História Imaculada - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Londres Vitoriana, Naruto, Sakura, Sasuke, Serial Killer
Exibições 133
Palavras 8.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Yoooooo!!! Voltei galera!
Sejam bem-vindos novos e antigos acompanhamentos à mais esse novo capítulo de Imaculada ^^
Obrigada à todos que favoritaram e doaram um tempinho para comentar, vocês não sabem como isso me estimula a continuar *---* Todos os comentários estão devidamente respondidos *---* Por isso, vamos ao novo capítulo!
Divirtam-se...

Capítulo 4 - Capítulo III


"Meu noivo era um bom homem, porém, sem atrativos. Ele não era o cavaleiro de porte imponente que cavalgava há poucos meses ao redor de Sophieshire. Não, ele não se parecia em nada com o homem pela qual eu me via pensando todas as noites; porém, minhas lamúrias eram internas. Minha amada mãe e ama comemoravam o noivado. Eu estava sozinha. Eu sempre estive sozinha. Tudo o que eu queria era que aquele tão esperado casamento não acontecesse"

 Por uma lady

 

 

À Condessa Uchiha, Hong Kong

Londres, 18 de março de 1880

 

Peço perdão pela longa demora em responder sua última amável carta tão cheia de dúvidas, curiosidades e desejos por boas-novas. Sendo conhecedor de sua tão amável personalidade, presumo que minha demora a aflige e meu tão estimado pai tenha sido alvo de tão grandes questionamentos sobre notícias advindas da Europa.

Não se preocupes, amada mãe. Os dias tão cheios de trabalho na Indústria do Barão de Louborn tomaram-lhe tempo e forças, para que no fim do dia, apenas procurasse o descanso. Não reclamo de tais tarefas. Londres tem-se tornado cada dia mais agradabilíssima ao meu ver, fazendo-me ter cada vez mais certeza em me instalar definitivamente nessas terras tão distantes da nossa casa em Hong Kong.

Imagino sua preocupação com a nossa distância, mas saiba amada mãe, Londres me faz muito bem, inclusive, aguardo sua visita para que eu possa mostrar-lhe o palacete que adquirir e venho reformando com tanto afinco – acrescentando os elementos do Oriente que a senhora tanto admira.

Tenha certeza, cara mãe, que os fantasmas que deixei nas terras orientais não me afligem mais. Sinto-me curado e aquele jovem tolo que fui quando partir, não existe mais. Presumo que essa constatação lhe faz muito feliz, assim como Itachi tanto se expressou.

Hoje, anos após tais infortúnios, olho para o passado com maturidade e vejo o acerto que minha tão amada família fez por mim. Hoje, aqui em Londres, sinto-me um novo homem, muito mais centrado e sábio.

Obrigado. Agradeço todas as noites pelas escolhas que você e meu bom pai tomaram por mim quando a racionalidade e sabedoria me faltaram.

Hoje, posso discernir o que é bom para mim e Londres me oferece tão boa companhia como o Barão de Louborn e de sua amabilíssima filha, Miss Sakura.

Eles me acolheram como parte de sua família e tenho certeza que a senhora se encantará por tais exemplares. Como bem já disse, desejo ardentemente apresentá-los à senhora. Tenho absoluta e inegável certeza que Miss Sakura será muito apreciada pela senhora.

Inclusive, falando sobre Miss Sakura. Em sua última carta, a senhora questionou-me sobre meus sentimentos e minhas intenções. Devo-lhe ser sincero em dizer que a estimo muito e tenho grande admiração por Miss Sakura. Ela é uma moça prendada, isto é certo, porém, é inteligente e, de certa forma, misteriosa aos meus olhos. Acreditas que já chegamos a discutir sobre rotas comerciais enquanto passeávamos pelo arvorejo? Sim, minha amada mãe, a filha do Barão de Loubourn é instigante e me oferece uma sensação muito mais profunda e sólida do que minhas aventuras rasas de mocidade; é a mulher com quem decidi contrair matrimônio.

Sei que essa última revelação pode surpreendê-la, mas saiba querida mãe, não desejo que se assuste ou que se preocupes com minha decisão tomada em tão poucos meses de convivência. Não estou sendo leviano em minhas escolhas e dessa vez, é sólido. Porém, apesar do meu pedido sincero, ainda não recebi minha resposta definitiva. É uma moça romântica, porém, não leviana como tantas outras jovens que já tive oportunidade de conhecer. Não é interesseira ao ponto de gritar um grande "sim" como aguardei, porém, é sensata em preferir pensar com calma ao invés de responder de prontidão.

Essa característica me faz recordar da senhora e das histórias que papai contava de quando a conheceu e como foi difícil ultrapassar as barreiras culturais e até mesmo do seu coração para que ele pudesse se vangloriar de poder chamá-la de esposa. Hoje, vejo-me na pele de papai e espero que daqui há alguns anos possa compartilhar tais histórias com meus amáveis filhos. Pois, se a resposta for uma negativa, creio que Londres se tornará amarga e eu escolha viajar por mais algum tempo pelos mares que ainda desconheço e tenho desejo de conhecer. Entretanto, não se preocupe amada mãe, creio que contrariando muito o que tio Obito dizia sobre mim na mocidade, eu sou muito parecido com papai e estou disposto a tentar o possível antes de desistir completamente dos meus presentes desejos.

Por hora, apenas essas notícias tenho a dar. Espero em breve poder lhe ofertar boas-novas como a senhora tanto anseia. Espero também poder receber notícias de como nossa família em Hong Kong está. Apesar de tudo, sinto saudades. A distância é longa, mas parte do meu dia meus pensamentos estão entre vocês.

Prometo que a quaisquer novas notícias informá-la-ei imediatamente por meio de correspondências. Enquanto isso, permanecerei a espera de suas tão amáveis correspondências.

 

Seu filho que tanto a estima,

Comendador Sasuke Uchiha

 

Sasuke permaneceu por mais alguns minutos admirando a carta recém-escrita para a sua querida mãe. A ponta da pena de ganso suja de tinta e as tantas folhas em branco eram a prova de que ainda haviam muitas cartas a serem escritas aos exemplares da sua tão estimada família, porém, aquela feita especialmente para a sua mãe havia sido uma necessidade em escrevê-la com pressa e antecipação, já que um dos navios subordinados do seu irmão só iria partir no próximo amanhecer rumo à Hong Kong.

Sua necessidade se resumia a um estranho sentimento de expor o que tanto permeava seus pensamentos naquelas horas de ócio antes que o sol recém-aparecido no Nascente denunciasse que ele deveria se preparar ao ofício na Indústria Têxtil do Barão de Louborn.

O Comendador de Northville nunca foi um homem de expor sentimentos ou de falas longas. Suas cartas sempre foram sucintas e durante um período de sua vida, período este que ele tentava apagar da sua memória, tornaram-se escassas, por vezes carregadas de mágoas e desprezo. Porém, após as provas de muitos anos em alto-mar, ele se viu um grande redator de cartas e documentos, todas muito bem escritas pela sua perfeita caligrafia.

Elas se tornaram comerciais, e com o tempo, com a sua chegada e estada em Londres, se tornaram mais profundas, arriscando a expor alguns pensamentos à sua família que logo se prontificou em se ater àquela ínfima mudança de comportamento do segundo filho do Conde de Northville.

Itachi foi o primeiro a se agraciar com aquela singela ruptura da casca de Sasuke, sua mãe veio logo em seguida, e agora, após tantas correspondências trocadas, ele se prontificava a expor mais de si e a culpada de tal mudança havia sido a filha do Barão de Louborn com seus questionamentos e até desejos de felicidades à sua família.

Sakura havia se infiltrado em suas cartas e antes mesmo que ele notasse, grande parte das folhas eram preenchidos por suas lembranças sobre ela.

Ele estava perdido. Irremediavelmente perdido por uma mulher.

Ele já sabia e aceitava tal condição.

Em todos aqueles anos, Sasuke conheceu muitas mulheres. Tantas que era até difícil se recordar de todas.

A vida de viajante o levou para muitas terras e por vezes se sentiu atraído por corpos femininos e belos sorrisos. Por vezes cedeu e teve muitas em seus braços.

Brancas, negras, mulatas; ruivas, morenas, loiras; italianas, romenas, portuguesas, asiáticas e americanas. Tantas mulheres, tantas belas mulheres e de tantos continentes que não duraram por mais que alguns dias em sua companhia antes que partisse para mais uma longa viagem e assim ele permanecesse até o fim, não encontrando nada que o firmasse ou que fosse digno de notas em suas cartas rasas. Porém, tudo mudou quando ela apareceu e aos poucos lhe consumiu os pensamentos e desejos para o futuro.

Agora, olhando para a sua mão, ele conseguia ver as duas longas páginas escritas para sua mãe expondo o desejo de apresentá-la à filha de um Barão.

Sim. Não havia mais dúvidas. Ele se perdeu sem chances de retorno.

Sasuke suspirou com esse pensamento, erguendo seu olhar para a grande cama ainda desarrumada pela noite de insônia e se lembrou do sonho que teve ao imaginar Miss Sakura entre seus lençóis usando trajes leves em meio à um tranquilo sono. Não havia sonhado impropriedades, mas havia velado o sono dela enquanto gravava cada traço suave do rosto feminino e delicado. Intocável. Imaculado.

O suspiro reverberou mais uma vez quando ele decidiu fugir de tais pensamentos e se erguer de vez da sua escrivaninha, abandonando o envelope já lacrado com o brasão da sua família em uma gaveta com trancas.

Anos no mar, vivendo com tantos exemplares, o fez virar um homem cuidadoso até mesmo em seu lar em terra...

Porém, antes de fechar a tal gaveta, seus olhos caíram sobre um mediano embrulho de veludo azul-marinho. Poucos segundos foram necessários para que ele decidisse pegá-lo e levar consigo para o trabalho.

O fiel valete adentrou no cômodo surpreso pela presença já tão desperta do seu senhor usando apenas a calça marrom e blusa de algodão de grande gola que mostrava parte do peito masculino e forte do Comendador.

– Desperto tão cedo, meu senhor? – Indagou o valete.

– Tenho tido problemas em dormir, Juugo.

– Devo arrumar os chás que tanto agradam o meu senhor para que tenha uma boa noite de sono no próximo adormecer?

Sasuke assentiu antes de se voltar ao banheiro de seu amplo aposento.

– Venha Juugo. Preciso de um bom banho antes de ir trabalhar.

– Claro, meu senhor – o grande valete, um pouco desengonçado, mas de idade próxima ao Comendador, assentiu submisso, apressando-se a preparar o banho do senhor que apenas assistia ao processo de braços cruzados, perdido em pensamentos, mais exatamente, perdido em uma certa filha de um respeitável Barão.

– Já faz dois dias e ela ainda não me respondeu – murmurou apertando levemente o veludo em sua mão direita.

O valete escutou a lamuria de seu senhor, mas como bem o conhecia, apenas se prontificou a trabalhar, nunca se intrometendo nos assuntos do Comendador da forma como esse tão bem gostava que permanecesse.

 

✵✵✵

 

– Tem certeza, minha senhora? – Indagou preocupada a dama de companhia assim que saíram da elegante carruagem parada em um bairro tão diferente de onde a senhorita Sakura residia.

– Não se preocupe, Tamaki – confortou a moça de idade tão semelhante a si, só que com olhos medrosos, analisando os simples trabalhadores que já paravam com seus afazeres devido a visão de uma nobre mulher tão bem vestida como sua senhora. – Não há o que temer. Estamos na indústria do meu amado pai. Prometo que não nos delongaremos – mostrou um dos seus mais amáveis sorriso, daquele tipo que tinha feito até a tão dura Tsunade concordar com a loucura daquela moça da alta sociedade.

– Tudo bem, Miss Sakura – se rendeu apertando a delicada sobrinha da sua senhora enquanto suspirava. Era uma empregada, isso era verdade, mas não se sentia bem em meio à tantos operários vestidos com trapos. A brancura do vestido da dama de companhia seria considerada roupa fina entre aqueles trabalhadores, e essa constatação só fazia Tamaki gemer em apreensão ao olhar para a sua tão jovem senhora vestindo o longo vestido branco pérola de bordados azul marino que cobria seu delicado corpo até a altura do seu pescoço. Qualquer um em sã consciência saberia que aquela mulher não pertencia ao submundo dos operários, muito menos que deveria estar ali. – Como encontraremos o Barão de Louborn, minha senhora?

– Ora, que pergunta Tamaki – Sakura sorriu erguendo minimamente a saia para subir na calçada irregular, parecendo confortável apesar dos tantos olhares em sua direção. – Faremos da maneira convencional, não é óbvio?

– Convencional? – A dama questionou preocupada, dando ordens para que a carruagem permanecesse onde estava, antes de se apressar em acompanhar sua senhora, carregando a sombrinha e o desjejum do Barão que Sakura tanto insistiu em fazerem para que ela pudesse levar ao local de trabalho do seu tão amável pai.

– Como a senhorita tão bem escutou, Tamaki – a senhora sorriu por cima do ombro antes de voltar a admirar a imponente estrutura de ferro de pelo menos três andares.

Ela não se importava por estar andando por aquele calçamento irregular e lamacento, apenas continuava a andar, admirando aquela empreitada que seu pai havia por tanto tempo almejado e trabalhado.

Assim que chegou na entrada ampla do recinto, ofereceu seu sorriso educado para um casal que a observava com o ar retraído.

– Perdão, vocês poderiam me informar onde eu poderia encontrar o Barão de Louborn? – Questionou, o que surpreendeu aquele casal de aparência tão magra ao mesmo tempo que a dama de companhia gemia atrás de si, martirizando-se por não saber controlar a filha do Barão como Tsunade tinha pedido com tanto fervor.

"Mantenha Miss Sakura na carruagem. Desça, entregue o desjejum informando sobre a preocupação da sua filha e depois volte imediatamente para casa. Onde já se viu uma moça prendada e de nome caminhar por entre seres tão inferiores a si? Não, não e não! Miss Sakura de Louborn precisa permanecer na carruagem. Não precisamos dar mais motivos para que as conversas alheias julguem a minha menina ao dizer que viram a barra do seu vestido lamacento. Não, não e não. Isso é imperdoável e imagino que não é esse tipo de matrimônio que um homem do porte do Comendador Uchiha queira assumir. Precisamos controlar essa menina, às vezes ela pode ser bem persuasiva".

Essas haviam sido as palavras daquela governanta, algo que Tamaki não conseguiu cumprir e agora se martirizava ao ver sua nobre patroa, a filha de um rico Barão, se rebaixando ao dirigir a palavra a seres de pele tão descuidadas e mãos calejadas.

O casal a quem Sakura havia se dirigido ainda se encontrava em torpor pelo questionamento repentino, mas logo se recuperaram abaixando a cabeça de maneira submissa enquanto negavam veementemente.

– Oh, isso não é preciso – a menina negou com as mãos ao perceber que aquela maneira desengonçada que mostrava cada vez mais os ombros ossudos sob as roupas encardidas e simples, era uma forma de reverência diante de si.

Sem sucesso, Sakura suspirou olhando para aquele tratamento desajeitado.

– Eles não falam a sua língua, senhora – uma voz infantil fez a mulher erguer uma sobrancelha encontrando a menina de vestido simples, sapatos lamacentos e cabelos castanhos ressecados amarrados em duas marias-chiquinhas de fitas já muito gastas.

– Oh! – Sakura esbanjou um largo sorriso amoroso, enquanto se abaixava com o intuito de ficar na mesma altura que a menina de bochechas sujas de poeira.

A coloração foi visível nas maçãs infantis que agora viam a beleza dos traços de anjo da mais velha tão perto de si.

"Ela é tão bonita. Parece um anjo". Pensou com seus botões, encantada com as fitas azuis que adornavam o cabelo de Sakura em um penteado recheado de tranças.

– Vejam só que linda menininha temos aqui. Pelo visto a senhorita entende a minha língua.

– Muitos dos nossos pais não sabem falar inglês tão bem, por isso é melhor perguntar para nós, os filhos.

Sakura assentiu, compreendendo que aquela menina era filha de imigrantes.

– Qual é o seu nome, senhorita? – Disse suave, acalmando a menina que parecia intimidada pelos seus grandes olhos verdes fixados em si.

A mais nova riu sem graça com o tratamento, ainda mais vindo de alguém tão bem vestido como aquela senhora.

– Anastásia, senhora.

– Anastásia? – Sakura arregalou os olhos enquanto esbanjava um largo sorriso. – Que lindo nome. Gosto do nome Anastásia – a menina sorriu alegre por aquela reação. – Meu nome é Sakura e é um grande prazer conhecer a senhorita, Anastásia – foi cortês, estendendo a mão enluvada em direção a menina.

Anastásia iria corresponder, mas ficou sem graça ao ver a brancura da luva delicada da mulher em contraste à sua mão infantil tão suja e com machucados devido ao trabalho.

A filha do Barão percebeu o retrocesso da mão infantil, por isso, sem se importar com as boas maneiras, segurou com delicadeza a mão da menina, mostrando que ela não se importava em se sujar por causa de um aperto de mãos.

Anastásia mostrou mais um de seus sorrisos banguelas ao sentir a textura macia do tecido da luva da mulher que logo recuperou a postura ereta ao se reerguer.

– A senhora é muito gentil.

– E a senhorita tem um sorriso lindo – brincou acariciando a bochecha rechonchuda da mais nova.

– Ouvi a senhora perguntando sobre o Barão... – começou incerta, querendo permanecer próxima àquela mulher que se mostrou extremamente gentil, mesmo com uma criança do subúrbio.

– Ah sim. Estou procurando o meu pai, o Barão de Louborn. Ele é dono desse estabelecimento – explicou com cordialidade, se referindo à imponente estrutura atrás de si.

Os olhos castanhos da menina se arregalaram em assombro.

– A senhora é filha do Barão de Louborn? – Não pôde esconder a surpresa ao perceber que estava diante da filha de um grande Barão.

– Miss Sakura de Louborn ao seu dispor – Sakura fez uma breve mesura da forma como Anastásia imaginava que princesas fariam.

– Uau! – A exclamação fez o melodioso sorriso de Sakura reverberar por aquela calçada. – Eu sei onde ele fica. Posso mostrar para a senhora – animou-se agarrando novamente a mão enluvada da filha do Barão antes de disparar para dentro da grande Indústria Têxtil.

Sakura não repreendeu a menina, apenas riu tentando acompanhar o ritmo da mais nova apesar da sua saia com tantos tecidos.

Ela notou como aquele lugar era quente e extenso, com inúmeras máquinas trabalhando com operários ao redor. Haviam homens, mulheres de todas as idades, até mesmo crianças tentando empurrar tonéis pesados.

Era impossível não a notar atravessando com sua graça e beleza, por isso, muitos paravam seus afazeres para olhar intrigado para a senhora sendo puxada por uma míngua menina. No entanto, como todas as vezes, Sakura não se importou, apenas deixou que Anastásia a conduzisse pelas escadas de ferro com uma velocidade inadequada para uma mulher do seu porte, permitindo até que uma risada divertida saísse por entre seus lábios rosados.

– A senhora é muito lenta.

– Ah Anastásia, se eu estivesse em trajes iguais aos seus, você veria o quão veloz eu sou – vangloriou-se em tom de brincadeira.

– Ah não, seu vestido é tão bonito... – a menina não pôde continuar, pois um chamado grave e grotesco reverberou com fúria:

– Ei sua pirralha, volte a trabalhar imediatamente! – Um segurança corpulento e manco se aproximou com os olhos vermelhos em direção à criança que se encolheu diante do homem que agarrava seu braço sem cuidado.

– Ai – chorou de dor sendo arrastada.

– Senhor, eu ordeno que solte essa criança imediatamente – Sakura prontificou-se a ir ao resgate da menina, se aproximando com postura do homem confuso ao ver o tipo de mulher que andava por ali.

– Olha, minha senhora. Aqui com certeza não é o clube do seu chá das cinco – falou com desdenho, arrancando risada de alguns dos seus colegas que se aproximavam de si.

– Sei muito bem onde eu me encontro, senhor – controlou o tom de voz, mostrando toda a sua postura de mulher prendada da alta sociedade.

– E posso saber o que a senhora gostaria aqui?

– Primeiramente – foi polida – desejo que o senhor solte essa criança nesse exato momento.

– Ela precisa voltar a trabalhar. Estamos sem tempo e com uma grande tarefa a cumprir.

– Solte-a – voltou a exigir com a voz controlada de uma verdadeira dama, para a raiva do homem que não gostava de ser contrariado, muito menos que sua repreendedora fosse uma simples mulher vestindo uma roupa cara.

"Provavelmente nunca tocou numa vassoura". Pensou com descaso.

– Terei que pôr a senhora para fora a força se você não se retirar por boa vontade.

– Não creio que o patrão desse lugar aprovaria tal ato vindo da sua parte.

– E por que razão o patrão não gostaria? Foi ele mesmo quem disse que eles deveriam trabalhar para cumprir prazo.

– Exatamente. Como o senhor tão bem disse, ele gostaria que trabalhassem, não que fossem agredidos. Há uma grande diferença de significado e caso isso não baste ao senhor, saiba que eu sou a filha do dono desse lugar. Sou Miss Sakura de Louborn, única filha do Barão de Louborn e da falecida Baronesa Mebuki Haruno.

Sua fala extinguiu qualquer risada que aqueles seguranças ainda mostravam. Apenas os sons das máquinas ecoavam alto enquanto aqueles homens olhavam surpresos para a filha do Barão e para a dama de companhia que permanecia acovardada atrás da sua senhora.

– Miss Sakura? – A voz masculina, baixa e rouca, mostrando polidez e surpresa, chamou a atenção de todos, principalmente da mulher de olhos verdes que se surpreendeu com a figura do Comendador que chegava ao segundo andar.

– Ah, bom dia Comendador – foi cortês, mostrando a postura que ela nunca perdia mesmo diante de homens rudes como os seguranças que ainda a encaravam.

– Bom dia – sua voz saiu incerta, ainda não crendo com a visão da filha do Barão em meio aos trabalhadores. – Desculpe-me a ousadia, minha senhora, mas devo informar que me surpreende muito em encontrar a senhorita num lugar como esse.

– Ah. Compreendo sua confusão. Apenas vim trazer o desjejum do meu amado pai que teve, por obra do destino, que se ausentar de sua casa para vim trabalhar no meio dessa última madrugada. Estava preocupada com a saúde do meu bom pai e resolvi garantir que ele pelo menos se alimentaria sob os meus olhos.

– Muito atencioso da sua parte, Miss Sakura – assentiu. – No entanto, aconteceu algo tão grave para que o Barão tenha tido que se ausentar da sua residência tão cedo?

– Presumo que o senhor ainda não saiba sobre as novidades – começou unindo as mãos sobre o colo. Sasuke apenas negou brevemente, tendo um mal pressentimento sobre o que Miss Sakura o informaria. – A carga exportada para os países do mediterrâneo foram furtadas por piratas. Era uma grande exportação, a qual estava adiantada de acordo com o planejado, porém, com esse infortúnio e grande valor a ser ressarcido aos importadores, a Indústria Têxtil do meu amado pai está com problemas, tendo que tentar melhorar o prazo e produzir o suficiente em tempo hábil, antes que os compradores escolham outra Indústria para ser fornecedora.

– Pelos Céus! Por que seu pai não me informou sobre isso mais cedo? – Mostrou sua surpresa, entendendo perfeitamente a gravidade do problema.

Além de ter sido responsável pelo preparo de toda a carga e acordos, as embarcações que levavam a carga eram da companhia do seu irmão mais velho.

– Presumo que o Barão não quisesse lhe importunar com tais assuntos no meio da noite, Comendador.

– Compreendo – acatou diante do olhar suplico da menina que tentava justificar os atos do seu pai. – Irei me apresentar imediatamente prestando meus serviços ao seu pai, Miss Sakura. Tenho ciência de que compreendes perfeitamente a gravidade do problema.

– Sim. Tenho plena ciência, por isso irei com você, só antes preciso... – sua voz morreu voltando-se aos trabalhadores ainda estáticos e surpresos pela conversa que aquele casal havia tido, ainda mais por ser aquela mulher a sabedora de detalhes que nem ao menos eles imaginavam. – Senhor, por favor, solte essa menina imediatamente.

A segurança e o silêncio vindo de Sasuke, fez com que o segurança entendesse quem tinha voz entre eles, por isso, de maneira silenciosa, desfez o aperto no braço da menina que correu agarrando-se nas saias da filha do dono.

– Você está machucada Anastásia? – Indagou amorosa a mulher, abaixando-se para verificar os braços da menina.

– Estou bem, senhora – falou com timidez, intimidada com a presença do Comendador tão próximo daquela bela mulher.

Sakura notou a insegurança da menina, entendo-a de prontidão.

– Não precisa se preocupar. O Comendador Uchiha é um grande e estimado amigo meu. Ele não vai te machucar, na verdade, é um homem muito justo e bom – ofereceu seu melhor sorriso que foi correspondido por um banguela. – Onde estão os seus pais?

– Meu pai trabalha na indústria de carvão aos arredores da cidade. Eu ajudo a minha mãe aqui na Indústria do seu pai, senhora.

– Compreendo.

A voz de Sakura morreu assim que seus olhos caíram sobre as fitas gastas que seguravam os cabelos da menina.

– Gosta de laços? – Alterou o tom, vendo o olhar brilhante da menina só com a menção da palavra. – Não precisa responder – disse risonha, tirando dois dos seus cabelos.

– Miss Sakura – a dama de companhia tentou repreender em um sussurro discreto, já que via a pequena ruga entre as sobrancelhas do Comendador para a cena. No entanto, seus esforços foram em vãos.

– Não se preocupe, Tamaki. Há tantos laços em meu cabelo que não creio que o penteado da senhora Tsunade se desfará com a retirada de alguns – foi gentil, enquanto estendia os dois laços para a menina de largo sorriso. – Espero ver esses laços no seu cabelo na próxima vez em que nos encontrarmos, senhorita Anastásia.

A menina sorveu o cheiro adocicado das fitas antes de agradecer com a melhor mesura que poderia fazer:

– Obrigada, Miss Sakura de Louborn.

– Agradecida, senhorita Anastásia – Sakura retribuiu a mesura com um cortês, como ela foi tão bem instruída a fazer.

A menina riu envergonhada antes de correr para longe.

Sakura pôde ver o momento em que a menina se agarrou às saias de uma mulher simples, mostrando com alegria as fitas que havia ganhado. A mãe de Anastásia olhou em sua direção e a filha do Barão pôde ver a surpresa nos olhos da outra.

Um leve assenti foi tudo o que ela ofertou à simples mulher antes da sua atenção ser capturada pelo Comendador.

– Gosta de crianças, Miss Sakura? – Ele indagou, oferecendo seu braço para que o acompanhasse rumo ao terceiro andar. Algo que foi prontamente aceito pela moça.

– Infelizmente não tive a alegria de ter irmãos mais novos. Meu pai não contraiu um segundo matrimônio e fui uma menina criada como filha única em uma grande propriedade. As poucas crianças que eu via pelas redondezas eram filhos dos empregados e senhora Tsunade tinha receio em me permitir brincar com essas crianças devido aos modos e prendas que deveria aprender.

– Compreendo.

– Porém, posso dizer que crianças me fascinam muito, Comendador – finalizou assim que chegaram em frente à porta do escritório do Barão.

– Se me permite a ousadia, Miss Sakura. Devo dizer que a senhorita será uma excelentíssima mãe – foi sincero, tendo a certeza que sua última observação poderia ser compreendida de maneira ambígua, principalmente em relação ao pedido de casamento que o rapaz havia feito à moça.

– Obrigada, Comendador – limitou-se a agradecer, deixando a mostra as maçãs rosadas.

Sasuke assentiu antes de bater suavemente no vidro fosco da porta.

– Entre – a permissão veio imediata, fazendo com que os jovens entrassem e logo visualizassem o velho Barão de aparência tão cansada em meio ao caos de tantas papeladas.

Os olhos azuis sobre as grandes bolsas escuras de olheiras se ergueram, surpreendendo-se ao ver sua filha ao lado do Comendador.

– Sakura, minha filha, o que você está fazendo aqui?

– Preocupando-me com o senhor, é claro – suspirou com cansaço, desvencilhando-se do braço do moreno para poder pegar o desjejum com Tamaki. – Sabia que o senhor nem ao menos pararia para se alimentar, por isso vim até o senhor garantir que sua saúde seja mantida – informou desfazendo os nós, revelando o recipiente onde o desjejum estava guardado com cuidado. – Tamaki – Sakura chamou, entregando as luvas sujas à dama que logo se prontificou a ofertar luvas limpas, as quais foram aceitas com um pequeno sorriso.

Com elegância, Sakura preparou a mesa dispondo o pequeno-almoço do seu pai, antes de se ater à tarefa de organizar a papelada.

– O que seria de mim sem minha amada e tão eficiente filha? – O mais velho brincou, dirigindo-se ao Comendador que também se aproximou correndo os olhos pela papelada.

– Com certeza um homem que se alimentaria muito mal – repreendeu a menina, ofertando uma folha com os valores incompletos dos prejuízos ao Comendador.

– Presumo que Tsunade quase a amarrou ao pé da cama quando expôs sua ideia de vim até aqui no trabalho do seu velho pai – riu extasiado com a própria ideia.

– Senhora Tsunade, assim como eu, se importa muito com o senhor, papai.

– Ah, Tsunade é uma grande amiga de longa data. Alguém já da família.

– Concordo com o senhor – disse de forma cortês, sentando-se com elegância em uma das poltronas, tendo o Comendador diante de si, ambos fixos no ofício de analisar as papeladas do Barão. Esse último, por outro lado, sentia-se mais tranquilo com a visão daqueles dois jovens trabalhando para si, enquanto se dava ao luxo de comer tranquilamente o desjejum que tanto desejava.

– Precisamos relatar o ocorrido por meio de cartas oficiais o mais breve possível, Barão – começou Sasuke de maneira analítica, preocupado com os números.

– Ah sim, meu jovem. Estava preocupado com a redação de tal carta.

– Posso prepará-la para o senhor se me permitir.

– Seria de grande ajuda, meu jovem.

– Há algo que o senhor queira em específico na redação de tal carta? – Apoiou o braço esquerdo sobre a mesa de mogno, enquanto os dedos longos e masculinos retiravam sua alta cartola.

– O que você acha, minha querida? – Questionou a filha como sempre fazia quando tinha oportunidade de tê-la próxima de si.

– Creio que tal carta tenha que ser equilibrada. Analítica, porém sincera, mostrando os reais fatos. A sinceridade é uma virtude infelizmente rara no campo dos negócios. Na presente situação, a sinceridade é a melhor saída para manter os compradores e convencê-los de concederem um tempo maior para cumprir com os nossos deveres.

– Um equilíbrio entre a razão e a emoção? – Indagou o Comendador, curioso por aquela opinião da menina. Ousada, mas ao mesmo tempo, a melhor saída para seus problemas.

– Exatamente, Comendador – garantiu a mais nova.

– Creio que já temos os redatores de tal carta – observou o mais velho com um largo sorriso aos mais novos. – Deixo nas mãos dos dois tal tarefa.

Sakura mostrou surpresa com a decisão do pai. Aquilo a prenderia ali, algo totalmente contra os princípios de Tsunade.

– Há algum evento para participar, Miss Sakura? – Perguntou o Comendador, notando a insegurança da mulher que por obra do destino teria que permanecer por longas horas ao seu lado naquele escritório enquanto o Barão verificava com os próprios olhos o andar da produção.

– Nenhum, meu senhor – ela negou delicadamente, antes de fixar os olhos nos valores dos prejuízos. – Presumo que teremos que terminar a análise dos prejuízos antes de podermos escrever tal documento.

– Exatamente, Miss Sakura.

Sakura observou Tamaki em pé em um canto da sala e se compadeceu da menina.

– Tamaki. Aconselho que se conforte da melhor maneira. Há livros nas estantes caso prefira passar as horas em tal ofício. Teremos que ficar por mais algum tempo. Preciso ajudar o meu pai.

Com aquelas palavras, Sakura determinou seu destino naquela manhã nublada de Londres...

 

✵✵✵

 

– Enfim terminamos, Comendador – comemorou com satisfação ao admirar as longas cartas comerciais que seriam mandadas com urgência aos compradores, todas escritas pela perfeita caligrafia do Comendador.

– Sim, Miss Sakura. Devo acrescentar que grande parte do nosso tão rápido progresso foi devido aos seus prestativos e úteis conselhos – limitou-se a elogiar com segurança.

– Obrigada, Comendador. És muito gentil com suas palavras – agradeceu com um suave assentir.

– Apenas prezo pela sinceridade, senhorita.

– Um homem sincero então devo também acrescentar – riu suavemente enquanto se erguia com elegância após tantas horas naquele ofício. – Infelizmente, meu caro senhor, devo me ausentar a partir de agora. Senhora Tsunade deve estar preocupada com a minha demora e meus serviços já não parecem ser mais úteis. Permanecer aqui só o atrapalharia e distrairia meu amado pai – confidenciou com certo humor.

– Compreendo – o mais velho entre os dois também se ergueu, mostrando sua altura e imponência diante de Sakura. – No entanto, Miss Sakura, antes que a senhorita parta, dei-me a oportunidade para entregar-lhe algo que tenho desejado lhe dar.

Não esperou por uma resposta, apenas buscou o embrulho de veludo que estava guardado dentro do bolso interno do seu paletó.

– Tinha planejado lhe fazer uma visita assim que meu ofício aqui terminasse, mas presumo que a surpresa de a encontrar aqui alterou meus planos – confidenciou já com o embrulho em suas mãos.

– Espero não os ter frustrados – falou com docilidade, apoiando as mãos enluvadas sobre a saia.

– A senhorita nunca os frustraria com a sua presença, apenas me ofertou a oportunidade de adiantá-los, por mais que isso também corrobore para o fato de agora não ter mais desculpas para comparecer em sua residência ao anoitecer.

– O senhor sabe que não precisa de desculpas para comparecer em nossa residência quando bem desejar – ofertou um sorriso cortês. – Sabes que a presença do Comendador em nossos jantares sempre é muito apreciada por mim e pelo meu bondoso pai. Ouso dizer que até mesmo a senhora Tsunade aprecia sua presença em nossas conversas em nossa sala de leitura após o jantar.

– É muito agradável saber de tal nobre opinião, Miss Sakura – foi polido e sucinto.

– No entanto, o que tanto desejava me informar logo ao anoitecer? – Perguntou controlando o tom de curiosidade.

– Presumo que em nosso último encontro eu possa ter lhe passado uma má impressão, Miss Sakura.

– Oh! Isso nunca perpassou pela minha cabeça, Comendador – se prontificou em desmitificar tal pensamento.

– Mesmo assim, o sentimento de que fui imprudente me corrói. Meus desejos para com a senhorita não se alteraram e ainda aguardo sua resposta, porém, gostaria de me desculpar pelo ocorrido presenteando-a com algo pela qual tenho muito apreço e venho desejando lhe dar.

O homem presenteou-a com a mediana embalagem, algo que foi prontamente aceito pela mulher que de maneira curiosa e delicada, buscou o que havia ali dentro.

Para sua surpresa, um belo colar de prata se revelou sobre sua mão enluvada.

Apesar de simples, o brilho e o grande e pesado medalhão mostrava sua imponência. Era oval, biconvexo com a impressão em relevo de um imponente dragão chinês envolto de várias inscrições da língua oriental.

Sasuke pôde apreciar o brilho surpresa em meio aos mares verdes de Sakura com satisfação antes de se prontificar em explicar o tal presente.

– É uma joia transpassada através da minha família materna. A minha favorita e também da minha estimada mãe. Venho guardando há algum tempo e também me perguntando como ficaria na senhorita. O dragão chinês é o símbolo da sabedoria, poder, força e riqueza. Um símbolo muito apreciado em Hong Kong.

– Uma joia de família? – Balbuciou preocupada, tentando devolver o presente. – Perdão Comendador. Sei de suas boas intenções, mas não posso aceitar um presente tão importante para sua família.

– Não se preocupe, Miss Sakura – tentou outra abordagem, envolvendo as mãos femininas com as suas, tentando mantê-la com o colar em suas mãos. – Ela é minha por hora. Uma lembrança que trouxe junto a mim da minha partida de Hong Kong e nada me faria mais feliz do que vê-la usando esse colar.

– Comendador, creio que tal presente deva ser dado à sua esposa. Imagino que esse seja o desejo da Condessa de Northville – disse com certo tom de receio.

– O desejo da Condessa é que eu presenteie com esse colar uma moça digna de usar tal bem para que esse colar permaneça em tão bons cuidados e perdoe-me a ousadia, mas a senhorita é a moça mais adequada ao meu ver. Não se ateie ao detalhe de ser uma joia de família. Aceite-a como o presente de um bom amigo e me fará igualmente feliz – foi sagaz com as palavras, vendo o retrocesso da relutância em meio aos olhos verdes.

– Se este é o seu desejo, presumo que não há problemas de aceitar tal presente – cedeu oferecendo um sorriso em agradecimento pelo presente. – É um belíssimo colar, preciso afirmar.

– Fico feliz que tenha aceitado, Miss Sakura – falou pretensioso e calculista, pegando o longo colar das mãos da menina. – Permita-me senhorita? – Ofereceu assim que abriu o fecho da joia.

Sakura assentiu, voltando as costas para o Comendador em uma permissão silenciosa. Com um leve movimento das mãos, ela afastou o cabelo de tantas fitas e traças, revelando a bela e alva nuca ao homem que apreciou os traços da mulher enquanto colocava o colar ao redor do pescoço delicado, para após se vangloriar em silêncio ao vê-la se voltando para si com a joia que se alojava na altura do volume dos seus seios.

– Ficou ainda mais gracioso do que eu havia imaginado – se limitou a confessar, notando as maçãs rosadas da mulher que fazia uma breve mesura em agradecimento.

– Cuidarei com muito zelo, Comendador.

– Tenho plena certeza sobre seus cuidados.

– No entanto, por hora, preciso partir.

– Permita-me acompanhá-la, Miss Sakura – ofereceu o seu braço, o qual foi prontamente aceito.

Com zelo e postura, ambos transitaram mais uma vez pela indústria, atraindo ainda mais olhares do que na primeira vez, sendo sempre acompanhados pela temerosa dama de companhia.

Assim que chegaram à carruagem, Sasuke ofertou sua mão para que a dama subisse com delicadeza no transporte.

– Obrigada por tudo, meu bom Comendador.

– Nos vemos em breve, Miss Sakura – assentiu erguendo brevemente a cartola em despedida.

– Aguardarei com ansiedade nosso próximo reencontro – ofertou um sorriso antes que a carruagem partisse deixando Sasuke para trás.

Sakura o admirou por mais algum tempo antes de se voltar definitivamente para Tamaki que permanecia em silêncio, porém, a senhora sabia que sua dama de companhia antes estava admirando o porte de Sasuke.

– O que a senhorita acha do Comendador, Tamaki?

– Um homem muito respeitável, minha senhora.

– Sim, um homem muito respeitável, Tamaki – comentou com suavidade, admirando as imagens industriais que perpassavam pela sua janela. – Muito respeitável – sua voz saiu em um sussurro, direcionando-se a ninguém em particular.

 

✵✵✵

 

– Finalmente vocês chegaram, Miss Sakura – uma afoita Tsunade brandiu assim que a carruagem parou em frente à residência do Barão de Louborn.

– Algum problema, querida ama? – Perguntou com certa preocupação enquanto aceitava a mão do condutor para descer com elegância para a calçada do nobre bairro.

Porém, a preocupação de Sakura não foi correspondida, pois Tsunade arregalou os olhos ao ver as quase imperceptíveis sujeiras na barra do longo vestido da mais nova.

– Por Deus! Que desastre! Que desastre! Espero que o Comendador não a tenha visto em tão decadente estado!

A moça limitou-se a se manter calada. Prolongar tal conversa só lhe renderia uma repreensão e ela tão bem sabia que havia outros assuntos para serem tratados naquele momento, por exemplo, o porquê de tão grande preocupação da sua governanta quando chegou ao recinto.

– Bom, não há mais tempo por hora – a própria governanta se corrigiu balançando a mão no ar em repreensão. – Arrepender-me-ei amargamente mais tarde, mas por hora não podemos mais delongar. Temos visita, Miss Sakura.

– Visitante? – Perguntou com curiosidade, adentrando a casa antes que sua ama se prontificasse em verificar os deslizes do penteado e apertassem suas maçãs para lhe dar uma aparência mais saudável. – Quem seria a esse horário, senhora Tsunade?

– Senhor Uzumaki de Headfield, Miss Sakura. Veio pessoalmente saber sobre sua saúde após o baile na residência Yamanaka – a senhora anunciou com empolgação. Ainda estava surpresa com a aparição de tal exemplar naquela residência, ainda mais pela espontaneidade e falas tão generosas e envolventes do rapaz.

Tsunade estava encantadíssima por aquele rapaz e por sua educação digna de um herdeiro de grandes posses, ainda mais pelos elogios à decoração e perguntas sobre o Barão e sua filha demonstrassem grande interesse pela sua menina.

Isso inflava o ego daquela mulher, vangloriando-se de mais um viajante ter se encantado por Miss Sakura de Louborn.

"Não há moça tão bem prendada que possa superar minha Miss Sakura. Nenhuma é capaz de ganhar a atenção de admiradores como minha menina é". Pensou com seus botões enquanto a acompanhava para a sala de leituras, lançando um olhar sugestivo para que Tamaki não saísse de perto da sua senhora.

– Senhor Uzumaki. Que grande surpresa o encontrar em minha residência. Perdoe-me por não estar aqui logo que chegou. Se eu soubesse, o receberia como tanto deveria – a moça anunciou assim que entrou na sala de leitura, reconhecendo a silhueta alta e forte do loiro que parecia absorto pela paisagem do jardim além das grandes janelas.

Naruto se voltou imediatamente para a mulher assim que escutou a voz aveludada e gentil de Sakura.

Seus olhos, grandes esferas azuis, brilharam com intensidade ao visualizar a moça que tanto impregnava em sua mente doentia, ao mesmo tempo que um grande e convincente sorriso despontava em seus lábios, mostrando a docilidade e falsidade em que seus desejos sombrios se camuflavam para conseguir o objetivo final.

Nem mesmo a barra suja do vestido de Sakura foi um empecilho em classificá-la como imaculada. Roupas eram desnecessárias, no fim de tudo ele a despiria. A única coisa que importava era a flor que ela seguraria enquanto seus longos e incomuns cabelos estariam guardados juntamente com a sua grande coleção.

Já havia se deitado com a mais mirrada camponesa. Uma moça prendada com uma barra suja em nada significava.

– Não se preocupe com trivialidades, Miss Sakura. Para lhe ser sincero, mais me alegra saber que a senhorita já está podendo aproveitar esse belo dia do que a encontrar dentro de sua residência – foi cortês enquanto se aproximava à passos firmes e seguros antes de ofertar seu braço para que ele pudesse conduzir a moça até o sofá.

– Fico mais tranquila em saber a sua opinião tão otimista dos fatos, senhor Uzumaki – falou com docilidade, aceitando o braço do homem mais velho que a si antes de se sentar elegantemente sobre o sofá com o homem ao seu lado.

Tsunade havia partido para monitorar os afazeres dos empregados, enquanto Tamaki permanecia prostrada ao lado da entrada, em completo silêncio, observando sua senhora ao lado daquele belo rapaz.

– Perdão, Miss Sakura. Devo supor que minha aparição repentina deva ter lhe surpreendido, ainda mais por ter ousado vim à sua casa sem que fôssemos próximos o suficiente para tal ousadia. Devo destacar que apesar da nossa tão breve conversa no baile do senhor Yamanaka, não pude negar a preocupação em vim lhe visitar e saber pessoalmente sobre sua saúde. Passei o último dia intrigado sobre que atitudes tomar, porém, mais uma vez descobrir que sou um homem fora dos padrões e com coragem. Apesar do temor de ser repreendido pelo seu pai, vim lhe visitar.

– Senhor Uzumaki, sua preocupação foste muito nobre. Saiba que nunca o repreenderia por tal atitude tão atenciosa. Saiba também que eu e meu amado pai somos muito felizes em receber visitas – confidenciou com um belo sorriso.

Naruto notou como ela parecia uma boneca e ainda mais bela sorrindo.

"Talvez eu desenhe um sorriso em seus lábios quando a deixar em sua cama". Pensou de maneira mordaz enquanto a capa permanecia.

– Fico muito aliviado por tal notícia, Miss Sakura. Tentarei ser sensato para não ser abusado após tal permissão – riu sendo acompanhado pela dama, antes de voltar a seriedade e seus olhos caírem mais uma vez sobre o diferente pingente que ela carregava. – Permita-me a ousadia, Miss Sakura, mas a senhorita tem um belo cordão. Nunca vi algo semelhante e olhe que minha tão estimada prima tem tantas e diferentes joias, a qual, por ser seu único parente próximo, sou alvo de suas inexoráveis horas de admiração diante dos ourives. Mas algo assim, impressiona-me e posso afirmar que a impressionaria também.

– Presumo que vocês dois são muito próximos – comentou com as bochechas coradas enquanto levava o pingente para mais próximo do rapaz para que ele observasse melhor o retrato em relevo do dragão chinês. – Infelizmente não posso indicar o ourives culpado por tal obra para a baronetesa, já que tal pingente foi um presente do meu bom amigo Comendador Uchiha de Northville – explicou enquanto repousava novamente o pingente sobre o volume dos seus seios, ganhando a total atenção de Naruto quando o nome do moreno foi dito.

– Oh! Então creio que seja uma obra de outras terras – observou, sondando a história por trás do colar.

– Sim. Ele me confidenciou que é uma joia que perpassa gerações da sua família materna no oriente e que o dragão tem um grande significado para eles.

– Uma joia de família – o homem de belos traços, sussurrou antes de dizer com segundas intenções: – Compreendo.

O ato de baixar o olhar e sorri torto, de acordo com Naruto, seria o pretexto para que a moça compreendesse o que aquele presente significava. Ele não precisava dizer em palavras, apenas focar seu olhar na moça para que ela visse em seus olhos a apreensão dele ao vê-la sendo marcada por outro homem.

Sasuke havia sido pretensioso em dar um colar que mostraria aos outros uma relação íntima entre eles, marcando seu território, mas aquilo pouco importava para Naruto, apenas tornava mais interessante seus jogos para rondá-la com seu charme, inebriando-a com seu magnetismo até que conseguisse roubá-la completamente para si.

– Desejo felicidades ao casal – ousou, recebendo o olhar surpreso da menina.

– Não! Senhor Uzumaki, acho que o senhor não compreendeu...

– Julguei que ele fosse o seu noivo – se fez de inocente.

– Não. O Comendador é apenas um bom amigo meu – ele viu a preocupação nos olhos verdes.

– Ah, fui leviano ao imaginar que o colar... – deixou a voz desaparecer no ar, enquanto coçava a nuca em uma atitude que mostrava inocência e meninice, ao mesmo tempo que se gratificava ao ver o olhar da mulher cair em insegurança diante das mãos.

Suas palavras haviam impregnado a mente dela como ele tão bem desejava.

– Miss Sakura. Infelizmente terei que me ausentar. Estou a caminho de um importante comerciante com quem faço negócios. Se pudesse, ficaria por mais tempo. Hoje, apenas pude me agraciar em garantir-me que a senhorita destoa tão boa saúde. Espero podermos nos reencontrar mais vezes em oportunidades melhores, quem sabe, poderei lhe contar como são os campos do Mediterrâneo – anunciou se erguendo com elegância antes de oferecer sua mão à mulher que pareceu extasiada com a oportunidade.

– Realmente é um grande pesar o senhor não poder permanecer por mais tempo. Tenha certeza que muito me agradaria em poder escutar sobre suas viagens pelas terras do Mediterrâneo – foi polida, apoiando as mãos sobre a saia.

– Saiba Miss Sakura. Sou um homem que gosta de honrar minhas promessas, ainda mais tendo em vista a companhia de tão bela moça – comentou, mantendo o sorriso sincero, apesar da frase ambígua que pelas más línguas poderia ser vista como tendenciosa.

– Aguardarei com ansiedade nossos próximos reencontros, senhor Uzumaki – foi gentil ao conduzi-lo até a saída.

– Eu também esperarei, Miss Sakura – reafirmou enquanto vestia o casaco e a cartola, antes de fazer uma breve mesura à moça e à dama de companhia e se retirar da residência rumo à carruagem que o aguardava.

– O que a senhorita acha do senhor Uzumaki, Tamaki? – A moça repetiu a pergunta para a dama de companhia, mas agora referente ao belo loiro de olhos azuis.

– Um homem encantador, minha senhora. Seus sorrisos são muito encantadores – garantiu.

– Sim, ele é um homem encantador, Tamaki – também sorriu para a menina antes de rumar ao seu aposento com a clara intenção de trocar sua roupa de passeio por outras mais leves.

 

✵✵✵

 

Naruto, já dentro da sua carruagem, deixou que toda sua máscara caísse.

O belo sorriso já não existia mais, apenas a seriedade em conjunto à intensidade de seus belos e perigosos olhos azuis.

Seu cotovelo direito estava apoiado na borda inferior da janela, enquanto seus longos dedos masculinos desenhavam lentamente o traço do seu queixo quadrado.

Os olhos, vidrados no mundo ali fora, não viam nada. Porém, sua mente, em eterna maquinação, estava fixa na imagem daquela moça.

– Então, o Comendador ousa se meter em meus projetos? – Balbuciou para o nada, antes de um rápido brilho perpassar pelo seu olhar. – Interessante o seu interesse em uma moça que nem ao menos corresponde aos seus tão certos sentimentos. Pergunto-me o que mais você é capaz de fazer de forma tão inútil, já que eu nunca perco ou desisto dos meus objetivos – sua voz saiu sem vida. Perdida no tempo e no espaço. No entanto, não menos perigosa enquanto as ruas movimentadas de Londres ficavam para trás.


Notas Finais


Eita! Naruto só rondando, podem ter certeza que nesses capítulos iniciais ele tá parecendo pouco, mas a cada novo capítulo, esse homem vai aparecer mais e mais *---*
Obrigada à todos que leram e até a próxima pessoal! o/ Volto daqui a 15 dias com o novo capítulo de Imaculada!

[NOVA FIC POSTADA NO SS][TERMINADA][SASUSAKU]:

Entre Páginas: https://spiritfanfics.com/historia/entre-paginas-6740573
[One][Drama, romance, UA][12 anos]


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