História Immutationes - Sangue Metamorfo - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Águia, Loba, Metamorfos, Raposa, Romance, Transformos
Exibições 5
Palavras 2.144
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fantasia
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Na capa, a mocinha é o desenho da Samantha Spielberg, já que não a descrevi muito no quesito físico ^^

Capítulo 1 - O começo do começo (não existe jeito melhor de explicar)


Fanfic / Fanfiction Immutationes - Sangue Metamorfo - Capítulo 1 - O começo do começo (não existe jeito melhor de explicar)

Bad, do David Guetta, tocava no som da caminhonete enquanto meu pai fazia a curva na entrada da fazenda, que era uma estrada de terra de uns quinhentos metros, mão única, ladeada de frondosas árvores e uma cerca de arame farpado de ambos os lados.
O ar ficou significativamente mais frio enquanto nos aproximávamos da casa. Acreditei que as árvores tivessem provocado esse efeito, já que nossa viagem de quase oitocentos quilômetros fora feita em um asfalto escaldante com um sol de trinta e seis graus batendo no para-brisas.
Minha mãe desceu da caminhonete depois do meu pai freá-la e foi abrir a porteira, que era feita de ferro e parecia pesada.

Enquanto entrávamos na propriedade, meu pai parou o carro em frente a nossa nova casa. Era uma estrutura de dois andares, verde e com uma pequena varanda. Ficamos apreciando a casa por alguns segundos antes de papai tomar a dianteira e abrir a porta.

- Bem-vindas à fazenda dos Spielberg - papai anunciou.

- O senhor não vai fazer um letreiro com isso, certo? - brinquei.

- Pense em algo melhor, então.

Revirei os olhos e entrei na casa. O primeiro cômodo era a sala, obviamente, e tinha apenas duas cadeiras de balanço feitas de madeira. Olhei mais além e vi uma bancada de mármore; supus que seria a cozinha.

- Quando é que o caminhão vai chegar mesmo? - perguntei aos meus pais, que já estavam subindo as escadas.

- Creio que no fim da tarde - mamãe disse.

Fui até a cozinha e abri a porta dos fundos, que já tinha a chave na fechadura. Do lado de trás, uma pequena área de trabalho e um jardim cheio de plantas mortas e ervas daninhas tapavam a visão dos outros duzentos metros dos fundos da fazenda.
Voltei para dentro e subi as escadas. Havia três quartos e um banheiro, sendo que dois deles eram suítes.

- Já escolheram o de vocês? - perguntei assim que entrei em um dos quartos onde meus pais estavam.

- Esse aqui mesmo - disse meu pai.

- Então eu vou ficar com a outra suíte - falei me encaminhando até o outro quarto. A porta estava trancada. - Pai! A chave!

- Pegue! - Ele gritou do outro quarto. Fui até lá e estendi a mão. Ele tirou uma chave do seu grande chaveiro e me deu.

- Ela tem uma cópia? - perguntei.

- Sim, e vai ficar conosco - minha mãe se pronunciou.

Ergui as sobrancelhas e saí do quarto sem falar nada.

quarto.
Meu nariz já coçava e meus olhos começaram a arder. Era a rinite alérgica reagindo à poeira. Minha sorte foi que o vento bateu imediatamente na janela e eu respirei um pouco de ar, torcendo para que a rinite não atacasse.
Abri a outra janela do quarto e saí, indo para a varanda. Meu estômago roncou e fui logo pegar os lanches que compramos durante a viagem.

***

Eram seis da tarde. Eu observava os homens descarregando o caminhão de mudanças enquanto meus pais coordenavam tudo. Meus olhos estavam pesados, e ainda não haviam tirado minhas coisas do caminhão, o que significava que eu ainda não tinha um lugar confortável para dormir.
Continuei me balançando na cadeira de balanço, que eu tinha movido para fora, abaixo da sombra de uma mangueira.

***

- Amanhã, eu e sua mãe vamos na cidade para te matricular na escola e fazer compras. - comentou papai.

Concordei com a boca cheia de pizza, preocupada demais em terminar aquela fatia deliciosa para prestar atenção em qualquer outra coisa.

- Eu achei que essa fazenda foi uma ótima escolha. - Ele se para a minha mãe. - A cidade fica a cinco quilômetros e a escola também, então dá de eu te deixar lá com facilidade.

- A gente precisa comprar sementes para a horta - mamãe lembrou.

Eles começaram a conversar sobre a cidade e o que mais vão fazer para melhorar a fazenda.

Terminei de comer e dei boa noite a eles, subindo para o meu quarto.

O cômodo estava cheio de caixas e a minha cama, desmontada num canto afastado. Peguei o colchão encostado na parede e o movi para debaixo da janela. Abri uma caixa que eu mesma empacotei e escrevi como "lençóis e essas coisas" e tirei uma colcha de dentro dela. Arrumei o colchão e me deitei, o corpo dolorido pela limpeza que minha mãe e eu fizemos na casa. Olhei para o céu através do vidro da janela, as estrelas brilhando loucamente. Eram mais nítidas aqui do que em qualquer lugar que já estive.
Gostava das estrelas. Independente de onde estivesse, do que fiz ou deixei para trás, elas sempre estariam ali. Gostava do fato de termos vindo morar em Farley, onde ninguém nos conhecia. Onde ninguém me conhecia.
Era uma oportunidade para recomeçar, para fazer as escolhas certas dessa vez.

PARTE DOIS


Meu estômago se contraía de nervosismo, ameaçando colocar meu café da manhã para fora. A caminhonete do meu pai se aproximava da escola e eu podia ver a movimentação de alunos em frente ao prédio.
Quando a caminhonete parou, respirei fundo várias vezes e abri um sorriso confiante para o meu pai.

- Vai dar tudo certo - falei. Era, ao mesmo tempo, uma afirmação e uma prece.

- Claro que vai, garota - ele disse, afagando meu ombro.

Saí da caminhonete e andei em direção ao colégio de Farley; minha nova escola.
Agarrei firmemente as alças da mochila e caminhei até o prédio. Alguns alunos me dedicaram uma breve olhadela curiosa, já outros me encararam descaradamente. Andar parecia exigir toda a minha coordenação motora, e mesmo estando totalmente focada nos meus pés, ainda sentia que andava como um pato desmantelado.
Passei por alguns armários até achar a sala que eu procurava. Bati duas vezes na porta e entrei.
Uma senhora encarquilhada ergueu os olhos para mim.

- O que foi? - ela perguntou em tom hostil.

Olhei para os seus óculos redondos minúsculos e para sua testa franzida. Engoli em seco e respondi:

- Sou Samantha Spielberg, a nova aluna.

- Ah, sim. - Ela levantou seu corpo magro e foi em direção a um armário que ficava num canto da sala pequena.

A sala era bege com uma faixa vermelha escura, como o resto da escola. Tinha um armário, uma mesinha conservada e uma pilha de livros no chão. Atrás da sua mesa, notei, havia outra porta que dava para a sala do diretor, segundo a plaquinha acima da batente.

A porta se abriu e um rapaz saiu de lá. Ele era alto e usava uma camisa branca imaculada com uma jaqueta jeans por cima dos seus ombros largos. Seus cabelos eram completamente negros e seus olhos estavam escondidos atrás de um óculos escuro.

Tinha pinta de garoto mau e cheirava a encrenca.
Dei um passo para o lado quando ele passou por mim ao sair da sala.

- Aqui está. - A senhora me passou uma folha e um cartão. - Isso aqui são seus horários com as respectivas salas que você deve ir. E fácil encontrar a sala. Estão todas enumeradas com plaquinhas nas portas. Esse cartão você entrega aos professores para eles anotarem seu nome na lista de frequência. - Ela explicava tudo com um tom entediado. - O sinal vai tocar daqui a alguns minutos, então acho melhor você encontrar logo sua sala para não chegar atrasada.

Saí da sala resmungando um "obrigado".
Olhei o papel impresso e vi que tinha aula de Cálculo I com o professor Harris, na sala quatro. Andei por alguns segundos e encontrei a sala sete. Continuei minha caminhada e passei por um grupo de alunos que conversava animadamente ao lado do bebedouro. Eles pararam de falar por alguns segundos enquanto me viam passar e senti aquela sensação de estar andando errado novamente. Os alunos voltaram a falar, mais baixo dessa vez, enquanto eu me afastava.

Cheguei à sala quatro e vi que a porta já estava aberta. Três alunos já se encontravam lá dentro, livros em mãos, apenas aguardando o sinal tocar. Eles ergueram os olhos brevemente para mim e voltaram para seus livros. Suspirei. Eu teria que me acostumar a isso, afinal, eu era carne nova na cidade.
Escolhi uma das cadeiras do fundo, tanto para não ser muito notada quanto para perceber se alguém me encarasse demais.

O sinal tocou.
Alguns minutos se passaram e a sala estava um caos barulhento. O professor entrou e se sentou em sua mesa, mas poucos notaram sua presença.
Enquanto alguns estavam distraídos, fui até a mesa do professor e lhe passei o cartão. Ele anotou meu nome rapidamente em uma folha de papel e se levantou.

- Turma, silêncio, por favor. - ele pediu com sua voz grave. Sua aparência não delatava mais que trinta anos. A sala ficou em silêncio. - Temos uma nova aluna em nossa classe de Cálculo I. Se apresente, por favor.

- Olá. Eu sou Samantha Spielberg, tenho quinze anos e acabei de me mudar para Farley - falei com a voz mais firme possível.

- Bem-vinda, Samantha. - Todos disseram em coro. Assustador! Alguns rapazes soltaram uma risada com minha expressão de espanto.

Voltei para a minha cadeira sentindo o olhar de todos me acompanhando. Agradeci internamente por não ter gaguejado.

O restante da aula transcorreu tranquilamente enquanto o professor revisava os últimos assuntos. Pouca atenção era dirigida a mim depois disso, o que era mais um motivo para agradecer. Anotei tudo o que tinha que estudar e esperei o sinal tocar.

***

Estávamos no segundo período de aula. Era uma classe de português, e a professora Brescia ainda não chegara. Rabisquei a parte superior da folha do meu caderno, entediada.
Ergui os olhos e vi uma garota vindo em minha direção. Ela era baixinha, morena e tinha muitas curvas. Parecia alguém legal, mas fiquei um pouco tensa, não o suficiente para que alguém notasse. Estava nervosa porque qualquer coisa que eu fizesse hoje iria definir como seria a minha vida nessa cidade. Estava tentando ser gentil com todos que vêm falar comigo, tentando não criar inimizades com ninguém.

A Sam do passado teria adorado dar umas respostas ácidas para aquele garoto atrevido mais cedo, mas a Sam atual não queria isso. Eu não queria ser aquela garota que a metade da escola odiava, aquela que envergonhava os pais e estava sempre em farras.

- Oi. Você é a Samantha, certo? - A voz da garota interrompeu meus pensamentos. Encarei-a por dois segundos e abri um sorriso.

- Sou eu mesma - disse com animação.

- Eu sou Alexia Trumpys, prazer. - Ela estendeu a mão para mim. Era um cumprimento formal e eu o retribuí.

- Prazer em conhecê-la.

- Então, sei como é difícil mudar para uma cidade nova, com pessoas novas e tudo mais. Eu me mudei para Farley no começo do ano. Minha amiga e eu. - Ela apontou para uma garota sentada em uma das cadeiras da frente. Era uma menina pálida com cabelo escuro. A garota sorriu e acenou. - Gostaríamos de saber se você não quer sentar com a gente no intervalo? Nós não queremos que você fique sozinha. Isto é, se alguém já não tiver te chamado.

- Não, não - sorri com simpatia. - Foi muito legal da sua parte vir aqui. Claro que vou querer sentar com vocês duas.

- Ótimo, então a gente te espera quando o sinal tocar - disse ela, e, logo em seguida, a professora de português entrou na sala.

Alexia foi se sentar ao lado da sua amiga e lançou um sorriso amigável para mim. Suspirei. Foi realmente muito gentil da parte dela. Seria desconfortável me sentar sozinha.

Enquanto a professora explicava sobre o assunto da aula, fui até sua mesa e repeti o que fiz no primeiro período.

-... acabei de me mudar para Farley. - terminei de falar e sorri para a professora. A turma repetiu o "prazer em conhecê-la, Samantha" como se estivéssemos no pré-escolar, mas não me assustei dessa vez.

- O que te fez mudar para Farley, que é tão pequena e quase desconhecida? Imagino que você tenha vindo de um lugar bem movimentado - a professora Brescia perguntou. Parecia genuinamente curiosa.

- Meu pai comprou uma fazenda aqui perto. Ele era contador e decidiu que estava cansado da cidade. Então nos mudamos para cá - falei, rezando para que ela não fizesse mais perguntas.

- Ah, que interessante. Pode se sentar Samantha. - Ela me deu um sorriso gentil. Fui até minha cadeira e esperei pelo restante da aula.

Revisamos alguns termos gramaticais importantes para uma redação, algo que aprendi no primeiro semestre da antiga escola. Ainda sentia alguns alunos me encarando e cochichando coisas que eu não conseguia ouvir, mas tentei me concentrar apenas na aula.


Notas Finais


Capítulo revisado por Luiz F. Teodosio.


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