História Incógnita 3-3 - Capítulo 21


Escrita por: ~ e ~Halfwitch

Postado
Categorias Amor Doce, Another
Personagens Agatha, Alexy, Ambre, Armin, Bia, Castiel, Charlotte, Dajan, Dakota, Debrah, Iris, Kentin, Melody, Nathaniel, Nina, Peggy, Personagens Originais, Professor Faraize, Rosalya, Senhora Shermansky, Violette
Tags Amor Doce, Another, Crossover, Gore, Melancolia, Morte, Suspense, Terror
Exibições 19
Palavras 3.194
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey guys!

Eu achei esse capítulo vibrante. Eu gosto de sentir as coisas que acontecem na história enquanto eu escrevo e fiquei arrepiada. Nem um pouco modesto isso kkkkk Mas, espero que sintam tudo que quis transmitir também e boa leitura S2

Capítulo 21 - A fabricante de bonecas


Fanfic / Fanfiction Incógnita 3-3 - Capítulo 21 - A fabricante de bonecas

 

Ao longe, apesar da neblina, a inglesa podia distinguir uma silhueta encostada no poste em frente à casa estreita. Foi se aproximando hesitante e apertando os olhos, até que pode reconhecer os cabelos tingidos de um vermelho vibrante. Ainda não sabia o que sentia por seu recém descoberto irmão. Não sabia se sentia pena, simpatia, curiosidade ou amor… Talvez não ainda o amor. Mal o conhecia, mas só de saber que era seu irmão gêmeo, sentia um laço se formando espontaneamente entre eles. O garoto sorriu com desdém assim que viu Ellie se aproximar.

_ Já estava começando a pensar que você tinha morrido no sótão e a Agatha saiu para buscar alguém para cuidar do corpo._ Ellie revirou os olhos com a brincadeira sem graça. Não era de todo ruim tê-lo ali. Na verdade, Elena não tinha vontade de voltar para o sótão que a tempos deixara de ser seu lugar de refúgio.

_ A Agatha saiu?

_ Sim, e essa é uma ótima chance de você fugir para as colinas sem que a bruxa a impeça._ Castiel atirava uma chave para cima, agarrando-a com uma das mãos apenas para atirá-la novamente. Ellie não conseguiu deixar de sorrir com sua última frase._ Mas, lamento dizer que sua fuga vai ter que ser outra hora, já que vim te mostrar o porão.

_ Por que veio me mostrar o porão? Não me diga que arriscou vir até aqui, topar com a Agatha fora da escola, só pra me mostrar onde fica o porão? Não é uma coisa muito esperta._ A garota arqueou as sobrancelhas, com um ligeiro sorriso nos lábios. O ruivo deu de ombros.

_ Nunca disse que era esperto. Tenho certeza que você ficaria com medo de entrar no porão sozinha, porque ele já era assustador na minha época, quem dirá agora que ficou tanto tempo abandonado. Vim apenas proteger minha irmãzinha stalker. _ Castiel esticou a mão na direção de Ellie, com o intuito de afagar seus cabelos na brincadeira, mas a garota conseguiu se afastar bem a tempo. O ruivo franziu o cenho, ficando um pouco constrangido. Uma expressão triste também se instalou no rosto de Elena, porque ela queria que ele pudesse fazer aquilo, como irmãos faziam.

_ É uma longa história Castiel. Não é só você que eu impeço de me tocar… Mas as pessoas em geral. _ Ela baixou os olhos e o garoto percebeu sua tristeza.

_ Tudo bem. Acho que posso me acostumar com mais uma de suas esquisitices._ O sorriso voltou a habitar os rostos de ambos._ Agora vamos entrar na minha velha casa antes que a tia do mal chegue. _ Elllie assentiu, passando por ele para destrancar a porta. Estava feliz por não ser questionada sobre a alodinia, já que sempre a perguntavam. Era ruim reviver a noite do incêndio sempre que alguém perguntava sobre a hipersensibilidade. Ainda procurava a chave no molho, quando Castiel continuou a conversa._ Eu tenho uma coisa muito importante para perguntar: você é aquele tipo de irmã com um quarto cor-de-rosa e pôsteres de boy bands?_ Ela deixou as chaves caírem no chão e pegou-as no mesmo instante. Sentiu as bochechas corarem, porque seu antigo quarto na Inglaterra era exatamente assim.

_ Não._ Destrancou a porta, escutando Castiel rir e balançar a cabeça negativamente atrás de si. Sentia que, se fossem irmãos desde sempre, seriam companheiros, mas discutiriam o tempo todo. “Se fossem irmãos desde sempre.”.

_ O cheiro aqui está horrível? O que é isso?_ Castiel tapou o nariz assim que entraram na casa. O cheiro parecia ainda mais forte, como se o efeito do aromatizante tivesse passado.

_ Eu não sei. Está assim desde que saí._ Foram para a pequena sala de estar sem TV e o cheiro ali parecia ainda pior, mas nenhum dos dois falou nada, apenas fizeram caretas. Será que Agatha havia saído para buscar alguém para descobrir e acabar com a fonte do cheiro?_ E então, onde fica a entrada do porão?

_ Bem embaixo dos seus pés._ O ruivo cruzou os braços, com um sorriso faceiro. A única coisa que havia abaixo dos pés de Ellie, era um tapete puído que Agatha nunca tirava do lugar… Pelo menos, não quando a garota estava por perto. Ela puxou uma das pontas do tapete, até que o retirasse completamente do lugar, revelando um recorte no piso de madeira escovada, como a entrada de um alçapão._ Nem estava tão escondido assim. Me surpreende que, uma garota curiosa como você, nunca tenha o encontrado.

_ Eu nunca o encontrei, porque nunca o procurei. Não sabia nem mesmo que havia um porão nessa casa._ Castiel assentiu, concordando.

O alçapão foi aberto, revelando a escuridão do interior. Um mormaço os atingiu, misturado ao odor ainda mais intenso. Com certeza a fonte do cheiro vinha dali. Ellie encarou o escuro, abaixada próxima a entrada, em seguida levantou os olhos para Castiel. O garoto sorriu, notando que ela tinha medo do escuro e foi na frente, descendo os primeiros degraus. Ela não tinha medo do escuro em si, mas do que ela sabia que existia nele. Logo, uma luz amarelada iluminou o porão e Ellie desceu atrás de Castiel.

A escada de madeira rangia, bolor se acumulava nas paredes de argamassa úmida e a pintura era tão gasta, que conferia ao local uma aparência cinzenta e uniforme. Algumas caixas com tralhas empoeiradas e materiais de artesanato, ocupavam os cantos do porão. Uma mesa redonda coberta uma bela toalha florida, tinha disposto sobre sua superfície um jogo de chá, como se alguém viesse serví-los a qualquer momento. Havia uma mesa com uma antiga máquina de costura, pincéis e peças aleatórias de bonecas: Braços, pernas, troncos e uma caixinha com olhos de acrílico. Uma cama bem arrumada estava em um dos cantos livres de caixas, com bonecas deitadas sobre o travesseiro como se dormissem, ou como se estivessem mortas, a julgar pelo tom de pele.

Ellie sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ver todas aquelas bonecas, não só sobre a cama, mas sobre todos os móveis e caixas. Algumas com roupas de época cuidadosamente costuradas, outras completamente nuas com ossos protuberantes e pele pálida. Todas pareciam cadáveres, aparentando terem sido feitas com este exato propósito.

_ Elena._ A garota estremeceu quando escutou seu nome, quebrando o transe em que estava ao observar aquelas bonecas. Castiel estava de pé ao lado da mesa florida, erguendo o dedo indicador molhado._ A xícara está úmida e com folhas de chá._ Ellie estreitou os olhos, voltando-se para a cama e pegando uma das bonecas nas mãos. Estava impecável, sem nenhum grão de poeira.

_ Por que a Agatha viria até aqui para tomar chá e limpar bonecas?_ Colocou a boneca de volta na cama e Castiel deu de ombros._ Bem, não sei porque queria me trazer aqui, mas a Agatha pode chegar a qualquer momento. Melhor sairmos… _ Quando ia em direção a escada, a garota tropeçou em algo e quase caiu. Havia dois sacos de cimento e alguns tijolos quebrados no chão, além de um círculo manchando sobre a madeira escovada, onde a argamassa parecia ter sido preparada. Como não havia notado isso antes?

_ Está tudo bem?_ Elena não respondeu, apenas pôs-se de pé em frente a parede onde tijolos novos estavam empilhados. Levantou os dedos, tocando a argamassa entre os tijolos da parede, mais clara que as outras. Mais nova que o restante do porão.

_ Tinha essa parede aqui na sua época?_ Perguntou ela, sem desviar os olhos da parede.

_ Eu não me lembro. Não venho aqui desde que a vovó morreu, quando eu tinha uns oito anos. Por que?

_ Essa parede é nova. A argamassa ainda está úmida. Parece que Agatha mandou construí-la à um ou dois dias no máximo._ A garota abaixou-se, pegando uma picareta que estava junto à outros materiais de construção, como uma pá e espátula._ A nossa tia pode não bater muito bem da cabeça, mas ela não é maluca o suficiente para construir uma parede do nada, tomar chá e brincar de boneca em um velho porão inutilizado. Ela é muito esperta._ Ellie levantou o instrumento acima da cabeça e golpeou a parede com todas as forças que seus braços lhe permitiam. Metade de um tijolo se quebrou.

_ Você enlouqueceu?! O que está fazendo?!_ Castiel correu até ela, pegando a picareta de suas mãos._ Se a Agatha ver isso, você está fodida.

_ Diga-me Castiel: Você foi ao enterro da nossa avó? Você viu ela sendo enterrada? Foi visitar o túmulo dela pelo menos uma vez? _ O ruivo entreabriu os lábios, mas não respondeu, porque as respostas para todas as perguntas eram não._ Como pensei._ A garota pegou a ferramenta de volta nas mãos do irmão, que entregou-a sem relutância, e voltou a golpear a parede do porão.

Os sons dos tijolos se quebrando ecoavam pelo local e o cheiro de putrefação ficou ainda mais forte, se é que isso era possível. Alguns tijolos Ellie conseguiu puxar com as próprias mãos, fazendo o cimento entrar por baixo de suas unhas. Seu coração batia rápido, em frenesi. Elena queria respostas e sentia que era isso o que teria. Sua intuição nunca gritou tão alto. De repente ela parou, ofegante. Um buraco de tamanho suficiente para que ela pudesse passar havia sido aberto e foi isso que ela fez: Entrou na escuridão que a chamava. Castiel tentou impedi-la, mas era grande demais para passar na pequena abertura. A garota ficou de pé, dando alguns passos hesitantes dentro da pequena câmara recém descoberta e parou, esperando a visão se acostumar com a pouca iluminação.

Um saco plástico jazia no fundo da câmara.

_ O que você está fazendo aqui?! Como ousa entrar nessa casa novamente?! Pensei que tinha sido bem clara quanto a… O QUE VOCÊ FEZ?! SAIA DE PERTO DESSA PAREDE AGORA MESMO CASTIEL!_ O sangue de Ellie gelou. Agatha gritava a plenos pulmões, como nunca a menina ouvira antes. Elena tinha medo por ela e por Castiel. “Não tenha medo Ellie”. Correu, não para fora, mas para o saco plástico no fundo da câmara. O rasgou com as unhas sujas de cimento, ignorando o cheiro que embrulhava o estômago e estremecia os nervos.

A fabricante de bonecas. Ellie sabia que aquele corpo inchado e em decomposição a sua frente pertencia a sua avó, mesmo sem nunca tê-la visto antes. Larvas se alimentavam, fazendo buracos na pele macilenta. A garota virou-se, vomitando no chão do compartimento, sem poder segurar. Seu corpo tremia.

_ O que você fez?_ A voz da tia era um sussurro próximo. Ellie podia vê-la dentro da câmara com ela, provavelmente Castiel não conseguiu pará-la. A mulher veio correndo em sua direção, mas desviou no último segundo, ajoelhando ao lado da mãe morta. _ Você a profanou! M-maman... Il est de ma faute… _ Agatha chorava como uma criança inconsolável, agarrando-se ao cadáver.

_ Ellie! Vamos!_ A voz de Castiel ecoou pela câmara e a garota distinguiu sua silhueta na entrada. Elena estava hipnotizada pela insanidade da tia.

_ SAIA DAQUI! SAIA DA MINHA CASA! NÃO VOLTE MAIS AQUI!_ O ódio ribombava na voz da mulher, como o grito de um animal ferido e Ellie não pensou duas vezes em levantar-se e correr para a abertura, com a adrenalina do medo correndo nas veias. Suas mãos queimaram intensamente quando Castiel agarrou-as e puxou a menina rapidamente.

Subiram as escadas do porão sem olhar para trás, ambos com olhares assustados no rosto e os corações aos saltos.

_ Vamos pegar suas coisas Ellie. Não pode mais ficar aqui…

_ Castiel, eu não tenho para onde ir. _ Ela ainda estava ofegante e com as mãos doloridas, enquanto encarava os olhos cinzentos idênticos aos seus.

_ Você vai para o meu apartamento. É claro que não te deixaria ao léu como a Agatha fez comigo. Nós somos irmãos e eu te amo antes mesmo de ter te conhecido. Agora, vamos ir logo pegar as suas coisas._ Castiel não desviou o olhar em nenhum momento de sua fala e Ellie sentiu seus próprios olhos marejarem. Subiram, juntos, as escadas do sótão pela última vez.

*

Ao passarem pela sala de estar, voltando do sótão já munidos com as malas que Ellie trouxera da Inglaterra, os gêmeos ouviram o choro profundo de Agatha vindo do porão aberto. Ela já havia sido consumida pela insanidade à tempos.

*

_ Castiel._ Murmurou a garota, andando alguns passos atrás do irmão. Ela puxava apenas uma mala de rodinhas e segurava Nick no outro braço, enquanto o ruivo puxava duas malas.

_ Hum.

_ Qual a sua cor favorita?

_ Eu não tenho uma cor favorita. Que tipo de pergunta é essa?

_ Só escolha uma que você gosta mais.

_ Hum… Vermelho.

_ Azul.

_ Por que a pergunta?

_ Esse é o tipo de coisa que amigos devem saber, certo?

_ Só nos seus contos de fadas.

_ Não sabe a cor favorita dos seus amigos?

_ Não muda nada na minha vida saber. Além disso, não tenho amigos.

_ Bom, eu sei a cor favorita do Lysandre e agora também sei a sua. Isso é importante.

_ Se você acha.

Silêncio. Ellie olhou para o chão, escutando apenas o som das rodinhas das malas nos paralelepípedos e sorriu. Ser expulsa de casa não deveria ser tão feliz, mas ela estava feliz. Saber as cores favoritas dos amigos não era importante, mas Ellie sentia que agora possuía duas pessoas no mundo. Branco e vermelho. Essas eram as cores do seu mundo agora e esperava que seu azul também estivesse no mundo deles. Seria tudo tão bom, se não fosse a maldição.

_ Castiel.

_ Hum.

_ Você sabe que a Debrah morreu, não é?

_ Sei.

_ Você gostava dela?

_ Não.

_ Por que você é tão monossilábico? Pior que eu.

_ Por que você faz tantas perguntas?

_ Porque eu quero suas respostas.

O garoto ficou em silêncio novamente e Ellie bufou, encarando suas costas cobertas pela jaqueta preta e os cabelos vermelhos meio compridos. Ela apressou o passo, conseguindo andar ao lado dele.

_ Seja sincero. Por que foi na casa estreita hoje? Sei que não foi para me mostrar o porão.

_ Vi você escapando de morrer pelo jornal e fui ver se estava bem. Sem mais interrogatório? Ótimo.

Parece que a conversa finalmente estava encerrada com aquela frase. Ellie apenas abaixou a cabeça e continuou a caminhar, olhando para os pés do seu irmão e as rodinhas da mala quando o deixou passar novamente em sua frente. Então essa era a sensação de ser amada novamente? Ela pensou que havia se esquecido.

*

Era um apartamento pequeno, no terceiro andar de um prédio próximo ao centro de Provença. Ellie subiu as escadas, enquanto Castiel foi no elevador com as malas, porque a garota se recusou a entrar. Ela nunca entrou em um elevador depois da morte de Kentin e nunca mais entraria. Quando abriu a porta encostada do apartamento 237, o ruivo já se encontrava sentado no sofá e suas malas perto da parede. Era um lugar modesto, mas com uma vista incrível e luminosa da noite em Provença.

_ Eu vou dormir aqui e você pode dormir no meu quarto._ Ele disse, ligando a TV. Ellie continuou parada onde estava, segurando Nick, até que Castiel desviou os olhos do que quer que estivesse assistindo. _ O que está esperando?

_ Não sei onde fica o seu quarto.

_ Isso daqui não é muito grande, você acha muito bem sozinha._ Resmungou. A garota entreabriu os lábios para rebater, dizer algo como: “Tenho modos o suficiente para não vasculhar os cômodos da casa dos outros”, mas parou. Castiel já estava sendo gentil o suficiente permitindo que ela ficasse em sua casa e em seu quarto, o mínimo que poderia fazer era se acostumar com aquele seu jeito nada delicado. Então, simplesmente deixou a mala que carregava no chão, respirou fundo e se encaminhou para um corredor minúsculo, que possuía apenas duas portas de madeira sintética.

Não havia quadros nas paredes brancas, ou qualquer outra coisa que simbolizasse um lar. Era mais como um lugar onde Castiel passava suas noites. Elena escolheu uma das portas e a abriu. A primeira coisa que viu, foi um enorme cachorro preto deitado em uma cama. O cão veio correndo tão rápido, que ela quase não conseguiu fechar a porta a tempo. Os sons de arranhões na porta mostrava o quanto a fera era amigável. A garota deu meia-volta e parou entre a TV e o ruivo.

_ Que foi? Não achou o quarto?_ Seu tom era de deboche.

_ Sim, mas achei um cachorro assassino também. Podia pelo menos ter avisado.

_ Eu me esqueci. O Dragon é tão quieto que parece que nem está em casa._ O garoto deu de ombros, deixando o controle de lado e indo para o quarto. Ela não entendia quem, em sã consciência, mantinha um cachorro daquele tamanho dentro de um apartamento tão pequeno. Alguns segundos depois, ele voltava segurando Dragon, rosnando loucamente, pela coleira. O prendeu em uma pequena varanda que, até então, a garota não tinha notado e voltou para a TV.

Ellie puxou suas malas para o quarto, que era lotado de pôsteres de bandas de rock em cada canto disponível da parede branca. Tinha algumas roupas espalhadas também, além dos pelos de cachorro nos lençóis e o ar abafado por causa da janela fechada. O urso de pelúcia foi deixado sobre a cômoda, junto com um suspiro. Pelo menos, Ellie sentia que não teria tanto medo de dormir ali como vinha tendo no porão.

Começou abrindo as janelas e deixando a parca luz entrar no cômodo, juntamente com uma brisa fresca. Trocou os lençóis e limpou tudo afim de se livrar dos pelos, por causa da alergia que tinha também. Quando terminou, o quarto parecia mais habitável.

Sentou-se na beirada da cama, lembrando-se do que estava no bolso interno de seu casaco. As fotos perfeitas. Retirou-as com as pontas dos dedos e foi rasgando-as, uma a uma. Eram completamente inúteis e Ellie nem mais poderia perguntar à Agatha como as fotos que ela tirou revelaram os mortos. Havia algo de errado com a mente de sua tia e a garota nem mesmo sabia se havia sido um efeito da maldição. De fato, a maldição de 1990 havia destruído a vida de Agatha, mas isso não justificava prender sua própria mãe no porão por dez anos, ou odiar sem motivo o filho adotivo.

A garota rasgou todas as fotos, até que chegou na última: A foto de Lysandre. Era doloroso pensar nisso, mas era realista. Se Lysandre se fosse, ela não teria absolutamente nada que pudesse se lembrar dele, exceto a si mesma. Ele parecia genuinamente surpreso na foto, com os lábios entreabertos e o corpo rígido. Lysandre tinha uma beleza exótica, como se ninguém no mundo fosse parecido com ele. Poderia perdê-lo a qualquer momento, mas mesmo assim sentia que não conseguiria deixá-lo se afastar. O quão estranho era se apaixonar no apocalipse? Ellie guardou a foto de volta no bolso interno do casaco.


Notas Finais


Nesse último parágrafo teve referência ao Glenn e a Maggie do TWD S2 Para mim eles são um grande exemplo de amor verdadeiro e nada mais justo que utilizá-los.
Ah, eu vi uma curta chamada: "Zero". Quem quiser assistir, eu achei muito bonita e tem um certo ar melancólico.
Até a próxima e beijinhos.


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