História Indestructible - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Bleach
Tags Bleach, Drama, Ichiruki, Ishihime, Romance
Visualizações 22
Palavras 10.695
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpem pela demoraaa
To postando esse cap de DEZ MIL FUCKING PALAVRAS pq esses dias vou estar bem ocupada (olimpíadas hehee) e tentei andar com a parte de ação dá história, pq se eu ficar nos flashbacks e só no sentimental para sempre, a história não acaba nunca..
Música: Belinda - See A Little Light

Capítulo 7 - See A Little Light


    Byakuya não sabia o que fazer com relação à garota, só lhe restava pedir conselhos para quem a conhecia bem, mesmo que isso fosse dilacerar seu orgulho novamente.

    Chegando ao 13° bantai, o Kuchiki se surpreendeu pelo fato das luzes do quarto de Ukitake ainda estarem acesas, já que tinha certeza de que, devido aos seus problemas de saúde, ele fosse dormir mais cedo. Estava tão distraído e focado em pisar o menos possível em seu orgulho, que acabou entrando no quarto dele sem bater, e acabou encontrando Akemi dormindo nos braços do grisalho, que a olhava com um olhar de preocupação.

-O que está acontecendo aqui? - falou baixo, para que ela não acordasse, e muito menos ouvisse ele pedindo os conselhos de Ukitake.

-Byakuya, não te esperava aqui.

-Eu preciso de ajuda, Ukitake.

-Sobre o que precisa de ajuda, especificamente? - Ukitake tinha uma leve ideia do que seria, mas não se atreveu a deduzir nada.

-Hoje eu fui a uma caverna para treinar, e ela - apontou para Akemi - estava lá. Acontece que, quando ela adormeceu, a zanpakutou dela estava manifestada e acabou me falando algo.

-O que a zanpakutou falou?

-A zanpakutou falou que… Ela ainda não sabia, mas eu conseguia acalmar o coração dela, ele também falou que eu devia me sentir sortudo por isso, e jamais magoá-la.

-Bom, é tudo verdade.

-Nani?

-Se é a própria zanpakutou que te falar, não há engano. Além do mais, eu sei muito bem que só houve uma pessoa na vida dela que foi capaz de fazer o coração dela se acalmar, e se, você consegue fazer isso também, devia se sentir muito sortudo. Sobre o quesito “magoar”, realmente não deve nem pensar em magoá-la, porque, além de você se arrepender profundamente pelo resultado depois, eu mesmo o mataria antes de que você pudesse ver o resultado.

"Then i could see a little light
I could find some piece of mind"

 

O Kuchiki arregalou os olhos, já que nunca havia visto Ukitake ameaçar ninguém, era algo que, na concepção do moreno, era totalmente inesperado. Olhou para a morena, que parecia serena.

-Olhe para o rosto dela, Byakuya, e me diga se você gostaria de vê-la magoada? - silêncio - Me responda, Byakuya. Gostaria de vê-la magoada?

-Não.

-Então me faça o favor de não magoá-la, porque, no momento, você é o único que poderia fazer isso.

-Isso não importa no momento, eu só preciso saber o que fazer.

-Você vai saber se responder a uma simples pergunta: o que você quer fazer?

-É por isso que estou aqui, porque não sei o que fazer. Se eu soubesse, não tinha vindo aqui te pedir ajuda.

-Porque hesita em seguir seu coração, Byakuya? Não é complicado, se permita ser feliz.

-Porque acho que vou estar traindo Hisana e sua confiança!

-Byakuya, não seja tolo! Quando Hisana ainda era viva, era nítido que ela somente queria vê-lo feliz, e tenho certeza de que ela ainda quer isso, aproveite para pensar sobre isso enquanto ela não percebe os sentimentos que tem por você. Deveria dar significado para sua vida ao aceitar amar alguém novamente, eu nem sei porque esperou tanto tempo. - suspirou - A propósito, perdão pelo mau humor, eu só estou preocupado com ela.

"Hear a clock ticking
On a life that could have meaning"

 

-O que aconteceu para que ela tenha parado aqui? E porque ela tem marcas de lágrimas nas bochechas?

-Ela chegou aqui desesperada e chorando, então pedi que ela explicasse tudo e ela o fez… - Byakuya estava explodindo de curiosidade - Azashiro conseguiu usar o tenteikuura para se comunicar somente com ela e mais ninguém.

-Nani?

-Ele se focou somente no quarto que ela estava, e conseguiu falar com ela. Acontece que o que ele falou acabou a perturbando demais.

-Você acha que estou aqui para ficar curioso? Fale logo o que diabos esse desgraçado falou!

-”Obrigada por ter aparecido na minha vida tediosa como capitão, mesmo que fosse da 11° divisão. Eu já disse, mas eu te amo, amo seu sorriso, amo tudo em você, amo quando você feliz. Se você fica feliz, eu fico também, se você é feliz, eu sou também, portanto, peço que seja feliz. Siga em frente, ache alguém que possa acalmar teu coração agitado, assim como fiz, alguém que você possa confiar, alguém que te faça feliz, alguém que seja seu mundo. Só te vendo feliz eu poderei me sentir feliz, poderei saber que a infelicidade que eu causei se dissipou, poderei ver você feliz, tendo a vida junto com uma pessoa que te ame, tendo a vida que eu sempre sonhei em ter com você.” - repetiu exatamente a fala do ex-capitão.

Não era possível. Um desgraçado daqueles não podia ter coragem de falar que a amava depois de ter feito com que ela sofresse tanto! Byakuya nunca se viu tão nervoso quanto estava no momento.

Ele sequer sabia o que sentia pela capitã do 5° esquadrão, mas sabia que, independente do que ele sentisse, ele iria a proteger de pessoas como Azashiro. Ele não queria nunca mais ver aquelas marcas de lágrimas, independentemente do que sentisse por ela.

-Ele não parou por aí. “Não fique pensando em mim, siga em frente. No momento, sou só um criminoso perigoso que está em Muken, e se eu te ver feliz, já estarei completamente satisfeito. Eu não preciso ser o herói essa noite.”

 Como aquele desgraçado tinha a audácia de falar que queria vê-la feliz? O que ele supostamente quer, no caso, a felicidade dela, foi tirada por ele mesmo! Ele não pode pedir por ela novamente, não pode falar que a ama… Não pode!

A mulher começou a se remexer nos braços do grisalho e o olhar dos dois se focou nela. Ela acordou, levantando seu tronco rapidamente:

-Shiro-chan, Kuchiki taichou! Desculpe pelo incômodo, Shiro-chan. - se desculpou, pegou sua zanpakutou e saiu correndo na direção de seu bantai.

-Pode ir atrás dela, Byakuya? - o mais novo assentiu e saiu.

Porque diabos ela que tinha que se lembrar das coisas, na maioria das vezes, em sonhos?! A memória dela queria que ela ficasse sem dormir até morrer, não era possível. Chegou em seu bantai, se trancou em seu quarto e tomou um banho longo e agradável, talvez assim ela conseguisse relaxar um pouco.

"Fall into a dream
Wake up and everything´s the same"

 

Se enrolou em uma toalha e percebeu que tinha esquecido de pegar suas roupas e colocá-las no banheiro.

-Foda-se, ninguém vai entrar no meu quarto mesmo… - saiu tranquilamente com a toalha enrolada no corpo, e quando abriu a porta do banheiro, ficou totalmente vermelha - PUTA QUE PARIU!

Byakuya tinha a seguido e entrado no seu quarto, e como ouviu que ela estava tomando banho, resolveu esperar ela sentado na cama dela, mas ao vê-la enrolada na toalha, não soube o que se passou em sua cabeça primeiro.

-O-O que… Está fazendo aqui?!? - perguntou Akemi, ruborizada até a alma.

-E-Eu… Eu…

-Deixa pra lá, mas… - emanou uma aura negra (N/A: bem tipo Unohana) - É bom que não tenha tentado e nem tente espiar!

Notou que suas roupas estavam na cama, justamente onde Byakuya estava sentado, então começou a se aproximar dele para poder pegar suas roupas:

-E-Ei! O que está fazendo? - perguntou desesperado, já que pensava que ela iria se aproximar para fazer outras coisas.

-Minha roupa tá do seu lado. - falou tranquilamente, pegando-a em seguida - Porque se desesperou tanto? - sorriu perversa - Achou que eu ai fazer outras coisas, é? HAHAHAHAHAHAHAHA Kuchiki Byakuya, seu tarado!

-Não sou pervertido!

-É sim, pensa que eu não percebi?

-Percebeu o que? - Akemi apontou para o meio das pernas de Byakuya, ele olhou, vendo que ficou um pouco animado voluntariamente, e quis se enterrar em um buraco - Maldição!

-HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! - se acalmou - Não se preocupe, mas dê um jeito nisso. - falou, entrando no banheiro logo em seguida.

Como diabos ele iria… Ele iria fazer seu pinto descer? Pensou em cachorros mortos e conseguiu se “acalmar”.

-Estou de volta, agora com roupas. - sentou-se na cama também - E então, o que veio fazer aqui?

Ukitake pediu para seguí-la, mas era verdade, ele realmente não tinha motivos. Bom, melhor falar a verdade do que mentir:

-Ukitake pediu para que eu te seguisse, só isso.

-Certo. Espere aqui, vou trazer chá. - saiu do quarto.

Byakuya se levantou e começou a ver as três fotografias que haviam nas prateleiras do quarto dela: uma delas a mostrava com os cabelos curtos e bagunçados, com um rapaz ruivo ao lado. A outra mostrava ela com uma braçadeira de tenente, provavelmente da 11° divisão, pensou Byakuya. Por fim, a terceira fotografia a mostrava com um haori de capitã e um rosto sereno, porém levemente abatido.

Ela devia ter tirado a pouco tempo.

Espera.

Os cabelos dela estavam curtos na foto, e atualmente ela tem cabelos que vão até as panturrilhas! Será que ela já havia sido capitã? Não era possível…

Abriu seu guarda-roupa e se deparou com dois haoris de capitã, devidamente pendurados, uma braçadeira de tenente da 11° divisão e um outro porta-retrato. Pegou com cuidado o porta-retrato e viu a foto: ela tinha o haori de capitã, permanecia com cabelos curtos, e o mesmo garoto ruivo estava ao seu lado, com uma braçadeira de tenente.

O que diabos era aquilo?

Percebeu que um dos haoris era um reserva da 5° divisão e o outro…

-Impossível!

-Parece que você viu, não é? - Akemi falou da porta e Byakuya paralisou. Droga, ele estava ferrado - Eu não estou brava. Está tudo bem, Kuchiki taichou.

Como ela poderia não estar brava? Ele estava fuçando no guarda-roupas dela e ela não está brava?

-Deve estar se perguntando o por quê de eu ter um haori da 11° divisão e quem é o homem ruivo, estou certa?

-Hai.

-Esse homem foi meu melhor amigo, Kano Ashido. Infelizmente ele não está mais aqui.

-Eu sinto muito. - tomou um cascudo na cabeça - O que foi? Porque me bateu? - fuzilou-a com os olhos.

-Ele não morreu, idiota. Sei que ele está vivo. Alguns hollows invadiram a Sereitei, e ele, junto com uma equipe, foi enviado para combatê-los, mas acontece que os hollows abriram uma Garganta para fugir de volta para o Hueco Mundo e Ashido seguiu-os. Ele nunca mais voltou, mas tenho certeza de que ele permanece vivo até os dias de hoje. - sorriu - O idiota não morre fácil.

-Entendo.

-Quanto ao haori, eu já fui capitã da 11° divisão, sabia?

-O-O que?

-Quando meu ex-capitão, Azashiro Kenpachi, se rebelou, ele matou toda a Central 46, assim como Aizen fez. Por questão de praticidade e hierarquia, a tenente da época, no caso, eu, assumiria a posição de capitã, pelo menos até que a Central 46 fosse estabelecida novamente e decidisse o que fazer com o caso perdido aqui. - apontou para si mesma.

-Você foi… Uma Kenpachi?

-Hai. Acabei por ficar por cinco anos nesse posto, então a Central 46 foi estabelecida novamente, achando que eu tinha grandes chances seguir o exemplo do meu ex-capitão e me tornar uma ameaça para a Soul Society. No fim, eles me mandaram para a Divisão 0 e eu nem pude contestar, tá aí a explicação do por quê eu não gosto da Central 46. Bom, depois meu 3° posto foi indicado para ser o capitão, já que o tenente estava preso em Hueco Mundo e a capitã ia para a Divisão 0. Creio que o nome dele seja bem conhecido… Kiganjo Kenpachi.

-Você foi sucedida por Kiganjo?

-No dia do julgamento, renunciei ao nome de Kenpachi, deixando que aquele porco assumisse o posto, mesmo que contra a minha vontade.

-Não queria isso?

-Mas é claro que não queria. Ele era invejoso, indelicado, porco, e lhe faltavam habilidades, não é atoa que Zaraki conseguiu matá-lo em um golpe só. Eu nem sabia como diabos ele conseguiu o 3° posto, tinha medo do que aconteceria com a divisão com ele no comando.

-Eu ainda não era shinigami nessa época, mas já havia visto ele algumas vezes, era realmente um porco.

-Ei.

-O que foi?

-Prefere meu cabelo curto ou comprido?

-Tanto faz. Porque a pergunta?

-Nada não. Quando será que aqueles bounts vão aparecer?

-Ainda não temos muitas informações sobre eles, é melhor que não apareçam por enquanto.

-Quem disse que eu não tenho informações suficientes? Já matei dois. Só espero que os outros bounts não sejam tão ridículos quanto aqueles.

Barulhos de gritos foram ouvidos do lado de fora e os dois saíram do quarto:

-Taichou! - Hinamori chamou, desesperada - Está tendo uma briga entre o 3° e o 5° oficial na área de treinamento de kendo! Eu tentei impedir, mas ninguém me deu ouvidos!

-Estou indo. - pegou seu haori - Eles estão bêbados, não é?

-Hai.

-Vá na frente.

-Hai!

Pegou sua zanpakutou e correu. Byakuya não tinha escolha a não ser seguí-la.

-Segure para mim, por favor. - entregou a zanpakutou na mão do Kuchiki.

Akemi se surpreendeu com a proporção da briga: os dois oficiais se socavam, enquanto os outros membros da divisão gritavam, incentivando a briga.

-Já basta. - falou firme, e todo o cômodo ficou em silêncio - Onde pensam que estão? 3° e 5° oficial, amanhã eu quero ver esse bantai inteirinho brilhando, pela mão dos dois.

-Hai!

-A mensagem que vou dar vale para todos, então é bom que prestem atenção: vocês não estão em uma festa, portanto não gritem, vocês não estão em um festival, portanto não bebam, vocês não estão aqui por nada, portanto não pensem que estão livres para fazer o que bem entenderem, vocês não estão no posto de capitão, portanto não recusem uma ordem de sua tenente!

-Hai! - todos estavam amedrontados, pois, conforme ela falava, sua reiatsu ia aumentando.

-Na minha ausência, Hinamori fukutaichou é a autoridade aqui, e pelo que me foi falado, ela pediu para que parassem a briga e vocês sequer deram ouvidos! Por conta da irresponsabilidade e desrespeito de vocês, vão ficar sem sake por duas semanas e serão suspensos de suas atividades de shinigamis por uma! Recado dado. Se ousarem reclamar, farei questão de cortar a única coisa que ainda faz de vocês homens. Entendido?

-Hai! Mil perdões!

-Limpem essa bagunça.

Ela era autoritária, pensou Byakuya. Quando estava voltando para seu quarto, tropeçou em uma madeira torta no piso e caiu de cara no chão:

-QUEM FOI O DESGRAÇADO? - disse com o nariz vermelho por conta da queda.

-T-Taichou… Eu esqueci de te falar que o 3° e 5° posto da 11° divisão vieram aqui… Acontece que eles tiveram uma pequena briga e acabaram por entortar essa madeira…

-EU VOU CASTRAR ESSES DESGRAÇADOS! Bakudou n°77, tenteikuura! Ei, Madarame! Ayasegawa! Eu vou matar vocês! Se entortarem mais uma madeira no chão do meu bantai, vão perder o pinto!

-Q-Que direta…

-Merda… Deixa pra lá, estou indo dormir. - entrou no quarto.

O moreno tinha ficado com a zanpakutou dela, mas não se atrevia a entrar no quarto de novo, após acabar vendo-a de toalha e se animando, não queria passar por isso de novo de jeito nenhum. Decidiu devolver a espada amanhã para ela.

Voltou para a mansão Kuchiki e, em seu quarto, analisou a zanpakutou: o cabo era envolvido em ito prateado (N/A: pra qm n sabe, as zanpakutous e/ou qualquer outra katana tem um tecido trançado no cabo, tipo, o da Kyouka Suigetsu é verde, o da Sode no Shirayuki é vermelho, o da Tensa Zangetsu é preto, o da Senbonzakura é rosa, isso é ito. Procurem no google "ito katana" e vcs vão ver oq é), e o formato do guarda-mão dela era totalmente diferente que qualquer um que ele já tivesse visto, era oval, com detalhes que eram difíceis de se explicar. Tocou na lâmina e percebeu que ela era bem mais afiada do que a lâmina de sua Senbonzakura.

-Ei, Kuchiki Byakuya, o que está fazendo? - a zanpakutou se materializou, fazendo com que ele tomasse um susto.

-Porque se materializou?

-Porque eu quis, e também não ia deixar que você ficasse encostando em mim desse jeito.

-Quando eu encostei em você, não senti nada. Normalmente quando se encosta na zanpakutou de alguém, se sente as emoções da pessoa. Porque não senti nada quando encostei em você?

-Porque eu não quis que sentisse nada. Se eu permitisse que sentisse minha “essência”, ia ver algumas memórias que eu não gostaria que fossem vistas, então fiz com que você não sentisse nada.

-Do que se tratam essas memórias?

-É interessante em como você quer saber mais sobre mim do que sobre sua própria zanpakutou, Kuchiki Byakuya. Bom… Mas se você quer tanto saber, vou te falar um pouco: são memórias sobre experimentos. Satisfeito?

-Kurotsuchi conseguiu pegar você?

-Kurotsuchi? Não brinque comigo, é óbvio que não. No assunto de zanpakutous, Kurotsuchi é um amador, qualquer cientista do Gotei 13 é. Quando falo que alguém fez experimentos comigo, falo de seres muito mais poderosos e especializados.

-E quem seriam esses seres?

-Que cara chato, viu… - materializou uma espada em sua mão e a apontou para Byakuya - Encosta na ponta da lâmina, se aguentar, te mostro algumas coisinhas que acho que tenho permissão de mostrar.

Encostou e se controlou ao máximo para não gritar, já que um simples furo no dedo não devia doer tanto quanto estava doendo. Sua visão ficou escura e logo clareou, mostrando um vasto campo florido e iluminado, crianças com yukatas floridas e coloridas corriam pelo campo, coletando flores e sorrindo.

O capitão da 6° divisão até tentou chamar algumas delas para perguntar onde ele estava, mas nenhuma respondeu, fazendo com que ele chegasse a conclusão de que não poderia ser visto.

-Crianças, vamos. - chamou uma voz feminina, extremamente agradável aos ouvidos de Byakuya.

Ele olhou em volta, a procura da mulher que chama as crianças, e se deparou com uma mulher de cabelos negros e olhos em um azul claríssimo, quase prateado. Ela usava um quimono negro, com flores prateadas como seus olhos costuradas nas mangas e nas laterais da roupa, e tinha uma expressão extremamente serena, era como se você olhasse para ela e sentisse a mais pura calma, como se sua alma fosse iluminada pela calma dela.

As crianças vieram felizes abraçá-la, e ela sorriu. Que sorriso era aquele? Simplesmente iluminava a alma de Byakuya até o fundo, a voz dela era como música para seus ouvidos.

Ela se sentou, e deixou que as crianças mexessem em seu cabelo, que por sinal, era extremamente comprido, e elas colocaram flores e os trançaram.

-Quem é você? - Byakuya perguntou, não aguardando resposta.

“Kuchiki Byakuya, não pergunte algo se sabe que não vai receber resposta. Isso é uma memória, permaneça calado e assista.” a voz de Ryo ecoou em sua mente.

A mulher parecia calma e feliz ao lado das crianças, até que um garoto de cabelos escuros na altura do ombro e olhos azuis, vestindo um quimono branco como a neve, pôs-se na frente dela:

-Porque ficou fora por tanto tempo? Eu fico preocupada, meu filho

-D-Desculpe, mãe… - o garoto começou a chorar.

-Não precisa se desculpar, você já está aqui, então está tudo bem.

-D-Desculpe… - apertou os olhos, tentando conter as lágrimas.

-Eu já disse que está tudo bem, não tem porque se desculpar mais. Venha. - abriu os braços, então o garoto a abraçou.

-Desculpe. - disse, retirou uma adaga de dentro de seu quimono e a deu uma facada na barriga da mãe.

-F-Filho… - apesar de estar com uma adaga cravada na barriga, não demonstrava medo e nem desespero, ela só demonstrava tristeza - P-Porque?

As crianças sumiram, só restando Byakuya, o garoto e a mulher serena.

-Nem todos sabem o por quê de seus cabelos serem tão grandes, nem meus irmãos sabem, mas eu consegui descobrir. Seu cabelo contém um poder gigante armazenado, e é por isso que o mantém tão longo, você quer guardar poder em seu cabelo para que possa chegar perto dos outros sem destruí-los, funciona como um selo. Estou certo?

Ele obteve o silêncio.

-Eu nasci paralisado, não podia ouvir, nem falar, nem enxergar, nem chorar, nem me mexer. Sabe como foi torturoso? Eu só podia sobreviver.

-É p-por isso que eu… Que eu cortei meu cabelos quando v-você nasceu… Para tentar te dar uma vida digna, m-mas… Nem meu poder foi capaz de te curar… - sua voz estava baixa e fraca, devido a dor, mas continuava agradável de se ouvir.

-Exatamente. Eu tenho que distribuir pedaços da minha alma, só para não ter que voltar para aquele estado… Agora que estou melhor, creio que seu poder consiga curar minha deficiência e eu não tenha que dar poder para qualquer um só para não ter que voltar a ficar em estado vegetativo.

-N-Não… - o medo passou rapidamente por seu rosto.

-Porque sente medo? O sofrimento de ver seu filho tendo que distribuir a alma vai acabar, não se assuste, se sinta grata.

A mulher não conseguia se mexer, a ferida sangrava e doía muito.

-Adeus. - o garoto segurou os cabelos dela e os cortou com a adaga, fazendo com que ela fechasse os olhos e desmaiasse.

Pegou o cabelo, que emanava reishi, e tentou absorvê-lo, mas falhou, era como se ela não quisesse que ele absorvesse tal poder.

-Desgraçada… - jogou os cabelos delas no colo da mulher - Espero que alguém pegue-os e tenha a mesma decepção que eu tive, vou agora construir meu novo reino, do meu jeito. - fugiu.

Logo, um homem vestido em elegantes quimonos chegou no jardim, a procura da mulher, e, quando viu ela jogada no chão com os cabelos curtos, correu em sua direção, desesperado:

-Não é possível! Quem… Quem fez isso com você? - colocou ela em seus braços.

-F-Foi nosso filho… Eu acho que… Já vou partir…

-Não!

-Eu vou usar o resto de minhas forças para reencarnar durante as próximas eras, faça com que eu consiga chegar até você, meu amor…

-Mas…

-Você conhece um homem que pode criar espadas que, com o tempo, se tornam baseadas na alma do usuário, não?

-Sim, as zanpakutous.

-Pegue meu cabelos, - estendeu a mão com os cabelos em direção ao homem - e faça com que o criador das zanpakutous insira meu poder em uma. Aquele que conseguir empunhar a espada será minha reencarnação. Eu te amo tanto, meu amor… - fechou os olhos.

-NÃÃÃOO! - gritou, desesperado, tentando acordá-la.

Do que estariam falando? Criador das zanpakutous? Byakuya se sentia uma mosca burra naquela memória.

-Eu vou te achar, nem que para isso eu tenha que morrer e acabar com todos os mundos. - abriu seus olhos cheios de lágrimas e Byakuya conseguiu vê-los.

Tinham o mesmo desenho que o guarda-mão de Akemi tinha.

Byakuya piscou e novamente estava em seu quarto, com Ryosoku ao lado.

-Parece que você voltou.

-Quem era aquela mulher?

-Porque a curiosidade?

-Porque a sensação que eu tive quando eu vi ela foi diferente de qualquer sensação que eu já tenha sentido.

-Eu definiria essa tal sensação como… Paz interior. Sentiu que, olhando para ela e ouvindo a voz dela, seu corpo se acalmou e todas as suas preocupações foram dissipadas?

-Isso mesmo. Quem é ela?

-Alguém importante demais para que você conheça. Não pergunte nada para Akemi-sama, e, caso pergunte, vou te castrar.

-Como você pode saber de algo que sua dona não sabe?

-Não te devo explicações, estou indo.

-Se for pego por algum guarda da minha mansão, deixarei que seja preso.

-Quem acha que eu sou, Kuchiki Byakuya? Não me subestime, porque o que viu na caverna não foi nem um terço do meu poder, seu arrogante de merda. Me leve para minha senhora.

-E se eu não quiser levá-lo?

-Eu bem que disse que você é um arrogante de merda. Enfim, se não me levar para minha senhora, falo para ela que você me roubou e que me levaria para Kurotsuchi.

-Você joga sujo.

-E você é confiante demais em si mesmo. - voltou a sua forma selada e o Kuchiki a levou para o 5° bantai.

Hinamori o recebeu com surpresa:

-Kuchiki taichou? Algum problema?

-Preciso que entregue a zanpakutou dela. - Ryosoku se materializou novamente - Porque me mandou te trazer aqui se podia se materializar e andar sozinho?

-Porque eu acho divertido! Vamos para o quarto dela… - arrastou Byakuya.

-Desgraçado, pare! - foi jogado no quarto dela, se deparando com Akemi com roupas de dormir e penteando os cabelos quase quilométricos.

-Eu quero uma explicação dos dois palhaços, que os façam escapar da morte, de preferência. Agora.

-Sua zanpakutou ficou comigo, e eu pensei que fosse melhor devolvê-la amanhã, mas esse desgraçado me arrastou para cá.

-Isso é verdade, Ryo?

-Total mentira, Kuchiki Byakuya é um perverso. Até tentei impedi-lo, mas ele é muito rápido. - se fez de inocente.

-SEU CU! - deu uma voadora na própria zanpakutou - Pare de mentir! - deu vários cascudos na cabeça dele.

-Aiaiaaiaii! Para! Tá doendo! Tá doendooo!

-É pra doer mesmo! Nunca ouviu falar de que não se deve entrar desse jeito no quarto de uma mulher, principalmente quando ela estiver de pijama?! Não tem educação não? - continuou com os cascudos.

-Atenção, a Sereitei foi invadida! Retornem aos seus devidos esquadrões! - o alarme soava, chamando a atenção de todos.

-É um pena termos que prestar atenção num invasor quando a lua está tão bonita… - falou com tédio.

-Estou indo. - o Kuchiki falou e Akemi assentiu.

-Volte, Ryo. Agora não vai ser um momento favorável para que fique fora da espada.

-Hai, Akemi-sama.

Convocou os shinigamis que não tinham feito parte da briga e que não estavam com suas funções suspensas, ordenando que ficassem alerta para qualquer movimentação suspeita, já que fora comunicado que o invasor (N/A: REZENDE SENTIU ISSO AUHEUAHSUAHUEHA DESCULPA N RESISTI) estava escondendo sua pressão espiritual e estava invisível.

Será que ia tirá-la do tédio ou dar mais dor de cabeça?

-Are are… - se espreguiçou - É nessa noite que eu não durmo…

Todos passaram a noite alerta, porém mais nenhuma notícia foi dada, então Akemi finalmente pôde dormir.

Pensava em como aquele invasor conseguia ser apenas um pedaço de merda: ficar se escondendo, ocultando sua pressão espiritual… Era muita covardia mesmo. Mostrava que não tinha habilidade para enfrentar o Gotei 13 de frente, então tinha que ser um cagão com medo de mostrar a cara.

-Retardado. - pensou em voz alta, enquanto fazia uma patrulha pelo oeste de Rukongai.

-Disse alguma coisa, taichou? - Hinamori, que estava ao seu lado, perguntou.

-Não, só estava pensando alto. Pensando em como os inimigos andam ficando tão patéticos, a ponto de terem que se esconder para causar dano em alguém do Gotei 13.

Hinamori estava preocupada com sua capitã, afinal, no início da noite passada, pode ouvi-la falando com alguém, pode sentir que ela estava sobre influência do tenteikuura, e desde esse acontecimento, ela andava aérea, desatenta.

-T-Taichou…

-O que foi?

-Você estava em perigo ontem a noite?

-Não que eu saiba. Porque a pergunta?

-Eu pude sentir que sua reiatsu estava sob influência direta do tenteikuura, e quando saiu do quarto, eu pude sentir que… A senhora estava triste.

-Não se preocupe, Hinamori. Aquilo foi só algo que livrou um peso de minhas costas… Eu… Eu estou bem mais tranquila agora.

-Que bom, taichou. Eehh… - coçou a cabeça - Posso te falar algo?

-É claro que sim, prossiga.

-A senhora fica bonitinha com o Kuchiki taichou… - cobriu a boca e deu uma risadinha, para logo em seguida tomar um cascudo cômico da superior - Aaii!

-Não diga besteiras! Ele foi casado!

Uma borboleta do inferno chegou, avisando que uma reunião de urgência iria acontecer.

-Are are… Já chegaram? Enfim, já volto, Hinamori. Cuide das coisas por aqui e não faça nada imprudente.

-Hai!

Chegou no 1° esquadrão com a respiração acelerada, mas felizmente conseguiu chegar na mesma hora que a maioria dos capitães.

-Vamos dar início a nossa reunião especial. - anunciou o Comandante - Foi confirmado que Ryokas invadiram a Soul Society. Como agirão: cada esquadrão vai seguir a antiga formação de emergência n°2. Tendo em vista a gravidade da situação, o 10° esquadrão de Hitsugaya Toushirou estará responsável pela captura dos ryokas.

-Sim, senhor. Mas…

-As informações ficaram complexas, e há também um problema de vazamento de dados do Departamento de Tecnologia. As informações corretas devem ser filtradas e enviadas a cada esquadrão.

-Hai.

-Agora vou dizer a parte mais importante: matem qualquer um que vocês achem que são ryokas sem hesitar!

“A porra ficou louca.” era só o que Akemi conseguia pensar, mas não expressava nenhuma emoção em sua face.

-Enquanto o 10° esquadrão estará responsável pela captura dos ryokas, o 5° estará responsável pelo rastreamento dos mesmos.

-Entendido.

-Porque eles? - perguntou Kurotsuchi, indignado - Tenho dispositivos melhores que as habilidades do 5° esquadrão, prontos para serem testados e aprovados, tenho certeza de que farão muito mais efeito do que o rastreamento do 5° esquadrão!

-Kurotsuchi taichou, essa é uma situação de emergência, não há tempo para que você teste seus novos dispositivos. - rebateu o Comandante.

“Se fode aí, seu merda!” ela só foi capaz de sorrir de canto, em sinal de vitória.

-Mas…

-Kurotsuchi taichou, é essencial que entenda a gravidade da situação, e que entenda também que não é o momento essencial para testar dispositivos, e sim usar os que já temos confiabilidade, que no caso, são as habilidades do meu esquadrão. - Akemi falou, com calma infinita - Creio que já saiba que minha tenente, Hinamori Momo, é extremamente habilidosa em kidous, e isso incluí os bakudous de rastreamento. Se as habilidades da minha tenente não forem suficientes para provar a capacidade de meu bantai nesse cargo, eu estarei lá também. Caso não saiba, também sou habilidosa em kidous.

-Escolhi o 5° esquadrão justamente por ter duas oficiais com habilidades altíssimas em kidous e possuírem alta sensibilidade para sentir qualquer reiatsu desconhecida. Dispositivos novos que possuem o risco de não funcionar não serão de grande uso, e não temos tempo para o aperfeiçoamento dos mesmos, ponto final. - encerrou o velho - Devem iniciar as buscas no oeste de Rukongai.

-Hai. - Akemi falou tranquila.

Organizou os shinigamis disponíveis mais habilidosos em kidous, principalmente em bakudous de rastreamento, de sua divisão e partiu para o oeste de Rukongai, como combinado.

-Duas reiatsus desconhecidas e fortes estão próximas, continuem procurando. - ordenou a capitã, que logo achou dois bounts, um de cabelos brancos e olhos vermelhos, e o outro era bronzeado, musculoso e ruivo, com um topete laranja e fones de ouvido no pescoço - E aí? Impressionante vocês terem conseguido passar por todas as barreiras.

-Kariya-san, pode deixá-los comigo? - pediu o ruivo.

-Sim, esse é o momento. Teste seu poder.

“Como vêm para a Soul Society sem nem saber se estão tão poderosos quanto pensavam? Que retardados.”

O ruivo se virou para a tropa do 5° esquadrão, chamando seu doll:

-Apareça, Daruku. - várias esferas de metal começaram a levitar e a se unir, formando um boneco parecido com uma aranha com cabeça de mulher.

-Prestem atenção em tudo e não se descuidem, entendido? Qualquer falta de atenção pode matá-los, então tentem perceber a habilidade e o ponto fraco do inimigo, para assim tentar atacá-lo em sua fraqueza. - falou baixo o suficiente para que os shinigamis ouvissem, mas o bount não.

-Hai!

-Olá! Como estão? - puta merda, aquela porra de metal falava? - Nossa! O ar daqui é ótimo! Que sensação boa!

-Essa é a técnica incomum que os bounts usam? - perguntou Hinamori, com a mão já no cabo da zanpakutou.

O bount estalou os dedos, fazendo com que diversas partículas espirituais dos arredores fossem absorvidas por ele.

-Absorvendo as partículas espirituais? Esperto… - Akemi pensava em voz alta.

-Não me olhem como se eu fosse um monstro. Apesar disso, eu sou só um humano. No entanto, pode-se dizer que sou superior a humanos comuns.

Sem ordem alguma por parte de sua capitã, os shinigamis da 5° divisão correram em direção ao bount. Ela se enfureceu por eles simplesmente terem cagado para sua ordem de não atacar enquanto não soubessem de suas habilidades:

-Idiotas! Eu disse para analisar primeiro, só depois atacar! Como vão atacar sem fundamento algum?!

-Daruku, esmague-os.

-Hai! Eu me sinto muito bem! - arremessou uma de suas patas de metal em direção aos shinigamis precipitados, logo a dividindo e transformando-a em diversas esferas de metal.

-Bakudou n°81, danku! - se não fosse a ação rápida de Akemi, muitos membros de sua divisão já estariam com ossos quebrados, e talvez alguns mortos - Se acabarem por se precipitar mais uma vez, não serão perdoados! Deixarei que sejam atingidos!

-Mil perdões, Shikkari taichou!

-Recuem e fiquem atrás de mim.

-Hai!

A maldita aranha-mulher atirava sem parar as malditas esferas de metal, e a capitã fazia de tudo para reduzir os danos na área do Rukongai e para proteger seus subordinados.

-Defendam-se! Não sabemos a força daquelas esferas de metal, e nem se têm alguma habilidade especial! - os shinigamis usavam o bakudou n°39, enkousen, para defender a si mesmos - Bom trabalho.

Quando os ataques finalmente pararam, a capitã deu um passo a frente e falou:

-Bount.

-O que foi, shinigami?

-Seu nome.

-Koga Gou, e o seu?

-Capitã da 5° divisão do Gotei 13, Shikkari Akemi.

Oomaeda chegou correndo, se gabando por ter achado os bounts:

-Oomaeda, você faz muito barulho. Saia.

-E-Ei, Shikkari taichou! Eu sou um tenente, acho qu-

-Acha nada, você pode até ser um tenente, mas sei que é um medroso que não pensa em batalhar. Saia, vai acabar me atrapalhando.

-Mas…

-Quer saber? Se quiser, fique, mas se for morto, o problema não vai ser meu. Quem quis vir aqui foi você.

-C-Certo…

-Mais uma coisa: se me atrapalhar de alguma maneira, quem vai te matar sou eu.

-Você fala como se eu fosse morrer! Não é assim!

-Porque mentir se eu sei que você tem 90% de chance de morrer? Não seja idiota e faça o que você sempre fez, que foi fugir. Estou falando isso para seu próprio bem.

-Ei!

-Não tem o direito de reclamar, você nem deveria estar aqui, deveria estar acompanhando sua capitã onde quer que ela esteja. - Oomaeda resmungava tanto que até os shinigamis da divisão de Akemi começaram a reclamar da barulheira que ele fazia - Não sabe de suas obrigações como tenente?

-Oomaeda fukutaichou, você não vê que está atrapalhando a nossa taichou? - um shinigami falou, repreendendo-o.

-Mas eu sou um tenente!

-Seria um se cumprisse suas obrigações como um, que é ficar perto de sua capitã, não da nossa!

A discussão continuou até que Akemi perdesse a paciência e desse um fim naquilo tudo:

-Já chega. - todos se silenciaram - Ainda não entendeu que o Onmitsukidou e nem o 2° bantai estão encarregados de rastrear e nem capturar os bounts? Saia daqui, vai acabar morrendo.

-Não vou sair!

-Você é um riquinho muito mimado mesmo… Já que é assim… Bakudou n°30, shitotsu sansen! - três feixes de luz prenderam o tenente da 2° divisão na parede, permitindo que a 5° divisão pudesse finalmente se concentrar no inimigo.

Iba Tetsuzaemon surgiu atrás do bount ruivo, tentando um ataque surpresa, mas foi facilmente esmagado por ele, e quando estava derrotado no chão, o aparente líder de cabelos brancos soltou a seguinte questão:

-Você é um shinigami mesmo? Ponha-se no seu lugar. Suma! - a reiatsu dele se elevou, fazendo com que ele conseguisse levantar o tenente sem nem usar as mãos, para depois jogá-lo numa parede próxima.

-Quer saber? Se mais gente aparecer pra atrapalhar minha divisão, quem vai matar sou eu.

-E então? - perguntou o grisalho para o de fones de ouvido.

-É maravilhoso, Kariya-san.

-Ei, Hinamori. - sussurrou a morena - Já comunicou a 10° divisão?

-Hai.

-Há uma quantidade infinita de partículas espirituais por aqui. - observou o bount bronzeado.

-Sei. Vamos prosseguir.

-Ainda tem mais gente para testar seu poder! - Akemi desembainhou sua espada e correu em direção ao ruivo, que era quem deveria ser seu oponente. Ela precisava atrasá-los, pelo menos até que a 10° divisão chegasse.

Ele conseguia defender os ataques delas com os braços no começo, mas precisou começar a se esquivar mais, pois ela aumentou a força, intensidade e velocidade do ataque.

Enquanto isso, Kariya selecionou um shinigami aleatório e covardemente o arremessou contra a mesma parede que o Iba fora arremessado, atingindo seu propósito, que era desconcentrar a capitã e permitir que seu aliado desse um soco em sua cabeça, fazendo-a apagar com a força absurda do ataque. Não foi difícil para que o resto da divisão fosse tirada do caminho, e quando Hitsugaya chegou, se surpreendeu ao ver todos aqueles shinigamis caídos:

-Ei, Shikkari taichou! Acorde! - cutucou a capitã.

-Pare de me cutucar, porra. - se levantou e o capitão pôde ver que, devido a pancada ter sido forte demais, acabou fazendo com que o lado direito de sua cabeça estivesse banhado em sangue.

-Chame o 4° esquadrão! - ordenou, e um de seus subordinados saiu - Tragam reforços e descubram o que aconteceu!

-Eu estou aqui, não vá desperdiçar shinigamis, Hitsugaya taichou.

-Está ferida, não deve falar.

-Os poderes dos bounts estão bem amplificados no momento, já que conseguem absorver todo o reishi que quiserem, ou seja, qualquer coisa na Soul Society pode amplificar os poderes deles.

O sangue dela pingava incessantemente, formando uma poça em sua clavícula e logo escorrendo pelo vale dos seios.

-Vou relatar isso ao Comandante, Hitsugaya taichou. - disse, se levantando - Poderia cuidar da Hinamori para mim? - ele assentiu, com cara de preocupação - Eu até poderia ficar aqui, mas prefiro que ele saiba de qualquer informação que possa ser de utilidade em primeira mão.

-Entendido.

X~X~X HOHOHO X~X~X

Byakuya, a pedido do Comandante, havia reunido todas as informações que o clã Kuchiki possuía a respeito dos bounts, e estava já no 1° esquadrão, somente aguardando para que fosse chamado, já que Sasakibe fukutaichou havia o comunicado de que o Comandante está ocupado.

Ao ser chamado, deu de cara com Akemi, que saía, e sua cara não estava nada boa:

-Porque está sangrando nessa quantidade?

-Minha missão era localizar e impedir os bounts de prosseguirem, certo? Bom, foi o que tentei fazer. Tome cuidado, eles estão fortes.

-Entendido. - adentrou a sala do Comandante - Lave seu rosto, metade dele está completamente banhada de sangue.

-Eu sei que tá horrível, não precisa esfregar na cara.

X~X~X HOHOHO X~X~X

Quando estava lavando seu rosto e a ferida que se formou onde ela tomou o soco, sentiu a reiatsu de Rukia. Ela devia estar lutando…

-Espera! Ela ainda não recuperou totalmente seus poderes! Preciso ir para onde ela está o mais rápido possível! - uma borboleta do inferno a comunicou sobre uma reunião de capitães - Merda! - tentou usar o shunpo, mas caiu no chão, sem forças - O que está acontecendo? - tampou a ferida com a própria franja e correu o mais rápido que podia até o local da reunião.

Chegou no 1° esquadrão pela segunda vez no dia e o Comandante iniciou a reunião:

-Lendo livros antigos da família Kuchiki, conseguimos informações novas sobre os bounts, vou apresentá-las agora. Certa vez, foram feitos várias experiências que eram proibidas em Sereitei. Essa é uma velha história, do tempo em que tentamos desenvolver técnicas médicas, e a pessoa mais famosa nesse campo era um cientista chamado Ran’Tao, ela fez pesquisas que focavam a juventude eterna. Mas, um dia, houve um acidente: humanos com um certo tipo de espírito foram afetados pela experiência e ganharam vida eterna, eles são os bounts. Diz-se que Ran’Tao declarou-se culpado pelo incidente e foi exilado da Sereitei.

“Vamos adivinhar: mais um pedaço de bosta andando pelo Rukongai” apesar de pensar isso, não era o correto a se fazer, já que, antes de se tornar shinigami, também era só mais um pedaço de bosta andando pelo Rukongai também.

Bom, ela matou vários caras lá, mas não deixava de ser um pedaço de bosta. Deu de ombros mentalmente, foram eles que provocaram. Fazer o que? Se pediram a morte, o que ela iria fazer? Recusar? Óbvio que não.

-Os bounts foram mantidos no Mundo Real para terem uma chance de viver.

“Adivinha? Deu merda!” era óbvio que ia dar.

-”Para terem uma chance de viver?” - perguntou Kyoraku, colocando a mão no queixo, num gesto pensativo - Parece que alguns superiores estavam de rabo preso, isso sim. - há muito tempo Akemi não se controlava do jeito que se controlou naquele momento para não dar umas belas de umas gargalhadas.

-Kyoraku! - repreendeu Ukitake.

-Isso não importa. - falou Yamamoto, encerrando a discussão - Em todo caso, eles foram criados por nós.

-Então, eles vieram a Soul Society para se vingar de nós. - porque Hitsugaya tinha que às vezes falar coisas tão óbvias e desnecessárias? O silêncio era muito melhor do que conclusões óbvias, na opinião da capitã do 5° esquadrão.

-De qualquer modo, temos que erradicar os bounts. O shinigami substituto, Kurosaki Ichigo, e seu grupo vieram a Soul Society para ajudar.

-Como posso dizer… Aquele grupo se esforça bastante. - Kyoraku mexia em seu chapéu de palha enquanto falava.

A morena só queria poder voltar para o conforto de sua cama, já que, por mais que quisesse muito lutar, desde que tomou o soco, sentia uma dor aguda na cabeça e sentia seus músculos fracos.

-Notícias! - um membro do Onmitsukidou entrou na sala - Acabamos de detectar um bount, e também o poder espiritual de Kuchiki Rukia!

Ukitake se mostrou preocupado, afinal, era sua subordinada que poderia estar em perigo. Akemi tentou sentir sua reiatsu, mas no começo, sentiu uma pontada aguda em sua cabeça, e com o tempo conseguiu se acostumar com a dor aguda.

-Detectei a reiatsu dela há pouco tempo, e estava a caminho de Rukongai, porém fui chamada para essa reunião.

-Onde ela está, Akemi? - Ukitake demonstrava extrema preocupação em sua voz.

-43° bairro de Rukongai. Há uma grande oscilação em sua reiatsu, o que mostra bem que, se não mandarem reforços, ela vai morrer daqui a pouco.

-Nani?

-Shiro-chan, Rukia ainda não recuperou totalmente seus poderes shinigamis, e sequer conseguiu sua zanpakutou de volta. A oscilação em sua reiatsu mostra que ela está lutando com tudo o que pode a base de kidou e um pouco de hakuda, mas a reiatsu de um shinigami não é infinita, você sabe. Eu me preocupo com ela, e acho melhor que mandem reforços o mais rápido possível, porque, sem os poderes completos de shinigami, ela obviamente não durará muito tempo em batalha. - endireitou as costas - Espera.

-O que?

-Ela está ferida.

-Porque só falou agora?

-Se acalme, eu só percebi agora. Tem reiatsu vazando do ferimento, como esperado. - arqueou as sobrancelhas - Mandem reforços agora, ela não tá nada bem. E eu também não. - suspirou de cansaço.

O que diabos estava acontecendo com ela? Ela sentia que, a cada segundo, suas forças eram sugadas de seu corpo e mandadas para a puta que pariu. O Comandante dispensou todos, e Byakuya sumiu num instante com o shunpo:

-Ele quer mostrar que não tem sentimentos, mas no final, suas ações mostram totalmente o contrário. - falou para Ukitake.

-É, tem razão.

-Ai… - esfregou a testa - Minha cabeça tá doendo por causa daquele desgraçado.

-Vamos para o 4° esquadrão, e nem tente evitar, porque você vai.

-Não… Eu tô bem… Só tô um pouco com cansada, e é normal sentir dor de cabeça, afinal, a porrada que eu tomei não foi pequena, aquele cara era gigante.

-Isso porque ainda não se olhou no espelho, está pálida, com cara de cansaço e com olheiras.

-Você tá vendo coisas… Eu tô excelente, dormi bastante e estou totalmente saudável.

No final, ela foi obrigada a ir procurar atendimento, por pura insistência do grisalho.

X~X~X HOHOHO X~X~X

Ao chegar na 4° divisão, foi atendida pelo 3° posto Iemura, que fazia um bom trabalho.

-O soco que você tomou abriu um corte na sua testa e te deixou com alguns hematomas na testa também. Vai ter que repousar o máximo que puder, porque o corte está infeccionado.  

-Um corte pequeno desses está infeccionado?

-Sim, você ficou por um período de tempo, mesmo que pequeno, exposta ao ar do Rukongai, e você sabe que, na Soul Society, o pior lugar para se machucar é fora da Sereitei.

-Eu sei, mas preciso erradicar quantos bounts eu conseguir.

-Não vai conseguir erradicar bount nenhum com a febre que você está agora, Shikkari taichou. Não é recomendado que faça muito esforço e nem que procure muitas lutas, deixe que sua tenente te defenda por enquanto. Irei pedir que coloquem bandagens em você para evitar que a ferida se abra novamente.

-Entendido. O que diabos eu posso fazer?

-Pode fazer patrulhas pelo Rukongai e tentar localizar os bounts, mas sem usar muita reiatsu e sem se esforçar muito. Se for confrontar algum bount, chame ajuda e tente atrasá-los com hakuda.

Que porra. Ia ter que ficar parecendo uma múmia, sem poder lutar e ficar fazendo patrulhas como uma retardada.

-Ei, Iemura.

-Nani?

-Cansaço também faz parte dos sintomas do corte infeccionado? - ele arqueou uma sobrancelha - Dentro da minha cabeça, posso sentir uma dor extremamente aguda, e sinto que minhas forças estão sendo sugadas.

-Vou pedir para que façam alguns exames em sua cabeça. Esses sintomas não são normais.

Alguns exames?! Após baterias de exames e quase o dia inteiro, Iemura chegou com o diagnóstico final:

-Shikkari taichou, tenho uma notícia um tanto preocupante.

-O que está esperando? Fale logo.

-O soco que você levou acabou por romper uma veia importante da cabeça, responsável por levar reiatsu ao cérebro. É por isso que começou a se sentir tão cansada, porque a reiatsu vaza por essa ruptura e não chega ao cérebro, fazendo com que falte energia e seus comandos e reflexos fiquem bem mais lentos.

-E… - Akemi não queria nem saber, tendo reiatsu nas mãos para fazer kidous e, caso necessário, liberar sua zanpakutou, já estava de bom tamanho.

-Sua reiatsu está vazando, é como se fosse uma hemorragia interna, só que com reiatsu. É altamente recomendado que faça o mínimo de esforço espiritual que conseguir, evite ao máximo usar reiatsu e ser atingida na cabeça.

-Vou ter que ficar parada como uma estátua? Não tem cirurgia para isso não?

-É algo muito raro de se acontecer, não é comum que o inimigo saiba onde fica essa veia, então nunca desenvolvemos uma cirurgia específica para isso.

-Certo, certo. Posso até evitar lutas, mas farei minhas patrulhas para o Rukongai.

-A senhora deveria visitar a Academia, iria gostar dos alunos de lá. Bom, pode fazer o que quiser, a escolha é sua, mas não exagere, tanto fisicamente quanto espiritualmente.

-Talvez eu vá depois, talvez. Ei! Não coloque muitas faixas! Uma já está de bom tamanho!

Acabou que no final, Akemi ficou com uma volta de faixa protegendo seus ferimentos, porém que foi coberta com sua franja, afinal, não ia sair anunciando para o mundo que tinha se machucado. Antes de ir patrulhar o Rukongai, foi ao 13° bantai:

-Ei, Shiro-chan, vim só avisar que estou indo patrulhar o Rukongai, então se for me procurar, já sabe onde ir.

-Entendido. O que seus exames mostraram?

-Bom, uma importante veia da minha cabeça que leva reiatsu ao meu cérebro foi atingida e rompida, então eu estou com uma hemorragia interna, só que de reiatsu. Essa falta de reiatsu no cérebro também tá me deixando mais cansada muito mais rápida.

-Leve Hinamori com você, vai ser mais seguro. Não se esforçe!

-Hai hai.

X~X~X HOHOHO X~X~X

A capitã e a tenente adentravam o Rukongai tranquilamente, enquanto conversavam:

-Hinamori, vai ter que ser meus braços durante esses dias.

-O que aconteceu, taichou? - explicou o ocorrido com a cabeça dela - Oh! Isso é terrível! Pode ter certeza que te defenderei com todas as minhas forças!

-Obrigada.

Conforme passavam pelos distritos, a qualidade de vida da população diminuía e as duas se tornavam mais temidas. Era possível ouvir os moradores falando:

-Olha ali! Duas shinigamis! Eu ouvi dizer que a braçadeira significa que o shinigami é tenente e o haori mostra que é capitão. Tome cuidado...

-Oohh…

Um homem extremamente bêbado e gordo saiu de sua casa, se pondo na frente das duas e falando palavras desconexas e impossíveis de se entender:

-O que foi, shinigami?! Porque está invadindo o meu Rukongai?!

-Eu sei que muitos de vocês não gostam de shinigamis por aqui, mas a situação é diferente, e por acaso o Rukongai tem seu nome para que fale que é seu? Ponha-se em seu lugar e saia da nossa frente.

-Você não manda em mim!

-Quem disse? Já mandei sair. - ela realmente não queria se exaltar, mas o povo andava cada vez mais audacioso - Saia, agora.

-Não!

Andou em direção ao homem bêbado, fazendo com que ele tremesse de medo:

-Escuta aqui, já disse que é para sair. Se eu digo que é para fazer algo, é para obedecer.

-Não vou obedecer, sua vadia! Tenho certeza que não merece ser uma shinig… - urrou de dor, já que, nem terminou de falar e tomou um chute certeiro na barriga.

-Torça para nunca mais ver meu rosto, porque o dia que isso acontecer, vai ser o dia de sua morte.

Ela não gostava de impor autoridade com tanta violência, mas o povo do Rukongai era um povo muito difícil, sempre achavam que estavam certo, que os shinigamis eram vilões… Um amontoado de ideias idiotas.

Olhou ao redor e viu muitos olhos arregalados, então tratou de alertar:

-Se não querem acabar como aquele pedaço de lixo, ponham-se em seus lugares respeitem os shinigamis, porque é por causa deles que a Soul Society ainda está de pé. Podem até ter raiva deles, mas escondam isso na frente deles, pelo menos. Ninguém é obrigado a ouvir esse monte de merda que vocês falam, achando que estão certos. Vamos, Hinamori.

-Hai, taichou. - puxou assunto - A senhora morava aqui no Rukongai quando entrou na academia?

-Exatamente.

-Qual distrito? Pode ser que tenhamos crescido do mesmo distrito…

-Tenho certeza que não.

-Porque? Eu sou no 1° distrito do oeste do Rukongai, Junrinan. Qual era o seu distrito?

-Talvez não pareça muito, porque deixar de agir como uma pessoa de lá há muito tempo, mas eu sou do distrito 80, ao norte. Zaraki. - a mais nova arregalou os olhos - Lá era um lugar terrível, tinham muitos ladrões e assassinos, eu nem sabia o que diabos tinha feito no Mundo Real para ser enviada para aquele distrito com o meu irmão.

-A senhora tinha um irmão?

-Sim. Eu tinha que tomar muito cuidado para viver por lá e protegê-lo ao mesmo tempo, já que as coisas funcionavam a base da independência, passava fome e noites em claro, só para protegê-lo. Mesmo antes de entrar na Academia por pura insistência dele, já tinha matado muita gente.

-Nani?

-Muitos homens eram pervertidos e ousados, além dos assassinos e ladrões. Tive que aprender na marra que nem todos na vida são bons, e naquele distrito, acabei aprendendo que tem muito mais gente ruim nesse mundo do que gente boa. Muitos homens de lá tentavam me tocar, me roubar e até me assassinar, mas eu matei todos eles. De certa forma… Aquele distrito pode ajudar a formar um shinigami de grandes habilidades.

-Mas como?

-Zaraki te ensina a parar de ter misericórdia de tudo e todos, te ensina a massacrar qualquer um que, na sua visão, for inimigo. Ele te ensina a sobreviver de todas as maneiras possíveis, justamente o que um shinigami precisa em batalha: sobreviver a qualquer custo. Observe alguns exemplos: eu, Zaraki taichou...

-Taichou… - ouviram barulhos vindo da Sereitei, e se espantaram - Senzaikyuu (N/A: pra quem não lembra, são as torres brancas que ficam do lado do Soukyoku, onde a Rukia ficou presa) está sendo atacada!

-Vamos logo!

X~X~X HOHOHO X~X~X

Quando chegaram, alguns shinigamis estavam lá, junto de Hitsugaya, Ukitake e Yamamoto. Ukitake tossiu e se perguntou:

-O que diabos é isso? Porque eles invadiram Senzaikyuu e explodiram uma bomba?

-Shiro-chan, eu acho que eles estão usando essa explosão como distração. Acho uma boa ideia que a segurança seja reforçada.

-É uma declaração de guerra. - Yamamoto falou - Aqui é feito de pedras Sekki, que são imunes a ataques de poder espiritual. Sinto que eles têm um ressentimento terrível por terem elaborado um plano desses, aumentem o número de tropas de busca e descubram logo o paradeiro deles!

-Hai. - quando iria começar a correr para procurar de novo pelos bounts, foi parada por Genryussai.

-Shikkari taichou, Juushirou e o 3° oficial da 4° divisão, Iemura, me falaram sobre seu atual estado de saúde. Creio que evitar esforço será a melhor opção para sua reiatsu, já que, se acabar encontrando um deles, é bom que tenha forças para lutar. Descanse até que seu corpo e reiatsu já estejam totalmente recuperados.

-Hai.

X~X~X HOHOHO X~X~X

Rukia estava sendo tratada na mansão Kuchiki, já que Byakuya exigiu que o tratamento fosse lá, por questões de segurança. Saiu do quarto dela e caminhou até o quarto onde estava hospedando Kurosaki Ichigo e seus amigos:

-Ei, como Rukia está? - Ichigo perguntou preocupado, mas ele não respondeu - Você me ouviu? Como a Rukia está?

-Ela não sofre risco de morte, mas seus cortes são profundos. Vou deixá-la descansar até que se recupere.

-Que bom. - falou Orihime, com as mãos no peito num gesto de alívio.

-Ela está bem por causa da imensa vontade de Byakuya-dono de salvá-la! - Cloud, o bichinho de pelúcia que estava na cabeça de Orihime, falou - Este é um belo amor entre irmãos, não acha?

-Você é muito bom, irmão da Rukia. - Rin Rin surgiu dos pés do Kurosaki.

-Fico aliviado. - Ichigo sorriu - Vai nos ajudar, Byakuya? Precisamos de sua força.

-O que?

-Aqueles canalhas atacaram Rukia, sabendo que ela ainda não estava recuperada. Não posso perdoá-los! Você deve ter o mesmo sentimento.

-Não ajudarei.

Curto e grosso. (N/A: minha mente é muito poluída puta merda)

-Porque? Vai deixar que os bounts destruam tudo?

-O Gotei 13 já entrou em ação. Não preciso andar com vocês.

-Como é?

-Kurosaki-kun…

-Vocês deveriam voltar para o Mundo Real.

-Saquei. Os inimigos de ontem também são os de hoje, não? - perguntou, fazendo referência a quando invadiram a Soul Society - Vamos, Inoue.

-Mas…

-Vou deixá-lo tomar conta da Rukia, Byakuya.

-Por favor, cuida da Kuchiki-san. - Orihime se inclinou e seguiu o Kurosaki. Pelo ela era educada e respeitosa.

-Kurosaki Ichigo.

-O que foi, Byakuya?

-Se quiser enfrentá-los, vai precisar de informações. Posso dizer onde pode encontrá-las. - Ichigo se virou, curioso - 5° esquadrão. Shikkari taichou enfrentou um deles há pouco tempo.

-Isso é muito útil quando não se conhece nada da Sereitei! - o Kuchiki suspirou derrotado, iria ter que levá-los.

X~X~X HOHOHO X~X~X

Akemi vigiava o trabalho de limpeza do 5° e 3° oficial:

-Esfreguem mais forte! Só vou estar satisfeita quando esse chão estiver brilhando mais que meus olhos!

-Mas eu estou cansado! - deu um cascudo nos dois e os fez continuar limpando.

Hinamori entrou no local, com o shinigami substituto, o capitão do 6° esquadrão e Inoue Orihime atrás de si.

-Taichou…

-Cansada estou eu! Continuem! Ninguém mandou beber e brigarem! Ahn? O que foi, Hinamori? - se virou e viu os três atrás da tenente - O que fazem aqui?

-Kurosaki Ichigo precisa de sua ajuda, e não sabia como chegar ao bantai.

-Oi Akemi. - cumprimentou o ruivo.

-E aí? Do que precisa, Ichigo?

-Shikkari-san… O que aconteceu com sua cabeça? - perguntou Orihime timidamente, se referindo às faixas - Eu sinto sua reiatsu mais baixa do que da última vez que te vi.

-Ah, isso aqui? - apontou para a faixa - Isso que dá enfrentar bounts sem informação.

-Nani?

-Consegui localizar dois bounts, e eles estão bem mais fortes do que no mundo real. Para piorar, dois tenentes vieram atrapalhar minha equipe e eu acabei me distraindo.

-Pode nos ajudar a detê-los, Akemi? - Ichigo pediu, com determinação.

-Eu bem que queria… - com essa até Byakuya se surpreendeu - Mas os machucados que ganhei por me distrair estão me causando problemas.

-O que quer dizer? - Byakuya.

-Depois que eu saí da reunião, fui ao 4° esquadrão por pura insistência do Shiro-chan e acabei por descobrir que estou com uma veia de reiatsu estourada na minha cabeça. Como Orihime falou, minha reiatsu tá mais baixa e eu me canso muito facilmente, pareço até uma doente. Se te ajuda, Ichigo, posso te fornecer informações. - olhando bem, Byakuya percebeu que ela realmente tinha olheiras e estava bem mais pálida e magra.

-Vai ser de grande ajuda. É… Porque tem dois shinigamis limpando o chão?

-Ué, ninguém mandou eles fazerem várzea. Já te conto o que sei, só preciso trocar minhas bandagens.

-Certo.

-Como está Rukia?

-Não corre mais risco de morte, mas deve se recuperar antes de usar seus poderes novamente. - Byakuya falou, de olhos fechados.

-Fico feliz. - saiu do local, em direção ao seu quarto para trocar as bandagens.

Fechou as portas de seus aposentos e trocou rapidamente as bandagens, tendo um pouco de tempo para abrir seu guarda roupa e pegar uma foto que estava guardada em sua gaveta. O porta retrato ainda estava um pouco empoeirado, e Akemi o segurou forte em suas mãos e sorriu:

-Desculpa… Eu estou fraca agora, mas depois eu chuto a bunda de alguém para compensar, Osoku. - depositou o pequeno quadro com cuidado em cima de sua cama e voltou para o local onde os seus “convidados” estavam - Desculpe pela demora.

"Stay alone in my room
Every moment passing too soon"

 

Forneceu tudo o que sabia e tinha percebido sobre os bounts e no final, Ichigo fez uma cara pensativa:

-Hm… Em que parte do Rukongai eles devem estar?

-Sabendo que são canalhas e covardes por ficarem fugindo e se escondendo de nós, provavelmente eles estão na parte do Rukongai em que poucas conseguem chegar, pelo menos até que eles se acostumem com a proporção de seus poderes na Soul Society.

-E onde seria isso, Akemi?

-Distrito 79 e 80, Kusajishi e Zaraki, respectivamente.

-Certo, vamos para lá, Inoue!

-Idiota! Não permitirei que vá atrás dele, Ichigo. Pelo menos não enquanto eles estiverem nesses distritos.

-E porque não vai deixar? Precisamos detê-los!

-Escuta Ichigo, eu não sei se você sabe, mas esses são os dois distritos mais perigosos e podres, lá tem muitos assassinos, estupradores e ladrões, lá é uma terra sem lei. Não vai conseguir passar por lá e sair muito saudável, é melhor esperar que eles saiam.

-Como tem tanta certeza disso?

-Porque quando morri, fui enviada para o distrito Zaraki, e acredite, até eu tive dificuldades para sobreviver por lá. Sei que você não é do tipo que tem sangue frio só de olhar, e é por isso que, se for lá, não vai mais voltar.

-Kuchiki taichou! - um membro do Onmitsukidou apareceu no local - A mansão Kuchiki foi atacada!

-Nani?

-O foco era o quarto de Kuchiki Rukia. Felizmente, os ataques pararam antes que pudessem atingir o quarto! O 6° bantai também foi destruído!

Akemi suspirou. Aqueles bounts desgraçados já estavam começando a abusar…

-Tem quartos livres próximos ao meu, tragam ela para cá, ela vai ficar segura. Se quiser, pode ficar aqui também, Kuchiki taichou. Assim vai poder tomar conta dela até que sua mansão e seu bantai sejam reconstruídos. - ela por acaso tinha cara de administradora de hotel?

Byakuya assentiu e Ichigo continuava indignado por não poder caçá-los. Iria ter que ficar em um bantai que não conhecia com sua irmã ferida, excelente!

-Ichigo, você e seu grupo ficam aqui também.

-Hai.

-Shikkari taichou! - Matsumoto Rangiku, tenente do 10° esquadrão surgiu no bantai.

-O que aconteceu para estar aqui? Algo aconteceu? 

"Não me diga que seu bantai também foi destruído..."

-Como a mansão Kuchiki foi danificada, a Associação Feminina de Shinigamis não tem mais onde se reunir! - se ajoelhou - Por favor! Nos empreste algum lugar em seu bantai para nos reunirmos!

-Está se ajoelhando por conta disso? - suspirou - Pode usar os fundos da área de treinamento, e Rangiku…

-Sim?

-Não se atreva a construir uma piscina em meu bantai!

-Entendido! Muito obrigada! - foi embora usando shunpo.

O Kuchiki estava indignado em saber que Matsumoto obedecia a ela, mas tinha a audácia de se reunir e construir uma piscina em sua mansão. O resto do dia se passou com Byakuya movendo seus pertences e os de Rukia para o 5° esquadrão. Akemi até queria poder ajudar, mas não podia fazer esforço:

-Droga, pareço uma grávida em gravidez de risco desse jeito…

A noite chegou, a lua brilhava como nunca e as sakuras haviam florescido, deixando o 5° bantai um local mágico. Akemi tomou um longo banho, vestiu um kimono de seda prateada, amarrou seus cabelos em um coque mal-feito e foi até um dos jardins do bantai, o que ficava perto de seu quarto, e passou a observar as sakuras.

Olhou o porta-retrato que segurava e sorriu. Ah, como sentia saudades desses tempos, como se sentia calma olhando para aquela fotografia...

    Se sentiu tão calma que se encostou no tronco de uma sakura e adormeceu.

    X~X~X HOHOHO X~X~X

    O Kuchiki se sentia cansado, porém sem sono, então saiu para observar as sakuras e deu de cara com a morena descansando em baixo de uma sakura. Ela parecia tão calma, não iria acordá-la… Se aproximou e viu um porta-retrato em suas mãos e se surpreendeu com a imagem.

Na foto, Akemi tinha cabelos curtos e usava o uniforme da Academia, e ao seu lado, havia um garoto de cabelos negros, ondulados e de olhos grandes da mesma cor que os de Akemi. A expressão do garoto era sorridente, sorridente por vestir o uniforme da Academia, já a atual capitã do 5° bantai se mostrava calma calma e cansada, mas acima de tudo, seus olhos expressavam verdadeira felicidade. Pelo que o Kuchiki podia perceber, já fazia muito tempo que essa foto tinha sido tirada, pois Akemi se parecia com uma criança, com uma adolescente, e atualmente tinha a fisionomia de uma adulta madura.

Na foto, Akemi se parecia realmente com alguém do Rukongai, cabelos com um corte curto, bagunçado e repicado, já que lá, principalmente no distrito Zaraki, não haviam muitos recursos para ter um bom corte de cabelo, e fisionomia bem magra, o que mostrava que ela realmente não tinha fartura. O que o intrigava mais era que, ao contrário dela, o garoto ao seu lado estava totalmente nutrido e não demonstrava nenhum sinal de cansaço, pelo contrário, parecia com disposição em excesso.

Se deu conta da explicação dessa diferença tão gritante entre os dois corpos: por ele, Akemi passaria o quanto de fome fosse necessária, ficaria todas as noites de sua vida em claro, só para que pudesse protegê-lo, só para que pudesse mantê-lo vivo. 

"If you just give me a sign
To live and not to die"

 

-É uma bela fotografia, não? - Akemi perguntou sorrindo, assustando-o - Bom, esse aí é meu irmão, ele era a alma mais irritantemente feliz e enérgica que já existiu na Soul Society.

-É… É uma bela fotografia. - ao vê-la olhando a fotografia, viu que ela estava calma, que seus olhos brilhavam, ela transmitia sua calma para ele, ele se sentia tão sereno, tão…

Arregalou os olhos.

Ele tinha a mesma sensação de calma da memória que Ryo havia mostrado a ele.

"See a million people
Everyone´s so lonely
But we don´t have to be alone tonight"

 


Notas Finais


Obrigada por leeeer e desculpa se o próximo demorar pra sair


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