História Immutationes - Sangue Metamorfo - Capítulo 5


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Categorias Originais
Tags Águia, Loba, Metamorfos, Raposa, Romance, Transformos
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Palavras 1.843
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fantasia
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Cuidado se você tiver claustrofobia! Esse capítulo narra uma crise.

Capítulo 5 - Crises


- E ele apenas ficou lá, como se não fosse um grande babaca com todo mundo. – Kylie comentava enquanto bebia mais um gole da sua vitamina de frutas. – E olha que eu queria ter falado umas poucas e boas, mas a minha boa educação não permitiu.

- Eu teria falado e que se danasse a boa educação. – Hanna comentou enquanto vasculhava o refeitório com os olhos. Ela e o irmão procuravam Cam no refeitório, mas não havia nem sinal dele.

Grande parte do assunto da mesa fora focado na atitude de Cam hoje, o que eu achei um absurdo. Eles estavam dando importância demais para uma coisa tão pífia, mas fiquei calada. Eu estava beliscando meu lanche – um salgado estranho que Alexia comprou – enquanto observava todo mundo. Mariana trocava teorias com Kylie e Hanna sobre o que pode ter levado Cam a se sentar conosco no primeiro período e Alexia cantarolava alguma coisa enquanto virava as folhas do caderno, pouco atenta à conversa ao redor.
Eu também estava distraída, pensando em coisas aleatórias e sem sentido, sem muita vontade de participar da conversa, que por sinal, diminuiu um pouco o fluxo. Mal notei quando Hanna deslizou pelo banco até se aproximar mais de mim, me cutucando entre as costelas para chamar minha atenção, que estava focada em lugar nenhum.

- O que você acha daquele garoto, Sam? – Hanna perguntou. Olhei na mesma direção que ela e vi um rapaz vasculhando o refeitório com os olhos, como alguns de nós da mesa poucos segundos atrás. Tinha aberto a boca para dizer que nem mesmo conhecia o sujeito quando ele se virou para a nossa mesa.

Era Mikael. O tempo desacelerou um pouco, o suficiente para que eu pudesse fazer uma resolução de tudo o que tinha acontecido até aquele momento.

É como uma peça ensaiada onde todos sabem as suas falas e o presente é nosso palco. Todos os personagens estão prontos, preparados em seus atos e até eu faço parte do elenco. É uma história clichê.

- Oi, Samantha? – Mikael sorriu para mim, bem próximo da mesa.

- Sim? – Sorrio de volta. Foi  inevitável.

- Avise ao seu pai para ir à fazenda dar uma olhada nas peças que eu arranjei, O.K.? – Ele perguntou.

- Claro. – Disse, ainda sorrindo.

- Obrigado. Acho que te vejo amanhã, certo?

- Claro. – Repeti. Não havia nada mais a ser dito.

Ele acenou com a cabeça e se virou, dando alguns passos para se afastar e ir até outra mesa, com seus amigos. Nesse momento – nesse exato momento –, Cam Slander aparece, como se tudo estivesse programado para acontecer. Eles se encontram e se encaram. Não consigo olhar o rosto de Mikael, mas o olhar cheio de ódio de Cam deve equivaler ao dele. Era uma curta batalha visual, era uma rixa que ninguém mais entendia. Era como o bem contra o mal, o mocinho contra o vilão.

Tudo isso, a troca de olhares, não durou mais que três segundos, mas parecia vir de uma eternidade atrás. Era profundo, o sentimento entre eles, talvez até mais do que eu imaginava, se é que eu tinha esse direito.
Os dois bufaram simultaneamente, se virando em sincronia. Eram tão iguais, esse dois. Ninguém percebia.

Era como uma peça. Era o mocinho contra o vilão. Era uma história clichê.

***

Os minutos do último período se arrastavam tortuosamente enquanto a professora Grace, de sociologia, corrigia alguns trabalhos que passara aos alunos. Não havia ninguém que eu conhecia na turma e ninguém parecia interessado em me conhecer, tão pouco. Rabisquei toda a parte superior do meu caderno, entediada.

Olhei novamente para o relógio acima da lousa. Faltavam cinco minutos. Guardei o caderno na minha mochila e permaneci com a caneta nas mãos, só para ter algo com o que mexer. Batuquei com os dedos na mesa, esperando o sinal tocar.

Pensei na melodia de uma música, algo bem natural, quando a voz dela me veio à mente, cantando a mesma música. Assustei-me. Com a voz, me veio outra lembrança, algo bem mais doloroso.

Nós duas, conversando pelo telefone.

Era uma discussão.
Ela chorava. Eu gritava. Alguns minutos haviam se passado, depois e um longo silêncio, quando ela fez o pedido. Neguei-lhe.

Estava olhando para o teto do quarto quando ela desligou. Não retornou mais minhas ligações. Não pude sair de casa aquela noite.

O sinal tocou.

Pulei da cadeira como se tivesse levado um choque. Não compreendi, a começo, o motivo de estar tão apressada. Minhas mãos tremiam enquanto eu acelerava pelos corredores, esbarrando em alguém aqui e ali. Quando vi a porta de saída – tão próxima! – meu coração acelerou. Vários alunos literalmente se acotovelavam para sair enquanto eu me aproximava.

Minha boca estava seca e meu peito, oprimido. Desviei no ultimo corredor, não muito confiante para enfrentar a multidão de alunos na porta. Estava pensando em esperar o fluxo diminuir, mas aquela necessidade de sair havia batido ainda mais forte. Encostei o corpo na parede enquanto alguns alunos ainda passavam, distraídos. Ali não havia mais ninguém nas salas, mas o corredor parecia apertado.

Escorreguei até o chão, escondendo a cabeça entre os braços. As lembranças dela pareciam preencher o ambiente ao redor e eu quase hiperventilava.

- Sam? – Alguém me chamou. – Samantha? Você está bem?

- Acho que ela não está bem. – Outra voz disse.

Não reconheci nenhuma das duas. Parecia que falavam através de uma parede, suas vozes abafadas.

- Será que está passando mal?

- Acho que não.

- Acho que ela está tendo um ataque de pânico.

- Meu deus! O que a gente faz?

- Sam? Sam?

Não consegui reunir forças suficientes para falar alguma coisa.

- Tem alguma coisa errada. Não é melhor chamar alguém?

- Aposto que tem algum assistente aqui ainda.

- Ela está em pânico. Chamar alguém desconhecido só deve piorar. Eu não ia querer isso se estivesse no lugar dela.

- É, mas a gente não pode ajudar em muita coisa. Não sabemos nem o que está acontecendo. Algum adulto pode saber.

- Ou talvez não saibam. Talvez a gente só precise tirar ela daqui. O que você sabe sobre ataques de pânico?

- Quase nada. Não é a minha área.

- Se o que eu aprendi nos filmes serviu de alguma coisa, a gente devia levar ela lá para fora. Espaços fechados não ajudam quem está em pânico ou choque.

- A gente não pode levar ela para fora. Tem um monte de gente lá. E eles são desconhecidos.

- Tem o campinho ao redor do refeitório.

- Então só precisamos pensar em um jeito de tirar ela daqui.

- Aposto que não vai adiantar pedir para ela nos acompanhar.

- Vamos tentar levantar ela. Você pega um lado e eu, o outro.

Há essa hora, eu hiperventilava e sentia que desmaiaria a qualquer instante. Eu estava me afogando, me afogando, me afogando, me afogando. Algum peso me puxava para baixo, cada vez mais fundo e a água já cobria meu rosto. Eu não conseguia respirar. A pressão só piorava e meu peito parecia prestes a explodir.

- Mas gente, o que está acontecendo? – Outra voz se intrometeu na conversa.

- Você é forte. Ajuda a gente a levar a Sam para fora, ela está passando mal.

- Porque não pediram ajuda a um adulto?

- É um ataque de pânico!

- E o que isso tem a ver? Ela precisa de ajuda!

- Então ajude ela de uma vez!

As vozes estavam exaltadas, mas eu quase não ouvia. Eu afundava, cada vez mais. Nem mesmo tentava resistir, só deixava a força me puxar para baixo. Eu merecia isso. Eu merecia isso.
Senti alguém me pegar no colo, tentando me tirar de dentro da água.

- Sam? Sam, está tudo bem. Se acalme. Respira.

Queria dizer que eu não conseguia, queria dizer para me deixar afogar. Eu merecia. Mas continuavam me puxando, me puxando para fora d´água, mesmo que outra mão agarrasse meu pé, querendo me ver afundar. Eu merecia.

Foi nesse momento, quando eu sentia que meu corpo se partiria ao meio, que a brisa fria do fim da tarde tocou meu rosto suado. Colocaram-me no chão.

Meus olhos estavam fechados enquanto minhas mãos apertavam os dois lados da minha cabeça, meu corpo oscilando na grama. Estava frio, mas eu estava fora d´água. Eu respirei, respirei, respirei e respirei.

- Sam? Olha pra gente, querida.

- Já passou. – Senti a voz de Alexia perto de mim. Acho que ela afagava meu cabelo. – Pode abrir os olhos agora. Está tudo bem.
Respirei fundo.

Hanna, Kylie e Alexia me olhavam com preocupação.

- Tá se sentindo melhor? – Kylie perguntou. Ele estava bem próximo de mim, a mão depositada em minha coxa.

- Estou. – Disse, meio trêmula. – E um pouco constrangida também.

Hanna riu sob a respiração.

- Relaxa. Só a gente viu isso.

- Foi um ataque de pânico? – Alexia perguntou.

- Não sei. – Eu disse. – Eu só precisava sair dali de dentro. Eu só precisava sair.

- Talvez seja claustrofobia. – Kylie disse. – Vi sobre isso uma vez, na internet.

- Já aconteceu antes? – Hanna se aproximou e se sentou de frente para mim. Ela dava palmadinhas em minha perna.

- Só uma vez.

- Foi parecido com o que aconteceu hoje?

- Foi pior.

- É difícil imaginar alguma coisa pior do que o que você estava passando ali. – Alexia sorri. – Eu estava quase tendo um treco.

- Eu também. – Hanna comentou com leveza. – Eu tinha quase certeza que Kylie ia te derrubar.

- Jamais. – Ele flexiona os músculos, brincando. – Espero que tenha aproveitado o passeio.

Sorri. Sem pensar, apoiei a cabeça no ombro de Kylie enquanto meus amigos me consolavam. Era relaxante, estar ali com eles.

- Mas você está bem mesmo? – Alexia perguntou, meio preocupada.

- Estou, estou. – Disse, me levantando. – Só um pouco tremula, mas vai passar, eu acho.

- Você tem certeza? A gente pode ficar aqui mais um pouco, com você. – Kylie disse, se levantando também.

- Sei pai vem te buscar? – Hanna perguntou.

- Sim. Acho até que ele já deve estar me esperando.

- Então vamos. – Alexia nos chamou.

Atravessamos os corredores vazios da escola até a porta, que também estava vazia. Fizemos o percurso em silêncio, com eles me acompanhando de perto, como se eu fosse cair a qualquer momento.

Havia apenas dois carros na frente do prédio. Um impala amarelo e uma caminhonete prata.

- Acho que vejo vocês amanhã. – Sorri.

- Claro. – As meninas disseram e foram para o carro.

- Te vejo amanhã. – Kylie disse, sorrindo. – Se cuida.

Fui até a caminhonete do meu pai, entrando no veiculo.

- Os amigos novos? – Ele perguntou, sorrindo.

- Sim. – Sorri de volta, brevemente.

Dirigimos de volta para a Fazenda.
Ninguém mais soube do ocorrido


Notas Finais


Atualizações, talvez, nessa sexta ^^


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