História Ilha da Liberdade - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Eren Jaeger, Erwin Smith, Farlan Church, Grisha Yeager, Hange Zoë, Historia Reiss, Isabel Magnolia, Jean Kirschtein, Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman, Ymir
Tags Fantasia, Riren
Visualizações 291
Palavras 11.638
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Lemon, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Inhaí! :v Desculpa a demora, que sempre me botavam algo para fazer, aí quando eu tinha tempo livre eu tava muito cansada e capotava na cama, ou eu simplesmente jogava Lol. Beheeeee!
Gomen.
Bem, esse é o último cap, se acharem corrido... Bem, foi mal :v

Capítulo 2 - Meu Lar


Fanfic / Fanfiction Ilha da Liberdade - Capítulo 2 - Meu Lar

~*~Eren~*~

Já estava dormindo, já que não aguentei ficar acordado esperando o Levi por muito tempo, pois já havia se passado muito tempo e eu estava cansado do longo dia. Vivia um sonho tranquilo, estava com minha família e tinha acabado de tirar um bolo do forno que ia enfeitar, minha mãe me ajudava no arranjo enquanto Mikasa trabalhava nas contas do hotel, logo depois meu pai chegava e trazia um saco de hambúrgueres que ele tinha comprado no fast food que havia no caminho da cidade de Maria para Shiganshina. Depois eu estava na cidade de Maria e ia para o meu curso e me encontrava com o Armin e o Jean no meio do caminho, e como sempre eu e o cara de cavalo acabamos por brigar mais uma vez. Tudo de repente ficou completamente escuro e ouvia meu nome ser surrado perto do meu ouvido, logo fui empurrado delicadamente para uma cama vermelha, deveria me preocupar, mas o toque dessa pessoa era quente e aconchegante, tão bom, olhei para o ser que me dava caricias tão viciantes e encontrei os olhos cinzas tão hipnotizantes, eu puxei seu pescoço para um longo beijo, que se seguiu para um longo abraço. Tão bom, eu poderia ficar assim para sempre.

“Eren, venha. Está quase na hora do jantar. ”

A voz da minha mãe veio do meu lado direito, ela me olhava preocupada, pedia que eu não a deixasse. Olhei para o Levi que havia tomado uma pequena distância deixando mostrar seu rosto que parecia que iria me comer com os olhos, primeiro encostando os seus lábios nos meus para depois beijar meu pescoço.

“Não lembro de ter mandado você sair. ”

“Eu não sei o que fazer. Por que eu tenho que escolher um dos dois? “

Assim que disse isto, não pude saber o que o Levi dos meus sonhos dissera, pois logo acordei com um som muito alto de algo caindo e vidro quebrando, com o susto, logo levantei e fui olhar o que teria acontecido, ao chegar mais perto vi o pássaro de cabelos negros sentado no sentado no chão, uma das cortinas estava em sua mão e o suporte que as prendia estava em cima da mesa, por causa disso os copos que estavam em cima da mesma acabaram por cair e quebrar. Corri na disseram do Levi para ver como ele estava, não via cortes, mas percebi o odor de vinho que saia dele, ele está bêbado?

—Levi, você está bem? Está machucado em algum lugar?

—Eren.... — Ele me puxou pela nuca roubando-me os lábios enfiando sua língua dentro de minha boca bagunçando tudo lá dentro. — Você é tão sexy quando se preocupa, me dá vontade de te devorar.

—Le- Levi, deixe de brincadeira. Ande, vamos tomar um banho. — Meu rosto está vermelho. Calma, Eren, ele só disse isso por dizer. Peguei seu braço e o passei pelo meu ombro segurando em sua cintura para dar um apoio maior e ele não cair o levando para o banheiro. — Pronto, pode tomar banho.

Quando ia me virando ele agarrou meu pulso e minha face, logo senti sua língua percorrer parte de minhas costas e subindo para minha nuca.

— Tão frio, Eren. Por que não se junta a mim? Ah. É verdade, eu nunca te fodi aqui no banheiro, não é? Esta é uma bela oportunidade, você não acha?

—Le- Levi. — Ah.... Droga.... Por que sempre que estou perto dele essas coisas acontecem.... — Me deixe ao menos pegar os preservativos.

—Shhh. Eu sei que você gosta quando eu não os usos. — A mão que segurava minha cara foi descendo para o meu peito e depois para minhas costas rasgando minhas calças deixando meus glúteos livres. Com os dedos ele se direcionou para minha entrada penetrando-me enquanto seu nariz se localizava em minha nuca aspirando todo o ar da região. —Nossa, você já está tão molhado.... Eren, tire a roupa e fique de quatro.

—Sim, senhor. — Fiz como me foi mandado. Era tão vergonhoso, ele me encarava e agarrava minha bunda a puxando para os lados para poder ter uma melhor visão da minha entrada que a qual já sentia escorrer um pouco pela minha coxa. Droga, estou excitado. Meus pensamentos foram cortados quando senti sua língua penetrar-me ao mesmo tempo que ele me masturbava e arranhava minhas coxas. —Ah! Le.... Tão bom.... AH! Por favor.... ai.... posso estar em heat, mas.... Ghr! Su- sujo...

Não conseguia dizer nada, apenas sentir. Ele nunca tinha feito isso sem ser em meu pênis, mas era tão bom quanto e não ajudava o fato dele estar brincando com meu pênis também. Eu quero chupa- lo. Quero que ele se sinta tão bem quando eu....

—Le.... Levi.... Me deixe.... Ah.... Me deixe fazer em você também.

—Hoo. Muito bem, deixarei você brincar um pouco comigo também. Só não use os dentes dessa vez — Ele se afastou um pouco e retirou o resto de sua roupa deitando no chão logo depois. Me aproximei e me deitei em cima de seu corpo pálido, não tardou para que ele começasse os mesmos movimentos de mais cedo, mas ao inverso, sua boca cobria o meu membro ereto enquanto os seus dedos vinham dentro de mim. Não demorei também para abocanhar o seu pênis e o ver soltar leve gemidos. Ah. Será que ele vai ficar irritado?

Fui deixando minha saliva cair em abundancia enquanto o lambia lentamente, cuidadosamente fui direcionando meus dedos para suas cochas, arranhando-as um pouco para distrai-lo e segui para meio de suas pernas, entrando lentamente, o ouvi gemer contra meu membro, não podia ver sua cara, e nem queria, tinha medo que ele brigasse. Será que ele já fez isso? Bem, mesmo eu sendo um ômega eu ainda tenho um pênis. Fui explorando com dificuldade, já que estava difícil de me concentrar com ele também mexendo em minha entrada que sentia escorrer mais em seus dedos saborosos que me deixavam maluco. Ah. Droga... Acho que...

— Levi, eu.... Eu vou gozar. — Ao final da frase senti seu ritmo aumentar o que me fez sentir uma descarga em todo meu corpo enquanto o mesmo se contorcia contra o corpo do homem embaixo de mim e logo, sua boca ficou cheia do meu sêmen.

—Ah. Acho que está na minha vez.

Antes que eu desse por mim eu já estava sendo jogado para dentro da água, ele pegou minha perna e colocou meu peito contra a borda fria da grande piscina que havia em seu banheiro, ele puxou meus glúteos e ficou sorrindo enquanto lambia seu lábio, aquilo me causou um enorme arrepio e um grito de prazer saiu de minhas cordas vocais quando o senti invadir meu interior como das tantas outras que ele fez, mas não me cansava disso, pelo contrário, era viciado por sua pele, em como ele bagunçava todo meu interior de todas as formas possíveis, nos seus beijos lascivos e do jeito que ele bagunçava minha cabeça. Ele beijava meu pescoço dando pequenas mordidas e lambidas naquela área fazendo me arrepiar mais uma vez e gemer contra aquele chão de pedra.

—Levi, muito rápido.... ah!

—Mentir é feio Eren, afinal eu parei de me mexer faz um tempo, é você que está se movendo desse jeito. — A vergonha me tomou quando percebi que o que o vastaya estava dizendo era verdade, eu que estava movendo meus quadris contra os seus. Que vergonha. — Você na verdade é um moleque pervertido que está viciado em ser penetrado por mim. Pode admitir, eu sou o único que consegue te satisfazer de verdade.

—Isso não é.... — Ele me virou, agora dava para ver seu corpo que estava completamente molhado pela água. Seus olhos se encontravam com os meus nos intervalos dos beijos e das mordidas profundas que ele dava no meu pescoço. — Sim.... Eu adoro ser fodido por você. Estou complemente viciado....  GH! Levi!

Ele aumentou o ritmo das estocadas, conseguia sentir ele acertando os dois pontos que me faziam dar pequenos espasmos, minha próstata e o que seria meu “ponto G”. Era incrível, não tardou muito para que eu gozasse pelo meu órgão feminino que estava sendo invadido de forma brusca, mas que eu amava. Era como se eu estivesse sendo empalado de tão preenchido que eu me sentia, toda vez que ele avançava o ar faltava em meus pulmões.

—Ah! — Arquei sorrindo quando um tapa havia sido desferido em minha bunda.

—Hooo. Sabias que parecia um masoquista, mas como és teimoso não achei que iria deixar transparecer tanto.

—Nã- não é issAAH! —Mais tapa havia sido desferido, vindo de mais alguns, fazendo meu corpo arrepiar junto com o prazer que ele me dava dentro de mim.

— Droga.... Eu vou gozar.... — Assim que ele disse ele me levou para um longo beijo. Meu interior se sentia quente.

Lentamente ele saiu de dentro de mim, deixando alguns resquícios de sêmen saírem de mim e caírem na água. Não conseguia me mover, meu corpo inteiro ainda estava sensível com aquelas sensações, foi tão bom, que perdi a noção do tempo. Quando dei por mim Levi me puxou para o chão de pedra completamente e sentou em cima de mim, sua mão estava atrás, ele se contorcia e gemia um pouco. Ele está se masturbando com o cu?!

—Ah.... Você já penetrou um cara?

— Nã- não.... Só fiz com mulheres, mas foram poucas vezes...

—Tch. E eu esperando tirar sua virgindade aqui.... Não se acostume, pois não vai acontecer com frequência, não costumo ser o que recebe. — O mais velho estralou a língua levando sua outra mão a sua boca enchendo-a de saliva, aquela visão me causou diversos arrepios, depois de sentir um pouco da sua saliva caindo em minha barriga ele redirecionou-a para sua entrada brincando com o local, com a outra ele fez círculos no ar fazendo uma pequena esfera negra aparecer, adentrando o pequeno vazio e retirando um preservativo. Magia com certeza é muito prático...

Ele tirou seus dedos e ajeitou um preservativo em mim, sentando-se no meu membro. Eu nem me havia recuperado de agora a pouco e..... Não aguento.... Mas é tão bom. Estou dentro do Levi. — Ah. O que foi Eren? És fraco até quando é o que está dentro. Estás gemendo como louco.... Ah.... E estás pulsando aqui dentro... já vai gozar? Ah.... Bem.... Ah.... Não posso culpar já que és jovem...

O vastaya colou nossos corpos enquanto se movia, não consegui me segurar e agarrei nos seus glúteos e intensifiquei as estocadas, ele gemia, apesar de não tanto como eu, mas era tão bom ouvi-lo que não tardou para que eu sentisse o clímax e gozasse.

Ficamos deitados, enquanto regularizamos nossas respirações. Depois de um banho, no qual eu tive praticamente banhar o mais velho, fomos para a cama, ele assim que deitou dormiu, provavelmente por estar alcoolizado, porém eu não conseguia dormir de jeito nenhum, então achei melhor limpar a bagunça, tanto no banheiro, quanto na entrada do quarto, já que os cacos dos vasos ainda estavam espalhados, e como não consegui botar a cortina de volta apenas a enrolei e a deixei de lado. Quando percebi a porta ainda estava lá, achei estranho já que o Levi normalmente a sela, aproveitei para ficar na varanda que normalmente não tinha acesso, era extremamente alto e sentia que o vento poderia me carregar a qualquer momento, por experiências não muito boas peguei uma corda e me prendi em um dos pilares que sustentavam o teto e me sentei no chão. O céu era complemente estrelado, completamente diferente da visão do meu apartamento em Maria, mesmo que morasse no 30 andar.

—Ainda não foi dormir?

—A-Annie! Eu que a diga! O- o que está fazendo aqui???

—Dando uma fugida da minha professora de etiqueta.

—Aulas a essa hora da noite? Como você aguenta?

—Minha aula era para assim que eu chegasse do passeio, estou fugindo desde então.

—Haha. Entendo. — A garota se sentou ao meu lado. Ficamos olhando o horizonte por algum tempo. —Annie, eu decidi que vou confessar meus sentimentos ao Levi, mesmo que provavelmente leve um fora, mas eu sinto que eu preciso.

—Huum. Se quer uma dica, mande ele te levar para a praia, já que amanhã ele vai ter folga, assim vocês vão ficar sozinhos sem que ninguém os interrompa.

—A folga dele não era hoje?

—Bem, era, mas meu pai o botou para trabalhar já que o que iria treinar os novos recrutas ficou doente. Ele ficou bem puto.

—Haha. Agora entendi porque ele chegou tarde e alcoolizado.

Ouvimos um grito gritando o nome da loira, provavelmente era sua professora de etiqueta.

—Acho que meu intervalo da fuga chegou ao fim. — Ela se levantou e suas asas brancas com detalhes dourado se mostraram. — Até Eren. Te aconselho a se declarar mesmo amanhã, é só um pressentimento que eu tenho. Bem, acho que minha dívida está meio paga.

—Han? Divida?

—Digamos que uma de outra vida. Vê se aprende a lutar direito.

Ela bateu as asas e logo sumiu de minha vista. Mas o que ela quis dizer com isso?  Voltei para o quarto vendo o vastaya dormir de forma tranquila, parecia que nada o podia acordar, apesar que provavelmente isto era um efeito da grande quantidade de bebida alcoólica que o mesmo havia ingerido antes de chegar no quarto. Não demorou muito para que eu fosse pego pelo sono e adormecesse de novo.

 

 

***********

Por algum motivo eu havia acordado antes do sol nascer, mas o que mais me pegou de surpresa fora que Levi já estava acordado. Ele estava sentado no pequeno sofá com um copo d’ água, ele estava com uma cara péssima, provavelmente estava de ressaca, ou será que ele se lembra que ele deixou ser “a mulher” dessa vez. Aaah, só de lembrar eu quero enfiar minha cara em alguma coisa.

—O pirralho já está acordado?

—Não sou pirralho, pensei que lhe disse que eu tinha 20 anos.

— Continua sendo um pirralho. —Ele sorriu de lado enquanto eu inflava minhas bochechas de raiva. Ele nem parece ter muito mais que eu e fica se achando. Pera, eu nunca perguntei a idade dele.

—Então quantos anos o senhor adulto tem?

—27 Anos.

—Nossa.... Estás muito bem conservado. — Ele riu um pouco mais tomando outro gole do café. — Não tão velho assim. Tch.... Não aguento essa dor de cabeça.

—Posso preparar um chá para você, e algo para comermos também. Como ainda está muito longe de amanhecer podemos entrar na cozinha ninguém deve estar lá.

—Eu queria é ficar longe daquele puto com duas toupeiras na cara. Se eu ver ele eu encho ele de porrada, ele nem vai conseguir lembrar do que ouve de tanto murro que vai levar. —Não consegui conter meu riso, era claro sua insatisfação, mas nunca pensei que alguém poderia fazer isso com um rei. — Então, Levi, que tal você tira o dia de “férias”. Sei que aqui é uma ilha, mas acho que dá para você ficar em outro local sem que te achem, tipo a praia ou qualquer outro lugar para você descansar, acho que vai ser bom para você.

Ele pareceu pensativo por um tempo, acho que estava considerando a minha proposta e pensando nos prós e contras de simplesmente sair do castelo e “tacar o foda-se” pra todos, ele parecia incomodado com algo, afinal, sua expressão de raiva enquanto xingava o rei mudou para uma expressão muito séria, até que finalmente nossos olhos se encontraram.

—Muito bem, vamos. Se arrume logo, bote algo na sua cara, pois vamos ter que passar no comercio da cidade antes de ir.

—Eh? Eu vou com você? — Meu rosto se aqueceu. Droga, me sinto uma colegial do primeiro ano falando com o senpai que gosta.

—Claro, eu ainda estou sendo o responsável por você, pirralho. Vamos logo, antes que o pai das toupeiras e a cientista pervertida venham me encher o saco com alguma papelada inútil ou treinando inúteis que não sabem nem como limpar a bunda direito. — Senti uma vontade enorme de rir, mas engoli e fui ajeitar as ataduras com a prótese que imitava os pés dos vastayas, aqui realmente fazia com que meu andar parecesse a de um aleijado me tirando um suspiro do rosto. Troquei de roupa para uma mais simples, já que não precisava ficar com aquelas roupas adornadas enquanto estava fora do castelo, então apenas pequei uma camisa esverdeada fechada com grandes mangas e uma das típicas calças estufadas brancas, eram simples e confortáveis, acho que nunca agradeci o suficiente por sair para comprar roupas junto com Hanje.

Assim que terminei o pássaro de cabelos negro me pegou nos braços como sempre fazia e me levou até a base da torre, onde a minha cadeira de rodas já estava me esperando para me prender novamente. Tomamos muito cuidado para que não fossemos notados, foi horrível, já que ao que parece Levi usará um feitiço que fazia com que nossas presenças não fossem notadas, entretanto, para isso nós dois tínhamos que prender a respiração até que saíssemos do castelo. Por um momento eu achei que ia morrer. Após saímos de lá, Levi fez questão de tomarmos café da manhã num pequeno restaurante que era administrado por amigos de infância dele, ao que eu entendi os três eram colegas do exército, mas depois que Farlan se casou com Isabel e ela ficou grávida ambos decidiram que era melhor deixar o exército e se focar na criação de sua filha, Natasha, uma linda menina de cabelos ruivos e olhos dourados. Era engraçado ela brincando com seu padrinho de cabelos negros que não escondia o desconforto dos avanços da menina de asas vermelhas.

Após comermos passamos rapidamente no mercado para comprar ingredientes para nossas refeições ao decorrer do dia, já que ele disse que não iria voltar para o castelo até a manhã seguinte. Andamos até uma parte distante da cidade até uma pequena casa de pedra que parecia conectada a parede de pedra que cercava o território dos vastayas, olhei ao redor e percebi que havia várias casas similares que subiam as paredes.

—Onde estamos?

—Minha antiga casa. Antes de nós três entrarmos no exército morávamos aqui junto a minha mãe.

—Então irei conhecer sua mãe? —Falei animado, mas isto durou alguns segundos, seu rosto escureceu e parecia sofrer um pouco. —Devo dizer que não, já que ela morreu a muito tempo atrás. —Meu sangue gelou, tudo saiu da minha boca foi um “desculpa”. — Não se preocupe com essas coisas pirralho, foi a muito tempo, e não foi culpa de ninguém, afinal, a morte pode chegar para todos.

Ele empurrou a cadeira de rodas até dentro do estabelecimento, era uma casa relativamente pequena, constituindo-se apenas de uma sala com uma pequena cozinha e um quarto, ao fundo da sala havia uma pequena lareira com uma mesa de madeira ao centro, era simples, mas muito acolhedora, não havia adornos ou uma parede pintada, ela apenas deixava a pedra e a estrutura de madeira aparente, era muito charmosa.

Não demorou muito para Levi me mandar sair da cadeira e tirar a prótese para que assim pudesse ajuda-lo na limpeza da casa que, pelas suas palavras, parecia um chiqueiro. Admito que fiquei receoso quando ele me mandado lavar as cortinas e praticamente qualquer coisa feita de tecido ao lado do pequeno poço que havia na área inferior ao ar livre da construção fora da casa, porém o mesmo disse que ergueu uma barreira na casa que a fazia parecer deserta para os que estava de fora, isso claro, desde que eu não apagasse de alguma forma qualquer círculo magico que estavam espalhados pelo lote.

—Levi, terminei! — Estava estendendo o último lençol quando o vastaya apareceu um uma pequena bandeja de madeira simples onde se pousava um conjunto de chá de barro e umas pequenas bolachas que compramos anteriormente, ele se sentou no pequeno terraço e me mandou sentar também.

—Chá preto? — Disse ao dar um pequeno gole no líquido. —Não sabia que vocês tinham tantos chás parecidos com o do mundo dos humanos.

—Hoo. Bem, é provável que isto veio da cultura de quando o seu mundo sabia de nossa existência. Entretanto devo comentar que pelo que eu vejo você fez um bom trabalho para um pirralho mimado que nem você.

—Ei! Quando eu estava no meu apartamento era eu que o limpava e fazia praticamente todo trabalho doméstico, já que meu pai passava o dia fora, até antes de eu me mudar com meu pai para Rose eu sempre ajudei minha mãe com a pensão.

—Estou surpreso, jurava que você era um pirralho vinha de uma família rica e que foi criado no conforto.

—Nós não somos ricos, mas diria que vivemos com o suficiente. Você tem uma visão meio estranha minha... —Resmunguei arrancando um grande gole da xicara e comendo um amontoado de biscoitos.

—Ei, pare de sujar o piso com farelo, acabei de varrer aqui. — Ele me encarou e sua mão foi rapidamente para meu rosto, friccionando-a rigidamente contra minha pele. — Tch, por isso que eu digo que você é um pirralho. Olha como você está sujo.

Meu coração disparou de novo, meu instinto e um pouco de orgulho me disseram para me afastar, para que não deixasse com que ele visse meu rosto vermelho, e ainda mais, não queria que ele me visse como uma criança. —Pode deixar que eu me limpo...! — Movi sua mão e tentei afastar meu rosto, mas sua mão tentou o contato de novo, apesar de não ouvir o que o mais velho mais falava estava claro que ele insistia em me limpar. Me movi mais bruscamente para afastá-lo, porém o copo que eu estava segurando se desequilibrou e o liquido preto que ainda estava relativamente quente caiu pelo meu dorso, queimando-me levemente.

—Aii! Ai! Quente!

—Fica parado. — Em um movimento, minha camisa molhada foi rasgada, deixando minha barriga livre, o que me refrescou um pouco, e logo senti um pano molhado frio sento posto no local. — Acho que não queimou realmente.... Ainda bem. Você devia tomar mais cuidado e.... Ei, porque você está chorando?

Não consegui segurar aquelas lagrimas de frustração, me sentia tão ridículo. Não era por causa de ninguém que eu chorava, era por mim, eu me sentia imponente e sentia como se eu não pudesse fazer nada, odiava ter que depender dos outros, do fundo do meu ser, era sufocante, nem ao menos me limpar eu fazia direito.

—Desculpa... é só que... — Me senti sento envolvido por um abraço caloroso. — Está tudo bem, Eren. Sei que é difícil ficar se sentindo imponente, afinal, você não pode nem andar sem ter o máximo de cuidado, e para alguém impaciente como você deve ser sufocante, afinal, isto é praticamente um cárcere privado. Eu deveria ter deixado ao menos você se limpar sozinho.

Não consegui dizer nada, parecia que ele me lia completamente, eu apenas me deixei aconchegar por um tempo naqueles braços que se recusavam a me soltar. Ficamos daquele jeito por um tempo até que minhas lágrimas sessassem e eu conseguisse controlar aqueles sentimentos que queria fluir da minha garganta, queria lhe dizer que gostava dele, mas a possibilidade de rejeição me assustava, afinal, não tinha como sair daqui e teria que o ver todos os dias, já que ele está encarregado de me vigiar.... Mas esse é o momento perfeito! Ou, era o que eu achava, já que perdi o tempo e logo o mais velho me mandou ir para de baixo de um chuveiro que também havia nos fundos e me limpar logo enquanto ele ia limpar a sujeira do terraço.

Ao terminar meu banho me ofereci para preparar o almoço, já que havia dado muito trabalho para ele, e eu tinha que ao menos usar algo que aprendi no curso de gastronomia. Foi relativamente fácil, já que ao contrário do que eu imaginava, os ingredientes eram os mesmos, sim eu imaginava que era floresta mágica cheio de animais fantásticos como nos contos de fadas, mas uma galinha era apenas uma galinha aqui. Fiz uma simples imitação de um frango a passarinho com alguns acompanhamentos simples como legumes, arroz de espinafre, purê de batata e um molho que fiz misturando uns ingredientes que tinha.

—Não está nada mal. —Disse enquanto arregalava os olhos e partia para outra garfada, o que me deixou extremamente satisfeito. — Acho que daria para você ser um cozinheiro da corte, já que conseguiu transformar coisas simples nisso.

—Haha. Obrigado. Quando eu estava no lado humano eu fazia um curso de gastronomia, eles basicamente te ensinam várias coisas relacionadas a comida, desde como é o melhor preparo até em como combinar e a química por trás dos alimentos. Decidi me fazer esse curso para ajuda minha mãe na cozinha, já que ela tem muito trabalho na cozinha e como eu sempre ajudei ela na cozinha, eu decidi ao menos me especializar na coisa.

—Entendo. Ela deve ser grata por ter um filho como você.

—Hehe. Bem, eu e minha mãe somos realmente muito amigos, chega a ser uma intimidade meio chata já que por contar tudo a ela minhas orelhas são sempre muito puxadas.

—Consigo imaginar algo assim. —Ele sorriu de lado sussurrando um riso. — Eu era mais ou menos assim com minha mãe também, já que era o “irmão mais velho” de Farlan e Isabel, eu acabava por querer ajudar minha mãe no trabalho, ela sempre reclamava comigo, pois dizia que eu deveria aproveitar minha infância, que os adultos é que tinham que trabalhar.

— Ela deveria ter sido uma excelente pessoa, já que pelo visto você ama muito ela.

—Algo assim.... Bem, depois que ela morreu foi justamente quando chegamos na idade para poder se alistar no exército, e como éramos 3 órfãos e não conseguíamos arranjar um emprego decente como minha mãe queria, lá era a opção óbvia, já que ganhávamos comida e um teto, e mesmo que tivemos que treinar como condenados e sermos quase humilhados por mal sabermos escrever ou conjurar muitas magias, já que nunca fomos para uma escola muito simples que apenas o básico, era melhor do que se tornar ladrões para tentar sobreviver. No final, deu tudo certo. Obrigado pela refeição.

Ele se levantou e foi lavar os pratos. O clima havia se silenciado, mas aquela história me deixou com um amargo na boca, já que era bem provável que o maior havia omitido várias partes, e que ele havia desabafado sem querer devido sua expressão surpresa. Ouvia a água sendo retirada do pequeno balde ao lado e os barulhos dos pratos sendo limpados, me levantei e fui ao encontro das costas do outro, encostando minha testa no couro cabeludo do outro enquanto meus braços traçavam o caminha pela sua cintura, agarrando-a.

—Eren, não precisa ficar desse jeito por uma história do passado, já disse: Isso passou e tudo terminou bem. Eu tenho um cargo de calar o bico das pessoas que me diminuam apenas com meu esforço e dedicação, Farlan e Isabel estão vivendo uma vida pacifica e feliz, eles tiveram até uma pirralha irritante. Não tem o que reclamar.

—Levi, você não se sente sozinho? Sei que não te conheço a bastante tempo, mas você sempre se exige mais que os outros, mesmo que digam que nos treinos que eu assisti que você é a reencarnação do demônio, mas eu percebi. Você nunca faz o mesmo tipo de treino para a mesma pessoa, você analisa seus melhores ponto e você é rígido porque quer tirar o melhor de cada um deles. E você se esforça mais que qualquer um, mesmo já tendo pouco tempo me ajudavas a treinar de noite e mesmo que em questão de força um ser humano seja infinitamente mais fraco que um vastaya, você nunca se segurou ou me olhou como se fosse inferior a ti. Claro, tens um pequeno toque com limpeza, mas isso é até admirável. Me salvasse de uma morte certa, é como se você fosse o super-herói daqui, porém sabe, heróis também merecem ser felizes e descansar.

—Só por me bajular, eu não vou pegar leve com você nos treinos.

—Hehe. Eu sei. — Apertei mais seu corpo contra o meu. Eu não me importo de ser rejeitado, eu só quero tirar isso do meu peito. —Levi, eu gosto de você. Eu sei que somos de raças diferentes, mas...

Não consegui terminar, de alguma forma ele havia conseguido se virar e puxar meu pescoço para baixo, roubando meus lábios gentilmente. Ele dava pequenas arranhadas em minha pele com a mão elevado e foi logo ocupar a sua livre traçando pequenos caminhos pelas minhas costas nuas fazendo-me arrepiar completamente.

—Eu não disse que você era impaciente, são os mais velhos que devem falar essas coisas, pivete de merda. —Ele selou nossos lábios novamente puxando minhas pernas e me levantando do chão, antes que eu desse por mim eu já estava em cima da mesa ouvindo algumas das coisas que ali estavam caírem, entretanto isso pouco importou já que o compasso do meu coração parecia que cobria todos os sons que se fizeram naquele instante. Então...

—Não sente nojo? Por te um humano gostando de você....

—Sabia que você se preocupa por muita besteira? Se eu preferisse me deitar com pessoas da sua raça nunca teria feito nada com você. Nem para se confessar você presta.

—Me desculpa....

—Mas que... Hahahaha. — Ele arqueou-se para trás abrindo um longo sorrindo, deixando sua risada cobrir o cômodo por completo. Era lindo. Acho que nunca o ouvi rir de maneira tão espontânea como essa, era hipnotizante, tanto que não aguentei deixar aquele pensamento apenas em minha cabeça. — Você é tão lindo quando rir.  Ah....

—Você também fica quando sorrir, mas mais ainda quando está preste a gozar.

Seu sorriso malicioso apareceu, agora se aproximando de meu pescoço mordiscando o local. Mordidas, chupões eram deixados ao redor do meu corpo, sentia uma pontada de dor e prazer a cada marca que o mesmo distribuía em mim arrancando pequenos gemidos de minha boca. E assim foi nossa tarde de prazer, o suor de ambos era misturado, tudo que conseguíamos ouvir eram as batidas aceleradas dos corações de ambos e os gemidos espalhados que soavam como os nossos nomes. Eu procurava cada vez mais contato, implorava, gritava por isso e o mais velho parecia desesperado por aumentar o contato, entretanto sentia que tinha algo errado, pois em alguns momentos ele parecia triste, como se algo o estivesse preocupando, sabia que havia algo errado, mas decidi ao menos fazê-lo esquecer de seus problemas, que naquele momento só haviam nossas caricias. Não importava se nós chegássemos ao clímax, as caricias não paravam, marcamos aquele chão frio com os nossos sentimentos, nos afogando no conforto dos braços e toque um do outro.

Passamos o resto do tempo sentados no chão, Levi se encostava na parede atrás de dele e eu estava apoiando a cabeça em seu colo enquanto o vastaya acariciava meus cabelos. Meus olhos pareciam que a cada toque minha cabeça ficava mais leve e meu olhos teimavam em fechar.

— Ah.... Se continuar assim vou acabar pegando no sono... Tenho que fazer nosso jantar sabia?

—Acho que você não iria nem conseguir se manter de pé, quanto mais fazer o jantar. Pode dormir pirralho...

Minha visão foi se borrando mais ainda quando o mais velho depositara um beijo em minha cabeça. Estava prestes a fechar completamente os olhos quando a porta se abriu e penas douradas se espalharam pelo chão, não consegui ver quem estrava meu corpo não se movia, apenas meus olhos que se fechavam mais e mais.

—Então, está na hora. Adeus, pirralho. — Uma pequena lagrima caiu de meu rosto inerte ao ouvir a triste despedida, e sem entender nada, meu mundo virou escuridão pura.

 

 

*********************************

 

Abri meus olhos novamente com muita dificuldade, meus estomago doía, sentia como se a qualquer momento fosse colocar qualquer que estivesse lá para fora, minha boca estava seca, todos os meus músculos meus olhos doíam com a extrema claridade do local, quando finalmente me acostumei com a claridade percebi que estava em um quarto branco deitado em uma cama, meu braço era perfurado por uma agulha que injetava a solução que estava pendurada um pouco mais acima ao meu lado. Logo depois uma enfermeira entrou no quarto e ao me ver acordado foi correndo de volta para a porta e quando voltou estava acompanhada de um médico careca de idade avançada no cômodo.

— Bom dia, Eren. Sou o Doutor Dot Pixis. Como está se sentindo?

— Bom... dia.... — As palavras arranhavam minha garganta fazendo a comunicação difícil. — Minha cabeça dói.... Minha garganta está seca....

— Entendo. Eren, qual a última coisa que você se lembra? — Ele disse me fazendo voltar as minhas memorias. Eu lembro que eu cai do navio e fiquei numa ilha.... Depois disso....

—Eu estava numa ilha deserta.... Fiquei muitos dias lá.... Hum....Só lembro de construir uma jangada e me lançar para o mar...

—Deve ter sido dias difíceis para você. Pode descansar, logo vou deixar seus pais entrarem, quando você estiver melhor, já que por conta da desidratação e desnutrição você está meio debilitado.

—Sim, senhor.

Assim que o doutor Pixis saiu eu logo caí no sono, nele alguém me abraçava e me beijava enquanto dizia meu nome, sua voz era profunda e me fazia arrepiar, seu toque me transmitia calma ao mesmo tempo que uma leve sensação nostálgica. Quando eu acordei minha mãe estava ao meu lado junto ao meu pai e minha irmã, ambos choraram e brigaram comigo por ter sido tão imprudente e não ter usado o cinto de segurança, levei alguns puxões de orelhas junto aos vários abraços que se seguiram por mais algum tempo. Ao que parece já haviam feito até meu enterro.

Depois de duas semanas eu finalmente pude voltar a minha vida de antes, apesar que dessa vez toda minha família estava em Trost, minha mãe e irmã deixaram a pensão aos cuidados de uns amigos dela e vieram passar dois meses ao meu lado, para “descontar” o tempo que estiveram afastadas de mim, mas também estavam preocupadas se eu não iria desmaiar a qualquer momento no meio da rua e por causa do meu heat, já que passei esses dois meses sem tomar minhas devidas medicações, mas por algum motivo, eu não estava mais entrando em heat, ao menos não do modo irregular e exageradamente forte de antes. Era como se não surtisse mais efeitos naqueles ao meu redor, mesmo assim Armin insistia em me deixar e me buscar em casa, já que ele se sentia mal por não ter ficado de olho em mim no dia do navio, demorou muito tempo para que eu conseguisse acalmar ele no dia que ele foi me visitar no hospital.

—Serio que você não se lembra de nada de quando estava naquela ilha?

—Sim, eu só lembro da primeira semana, mas depois só me lembro de construir uma jangada e me jogar para o mar, mas esta memória é muito borrada. Eu nem me lembro quando me acharam.

—Pode ser que você tenha se esquecido por ter virado um trauma, é muito comum isso acontecer.

—Sim, mas quando eu descrevi a ilha para aquele senhor que queria investigar aonde eu estava, ele disse que não havia nenhuma daquele jeito perto do nosso arquipélago. Ele só disse que poderiam ser outras, mas aquelas eram muito pequenas para a dimensão ao qual eu disse que a ilha tinha.

—Sim, isso de fato é estranho, mas olhe pelo lado bom; você está em casa agora.

—Você está certo. — Sorri para o galego de olhos azuis ao meu lado, mas aquela sensação de que faltava algo continuava comigo.

 

 

*********************************

 

 

—Ah... Me sinto uma bosta...

—Você está vomitando muito esse mês Eren.... O que você está comendo?

—Nada de diferente do que eu normalmente como. Será que eu desenvolvi alergia a alguma coisa Armin...? Ah! Não me diga que eu fiquei com intolerância a lactose?! Por favor não me diga isso! Ficar sem poder comer pizza é a mesma coisa que morrer!

—Calma Eren, se fosse intolerância a lactose você estaria expelindo coisas diferentes e por outro buraco. Não é melhor você ir no medico?

—Eu sei... Armin, vem comigo, por favor!

—Por que você não chama sua mãe ou a Mikasa?

—Porque desde que eu voltei eu espirro e elas agem como se eu tivesse câncer em fase terminal! — Sim, não que eu não gostasse de tê-las aqui, porém não foi só uma vez que me cortei com uma faca e elas já quiseram me levar ao hospital com medo de que eu tivesse uma infecção e morresse, por causa disso eu tenho escondendo essa moleza e os meus vômitos que começaram depois de um mês e meio que eu fui resgatado. No começo Armin disse que era podia ser meu sistema imunológico que foi debilitado por causa da desnutrição.

Assim, logo depois do termino da aula o loiro com orbes azuis me acompanhou até o hospital, bem, não antes de ter que ouvir o Jean reclamar que só porque eu havia voltado eu não deviria ocupar o único tempo que ele tinha com o namorado, já que estava estagiando em escritório de direito. Quando chegamos na emergência eu fui para a triagem onde eu peguei uma ficha de prioridade e assinei uma pequena ficha para que me identificassem e se eu fosse um ômega, o que no meu caso eu sou, para ficar numa área separada para o caso de algum de nós entrar em heat e não cause uma confusão por alfas querendo atacar ômegas doentes.

Esperamos pouco tempo já que o lugar estava meio vazio, fui visto por um médico onde eu lhe contei o que estava sentindo, ele fez pequenos exames rápidos como medir minha pressão, batimentos e essas coisas, depois pediu que eu fosse para outra ala onde tiraria sangue e seria atendido por um especialista em ômegas. Depois de fazer a tiragem de meu sangue fui para uma sala onde me pediram para pôr um roupão onde fizeram um ultrassom na minha barriga. Quando acabou percebi que Armin estava meio pensativo, mas antes que eu fosse o perguntar do que o afligia uma mulher de cabelos escuros e olhos claros divididos ao meio portando um sorriso muito gentil.

—Ah. Você deve ser Eren Jeager, estou certa? Muito prazer, sou Frieda Reis.

—Muito prazer. Já sabem o que eu estou? Que eu achei essa virose meio estranha, normalmente quando eu tinha vomito e essas coisas apenas durava dois dias, por isso estou preocupado.

—Ah. Mas você não tem nada disso Eren.

—Han? Então o que eu tenho?

—Meus parabéns, Eren. Você tem uma criança sendo gerada dentro de você.

O meu mundo congelou. Como eu poderia estar grávido? Eu não havia estado com ninguém desde que eu cheguei da ilha, e a mesma era completamente deserta. Meus pensamentos estavam confusos só ouvia a medica falando de algo, mas eu estava chocado demais para pensar em algo, eu sou a nova virgem Maria, mas sem ser virgem?

—Ma-mas doutora, como isso é possível? Eren não esteve com ninguém nos últimos meses. —A voz de Armin me fez retornar ao quarto. —Hãn? Isso é verdade, Eren? — Disse a medica me olhando confusa, mas como ainda estava em choque apenas acenei com a cabeça, foi quando Armir começou a contar com a estória de que eu estava preso numa ilha deserta. —Entendo, mas é mesmo estranho, pois todos os exames deram positivo, mas irei pedir que refaçam eles.

—Obrigado, doutora.

—Doutora Frieda.... Quantos meses? — Falei deixando minha voz falhar um pouco. Havia algo errado, eu sei que tem, porque mesmo assustado isso não parece uma hipótese realmente impossível? A mulher me olhou seriamente, sem me julgar, apenas queria responder minha pergunta de maneira profissional.

—De acordo com os exames, você está quase no 2 mês de gestação.

Quase o tempo que me acharam vagando no oceano. O que aconteceu naquela ilha? Eu... Eu não sei o que pensar.

— Eren, não estou dizendo que seja verdade, mas tem certeza que você não encontrou o seu mate e não dormiu com ele?

—Han?

—Sabe porque o índice de gravidez é tão baixo nos homens ômegas? Para engravidar os ômegas tem que estar em plena conexão com seu parceiro, e isso normalmente só ocorre quando os mesmos encontram seus mates. Quando um ômega não quer mesmo engravidar ele não engravida, é por isso que mesmo com o ataque de alguns alfas aos ômegas não há um aumento na natalidade mundial por filhos em caso de estupro.

—Mas o Eren...!

—Eu sei querido, mas só estou dizendo os fatos. Já volto pequenos, eu irei pedir para enfermeira que refaça os procedimentos novamente.

A mulher saiu do quarto deixando-me sozinho com meu amigo. Meu corpo começou a tremer e o loiro me abraçou dizendo que ia ficar tudo bem, mas era assustador a ideia que eu seria um pai solteiro e sem a menor ideia de quem seria o outro pai dessa minha criança e de como foi que isso aconteceu. Quando a medica voltou com os novos exames em mãos eu esperava que havia sido um engano, mas não, eu realmente carregava um ser no meu ventre.

Antes de sair ela me pediu que eu voltasse no próximo mês e me perguntou se eu me importava que ela acompanhasse meu caso, depois me deu os dados de seu consultório e me pediu que qualquer coisa entrasse em contato, já que o período de gestação de um ômega masculino era muito arriscado. Depois de me dar algumas instruções meu amigo me deixou na porta do meu apartamento, ele perguntou se eu não queria que ele ficasse comigo, mas eu disse que não, precisa ficar sozinho, eu precisava pensar no que fazer e em como iria contar isso para minha família e pensar em como aquela criança estava ali.

A subida até o meu andar nunca pareceu tão lenta, o mundo parecia mais lento ao meu redor. Encostei na parede de metal fria e fechei meus olhos, uma senhora que entrou comigo perguntou se eu estava bem e começou a falar sobre quando eu desapareci. Claro, fingi ouvir tudo, já que não estava com cabeça para esses vizinhos intrometidos que preferiam fofocar da vida dos outros ao invés de cuidar dos próprios problemas. Agradeci a Deus quando a porta abriu mostrando que finalmente havíamos chegado ao 21º andar, me despedi da senhora que ainda iria subir mais alguns andares e fui em direção a porta de minha casa, por sorte não havia ninguém. Joguei minha bolsa para o lado e vi um pequeno bilhete da minha mãe dizendo que iria com Mikasa para o supermercado, e disse para não me preocupar que elas que fariam o jantar. Sorri de canto e fui em direção ao meu quarto e me jogando na minha cama encolhendo-me contra minhas pernas e segurando meu ventre com força. Por que isso está acontecendo?

Fechei os olhos e deixei-me cair no sonho novamente e como em toda noite, eu sonhava com um homem de cabelos negros de face borrada, estávamos em um espaço escuro onde lutávamos, ao que parecia ele estava me ensinando defesa pessoal, logo que acabamos fomos tomar banho e a trocar carinhos íntimos um com o outro. Beijos se seguiram e quando dei por mim, estava em sua cama. Eu dizia seu nome, mas sem entender o que eu estava dizendo.

“ ****, queria te contar algo…”— Disse com a voz rouca enquanto as caricias continuavam.

“O que foi? Você está com uma voz preocupada hoje. ” — Ele se arqueou para frente dando um beijo em minha testa enquanto o mesmo entrelaçava suas mãos nas minhas.

“Que eu estava vomitando muito esses dias e.... “

“Estás doente?! “

“Não exatamente... Eu estou esperando um filho seu, ****. ”

O ambiente ficou silencioso, apesar de não conseguir ver o seu rosto sabia que ele estava surpreso. As mãos que estavam entrelaçadas nas minhas folgaram e seguiram num forte abraço. Eu apenas o abracei de volta, deixando algumas lágrimas caírem de meu rosto.

“Eren... Eu nem sei o que dizer... “

“Eu tenho medo, ****. Você nem está realmente ao meu lado e eu nem sei como contar isso aos meus pais. ”

“Eren... Não se preocupe. Só os diga a verdade, que eu estou longe e.... “

“Mas ele já tem 2 meses que foi justamente quando eu saí da ilha.... “

“Diga que tem menos.... Eu com certeza vou....”

Antes que o sonho acabasse eu despertei com o chamado de minha mãe que ao que tudo indicava, já havia chegado a algum tempo. Eu ri de mim mesmo ao lembrar vagamente de meu sonho, eu engravidei de um sonho, claro, isso fazia muito sentido. Me levantei e como as duas mulheres da casa recusaram minha ajuda no preparo da comida eu ajeitei a mesa e liguei para meu velho para saber quando se ele chegaria para o jantar, e para meu azar minha família inteira estaria junta no jantar, já que eu já havia decidido que era melhor contar de uma vez, era melhor do que esconder e eles descobrissem que minha barriga estaria bem maior nos próximos meses não por eu estar comendo muito fast food.

Assim que meu velho chegou ele estava visivelmente feliz em ver todos nós juntos a mesa. Ele conversava sobre o hospital novo em que ele havia entrado e estava feliz de conseguir ajudar melhor os seus pacientes e que sua nova equipe era bastante competente, depois foi a vez da minha mãe, que contava feliz que conseguiu coisas muito boas na promoção e ainda baixou mais ainda por causa dos cupons de desconto que conseguia na revista que meu tanta tanto dizia desnecessário, em seguida Mikasa só disse além de acompanhar nossa mãe ela havia estado em chamada pelo computador com Caroline - a garota que minha mãe deixou para cuidar da pensão- elas estavam fazendo os cálculos dos gastos e ganhos do mês.

—E você, filho? Como foi seu dia hoje?

—Ah. Eu estava me sentindo mal por isso fui hospital e descobri que estou grávido. — Todos da mesa arregalaram os olhos e me olharam sem saber o que dizer. Bem, claro eu simplesmente joguei uma bomba em cima da mesa, era de esperar que todos ficassem chocados.

—Espere, Eren! Como assim grávido! Quem é o pai ou a mãe?!

—Então quer dizer que você encontrou seu mate? — Meu pai e mãe continuaram me enchendo de perguntas, mas como eu iria falar que não sabia quem era o pai? A figura borrada do meu sonho voltou, eu não queria mentir, mas aqueles sonhos eram tão reais que eu queria acreditar que eu encontrei aquele ser dos meus sonhos e que ele era o pai dessa criança.

—Sim, encontrei ele, dormimos juntos, mas logo depois eu fugi. Não peguei o contato dele, e eu esqueci o nome dele... — Meu pai apertou a raiz de seu navio e suspirou profundamente, minha mãe claramente não sabia o que dizer, já Mikasa estava claramente puta.

— Ai meu Deus, Eren.... O que eu faço com você? Normalmente quando você encontra seu mate você não simplesmente foge. Bem, explicado porque quando você entrou em heat não afetou o bairro inteiro como era antigamente, eu juro que estou feliz por você ter encontrado seu mate, mas eu tenho duas preocupações no momento: Uma é achar é o pai dessa criança; e segundo, você terá que suspender imediatamente as medicações, já que pode afetar no desenvolvimento da criança. —Meu pai como sempre, apesar de estar visivelmente preocupado, não mudava o tom de voz, ele foi sempre muito racional e calmo, acho que a única vez que eu o vi de forma diferente foi quando nos reencontramos no hospital depois que eu consegui sair daquela ilha.

—Então, vamos voltar para Shigashina. — Falou minha mãe com uma voz um pouco tremula, ela tentava parecer calma, provavelmente por causa de meu pai. —Amanhã eu vou passar na sua faculdade e cancelar sua matrícula.

—Espera, mãe! Eu sei que eu tenho que tomar cuidado, mas isso não é motivo para...!

—Eren. — Sua voz ficou mais alta e pesada me fazendo calar a boca e arrepiar como um cachorro com o rabo entre as pernas. — Eu sei que você quer terminar sua faculdade, principalmente por faltar apenas um semestre para você acabar, mas agora você é responsável por uma vida. Sua vida vai ter que girar em torno desse pequenino agora, entende meu bem? E uma gravidez em um ômega masculino é muito arriscada, eu tenho medo por você...

—Mamãe... — Lágrimas começaram a escorrer sem parar pelo meu rosto, tudo ainda parecia tão distante e tão incerto. — Eu tenho medo.... Do que pode acontecer com essa criança.... Do que pode acontecer comigo....

—Eren.... — Meu corpo foi envolto por Mikasa que logo e logo depois pelo abraço de minha mãe. — Vai ficar tudo bem.... Vamos dar um jeito. Somos uma família, não é?

Não lembro por quanto tempo em chorei nos braços das duas, as lágrimas de medo apenas caíam sem parar. Na manhã seguinte minha mãe foi até a faculdade e disse que se tivesse o atestado de quem me consultou poderiam trancar minha faculdade até que a criança nascesse e que eu tivesse em condições, foi uma notícia relaxante. Mostrei os exames para meu pai e ele ficou impressionado que a medica que me atendera era a famosa Frieda Reis, ao que parece ela já fez várias pesquisas acerca de gravides de ômegas masculinos e era uma obstetra muito renomeada no ramo, ele ficou bem feliz em saber que ela queria acompanhar minha gestação, quando ele ligou para ela e disse que iriamos nos mudar para o campo ela não foi contra, pelo contrário, ela até disse que iria regularmente me visitar para exames.

Depois de ajeitar toda a papelada e meus pertences eu voltei para Shigashina com minha mãe e minha irmã, meu pais ainda permaneceu um tempo lá para vender o apartamento, já que agora ele não iria precisar de um apartamento tão grande. Foi uma surpresa quando apareci de volta e todos na pensão me deram os parabéns, mas eles não sabiam que ninguém sabia o paradeiro do pai, ou sabiam e não comentavam. Mikasa pareceu ficar ainda mais protetora que o normal, chegava aos pés de minha mãe, que também não ficava para trás no quesito pegar no pé, me proibiram até de sair de casa sem a permissão delas. A cada dia e mês que se passavam eu ficava mais e mais apegado a vida dentro de mim, principalmente porque o suposto pai dela não aparecia mais em meus sonhos.

Ao quinto mês de gestação eu tive que começar a usar cadeira de rodas, já que só de andar doía muito, Frieda não brincou quando disse que a gravidez seria arriscada, mas meu caso como sempre era pior, eu estava carregando gêmeos em meu ventre, tinha vezes que eu ficava sem ar, pois as crianças se remexiam e pressionavam minhas costelas, o que só está pior agora que estou com 7 meses e meio. Ficava me perguntando se eles tinham puxado a força do pai deles que antes aparecia nos meus sonhos, já que de alguma forma eu sabia que ele era incrível.

—Eren, está tudo bem? —Disse a mulher de cabelos negros agora longos que empurrava minha cadeira. — Heinz e Mayla estão te chutando de novo?

—Haha. Felizmente agora não. Só estava perdido em pensamentos, o tempo passou tão rápido...

—Estava pensando no pai deles, não é?

—Aí, me pegou....

—Eren, não achamos ele em lugar algum. Sei que você diz que ele era seu mate, mas ele estaria te procurando também.... !

—Que foi minha culpa também, Mikasa. Ao menos eu sinto que foi.... Não vamos falar sobre isso, tudo bem? Para mim tudo que importa é o bem-estar dos meus filhos. Heinz e Mayla são as minhas prioridades agora...

—Tudo bem. Agora como sabe que é um casal? Sabes que eu vou rir muito da tua cara se quando os miúdos saírem daí e os dois forem do mesmo sexo.

—E ainda diz que gosta de mim.... Eu só sinto que é um casal! Nem preciso que a Frieda me diga isso, só por isso.

—Se você diz. — Minha irmã fez uma voz me caçoando enquanto ajeitava o cachecol em seu pescoço. Continuamos a trilha pelo parque que havia perto da pensão da minha mãe, ao chegar no centro do local uma pequena banda tocava covers de músicas do Linkin Park entre outras me dando de certa forma uma sensação nostálgica.

“Eu sou muito grato o que todos estão fazendo por mim, mas eu não me sinto como um passarinho preso na gaiola. “

“Mesmo que tenha que abandonar o ****? Desculpe se bati num tema delicado, mas acho que você gosta dele. O seu olhar para ele sempre foi terno e as vezes você fica todo vermelho com um olhar de apaixonado. ”

“Haha. Eu não sei o que fazer.... Quando eu penso sobre isso meu peito dói, eu não quero deixa-lo, mas eu quero ir para casa. “

Essa pequena conversa com uma voz que eu nunca havia ouvido antes veio em minha cabeça ao mesmo tempo que uma dor imensa surgiu, era como se eu tivesse levado um tiro. Quem? Quem eu abandonei? Quem é que eu gosto? Qual o nome dele?! Qual...?!

Olhei para o lado vendo penas negras caírem. Eu não pensei duas vezes e pulei da cadeira correndo em direção do meio das árvores, mas não vi aquelas penas negras, corri mais desesperado em meio a mata, minha barriga doía e meus olhos lacrimejavam. Onde você está?! Por favor.... Me deixei ser levado até o chão deixando as lágrimas escorrerem. Foi uma miragem?

—Haha.... Eu sou um idiota.... Já estou ficando maluco.... Mas mesmo sendo maluco.... Mesmo que você seja só um sonho…Ao menos eu quero lembrar o seu nome.... — Continuei a chorar quando senti minha barriga se contrair e doer muito, olhei para baixo e vi uma pequena poça de sangue escorrer pelas minhas pernas. Não. Não. Não. Não! NÃO! Por favor me diga que é mentira! Não está na hora! Não me diga que…! Por favor Deus, não...! Não tire a minha única ligação com aquela pessoa…!

—EREN! — A voz da minha irmã apareceu dentre as árvores. Em um momento de desespero eu gritei por causa da dor que estava sentindo, provavelmente por isso ela logo apareceu na minha frente. —Eren! Você está bem? O que deu em.... Eren você está sangrando!!

—Mi... Mikasa.... —Agarrei seus braços com toda a força que tinha, não conseguia nem ao menos ver seu rosto direito devido as lágrimas que insistiam em cair pelo meu rosto. — Por favor.... Me ajude.... Eu não posso perder os meus filhos.... Eu não quero perder os filhos dele....

—Eu não vou deixar você perde-os! Calma! Eu vou buscar ajuda, se eu apenas o carregar pode machuca-los. Respire profundamente. Okay.

Ela puxou o telefone esperando que a pessoa do outro lado da linha atendesse, assim que a pessoa ela começou a falar desesperada do ocorrido e onde nós estávamos. Não entendia muito da conversa ou com quem ela estava falando, já que eu gritava bem mais alto que ela devido a dor que sentia. Não consigo respirar direito, merda.... Acho que estou tendo uma crise de asma. Estou com medo, com medo que tudo acabe aqui. Eu não me importo que tudo acabe aqui para mim, mas por favor salvem meus filhos.

— Eren...! — Olhei para cima encontrando um par de olhos cinza afiados que surgiram no meio de meu desespero. Ele segurou meus ombros enquanto acariciava minha barriga enquanto dizia que estava tudo bem, que agora ele estava alí . Ele é real....

—Le.... Levi.... — Mais lágrimas caíram de meus olhos e as memórias que estavam trancadas foram voltando ao soar do seu nome. —Levi.... Você voltou para mim.... Idiota! Por que me deixou sozinho todo esse tempo!

—Sim. Desculpe a demora.... Vai ficar tudo bem com vocês, eu prometo.

—Levi, me ajude a colocá-lo na maca! Liguei para a médica dele e ela já está a caminho, temos que levar ele rapidamente ao hospital. — A voz do meu pai apareceu juntamente a outras.

Antes que desse por mim eu já estava deitado no banco de trás do carro de meu pai, minha cabeça estava deitada no colo de Levi, ele segurava fortemente minha mão enquanto acariciava minha barriga carinhosamente. Eu podia notar que suas orelhas não eram mais pontudas e que o mesmo trajava uma camisa social preta com uma calça social de mesma cor, ele parecia tão humano.

Acho que minha mãe havia arrombado a porta do hospital. Mesmo morrendo de dor achei a cena engraçada, já que ela mandava todo mundo sair da frente, quase pulou no pescoço de um dos médicos para que me botassem no quarto imediatamente, quando Frieda chegou às pressas e só de me olhar mandou preparem a sala de cirurgia, pois iria fazer um parto cesariano, como havia passado muito tempo não havia tempo para os procedimentos padrões. Cortaram minhas roupas para eu não me mexer muito e me vestiram com o avental aberto para frente, e depois de me limparem uma das enfermeiras já estava colocando a anestesia local para começarem. Frieda olhou para Levi, que não largava minha mão de jeito nenhum, ela estava analisando- o desde que chegou.

—Então você não é a nova Maria, Eren, parabéns. Vista isso papai, como é o pai pode acompanhar a cirurgia, mas temos que te desinfetar e higienizar.

Levi não disse nada, apenas acenou com a cabeça e fez como a médica o instrui-o e a cirurgia começou. Como não sentia mais nada o tempo parecia que estava parado, eu só conseguia ouvir as instruções que a morena dava para seus assistentes, não conseguia saber quanto tempo se passou, apenas o toque da mão do homem de cabelos negros que acariciava meus cabelos e segurava minha mão me acalmava, apesar de claro que ele parecia bem mais ansioso que eu. Estava quase entrando em desespero quando eu pude ouvir o som de um choro ecoar pelo quarto seguido por outro, e mais uma vez, lágrimas voltaram a descer pelo meu rosto. Levi encostou sua testa na minha soltando um longo suspiro, nem parece que quem estava chorando agora apouco era eu.

—Meus parabéns, vocês são pais de um menino e uma menina saldáveis. Vocês têm sorte, se demorasse mais algum tempo poderia ter sido prejudicial.

 Duas enfermeiras vieram com os nossos bebês em seus colos, e botaram ambos um de cada lado, me fazendo chorar que nem um bobo. Levi nos abraçou e senti uma lágrima cair em meu rosto, ele estava chorando?

—Eu estava com tanto medo de não conseguir chegar a tempo.... Me desculpe por demorar tanto....

—Heinz e Mayla,

—Hun?

—O nome dos seus filhos. — Aproveitei a proximidade e estiquei meu pescoço dando um pequeno selinho em seus lábios.

—Sim.... Eles não nasceram com meus pés. Hahaha— Ele sussurrou em meu ouvido.

—Sim. Hahaha.... Falando delas, onde estão as suas pernas e orelhas?

—Magia.

—Ah, claro.

Depois me levaram para a sala de pós-operatório, e depois dois berços foram postos lá com os nossos filhos. A enfermeira nos deu duas mamadeiras com leite materno, já que eu não produzi quase nada nos deram das doações que era oferecidas ao hospital. A cena do mais velho todo desajeitado era de certa forma muito fofo, eu teria tirado uma foto, mas minhas mãos estavam ocupadas amamentando o Heinz e quase tendo um ataque de fofura olhando para ambos os meus filhos. Meu deus essas coisas fofas saíram de mim. Percebi que eles não gostavam de estar separados então pedi a Levi que colocasse os dois no mesmo berço, claro, eu tirei uma foto.

—Como sabia onde eu estava? Já sei, magia.

—Não, quer dizer, mais ou menos. Quando cheguei no continente saí perguntando se alguém conhecia um garoto chamado Eren Jeager, mas apesar de me verem com pernas humanas percebi que achavam minha roupa estranha, estão apenas comprei algumas roupas.

—Mas com que dinheiro você comprou.... ?

—Todas os meus acessórios eram ouro puro Eren. — Está explicado. — Bem, por sorte a cidade pelo qual eu tinha era Trost, demorou uns dois dias para encontrar alguém que sabia quem você era, mas esta não sabia onde você estava, ela só me disse onde você estudava. Foi ai que me lembrei que você havia comentado do seu amigo que fazia arquitetura, então no dia seguinte eu fui para sua faculdade e fui até a ala que me disseram ser a dos alunos de arquitetura, e muitas pirralhas se ofereceram para me guiar, mas assim que cheguei bati o olho em um garoto que batia muito com sua descrição. Então encurralei ele e o pressionei a falar, mas ele não queria abrir o bico, provavelmente achou que eu era algum tipo de stalker, e ele ficou mais encucado ainda quando eu falei que eu era pai das crianças que você carregava....

—Pera! Como você sabia que eu estava grávido?!

—Foi você que me contou no seu sonho, idiota.

—Então... aqueles sonhos eram realmente você.... Se sabia porque não voltou antes e por que você sumiu dos meus sonhos?! — Sentia que meus olhos estavam voltando a se encher de lágrimas. Porcaria chata de hormônio da gravidez que me faz chorar por qualquer coisa!

—Eu botei uma magia em você antes da Annie te botar para fora da barreira, para conseguir ao menos me comunicar com você, estava decidido que iria sair para ir atrás de você.... Mas Erwin disse que não, depois de tentar várias vezes ele me deixou sair se eu vencesse num duelo de magia. Sei que sou mais forte fisicamente, e apesar de ser muito melhor que muitos nobres de lá no quesito de magia eu não era pareô para ele, parei de entrar em seus sonhos já que por causa da distância eu gastava muita mana. Desculpe, Eren. Se eu fosse mais forte.... — Não o deixei terminar, apenas o puxei para um longo abraço seguido de um longo beijo. Que falta eu sentia daqueles lábios, mesmo que não se lembrasse dele, eu almejava tanto por aquele toque tão firme e prazeroso.

—Eu que peço desculpas por ser um egoísta de merda. — Depois que soltei o vastaya ele terminou de me contar a história, aparentemente ele teve que mostrar sua verdadeira forma para Armin e conta-lo sobre o que tinha acontecido para o loiro largar a sanidade e contar sobre minha localização. Quando ele chegou em Shigashina ele foi para a pensão de minha mãe, onde se identificou como meu mate, e como Armin contou que para os pais ele não sabia que era pai, teve que fingir uma surpresa, isso até a Mikasa ligar para o meu avisando do meu estado. E foi assim que ele me encontrou.

Meu ventre doía um pouco devido a cicatriz que agora tinha por causa do parto, mas aquela dor era insignificante na visão dos meus gêmeos brincando. Minha mãe com certeza vai pirar quando ver os netos, e pensar que logo esse quarto estará cheio. Levi também, apesar que ele mesmo que provavelmente não fosse admitir, ele estava babando os mesmos, ele ficava olhando-os com um sorriso de lado enquanto acariciava suas cabeças.

—Ah. Eles estão abrindo os olhos...

—Meu Deus. Cadê??? — Me esguiei da cama para conseguir vê-los, eles se olhavam brincando um com as mãos do outro, os dois tinham heterocromia, mas em posições diferentes, com um olho verde e outro cinza. Vou voltar a chorar.... —Essas coisas lindas saíram de mim.

—Calma, Eren. Hahaha. — O mais velho se aproximou de mim dando um pequeno beijo em minha testa, o que acalmou meu coração, entretanto minha “paz” logo foi embora quando olhei além do ombro do vastaya e minhas crianças não estavam mais no berço, mas sim brincando uma com a outra em pleno ar, com pequenas asas também de cores diferentes, uma branca e a outra de um tom azul quase negro. —Le- Le- Levi! O- olh- olha!

—Aah.... O que foi agora, Eren? Puta que pariu!

O vastaya de cabelos negro deu um salto para pegá-los, mas acabou deixando suas asas aparecerem, entretanto, não conseguiu pegar o Heiz de primeira devido ao susto, provavelmente devido ao susto de ter seus filhos voando por ai. Não demorou muito para que Levi conseguisse pegá-lo, suspiramos aliados, já que entre os pulos ele tinha dito que normalmente bebês vastayas não conseguem controlar muito bem o uso de suas asas, o que não me deixou nada calmo.

—Só falta a Mayla. Eren, segure o Heinz, por favor.

—Parabéns, Eren! Agora onde estão os meus.... Netos.... —Minha mãe entrou sem bater na porta junto ao meu pai e irmã, que pareciam muito assustados. Fudeu.

—Eu posso explicar!

 

 

***********************

 

Terminei minha mala e a do Levi arrastando-a para a entrada da nossa casa, afinal, como todos os anos, iriamos passar o final de semana em Spatz, ilha onde meu marido nasceu. Para facilitar, íamos até uma pequena ilha turística que ficava perto dela, mas que o mundo dos humanos não sabia de sua existência e de lá nos encontrávamos com Hanji- disfarçada de humana- num pequeno barco e íamos direto para lá.

Será que as crianças já estão prontas? Tomara que não estejam brigando de nunca, quem olha nem imagina que ambos eram quase inseparáveis quando pequenos, o que mudou tanto nesses 15 anos senhor? Subi as escadas que davam para o outro pavimento, mal cheguei e já podia ouvir as reclamações dos meus filhos um para o outro. Isso é carma, só pode ser carma. Desculpe por ser um moleque encrenqueiro mamãe.

—Muito bem, o que foi que houve dessa vez?

—Papa, o Heiz que fica implicando comigo só porque eu quero levar meus livros para estudar!

—Não tem para quê, Mayla! Leva um pdf dessa porcaria no seu tablete, o papai já arrumou um jeito de botar eletricidade na torre! Você só está pesando ainda mais a mala que EU vou levar!

—Pesar?! Você só prefere que o espaço dos meus livros seja substituído por seu computador!

—Meu computador não tem nem a metade da área cubica de teus livros!

—Meninos, por favor não briguem. Isso é besteira, provavelmente vocês não vão ter tempo de estudar ou jogar, sabem muito bem disso.

—Mas, papa! —Ambos disseram em coro fazendo aquelas carinhas, que ambos sabem que eu não resisto.

—AAAH! Mayla, me dê dois de seus livros, acho que cabem na minha mala, já que nem eu nem o Levi levamos muita coisa, assim dá para os dois levarem o que vocês quiserem.

—Obrigado, papa! — Os dois me abraçaram dando-me um beijo em cada um dos lados da bochecha. Bem, pelo menos não podia reclamar que eles sentiam vergonha de mostrar afeto tanto para mim, quanto para Levi. — Sim, sim, eu sei que vocês me amam, mas se arrumem rápido, o pai de vocês logo irá chegar do trabalho.

—Sim, senhor!

Sorri e desci para a sala novamente, só faltava o meu marido chegar e minha mãe buscar o bolinha, nosso cachorro, Mayla e Heinz o acharam ainda filhote no meio da rua e o trouxeram para casa. Nem acredito como minha mãe e minha família aceitaram quando descobriram que meu atual marido na verdade é uma criatura mística que parecia sair dos contos de fatos, a que mais demorou a aceitar Levi foi minha irmã, que o via como uma ameaça, mas após ver como ele me faz feliz, ela o aceitou. (Eren não sabe, mas ela chamou o mais velho para uma luta sem magia, apenas com sua força física. Se ele a vencesse, ela iria desistir do Eren e aceita-lo como genro. O moreno de olhos verdes também não sabia, mas a alfa gostava dele/tinha uma obsessão doentia pelo irmão. No final ocorreu tudo bem, já que Levi venceu sem muitos problemas.)

Não demorou muito para que minha mãe chegasse e levasse o bolinha para a pensão, entretanto, nada de seu marido. —Ele disse que ia resolver um probleminha besta, mas até agora não voltou.... — Levi conseguiu se ajustar ao mundo humano muito facilmente, e não fora difícil achar um emprego, já que por ser muito inteligente e atlético conseguiu estudar e entrar na polícia de Shigashina, e subir rapidamente de cargo não difícil, já que mesmo escondendo ele não era humano, e já entre os vastayas era considerado o mais forte. Eu sei que ele é forte, mas a cada missão que ele vai eu sinto um aperto no peito....

—Cheguei.

—Levi! — Dei um pulo do sofá colando rapidamente os nossos lábios deslizando meus dedos nos fios de cabelo pretos e acinzentados na área de suas têmporas, mas apenas isso dava o sinal que o mais velho já estava com 42 anos, sua face e corpo, e que corpo, não parecia ter mudado nada desde que eu conhecera. — Demorou muito.

—Desculpe, Eren. Muita papelada acabei me atrasando, quando chegarmos eu te compenso. — O mesmo sussurrou em meu ouvido enquanto agarrava minha bunda causando um arrepio gostoso em minha espinha. —E onde estão meus dois monstrinhos? Temos que ir rápido, já estamos bem atrasados.

—Estão lá em cima, mas já estamos prontos, senhor fantástico.

As crianças desceram rapidamente e ajeitamos as coisas no carro para ir viajar. Eu nunca diria que minha maior besteira de cair de um barco no meio de uma tempestade fosse me trazer tanta felicidade. Minha vida mudou muito, mas estava feliz, agarrei a mão de Levi antes de entrar no carro, sorrimos um para um outro e nos beijamos novamente. Aquela ilha poderia ter me deixado preso e com aquela sensação de imponência, entretanto, foi lá que eu achei a minha liberdade.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado :D
Sei que a capa foi bem spoiler, mas achei tão fofinho que seria um desperdício Ù.Ú kkkkk
Foi uma estória bem rápida,mas gostei muito de desenhar e escrever!
Vlw, por dedicarem seu tempo a ler esse pequeno mundinho <3


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