História I'm in love with my boss - Capítulo 28


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Tags Clexa
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Palavras 3.806
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 28 - Capitulo 28 - Acontecimentos


- Por que será que a tia Clarke não veio? – Emma perguntava para a pequena ao seu lado.

- Eu não sei. Era pra ela vir? – Cindy perguntou confusa.

- A tia Lexa disse que ia chamar ela sempre no dia das mocinhas.

Naquela manhã de sábado Lexa havia levado as crianças para passar o dia em sua casa. Mandou que preparassem tudo para receber as pequenas mocinhas, Cindy e Emma. A morena adorava aquelas crianças e nada melhor do que um dia na companhia delas para distrair a mente.

- Meninas!

Lexa apareceu no jardim acompanhada de Ivone e Nice, que carregavam bandejas cheias de guloseimas para o lanche.

- Venham lanchar. – sorriu para as pequenas que correram em direção à mesa no jardim.

- Vem, Cindy, senta aqui comigo. – puxou o braço da mais velha para que ela se sentasse ao seu lado.

- Vejo que vocês já se tornaram amigas. – a morena disse sentando-se junto à elas.

- A Cindy é minha amiga, tia. Ela é muito legal.

- Sim, a Emma é minha nova melhor amiga agora. – a outra respondeu sorridente.

- Isso é bom! – sorriu admirando a interação das duas – Agora comam o lanche.

- Crianças... – Ivone sorriu observando a cena – Se conhecem num dia e já se tornam melhores amigas da vida inteira.

Lexa sorriu abertamente assentindo enquanto mirava as pequenas.

- Tia, – Emma dizia com dificuldade terminando de engolir o bolo em sua boca – Por que a tia Clarke não veio hoje?

Lexa a encarou surpresa.

- Ah... A tia Clarke não pôde vir hoje, Emma.

- Poxa, ela é tão legal.

- É mesmo. – Cindy concordou – Ela me deu uma boneca que se parece com ela. É tão linda.

- Elas são namoradas. – Emma sussurrou para a outra ao seu lado.

- Namoradas? – Cindy questionou surpresa – Namoradas de verdade? Que se beijam na boca e andam de mãos dadas?

- É. – Emma balançou a cabeça repetidamente confirmando.

- Eu pensei que meninas só podiam namorar com meninos. – Cindy disse confusa.

Lexa observava as duas com um sorriso nos lábios. Pensou em interferir na conversa, mas preferiu deixar que elas se entendessem.

- Não, Cindy. Qualquer pessoa que gosta da outra pode namorar. O que importa é o amor, não é tia Lex?

- É, é sim, Emma. – sorriu encantada com a sabedoria da criança.

- Oh... – Cindy parecia admirada com a informação – Legal. Então você gosta da tia Clarke e ela gosta de você, tia Lexa?

- É quase isso, Cindy. – disse sem jeito – Só que não é tão simples assim. Eu e a tia Clarke não somos mais namoradas.

- Não? – Emma arregalou os olhos e deixou sua voz escapar mais alto do que gostaria – Por que não, tia?

- É que nós adultos somos complicados às vezes.

- Poxa vida. Tia Clarke é tão legal.

- Ela é. – Lexa sorriu nostálgica – Mas agora terminem o lanche para nós brincarmos mais.

- Podemos ir na piscina? – Cindy perguntou animada tentando limpar o canto da boca borrado com a cobertura do bolo.

- Sim, mas mais tarde. Agora o sol está muito forte.

- Eba! – Emma comemorou – Você sabe nadar, Cindy? – tomou um gole de suco encarando a menina.

- Não. Eu não posso me cansar muito porque meu coração é fraquinho.

- Então você tem que comer a sua comida toda pra ficar forte. A minha babá Jenny que disse.

 

O dia seguiu animado. Lexa se divertiu com as crianças. Tê-las por perto a fazia bem, além de distraí-la, já que sua mente não parava de vagar nos seus problemas, tanto os sentimentais quanto os profissionais.

- Bellamy, você acha que a Cindy pode ir pra piscina com a Emma? – a morena perguntou ao motorista que tomava um café na cozinha da casa.

- Eu não sei, senhorita. A Cindy já se esforçou demais por hoje. Brincou bastante com a Emma. Acho que não seria bom pra ela, a senhora sabe.

- Sim, eu sei. – suspirou desanimada – Vou sugerir outra coisa para elas se distraírem então.

- Eu acho melhor.

- Ainda não conseguiram o transplante, Bellamy? – Nice perguntou enquanto preparava o lanche da tarde.

- Ainda não. Ela está na fila de espera e tem que aguardar até chegar a vez dela. A não ser que o caso se agrave. Casos urgentes de vida ou morte podem passar na frente, mas isso não é garantia de que ela conseguirá um transplante a tempo. – suspirou frustrado.

- Ela vai conseguir, Bellamy. Não perca as esperanças.

- Cindy! Cindy! – a voz fina dos gritos de Emma foi ouvida vinda do jardim – Acorda, Cindy!

Bellamy deu um salto em direção a porta da cozinha e Lexa o seguiu logo atrás. Alcançaram o jardim e encontraram Cindy caída ao chão, desmaiada nos braços de Emma.

- Cindy! – Bellamy agarrou a filha nos braços – Cindy, acorda, filha!

- Emma, o que aconteceu? – Lexa perguntou afobada.

- A gente tava brincando de correr aí ela caiu no chão e não acordou mais. – a pequena disse chorosa.

- Bellamy, pegue o carro. Vamos levá-la para o hospital.

- Ela está sem pulso. – o homem disse desesperado. As lágrimas já escorriam pelo seu rosto – A Gina, eu preciso avisar a minha esposa.

- Bellamy, você precisa se acalmar agora pra salvar sua filha! – Lexa abaixou ao seu lado e o encarou – Eu vou buscar a sua esposa e a levo até o hospital. Mas agora você precisa ir e salvar a Cindy.

- A minha filha... – o homem não conseguia parar de chorar com a filha nos braços.

- Bellamy! – Lexa disse firme – Presta atenção! Você precisa ir agora. Se acalma e leva ela.

- Está bem, está bem. – respirou fundo e saiu às pressas com a criança nos braços.

- Tia, ela vai ficar bem? – Emma perguntou assustada.

- Ela vai, meu amor. Vai sim.

 

 

- Onde está minha filha? – Gina chegou ao hospital apressada e desesperada, encontrando Bellamy de cabeça baixa no sofá da sala de espera.

O homem levantou assim que a viu e correu para abraçá-la. Lexa chegou logo atrás com o pequeno Junior no colo. Seu semblante abatido denunciava seu choro recente.

- Cadê ela, Bell? Eu preciso ver ela! – a mulher disse baixo num tom desesperado.

- Calma, amor. Calma. – sussurrou a soltando do abraço e a encarando com os olhos marejados – Ela está na UTI em observação. Os médicos estão cuidando dela.

- Eu quero a minha filha. Eu preciso ficar do lado dela, Bellamy. Eu preciso estar lá segurando a mãozinha dela pra ela saber que eu estou lá cuidando dela.

- A gente não pode ficar lá, Gi. Calma, ela vai ficar bem.

- Família de Cindy Christine Blake?

Um Doutor apareceu na sala de espera com uma prancheta em mãos e uma feição não muito agradável no rosto.

- Aqui. – o casal se aproximou – Somos nós. – Bellamy disse.

- Bem, o quadro da Cindy não é muito bom. Ela está nessa situação há bastante tempo e um transplante já deveria ter sido feito.

- Disso nós sabemos, Doutor. Eu quero saber como a minha filha está! – Gina se exaltou – Eu quero ver ela!

- Calma, Gina. – Bellamy segurou seu braço com força.

- O coração da Cindy é muito frágil e conforme o tempo passa mais frágil ele fica. A cada crise fica mais difícil regular o seu funcionamento cardiovascular e a urgência de um transplante se intensifica. A Cindy chegou aqui num estado grave, sofreu duas paradas cardíacas.

Gina não conseguiu mais se conter e desabou nos braços de Bellamy. O homem tentava se manter forte, mas o desespero começava a tomar conta de si. As lágrimas escorriam involuntariamente de seus olhos.

- O estado dela continua grave. A Cindy precisa de um transplante urgente. Não há mais como controlar as crises. A situação dela chegou ao limite e a única solução agora seria um transplante.

Lexa observava toda a conversa do sofá enquanto tentava distrair o Junior em seu colo. Sua preocupação aumentava a cada expressão de desespero e tristeza dos pais de Cindy.

- Mas como vamos fazer isso, Doutor? Ela está na fila de espera há anos e ainda não conseguiu! – Bellamy perguntou com a voz embargada.

- Nesses casos de emergência o paciente tem o direito de prioridade para receber um órgão. No caso dela, por se tratar de uma criança nesse estado de gravidade é mais fácil conseguir.

- Ótimo, então faça. Se existe essa possibilidade, por favor, não meça esforços. Eu faço o que for preciso. - o homem disse com a voz firme.

- O problema é que não é tão simples assim. Nós verificamos os hospitais do estado procurando disponibilidade de compatibilidade com a Cindy para que ela possa receber um coração, mas não encontramos. Nós já colocamos o nome dela na lista prioritária de todo o país e agora só nos resta aguardar e torcer para que encontremos um doador o mais rápido possível.

Gina não conseguia parar de chorar ainda nos braços do seu marido. Bellamy tentava assimilar todas aquelas informações, tentando se manter firme para apoiar a esposa, por mais difícil que estivesse sendo aquele momento.

- Quanto... – Bellamy respirou fundo tentando controlar o choro – Quanto tempo Doutor? Quanto tempo o senhor acha que ela tem?

- Não podemos dizer exatamente quanto tempo. Isso é algo que está fora dos limites médico e científico. A questão é que a situação da Cindy é muito delicada e quanto mais tempo passar mais difícil será para resolver.

 

As horas seguiam e a cada médico que passava por ali a aflição aumentava em seus corações. Gina e Bellamy estavam abraçados um ao outro no sofá da sala de espera. Lexa ainda segurava o pequeno no colo, que já dormia um sono pesado em seus braços. O silêncio ali só tornava o momento mais angustiante.

- Senhor e senhora Blake? – o mesmo médico que os havia atendido retornou.

O casal se levantou rapidamente e Lexa observou atenta.

- Temos uma boa notícia. Nós encontramos um coração compatível com a Cindy.

Um suspiro de alívio foi ouvido. Gina levou as mãos à boca tentando segurar a emoção enquanto Bellamy fitava o médico esperando por mais informações.

- Porém, a doação vem da cidade de Chicago, do Hospital Infantil Ann & Robert. Não há disponibilidade de transferir o órgão aqui para New York. A menina Cindy precisa ser transferida para lá.

- Tudo bem, vamos transferi-la então. – Bellamy assentiu.

- Senhor Blake, nós temos outro problema. No momento não dispomos de meio de transporte adequado e ágil o suficiente para transferir a sua filha para outro Estado. Ela precisa estar lá em no máximo 1h30min para que seja realizado o transplante. Vim informar aos senhores sobre essa possibilidade, mas precisam me dizer vocês têm algum meio de transportá-la até lá. Preciso que me digam agora para que eu confirme com o hospital o recebimento da doação para a Cindy e para que eles a aguardem prontos para a operação. Caso contrário informarei a recusa. Eles repassarão o órgão para o próximo da lista de espera e teremos que esperar outra oportunidade.

- Outra oportunidade? Outra oportunidade? – Bellamy se exaltou – Nós não estamos falando de uma viagem de férias, estamos falando da vida da minha filha! O senhor vem aqui me dizer que encontrou uma forma de salvar a minha filha, mas não pode fazer nada além de perguntar se eu aceito ou não? Como é que você me pede uma coisa dessas?

- Senhor, eu estou lhe informando os fatos e essa é a situação. Infelizmente o hospital não tem como proceder de outra maneira. Cuidamos da sua filha até onde pudemos, agora o senhor precisa me dizer se quer levar a sua filha para que ela possa ser salva ou não.

- Você está brincando com a minha cara? – avançou em direção ao médico – Você realmente acha que eu posso dizer se quero ou não como se a vida da minha filha não estivesse dependendo disso?! – agarrou o homem pela gola de sua camisa. Seus olhos faiscavam raiva – Eu daria o meu coração para salvar a minha filha! O senhor quer mesmo que eu responda?!

- Senhor, acalme-se! – o médico tentava se manter calmo.

- Bell! Solta ele! – Gina segurou o homem pelos ombros.

Bellamy o soltou sem delicadeza e deu as costas levando as mãos até a cabeça. Caminhava de um lado para o outro, o desespero lhe consumia.

Ao perceber a movimentação alterada Lexa deixou o menino dormindo no sofá e foi até o homem.

- Bellamy, o que houve?

- A minha filha. – dizia em meio ao choro – Eu não posso perder a minha filha.

- Calma, olha pra mim. O que o médico disse? – perguntou com o coração apertado, temendo a resposta.

- A Cindy ela, ela precisa ser transferida, mas o hospital não pode fazer isso. Eu não sei o que fazer. Ela tem pouco mais de uma hora. Ela precisa... – não conseguiu terminar de dizer, se deixando cair no choro.

Lexa o segurou pelo braço e o encaminhou até o sofá. Foi até o bebedouro no canto da sala e buscou água para o homem que chorava feito criança com as mãos sobre o rosto.

- Tome, beba um pouco d’água. Precisa se acalmar. – o estendeu o copo e sentou-se ao seu lado.

- Obrigado. – tomou toda a água do copo e enxugou as lágrimas em seu rosto.

- Agora me conte o que houve.

- O médico disse que encontrou um coração compatível com a Cindy. – dizia entre uma fungada e outra – Mas o órgão está em Chicago. Ela precisa ser transferida e o hospital não pode fazer isso. Ele veio perguntar se nós aceitaríamos ou não receber o órgão, e caso aceitássemos deveríamos nos dispor a transferi-la por conta própria. Caso não pudéssemos ele informaria a recusa ao hospital de lá.

- Mas como assim? Esse hospital não pode transferir a Cindy? Por que não trazem o órgão de lá então?

- Eu não sei, ele diz que não há disponibilidade, eu não sei. Eu não tenho como fazer isso. A Cindy precisaria estar em Chicago em pouco mais de 1 hora para poder ser operada, caso contrário continuaremos na espera.

- Senhor Blake. – o médico aproximou-se – Eu preciso que assine aqui, por favor. – estendeu uma prancheta com alguns papéis.

- O que é isso? – levantou-se o encarando.

- É um Termo de Compromisso. A sua esposa se comprometeu a receber o órgão e a levar a filha de vocês a tempo para a cirurgia.

- Gina, por que fez isso? Sabe que não temos condições de levá-la em tão pouco tempo! – encarou a mulher.

- Eu vou dar um jeito! Eu não vou perder a minha filha, Bellamy!

- Você está louca, Gina! Nós não temos condições de levar a Cindy daqui!

- Eu dou um jeito. – Lexa se pronunciou – Bellamy, não se preocupe. Assine o Termo e eu darei um jeito de levá-la.

- Senhora... – o homem a fitou sem jeito.

- Não discuta! Assine logo, o tempo está correndo. – o encarou séria – Doutor, posso conversar com o senhor um minuto?

A morena afastou-se com o médico enquanto o casal suspirava em alívio.

 

- Pronto. Está tudo certo. – Lexa retornou à sala de espera com um sorriso nos lábios – Se aprontem que daqui a 15 minutos o jatinho estará à espera.

- Eu nunca vou poder agradecer o suficiente à senhora, dona Alexandra! – Gina segurou as mãos da morena e lhe sorriu com lágrimas nos olhos.

- Não precisa agradecer. Eu faria isso e muito mais pela Cindy.

- Muito obrigado, Lexa. Eu serei eternamente grato à senhora. – Bellamy segurou sua mão em um aperto.

- Tudo bem, agora vão. – a morena sorriu com os olhos marejados – Eu cuidarei do Junior enquanto vocês estiverem com a Cindy em Chicago. Bellamy, vou te acompanhar até a sua casa para pegar as coisas do pequeno e para que você pegue suas coisas e da sua família para a viagem. Gina, você fica aqui e cuida de tudo para a transferência da Cindy. A ambulância as levará até a pista de onde o jatinho irá sair. E Bellamy, use o cartão que fica com você para cobrir quaisquer despesas enquanto estiverem lá. Não se preocupe com os gastos, quero que fiquem bem.

- Muito obrigada. Muito obrigada, Alexandra! – Gina sorria emocionada.

 

***

 

Horas mais tarde Lexa repousava em sua casa. Havia recebido notícias de que tudo correra bem durante a transferência de Cindy, que nesse momento já passava pela cirurgia.

Deixou Junior sob os cuidados de Ivone enquanto descansava em seu quarto. Não havia conseguido pregar os olhos, a preocupação com Cindy não a permitia dormir, apesar do cansaço lhe abater.

Batidas foram ouvidas na porta e ela murmurou algo permitindo que entrassem.

- Com licença, senhorita Alexandra. – Ivone adentrou o quarto.

- O Junior já dormiu? – fechou o livro em suas mãos e encarou a mulher à sua frente.

- Sim. Se alimentou e dormiu com um pouco de dificuldade. Está estranhando um pouco a casa, mas o cansaço o venceu.

- Que bom que sim. – assentiu aliviada.

- Mas eu vim aqui por outro motivo. Tem uma visita esperando pela senhorita lá na sala. Eu espero não ter feito mal em deixá-la entrar.

- Visita a essa hora? Quem?

- A senhorita Griffin.

- A Clarke?

- Sim, senhora.

- Avise à ela que eu já vou descer. – disse séria.

- Pois não. – Ivone assentiu e logo saiu do quarto.

Lexa ajeitou seu roupão de seda em um tom escuro da cor vinho e passou as mãos pelos cabelos. Hesitou por um momento ao se lembrar que estava completamente nua por baixo daquele tecido sedoso que a cobria, mas por fim deu de ombros e saiu de seu quarto. Desceu as escadas lentamente, evitando qualquer barulho para que pudesse observar a loira no sofá de sua sala. Sentiu o conhecido perfume invadir suas narinas e respirou fundo antes de sinalizar que estava ali.

- À quê devo a visita? – se aproximou devagar.

Clarke se assustou e encarou a mulher à frente. Levantou-se rapidamente e soltou um suspiro, como se pensasse no que dizer. Se sentia frustrada por nunca conseguir evitar aquela tensão entre elas. Qualquer que fosse a situação ela nunca se sentia confortável o suficiente diante daquela mulher. Mesmo depois de tanto tempo e de tudo que já havia acontecido entre elas.

- Oi. – sorriu sem graça – Me desculpe ter vindo a essa hora e sem avisar.

- Não se preocupe. Sobre visitas inesperadas eu entendo bem. – não deixou que o sorriso em seus lábios escapasse.

- É... – pigarreou dispersando seus pensamentos – Bem, eu soube da filha do Bellamy, soube o que aconteceu. Vim para saber se tem notícias e... E saber como você está.

- Eu estou bem, obrigada. – disse sentando-se na poltrona do sofá ao lado e estendendo a mão para que Clarke fizesse o mesmo – A Cindy teve uma crise e chegou ao limite. Precisava de um transplante urgente, a situação era delicada. Mas deu tudo certo. Ela foi transferida para Chicago e está passando pela cirurgia agora.

- Eu fico aliviada em saber. O Bellamy é um homem tão bom, não merece passar por um sofrimento desses. Muito menos a Cindy que é só uma criança.

- Infelizmente para as coisas ruins da vida o fator decisivo não é o merecimento. Simplesmente acontece assim para quem merece sofrer ou não.

- É verdade.

- E você, como vai?

- Bem.

- Pensei que ainda estaria brava comigo por conta da sua blusa. Posso lhe dar outra para compensar aquela se quiser.

- Não é necessário. – a fitou – Não me custará mandar colocar botões novos nela.

- Pensei que a guardaria de lembrança. – sorriu irônica.

- Eu não preciso da blusa para lembrar o que você me fez naquele dia.

- Fala como se eu tivesse feito algum mal à você.

- Aquilo foi quase um abuso sexual. Sua sorte foi que eu não dei queixa de você.

Lexa não conteve o riso.

- Vou guardar meus pensamentos pra mim. Não seria apropriado dizer o que se passa em minha mente agora.

- E eu realmente não gostaria de saber.

- Aceita algo para beber? Um vinho talvez? – a fitou com malícia no olhar.

- Não, obrigada. – corou ao se lembrar da última vez que haviam tomado vinho nessa casa. - Eu acho que já vou indo. Só vim para saber como você estava. E vejo que está muito bem.

- Talvez não tão bem quanto pareço, mas bem.

Clarke se levantou a observando fazer o mesmo.

- Obrigada por me receber. – disse se encaminhando para a porta.

- Sinta-se à vontade para vir quando quiser. – a seguiu.

- Foi um caso de emergência. Não acho que seria conveniente lhe fazer visitas amigáveis.

- Não seja por isso, venha como minha amante então. – sorriu debochada vendo Clarke se virar para encará-la.

- Se você acha que vai me ter assim sempre que quiser está enganada, Lexa. Me respeite porque eu não sou sua puta!

- Mas você fixou nesse negócio de puta e não esquece mais. – sorriu com ironia e se aproximou até prensá-la contra a porta logo atrás – Eu não quero que você seja só a minha puta Clarke. – colou seus corpos aproximando seu rosto do dela ao ponto de sentir sua respiração – Eu quero que você seja a minha mulher. Minha amante, minha amiga, namorada e o que mais quiser ser pra mim.

Lexa roçava seus lábios nos de Clarke que tentava se concentrar para não perder o controle.

- Eu não quero ser nada sua, Lexa. – fechou os olhos tentando acreditar no que disse.

- Está bem. – se afastou – Eu não posso obrigar você a querer.

Droga! – a loira suspirou com o pensamento – Me obrigue. Me obrigue como fez naquele dia no meu escritório!

- É, você não pode. – disse por fim.

As duas travavam uma batalha de olhares quando ouviram batidas na porta.

- Polícia! Abram a porta!

Lexa encarou a loira confusa que logo deu passagem para que ela abrisse.

- Pois não? – fitou um homem de terno parado em sua porta e logo atrás dois de seus seguranças.

- Sou o Detetive Collins, Edgar Collins, Polícia de New York. – estendeu a sua identificação – A senhorita Alexandra Woods, por favor?

- Sou eu mesma. Entre, por favor. – deu passagem ao homem.

- Obrigado. – assentiu e adentrou a casa.

- Aconteceu alguma coisa? – a morena perguntou confusa.

- Eu estou à frente da investigação de um caso de assassinato ocorrido ontem à noite e tenho fatos que ligam a senhorita à vítima.

- Eu não estou entendendo. Que vítima?

- A senhorita Costia Alice Parker. Mais conhecida como DJ Cos.

 


Notas Finais


mais problemas a vista...


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