História Incompleta - Capítulo 77


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Personagens Karina "Ká" Duarte, Pedro Ramos, Personagens Originais
Tags Perina, Santovitti
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Palavras 6.542
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, bebês!!
Sentiram saudades? Espero que sim. Bom, antes de qualquer coisa, quero agradecer a todos os comentários e dar boas vindas às novas leitoras. Bem-vindas, amores!!
Então, aqui estou eu com mais um capítulo, e nele, nós saberemos como anda o tal plano da Ruiva e do Luís.
Boa leitura!!!

* LEIAM AS NOTAS FINAIS

Capítulo 77 - Plano em ação


Pov Pedro

Karina dormia tranquila sobre meu peito, seu cabelo ainda molhado, espalhado sobre mim, me fazendo recordar o que fizemos há pouco em seu banheiro. Sorri admirando-a, pensando no quanto eu a amo e em como quero vê-la segura novamente.

Embora ela tenha me assegurado que não estava chateada comigo por conta do maldito plano frustrado, eu ainda me sentia mal. Karina me disse que estava tudo bem, que a culpa não era minha, mas eu sentia que era. A sensação de impotência ainda permanecia em mim, mas não consegui negar todo o cuidado que ela teve comigo; negar seus beijos e suas carícias, seu corpo, seu toque, era algo que eu não conseguiria fazer jamais. Por isso, me permiti aceitar sua proposta de me fazer relaxar, e confesso, passar aquele tempo com ela era tudo o que eu precisava.

Karina tem algo especial, algo que consegue me acalmar e confortar em segundos, ao mesmo tempo que também consegue me enlouquecer, me tirar do eixo, me entorpecer completamente. Ela é forte, segura, decidida, e fodidamente sensual. Minha esquentadinha não precisa de muito para me deixar no ponto, basta ela me olhar com aquele mar particular cheio de malícia e trazer seu corpo pra junto do meu para me fazer incendiar. É maravilhoso saber que quando estamos juntos desse modo, nada pode nos abater, somos inatingíveis. Mergulhamos num mundo só nosso, onde tudo o que importa e nos amarmos, onde apenas nós importamos. E era lá que estávamos há pouco.

Porém agora, que estou de volta ao mundo real, acabo me dando conta de que apesar de toda a força e segurança de Karina, ela também é muito frágil e delicada, precisa de cuidados. Eu sou seu namorado, preciso cuidar dela, protegê-la, mas tenho falhado nessa tarefa ultimamente; tenho deixado que ela permaneça exposta a todos os perigos e ameaças oferecidas por aquele canalha do Luís, e é isso o que está me deixando mal.

Essa situação já tem se estendido por tempo demais, Karina tem vivido angustiada e amedrontada há tempo o bastante, não posso deixar minha esquentadinha continuar a viver em estado de permanente alerta, quero que ela volte a se sentir segura. Mas para isso, Luís tem que ser pego de uma vez por todas, porém, ainda não sei como chegar até aquele desgraçado.

Hoje nós chegamos perto, eu sei, estávamos à ponto de descobrir onde ele se esconde, mas não conseguimos. E é exatamente por isso, por termos chegado tão perto, mas não termos obtido êxito, que eu me sinto ainda mais derrotado. Se tivéssemos avançado um pouco mais, só um pouco, quem sabe não teríamos descoberto onde ele mora? Suspirei frustrado ao pensar nisso, e me estiquei com cuidado para não acordadr Karina, afim de pegar meu celular no criado-mudo. Quando alcancei o aparelho, liguei-o — pois ele permaneceu desligado desde que saí de casa — e percebi que eram pouco mais de duas da manhã, e eu não tinha dormido nada ainda, minha cabeça à mil.

Eu sabia que não conseguiria dormir, não com aquele monte de incertezas em mente, então uma ideia me acometeu: E se eu voltasse lá, àquele bairro e procurasse mais um pouco? Podia soar um tanto maluco, eu muito provavelmente não encontraria nada à uma hora dessas, mas era melhor do que ficar aqui deitado, remoendo o que houve e comparando com o que poderia ter acontecido. Pensando nisso, decidi levantar e ir até lá.

Me desvencilhei de Karina, com todo o cuidado do mundo, torcendo para que ela não acordasse, e graças aos céus, ela permaneceu dormindo serenamente. Vesti minhas roupas, peguei minha carteira, chaves e celular, fazendo o mínimo de barulho possível, depois, cobri melhor o pequeno corpo da loira que repousava tranquila e lhe deixei um beijo suave na testa antes de sair por fim.

Atravessei a praça vazia devagar, apreciando a brisa da madrugada e logo alcancei meu carro. Destravei o alarme, entrei e logo dei a partida, imaginando qual caminho seria o mais rápido e seguro para chegar ao centro nesse horário. Peguei uma rota alternativa ao invés do caminho habitual e consegui chegar ao tal bairro no qual perdemos o rastro daquele lutador maldito em pouco mais de uma hora. Dei umas voltas pela vizinhança — que era um tanto duvidosa —, mas como eu supunha, não consegui encontrar nada relevante.

Quer dizer, pelo menos era isso o que eu pensava, até encontrar a figura de uma ruiva — infelizmente muito conhecida por mim — vagando por ali. Era estranho vê-la caminhando por um bairro tão desvalorizado, principalmente de madrugada, mas isso não era da minha conta, e eu facilmente teria ignorado esse fato, se ao me aproximar de Bárbara, não tivesse percebido que havia algo errado com ela.

Suas roupas estavam amassadas e uma das mangas de sua blusa estava rasgada; seu cabelo estava um tanto bagunçado e ela tinha marcas nos braços e no pescoço, assim como um olhar perdido. Bárbara parecia frágil e indefesa de um modo que eu não lembrava tê-la visto antes, e independente de tudo o que eu sei que ela já fez não só a mim, mas ao Cobra, ás meninas, e claro, à Karina, eu não consegui passar por ali e ignorá-la, eu tinha que ajudá-la de algum modo.

— Bárbara? — Baixei o vidro chamando-a, acompanhando-a devagar com o carro. Ela parou de repente, abraçando-se inconscientemente, tentando se proteger. — Calma, sou eu, Pedro. — Falei parando também e a vi suspirar aliviada ao me reconhecer.

— Pedro? Ah, Pedro, graças a Deus é você e não outro maluco! — Disse se aproximando do carro, sua expressão ainda aliviada, mas também havia certa surpresa ali, e seus olhos... Não sei, estavam muito determinados a algo. Porém, antes que eu pudesse pensar mais sobre isso, ela me surpreendeu com um pedido: — Por favor, preciso que me tire daqui. Eu não aguento ficar sozinha aqui por nem mais um segundo, Pedro! Me leva pra casa? — Haviam lágrimas apontando em seus olhos, ela parecia amedrontada de fato, então assenti.

— Claro, entra. — Falei destravando a porta para ela, que logo adentrou o veículo. — Mas o que aconteceu? O que faz aqui, à essa hora e nesse estado? — Perguntei após dar a partida, voltando a meu caminho.

Bárbara encolheu-se no banco, um tanto reticente e suspirou antes de disparar:

— Eu fui assaltada, e... Um cara quase me violentou.

Não pude evitar a feição de espanto e horror por conta de suas palavras, ela me mirou brevemente, e uma lágrima solitária rolou por seu rosto, antes de ela voltar a desviar o olhar, abraçando-se novamente.

— O quê? Mas como? Quer dizer, quem fez isso com você? — Perguntei preocupado, e de certa forma, indiganado.

Odeio pensar que há covardes por aí, covardes como o Luís, capazes de fazer atrocidades com mulheres indesfezas. Bárbara tinha sido vítima de um desses monstros, e por sorte, tinha conseguido escapar — assim como Karina quando o maldito lutador a encurralou no banheiro —, mas eu sabia que o trauma permaneceria. Porém, se ela soubesse ao menos onde e como encontrar o tal cara, talvez, conseguíssemos fazer algo à respeito, impedindo assim que outro canalha saísse impune.

Ela não me respondeu, permaneceu em silêncio, pensativa e com um olhar perdido. Percebi que talvez ela não se sentisse à vontade para conversar sobre aquilo comigo, então me desculpei:

— Desculpa, eu sei que deve ser difícil pra você falar sobre isso agora, eu não quero te pressionar, nem nada do tipo. — Assegurei, atraindo sua atenção. — Mas quero que saiba que se quiser falar, eu tô aqui pra te ouvir e ajudar.

— E-eu quero falar. — Ela disse por fim. — B-bom, quer dizer... Vai ser bom poder falar sobre isso com alguém, d-desabafar. — Disse um tanto nervosa, tropeçando nas palavras. — Eu não tenho amigas com quem conversar, e muito provavelmente, se eu contar aos meus pais, eles vão colocar a culpa toda em mim. — Ela suspirou, mexendo as mãos inquietamente. — A única pessoa que eu tinha era o Cobra, mas agora ele sequer quer me ver, então... — Ela deu de ombros, seus olhos enchendo-se de lágrimas novamente, e eu esperei ela se recompôr minimamente antes de voltar a me pronunciar.

— Bom, eu sei que estamos longe de ser amigos, mas acho que você sabe que pode confiar em mim, não é? — Bárbara assentiu. — Então, não precisa ter medo. Me conta como aconteceu? — Pedi e ela suspirou mais uma vez, desviando os olhos de mim.

— Eu e Cobra não terminamos muito bem, como você deve saber... — Ela começou e eu assenti, indicando que ela continuasse. — Eu até tentei uma reaproximação com ele, mas nós acabamos brigando e ele me dispensou mais uma vez. — Lembrei-me do dia em que estava na praça com a esquentadinha e vi os dois discutindo. — Eu o amo, Pedro, mas não ficaria me humilhando a ele, por isso, depois da última briga que tivemos, decidi tentar esquecer um pouco dele, mesmo que só por uma noite e fui beber e dançar numa boate qualquer. E lá eu conheci um cara. — Disse voltando a me encarar. — Ele era muito bonito, atraente e agradável, eu tinha bebido um pouco a mais naquele dia, mas não a ponto de perder os sentidos, então não rolou muito mais do que umas danças ousadas e uns beijos, porém, de algum modo, ele conseguiu meu número e passou a me mandar mensagens.

— Esse cara, que você conheceu e te mandou mensagens, foi quem tentou te fazer mal hoje? — Perguntei cauteloso, ela assentiu devagar. — Você que marcou de encontrar com ele?

— Não! — Ela negou rapidamente. — Eu admito ter trocado algumas mensagens com ele, mas logo deixei pra lá, não o respondi mais porque como eu disse, eu não estava interessada de fato. Eu ainda amo o Cobra. — Reafirmou veemente — Mas hoje, quis sair pra me divertir novamente e fui na mesma boate de antes. Dessa vez não bebi, só queria dançar, mas de repente senti um mal estar e decidi ir embora. Eu já estava próxima a saída quando ele me abordou, pedindo para me pagar um drink, dizendo que era muito sortudo por me ver de novo. — Ela revirou os olhos e eu reconheci esse gesto como sendo da Ruiva que eu conhecia, mas então ela suspirou e sua voz soou frágil novamente. — E-eu recusei e falei que estava me sentindo mal, e-ele foi todo gentil e me ofereceu uma carona, e bom... Eu aceitei.

Lancei a ela um olhar repreensor, ela suspirou mais uma vez, antes de continuar:

— Eu sei que não deveria ter feito isso, afinal, eu mal o conhecia, mas ele não parecia perigoso. Porém, toda a gentileza que eu achei que ele tinha, sumiu no caminho, quando ele começou a me tocar de modo estranho. Eu pedi pra ele parar, mas ele se recusou, disse que ia me fazer melhorar rapidinho e do nada parou o carro. Eu tentei sair, mas ele me impediu, me jogando no banco de trás e começou a me beijar e tentar tirar minha roupa... — Ela parou de falar de repente, parecia estar tentando segurar as lágrimas, eu tentei acalmá-la.

— Tudo bem, Ruiva. Agora você tá bem, fica calma. — Falei e ela assentiu. — Agora me diz, como você conseguiu escapar desse cara?

— Não que eu acredite muito em Deus, mas acho que foi por puro milagre. — Ela disse limpando o rosto vermelho e molhado. — Acho que ele percebeu que eu não "cooperaria" e apenas desistiu. Do nada ele saiu de cima de mim e me mandou descer do carro e assim que eu desci, saiu, me deixando sozinha naquele bairro estranho.

— Certo, mas você me disse que foi assaltada também. Foi ele?

— Não. — Ela negou e riu secamente. — Acho que não era mesmo o meu dia de sorte porque mal eu consegui me livrar daquele maluco, um outro apareceu e me roubou. Eu não fazia ideia de onde estava, e sem celular, não podia chamar ajuda, então comecei a andar sem rumo, até você aparecer. — Bárbara suspirou e então completou: — Se você não tivesse aparecido, sabe-se lá o que ainda poderia ter acontecido. Obrigada, Pedro.

— Não precisa agradecer, Bárbara. Mas agora que você está segura, o que pensa em fazer? — Perguntei e ela franziu o cenho. — O que quer fazer à respeito do cara que tentou te violentar? — Reformulei a pergunta e vi certo receio passar por seus olhos.

— E-eu não sei. — Respondeu nervosa. — Pra falar a verdade, não pensei muito sobre isso. Tudo o que eu quero no momento é chegar em casa, tomar um bom banho e cair na cama. — Completou desviando o olhar.

— Você sabe que tem que denunciá-lo, não é? — Ela assentiu um tanto hesitante. — Ele pode não ter conseguido ir muito longe com você, mas pode muito bem tentar fazer outra vítima. Nós temos que impedí-lo!

— Mas, Pedro, eu não quero me expôr. — Ela argumentou. — Não sei quase nada sobre ele e sei que jamais o verei novamente. Não quero passar pelo estresse de ter que ir numa delegacia, sabendo que no fim, sequer haverá processo.

— Você não tem como saber isso, Ruiva, e aposto que não deseja que mulher nenhuma passe pelo o que passou. Se você pode fazer algo, por que não fazer? — Perguntei e a vi suspirar desconfortável.

— Acho que isso é uma decisão minha, em todo o caso. Eu não quero pensar sobre isso agora, mas talvez eu mude de ideia depois. Você disse que não me pressionaria, não foi? Então deixe que eu tomo minhas próprias decisões com calma. — Se pronunciou firme, foi então a minha vez de suspirar e assentir.

Ela tinha razão, eu não podia decidir por ela, e como ela não parecia mais tão confortável para conversar comigo, deixei que o silêncio permanecesse até que chegássemos enfim até seu condomínio.

— Obrigada, mais uma vez, Pedro. — Agradeceu me encarando com um pequeno sorriso. — Você não só me tirou daquele lugar horrível, mas também me ouviu e foi o ombro amigo que eu precisava. Aliás, hoje você foi meu herói, não sei o que faria sem você! — Completou se atirando sobre mim, num abraço inesperado.

Acho que a última vez que eu e Bárbara estivemos assim tão próximos, ela usava aparelho e eu ainda era virgem, então sim, faz muito tempo, mas eu sabia que aquele abraço era sem intenção alguma, ela apenas estava em busca de algum conforto depois da noite difícil que teve, então não a afastei, porém, também não consegui abraçá-la de volta.

— Já disse que não precisa agradecer. — Falei quando ela se afastou, nós dois um tanto desconcertados. — Eu não podia te deixar sozinha naquele estado, e faria o mesmo por qualquer mulher em situação semelhante a sua.

— Eu sei, você é muito bom, Pedro. Eu que não sou flor que se cheire, por isso estou tão agradecida. Você me ajudou mesmo depois de tudo o que eu fiz a você e seus amigos, poucas pessoas fariam isso. Obrigada mesmo.

Apenas acenei, concordando com um manear de cabeça, ela sorriu mais uma vez, se virando para sair, mas eu a impedi tocando seu braço sutilmente.

— Só não esquece de pensar sobre a denúncia. É realmente muito importante, Bárbara. — Ela me mirou e assentiu, antes de sair por fim.

Suspirei exausto, voltando ao meu caminho. Por sorte, o condomínio no qual Bárbara morava não era tão distante do Catete, então logo cheguei ao meu destino. O céu já era tomado por tons claros, o Sol quase raiando, faltava pouco para amanhecer, mas meu corpo clamava por descanso.

Adentrei com cuidado a casa de Karina, usando a cópia da chave que me pertencia, e tudo ainda estava silencioso por ali. Fui direto para o quarto da minha esquentadinha, pedindo aos céus para que ela ainda estivesse adormecida, e as forças superiores me atenderam. Suspirei aliviado, pois sabia que se ela tivesse acordado no meio da noite e não me visto ali, certamente exigiria explicações, e eu não estava a fim de preocupá-la contando onde estive durante a madrugada — e com quem.

Sorri, ainda fitando-a; ela estava praticamente na mesma posição a qual eu a tinha deixado, a única diferença era o cabelo que tinha caído um pouco sobre seu rosto e o lençol que agora só a cobria parcialmente. Me livrei de minhas roupas e me juntei a ela, Karina suspirou se aconchegando a mim imediatamente, de modo quase instintivo. Sorri mais uma vez, tirando os fios soltos de seu rosto, e acariciei sua face levemente, inalando seu perfume adocicado. Fechei os olhos sorrindo, o sono me invadindo devagar, sentindo que ali, com ela nos meus braços, eu estava em casa.

Pov Karina

A segunda-feira chegou mais uma vez, e com ela, mais um dia na minha rotina de estudante, tinha que acordar cedo para ir ao colégio. Porém, dessa vez era diferente, eu estava super entusiasmada porque estávamos na última semana de aula. Férias, finalmente! Por isso tratei de me arrumar o mais rápido possível, para dar tempo de tomar café e não me atrasar, então rapidamente estava sentada à mesa com minha mãe que me recebeu com seu habitual sorriso e um beijo de bom dia.

— Hum, acho que hoje você vai conseguir não chegar atrasada, filha. — Disse verificando as horas em seu relógio de pulso. — Que milagre, hein?

— Pois é. — Falei com um sorrisinho, enquanto devorava uma torradinha com geléia.

Enquanto comia, pensei que, realmente, fazia tempo que eu não conseguia chegar cedo ao colégio, e isso tudo por culpa de um certo moleque safado que adora me provocar de manhã, e sempre me atrasa com seus banhos cheios de intenções, ou com nossas rapidinhas matinais. Mas eu confesso, adoro quando ele dorme aqui, e adoro ainda mais acordar com seus carinhos.

Como se adivinhasse que eu estava pensando nele, senti meu celular vibrar com uma mensagem sua.

"Bom dia, minha esquentadinha mais linda do mundo! Quando já estiver pronta, desce aqui na praça que seu moleque já tá te esperando.

Beijos, amor <3"

Sorri ao ler, e ao levantar os olhos, encontrei minha mãe rindo igualmente.

— É o Pedro, não é? — Assenti levantando-me. — Saudades, tão cedo? — Dei de ombros.

— Ele tá me esperando na praça. — Expliquei tomando um gole de suco, apressada, e lhe deixei um beijo na testa. — Até mais tarde, mãe. Se cuida!

— Hey, essa fala é minha, mocinha! — Ela reclamou risonha, sorri também e a ouvi gritar da porta: — Até mais tarde, meu amor!

Corri até a praça, sentindo uma vontade louca de abraçar o meu moleque e sorri ao vê-lo ali, todo lindo, encostado ao seu carro, com os braços cruzados e um sorriso encantador nos lábios.

— Pedro... — Suspirei quando ele abriu os braços, me envolvendo em seu abraço. Afundei a cabeça em seu peito, aspirando seu maravilhoso cheiro e então encarei seus olhos. — Bom dia!

— Bom dia, amor! — Disse e então selou nossos lábios. — Senti sua falta, sabia? — Sorri novamente.

Eu também tinha sentido falta dele, e olha que só não o vi ontem, pois ele teve que dar uma forcinha no Perfeitão e à noite, Tomtom reclamou de saudades, então ele ficou com a irmã e dormiu por lá mesmo. Eu sei que não era tanto tempo assim, e nós tínhamos nos falado por mensagem e ligação, mas acho que fiquei mal acostumada a tê-lo todos os dias comigo.

— Eu sei, moleque, também senti a sua. — Confessei acariciando seu rosto, ele sorriu. — Principalmente à noite. — Continuei, me colocando na ponta dos pés. — Minha cama fica fria sem você. — Sussurrei contra seus lábios.

Pedro sorriu novamente — um sorrisinho devasso, dessa vez — e me puxou para ele, afundando seus lábios nos meus. Suas mãos estavam firmes em minha cintura, as minhas estavam entre seus cabelos e eu gemi baixinho quando ele mordiscou meu lábio e aprofundamos o beijo. Ele suspirou em minha boca, enquanto nossas línguas se acariciavam e eu gemi mais uma vez, ao sentir sua mão chegar a minha bunda. Me agarrei mais a ele, não prestando atenção em mais nada, senão em seu aperto firme e em seus lábios hábeis sobre os meus, até que ouvi aquela voz:

— Eita! Atentado ao pudor à essa hora. — Era o João. — Eu não mereço acordar e dar de cara com essa cena logo cedo, Bianquinha! — Reclamou, dramático como sempre. — Ouvi a risadinha de Bianca e me separei de Pedro, sentindo minhas bochechas corarem.

— Se não quer ver, fecha os olhos. — Pedro retrucou. — Eu é que não vou deixar de beijar minha namorada por sua causa, Johnny!

— É, eu sei que não. — Falou risonho. — Mas dá pra você agarrar a Karina mais tarde? Senão vamos acabar atrasados mais uma vez. — Pedro revirou os olhos, mas assentiu me soltando, enquanto destravava o carro. — Bom dia, cunhadinha. — Ele piscou pra mim.

— Bom dia, doido. — Respondi e então mirei Bianca, que ainda nós encarava risonha. — Bom dia, Bi. Animada pra última semana de aula?

— Com certeza! — Falou radiante. — Agora eu vou poder focar nos últimos detalhes para os preparativos do meu aniversario, K, e claro, vou precisar de você e da Jade para me ajudar. — Disse animada, enganchando seu braço no meu.

— Ah, é? E o que você tem em mente? — Perguntei e ela começou a tagarelar empolgada, ouvi João reclamar novamente.

— Acho melhor ir na frente com você, mano. — Falou pulando para o lado do irmão. — Pelo visto essas duas vão ficar de fofoquinha o caminho inteiro e eu não quero ficar no meio. — Nós o ignoramos, enquanto nos acomodavamos e Pedro riu, dando partida no carro.

[...]

— Agora que estamos sozinhos e eu posso agarrar você à vontade... Vem aqui, amor?! — Pedro pediu com um sorrisinho sacana, batendo em sua coxa, sorri e me acomodei em seu colo, de frente pra ele.

Tínhamos chegado no colégio há pouco tempo, e João tratou logo de sair, arrastando Bianca junto com ele, me deixando sozinha com meu moleque. Vi Pedro lançar um olhar cúmplice ao irmão antes de ele se afastar realmente e percebi que havia algum tipo de acordo mútuo entre os dois, para que pudessem ficar sozinhos com suas namoradas. Não reclamei, pois também queria um tempinho com Pedro antes da aula.

— Como foi lá na sua casa ontem? Tudo tranquilo? — Perguntei e ele sorriu, acariciando meu rosto.

— Ah, tudo normal. Minha mãe reclamou um pouquinho, disse que eu não paro mais em casa e que o João vai pelo mesmo caminho, mas no fim, passou o dia me mimando.

— E a Tomtom? Como é que está a pequena?

— Super esperta e animada. — Falou e eu vi seus olhos brilharem ao falar da irmã. — Ela reclamou um pouco também, mas ela eu consigo driblar facinho, e no fim, fui intimado a dormir lá com ela. Não reclamei, pois também estava com saudades da pequena.

— É, eu sei, você é muito apegado a ela e vice-versa. É linda a relação de vocês. — Ele sorriu e eu vi sua expressão se iluminar ainda mais.

— E você não sabe do melhor! — Falou empolgado, arqueei uma sombrancelha. — Minha mãe disse que foi numa consulta de rotina com o médico dela e ele disse que a Tomtom está praticamente curada! — Ele sorriu ainda mais e eu sorri junto. — Faltam apenas alguns exames para ele assinar a alta dela de vez, e então ela só vai precisar voltar àquele maldito hospital para fazer o controle da doença. Não é demais?!

— Isso é maravilhoso, amor! — Falei o abraçando. — Fico muito feliz.

— Eu sei, eu também estou. — Suspirou exultante, me afastei e mirei seus olhos que me encaravam intensamente. — E você, linda, como passou a noite?

— Ah, bem. — Respondi dando de ombros. — Só senti sua falta na minha cama, moleque. — Completei com um sorrisinho, ele sorriu também e me beijou rapidamente.

— Minha esquentadinha tá toda manhosa... — Murmurou deixando uns beijinhos por meu pescoço. — Hum... Eu gosto disso.

— Você que me acostumou mal, guitarrista. Não pode reclamar.

— E quem disse que eu tô reclamando? — Perguntou voltando a me encarar, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. — Na verdade, eu pretendo aproveitar muito essa sua manha e esse seu corpinho gostoso. — Disse eu me senti esquentar, sorri e ele me beijou.

Suas mãos adentraram minha blusa e apertaram minha cintura desnuda, suspirei puxando seu cabelo, sentindo-as deslizarem, chegando até meus seios. Ele os apertou levemente, gemi baixinho e senti ele chegar ao feixe do meu sutiã, abrindo-o. Agora suas mãos estavam sobre meus seios novamente, eu podia sentir as palmas quentes ali, adorando aquela sensação.

— Pedro... — Gemi baixinho contra seus lábios, rebolando devagar em seu colo, arranhando sua nuca, ele arfou beijando meu pescoço.

Fechei os olhos, jogando a cabeça para trás, deixando meu pescoço exposto para seus lábios e língua passearem por ali, apreciando seu aperto firme em meus seios e rebolando sobre ele ora ou outra. Eu estava tão envolta em suas carícias que nem me dei conta que estávamos quase transando no carro dele, no estacionamento da escola, mas então senti algo espetar meu pé e dei um gritinho, me separando dele.

— Que foi, amor? Te machuquei? — Ele perguntou preocupado.

— Não, não foi você. — Falei saindo do seu colo e voltando ao banco do passageiro. — Senti uma coisa no meu pé. — Expliquei fazendo careta, pois estava doendo um pouco, já que eu tinha deixado as sapatilhas que usava caírem quando fui pro colo dele e agora estava descalça.

— Deixa eu ver? — Ele pediu e eu assenti, colocando o pé que doía sobre ele, que o examinou com cautela. — Aqui o problema, Cinderela. — Ironizou sorridente, revirei os olhos, e então focalizei o brinco pequeno em sua mão. Ele me entregou a jóia. — Seu brinco caiu e espetou seu pé. Ainda bem que não machucou muito. — Completou, deixando um beijinho no pé machucado.

— Esse brinco não é meu, Pedro. — Falei atraindo sua atenção.

— Se não é seu, então só pode ser de uma das meninas. Guarda e depois pergunta pra Jade e pra Bianca de qual das duas é.

— Também não é das meninas, Pedro! — Falei o encarando raivosamente, analisando o brinco dourado, em forma de uma pequena pimenta, cheio de brilhantes pequenos ao redor. Eu já tinha visto aquela jóia antes, e lembro que na ocasião, quis arrancá-la da orelha da dona.

— Não? Então de quem é? — Perguntou de cenho franzido.

— Boa pergunta, Pedro Ramos. De quem é essa merda? — Questionei entredentes, ele me encarou assustado.

— A-amor, eu não...

— Não ouse dizer que não sabe! — Eu o cortei. — O carro é seu e você sabe muito bem que anda ou deixa de andar nele! — Pedro suspirou rendido, mas nada disse, eu continuei: — Eu tenho uma desconfiança de quem seja a dona dessa porcaria, e se for quem eu tô pensando...

— C-calma, esquentadinha. — Pediu e eu lancei a ele um olhar mortal. Odeio que ele me chame assim quando estou irritada. — Q-quer dizer, Karina, olha, eu posso explicar.

— Acho bom! — Falei me sentindo desconfortável com o sutiã aberto, então bufei o retirando por sob a blusa, jogando-o no banco traseiro. — Vamos, tô esperando a explicação! — Eu o apressei, ele suspirou.

— Esse brinco é da Bárbara. — Respirei fundo, quando o ouvi confirmar minhas suspeitas. — Eu dei uma carona pra ela e... e... Ah, e só. — Notei hesitação em sua voz, aquilo me enfureceu ainda mais.

— E só?! — Falei irônica. — Ah, Pedro, se você não me falar com detalhes quando e porquê aquela vaca ruiva andou no seu carro, eu vou arrumar outro jeito de descobrir, e te asseguro que não vai ser um jeito nada pacífico.

— Amor, é só que.... — Ele suspirou mais uma vez, hesitante, eu perdi a paciência. Abri a porta do carro, pronta para saltar dali e ir atrás de certa vagabunda ruiva, quando Pedro me impediu, segurando meu braço. — Ei, onde vai?

— Vou descobrir com meus meios o que meu namorado tá escondendo. — Falei sorrindo ameaçadoramente, ele engoliu em seco e tentei me soltar dele, que permaneceu me segurando. — Me larga, Pedro!

— Calma, érr.. Você vai sair assim?

— Assim como? Irritada e furiosa?

— Não. Descalça e com essa blusa transparente. — Falou deixando o olhar cair sobre meus seios que certamente estavam marcados sob fino tecido da blusa. Sorri ao ter uma ideia.

— Claro que não. — Falei calma e ele suspirou me soltando. — Não vou sair descalça, né? — Disse e rapidamente agarrei minhas sapatilhas e saí do carro.

Ouvi Pedro me gritando e sabia que ele estava bravo não só porque o deixei falando sozinho, mas também porque sabia que só de pensar nos caras me secando ele fica puto, e com certeza, sem sutiã e com essas blusa transparente eu atraíria muitos olhares masculinos. Não gosto de exposição desnecessária, mas no momento, eu estava borbulhando de raiva, e nada mais justo do que deixá-lo irritado também, por isso, não liguei muito ao ouvir uns assobios quando passei por um grupinho na entrada do colégio.

Calcei minhas sapatilhas e marchei o mais rápido que pude em busca daqueles cabelos vermelhos que à essa hora eu estava louca pra arrancar, mas então esbarrei na Jade.

— Eita, Karina! Que pressa é essa? Parece até que tá fugindo!

Assim que ele a fechou a boca, ouvi a voz de Pedro:

— Karina! — Bufei, me virando para encará-lo e percebi que ele já estava próximo e com uma cara nada boa.

— Fugindo, talvez. Mas louca pra matar uma piranha ruiva, ah, isso você pode ter certeza! — Falei e saí dali, indo em direção à cantina, deixando minha amiga pra trás com uma cara confusa.

Varri o ambiente com o olhar rapidamente, e senti meu sangue ferver quando meus olhos encontraram a figura de Bárbara, conversando com a sonsa da Vicky. Não vi nem ouvi nada, só continuei caminhando até ela como se eu fosse um touro raivoso e o cabelo vermelho dela fosse meu alvo, mas então senti braços me circundando e antes que eu pudesse dizer ou fazer algo, fui praticamente arrastada para o banheiro feminino.

— Me larga, seu idiota! — Gritei socando o peito de Pedro, que me encarava ofegante e irritado. Ele segurou meus pulsos com força e me empurrou contra a porta de umas das cabines dispostas ali, esmagando seus lábios nos meus.

Tentei resistir à princípio, mantive meus lábios fechados, mas Pedro me mordeu com certa força, isso me fez ofegar e meus lábios se abriram. Sua língua adentrou minha boca agilmente e me surpreendi com o gemido que me escapou, então desisti de resistir e ao sentir nossas línguas deslizando entre si, Pedro soltou meus pulsos lentamente, pousando suas mãos em minha cintura, enquanto as minhas estavam sobre peito. Quando o ar nos faltou, finalizamos o beijo e ficamos nos encarando por bons segundos, completamente ofegantes.

— Agora que você tá mais calma, será que pode me escutar? — Ele quebrou o silêncio.

— Se você parar de me enrolar e contar o que tá rolando com você e aquela desgraçada, sim.

— Primeiro, que não tem nada entre mim e a Ruiva, você sabe, senão não teria deixado eu te beijar. — Falou e eu suspirei rendida. — Segundo, que eu não tava te enrolando. Eu apenas estava pensando num modo de te contar o que houve na noite em que ajudei a Bárbara, mas como sempre, você agiu por impulso, sua esquentadinha.

Revirei os olhos e então perguntei:

— Ajudar com o quê?

— Eu vou te contar, mas primeiro, veste isso. — Falou retirando meu sutiã de um de seus bolsos, sorri revirando os olhos e ele me fez entrar na cabine a qual estávamos encostados.

— Pode começar. — Pedi abrindo os botões da camiseta, começando a vestir o sutiã, e Pedro, que estava sentado sobre a tampa do vaso nada disse, apenas deixou o olhar cair sobre meus seios, sorri. — Anda, bonitão. Não temos o dia inteiro. — Falei chamando sua atenção.

— Desculpa, me distraí aqui. — Disse com um sorrisinho sacana, revirei os olhos mais uma vez, terminando de me vestir, ele me puxou para o seu colo. — Naquela noite do plano que não deu certo, depois que você dormiu, eu voltei até o lugar onde perdemos o rastro do Luís e lá eu encontrei a Bárbara... — Ele começou, e realmente me surpreendi com o que ele contou sobre o acontecido com a Bárbara. Me sensibilizei por ela, porque sabia o quão ruim é ter alguém tocando seu corpo sem permissão, e também como é assustador. — Eu tentei convencê-la a denunciar o cara, mas ela se recusou, e como eu não podia fazer muito à respeito, ela apenas me agradeceu e se foi. — Disse por fim.

— Será que ela está bem? — Pedro deu de ombros. — É realmente muito ruim que ela não tenha com quem conversar sobre isso.

— É, eu sei, por isso estive pensando se não devo contar ao Cobra. — Falou em meio a um suspiro. — Ela deixou claro que ele era o único com quem ela podia contar, e eu sei que o Cobra realmente se importa com ela. Ele pode ajudá-la.

— Você tem razão, mas... — Suspirei frustrada. — Cobra se livrou há pouco tempo dela, e apesar de ela estar mesmo precisando dele, sei que ela não vai deixar passar a oportunidade de tentar conquistá-lo novamente, e eu não queria ver o Cobra cair nas garras dela outra vez.

— Amor, isso é com eles. Eu só vou fazer o que eu acho certo e torcer pra todo mundo ficar bem no final.

— Então, mais tarde você fala com o Cobra sobre isso e eu vou devolver isso a Bárbara. — Falei mostrando a ele o brinco que ainda estava comigo. — É bom que eu aproveito pra ver como ela está. — Pedro assentiu, selando nossos lábios, ouvimos então o sinal tocar. — Vamos? Temos aula agora. — Falei levantando de seu colo.

— Espera... — Pediu me prensando novamente à porta, arfei. — Não vai pensando que eu esqueci que me deixou falando sozinho e ainda me provocou saindo sem sutiã com essa blusa transparente. — Sussurrou colando ainda mais nossos corpos, gemi baixinho. — Agora eu não posso, mas mais tarde... Ah, mais tarde, Karina, eu vou te dar uma lição. Dessa vez, você não me escapa!

Suas palavras até poderiam parecer ameaçadoras, mas elas não me causavam medo, muito pelo contrário, me deixavam ansiosa e excitada. Por isso sorri, selando nossos lábios, antes de dizer:

— Mal posso esperar, guitarrista.

Pov Bárbara

Eu estava muito satisfeita, pois tudo parecia caminhar bem para o nosso plano. Na verdade, aconteceu até mais rápido do que eu esperava, e quem diria, aquele maldito assalto e as marcas deixadas por Luís depois de nossa noite quente, contribuíram para isso.

Consegui convencer Pedro de que eu havia sido vítima de uma violência, e constatei que sim, minhas aulas de teatro na Ribalta estavam dando bons frutos, pois consegui encarnar direitinho o papel donzela indefesa. Pedro acreditou em mim, e sei que consegui fazer com que o guitarrista baixasse a guarda, tinha conseguido uma abertura para me infiltrar naquele grupinho de merda, mas ainda não tinha contado nada ao Luís, queria ver como seria no colégio, quando nos vissemos novamente. Mas me surpreendi ao ver que Pedro não me procurou, mas sim Karina.

Eu estava toda distraída, tomando meu lanche na hora do intervalo, quando vi aquela loira azeda da vindo ao meu encontro. Coloquei a expressão mais triste que consegui no rosto. Era a hora de interpretar a vítima mais uma vez.

— Anh, é... Oi, Bárbara. — Karina falou desconcertada, tive que me segurar para não rir, e soltei um suspiro fingido ao respondê-la.

— Oi.

— Tudo bem? — Perguntou me analisando, suspirei novamente, desviando o olhar.

— Não muito, mas vai ficar. — Falei baixinho, numa postura toda defensiva, ela sentou ao meu lado.

— Bom, Pedro me contou sobre o que aconteceu com você. Eu sinto muito. — Eu apenas assenti, sem encará-la. — Eu sei que eu não sou a pessoa mais apropriada pra isso, mas se você quiser conversar...

— Não... — Neguei, fungando um pouco. — Não precisa se preocupar, e... Se puder, não fala sobre isso com mais ninguém, tá? Eu só quero esquecer isso tudo. — Falei a encarando e senti uma lágrima rolar por meu rosto, ela me encarou compassiva, enquanto assentia. Ótimo!

Eu já tinha me arriscado inventando uma mentira dessa proporção, se isso cai na boca do povo, vai fazer ainda mais barulho, e talvez eu não consiga levar essa farsa adiante.

— Hum, eu vim te entregar isso. É seu, não é? — Ela disse após breves segundos de silêncio, enquanto me estendia um pequeno e brilhante brinco, sorri.

— Sim, é. — Falei capturando o pequeno objeto de sua mão. — Nossa, eu procurei tanto ele... Onde encontrou?

— Você deixou cair no carro do Pê. — Respondeu com um pequeno sorriso. — Parece importante pra você.

— E é. — Falei, acho que a primeira verdade desde que essa enjoada chegou aqui. — Foi o Cobra quem me deu. — Ela assentiu e eu percebi que ainda estava sorrindo. — Bom, obrigada, Karina.

— Não por isso. — Respondeu toda simpatica, segurei a vontade de revirar os olhos, ela se levantou. — Eu já vou indo. Se cuida, tá? — Eu assenti sorrindo forçado, ela se foi.

Guardei com cuidado o brinco que Cobra me deu, realmente, eu era muito apegada a ele, e já tinha amaldiçoado os sete infernos por tê-lo perdido, felizmente, aquela chata da Karina serviu pra alguma coisa e o encontrou.

Meu celular começou a tocar, e eu sorri ao ver que era Luís.

— Acho que está na hora de você saber como as coisas estão boas pro nosso lado, lutador. — Falei comigo mesma.

Ligação On

— Ruiva? Diz aí, gata, já tem novidades? — Ele disparou assim que atendi.

— Com certeza. Aliás, adivinha quem estava aqui comigo, sendo toda simpática e preocupada.

— Eu não sou adivinho, Bárbara. Me fala de uma vez! — Revirei os olhos.

— A sua gatinha.

— Karina? — Falou com um sorriso na voz.

— E você tem outra? — Retruquei, ele bufou, me ignorando.

— Se ela estava aí com você, quer dizer que...

— Sim, o nosso plano entrou em ação. — Falei orgulhosa, ele sorriu mais uma vez, pedindo que eu lhe explicasse como consegui um avanço tão rápido, e assim eu fiz.

— Isso é ótimo! Merece uma comemoração. — Falou satisfeito, cheio de malícia, e eu me animei na hora.

— Sim, merece. — Concordei. — Até a noite.

— Até a noite, gostosa. — Sorri, desligando.

Ligação Off

Amo o Cobra, senão não me submeteria a tanto para tê-lo de volta, mas enquanto eu não posso tê-lo... Bom, posso muito bem aproveitar com aquele lutador gostoso e ordinário.


Notas Finais


Eita!! Vontade de dar na cara da Riova, né?!
Mas então, percebi que os comentários vêm diminuindo, me digam o que há de errado, pessoas! Isso desmotiva, vocês sabem, né?! Então comentem essa bagaça, beijos e até logo!!
😘😘


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