História Incógnito VKook - Taekook - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Bts, High School, Jungkook, Taehyung, Taekook, Vkook
Visualizações 2.552
Palavras 5.447
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Fluffy, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá leitores-amores! Que saudades <3
Eu tô me tremendo toda pra postar esse capítulo, e espero de coração que vocês gostem :)
Então bota lá na listinha de Incógnito do Spotify (link nas notas finais) e aproveitem esses 5k! haha

Boa leitura!

Capítulo 20 - Um ponto


Fanfic / Fanfiction Incógnito VKook - Taekook - Capítulo 20 - Um ponto

Um ponto.

Nunca mais veria outro da mesma forma. O ponto final teimava em lhe assombrar até em sonhos.

Na quinta-feira Jeongguk acordou com as forças praticamente recuperadas. Assim que chegou à escola recebeu um amontoado de papéis de Cheon Songyi, que havia gentilmente – e para a surpresa de Jeongguk – feito cópias de todas as anotações que perdeu naqueles dois dias. Passou o intervalo na estátua da Virgem Maria com Elizabeth, Hyeyeon e Taehyung, mas o garoto incógnito agiu de forma habitual, como se nada tivesse acontecido.

Talvez, para ele, aquela noite não tivesse representado nada demais. Ele tinha um jeito diferente de enxergar o mundo, e quem sabe na mente incógnita aquilo pudesse não ter sido grandes coisas. Mas era para Jeongguk, em sua cabecinha adolescente e convencional. Tinha significado algo.

Taehyung cuidou de mim, pensava, tentando chegar a uma conclusão sobre o acontecimento. Podia ser uma reação normal, visto que Jeongguk era seu único dongsaeng. É, não tinha nada de errado em tê-lo cuidando de si enquanto estivera doente.

Mas nós dormimos juntos. Abraçados.

E isso não parecia normal. Muito menos quando somado às sensações estranhas e agradáveis, aos calafrios que Jeongguk sabia muito bem não serem resultado da febre alta. Quando somado aos lábios de Taehyung, macios e gelados, colados na sua testa.

Não era normal, de fato. Mas tinha sido tão bom que Jeongguk não conseguia livrar-se da sensação.

Ao voltar para casa depois da aula, ainda estava com a história do ponto na cabeça. Era a única prova concreta de que havia sim algo fora do comum. Pontos no fim de mensagens não eram comuns. Precisava de uma explicação. Aquilo tinha que ter uma lógica, tinha que ter um significado oculto.

“Eu senti sua falta.”

Teimou em reler a mensagem mais trocentas vezes. Não conseguia despregar os olhos da tela do celular, sempre que estava sozinho. A boca do estômago borbulhava em euforia e um sorriso bobo surgia no rosto, toda santa vez. Por causa daquele mísero ponto, que devia ter caído ali por acidente.

Na tentativa de desvendar o enigma, Jeongguk recorreu à gramática do ensino fundamental, encostada há anos na estante.

“O ponto final representa a pausa máxima da voz. A melodia da frase indica que o tom é descendente. Emprega-se principalmente para fechar o período de frases declarativas e imperativas.”

Frases declarativas, pensou consigo mesmo. Pra fechar uma declaração.

Taehyung poderia estar se declarando? Estava levando aquele negócio do simples pontinho longe demais. Tinha perdido todo o juízo, toda a sanidade! Um amontoado de vozes se embolavam dentro da cabeça confusa, puxando Jeongguk de um lado para o outro, impedindo que chegasse a qualquer conclusão. Estava exausto de tanto pensar! Provavelmente não era nada, uma mera coincidência. Um erro.

Mas, ainda assim. Talvez.

Talvez Taehyung se sinta da mesma forma que eu.

E, no fim do caminho espinhoso e escuro, um mísero pontinho de luz.

 

~x~

 

O céu nublado dos dias anteriores se abriu em nuvens fofas e branquinhas sobre a imensidão azul. Pra Jeongguk, o céu bonito não era lá a melhor das novidades. Significava que o sol quente maltrataria os ombros durante o treino, que o suor viria escorrer as têmporas e grudar na pele, que o fôlego se esgotaria com maior rapidez. Apesar disso, ficou feliz pelo tempo bom. Esperava ver Taehyung lendo na arquibancada e, ao contrário de Jeongguk, seu hyung gostava de espreguiçar-se debaixo do calor solar, feito um gato. Ainda por cima naquele frio!

Tinham se passado uns vinte minutos de treino quando Jeongguk parou no meio do campo aberto, a procura da figura familiar de pernas cruzadas e com o olhar perdido em algum livro. Foi fácil encontrá-lo dessa vez, agora que já sabia onde procurar. Debaixo do sol, os cabelos cintilando um gradiente de tons castanhos, vestido com o paletó quente do uniforme escolar. Sorriu bobo em sua direção, mesmo sabendo que ele não o veria de imediato. Quando Taehyung se distraía com a leitura, não adiantava muito esperar atenção. Ficava imerso em seu universo particular, se deixava absorver pelas palavras, pelas imagens da própria imaginação fascinante.

- Para de sonhar, Guk! – A voz de Jimin fez com que despertasse de seus devaneios, e logo em seguida uma mão forte o acertou um tapa na bunda. – Vamos correr.

Praticamente saltou com o susto, e fez uma careta de reprovação. Virou o rosto à procura de Jimin, mas ele já tinha passado correndo. Conseguiu ver sua expressão ao longe, um sorrisinho cúmplice, e teve a impressão de que Jimin estava – do seu jeito – tentando tratar a nova situação de forma casual. A advertência não tinha soado como uma reclamação, mas como brincadeira. Jeongguk deixou escapar uma risada astuta antes que voltasse a correr. Por mais que não fosse muito, era um começo.

Virou o pescoço para trás e espiou Taehyung na arquibancada outra vez, ainda abduzido pela sua leitura. Riu consigo mesmo, pensando no tapa que Jimin havia acertado de surpresa. Devia estar com cara de deslumbrado, parado do meio do campo, e nem duvidava que estivesse com o queixo caído. O incógnito causava aquele efeito hipnótico em si, como se fosse seu próprio livro a ser desvendado.

Taehyung, com seus olhos enigmáticos em um milhão de estrelas salpicadas.

Não conseguia tirar da cabeça aquela ínfima possibilidade esperançosa, de que ele nutrisse do mesmo interesse, e o corpo todo formigava de ansiedade. Poderia o incógnito sofrer dos mesmos sintomas? Será que borboletas também povoavam seu estômago, inquietas?

Foi um treino de luta pesado, a última preparação para as classificatórias no dia seguinte. Apesar de recém recuperado da febre, Jeongguk havia se saído bem e estava confiante de que teria bons resultados nos confrontos oficiais. Além disso, precisava passar na competição se quisesse ter chances de entrar numa universidade respeitável. E, sabendo que Taehyung estaria lá para assistir, tinha que se concentrar duas vezes mais. Já havia se conformado que a imagem dele era uma irremediável distração.

Quando o treino finalmente acabou, as pernas desobedientes de Jeongguk caminharam por instinto até a arquibancada, ao invés do costumeiro percurso ao vestiário. Precisou semicerrar os olhos para enxergar os degraus de madeira, graças à luz solar que cegava parcialmente sua visão. Apenas há alguns minutos tinha visto Taehyung ainda sentado no mesmo lugar, mas agora os olhos falharam em encontrá-lo. Tinha sumido, de novo.

Apertou o passo sobre a grama, cruzando o campo aberto. Virando a cabeça de um lado ao outro, foi incapaz de diferenciar a figura etérea que já conhecia tão bem, e só avistou um grupo de quatro garotos, à alguns metros de distância. Mesmo ao longe, pôde distinguir os cabelos vermelho sangue de um deles.

Seo Bokjo.

Os pés criaram vontade própria, apressados, e conforme se aproximava do grupo uma quinta figura surgiu atrás da barreira de estudantes, agachada sobre a grama, de ombros curvados.

Oh, não. Não mesmo.

Rangeu os dentes, o familiar impulso raivoso e irresponsável crescendo dentro de si, anestesiando qualquer pensamento sensato. Reconheceria os cabelos castanhos a quilômetros de distância e amaldiçoou a postura acuada de Taehyung, os ombros encolhidos naquela reação defensiva que tanto lhe atiçava a ira. Os passos se tornaram mais afoitos e Jeongguk cerrou os punhos ao lado do corpo, machucando as palmas pálidas das mãos com suas unhas mal aparadas.

Identificou Baek Geunsuk, bem no meio do grupo, observando sua vítima com aquele sorriso porco e desleixado. Sem nem perceber a ação impensada, enfiou-se entre os dois, as narinas dilatadas, o sangue queimando nas veias. Nem mesmo parou para conferir a reação de Taehyung antes de avançar de peito aberto na direção de Geunsuk, de maneira ameaçadora, obrigando o garoto a recuar dois passos para trás.

- Aí, Geunsuk! O que eu falei? – Entoou a voz arrastada de Seo Bokjo. – O namorado dele chegou para o resgate.

Apesar do comentário, Jeongguk não estava disposto a perder seu tempo com o imbecil subordinado. Manteve os olhos cravados no sorriso desafiador do gêmeo Baek, que parecia estar achando a situação toda deveras divertida.

- O alien não consegue se defender sozinho? – Geunsuk tombou a cabeça para o lado, mirando num ponto às costas de Jeongguk. – Precisa de ajuda com isso, Tae?

Jeongguk se virou para trás, apenas um segundo antes de um outro garoto – um baixinho e gorducho, que não pôde reconhecer – dar um tapa de mão aberta na cabeça de Taehyung, impedindo que ele se levantasse com os livros em mãos. Antes que pudesse reagir, o maldito garoto desconhecido chutou o material das mãos dele, fazendo com que tudo fosse ao chão outra vez.

Em questão de segundos, Jeongguk se afastou do alma ruim e alcançou o colarinho do agressor, apertando o tecido à ponto dos nódulos de seus dedos se tornarem brancos e as veias de seu antebraço descoberto saltarem como se fossem explodir. Observou com prazer a cara patética de medo que ele fez enquanto tentava se desvencilhar de si, a mão pequena e rechonchuda agarrada ao seu pulso, numa tentativa falha de se soltar.

- Por que não bate na minha cabeça? – Desafiou, com olhos arregalados, e o garoto tremeu assustado.

- Yá, Jeon! – Ouviu a voz do alma ruim, num tom divertido. – Onde é que está seu senso de humor, hã?

- Você quer que eu seja engraçado? – Arqueou as sobrancelhas, torcendo a gola da camisa sobre o pescoço grosso, e com um empurrão fraco o fez cair de joelhos no chão, na mesma posição humilhante em que Taehyung ainda estava. – Vou te mostrar algo que me faz rir.

Virou-se para os outros três. Notou que Seo Bokjo estava receoso, olhando de forma apreensiva para seu líder, como se esperasse por ordens sobre o que deveria fazer. O alma ruim, fazendo jus ao seu nome, continuava com aquela maldita cara de quem não tem o menor dos problemas no mundo, como se estivesse completamente tranquilo com a situação, mesmo que só faltasse Jeongguk soltar fogo pelas narinas dilatadas. Mais atrás dos dois, com os mesmos ombros acuados de Taehyung e encarando os próprios tênis, uma cópia muito fiel de Baek Geunsuk parecia nervoso demais para encarar a cena.

O outro gêmeo, aquele que Jimin tinha chamado de nerd. Ele não parecia muito confortável com as maldades do irmão, mas também não interferiu. Ficou de canto, sem mexer um único músculo.

Não tinha tempo para perder com ele, já que a verdadeira ameaça – o gêmeo mau – ainda tinha aquele sorrisinho malicioso no rosto simétrico.

- O quê? – Geunsuk desafiou. – Vai me bater?

- Baek, é tudo o que eu mais quero.

- É um abusado mesmo. – O alma ruim riu. – Mas eu gosto disso. Você tem fibra, Jeon e eu admiro pessoas que têm fibra. Mas sinto informar que você não vai me bater.

- Eu acabaria com você em um segundo.

- Ah, eu não tenho dúvidas. A estrelinha da equipe de luta, com certeza eu não teria chances. – Ele esticou o pescoço até chegar o rosto perto de seu ouvido, e sussurrou as palavras numa voz inexpressiva. – Só que se você encostar um dedo em mim, vai ser o alien quem vai sofrer as consequências. E você não vai correr esse risco, ou vai?

Arregalou os olhos, e pela primeira vez sentiu medo do que Geunsuk era capaz de fazer. Sabia que ele era um mimado que sempre conseguia o que queria, mas pensou que sua principal ameaça seria a de expulsá-lo do colégio, com seus meios corruptos e sujos. Não tinha pensado que Taehyung poderia sofrer por seus atos impulsivos, e o coração se apertou ao pensar na possibilidade.

Afinal, queria proteger o garoto incógnito, não piorar a vida dele.

- Jeongguk.

Ouviu a voz grave e hesitante chamar-lhe o nome. A mesma voz que cantava aquela melodia calma em sonhos, a voz que lhe provocava calafrios na nuca ao soar rouca de manhã, ao desejar bom dia.

Dessa vez, a voz que tanto o cativava penetrou os ouvidos como um murmúrio falho, um pedido angustiado, em timbres de receio e fraqueza.

- Você entendeu? – Geunsuk sibilou, virando-lhe as costas antes que tivesse a chance de responder.

Só que não importava mais dar uma resposta à altura. O sangue já não corria quente, mas parecia ter congelado nas veias e Jeongguk sentiu-se petrificado, tamanha a apreensão.

Voltou-se para Taehyung, e finalmente seus olhares se encontraram. Como a voz e a postura, os olhos dele também eram indefesos. Nada de estrelas no céu castanho, mas só o tom nebuloso daquela expressão frágil e constrangida. Ele ainda tinha os joelhos sobre a grama, uma pilha de livros nos braços e a mochila jogada aberta ao lado, o broche do L preso no bolso da frente.

- Hyung.

A raiva toda se fora, e o Jeongguk sentiu o peito se apertar preocupado. Apressou-se em ajudar Taehyung a ficar de pé, recolhendo sua mochila pra que ele pudesse guardar os livros. Nunca tinha o visto com as bochechas tão rubras e era óbvio que o garoto incógnito estava com vergonha. Observou enquanto ele batia sobre os joelhos, espanando os pedacinhos de folhas em absoluto silêncio.

- Ahn, valeu. – Ele agradeceu ao pegar a mochila de volta, colocando-a nas costas. Então, abaixou os olhos e encarou os all star velhos. – E desculpe por isso.

Jeongguk arqueou as sobrancelhas, abismado.

- Desculpe?

Ele não podia estar falando sério. Não podia estar mesmo pedindo desculpas por uma situação em que foi muito claramente a única vítima.

Jeongguk beliscou o paletó do uniforme que ele usava e o puxou para uma área escondida, debaixo da arquibancada de madeira. Ao redor dos dois, apenas rabiscos coloridos, velhos chicletes mascados e teias de aranhas. Taehyung automaticamente recuou assim que ficaram à sós, quase encostando as costas à madeira empoeirada. Ao reconhecer incerteza naqueles olhos que tanto o fascinavam, Jeongguk sentiu-se preso em seu pior pesadelo. Ele não poderia estar com medo de si, poderia? Será que aquela demonstração estúpida de violência, de raiva cega que teimava em possuir o corpo, tinha dado a impressão errada? Será que sua tentativa tosca de proteger o garoto incógnito pudesse ter o extremo efeito oposto do desejado e assustá-lo?

Aproximou-se devagar, temendo a reação que ele poderia ter. Andou dando meia volta ao redor de seu corpo magro, de um lado ao outro, analisando-o dos pés a cabeça.

- Você tá bem? Não te machucaram?

- Ahn? Ah, não! – Taehyung abriu um sorriso frouxo, desses que não chegam aos olhos. – Eu tô bem, sério. São só uns babacas implicantes, eles não fazem nada pra valer. Eu juro.

- Certeza? – Deu um passo pra frente, alcançando um dos braços do incógnito e movendo-o como se para conferir se tudo estava em seu devido lugar. – E seu tornozelo, tá normal?

Como resposta, ele levantou os dois pés, marchando sem sair do lugar.

- Vê? Tá tudo bem mesmo. Você não precisava ter feito aquilo, eu tô acostumado. É só ignorar que eles vão embora.

Ninguém devia se acostumar com aquele tipo de abuso, pensou. Como a garota na mesa de ingressos, no outro dia. Ela tinha dito a mesma coisa, que “estava acostumada”. Aquilo não fazia sentido nenhum.

Mordeu o lábio inferior. Estudou a postura de Taehyung outra vez – encarando os pés, os costumeiros tênis desbotados. Numa tentativa impensada de fazê-lo olhar para si, Jeongguk tocou-lhe o queixo com a ponta dos dedos, o que só serviu para que ele desse outro passo para trás, quase batendo a cabeça castanha na coluna de madeira. Afastou os dedos de imediato.

- Você parecia com medo. Espero que eu não tenha te assustado. Não quero que tenha medo de mim, ou...

- Hãn, medo? – Taehyung interrompeu, arqueando as sobrancelhas espessas. – Não, não mesmo. Não foi isso. Eu só, hm… fiquei surpreso. Não precisava, Jeongguk. Eu aturo esses caras desde sempre, sei me virar sozinho.

Engoliu em seco, o coração apertando-se no peito. Não queria fazer com que ele se sentisse impotente, nem nada disso. Droga, só queria ajudar. Queria que ele se sentisse cuidado, querido. Não fraco.

- Eu sei que não precisava, hyung. – Emendou, e Taehyung finalmente levantou os olhos cintilantes em sua direção, tão próximos de si. – Mas eu quis. Você pode não ter ficado com medo, mas eu fiquei. Pensei que pudessem machucar você e tive muito medo.

Dessa vez, não culpou a língua ávida e imprudente. Há tempos queria confessar um milhão de verdades ao garoto que mexia tanto consigo, e era melhor que fosse desse jeito – rápido, impensado e indolor. Sabia que não conseguiria fazer isso se fosse de qualquer outra forma.

Taehyung ficou uns segundos em silêncio, o analisando de forma curiosa. Ele piscou os cílios castanhos, quase que em câmera lenta.

- Ah, você… – Hesitou. Jeongguk notou que seus olhos tinham recuperado as estrelas, e suas íris não paravam quietas um lugar, indo de uma ponta à outra, pesquisando em seu rosto. Em busca de alguma coisa, talvez. Taehyung abriu um de seus sorrisos retangulares, um tímido e frouxo, adorável. – Você é fofo. Hm, desculpe? Aish, não, não. Você vai brigar comigo por pedir desculpas de novo. Então, o quê? Obrigado? Pode ser. Ahn, mas você realmente não deveria ter-

- Hyung? – Sussurrou com um dedo em frente a boca, em sinal de silêncio. – Shh.

Notou as bochechas do incógnito se colorirem em tons de rosa, e não conseguiu segurar o próprio sorriso tímido. As borboletas atiçadas voavam pra todos os lados, multiplicando-se pelos órgãos, enquanto Taehyung se mantinha em silêncio, os olhos magnéticos tão vivos, a pele naquela nuance quente de cobre. Ele estava tão perto agora, e os sintomas vieram com força triplicada, a pintinha no lábio inferior visível outra vez. Sentia o coração precipitado, em terror e desespero, tentando saltar-lhe para fora do corpo. Sustentava a respiração pesada, a franja negra grudada na testa, e o frio começou a fazer seus efeitos nos braços nus, arrepiando-lhe os pelos.

- Você vai adoecer outra vez.

E você vai cuidar de mim outra vez?

Balançou a cabeça em negativa. Tinha que parar, estava arriscando demais. Um passo em falso e podia estragar tudo, espantar Taehyung pra longe de si.

Mas aquele ponto final tinha despertado uma esperança que não dava sinais de querer ir embora.

- Hm, você tem razão. Eu devia ir tomar banho… – Cogitou. Então, pensou na possibilidade de ir ao vestiário  e deixar Taehyung sozinho. Pareceu absurdo deixá-lo, principalmente depois do que havia acabado de acontecer, da maldita ameaça do alma ruim. Aflito e preocupado, começou a pensar alto, buscando alternativas. – Mas antes eu vou te deixar no ônibus. É rápido, vamos num pulo no vestiário só pra eu pegar meu casaco e eu deixo você lá, depois eu volto. Não, calma, melhor nem voltar. Eu posso tomar banho em casa, aí-

Teve a tagarelice interrompida pelos braços do garoto incógnito, que se agarraram abruptamente ao redor de sua cintura, e a bochecha dele apertou-se contra seu ombro desnudo e pegajoso.

- Eu estou todo suado. – Disse, mordendo a língua em seguida.

Idiota, repreendeu a si mesmo. Você quer fazer ele parar?

Mas Taehyung ignorou a frase e não se afastou. Jeongguk sentiu os joelhos fraquejarem ao tê-lo assim, entre os braços por vontade própria, e lentamente – quase que com medo de espantá-lo – contornou o pescoço dourado com uma das mãos e afagou os fios macios.

- Você nem pense em fazer uma merda dessas de novo. – Taehyung reclamou, a voz sufocada pelo abraço. Então, num suspiro baixinho e quase inaudível, o incógnito fez sua própria confissão. – Também fiquei com medo que te machucassem.

 

~x~

 

Dito e feito, Jeongguk só tomou o caminho de casa após ter certeza que o garoto incógnito estava seguro dentro do ônibus. Sorriu como tolo durante todo o percurso da volta, e enfim se meteu no chuveiro, num banho de água morna. Lembrou-se da preocupação de Taehyung, para que não arriscasse ficar doente de novo, e tomou um comprimido de vitamina C, só por garantia.

Não precisava dormir cedo demais, já que a competição do dia seguinte seria só no fim da tarde. Ainda assim, sem ter mais o que fazer, deitou-se na cama de casal e fechou os olhos, recordando a sensação agradável de ter o corpo de Taehyung colado a si. Dois abraços num intervalo tão curto – estava ficando mimado depois desses dias. No entanto, ao contrário da noite de terça-feira que Taehyung dormira em sua casa, dessa vez fora o incógnito quem tomou iniciativa e puxou-o para um abraço. Sorriu sozinho ao pensar nisso, e a ideia absurda invadiu a mente insana outra vez. Taehyung gosta de mim também. Talvez.

Levantou-se da cama e abriu o armário. Deu uma olhada rápida para a gaveta de meias, mas desviou em seguida. Não ia ler nada do diário, nem sentia vontade. Dessa vez, buscava outra coisa, algo que também faria com que sentisse Taehyung mais próximo de si, mas não provocaria tanto peso na consciência.

Enfiou o braço até o fundo e puxou o casaco de moletom vermelho, aquele que emprestara ao incógnito da primeira vez que ele dormiu em sua casa. Tinha o pego de volta há pouco tempo, e talvez ele ainda guardasse os vestígios do odor doce de baunilha.

O cheiro acolhedor de Taehyung.

Afundou o rosto no tecido, sendo recompensado de imediato. O cheiro dele continuava impregnado ali, vivo.

Aconchegou-se outra vez sob os cobertores, agora com o moletom apertado entre os braços, o nariz enterrado no tecido. Não era como ter o verdadeiro Taehyung nos braços, aquela sensação ao mesmo tempo pacífica e inquietante, o contato de sua pele fria. Mas já era algo, uma pequena recompensa, a lembrança doce daquele sentimento tão irresponsável.

E tão bom.

Ao fechar os olhos e se render ao sono, Jeongguk não se importou com os espinhos que teria que enfrentar.

~x~

 

A quadra aberta parecia completamente diferente sem a luz do sol. Era como se fosse outra, muito maior e mais robusta, com os holofotes acesos e as arquibancadas cheias. Chegava a ser intimidadora, de certa forma, como se as luzes artificiais alertassem que não era mais treino. Agora é pra valer.

O frio chegava a penetrar nos ossos. Jeongguk pulou de um lado para o outro na tentativa de aquecer o corpo, dentro do vestiário enquanto se trocava e do lado de fora, ao ouvir as últimas recomendações do treinador Lee. Precisava do aquecimento antes de lutar, mas a temperatura não ajudava em nada a relaxar os músculos. Pensou se Taehyung já estaria lá, entre a montoeira de gente nas arquibancadas, e imaginou que ele devia estar detestando a noite gelada.

Pesquisou as arquibancadas enquanto saltava no mesmo lugar, mas foi incapaz de encontrar o incógnito. Notou Jimin parar ao seu lado e, sem dizer uma palavra, começar a se alongar, esticando o corpo para todos os lados. Apesar da discussão que tiveram na quarta-feira, Jeongguk pensou que talvez ele estivesse tentando consertar as coisas, mesmo que fosse de um jeito silencioso e discreto. Ao contrário do que esperava, não estava o ignorando, mas por outro lado não tinha puxado muito assunto. Tirando aquela brincadeira no treino do dia anterior, os dois mal haviam se falado. Mas, como agora, Jimin estaria sempre ao seu lado – ainda que não dissesse coisa alguma. E Jeongguk se sentiu agradecido por ele não ter lhe virado as costas, já que a mera presença do melhor amigo já o deixava mais confortável.

- Ei, se juntem aí, vou tirar uma foto de vocês! – Ouviu uma voz feminina e animada, inconfundível, e ao desviar os olhos soube exatamente quem encontraria.

Num sobretudo caramelo imenso e com uma câmera profissional escondendo metade do rosto, Han Hyeyeon não parecia nada contrariada por ter que tirar fotos, ao contrário do que ela havia dito no intervalo. Jeongguk arqueou as sobrancelhas e mostrou um sorriso largo, puxando Jimin mais pra perto pelo moletom verde escuro, indicando que ele deveria prestar atenção na foto.

- Mais uma pra coleção. – Jimin comentou, referindo-se às muitas fotos que tinham, com seus uniformes de luta e sorrisos nervosos, antes de alguma competição.

Era como um ritual para os dois, uma comemoração de sua amizade de longa data. Conheceram-se pela primeira vez num ringue, quando Jeongguk tinha só oito anos. Ficaram amigos enquanto lutavam um contra o outro. Apesar dos muitos treinadores que teve através dos anos, Jimin era o que mais havia lhe ensinado coisas.

E ele estaria se formando em poucos meses. Não o veria mais nos treinos de luta à tarde, com seu sorriso brilhante de incentivo. Sentiu o estômago se embrulhar ao pensar nisso. Seria o fim de uma era!

Esticou o braço e contornou os ombros do melhor amigo. Mesmo que não estivessem na melhor das fases, ainda eram melhores amigos. E continuariam sendo, se dependesse de Jeongguk. Faria o impossível.

- Anda, Hyeyeon, tira outra! – Pediu, segurando Jimin no lugar ainda que ele tentasse se desvencilhar do aperto. – Pra ver se ele fica com uma cara melhorzinha dessa vez.

Ouviu o amigo bufar ao seu lado, contrariado. Hyeyeon disparou flashes incessantes enquanto os dois sorriam juntos, ambos tremendo de frio. Quando a garota finalmente parou de bater fotos, Jimin se afastou cinco passos e começou a pular no lugar. Hyeyeon se aproximou de si, com um sorriso alegre no rosto pálido, e esticou-lhe a câmera, mostrando as fotografias que havia acabado de tirar.

- Ficaram ótimas, olha só. – Disse, convencida. – Eu sou muito boa mesmo.

- Depois me passa todas. – Jeongguk concordou com a cabeça, analisando as imagens pequeninas na tela. Realmente, não tinham ficado ruins. Mas, mesmo que tivesse gostado muito das fotos, a curiosidade sobre outro assunto escapuliu da garganta. – Hm, a Liz e o Taehyung vieram?

Hyeyeon soltou a câmera, deixando-a pendurada no pescoço, feito um colar gigante.

- E como não? A gente teve que convencer a Liz, mas o Tae não falou de outra coisa o dia inteiro.

- É sério?

- Aham. Muito sério. Eu passei o dia todo na casa dele, a gente assistiu um filme. Horrível, o filme. Mas também nem deu pra prestar muita atenção porque o Taehyung não parava quieto, acho que nunca tinha vindo numa competição dessas. Ele se empolga com tudo, parece criança. Eu falo com ele: Tae, você tem alma de criança que não quer crescer. E ele tem mesmo, sério.

Nossa, como ela fala! – pensou. No entanto, não era um defeito. Gostava de como Hyeyeon conseguia dissipar a tensão de momentos constrangedores. Ela soltava informações de forma despretensiosa, sem nem notar a ansiedade crescente em Jeongguk, a forma como seus olhos observavam, atentos, em busca de pistas.

- E onde é que ele tá?

- Ué, vocês não se viram ainda? – Hyeyeon franziu as sobrancelhas, em dúvida. – Ele tava te procurando na hora que a gente chegou, mas eu tive que ir falar com o povo chato do jornal… Ah, mas você devia estar no vestiário ou alguma coisa assim. Ele tá logo ali, olha! – Apontou na direção da arquibancada. – Na primeira fila, com a Liz, tá vendo?

E lá estava ele, com uma touca rosa nada discreta na cabeça e um casaco tão enorme que praticamente o engolia todo. Acenava freneticamente, agitado, com um sorriso caloroso estampado no rosto.

Sentiu o estômago se afundar. Jeongguk já estava acostumado com a adrenalina que precedia uma competição, e até gostava daquela ansiedade e inquietude. Antes de conhecer Taehyung, achava que esses minutos de pré-luta eram a coisa que mais lhe dava frio na barriga. Ah, até parece! Só de olhar pra ele, a forma como reluzia no meio daquele amontoado de gente, já fazia com que se sentisse caindo em queda livre. A aflição antes de uma luta não chegava nem perto da sensação de abraçar o corpo frio e magro, de embolar os dedos nos dele, de tocar nos fios castanhos e macios.

A voz fina de Hyeyeon ressoou no fundo da mente, dizendo que ia não-sei-onde fazer não-sei-o-quê, mas pareceu só um eco distante e sem importância. Jeongguk levantou timidamente um dos braços, acenando de volta para o garoto incógnito, que parecia determinado a chamar sua atenção – fazia todo tipo de caras e bocas, levantava o punho fechado num sinal de “fighting” e pulava feito doido no lugar. Mal sabia ele que bastava ficar parado para hipnotizá-lo, mas Jeongguk apreciou seus esforços, que o fizeram se sentir importante.

Sentiu uma mão cair pesada sobre o ombro direito, mas nem assim conseguiu desviar o olhar do rosto de Taehyung, afundado numa imensa touca rosa. Um segundo depois, a voz conhecida de Jimin sussurrou-lhe no ouvido, o tornando consciente de suas advertências.

- Olha, ele veio te ver, Guk. Então nem que seja só pra impressionar o Taehyung, você precisa ganhar essa luta. E para de olhar pra ele com essa cara de retardado, você quer que todo mundo fique sabendo?

- Hãn? – Finalmente desviou sua atenção, receando que estivesse sendo mesmo óbvio demais. Pesquisou ao redor para garantir que ninguém tinha percebido o olhar enfeitiçado que pertencia a Taehyung, antes de finalmente encarar Jimin, preocupado. – Não! Não, hyung. Por quê? Você acha que alguém-

- O treinador Lee está chamando a gente pra concentração. – Cortou, antes que Jeongguk pudesse completar o pensamento em voz alta. – Vamos logo.

Seguiu o amigo através da grama, até os outros colegas da equipe. Ele estava agindo de forma toda estranha, numa hora parecendo querer consertar as coisas, noutra se afastando do assunto que Jeongguk tanto queria confidenciar. Por mais que não conseguisse entender, forçou-se a afastar aquele assunto da cabeça. Tanto Jimin, quanto Taehyung. Não era o momento de se apegar a distrações e tratou de esvaziar a mente, da forma como costumava ser perito. Focou-se nos avisos do treinador, do próprio sangue correndo nas veias.

Era hora de lutar e só a vitória importava.

 

~x~

 

Com os músculos pulsando, o coração batendo na garganta e sem folêgo, Jeongguk apoiou as mãos nos joelhos e aproveitou o sentimento de dever cumprido. Três lutas, três triunfos – o último, porém, tinha vindo com desgastante dificuldade, e o ar gélido maltratava ao entrar nos pulmões, enquanto tentava recuperar o ritmo da respiração. Seus colegas de equipe lhe batiam nas costas curvadas, tapas de parabenização aos quais já estava acostumado. Mas quando dedos leves enfiaram-se no meio dos fios de cabelo úmidos de suor num cafuné afável, Jeongguk soube que não se tratava de nenhum dos garotos com quem treinava. Levantou os olhos já com um sorriso, sabendo exatamente a visão que o esperava. O nariz vermelho de frio, um sorriso juvenil e os olhos estrelados, cintilando.

- Você foi incrível, Jeongguk-ah!

- Obrigado. – Riu frouxo, orgulhoso de si mesmo e grato pelo elogio enfático. Alcançou a nuca do garoto incógnito, apoiando-se enquanto ainda tentava reaver o ar, aproveitando a desculpa para tocá-lo. – Que bom que você veio.

Ele pareceu nem notar o toque e continuou rindo retangular, disparando a falar sem dar tempo para arrependimentos ou reflexões.

- Ah, foi muito divertido, mesmo. Nunca pensei que uma coisa assim pudesse ser divertida, mas eu nem consegui piscar os olhos.

- Eu fiquei assim quando te vi cantar. – Confidenciou, satisfeito ao ver as bochechas de Taehyung efervescentes, em tons rosados. Os holofotes do campo faziam com que uma auréola de luz surgisse ao redor do rosto bonito, o tornando ainda mais irresistível, o sorriso raro, os olhos cativantes, rendendo Jeongguk de todos os filtros, privando-o do bom senso. – Hyung, eu-

- Eu sei. – Ele interrompeu, rápido, e desviou o olhar para baixo, afirmando com a cabeça. – Pode ir sempre que quiser... Jeongguk-ah.

O coração saltou apressado e o corpo todo tremeu. Não era mais o frio, nem o cansaço por causa das lutas. Foi ao abaixar os olhos negros, ao seguir o olhar do garoto incógnito, que encarava os próprios tênis – como sempre. Entretanto, não foram os costumeiros converses desbotados que encontrou sobre a grama e um calafrio intenso percorreu da coluna até a nuca, a surpresa e excitação crescendo dentro de si ao ponto de precisar mesmo apoiar o peso no ombro de Taehyung, já que os joelhos estavam em ponto de falhar, inúteis.

Os tênis brancos. Novinhos e limpos, os exatos tênis brancos idênticos àqueles com os quais tinha gastado a maior parte de suas economias. Os tênis que vinha usando, todos os dias na aula, na esperança de que Taehyung criasse coragem de calçar nos pés. O par de tênis que simbolizava o quanto tinha ficado maluco por ele. O símbolo de que ele não devia se preocupar com que os outros pensam.

Símbolo de que Jeongguk estava disposto a passar pelas mesmas dificuldades, se preciso.

“Eu sei”, ele havia dito.

Ele sabe. Taehyung sabe.

 


Notas Finais


E aqui estamos, no CAPÍTULO VINTE. Senhor, eu não acredito que eu sou a autora mais enrolada desse site.
Mas espero que vocês não desistam de mim, POR FAVOR, não me abandonem... Um dia eu chego lá, mesmo no meu passinho de tartaruga hahaha.
Obrigada mais uma vez ao carinho imenso que Incógnito recebe sempre. Ah, é a melhor coisa do mundo saber que vocês estão curtindo essa fanfic tanto quanto eu <3 Queria dar um beijo em cada um!

Então me contem o que acharam do capítulo, por favor <3 Estou tentando responder a todos, um dia eu chego lá! Os comentários de vocês são imensamente importantes pra mim. No capítulo passado, as opiniões de vocês sobre a relação do Jimin com o Jeongguk me deixaram super feliz! Não só pelos "chutes" do que pode estar acontecendo, mas porque vocês não estão só focados no romance mas também na amizade desses dois personagens. A opinião de todos vocês conta demais pra mim, e eu adoro ler o que vocês escrevem...
Enfim, COMENTEM TÁ?

E quem quiser bater papo comigo:
twitter/curiouscat @ btsnoonafanfics

playlist de Incógnito no Spotify: https://goo.gl/BV8GwL

amo vocês!
Beijocas amoras,

~BtsNoona


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