História Imagine... Sobreviver: O Novo Mundo - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias The Walking Dead
Tags The Walking Dead
Exibições 8
Palavras 3.492
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Romance e Novela, Saga, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Um terço


 Jorge trabalhava com vários homens na construção das casas da área do próximo quilômetro da Unicidade. Por horas trabalhando e erguendo a forma das últimas casas que restavam para serem concluídas, Jorge se sentiu mais leve e tranquilo desde que começou a construir aquelas casas há seis meses.


 - Fascinante. - disse Jorge, vendo todas aqueles futuros lares já prontos para serem ocupados em meio à natureza em abundância.

 - E como é, hein? - disse Elizabeth, que apareceu do nada ao lado dele. - Em setembro, você disse que poderíamos habitar duzentas e quarenta pessoas aqui depois da construção.

 - Sim. - afirmou Jorge.

 - O limite de duzentas e quarenta na Unicidade... - Elizabeth suspirou. - É um sonho.

 - É, e como.

 - Ainda assim gosto de termos apenas noventa. - Elizabeth olhou para as gigantes árvores da região. - Sabe de uma coisa, eu adoro viver nessa natureza toda.

 - Verdade. - disse Jorge olhando também para as árvores. - Antes tudo era poluição e mais poluição.

 - Que bom que concordemos com isso. - disse Elizabeth dando um tapinha no ombro dele.


 Ela voltou para a área central da Unicidade. Passou pelo palguns micom uma expressão séria no rosto.


 - Tudo bem, Elizabeth? - perguntou Gabriel quando ela passou pelo portão.

 - Tudo bem. - respondeu Elizabeth. - Só estou preocupada com o Fernando, que ainda não voltou.


 Ela foi direto para a igreja, subiu para a torre, e um rifle à aguardava na sacada. Elizabeth debruçou-se na sacada da torre, olhando para o horizonte verde da mais nova área da Unicidade.

 Em alguns minutos, o walktalk de Elizabeth chiou, e a voz de Gabriel disse:


 - O guarda do próximo quilômetro disse que o Fernando acabou de voltar.

 - Okay, estou indo aí. - disse ela no walktalk.


 Enquanto chegava ao portão, viu o carro preto entrar. O carro foi estacionado e saí com uma expressão de desapontamento pregada no rosto.


 - Encontrou o Rafael? - perguntou Elizabeth olhando nos meus olhos tristes. - Onde ele está?

 - Eu não encontrei ele. - eu disse passando por ela.

 - Como assim não encontrou? - perguntou Elizabeth segurando meu braço. - Você prometeu encontrá-lo.

 - Mas eu não encontrei, tá legal?! - exclamei, agora olhando nos olhos de Elizabeth. - Fui para os quatro pontos da bússola por quase todo o Estado e não encontrei ele. Disperdicei combustível para não encontrar nada. Agora deixe-me tomar meu banho.


 Fui para casa, deixando Elizabeth para trás com uma expressão apática no rosto.

 Após o banho, vesti uma camisa verde de algodão, um jeans cinza, e meus tênis esportivos da mesma cor. Desci as escadas depressa para poder comer alguma coisa na cozinha, abri a geladeira, peguei alguns ingredientes para fazer um sanduíche de salada.

 Comi meu lanche, bebendo água gelada. Cruzei o Rio Grande do Sul inteiro em uma noite atrás do meu primo, e não comi e nem bebi nada. Minha fome foi voraz, mas meu desejo de descansar era maior ainda. Não sabia se aguentava mais uma busca dessas.

 Após eu lavar meu prato, dei meia-volta e olhei no calendário. Estávamos no mês de dezembro, mas quando vi que era dia 13, arregalei os olhos ao me lembrar que faltava poucos dias para a vinda do Ômega a Unicidade.

 Saí de casa e fui direto para o portão, onde os novos habitantes da Unicidade iam para suas novas casas na área do próximo quilômetro. Fui para o carro preto e logo Gabriel perguntou:


 - Vai procurar o Rafael de novo?

 - Vou buscar os suprimentos para o Ômega. - respondi abrindo a porta do carro. - Faltam poucos dias.

 - Você não acha que já temos o suficiente?

 - Isso, ele quem irá decidir. Ele tem um exército, Gabriel, acha que ele se contenta com uma pequena montanha de suprimentos?


 Gabriel não respondeu, até meu walktalk chiar e a voz do guarda do portão do próximo quilômetro dizer:


 - Eles chegaram.

 - É o quê? - perguntei, segurando o walktalk próximo à boca.

 - Os Redentores estão aqui, e querem vê-lo imediatamente.


 Uma raiva rachou meus pensamentos ao ouvir aquilo. Não estávamos prontos para isso.


 - Gabriel, avise a Elizabeth. - eu disse fechando a porta do carro, e fui correndo em direção ao portão do próximo quilômetro. - Diga para que se prepare. Isso vale para você e todos os outros também!

 - Pode deixar! - gritou Gabriel, pois eu já estava bem longe.


 Na casa do lago, minha mãe Fernanda, havia sido avisada pelo Franscisco da chegada do Ômega.

 Não demorou muito para que ela se espantasse pela notícia. Então, guardou o walktalk e desceu a rua direto para o portão.


 - Onde o Fernando está agora? - ela perguntou a Franscisco  quando chegou no portão. 

 - Não sei, a figura do seu filho diminuiu. - respondeu Franscisco olhando por um binóculo no alto da torre do portão. - Ele deve estar chegando lá.

 - Mas o Ômega disse que viria em...

 - ...Duas semanas! - exclamei ao Ômega quando cheguei no portão. - Você disse duas semanas, Ômega!

 - Estou feliz em ver esse olhar de fúria de novo. - disse Ômega sorrindo.


 Dei uma olhada no exército que ele havia trazido, o lamborghini vermelho e preto, o caminhão, e, o sorriso de excitação estampado no rosto do líder.


 - Esse showzinho é só por uma busca? - perguntei ao Ômega.

 - Não... é porque é a primeira. - respondeu Ômega bem próximo do meu rosto enfurecido. - Agora, Fernando, tenho uma coisa para dizer a você. - ele respirou fundo e soltou o ar quente da sua boca dentro dos meus ouvidos. - Tudo nessa merda é meu. Todas essas casas, todas essas pessoas, todas as coisas, tudo é meu. E você, Fernando, é só mais um chupa-rola que me obedece e fica pianinho quando eu falo. - ele colocou as mãos em meu rosto, assustando quando lembrei da morte de Pedro. - Agora diga.

 - O quê? - perguntei, oprimindo minha raiva em meus punhos fechados.

 - Apenas... diga.


 Eu pensei em mil coisas para dizer ao homem de um metro e noventa na minha frente. Não pensei em nada satisfatório, então eu disse às cegas.


 - A casa é sua.

 - Isso, porra! - exclamou Ômega alegre soltando meu rosto. Ele passou por mim, dizendo: - Tem mais uma coisa importante, Fernando.

 - O quê? - perguntei virando-me para ele.

 - Já pode sair! - gritou Ômega.


 Ouviu-se o som de porta de veículo abrindo, então quando voltei-me à olhar para o veículos, vi a figura de um pequeno garoto com uma faixa preta tapando o olho esquerdo saindo do Lamborghini vermelho e preto.


 - Rafael... - eu disse indo até ele para abraçá-lo, um homem de uniforme militar se pôs na minha frente.

 - Não se aproxime do carro. - disse Richard com tom de severidade quando cruzou os braços.

 - Eu não preciso. - eu disse no mesmo tom, enfrentando Richard olho no olho.


 Rafael me abraçou enquanto eu olhava para os olhos azuis do militar na minha frente. Dei as costas a ele e voltei para longe dos veículos e do exército.


 - Bem, tenham uma ótima reunião de família. - disse Ômega indo para o lamborghini. - Enquanto isso, vamos ver se o seu pessoal é tão bom quanto você, Fernando. E, quase esqueci que, devo parabenizá-lo por vir correndo até nós nessa distância gigantesca até o portão. Deu para ver que você se sacrifica pelo bem maior.


 Não pelo seu. Pensei.


 - Vamos lá, pessoal! - gritou Ômega entrando no carro.


 Todos os Redentores presentes entraram no caminhão, ou montaram nas motos ali paradas, e foram à toda velocidade para a área central da Unicidade.


 - Fizeram alguma coisa com você? - perguntei ao Rafael enquanto caminhávamos de volta para a área central.

 - Não, até que o Ômega foi bem atencioso comigo. - respondeu Rafael. - Me deu o que comer e essa faixa preta para tapar meu o... quero dizer, o que costumava ser meu olho.

 - Que bom. - eu disse mais tranquilo por ele.

 - Eu também tenho mais uma coisa para dizer, Fernando.

 - O quê?

 - Eu sei onde fica o assentamento do Ômega.


 Um raio de esperança desceu no meu cérebro ao ouvir aquilo.


 - Se todos sairmos vivos dessa, podemos enfim progredir no plano.



 Após alguns minutos de transição até a área central, Ômega passou pelo portão com seu exército em seus veículos.


 - Ora, ora, ora. - disse Ômega quando viu minha mãe ao sair do lamborghini. - Se não é a minha rebelde preferida.

 - Não me chame disso. - disse minha mãe quando Ômega se aproximou dela. - Eu não faço mais aquele tipo de coisa.

 - O quê? Ah, matar políticos?

 - Cale-se. - disse minha mãe controlando sua raiva.

 - Bem, somos antigos amigos, não somos? Então, vou respeitá-la... por enquanto. - Ômega se virou para Gabriel, que com tanto medo, que não conseguia parar os olhar em um ponto fixo. - E esse é o meu ruivo preferido.


 Ômega foi até Gabriel, olhou-o de baixo para cima e sorriu.


 - Mudou para caralho desde a última vez. Ficou mais forte... mais ruivo. - Ômega suspirou. - Que saudade dos velhos tempos. - ele olhou para Fernanda. - Parece que manteu seu sigilo, Fernanda. Apenas vocês dois sabem do nosso passado, não é?

 - Sim. - murmurou Fernanda.


 Ômega foi até ela.


 - O quê? Eu não ouvi. Fala de novo, fala. - disse Ômega maliciosamente sorrindo.

 - Sim. - repetiu Fernanda enquanto apertava os punhos.

 - Ótimo! - exclamou Ômega. - Agora vamos pegar nossa parte do acordo com seu filho cabeludo e a gangue dele.


 Ômega fez um gesto com o dedo, para que todos os Redentores se espalhassem pela Unicidade. Ele olhou de volta para minha mãe e viu que ela ainda estava cabisbaixa.


 - Relaxa, capitã. Não vamos passar do necessário. Sabe que temos pessoas para proteger também.

 - Não me chame mais de capitã. - disse minha mãe olhando enfurecida para o Ômega. - Eu disse que não faço mais aquelas coisas.


 Ômega sorriu. O mesmo sorriso quando olhava para mim.


 - O seu filho teve a quem puxar. - ele passou a ponta do dedo no rosto dela. - Adoro quando vocês dois me olham assim.


 Fernanda deu um tapa na mão do Ômega.


 - Não... ouse... tocar em mim de novo. Você entendeu?

 - Claro. - respondeu Ômega bem próximo do rosto dela.


 Quando Ômega saiu, eu havia chegado com Rafael.


 - Onde eles estão? - perguntei ao Gabriel.

 - Estão espalhados na Unicidade. - ele respondeu.

 - Mas nós tínhamos juntado tudo, como ele pôde...

 - Parece que ele não aceita limitações. - disse minha mãe vindo até mim. - Ele... meio que quis ter a vontade de procurar por ele mesmo.

 - Merda. - resmunguei, até eu ver quatro homens entrarem na minha casa. - Desgraçados!


 Fui correndo até lá, e Rafael foi correndo para a casa de Vanessa, falar com Emmanuela.

 Quando entrei em casa, vi mais do que os quatro homens que vi entrando, mas dez homens só na sala, bagunçando tudo.


 - O vocês pensam que estão fazendo?! - gritei, mas todos me ignoraram, então vi dois homens descerem as escadas com a cama do meu quarto. - DEVOLVAM A MINHA CAMA, AGORA!


 Continuavam me ignorando. Eu não estava aguentando segurar toda aquela raiva no meu peito. Todos eles estavam tirando tudo de mais importante para aquela casa.

Saí de casa com uma tonelada em cada membro enquanto eu caminhava furioso pela Unicidade. Meu coração batia na velocidade de uma metralhadora, minha respiração estava mais quente do que magma, meus punhos tão fechados e apertados como se eu estivesse tentando esmagar uma bola de tênis.

 Encontrei Alex e Úrsula na frente de sua casa, vendo os Redentores removerem seus móveis.

 - Onde ele está? - perguntei com fúria em minha voz.

 - Quem? - perguntou Úrsula.

 - ONDE ESTÁ O ÔMEGA?! - gritei, e eles se assustaram, olhando para mim com os olhos arregalados.

 - No arsenal. - respondeu Alex.


 Fui direto para o arsenal, e vi o grande caminhão parado na frente da casa de Vanessa, com ela e Emmanuela paradas na frente da casa, vendo os Redentores saírem com os rifles, metralhadoras, pistolas e munição. Ômega estava lá, vendo sua conquista encher o caminhão.


 - Continuem e depois peguem as facas e comida. - dizia Ômega para os Redentores em movimento.


 Fui até ele e o virei para mim, puxando pela jaqueta de couro dele.


 - O que você e seus lixos pensam que estão fazendo?! - gritei, os saltados e a testa tão vermelha que podia ver o verde das veias da testa com clareza. - Você disse que era um terço, Ômega! UM... TERÇO!!!


 Três Redentores me tiraram de perto do Ômega enquanto ele sorria e eu me debatia com os brutamontes armados e uniformizados de militares que me seguravam.


 - ME SOLTA! - gritei.


 Instintivamente, lembrei das aulas de artes marciais do Jefferson.

 Três oponentes, Fernando. Ele me dizia. Dois segurando seus braços e outro fazendo uma chave de braço. Como se livrará disto?

Firmei os pés no chão, tentei balançar os dois homens que seguravam meus braços, mas estavam tão fixos ao chão quanto um poste. Pisei no pé do Redentor atrás de mim, e quando ele levantou o pé quando me xingou, contraí os músculos dos braços presos e joguei o Redentor por cima de mim.


 - Merda! - exclamou o Redentor da minha direita.


 Ao se distrair com o colega caído, me livrei dele e dei um soco tão forte no nariz dele, que caiu no chão na mesma hora.

 O redentor da minha esquerda me puxou para ele com uma chave de braço e apontou uma 45 para minha têmpora.


 - É só dar a ordem, chefe! - exclamou o redentor, mas Ômega apenas sorria enquanto olhava para os dois caídos gemendo de dor. - Chefe!

 - Sabe de uma coisa, cara. - eu disse com voz de sufoco. - Você já era.


 Dei uma cabeçada no nariz do redentor e ele atirou. A bala pegou de raspão no osso do meu nariz e atingiu a janela do caminhão. Ômega ignorou o estrago, apenas me assistia balançar de tontura enquanto eu ouvia o familiar zumbido de tiro próximo ao ouvido.


 - Seu desgra... - antes do redentor terminar, havia dado um soco na maçã do rosto dele, mas ele não caiu.


 Dei uma rasteira nele, fazendo-o cair com facilidade no chão. Subi encima dele e dei vários socos seguidos no rosto dele.

 Os outros dois redentores se levantaram e logo sacaram suas armas.


 - Não atirem! - exclamou Ômega mais alegre e sorridente do que nunca, me vendo estraçalhar aquele redentor.


 Após incontáveis socos, minhas mãos adormeceram e estavam sangrando nas juntas dos dedos. O redentor havia desmaiado, e estava com o rosto tão ferido e com os olhos tão roxos quanto o do Tadeu, na noite em que Pedro morreu pelas mãos do homem que me assistia levantar ofegante enquanto olhava para minhas mãos ensanguentadas.

Ouvi palmas, até eu me virar e ver que foram do Ômega.


 - Você é incrível, Fernando! - ele exclamou. - É uma pena que não tenha sido um redentor. Tirem o Walter dali.


 Dois Redentores foram até o redentor desmaiado e o levaram para o caminhão.


 - Bem, Fernando... - disse Ômega vindo até mim. - Parece que não bastou o seu amigo valentão morrer para você entender que eu não sou mais um dos frouxos que você matou do meu exército na sua viagem até aqui.

 - E você não está cumprindo com sua palavra. - eu disse, sentindo o restinho da raiva que sobrou no meu corpo.

 - Okay, então. - disse Ômega sorrindo. - Vamos fazer do seu jeito, mas não sairá ileso depois disso. - ele aproximou seu rosto do meu e murmurou: - Vou foder tanto com a sua vida depois disso, que você preferirá ter morrido.


 Ômega havia aceitado seguir pelas minhas orientações nas horas que se foram. Pedi que devolvesse os móveis das casas ocupadas e pegasse os que estavam nas casas desocupadas, e os Redentores o fizeram. Vanessa havia consultado a agenda de contagem de comida e armas, e viu que os Redentores haviam pego um pouco mais da metade, então pedi que devolvessem a maioria das facas, a maioria das pistolas e metade dos rifles, e todos o fizeram. Pedi que pegassem a montanha de suprimentos da entrada, mais o 1/3 dos legumes, verduras e frutas da horta e o 1/3 dos remédios, assim eles o fizeram.

 Com o caminhão já abstecido, Gabriel, minha mãe e eu víamos os Redentores subirem no caminhão e montarem nas motos.


 - Foi bom negociar com você, Fernando. - disse Ômega na porta do Lamborghini vermelho e preto. - Você sabe como barganhar. Entretanto, eu disse que não sairia ileso depois desta.

 - O que vai fazer comigo? - perguntei sem me importar com o que fosse acontecer.

 - E quem disse que será com você? - Ômega sorriu.


 Um redentor puxou minha mãe pelos braços.


 - Me solta! - ela gritou. - Filho!

- Não, ela não! - exclamei enquanto outro redentor prendia as mãos da minha mãe com algemas. - Me leva, mas deixa ela!


 Ômega ria enquanto minha mãe gritava ao ser colocada dentro do Lamborghini vermelho e preto.


 - Esse é o único jeito. - disse o Ômega sorrindo.

 - O que fará com ela? - perguntei enquanto via minha mãe começar à chorar.

 - Ela será meu novo brinquedinho. - disse Ômega olhando para minha mãe, que estava com o rosto completamente vermelho enquanto chorava. - Talvez ela volte, talvez não...


 Ômega entrou no carro, e tomou a frente quando todos atravessaram o portão da área central.

 Comecei à chorar, pensando no que o Ômega faria com a minha mãe.


 - Fernando... - disse Gabriel.

 - Calado. - eu disse indo em direção ao carro preto.

 - Você vai atrás dele? - perguntou Gabriel enquanto eu vestia o meu casaco após pegar a colt python, a Glock 19, a faca e o arco composto de dentro do carro. - Você pode...

 - Tem razão. - eu disse fechando a porta do carro e fui em direção a moto que pegamos daquele redentor no observatório enquanto eu cruzava o arco no torso. - Eu vou de moto.


 Peguei a chave pendurada no guidão e o capacete completamente preto de cima dela, então montei na moto.


 - Você por acaso sabe dirigir essa coisa? - perguntou Gabriel.

 - Não, mas... - vesti o capacete. - é como andar de bicicleta, não é?

 - Não exatamente. - disse a voz de Elizabeth, vindo do meu walktalk.


 Levantei viseira enquanto pegava o walktalk do cinto e falei:


 - Me explica.

 - É bom ouvir a sua voz também, idiota.


 Eu sabia que Elizabeth tinha conhecimento de direção de motos, mas acabei nunca me interessando em querer saber. Até agora.


 - Você disse que não é exatamente, então me explica o básico para mim ir atrás daquele cretino.

 - As únicas coisas que diferenciam a bicicleta da moto, é que quando for fazer uma curva, não incline a moto demais sem saber se está de fato em total equilíbrio. E a outra é que quando desviar dos tiros, vê se não ziguizagueia inclinando a demais a moto.

 - Obrigado.


 Desliguei o walktalk, devolvendo-o de volta ao cinto enquanto eu fechava a viseira. Liguei a moto, e dei a partida pelo guidão da moto. Era a única que eu sabia fazer antes da Elizabeth me explicar algumas das coisas úteis para mim não quebrar uma perna.


 - Avise ao guarda do próximo quilômetro, para abrir portão me ver chegando. - eu disse ao Gabriel.


 Acelerei com a moto e atravessei o portão, indo em linha reta pela estrada principal da área do próximo quilômetro enquanto eu repassava as dicas da Elizabeth na minha cabeça barulhenta sentindo raiva, medo, e também o ronco agudo do motor.

 Pensei que poderia falar um pouco mais com Elizabeth, prometendo meu retorno, essas coisas. Entretanto, se tinha uma promessa que eu pude fazer naquele momento, foi olhar para trás e ver por dois segundos, a torre da igreja, com Elizabeth vendo eu me afastar rapidamente pelo binóculo. Voltei minha atenção à estrada e acelerei ainda mais até diminuir a velocidade quando passei pelo portão do próximo quilômetro e fiz minha primeira curva perfeita e acelerei novamente, seguindo rumo ao encontro dos Redentores.

 Eu sabia o quão tolo eu estava sendo, sabia que eu iria morrer enfrentando um exército sozinho, mas eu não demorei mais de nove meses para encontrar minha mãe e deixar ela ser levada por um sádico maníaco.



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