História Incógnita 3-3 - Capítulo 14


Escrita por: ~ e ~Halfwitch

Postado
Categorias Amor Doce, Another
Personagens Agatha, Alexy, Ambre, Armin, Bia, Castiel, Charlotte, Dajan, Dakota, Debrah, Iris, Kentin, Kim, Letícia, Li, Lysandre, Melody, Nathaniel, Nina, Peggy, Personagens Originais, Professor Faraize, Rosalya, Senhora Shermansky, Violette
Tags Amor Doce, Another, Crossover, Gore, Melancolia, Morte, Suspense, Terror
Exibições 47
Palavras 2.258
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey guys!

Obrigada por todos que vêm comentando S2 É muito bom ver que estão lendo e gostando, me dá motivos para continuar ^-^
Esse capítulo está bem relax kkk para ler e viajar um pouquinho. Gosto bastante desse tipo de coisa, melancólica.
Espero que gostem S2

Capítulo 14 - Os ignorados


Fanfic / Fanfiction Incógnita 3-3 - Capítulo 14 - Os ignorados

_ Azul._ Falou Ellie.

_ Eu gosto de branco._ A voz de Lysandre era monótona, assim como a de Elena. Ambos seguravam sorvetes de baunilha, sentados na beirada do telhado, balançando os pés sobre os pequenos carros e pessoas que passavam vários metros abaixo deles, na rua. Já havia se passado um mês desde a morte de Nina e tudo estava calmo, tranquilo demais. Ninguém havia morrido e todos atribuíam isso ao fato de que duas pessoas estavam sendo ignoradas, que o plano de Nathaniel havia dado certo.

O garoto do tapa-olho e a boneca inglesa eram meros fantasmas que circulavam por aí, sempre juntos e em silêncio. Eles de fato não trocavam muitas palavras, por ambos serem normalmente calados, mas só de estarem perto um do outro, Ellie já se sentia melhor. Apenas iam para o telhado e ficavam sentados lado a lado, observando e falando coisas fúteis vez ou outra.

_ Gosto de música clássica._ Ellie começou a comer a casca do sorvete, distraída, enquanto Lysandre deixava o seu derreter. Qualquer pessoa normal sentiria sono diante da monotonia dos dois, mas eles apreciavam a calma um do outro.

_ Eu prefiro rock. _ Falou o garoto, dando de ombros. Elena o encarou, estreitando os olhos.

_ Pensei que também gostava de música clássica, porque disse que gostava de coisas antigas, como a época vitoriana.

_ Uma coisa não interfere na outra._ Sorriu de canto, fazendo seu olho cor de âmbar encontrar as esferas cinzentas. Ela sorriu de volta, pois aprendera a fazê-lo quando alguém lhe dirigia um sorriso. Sentia-se bem perto dele, mas nem mesmo Lysandre a fazia deixar de ter pesadelos, ou pelo menos esquecê-los.

Nos últimos tempos, pesadelos desconexos cheios de imagens e sons estavam assolando a garota. Cinco da manhã virara um tabu, desde a noite no elevador, e o sono inquieto a fazia acordar sempre exatamente nesse horário. Nunca se importara em acordar às cinco da manhã todos os dias, mas agora ela sempre tinha medo. O trinco do alçapão se movia às vezes nesse horário, assim como Ellie ouvia o som de passos. Aquilo a maldição não podia explicar.

_ Nós somos amigos?_ A pergunta de Lysandre interrompeu os devaneios de Elena, surpreendendo-a. Assim que ela virou o rosto para olhá-lo, o garoto desviou os olhos, ficando com as bochechas levemente ruborizadas. Nunca haviam falado sobre qualquer sentimento antes, qualquer forma de afeto, porque esse assunto era devidamente evitado pela garota. Ela suspirou, olhando os pássaros que voavam em conjunto.

_ Sempre que eu me aproximo de alguém, me apego a alguém, essa pessoa morre. Não quero que algo te aconteça por minha causa._ Lysandre assentiu, tristonho, mas  parecendo compreender. Algumas gostas do seu sorvete caiu na rua, vários metros abaixo, fazendo-o se apressar para terminá-lo.

_ Oui, se sente assim porque ele morreu... _ Falou, quase inaudível.

_ Sempre me senti assim, até mesmo antes de Kentin. Todas as pessoas que se aproximam demais de mim morrem e eu sempre sofro._ Ficaram em silêncio, apenas escutando o vento.

_ Eu também pensava isso sobre mim. Por isso me voluntariei para ser o ignorado, assim ninguém se aproximaria. O meu pai e meu irmão morreram e eu prometi a mim mesmo que não iria me apegar a ninguém, para não me sentir tão triste novamente. Quando te conheci, naquela noite no hospital, estava indo ao necrotério, onde Leigh estava._ Ellie escutava tudo atentamente, percebendo o quanto Lysandre se parecia com ela. Havia se esquecido completamente do dia no hospital, porque suas memórias eram curtas, se apagavam à medida que o tempo ia passando. Lembrou-se que a recepcionista disse que não havia um necrotério naquele hospital, intrigando a garota.

_ A recepcionista me disse que não havia um necrotério naquele hospital… Fiquei bastante assustada e cheguei a pensar que era louca. Foi a partir daí que comecei a pensar que você era um fantasma._ Elena estava estupefata, encarando o garoto. Lysandre colocou a mão na testa e começou a rir, balançando a cabeça negativamente.

_ A recepcionista era nova, o primeiro dia dela lá e não sabia onde era o necrotério e nem que havia um no hospital. Ela também ficou confusa quando eu perguntei sobre a existência de um vigésimo andar, porque para ela, só ia até o décimo oitavo. Quando eu ia embora, saindo pela porta de entrada, ela me chamou e disse que uma garota desequilibrada perguntou onde era o necrotério. Eu expliquei que poucas pessoas iam lá, mas que era no subterrâneo. A mulher ficou vermelha feito um tomate. Então, você é a garota desequilibrada? Prazer em conhecê-la._ Lysandre estendeu a mão, com o intuito da garota apertá-la, por brincadeira. Mas, Ellie que antes estava boquiaberta e dando sorrisos, fechou a expressão no mesmo momento, abaixando os olhos. O garoto não sabia da hipersensibilidade dela e por isso recolheu a mão, envergonhado por pensar que a ofendera de alguma forma._ Pardon.

_ Não é sua culpa. Eu que não posso tocar em ninguém. Não te contei antes, mas eu tenho uma doença que me faz sentir muita dor quando encosto em alguém. A única pessoa que eu era imune, era o Kentin._ O vento fazia os cabelos brancos de Lysandre voarem para todos os lados, enquanto ele parecia refletir sobre o que Ellie havia falado. Ele entreabria os lábios algumas vezes, como se quisesse dizer algo, mas logo após desistia.

_ Mas como pode saber que ele era o único a quem você era imune? Não tocou em todas as pessoas… Como pode saber se eu também não sou diferente?_ Seu rosto estava vermelho, mas conseguiu manter o olho âmbar fixos nos cinzentos, enquanto a garota apenas estreitava os olhos.

_ Eu não posso testar em todos, porque não gosto de sentir dor, não mesmo. Mas, posso abrir uma exceção e testar com você… Bem, porque você é diferente, mesmo que eu não seja imune a você._ A garota sorriu de canto, falando com toda a sinceridade. Ela tentava, tentava não se apegar as pessoas, mas sempre tinha a necessidade humana de não ficar sozinha. Era impossível não gostar de alguém quando essa pessoa era gentil e doce, ficando ao seu lado por mais de um mês e ser a única que se podia contar.

Elena retirou uma das luvas violeta, virando-se para o garoto e estendendo a mão na direção do seu rosto. Lysandre ficou muito parado, apenas olhando para cada um dos olhos redondos e esperando. As pontas de seus dedos tocaram muito levemente a bochecha do garoto, quase imperceptivelmente, mas logo ela trouxe a mão para perto do corpo. Tinha uma expressão de dor no rosto, que foi se suavizando aos poucos. As pontas de seus dedos queimaram, mas não queria que fosse assim. Teve a esperança de que fosse imune ao Lysandre também.

_ Pardon Ellie… Mas, obrigado por tentar._ Ele sorriu de canto, um sorriso triste. A garota respirou fundo, tentando pensar em outro assunto para desviar do seu problema. Ela evitava falar isso para as pessoas, porque não queria que viessem enchê-la de perguntas e a tratarem diferente dos outros.

_ Agora que eu te contei meu segredo, pode me contar o seu?_ Ela apontou para o tapa-olho. Sempre quis perguntar ao Lysandre o que havia acontecido com seu olho, mas nunca tivera coragem. Mas, como havia contado um dos seus maiores segredos, se via no direito de perguntar. O garoto pareceu surpreso momentaneamente, mas depois assentiu. Seus dedos foram para os elásticos que prendiam o tapa-olho em seu rosto, retirando-o.

O outro olho de Lysandre era bem diferente do que Ellie imaginara. Ela pensou em várias possibilidades de como ele devia ser, mas não daquele jeito: com uma cor verde vibrante e artificial, com um brilho estranho como olhos feitos de acrílico, que ela só vira em bonecas. Era um olho de vidro, que tinha a pupila grande demais, tão diferente.

_ Por que você o tapa? É tão… bonito. _ Sussurrou ela, pensando alto, hipnotizada.

_ Você acha? Eu acho que eu fico com uma aparência medonha._ Ele balançava os pés no ar, chocando-os contra a parede do edifício, claramente envergonhado.

_ Não, acho que você fica muito bonito. Realmente combina com você. Mas, o que aconteceu com seu olho?_ Perguntou. Lysandre deixou escapar um suspiro, deixando que ambos os olhos, o âmbar e o verde, se desviassem para a rua.

_ Eu tive câncer no cérebro quando tinha três anos e ele atingiu meu olho. Eu não me lembro de como é ter dois olhos, por isso lembrar disso não me deixa triste. Como posso sentir falta de algo que nunca tive? Esse olho de vidro, eu ganhei de uma fabricante de bonecas…

Nesse momento, escutaram alguém abrir a porta de acesso ao telhado onde estavam. Ellie olhou quem era, enquanto Lysandre recolocava o tapa-olho rapidamente. Era apenas um aluno de outra classe, que fora até o telhado para tocar o sino e anunciar o fim do intervalo. O garoto encarou as duas pessoas ali, sentadas na beirada do prédio, com uma certa estranheza no olhar. Sem dizerem nenhuma palavra, se levantaram, para descerem as escadas e irem para a sala. Um ao lado do outro, com olhares vagos.

_ As pessoas nos acham estranhos._ Ela sorriu de canto, enquanto desciam as escadas.

_ Não é novidade, sempre me acharam. Tudo que é diferente as assusta. O desconhecido as assusta. Por isso temem tanto a morte._ Sempre dizendo coisas simples com palavras bonitas.

_ Bem, ambos somos ignorados, somos perseguidos pela morte e temos segredos curiosos… acho que fazemos uma bela dupla e podemos ser amigos._ Ellie deu um sorriso quadrado, segurando a barra da saia do uniforme. Lysandre riu com a fala da garota. Assim como ela, ele se sentia mais calmo quando estavam juntos, como se toda aquela preocupação, toda a melancolia que se instalava em sua vida, se dissipasse. 

_ Claro, se é para ser "estranho", melhor não ser estranho sozinho.

 

Elena não queria colocá-lo em perigo, não queria que alguém que ela gostasse morresse de novo. Mas, Lysandre partilhava dessa mesma má sorte da garota e ambos sabiam do perigo que corriam. Ainda assim, aceitaram ser amigos e Ellie prometeu a si mesma que não o perderia.

 

****   

Jogou-se na cama assim que chegou em casa, naquele fim de tarde, não tão cansada, mas sim, desanimada. Ellie procurava uma câmera para testar a teoria de Kentin desde o dia da morte de Nina, mas todas eram caras demais para o dinheiro que tinha, que recebera de herança dos falecidos pais. Não poderia pedir a Agatha, já que não devia falar com ela e também gostava de pedir favores. Pelo computador de uma Lan house perto da sua casa, conseguiu encomendar, com o número do cartão de crédito da tia, uma bem barata por um site de compras. Mas, como isso já fora a duas semanas, a garota imaginava se não era um golpe.

A janela do quarto, que estava entreaberta, se escancarou de repente, por causa da intensa ventania do lado de fora. De alguma forma, o vento derrubou Lily e Nick, que estavam no parapeito, para dentro do quarto. O ursinho caiu e ficou onde estava, mas a boneca rolou no chão e foi para debaixo da cama. Elena pegou a pelúcia, colocando-a em cima da cama, e abaixou-se para pegar a boneca, presente de sua avó. Desta vez, ainda não era noite, por isso ela conseguiu enxergar a boneca embaixo da cama, exatamente sobre a tábua solta do assoalho.

Era um tanto quanto… curioso. Ellie pegou Lily, colocando-a na cama ao lado de Nick e ficou observando a boneca, tentando descobrir o que havia de errado. Quanto a tábua do assoalho, a garota havia se esquecido completamente das revistas, estas que ela até mesmo cogitou usar para saber como se mataria. Lembrou-se que as revistas estavam debaixo de seu colchão ainda, então o levantou para pegá-las.

Observou as capas, que antes haviam a assustado por serem macabras, mas que agora pareciam extremamente comuns. Talvez, ver aquelas mortes tenham a deixado mais insensível a coisas macabras. Ainda não sabia a quem elas pertenciam, mas isso também não importava mais.

De repente, o som da campainha ecoou pela casa estreita, fazendo a garota se sobressaltar. Agatha ainda não havia chegado da escola, mas tinha a chave e, para continuar ignorando a garota, não poderia tocar a campainha. Elena se curvou sobre o parapeito da janela, vendo que um entregador impaciente estava parado a porta de casa.

_ Entrega para Madame Agatha Pelletier!_ Gritou o homem, tocando novamente a campainha. Elena saiu da janela, guardou as revistas de qualquer jeito embaixo do colchão, abriu o alçapão e desceu dois lances de escada estreita correndo._ Boa tarde, Madame... Pelletier?_ Ela assentiu, pegando a folha que deveria assinar, que estava na mão do homem e escreveu o nome de Agatha. O entregador a encarou, ainda desconfiado, afinal de contas, aquela menina parecia ter uns quinze anos.

_ Merci._ Falou ela, com um sorriso, para ganhar a confiança do homem com sua cara de boneca. Logo ele a entregou um pacote e se foi, sem fazer mais perguntas. A menina sentou-se no sofá e abriu a caixa, que já vinha com uma imagem da câmera exposta. Era uma antiga, uma das últimas que usavam filme e necessitavam de revelação química. Elena decidira por comprar aquele modelo, para se aproximar o máximo possível das fotos do anuário. Agora, ela tinha a arma, só restava saber se esta acertaria o alvo.

 


Notas Finais


Nos próximos capítulos pretendo revelar algumas coisas \0/ aguardem e até o próximo!


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