os olhos do outro sobre si, encarando-o de volta com curiosidade. Pigarreou discretamente e desviou o olhar envergonhado por ter sido pego no flagra. Luhan apenas riu.

 

– Por que me olha tanto, Minseok? – A pergunta não tinha um tom intimidador, muito pelo contrário, parecia divertido e curioso, o que era bastante típico de Luhan.

 

Apesar de não querer falar o que de fato pensava, decidiu ser honesto com o amigo. Afinal, sempre o teve ao seu lado quando mais precisava, seria injusto esconder sua curiosidade sobre algo tão comum quanto as feições de alguém, principalmente se você convivesse com esse alguém.

 

– Eu fico imaginando, sabe? – disse com certo receio, apontando para o próprio rosto como exemplo. – Fico tentando criar um rosto para você, penso que deve ser muito bonito para ter que usar isso – indicou a máscara que tanto o intrigava.

 

– Eu confesso que não sou tudo o que acham ser – sorriu.

 

– Para usar uma máscara como essa, você só pode ser bem mais do que acham ser! Não imagino que seja menos bonito do que imagino.

 

– Eu sou bonito em sua mente?

 

Àquela altura, nenhum dos dois mais se lembrava do filme que passava na televisão, tampouco percebiam que tinha se sentado e se aproximado um pouco. Estavam mais focados no assunto que parecia atormentar bastante Minseok. O que de fato acontecia.

 

Minseok assentiu timidamente à pergunta e pode apreciar um daqueles sorrisos largos e bonitos que Luhan sempre dava para si.

 

– Gostaria de ver?

 

– Oh... Eu não acho que seja uma boa ideia. Você sabe... Eles monitoram tudo isso – disse em contradição a sua curiosidade. Sabia bem como eles agiam quando não seguiam as leis do jeito que queriam. Não queria que aquilo acontecesse com a única pessoa que tinha conseguido criar uma amizade sincera depois de tanto tempo sozinho.

 

– Por apenas alguns segundos – falou. – Não acho que perceberiam.

 

Mas Minseok não teve mais a oportunidade de negar, pois logo em seguida só pode ver o outro puxa o elástico que mantinha a máscara em seu rosto e tirá-la com cuidado, talvez para não machucar à si mesmo já que aquela coisa parecia bastante resistente. Contudo, não poderia descrever com exatidão o que sentiu quando pode, finalmente, ver todo o rosto que tentava formar em sua mente nas madrugadas em que se pegava pensando no amigo.

 

Com a boca levemente aberta, aproximou-se de Luhan, perplexo demais para conseguir dizer algo coerente.

 

Ele era muito mais bonito do que um dia chegou a imaginar. Os olhos brilhantes tinham uma distância perfeita, o nariz redondinho e as bochechas rosadas – provavelmente culpa da máscara abafada – se encaixavam com perfeição; as sobrancelhas eram da mesma cor que os fios castanhos que tocavam sutilmente sua testa, e tudo ali parecia se harmonizar e criarem um tipo de obra de arte da qual passaria o dia admirando. Luhan parecia ter sido moldado pelas mãos do próprio Da Vinci.

 

Sem perceber, tocou com os dedos trêmulos na bochecha corada, deslizando o polegar pela pele macia e tocando em tudo com a maior delicadeza do mundo, como se o outro fosse capaz de quebrar como uma xícara de porcelana. Ficou contente em não ter seu toque negado, pois não sabia se seria atrevimento demais ir tocando o outro daquela forma sem nem pedir para fazer aquilo, estava agradecido por ter sido permitido a tocá-lo e agraciado pela delicadeza de seus traços. Afastou-se um tempo depois e fitou o rosto alheio por mais alguns segundos antes de encarar diretamente os olhos brilhantes.

 

– Você é lindo – disse com um curto sorriso, sendo retribuído com um repuxar de lábios de Luhan.

 

– Você também é, Minseok.

 

– Oh... Eu não sou nad-...

 

Sua fala foi interrompida por um gesto inesperado do outro. Minseok apenas se permitiu arregalar os olhos completamente surpreso com aquele gesto, não correspondendo por um tempo até resolver se entregar ao ato. Apenas entreabriu os lábios e deixou que Luhan guiasse aquele beijo como costumava deixá-lo escolher os filmes que assistiam, mas ao contrário dos filmes, aquela escolha era boa e tinha gosto de bala de café.

 

Nenhum dos dois poderia explicar como o beijo avançou ao ponto de estarem quase rolando pelo tapete da sala. Era apenas a euforia falando por si só. Tocavam-se com delicadeza, beijavam-se com ternura e apenas paravam para recuperar brevemente o fôlego. Não ousavam questionar o que acontecia naquele instante, apenas o faziam sem julgamentos, porque era bom e e gostavam da sensação.

 

Minseok sentiu quando as mãos apressadas de Luhan tiraram o fone que o pertubava durante as 24 horas de seu dia, não o impediu de tirar o peso dos sacos com bolinhas de chumbo de seus ombros, tampouco ligou para as roupas que saiam de seu corpo peça por peça ao mesmo tempo em que podia apreciar toda a pele imaculada do outro. Naquele dia, permitiu-se sentir o calor que costumavam chamar de amor. Sentiu os prazeres de ter alguém especial de uma forma intíma que jamais tinha sentido antes. Agarrou-se à sensação de estar flutuando ao vivenciar algo que tinha feito seu coração explodir em sentimentos.

 

No dia seguinte, enquanto ainda dormiam, três agentes do governo invadiram a casa de Minseok.

 

Enquanto Minseok tinha a pessoa mais especial de sua vida em seus braços, os agentes recolhiam os aparelhos que deveriam estar usando a todo momento. Enquanto Minseok sonhava com uma vida ao lado de Luhan, dois agentes engatilhavam a arma e apontavam para a cabeça dos dois rapazes que não estavam seguindo a lei. Enquanto Minseok sentia que nada no mundo poderia os machucar, os agentes apertavam o gatilho.


Notas Finais


Espero que tenham gostado de ler como eu gostei de escrever. Até mais ~~


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...