História Indesejada - Capítulo 50


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Colegial, Drama, Família, Incesto, Mistério, Novela, Originais, Original, Passado, Revelaçoes, Romance, Suspense, Triângulo Amoroso
Exibições 40
Palavras 3.722
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Incesto, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oiii amorzinhos.
Eu sei que prometi postar o capítulo ontem mas resolvi escrever um longo e postar hoje ;)
Obrigada por acompanharem ♥ Boa leitura para vocês.


*Spoiler* TRETAAAAAAA *Spoiler*

Capítulo 50 - Decisão tomada pelo coração ninguém muda


—VOCÊ NÃO VAI ME ESCUTAR ELIZABETH? –uma voz gritou em minha cabeça, fechei os olhos impulsivamente, quando os abri percebi que a escuridão estava tomando conta da minha visão.

De novo não, por favor. –implorei em silêncio.

Senti um toque quente em minha mão, Kaius passou por mim e a agarrou com firmeza, aos poucos ele soltou e gradualmente minha visão voltou ao normal. Soltei um suspiro de alívio vendo o garoto sentado ao meu lado com o violão em seu colo.

—A primeira música da noite será “Better than nothing”, espero que gostem. –falei e fiz um aceno para Kaius.

Todos ficaram em silêncio e a única coisa que podia se ouvir era a música saindo suavemente do violão. Comecei a bater meu pé timidamente acompanhando o ritmo até chegar a hora certa de começar a cantar.

—How can someone who wants to be loved

Hate it when they’re loved at all?

Does guilt really feel that bad?

Every time I take a breath, honey

I feel the weight fall back on me

Somebody tell me it's not so bad

Collected thoughts drown in sleep

I had forgotten what you mean to me

I forgot a lot of things…

Fiz uma pequena pausa e respirei fundo, tirei o microfone do seu suporte e cantei com todas as minhas forças enquanto andava pelo palco estreito.

—What happens to the old girl, what happens to the boy?

I see their eyelids moving

What happens to the old boy, will he be destroyed?

Is this what I'm losing?

But I feel, feel

But I feel something, it's better than nothing

(…)

Quando a música acabou voltei a olhar hesitante para minha pequena plateia, todos os clientes soltaram sua respiração exatamente no mesmo segundo.

—Uau você viu aquilo? Eu fiquei arrepiado. –um cliente sentado mais próximo ao palco comentou com seu companheiro ao lado.

Os clientes se levantaram um por um para me aplaudir e logo todo o restaurante estava preenchido com o som de palmas, gritos de parabéns e pessoas pedindo para que eu continuasse cantando.

Kaius se levantou e passou o braço em torno do meu pescoço tirando o microfone da minha mão e o aproximando de sua boca.

—A mocinha aqui vai continuar cantando, mas preciso que vocês se sentem agora, por favor, obrigado. –ele disse e deu um beijo rápido em minha testa devolvendo o microfone para mim.

—Muito obrigada... Vamos passar para a próxima música então.

Depois de duas horas o restaurante fechou e ficamos apenas Kaius, Aika e eu sentados em uma mesa cada um com uma super caneca de cerveja para brindar o sucesso da minha primeira noite.

—Saúde! –falamos juntando nossas canecas e em seguida tomando um gole da cerveja.

—Elizabeth, aqui, isso é pra você. –Aika falou e colocou um tanto em dinheiro na minha frente.

—Sessenta? Não seria trinta? E você não me avaliaria primeiro?

—Você segurou meus clientes até o final, eles acabavam um prato e pediam outro em seguida só para ficar te ouvindo... Você mereceu isso.

Peguei o dinheiro e guardei.

—Muito obrigada, Aika!

—De nada minha bonequinha! –a mulher disse puxando meu rosto e dando um beijo na minha bochecha.

Kaius nos observou calado enquanto conversávamos alto sobre os mais diversos assuntos e ríamos de coisas fúteis.

—Mais rápido! –gritei no ouvido de Kaius enquanto ele corria comigo em suas costas.

—Segura firme. –ele falou e apertou com ainda mais força as minhas coxas.

Kaius desceu um morro correndo, eu segurei o mais firme que podia em seu pescoço. Chegando ao final do morro Kaius caiu de quatro totalmente exausto, eu deslizei das suas costas e caí deitada logo atrás dele na calçada.

—Olha em que situação estamos. –gargalhei –Correndo por aí e gritando no meio da noite parecendo crianças.

Kaius balançou a cabeça e sorriu parecendo também lamentar o nosso estado.

—Antigamente quando você estava chateada pedia para que eu corresse com você em minhas costas, acho que você só queria uma desculpa para chorar e então você dizia que chorava porque estava com medo...

—Talvez eu estivesse mesmo com medo. –disse olhando suas costas.

—Não estava, você confiava muito em mim. –ele falou e se virou para mim.

Ele estava sentado entre as minhas pernas, correu seu olhar por todo meu corpo e virou suas costas novamente.

—Vai ficar aí deitada?

—Ah, não. –falei e me coloquei de pé.

Estendi minha mão para ajudá-lo a se levantar, Kaius me puxou pelo antebraço em sua direção, senti seus lábios tocarem minha bochecha, recuei surpresa e quase caí no chão de novo.

—O-O que você acha que está fazendo? –perguntei colocando a mão sobre a minha bochecha quente.

—Aika fez a mesma coisa e você não reclamou.

—É totalmente diferente a Aika fazer isso!

—E por que eu não posso fazer também?

—U-Ué... Porque você...

Kaius sorriu pela minha falta de palavras.

—Se você não me der uma resposta convincente vou fazer de novo. –ele se levantou e se aproximou de mim.

—Não Kaius, meu deus, você bebeu demais. –falei empurrando-o.

—Por que você está vermelha?

—Eu não estou vermelha. –respondi cobrindo meu rosto com as mãos.

—Tenho certeza que está. –ele continuou me provocando.

—É raiva.

—Eu acho que já ouvi essa desculpa antes.

Seguimos conversando tranquilamente até o campus, bom pelo menos na medida do possível, admito que uma hora perdi a paciência e saí correndo deixando Kaius para trás.

Esperei que Henry saísse do estúdio para conversarmos como Rod pediu. Henry saiu apressado com uma mochila em suas costas.

—Henry! –chamei-o, ele pareceu surpreso por me ver esperando.

—Elizy, você está bem? –ele correu em minha direção e envolveu-me em um abraço.

—Estou, eu preciso falar com você.

—Pode ser no caminho para a empresa? Tenho uma reunião agora. –ele disse e um carro parou ao nosso lado, Henry abriu a porta com urgência e me empurrou para dentro.

—Senhorita. –Joshua me cumprimentou assim que Henry fechou a porta do carro.

—Olá. –falei para o homem e me virei para o meu amigo –Preciso que você me escute.

—Ah, claro, pode falar. –disse tirando algumas peças de roupa da mochila.

—Você está trabalhando demais Henry. Dê algum tempo para você mesm-...

Me calei quando vi de repente Henry despir sua camisa em minha frente.

—Eu o que? –perguntou a meio caminho de colocar sua camisa social.

—Ah... Eu...Ah... –tentei inutilmente falar mas minha atenção estava presa em outras coisas.

—Você está bem?

—Eu estou! –falei e me forcei a olhar para o seu rosto –Henry, você não acha que está trabalhando demais?

—Rod comentou alguma coisa com você, não foi?

—Sim, ele está preocupado com você, eu também estou Henry... Você não pode se sobrecarregar assim.

—Concordo com você.

—Então você vai me ouvir e não se sobrecarregará tanto com o trabalho?

Henry terminou de abotoar a sua camisa e colocou a minha mão sobre o seu rosto.

—Eu faço qualquer coisa que você me pedir. –ele sorriu.

—Então, por favor, não fique mal por minha causa... Me desculpe por te meter nisso...

—Eu já disse que estou fazendo porque eu quero. –disse dando um beijo na palma da minha mão – Não se sinta mal pelo que eu faço. Na verdade eu tenho algo para te contar...

—Aconteceu alguma coisa? –perguntei preocupada.

—Não, mas vai acontecer. –ele falou e uma expressão séria tomou conta do seu rosto fazendo com que me preocupasse ainda mais.

—Fale logo Henry, o que vai acontecer?

—Eu... –ele tomou fôlego – Eu vou renunciar ao meu cargo na empresa.

—Como assim? Espera aí, você é o dono da empresa não é? Se você renuncia o que acontece?

Henry deu um sorriso fraco e colocou minhas mãos em seu colo.

—Meu pai deve voltar para assumir novamente, nada demais vai acontecer. O melhor é que poderei trabalhar só para você.

—Ei Henry, eu não quero que você tome esse tipo de decisão só por mim.

—Você está errada, não é só por você... No início quando pensei em fazer isso era somente por você, mas agora é pela minha felicidade também. Eu fiquei muitos anos preso fazendo algo que não gosto, agora eu quero fazer o que me deixa feliz. –disse com um olhar melancólico.

—Henry, se vai fazer isso por você mesmo tem todo meu apoio, mas se for apenas por mim eu peço que reconsidere. –falei colocando minha mão no topo da sua.

—Não se preocupe, vou fazer isso porque não me sinto bem trabalhando na empresa. –ele falou e bagunçou meu cabelo.

Assim que chegamos à empresa e Henry e eu saímos do carro.

—Bom, essa é a hora. –disse apreensivo.

—Boa sorte. –dei o melhor sorriso que podia.

Naquela noite fui descansar após a apresentação, mas a conversa que tive com Henry mais cedo ainda me incomodava. Com certeza as coisas não eram tão simples como Henry disse, ele não podia simplesmente deixar a empresa.

—Que cara feia é essa? –Kaius perguntou se sentando ao meu lado no chão do palco.

—Kaius o que você sabe sobre o Henry?

—Hum? Qual é a dessa pergunta do nada? –ele me olhou curioso.

—Só quero saber que tipo de família ele tem.

—Está pensando em se casar com ele? Sobre o que eu sei da família dele... Sei que ele vem de uma família com muita grana, que o pai dele tem várias empresas pelo mundo...

—Sério?

—É. Parece que Henry toma conta da que tem por aqui, mas em resumo eu sei que eles são muito ricos mesmo.

—Kaius, o que você acha que aconteceria se Henry não quisesse cuidar da empresa do pai?

—Nada de bom, mas o Henry não faria algo assim, ele é muito fiel à sua família.

—É mesmo, não é? –perguntei me sentindo um pouco aliviada.

—Ele não faria, mas ele também não cantaria antes... Parece que você tem feito muita diferença na vida dele. –disse sorrindo sarcasticamente.

Kaius segurou com força o meu pulso esquerdo onde estava a pulseira que Henry me deu.

—O que você está fazendo? –perguntei tentando me soltar.

—Se eu não te segurar você vai ir atrás dele agora. –Kaius disse com o olhar baixo.

—Kaius...

—Eu não me importo de você ir atrás dele amanhã, mas pelo menos hoje você pode ficar comigo ao invés de ir? Eu sei que você tem todo o direito de ir já que ele tem feito tudo por você...

Permaneci em silêncio e Kaius ergueu sua cabeça para olhar em meus olhos.

—Ah, desculpe, não sei o que estava pensando em te pedir uma coisa assim. –ele falou apressadamente.

—Eu vou ficar com você.

Kaius me olhou surpreso com minha resposta.

—Na maioria das vezes você fala para eu me afastar, fala que só vai me trazer lembranças ruins... Eu já estava acreditando que você não suportava ficar comigo ou que guardava algum tipo de rancor por eu não me lembrar de você, é bom saber que você me quer por perto pelo menos um pouco. –sorri.

—Não guardo rancor por você não se lembrar de mim, na verdade até prefiro que não se lembre.

—Mas eu gosto do Kaius que estou conhecendo agora também, eu consigo entender completamente o motivo de eu ter gostado tanto de você antes.

—Ah, que isso. –ele sorriu adoravelmente de forma que nunca havia visto antes.

—Kaius, me desculpe por esquecê-lo. Tenho certeza que você era uma pessoa muito importante para mim e eu simplesmente esqueci tudo... Obrigada por tudo que você fez pra mim quando eu era criança e por tudo que você faz para mim agora. –falei com sinceridade.

—Ei, você não precisa se desculpar ou coisa assim...

—Você me ajudou tanto a superar algo do meu passado que me impedia de fazer o que eu amo, eu não tenho como te pagar por isso. Eu serei grata pelo resto da vida. –falei e dei um sorriso tímido.

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—Eu serei grata por tudo que você faz por mim pelo resto da vida Kaius. –falei sentada em um banco ao lado do garoto.

—Idiota. –ele sorriu – Não precisa ficar grata, só não se esqueça de mim ou me deixe de lado quando crescer e pra mim fica tudo certo.

—De jeito nenhum que vou esquecer você! –falei nervosa.

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—Aconteceu alguma coisa? –ele me perguntou.

—Ai, deus. –as lágrimas embaçaram minha visão.

—Por que você está chorando agora?

—Eu não sei o motivo para eu ter te esquecido! Quanto mais eu me lembro menos eu entendo o porquê, eu definitivamente gostava muito de você.

—É coisa do passado, você não precisa pensar nisso.

—Se fosse só coisa do passado eu não estaria tão triste agora! Pode ser coisa do passado para você Kaius, mas para mim não é. –disse tirando sua mão do meu pulso e saindo do restaurante.

Mesmo não me lembrando completamente de Kaius minha única certeza é que no passado eu tinha sentimentos muito fortes por ele, e conforme o conhecia e passava mais tempo com ele no presente acabava gostando dele ainda mais.  Meus sentimentos por Kaius agora não eram somente os do passado, eu consegui me apaixonar por ele enquanto o conhecia de novo.

—Elizabeth! – o garoto gritou atrás de mim.

Continuei andando sem olhar para trás, Kaius me alcançou e puxou meu ombro para que me virasse pra ele.

—Que merda você quer agora?

—Elizabeth eu não digo essas coisas para te chatear, tudo que eu faço é pensando no seu bem, pensando na sua felicidade.

—E que tal você me deixar decidir o que me faz feliz ao invés de me deixar no escuro sobre as coisas que aconteceram?

—Porque você vai se arrepender de se lembrar de tudo! VOCÊ VAI SE ARREPENDER! –ele gritou e passou a mão no cabelo, frustrado.

—Como você tem tanta certeza disso?

—Elizabeth, pense nisso, se fossem coisas boas você não acha que já teria se lembrado de tudo? Sua mente está lutando com todas as forças pra manter isso preso aí dentro. –ele disse colocando o dedo na minha testa –E você fica forçando, e forçando... Cada vez que você conversa comigo você força mais um pouco. Eu tenho medo de quando essa fechadura se quebrar por completo, tenho medo de como você vai ficar!

Eu um empurrei para longe com toda força.

—Qual é o maldito problema em eu querer ficar com você? Qual o problema em eu continuar gostando de você agora? O que tem de tão errado nisso?

Kaius se aproximou de mim e eu dei um passo para trás.

—Elizabeth, você não gosta de mim.

—Como assim eu não gosto de você? –perguntei furiosa.

—Você só está confundindo o sentimento de gratidão por gostar.

—Ah, sim, você disse a mesma coisa antes não é? –passei a mão em meu rosto enxugando as lágrimas –Até mesmo antes só eu gostava de você, você nunca gostou de  mim.

—Você gosta do Henry.

—EU NÃO GOSTO DO HENRY DESSE JEITO! –gritei.

Kaius se calou esperando que eu terminasse de falar.

—Desde o início e até agora eu só gosto de você, por que eu tenho que ficar com alguém que eu não gosto dessa maneira? Quem decide quem é melhor para o outro? Eu sinceramente não entendo o que tem de tão errado em gostar de você. –dei uma pausa e recuperei minha compostura – Já chega... Eu não vou ficar insistindo em um sentimento que não é correspondido. Você está certo, Henry é o melhor pra mim, tenho certeza que ele gosta de mim e que faz tudo para me agradar, devo começar a valorizá-lo e tentar vê-lo da mesma forma que ele me vê. Me desculpe por te incomodar com isso. –disse forçando um sorriso e continuando minha caminhada.

Entrei no restaurante um pouco constrangida por estar com um visual básico de regata, jeans e tênis em um lugar tão chique. Na noite passada logo após minha discussão com Kaius eu liguei para Henry pedindo para encontrá-lo hoje e ele marcou no mesmo restaurante que viemos uma vez.

—Elizy! Aqui! –meu amigo acenou para mim de uma das mesas do fundo.

Me apressei e sentei junto com Henry.

—Olá Henry.

—O-Olá. –ele sorriu timidamente – Você quase me matou de susto me ligando ontem dizendo que queria conversar.

—Me desculpe... Eu realmente preciso conversar com você, mas antes disso, como foi ontem na empresa?

—Ah, tudo certo, não trabalho lá mais. –disse calmamente.

—Sério? Não teve nenhum problema?

—Não, nenhum. Ah, quer que eu peça alguma coisa pra gente comer? Eu estava esperando você chegar.

—Não, obrigada. –disse e fiquei em silêncio observando atentamente a toalha da mesa.

—Ontem eu não tive tempo de dizer, mas você parece diferente. –ele apoiou o queixo em sua mão e pude sentir seu olhar fixo em mim – Fale comigo, o que está te incomodando?

Ergui minha cabeça surpresa por Henry ter me lido por completo em questão de segundos, meu amigo olhou para mim e abriu um sorriso tranquilo.

—Pode falar. –ele incentivou.

Por baixo da mesa eu tirei a pulseira e a segurei firmemente em minha mão.

—Me desculpe. –falei abrindo minha mão sobre a sua e deixando a pulseira cair sobre a sua palma – Eu quero ser sincera com você Henry, me perdoe, mas por mais que isso te magoe eu não quero te enganar. –olhei meu amigo fixamente nos olhos –Eu sinceramente não me lembro muito bem do que aconteceu comigo, a única coisa que me lembro com toda certeza é de gostar muito do Kaius. Henry, eu ainda gosto muito daquela pessoa e quanto mais me lembro dele... Quanto mais me lembro eu acabo gostando dele ainda mais.

—Você disse que não se lembra muito bem... Você não se lembrou de tudo sobre ele então, é isso?

—É.

—Entendo, é por isso que você parece mudada... Você está se lembrando então...

Assenti.

—Elizabeth... –ele soltou um suspiro – Você não vai desistir mesmo se eu te falar que ele vai te magoar, não é?

—Desculpe.

—São seus sentimentos, não precisa se desculpar. –ele fechou os olhos – Quero deixar claro que eu não sou a favor de você ficar com ele porque eu gosto de você e sei que ele vai te deixar triste, mas eu sei que se ficar insistindo você vai acabar se sentindo mal por mim...

—O que você quer dizer?

Henry passou a mão na testa lamentando com antecedência o que diria.

—Se você diz que gosta dele eu não posso fazer nada. –ele sorriu vagamente – Mas isso não quer dizer que estou desistindo de você.

—Henry... –falei emocionada.

—Não olhe para mim desse jeito. Escute bem o que vou te dizer, se ele te magoar eu não vou deixar você ir de novo, entendeu?

Me levantei do meu lugar e abracei meu amigo.

—Obrigada Henry, me desculpe. –disse apertando-o com força.

—É melhor eu não me arrepender de deixar você ir atrás daquele babaca.

—Henry!

Meu amigo se levantou e passou o braço pelo meu pescoço.

—Ele vai continuar sendo um babaca para mim até ele te fazer feliz, e se dessa vez ele cagar com tudo eu juro que não vou perdoá-lo.

—Por que você acha que ele vai fazer algo para me magoar?

—Porque o conheço há muito tempo.

—Sério?

—Sério, agora vamos que você vai me acompanhar até a gravadora. –ele disse me puxando para fora do restaurante.

Acenei para Henry que já estava na porta da gravadora, ele parou por um momento me observando antes de entrar e então voltou em minha direção.

—Eu gosto muito de você, muito mesmo. –ele disse me abraçando com força – Não importa o que aconteça, eu vou continuar aqui pra você, okay?

—Obrigada. –o abracei de volta.

—Vai logo. –ele disse com a voz trêmula finalmente me soltando.

—Até depois Henry.

Ele sorriu e entrou na gravadora.

Eu sei que Henry só agiu daquela forma para que eu não me sentisse mal, eu sei que machuquei meu amigo profundamente naquele momento mas entendam que nunca tive intenção de magoá-lo, eu apenas não percebi a pessoa que Kaius era e achei que estava tudo bem em não gostar dele.

—Desculpe! – falei apressada quando percebi que havia esbarrado em alguém.

—Você consegue esbarrar em alguém que está parado, é idiota? –a pessoa perguntou rispidamente.

—Ah, é você.

—O que quer dizer com “ah, é você”? Eu tenho nome sabe...

—Sei, Kaius.

—O que foi? Brigou com o namoradinho? –ele acenou com a cabeça na direção da gravadora.

Ele estava fazendo aquilo de propósito? Sério que ele não se lembrava da nossa discussão do dia anterior? Ele provavelmente se lembrava mas para ele não era algo importante.

—Eu não brigo com Henry. –falei desanimada.

—Sério? Me lembro muito bem dele te deixar chorando aquela vez e ter ido atrás da Stela.

Bufei impaciente.

—Kaius o que você quer comigo? Não estou com ânimo para ficar de briguinha com você hoje.

—Só queria saber como vocês estão... Pela demonstração de afeto em público agora a pouco eu posso deduzir que você decidiu ver ele de outra forma.

—E daí?

—Então é isso...

—É Kaius, imagino que você esteja muito feliz agora que seu maior desejo se realizou não é mesmo? Agora, se me der licença. –disse saindo sem paciência.

—EI! –ele gritou.

—O QUE FOI AGORA? –gritei de volta.

—Ah, é só... –ele passou a mão na sua nuca parecendo inquieto –Eu vou ajudar a Aika com o restaurante agora, não quer ir?

Revirei os olhos. Pedir desculpas não é tão difícil assim, sabe...

—Não, mais tarde apareço por lá, agora vou pro campus. –disse partindo de vez enquanto o xingava em minha mente.

Babaca, idiota, cabeça dura. As coisas com Henry se resolviam de forma tão fácil, ele sabia o que dizer e a hora de dizer, enquanto esse idiota filho da mãe não serve nem pra pedir desculpas, ao invés disso ele me pergunta do meu relacionamento com Henry mesmo tendo dito tudo aquilo pra ele no dia anterior. Eu sou burra assim desde criança ou essa burrice vem se desenvolvendo com o tempo? Por que eu tenho que gostar justamente da pessoa mais difícil de lidar? Mas não é como se eu pudesse controlar meu coração, ele já havia tomado a decisão de gostar do Kaius há muito tempo e essa decisão nem eu e nem ninguém poderia mudar.


Notas Finais


Espero que estejam gostando, obrigada por acompanharem ♥ obrigada pelos favoritos ♥ obrigada por estarem aqui ♥
Beijosss!


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