História Incógnita 3-3 - Capítulo 12


Escrita por: ~ e ~Halfwitch

Postado
Categorias Amor Doce, Another
Personagens Agatha, Alexy, Ambre, Armin, Bia, Castiel, Charlotte, Dajan, Dakota, Debrah, Iris, Kentin, Kim, Letícia, Li, Lysandre, Melody, Nathaniel, Nina, Peggy, Personagens Originais, Professor Faraize, Rosalya, Senhora Shermansky, Violette
Tags Amor Doce, Another, Crossover, Gore, Melancolia, Morte, Suspense, Terror
Exibições 51
Palavras 1.876
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey guys!

Desculpem-me por não ter postado esse capítulo ontem! Tive que estudar para uma prova que tive hoje (Sim, na minha escola tem aula na semana da criança T^T Muito triste). Maaass, estou aqui hoje! Espero que gostem desse capítulo!

Capítulo 12 - A maldição do morto


Fanfic / Fanfiction Incógnita 3-3 - Capítulo 12 - A maldição do morto

O uniforme sujo de sangue foi jogado no lixo. Ellie não queria nenhuma lembrança daquela noite terrível, da morte do único amigo que conseguira em meses. Era traumatizante, quase tanto quanto a noite da morte dos seus pai, talvez por conta das imagens terríveis que ficariam em sua mente. Era por isso que Ellie não se apegava as pessoas. Elas morriam. Em uma hora estavam lá e no minuto seguinte, desapareciam, deixando apenas a dolorosa lembrança de quem gostava delas. Elena até mesmo achava que estava se apaixonando por Kentin, mas isso não importava mais. Na verdade. Ellie nem mesmo sabia qual era a sensação de se apaixonar.

 

Elas foram na delegacia de polícia aquela manhã, para que a garota desse o seu depoimento sobre a noite de horror. Contou tudo, exceto as partes que eles poderiam inferir que ela fosse maluca, como escutar vozes no elevador ou ver mulheres sem rosto. A perícia havia constatado que realmente Kentin teve a cabeça decepada de maneira brutal, tendo se separado do corpo pela queda do elevador. Ellie sabia que estavam informando isso, porque desconfiaram que ela teria feito aquilo com o garoto, mas entendia, porque tinham de eliminar qualquer dúvida sobre o acidente. A escola passaria por uma vistoria e caso o acidente tivesse sido causado por problemas de manutenção, teriam que pagar uma quantia a Ellie e a família de Kentin, pelos danos sofridos. Até parece que iria compensar uma vida, ou uma sanidade.

Depois de saírem da delegacia, Agatha comprou croissant e café com leite para a garota, pois sabia que ela amava. Estava a mimando, pois via que seu olhar estava muito mais distante que o normal. A mulher sempre tentou fazer a sobrinha abandonar aquela eterna melancolia e voltar a ser uma adolescente comum, que sorria mais vezes e não ficava tanto tempo isolada e triste. Havia quase um mês que Ellie não ia a psicóloga e agora, que precisava mais que nunca, se recusava.

_ Vou marcar uma consulta na psicóloga para você._ Agatha olhou de relance para a garota pálida ao seu lado, que manteve seus olhos fixos em uma mulher que andava e lia o jornal. Estavam em uma praça tranquila e repleta de árvores de folhas alaranjadas, perto da cafeteria onde a mulher comprara o croissant. Em um ano vivendo juntas, nunca haviam saído e sentado em uma praça, ou passeado por qualquer lugar de Provença, assim, sem motivo aparente. Ellie bebericou o café com leite, ignorando a fala da tia._ Está ouvindo Elena?

_ Oui, mas não quero ir a psicóloga, então não vou. Ela não sabe resolver o meu problema._ Respondeu, monotonamente. De fato acreditava que o problema dela não seria resolvido por palavras de conselho ou técnicas otimistas.

_ D'accord, então também não lhe digo nada que quer saber._ Resmungou Agatha, falando como uma criança. Ellie estreitou os olhos, mas ao ver que a tia mantinha o nariz empinado, percebeu que não havia outra forma. Além de serem idênticas nos traços, Agatha e Lúcia, mãe de Elena, se pareciam também na teimosia. A garota revirou os olhos, bufando.

_ Bien, pode marcar a consulta, mas me conte tudo o que sabe sobre o paradoxo. _  Ellie deu de ombros. A mulher suspirou, apoiando o rosto nas mãos e olhando profundamente nos olhos da sobrinha. Sua expressão era dolorosa, como se relembrar aquilo fosse como uma facada.

_ Eu não sei todos os mistérios sobre isso, porque envolve coisas que não compreendo, coisas que o conhecimento humano não alcança. Mas, o fato é que, à vinte e seis anos atrás, eu e Lúcia desencadeamos a maldição do morto…

_ Maldição do morto?

_ Não me interrompa querida, vou explicar. O meu irmão, e seu tio, Oliver, morreu em fevereiro de 1990, no início de nosso terceiro ano, por causa de um ataque cardíaco. Eu, ele e sua mãe éramos inseparáveis e todos nos chamavam de “Os trigêmeos”._ Ela deu um sorriso, com o olhar vago._ Quando ele morreu, eu e Lúcia ficamos desoladas e a primeira semana foi insuportável: Ficamos toda ela em casa, sem conseguir ir a aula e chorando pelos cantos, além de rezarmos para que ele voltasse. Na semana seguinte, nós voltamos a escola, mas fizemos uma coisa pelo qual eu vou me arrepender o resto dos meus dias: Fingimos que Oliver estava vivo, sentado em sua carteira habitual e até mesmo falávamos com ele, com sua carteira vazia. Para mim era normal, eu o amava tanto..._ Ellie sentiu um arrepio passar por sua coluna.

_ E ninguém achava que vocês eram malucas?_ Agatha deu um sorriso triste, balançando a cabeça negativamente.

_ Eles achavam que estávamos apenas de luto e alimentaram nossas fantasias, começando a fingir que realmente Oliver estava lá, que nunca havia morrido. Em pouco tempo, todos da sala, inclusive os professores, falavam com a carteira vazia feito loucos. Não sabíamos com o que estávamos mexendo, que devíamos deixar os mortos onde estavam. Então, em uma bela segunda-feira, meu irmão apareceu na aula, como se nunca tivesse partido, sorrindo tranquilamente e sentou-se em sua cadeira. Ninguém achou estranho, nem mesmo eu ou sua mãe. Continuamos a agir normalmente e estava tão feliz. Eu simplesmente não me lembrava que ele havia morrido, tudo relacionado a isso foi apagado e no fim ninguém se lembrava disso, nem mesmo o próprio Oliver sabia que estava morto.

_ Como pode isso? Parece muito surreal. Como todos esquecem que alguém morreu e como ele voltou?_ A garota franzia o cenho, tentando absorver as palavras da tia e tentando desvendar o mistério por trás delas.

_ Disso eu não sei, Ellie. Não sei com o que mexemos, como o Oliver voltou dos mortos e como a memória de todos foi apagada. Só sei que tudo parecia normal, até que as pessoas começaram a morrer, uma a uma. Nos jornais disseram que doze alunos morreram, mas não foi exatamente isso que aconteceu. Doze alunos morreram, mas na verdade, foram trinta e sete mortes no total. A maldição não atinge apenas os estudantes da sala do morto, mas também seus familiares mais próximos e ocorre uma verdadeira carnificina. Seu avô morreu nessa época e eu, sua avó e Lúcia, sempre relacionamos a morte dele ao paradoxo.

_ Mas as mortes pararam no meio do ano, nem todo mundo morreu…

_ Oui, e as pessoas não sabem porque parou. Mas, eu tenho uma ideia do que pode ter sido a causa dessa parada súbita: O Oliver se matou. Ele não aguentou a pressão de poder morrer a qualquer momento e suicidou. Assim que o morto voltou para os braços da morte, as memórias dos alunos ainda vivos voltaram e todos se lembraram que meu irmão havia morrido no início do ano. Mantemos aquilo em segredo da imprensa e eu e Lúcia enterramos nosso irmão pela segunda vez naquele ano. Nós mandamos exumar o corpo dele na antiga cova, de cinco meses atrás, apenas para saber o que havia acontecido e, veja só, o caixão estava vazio.

Ficaram em silêncio, observando as pessoas correrem para todos os lados, atrás de um guarda-chuva, pois a ventania e as nuvens espessas no céu indicavam que uma tempestade estava a caminho. Ellie pensava sobre qual era a relação entre a mulher sem rosto que ela viu, tanto antes da morte de Kentin, quanto na morte de Charlotte, e a maldição do morto. Ela simplesmente não sabia onde aquela mulher, que mandou que ela saísse antes da cinco da manhã do elevador, se encaixava na história. Ela também sabia que todos da sala sabiam sobre a maldição, talvez só ela, Lysandre e Kentin não tinham conhecimento sobre ela. Existia uma pessoa morta entre os colegas de classe de Ellie, uma pessoa que não sabia que estava morta e fazia com que ficasse um aluno a mais na classe e por isso precisavam ignorar um dos vivos. Fingindo que alguém não existia, o número de alunos voltava ao normal, “enganando” o paradoxo.

_ Agatha, a pessoa morta sempre morre no início do ano?_ Perguntou, tirando a tia de seus próprios devaneios.

_ Um morto sempre é descoberto no fim do ano, porque seu nome desaparece da chamada, tudo se ajeita e ele desaparece. Mas, ele não morreu necessariamente no começo do ano, pode ter morrido a muito tempo e todos se esqueceram. Ah, mais uma coisa, o aluno ignorado sempre deve se sentar na antiga mesa do Oliver, por alguma razão._ Agatha colocou a mão no queixo, tentando se lembrar, mas sem sucesso. Ficaram um momento em silêncio, até Ellie perguntar:

_ Então a única forma de parar com a maldição esse ano é mandar o morto de volta para a morte?

_ Oui, mas como saber quem é o morto? Nunca ninguém conseguiu distingui-lo dos demais alunos. _ Ellie assentiu, concordando com a tia: Não havia como saber quem estava morto e não poderiam matar todos da sala para descobrir uma única pessoa na sorte. Isso seria loucura.

****

Ellie não conseguia pregar os olhos, porque as imagens do elevador sempre apareciam na escuridão do interior de suas pálpebras, quando fechava os olhos. A cabeça de Kentin, com os olhos verdes arregalados e vidrados, seus lábios entreabertos de surpresa e o pescoço com a carne e a coluna dilacerada, mergulhada em uma poça de sangue, ficavam vagando na mente da garota. “Já não bastasse o rosto quebrado de Charlotte, agora tenho mais um presente para os meus pesadelos” Pensou ela, levantando-se da cama, já desistindo de dormir, e indo para a janela. O ursinho de pelúcia de Kentin estava no parapeito, ao lado de Lily. A garota o segurou, olhando em seus olhos castanhos de acrílico.

_ Você é a única coisa que me restou dele. Faça companhia para a Lily, Nick, porque amanhã eu vou ir ao enterro dele, ver apenas o seu caixão abaixando na terra. Eu queria ter uma boa lembrança dele, dos seus olhos verdes brilhantes e do seu sorriso, mas a última que tenho vai ficar para sempre em minha mente. Sinto muito, Ken.

****

A Madame Désirée e seus quatro filhos estavam quietos, de frente para a cova aberta onde o caixão descia lentamente. Apenas lágrimas silenciosas escorriam pelos rostos dos cinco membros da família do garoto e além deles, vários vizinhos estavam lá, prestando a última homenagem. A única pessoa da classe que fora, foi Ellie, que conhecia Kentin melhor. Ela odiava cemitérios, mas não poderia deixar de ir. A garota não chorava, apenas se perdia em pensamentos, enquanto Agatha, que conhecia o menino desde que ele era criança, se debulhava em lágrimas.

A última pá de terra foi posta e logo as pessoas começaram a se dispersar, dando abraços na mãe de Kentin e em seus irmãos. A irmã mais nova de Kentin a olhou fixamente, com certa curiosidade, quando Ellie se aproximou de sua mãe com a tia. Ela tinha os mesmos olhos verdes do irmão e pareciam pesar sobre a garota. Ellie não podia abraçar Désirée e a mulher sabia disso, então, a garota apenas a olhou com compaixão, indo embora com Agatha em seguida. Ellie odiava cemitérios, mas tinha a impressão de que viria muito ali se não fizesse algo para conter a maldição.


Notas Finais


Modifiquei a história da maldição do morto, porque para mim faria mais sentido se a vítima 0 tivesse alguém da família na classe. Me pareceu um pouco forçada a explicação do anime.
Se tiverem alguma dúvida, fico feliz em respondê-las! Bjkas S2


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...