História Incógnito VKook - Taekook - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Bts, High School, Jungkook, Taehyung, Taekook, Vkook
Exibições 255
Palavras 3.689
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Fluffy, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi leitores <3 desculpem a demora!
Espero que gostem do capítulo, nos vemos nas notas finais <3

Boa leitura!

Capítulo 2 - Um garoto


Fanfic / Fanfiction Incógnito VKook - Taekook - Capítulo 2 - Um garoto

Um garoto.

Ele desapareceu tão rápido que por um segundo Jeongguk pensou estar imaginando coisas, sua mente lhe pregando uma peça devido à curiosidade e ansiedade para descobrir logo o autor daqueles trechos cativantes. Mas não, o garoto alto de cabelos castanhos era tão real quanto ele mesmo e apesar de olhar em volta à sua procura, tinha desaparecido como num passe de mágica.

Praticamente engoliu seu sanduíche de uma vez só ao ouvir ressoar o sinal para que voltasse a sala de aula. Continuou sem conseguir se concentrar na voz de seus professores e seus pensamentos migraram para o garoto bonito. Agora que o dono do diário tinha o rosto gravado em sua mente, parecia ainda mais errado continuar lendo o conteúdo do caderno de couro. Apesar de sua curiosidade, Jeongguk resolveu que precisava arrumar um jeito de devolvê-lo.

Mas não podia simplesmente entregar o diário em mãos. O garoto com certeza se perguntaria como Jeongguk descobrira que o objeto lhe pertencia e não ia demorar nem meio segundo para que ele chegasse à conclusão de que o moreno havia lido seu conteúdo. Precisava de uma forma mais discreta. Ainda queria fazer amizade com o autor do diário – queria muito – e isso não ia acontecer se ele soubesse que Jeongguk lera seus pensamentos mais íntimos. Provavelmente ele ficaria ofendido, talvez até bravo, e se afastaria de vez. Não era uma forma nada convencional de começar uma amizade.

“Olá, encontrei seu diário e li o suficiente para descobrir que você é o dono. Vim para te devolver, mas achei o que você escreveu muito legal. Vamos ser amigos?”

Não, péssimo. Realmente terrível!

Pensou em deixar o caderno na carteira ou no armário do garoto enquanto ninguém estivesse por perto. Mas não fazia ideia de qual seria sua sala entre as cinco classes do terceiro ano, e também não sabia qual era o seu armário.

Infernos, não sabia nem seu nome!

Isso era outra coisa que precisava descobrir. O nome. Pensou em perguntar para Jimin, já que eram do mesmo ano havia boas chances de que ele pudesse lhe responder essa pergunta, mas como diabos Jeongguk faria a tal pergunta?

“Jimin, por acaso você sabe qual é o nome de um garoto bonito do seu ano, com cabelos lisos e castanho claros, alto, magro, com a voz grossa e que sofre zoações de alguns garotos babacas da escola?”

Soaria tão estúpido! Descartou logo essa opção de perguntar ao amigo.

Sua cabeça não parava de rodar com ideias de planos mirabolantes até que as aulas terminassem. Jeongguk saiu pelos corredores, olhando para todos os lados a procura daquele rosto tão singular que vislumbrara mais cedo no refeitório, mas não encontrou o garoto entre a massa de alunos desesperados para voltar para casa. Fez o caminho habitual de todos os dias, decepcionado por não conseguir encontrar seu provável futuro amigo.

Chegando em casa, precisou procurar por formas de se distrair, consciente demais do diário dentro da sua mochila. Agora que sabia quem era o dono, não tinha mais desculpas para continuar sua leitura sem ser incomodado por um peso na consciência ainda maior que o de antes.

Estava se mordendo de vontade de continuar lendo os pensamentos daquele garoto tão fascinante, mas seu senso ético falou um pouquinho mais alto que sua curiosidade. Jeongguk forçou-se a jogar vídeo games, torcendo que o tempo passasse depressa para que pudesse devolver o objeto logo na manhã seguinte e livrar-se daquela tentação o mais rápido possível.

Não foi nada efetivo. Nem jogos, nem quadrinhos e muito menos o dever de casa, nada conseguiu acalmar sua ânsia em continuar lendo o diário e Jeongguk passou o resto do dia inquieto. Mas esforçou-se ao máximo e nem mesmo chegou perto da sua mochila.

Não precisava ler o diário e violar ainda mais a privacidade do autor – tentava se convencer. Logo seria amigo dele e poderia ouvir de bom grado suas confissões e devaneios.

Primeiro, daria um jeito de devolver o diário. Depois, daria um jeito de ficar amigo do garoto.

E não leria nem mais uma linha.

~x~

Quando pegou sua mochila para ir à aula na manhã seguinte, Jeongguk sentiu o peso do diário. Não o peso de verdade, mas um peso simbólico daquela tentação que carregava nas costas. Precisava se livrar logo desse troço antes que não aguentasse mais a abstinência. Não conseguia parar de pensar em como o caderno devia estar recheado de eventos e confissões que ele com certeza adoraria ler.

Manteve-se de olhos bem abertos durante todo o percurso até o colégio, sabe-se lá a hora que o garoto podia aparecer diante de si. Ao chegar no pátio procurou ficar ainda mais atento e olhou minuciosamente para o rosto de cada adolescente uniformizado ao seu redor, mas nada dele.

Jeongguk não entendia como um garoto tão bonito e que chamava tanta atenção – praticamente reluzia, em sua opinião – pudesse sumir e se esconder assim tão rápida e facilmente.

Procurou-o em durante todos os intervalos de aulas, no banheiro, no refeitório, no pátio comum, nas quadras de esportes. Ele não estava em lugar nenhum! Conseguiu se distrair e tirar a cabeça do diário enquanto empenhava em sua busca pelo garoto misterioso, mas depois de um tempo sentiu-se cansado e sem esperanças. Só conseguia pensar que ele provavelmente teria faltado à escola logo naquele dia.

Pensou que talvez ele estivesse doente, e percebeu que aquilo o incomodava de um jeito estranho. Mais incômodo ainda foi quando sua mente passou a divagar pelas outras possibilidades que levaram aquele garoto a matar aula, como as provocações dos colegas de turma e até mesmo – mas Abraxas queira que não – alguma agressão física da parte desses babacas que na opinião de Jeongguk não tinham nada melhor pra fazer da vida do que provocar um garoto inocente.

Mas só podia ser isso, pensou. Ele com certeza não fora à aula. Era impossível que ele fosse assim tão bom em se esconder. Ninguém some desse jeito.

A única outra possibilidade era a de que o garoto era um camaleão, um mestre da camuflagem, ou que ele possuía uma capa da invisibilidade como aquela que vira nos filmes do Harry Potter.

Jeongguk começou a ficar preocupado. Os pensamentos de que algo ruim podia ter acontecido ao garoto tão único e especial, cuja personalidade lhe cativara a tal ponto que ele não conseguia se concentrar em mais nada, continuavam rondando sua mente e lhe deixando muito mais desconfortável do que ele gostaria. Aquele sentimento de que precisava protegê-lo tornou-se tão vívido que o moreno não podia mais simplesmente ignorar o fato e foi obrigado a entrar em termos consigo mesmo.

O menino sumiu. Alguma coisa aconteceu. Precisava saber.

Sua inquietação o levou diretamente de volta para o diário. Estava se sentindo como um detetive investigando um caso e precisava urgentemente de mais pistas, e mesmo que no fundo de sua cabeça uma vozinha irritante lhe dissesse que o caderno velho e surrado não lhe daria a resposta de onde seu autor estava, Jeongguk deixou que sua curiosidade falasse mais alto, dessa vez acentuada também pela preocupação esquisita que lhe apertava o peito.

Era a última aula do dia e faltava cerca de uma hora para terminar, mas Jeongguk não conseguiu se segurar nem um segundo a mais, decidido a retomar sua leitura.

Abriu a mochila e retirou o caderno, uma excitação percorrendo todo o seu corpo apenas ao tocá-lo novamente, tamanho o magnetismo que o objeto exercia sobre si. Tentando ao máximo ser discreto, Jeongguk enfiou o caderno de qualquer jeito por debaixo da camisa e do paletó do uniforme, apoiando-o entre a pele da sua barriga e o cinto da calça. Quando sentiu que o objeto estava seguro e não cairia, ele abotoou o paletó para disfarçar o volume e pediu licença ao professor para que fosse ao banheiro.

Por alguns segundos sentiu vergonha de si mesmo, sentado mais uma vez no vaso sanitário, trancado dentro da cabine com o diário particular de um estranho enfiado dentro das calças. Mas o sentimento depreciativo passou assim que Jeongguk abriu o caderno, procurando pela parte em que havia parado a leitura, e foi substituído pela ansiedade ao ver a letra bem desenhada já conhecida.

Querido Diário,

Queria fazer aqui, contigo, um manifesto.

Vai se chamar Manifesto Infantista, pra combinar com o Manifesto Comunista do Marx e talvez um dia receber o mesmo reconhecimento.

Por que as crianças podem fazer as coisas mais legais sem serem julgadas?

Eu também queria usar tênis de patins, ir à aula e sair pela rua vestindo fantasias divertidas como se fosse a coisa mais normal do mundo, – e deveria ser – ter sapatos que brilham e piscam, mochilas com rodinhas e desenhos fofos de personagens, fazer desenhos com giz, pintura com os dedos, colagens e brincar de massinha. Queria ir ao parquinho, jogar pique-esconde e brincar na lama.

Por que quando as crianças fazem essas coisas divertidas não tem problema e quando nós fazemos somos julgados pela sociedade? Não! Isso não está certo.

Sério, posso estar soando como um idiota e infantil, mas sempre que penso no assunto fico realmente aborrecido.

Queria mesmo voltar a ser criança e fazer tudo de novo.

Jeongguk pegou-se rindo sozinho feito tolo ao terminar sua leitura do Manifesto Infantista. Como diabos aquele garoto conseguia arrancar sorrisos dele tão facilmente?

Sentiu-se aliviado e revigorado, apesar do trecho ser pequeno. O peso na consciência e a preocupação pareciam ter ido embora pra bem longe, e Jeongguk só conseguia sorrir, os olhos grudados no papel amarelado.

Um manifesto pela liberdade dos adultos em fazerem coisas consideradas infantis? Aquela personalidade era mesmo muito única! O moreno nunca tinha pensado sobre o assunto, mas lhe pareceu muito correto e pertinente. Ele mesmo não era o maior fã de se fantasiar – morria de vergonha – nem de brincar com coisas em que pudesse se sujar demais, como tinta ou lama, mas decidiu que se realmente seus planos malucos dessem certo e ele conseguisse ficar amigo daquele garoto excêntrico, faria pelo menos uma dessas coisas com ele.

Não fazia mesmo sentido que eles não pudessem usar sapatos que brilham ou carregar mochilas com rodinhas – certamente seria mais prático.

Jeongguk estava tão distraído em seus devaneios sobre o Manifesto Infantista que nem percebeu que a porta do banheiro fora aberta e levou um susto ao ouvi-la se fechando com um baque alto.

Fechou o diário imediatamente e sentiu-se apreensivo com a presença de outra pessoa ali. A adrenalina de ser pego fazendo algo que sabia ser errado se espalhou por sua corrente sanguínea e o moreno sentiu seu coração começar a bater na garganta. E se fosse pego no flagra? Seria constrangedor, pra dizer no mínimo.

Suas mãos começaram a suar frio e Jeongguk pensou que já estava no banheiro tempo demais e talvez o professor estranhasse sua demora. Mas não tinha como sair agora, não enquanto uma pessoa estivesse ali. Ele estava nervoso demais e tinha medo de se embolar e acabar sendo descoberto assim que pisasse do lado de fora da cabine.

Observou pelo vão entre a porta da cabine e o chão, esperando ansiosamente que sua companhia nada bem vinda virasse as costas e saísse logo. Inconscientemente prendeu a respiração ao vislumbrar um all star preto surrado e se estômago se revirou de tal forma que Jeongguk pensou que iria vomitar.

Era ele.

Muitas pessoas podiam ter tênis como aqueles, mas o moreno sabia que era ele. Tinha reparado nos all stars pretos quando o vira no refeitório um dia antes e reconheceu os calçados desgastados imediatamente. Era seu autor misterioso.

Paralisou no lugar, o ar ainda preso em seus pulmões, como se apenas ao respirar ele pudesse ser desmascarado. O enjoo continuava o incomodando e Jeongguk ficou estático, sem ter ideia do que fazer. Imaginara aquele encontro diversas vezes e em sua mente ele sempre teve coragem para abordar o autor do diário, puxando algum assunto aleatório na tentativa de fazer amizade com ele.

Mas não tinha como. Depois de passar o dia inteiro atrás desse garoto, agora que ele se encontrava a poucos passos de distancia, Jeongguk não podia fazer nada. Estava escondido ali e não era a toa. Tinha ido ao banheiro masculino para violar mais uma vez a privacidade daquele garoto que nem devia saber da sua existência.

Decidido a continuar quieto e escondido, Jeongguk escutou o barulho de água da torneira escorrendo. Espiou da forma como pôde pela fresta da porta, ainda concentrado em não produzir nenhum ruído, com medo de chamar atenção para si.

O garoto da cabelos castanhos estava abaixado sobre a pia, dificultando ainda mais a visão do moreno, mas ele conseguiu perceber que o outro jogava água repetidas vezes sobre o rosto. Não entendeu muito bem o motivo dele fazer isso, já que o próprio Jeongguk nunca tinha feito algo assim. Só depois de sair da aula de educação física, para limpar o suor.

Talvez ele tivesse acabado de sair da educação física? Não parecia. Ele vestia o uniforme comum, com paletó, e não o uniforme de esportes.

Continuou observando enquanto o castanho secava o rosto com papel toalha, para logo depois mirar-se no espelho. Agora sim, Jeongguk tinha uma boa visão. Podia ver, pela fresta da porta, o reflexo daquele rosto bonito e anguloso no espelho do banheiro. Tomou seu tempo para reparar melhor nele. Sua pele tinha um tom acobreado e quente, e os olhos dele eram bem grandes se comparados com os outros garotos da escola. Ele era alto.

Ao invés de se virar e ir embora, o garoto ficou ali encarando o próprio reflexo com um semblante sério por um período longo demais. Estranho. Jeongguk já nem se lembrava mais que precisava voltar logo para a sala de aula, que o professor já devia estar sentindo sua falta. Estava deveras distraído, concentrado em guardar na mente a face daquele que escrevia sua leitura favorita e lhe arrancava sorrisos fáceis.

Engoliu em seco quando o castanho inspirou e exalou o ar audivelmente, parecendo concentrado. Não se sentiu nada bem. Alguma coisa estava errada, aquele comportamento não era normal. Por mais que fosse sutil, era esquisito. O castanho encarou seu reflexo por mais poucos segundos antes de abrir um sorriso simpático de lábios cerrados, como se quisesse tranquilizar a si mesmo. Ele levantou o punho em sinal de ‘fighting!’ para o próprio reflexo, e logo em seguida se virou e foi embora.

Jeongguk não conseguiu conter um sorriso largo ao vê-lo fazendo aquele gesto.

Adorável.

~x~

 

Chega de conflitos éticos! Jeongguk não tinha mais tempo para perder decidindo entre o certo e o errado, e ver o garoto agindo tão estranhamente no banheiro apenas lhe atiçou a ânsia de ler o diário.

Então ele não tinha matado aula coisa nenhuma. Ele era mesmo muito bom em se esconder e o moreno estava determinado a descobrir onde era o tal lugar onde ele passava o tempo livre no colégio. Saiu correndo da sala de aula no minuto que sua aula acabou e apressou-se logo até chegar em casa.

Sentou sobre a cama e retirou o diário de dentro da mochila verde militar. Abriu-o sem nenhum pudor, procurando logo a página onde havia parado. Ia precisar de um marcador, pensou, e percebeu que sua cabeça estava feita e ele não pararia de ler. Que se dane tudo! Estava entediado e curioso, e leria o diário de cabo a rabo. Nunca mais o devolveria ao seu dono e ninguém ia descobrir! Ninguém ia ficar sabendo, então não tem problema ler.

Borboletas voaram pelo seu estômago quando ele encarou novamente a letra bonita. Não sabia bem o que elas significavam. Ansiedade? Nervosismo? Pouco importa, não queria pensar sobre o assunto. Queria ler o diário e ficar amigo do autor. As passagens do caderno com certeza o ajudariam a se aproximar do garoto, e Jeongguk seria um novo e bom amigo para ele.

Era uma situação vantajosa para os dois lados, concluiu. Não vai fazer mal a ninguém.

Querido Diário,

Eu sou o Incógnito.

Disse mesmo que não te contaria meu nome, então imagino que você saiba que esse não é meu nome de verdade. Seria um nome bem esquisito.

Sou Incógnito porque me sinto incógnito. O quê? Não sabe o que é? – Tudo bem, vamos ao dicionário então, eu te explico.

Incógnito.
adjetivo substantivo masculino.

Que ou quem procura não ser reconhecido, quer esconder sua verdadeira identidade.
Que ou quem não se conhece, não sabe quem seja; desconhecido.

Eu me identifico bastante com as duas definições, para ser bem sincero. Não acho que fico propositalmente escondendo minha personalidade dos outros, mas costumo tentar minimizar um pouquinho da forma como eu realmente sou. Acho que sou “demais” em um monte de coisas. Expansivo demais, falo alto demais, gargalho feito um maníaco quando estou muito feliz e posso até mesmo ser um pouco abusado e acabar invadindo o espaço dos outros. Morro de medo disso! Sério, já aconteceu algumas vezes de eu deixar as pessoas ofendidas por causa da minha espontaneidade, e não foi nada legal. Muito desconfortável e constrangedor. Então, geralmente eu me seguro um pouco. Pelo bem comum.

A segunda definição em especial, sou eu mesmo. Juro, é muito a minha cara.

Não porque as pessoas não me conheçam, mas porque acho que eu mesmo não me conheço. Nossa, acho que conheço tanto de mim mesmo quanto você, Diário, e você é a coisa que deve me conhecer melhor no mundo.

Eu não sei explicar muito bem. Tipo assim, eu sei bem das coisas que eu gosto. Eu gosto do toque quentinho do sol, gosto de ler poesia, gosto do cheiro da biblioteca municipal. Amo qualquer tipo de animal – em especial coelhinhos, como já conversamos antes – e também sou apaixonado por crianças. Crianças são tão espontâneas e livres! Tenho inveja delas também.

Eu gosto de chocolate ao leite bem doce, daquele cheio de leite mesmo. Gosto de andar por aí sem rumo e me perder nos meus pensamentos aleatórios sobre um bando de coisas nada importantes e que eu vou com certeza me esquecer logo em seguida. Gosto de ramén, do cheiro de café fresco de manhã, de ouvir músicas tristes mesmo quando eu me sinto feliz.

Mas ao mesmo tempo que eu sei de tudo o que eu gosto, eu não sei bem quem eu sou. Sei lá, eu vejo as outras pessoas falando um monte de coisas sobre mim e chegando a conclusões que eu não consigo julgar como certas ou erradas.

A minha amiga Ray (um apelidinho simpático que só a gente usa, então não tem problema te contar) vive tentando teorizar a minha personalidade. Ela diz que eu sou uma das pessoas mais inteligentes que já conheceu, e que estou destinado a grandes feitos, mas também diz que eu tenho uma alma de criança que nunca cresceu. Segundo ela, isso é algo bom.

Mas eu mesmo não sei, entende? Não sei de nada disso, nem sei o que vou querer fazer amanhã, quanto mais para o resto da minha vida! Eu gosto de um monte de coisas, tudo ao mesmo tempo e às vezes eu simplesmente passo a desgostar delas pouco depois e me envolvo com algo novo. Acho que sou alguma coisa mutável e inconstante demais, não devo mesmo ser desse mundo.

Será que o alma ruim tem razão? Talvez eu seja um alien. Não sei.

A única coisa que sei é que sou incógnito.

 

Jeongguk não sorriu após terminar sua leitura. Foi a primeira passagem do diário que não lhe fez sorrir. Pelo contrário, seu coração contraiu-se e ele se sentiu apreensivo, aquela preocupação incomoda com o garoto desconhecido retornando mais uma vez.

Ao mesmo tempo, identificou-se. Jeongguk sabia – apesar de ser em menor escala – como era a frustração de não conhecer a si próprio. Mas o moreno nunca refletira muito profundamente sobre o assunto e sempre que o tema invadia seus pensamentos ele acabava deixando-o de lado e ocupando seu tempo com outra coisa. Com vídeo games, quadrinhos, a equipe de luta da escola, deveres, amigos, garotas... Parecia não lhe sobrar tempo para reflexões profundas demais sobre autoconhecimento e ele agradecia por isso. Como dizia sua mãe: “A ignorância é uma benção”.

Foi corajoso do garoto parar para analisar-se abertamente daquela forma. Jeongguk não conseguiria. Tinha medo das verdades que poderia acabar descobrindo sobre si mesmo caso tentasse algo do tipo e não queria abrir sua própria caixa de Pandora.

Não acho que fico propositalmente escondendo minha personalidade dos outros, mas costumo tentar minimizar um pouquinho da forma como eu realmente sou.

Que injusto e desnecessário! Aquela personalidade expansiva que cativara Jeongguk não merecia ser diminuída nem escondida. Pensou que, quando fossem amigos, ia precisar ter cuidado para não falar nenhuma bobagem e deixar o garoto confortável para que ele pudesse ser ele mesmo e mostrar-lhe sua personalidade sem pudores e restrições. Ia ser difícil, Jeongguk costumava ser tímido.

Mas valeria a pena.

eu tenho uma alma de criança que nunca cresceu.

Ao reler esse trecho, Jeongguk conseguiu sorrir aliviado. Pelo que conhecia daquele garoto, ele realmente parecia ter uma alma de criança, o que não significava que ele era infantil. Não, não o achava nada infantil. Na verdade parecia bem maduro e tinha que lidar com um monte de problemas que o próprio Jeongguk não conhecia e não teria a maturidade necessária para lidar.

Mas o autor daquele diário tinha uma alma pura, como apenas as almas das crianças conseguem ser. Ele transitava entre alguns assuntos sérios e outros leves, tratando ambos com a mesma importância e dando a eles sua interpretação despretensiosa – mas que não deixava de ser crítica.

Reflexões sobre o Manifesto Infantista e sobre os abusos que sofria dos colegas de classe – como naquele episodio infeliz dos coelhos – eram abordadas com a mesma relevância. Para ele não tinha distinção.

Como uma criança faria.

Pelo menos descobriu que ele tinha uma amiga – aquela tal de Ray – e sentiu-se ao mesmo tempo feliz pelo garoto ter companhia e enciumado por não ser a dele.

Ainda precisava descobrir aonde aquele garoto se metia durante os intervalos no colégio.

Jeongguk não podia parar sua leitura agora.


Notas Finais


Oi queridxs leitores-amores <3 então,o que acharam do cap? gostaram?
Muito obrigada a todos os comentários do capítulo anterior e aos favoritos. Eu estou amando escrever essa história, é meu chuchuzinho - tô achando muito fluffy <3
Desculpem pela demorae por favor não desistam de mim!

Não esqueça de comentar, vocês sabem que eu AMO os comentários e preciso deles pra ter mais ânimo e escrever mais rápido.

Nos vemos muito em breve,
Beijocas amoras.

~BtsNoona


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