História Ilha de Vidro - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas da Autora


Finalmente consegui arrumar esse capítulo...

Capítulo 2 - Morgana


Anos atrás...

Tudo estava calmo, calmo até demais, todo aquele silencio, a calma, estavam deixando-a assustada, aquilo não era comum, não era comum que a ilha estivesse tão silenciosa, como se alguém tivesse sumido com todos os sons, ocultando-os da face da terra.

Dedilhou os dedos pela água, observando as pequenas ninfas a rodearem curiosas, como se seus pensamentos pudessem flutuar de si e causar um grande incêndio onde quer que fosse.

— Algum problema, minha senhora? — Viu uma das pequenas se aproximar cautelosa e presta-lhe uma pequena reverencia. Seus dedos finos e brancos ainda tocavam a água, fazendo-a mover-se rapidamente como se aquele pequeno lago fosse um mar agitado durante uma tempestade.

— Minha senhora por favor se acalme! — A ninfa pediu afastando-se da água acompanhada das outras. A mulher apenas olhava tudo como se estivesse sozinha, como se nada existisse ao seu redor, os cabelos negros e encaracolados caiam sobre a face de forma que uma sombra negra dominava seu rosto pálido.

Ao sentir os respingos de água que vinham em direção ao seu rosto acordou de seu transe e se afastou observando as pequenas criaturas de fisionomia humana, no entanto muito pequenas para serem comparadas como tal, os cabelos alvos e longos, as asas cintilantes batiam forte afastando-se da água.

Praguejou baixo:

— Porque todos me olham desta forma?

— Senhora? — A pequena que se curvara anteriormente se aproximou pousando em sua mão.

— Narciso! — Indagou observando a mesma a encarar cuidadosamente. — Tem medo de mim? — Sua voz saiu embargada e a ninfa lhe dirigiu outro olhar assustado.

— Jamais, minha senhora! — Afirmou com a voz grave, aproximando segundos depois as mãos dos lábios, repreendendo-se por tal ato.

— Narciso, estou cansada de tudo isso! — Sussurrou encarando o céu acima de si.

— Não diga isso, minha senhora. — Suplicou chorosa. — O único motivo de estarmos aqui e porque temos vossa senhoria. — Aproximou-se do rosto da maior e o tocou com suas pequenas mãos. — O que vem lhe afligindo, compartilhe comigo suas dores como sempre fez! — A morena a olhou, suspirou e colocou a pequena no lago, a mesma lhe dirigiu um olhar questionador.

— Devo ir embora Narciso, minha irmã Kayle cuidará de vocês a partir de agora. — Ouvisse então o farfalhar de folhas e uma loira de grandes orbes verdes se aproximou da morena com um grande sorriso nos lábios. A noite por fim caia, dentro de alguns minutos nenhum raio de sol tocaria mais aquela terra.

— Morgana, enfim te encontrei! Não sabe á quanto tempo estou te procurando! Nosso pai a chama, nossas irmãs já estão todas reunidas.

Morgana olhou uma última vez para Narciso com um olhar triste sussurrando para o vento, que cortou pelas arvores e tocou-lhe a face, trazendo um sorriso aos lábios da mais velha.

Para Narciso aquele era o aviso de uma longa primavera, um breve adeus, abriu seus lábios para agradecer a sua senhora, mas a mesma já havia lhe dado as costas e segui-a a loira.

Narciso ainda não conseguia entender o que se passava, mas logo nem mesmo a primavera, ou um agradecimento poderia faze-la sorrir.

— Nunca nós esqueceremos de tal ato, minha senhora. — A pequena ninfa nadou lentamente, desfrutando do novo ar para o fundo do lago onde suas outras irmãs a aguardavam.

Morgana por sua vez caminhava lentamente entre as árvores, como se as mesmas estivessem se despedindo, como se estivessem chorando por sua partida. Observou os lábios rosados da irmã onde pendia um sorriso doce e despreocupado. Sentiu o ar frio tocar-lhe o rosto, os ventus avisam-lhe que eles haviam chegado, os seres da noite a aguardavam.

Kayle se virou e observou a irmã que olhava para o céu.

— O que lhe afligem minha irmã? Deveria estar feliz, será desposada hoje! — Indagou se aproximando da irmã e observando a mesma tocar-lhe o braço, para fadas como elas, serem desposadas era uma grande realização, menos para Morgana. Morgana sonhava em continuar ali com suas irmãs, protegendo-as do grande mundo, mas Avalon vinha sofrendo, a terra não era mais tão magica quanto antes, a terra que sempre se escondeu dos olhos humanos agora se tornava um ponto de interesse mundano. Precisava casar-se para que suas irmãs fossem libertadas das amarras que as prendiam ali. Morgana era a primeira filha, a primogênita, a escolhida para reinar Avalon, desde de pequena fora instruída a fazer o que fosse necessário para proteger suas raízes, mesmo que tivesse que abandona-las.

— Kayle? — Segurou firme o braço da irmã. — Você sempre soube que eu era diferente de vocês... — A loira a encarou e abriu os lábios interrompendo a morena.

— Morgana! Se pensarmos bem a mais diferente aqui sou eu, não tenho magia, a única coisa que possuo e a imortalidade e as minhas asas. — Morgana sabia bem, e isso era o que mais lhe causava inveja da irmã mais nova, Morgana carregava o peso da magia negra, carregava Avalon, carregava a coroa da família.

— Sabe que não é sobre isso que estou falando, você é linda, suas asas são perfeitas, você mais do que qualquer uma de nós é livre! Kayle você nasceu com tudo que nós suas irmãs desejamos, cada uma de nós tem uma missão a cumprir, e não importa se durante isso perdermos coisas importantes para nós, devemos levar isso até o fim, sem nós arrepender, sem dar as costas, nós a protegemos Kayle porque diferente de nós você pode escolher seu futuro, pode lutar por aquilo que deseja, por aquilo que acredita ser o certo. — Morgana respirou o puro ar noturno e cruzou seus olhos com o da irmã.

— Estas me assustando Morgana, se não quer casar diga ao papai, ele entenderá.

— Eu sou uma simples princesa, que sempre fará o que o pai lhe ordenar. — Suspirou. — E tão difícil assim descobrir o que sou? Cresci cheia de incertezas e quanto mais os anos passam, mas difícil fica viver assim. Não sei se sou uma fada, um anjo ou até mesmo uma bruxa, eu sou a única de nossas irmãs que não sabe o que é. — Morgana afrouxou o aperto contra o braço da irmã. — Eu não decido nada aqui Kayle, e mesmo que tenha a chance de escolher algum dia de minha vida, terei que escolher o que for melhor para nossa família. E nesse momento o casamento com esses seres da noite e a nossa melhor alternativa, ninguém deve se aproximar de Avalon, e não desejo que essa terra seja manchada de sangue mais do que já foi um dia, aqui é a terra dos mortos, onde eles podem descansar sem serem atormentados.

— Morgana! Você não precisa descobrir o que é! — A loira sorriu para irmã que a olhou pensativa. — Você é Morgana, Filha de Luther e de Magnólia, minha irmã. Então pare de pensar nessas coisas e vamos conhece-los, e raro alguém vir a Avalon e como não temos permissão para sair, essa é uma pequena oportunidade em um milhão.

Morgana se deu por vencida e seguiu a irmã, até o belo palácio de pedras metros à frente, ao chegar no pequeno salão que dava acesso a salão principal e a escadaria que dava para os quartos, observou a irmã correr e caminhou lentamente até o salão, seu corpo pesava e suas pernas não a ajudavam, só queria fugir dali. Ouviu então a porta ranger a sua frente e abriu os olhos depositando-os na bela figura a sua frente, olhos azuis frios, cabelos claros, alto, um tanto quanto intimidador, observou o mesmo lhe dirigir a atenção e caminhar até si, em questões de segundos ele segurara sua mão depositando um gélido beijo, sua mente vagou para longe, levando-a a um futuro muito distante.

“Morgana abriu os olhos e observou os detalhes, estava em uma espécie de corredor, haviam quadros e colunas ornamentadas em toda a extensão, passou seus olhos pelo teto abobadado e observou uma garota de madeixas ruivas andar pelo mesmo, viu um dos pés da garota se desprender do teto e a mesma caia entre gritos em direção ao chão que a cada segundo parecia mais próximo, Morgana se assustou e tentou usar sua magia, a mesma que antes fluía como as palavras, agora parecia escassa como se nunca tivesse existido.

— O que está havendo? — Indagou voltando sua atenção a garota que gritava e a olhava em pânico. Fechou os olhos esperando o impacto do corpo da garota sobre o chão, mas não ouviu nada, tornou a abrir os olhos e observou a figura masculina de grandes olhos azuis e cabelos claros que segurava a pequena garota em seus braços, a garota abria os olhos lentamente e sorriu ao se ver em segurança. A mesma pulo dos braços do homem e se curvou de forma respeitosa. O sorriso da garota lhe lembrava tanto Kayle.

— Obrigado! — A garota o agradeceu. Como se fosse a primeira vez que ele depositava os olhos na garota, ficou em silencio por segundos que pareciam uma eternidade para Morgana e então seus lábios se moveram e num único sussurro pronunciou seu nome.

— Morgana! — Tomando a garota em seus braços em um abraço apertado, ela o olhou assustada.

Ouviu então seu nome ser chamado novamente e se viu novamente no salão.

Kayle a olhava e a chamava em sussurros. O homem a sua frente se aproximou e tocou seu rosto de forma carinhosa.

— Esta se sentindo bem? — Perguntou, observando-a lhe olhar.

Morgana como se saísse de um transe depositou sua completa atenção no homem a sua frente, os olhos azuis, os cabelos claros, a voz eram as mesmas, se questionou o que estava fazendo, o que havia acontecido. Todos a olhavam curiosos, afastou as imagens da cabeça e fez uma pequena mesura ao homem a sua frente trazendo um sorriso que a muito nos sustentava nos lábios.

— Desculpe-me! — O homem surpreso apertou sua mão, que em poucos segundos veio a soltar.

— Acredito que devo apresenta-los, não? — O pai se aproximou apertando o braço da garota que franziu o cenho ocultando a face de dor. — Essa é minha filha mais velha Morgana...

— Chamo-me Victor Poezyn, e um prazer conhece-la. — Victor interrompeu o homem levando os braços para trás das costas unindo-os, sorriu em desdém ao mais velho. — Gostaria de conhecer os arredores, poderia me acompanhar lady. — Disse vendo o mais velho afastar-se em contragosto e a morena dar um passo à frente segurando seu braço que se estendeu a ela.

Victor caminhou a frente forçando a moça que o olhava desnorteada a acompanha-lo para o jardim alguns metros à frente. Quando por fim parou Morgana o olhou nos olhos, sentia-se tentada a olhar o braço que doía como se tivesse sido queimada, mas não podia, sabia de suas responsabilidades, nada de bom viria opondo-se ao seu pai, não traria a ira do mais velho para si, o ato anterior já lhe causaria um grande castigo. Desvinculou-se do homem e sentou-se em uma das pedras sendo acompanhada por ele.

— É mais jovem do que imaginei! — Ela o olhou surpresa.

— Mais nova? Não entendo o que quer dizer senhor. Sou a mais velha de minhas irmãs. — Morgana o observou em silêncio, o que exatamente ele queria? Viu então um sorriso iluminar a face fria.

— Cara lady, sabe o que é mais importante para mim? — Morgana negou balançando a cabeça. — Meu clã, tudo que faço é por eles. — Morgana o observou se levantar e colocar as mãos nos bolsos do sobretudo, dando alguns passos para frente e observando a lua que exibia toda sua exuberância. — O que acha que seu pai pretende juntando nós dois?

Morgana o olhou inquieta, queria se levantar e sair o mais rápido dali, mas não conseguiria, fechou os olhos e ao fazer tal ato lembrou-se dos cabelos ruivos da garota.

— O que exatamente deseja, meu senhor? — Morgana se viu perguntar em um tom mais grave do que gostaria. O homem levantou uma das sobrancelhas e se inclinou ficando na mesma altura que a jovem dama.

— Desejo um herdeiro puro-sangue, um que em suas veias só corra o sangue de seres como eu, mas isso é impossível ou era o que todos nós acreditávamos. — Ele dirigiu o olhar para a varanda, de onde Luther os observava.

Morgana seguiu seu olhar e observou o pai que os olhava, seu rosto esquentou, sentiu uma parte de si ser retirada, se levantou e correu pela floresta sendo seguida por Victor que a chamava.

— Não, não, não! — Exclamava ofegante, ela sabia muito bem o método que um ser da noite poderia utilizar para ter um filho dentro de seu clã, sabia que o sentimento que vinha tendo desde cedo, o vazio que a habitava por anos, tudo tinha um motivo, era como se pudesse sentir que algo ruim fosse acontecer, foi quando sentiu o vazio a engolir de uma vez.

Victor não entendia bem o motivo pelo qual correu atrás de Morgana, apenas decidiu segui-la. Conforme corria observou como as árvores davam a impressão de se abrir para a mulher, observou então a forma como ela corria... Como se sua vida depende-se do lugar onde deseja chegar, algo parecia surgir naquele ponto abaixo de seus ombros, uma grande clareira se abriu a sua frente, parou e olhou inquieto para a água turva e avermelhada a sua frente onde a jovem havia parado e parecia chorar.

Morgana então rugiu levando as mãos a cabeça e caindo de joelhos sobre o chão, o que veio a seguir foi a coisa mais linda que Victor viu em toda a sua vida, depois disso ele teria Morgana de uma forma ou de outra.


Notas Finais


Ventus: Os ventos, deuses responsáveis pelos ventos.
Seres da noite: Vampiro, no contexto dessa história eles ainda não foram denominados pelos humanos como vampiros.
Kayle: Há várias versões sobre as irmãs de Morgana, onde Kayle não é dada como irmã de Morgana, assim como há outras que ela é, então decidi seguir um pouco da linha de raciocínio de League of Legends <3


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