História In Our Bones - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Assassinato, Drama, Dreamcast, Drogas, Mistério, Morte, Violencia
Visualizações 6
Palavras 2.079
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Seinen, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Como foi avisado na sinopse, tô postando em dois sites essa fic aqui. Eu percebi que ela não tava sendo muito bem recebida no outro, então pensei em postar aqui (até pela mecânica de "fics atualizadas recentemente" que pode ajudar a espalhar mais pra quem gosta de fics assim).
Kkkk. É isso, né. Espero que gostem da fic :3

Capítulo 1 - Prólogo - The beast is ugly.


Fanfic / Fanfiction In Our Bones - Capítulo 1 - Prólogo - The beast is ugly.

"So, stay away from me.

The beast is ugly.

I feel the rage and I just can't hold it."
 

- Skillet, Monster.


 

Talvez às vezes você desejasse que as coisas mudassem pra você. Mas pra mim, aquele momento estava perfeito.

Mesmo com o suór do meu corpo sedentário subindo até o sexto andar, mesmo com o elevador quebrado, segundo o porteiro do prédio, mesmo com o cansaço depois de já ter andado por um quarto da pequena / média cidade. Eu não me importava com aquilo.

Eu me importava apenas com a garota que estava no sétimo andar, com seus cachos que se colocavam ao redor de seu rosto e seu sorriso celestial que parecia abrir meu peito assim que se abria. Me importava apenas com o fato de o porteiro não ter telefonado para ela, pois era apenas uma surpresa. Um buquê de flores na mão.

Eu agradeci a algum Deus que rosas não suavam e cheguei à porta de madeira escura, com o batente branco. O olho mágico me fitou como num desafio constante.

"Você vai mesmo apertar a campainha?", ele dizia.

Talvez eu estivesse ficando louco, falando com uma bola de vidro. Talvez eu tivesse apaixonado. Não sei mais a diferença.

Eu deixei hesitante minha mão sobre a maçaneta. Ouvi pequenos barulhos através da porta, mas ela era grossa demais. Devia ser a tevê.

Abri a porta, que por sorte não estava trancada. Entrei na sala de estar, uma mesa de centro de vidro junto com um daqueles pratos prateados que continham frutas de plástico, as quais eu pensava que eram reais aos meus seis anos - e ganhei uma infecção por causa disso. O tapete listrado sob a mesa, o sofá bege e confortável, a tevê grande sobre a estante. Eu conhecia aquela casa mais que muita gente.

E eu conhecia também os gemidos que vinham do quarto de Jane. Tanto quanto eu não conhecia as roupas masculinas jogadas no sofá.

Eu precisei dar apenas uma pequena espiada pela porta entreaberta do quarto pra tudo se quebrar dentro de mim. Eu vi ela ali, a garota do sorriso celestial.

Como eu disse, tudo quebrou. E eu lembrei das vezes em que tudo tinha quebrado antes. Eu lembrei dos gritos aos oito anos, dos meus gritos aos dez, e do pulo aos doze.

Minha vida parecia seguir numa progressão aritmética de razão dois, na qual à cada dois anos eu ia ver as pessoas ferrando comigo. Por que agora, aos catorze, eu ouvia gemidos ao invés de gritos, e não havia ninguém pulando de lugar algum.

Yeah, a porra do destino estava ficando mais criativo com o passar do tempo.

Acho que foi ali que eu decidi. Eu olhei para o maço de cigarro no meu bolso, que eu trazia para aquela garota que ficava linda soltando uma nuvem de fumaça pela varanda de seu prédio, enquanto olhava a vista ao meu lado. Peguei o isqueiro novo em meu bolso e acendi a droga que se equilibrava perfeitamente entre meus dedos, como um trapezista em harmonia ali.

Assim como eu, em uma harmonia com o destino. Se as pessoas resolviam me ferrar, eu ia acabar com tudo dessa vez. Eu ia reagir, nem que estivesse caindo.
 

Eu entro no quarto tossindo de leve.

- Woah. Faz um tempo desde que eu não trago um desses. - Sorrio de leve. - Mas eu não perdi a manha.

Eu ouço um "O QUÊ?!" bem alto e acho engraçado os dois corpos suados e desnudos tentando se cobrir com o único lençol branco. Acho mais engraçado ainda o rosto, a expressão de surpresa de cada um. E mais engraçado quando um deles me reconhece.

- Sam? - Jane questiona.

Eu sorrio abertamente.

- Yeah. - Eu doto minha língua com o doce gosto do sarcasmo - Você é boa de memória.

Ela finalmente olha em volta.

- O que você...?

- Ah, espere, espere! - Eu corto sua fala - Deixe-me advinhar. "O que você veio fazer aqui?" ou "O que você está fazendo com esse celular?".

Indico com a cabeça o aparelho branco em minha mão.

- Resposta para a primeira pergunta: Estou fazendo uma surpresa, amor. - Continuo. - E para a segunda: Estou olhando uma foto que ficaria linda como um pôster no meio do colégio, não é?

Eu viro magnificamente o celular em minha mão, vendo a surpresa se transformar em medo no seu rosto. Guardo o celular e pego o cigarro com a mesma mão, tirando-o da boca.

- Sam, não é o que você ta pensando...

Eu solto uma gargalhada. Você diria que eu sou louco. Acho que o sorriso celestial também diria, por que Jane pareceu assustada.

- Você não disse que odiava clichês, amor? Que odiava todos os padrões.

Dou uma tragada no cigarro, que estava quase acabando. Woah. Eu fumava mais rápido que lembrava.

- Aqui vai uma quebra de padrão: Eu poderia pôr fogo nisso. - Aponto o buquê. - E depois jogar nesse lençol branco. Mas onde está a quebra?

Jogo o buquê na cama, entre os dois.

- Eu sou a quebra. Eu estou cansado de todo mundo foder minha vida, então, espero que goste mesmo de rosas. Espero que isso não seja uma mentira também.

Eu desço sete andares correndo, ignorando a ardência em minhas pernas e o capuz do casaco preto sobre a cabeça. Murmurei um obrigado para o porteiro e percebi que eu devia ter me sentido incomodado quando vi seu rosto triste ao me deixar subir. Eu estava um pouco ocupado sendo um idiota.

- Sam! - Ouvi atrás de mim e me virei. - Espera, por favor!

Eu observo-a com uma sobrancelha erguida sob o capuz. Ela vestiu um short jeans curto e uma camisa cinza com uma estampa do Mickey que eu achava fofa. Hipocrisia ou não, agora parecia ridícula.

- Nossa. - Observo ela ofegante. - Você veste uma roupa tão rápido quanto a tira.

Ela para abruptamente e posso ver em seus olhos que a machuquei. Sinto mais do que ordeno meu músculo no canto da boca se mexendo pra cima.

Machucada, tão machucada. Aquele doce olhar em seus olhos de quem tinha ferrado tudo e sabia que a culpa era sua. Eu senti um prazer enorme ao ver aquele olhar, ao machucá-la como ela me machucou, e quis mais, muito mais.

Mas Jane Gilbert não valia a pena.

- Sam. - Ela sussurrou quando se recuperou o bastante. - Me deixa conversar com você.

Meu sorriso se abre ainda mais, mas não deixo que ela veja.

- Sam, dá mais uma chance para mim. - Ela continua. - Para nós.

Nós?, me perguntei.

- Jane. - Seu nome sai ácido na minha boca.

- Sim?

Eu solto um leve riso, tão leve quanto eu me sentia, pela primeira vez na vida.

- Foda-se.

Eu levanto o dedo do meio para ela, que fica parada com uma cara de retardada de frente para o prédio. Meu sorriso se abre mais quando vejo o porteiro rir escondido por trás do balcão, e nem preciso olhar para trás para ver que Jane Gilbert me encara como uma retardada enquanto eu viro a esquina e desapareço da vida dela.

E sinceramente, foi a coisa mais libertadora que já fiz na minha vida.
 

Eu me jogo na cama com um sorriso no rosto, ouvindo algum álbum aleatório de Linkin Park nos fones de ouvido e jogando o resto do terceiro cigarro fora - eu tinha acabado o segundo no caminho para o metrô, e o terceiro no caminho para casa.

Eu ia ter que comprar um cinzeiro depois, para colocar no lugar daquele porta-retrato que eu tinha acabado de jogar na parede. Mas pensando bem, eu não ia ter que mudar muita coisa no quarto. Só os pôsteres de games e alguns de bandas me pareceram menos atrativos naquela hora, e as figure-actions, talvez eu pudesse guardar na gaveta, de qualquer forma.

Eu senti, senti que algo havia mudado em mim, enquanto via a parede nua e branca de madeira do meu quarto, enquanto olhava para todo aquele oceano de branco e para a parede inclinada com uma janela para o teto da casa - embora não houvesse necessidade nenhuma de uma janela grande o bastante para que eu pudesse pular por ela.

Um pequeno pensamento ocorreu em minha mente, e de certa forma, eu tinha planos para essa janela.

Olhei o notebook. Havia umas três mensagens de Missy, e uma de Clark também. Ignorei. Eu fechei a janela do chat mesmo tendo visualizado as mensagens de Missy. Ela ficaria brava comigo. Eu não me importei.

Durante toda a noite, eu enrolei na internet. Pulei o jantar quando meu pai veio me perguntar se eu estava com fome - o que foi mais de uma vez, por que ele se preocupou comigo. Me perguntei se o cheiro do cigarro tinha ficado no moletom, mas logo lembrei que eu tinha jogado ele na cadeira giratória ao lado da escrivaninha, ficando apenas com a T-Shirt azul e o colar de pedra-negra.

Eu viajei pela internet inconscientemente, e sinceramente, acho que foi ali que eu percebi que eu tinha mudado demais naquela tarde. Eu procurei um filme de terror, mas todos pareceram horríveis. Procurei imagens bizarras, e por Deus que eu nem sei se existe, achei coisas que eu não iria querer ver antes.

E não me importei.

Em um dos sites, havia um chat aberto. Nem sequer vi o chat abrindo até ver a palavra cocaína no meio da tela do meu PC.

Cheguei na conversa sem nem sequer dizer um "oi". Fiz uma conta no site antes e coloquei o único nome bom em que consegui pensar na hora.
 

BONES_00: Me satisfaço com bebida e qualquer coisa que me dê câncer de pulmão.

STARK77: Yeah, irmão. Eu entendo isso. Eu fumo desde os treze, quando minha mãe morreu.

[email protected]: Você começou quando ela morreu?

STARK77: Uhum. Mamãe sentiria vergonha de mim. 

[email protected]:Tenho certeza que hoje em dia você mandaria ela ir se foder, seu puto.

STARK77: Sempre que puxo uma cannabis, otário.
 

Stark riu. Jeff logo depois.

Aquilo tava entediante.
 

BONES_00: Mano, que porra de dia que eu tive.

[email protected]: Você ta vivo, otário. Queria menos?

BONES_00: Você queria mais?
 

Ele fica calado.
 

PAIN: Opa. Parece que alguém fez você engolir as merdas que fala, maconhado.

STARK77: Cala a boca e para de dar moral pro novato, puta.

EYELESS;49: Não que você tenha mais poder que ela aqui, retardado. Ela é a dona da porra toda.
 

Demoro um pouco pra responder, até que sai apenas um "Tanto faz". Eles continuam a conversa sem mim. Leio alguns artigos sobre rituais superficialmente. Não me interessou muito. Cinco minutos depois tem uma mensagem no meu chat privado.
 

PAIN: Longo dia?
 

Ergo uma sobrancelha. Sei que é uma garota pelo que o Eyeless falou, mas fico um pouco sem reação. Largo o arquivo de lado e respondo.
 

BONES_00: Mais que os outros.
 

Ela responde no mesmo minuto. Eu ganhei uma admiradora sem foto de perfil?
 

PAIN: Estar puto o suficiente pra fazer o Jeff ficar quieto é uma coisa bem insana. Aconteceu algo muito ruim?

BONES_00: Ruim o bastante.

PAIN: Sei a sensação.
 

Ela reaparece uns cinco minutos depois.
 

PAIN: Pareço uma idiota puxando assunto.

BONES_00: Talvez um pouco.

PAIN: Pelo menos você é sincero.

BONES_00: Comecei a ser hoje. Ontem à noite eu dormi 3 horas da manhã jogando, não lendo sobre sacrifício de galinhas.
 

Pain ri.
 

PAIN: Foi tipo uma mudança radical, então?

BONES_00: Algo assim.

PAIN: Pais divorciados? Críticas?

BONES_00: Ta mais para "acúmulo de coisas desde os oito anos".

PAIN: Talvez não seja tão radical assim.
 

Concordo. Eu passo a noite inteira conversando com ela, e de certa forma, me familiarizo com ela. Ela parece divertida, talvez uma boa pessoa, ao contrário dos outros drogados no site. Talvez isso faça dela mais perigosa do que eles.

Eu dou de ombros. Sei me cuidar. Não entrei na parte profunda o suficiente da internet, e sei tentar me manter oculto à essa garota.

Yeah. Prometo pra mim mesmo. Eu vou me cuidar. Vou ficar bem.
 

Naquela época, eu podia cumprir essa promessa. Mas hoje, você está vendo isso, e não tenha certeza só por causa disso que eu estou vivo. Sei que isso parece vago.

Mas os ponteiros estão girando, e talvez os segredos estejam todos perdidos no fundo de nós mesmos, talhados nos nossos ossos.


Notas Finais


Outra coisa que vai ter mais no Wattpad: Itálico. Kkkkk. Desculpem, eu tenho preguiça de fazer isso.
Todo cap uma foto nova do Dream Cast (O Sam é mó lindão, eu sei).
Byes.


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