História Índole Adolescente - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Depressão, Original, Perda De Memória, Romance, Suspense
Visualizações 12
Palavras 2.755
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Inicialmente: obrigada por terem dado essa chance para a fanfic, é muita coisa para mim. A inspiração para ela ser criada foi a música da mozona Marina and the Diamonds, mas logo vi que havia uma playlist inteira pedindo atenção. Índole Adolescente é um clichê sobre uma procura de respostas, com uma S/N com nome e longe da Coreia e com um coreano que prefere não ser chamado de Daddy. Espero que gostem da história, e mais uma vez, obrigada.

Capítulo 1 - Índole Adolescente - pt. 1


{*; coloque para tocar: teen idle, marina and the diamonds


Na minha vida já fui em várias peças de teatro. Desde apresentações da escola com peças de Shakespeare até mesmo aos grandes musicais que chegavam em minha cidade. 

Eu absorvia cada história como se fosse a minha. Cada suspiro, lágrima ou risada que soltava eram reais; cada calafrio, cada centavo que eu pagava valia a pena. Eu podia ser quem eu quisesse naquelas peças, desde Julieta até Roxie Hart, de Chicago.

Mas eram apenas uma hora e meia de apresentação e eu estava logo de volta ao mundo real. As ruas geladas e as pessoas vazias, ou ao contrário, não é como se a ordem mudasse alguma coisa neste caso. 

Infelizmente, ou talvez felizmente, a escola não era como nos filmes ou musicais; o Ensino Médio sempre foi o problema que me corroeu, desde o primeiro ano. O meu Ensino Médio não havia riscos de acabar em uma explosão por nenhum James Dean, nem havia um menino de braço quebrado que mentiria sobre ser próximo a um Connor, muito menos estávamos sendo arriscados com um SQUIP. Era apenas mais uma escola normal, com pessoas normais e histórias de fundo normais.

Sem plots e sem emoção.

Mas eu não poderia ir contra esses princípios, já que eu própria sou uma pessoa sem reviravoltas, sem momentos de rebeldia e... sem memórias para minha história de fundo.

Não, eu não tem amnésia ou Alzheimer. Apenas parte do início da minha adolescência parece que foi cortada fora; não lembro, por exemplo, de como foi ter doze anos. Não lembro como foi minha primeira menstruação, minhas notas ou como foi que acabei passando de ano, sendo que não lembro de nada que aprendi — não que seja diferente do Ensino Médio.

Por mais que eu tente me lembrar, tudo parece estar apagado ou guardado tão profundamente que eu não consigo acessar. Por mais que eu questione, eu nunca vou saber o que aconteceu nesta época.

Meu pai, uma vez, disse que foi um estado traumático do que aconteceu no mês do meu aniversário. Pelo que ele me contou e por relatos de meus avós maternos, foi o mês em que minha mãe se suicidou.

Meus pais estavam em processo de separação e minha mãe, por mais que tentasse, não conseguia aceitar que o casamento de quase treze anos havia acabado. Quando o processo terminou, ela se matou.

Parece que todas as memórias que tinha de minha mãe, desapareceram junto com ela. Por mais álbuns de fotos que eu veja, por mais CD's que eu escute ou por mais vídeos caseiros que me são mostrados, eu não lembro quem era aquela mulher da tela.

Não culpo meu pai, ele pode ter sido egoísta e decidido acabar tudo, sabendo do estado mental de minha mãe; mas ele também tinha direito de seguir com a vida dele. 

Eu não lembro como, não lembro quando e só sei o por quê, mas foi por isso que eu comecei a morar com meu pai. 

Ele não ficava muito tempo em casa, o trabalho como secretário de uma multinacional, fazia com que ele apenas aparecesse para jantar e cair em um sono pesado pelas próximas seis horas, até acordar e tudo se repetir.

No tempo que ele estava fora, ficava com minha madrasta. Era um antigo amor de papai, ela é uma pessoa radiante que eu poderia facilmente chamar de 'mãe', mesmo que essa palavra me cause um vazio sem motivos. Há dois anos atrás, Estella — mais conhecida como minha madrasta, conseguiu finalmente engravidar; após várias e várias tentativas, então a casa ganhou a companhia de Samantha.

E era assim que eu passava meus dias, vendo musicais pela internet — mesmo que eu já tivesse decorado as falas, músicas e se duvidar até o jeito como a cena corria; cuidando de Samantha enquanto Estella arrumava a casa e vivendo no inferno que a escola me proporcionava.

Na escola, não era tão diferente. Passei os três anos inciais do Ensino Médio, tentando me enturmar, criar laços afetivos ou até mesmo alguém para apenas passar o almoço juntos. Mas não fui tão sortuda assim; algumas poucas pessoas dividem a mesa comigo, mas não sou próxima de nenhuma o suficiente para chamar de amigos.

A mais próxima de uma amiga era Joane, ela era quieta por quase o tempo todo, porém se soltava no clube de drama e nas conversas sobre adaptações que recebiam peças de teatro, então era alguém com que o tempo se tornava precioso, de uma maneira ou de outra. 

Algumas vezes eu queria ser como as personagens líderes de grupos da ficção, ser cercada de pessoas que gostam de você e que mesmo você sendo uma babaca, continuam ali. Não que eu seria babaca, é só que... é solitário repetir sempre as mesmas conversas, os mesmos atos e ver as mesmas pessoas; ser apenas mais uma pessoa na paisagem que os professores viam.

Minha aparência não me destacava, o padrão norte-americano de olhos claros e cabelos ainda mais, me perseguia até ali — okay, meus olhos são castanhos, mas continuo sendo apenas mais uma adolescente em um dos países potências, o que na real? Não é lá muita coisa.

A única coisa que me tirava daquela rotina era o clube de drama. Acontecia toda terça e quinta após as aulas da manhã; não tinha muitos participantes já que a maioria tentava entrar para times esportivos, que tinha maiores chances de ganharem bolsa em grandes faculdades do país; no meu caso estava no clube de teatro, esperando uma salvação.

O professor que organizava as aulas tentava sempre inovar, mesmo que na maioria das vezes tivéssemos que ceder nosso espaço no auditório para o clube de debates. Em Guvenbard High, os clubes que envolvem artes tendem a se cooperar, já que estão cada vez mais perto de acabarem. 

—  Estou vendo que a turma diminuiu... — Professor Patrick comentou, enquanto se sentava no palco e nos observava, a turma de teatro podia se espalhar pelas várias cadeiras do auditório, desde que prestassem atenção no professor. — ...De novo. Será uma sorte se o clube continuar até ano que vem.

Mordi meu lábio ao escutar aquilo, mesmo estando em meu último ano, ainda queria que aquele clube continuasse, para que talvez pudesse ajudar as pessoas que viriam após mim a ter um pouco de imaginação e passar algumas horas aprendendo o quão libertador pode ser estar em um palco.

— Mas não vamos deixar esse fator nos abater. — O professor tentou soar otimista, mas ela notou a preocupação na voz do mesmo. — Ainda é início de Agosto, começo de aulas, não devemos nos preocupar tão cedo, certo?

Eu e mais alguns alunos do clube assentiram, um tanto quanto entendidos e querendo saber onde o papo motivacional do professor iria parar.

A porta do auditório abriu, me fazendo pensar que era alguém do clube de debates, avisando que iriam precisar do auditório emprestado; mas a pessoa que havia aberto a porta se manteve calada por um tempo, analisando as pessoas do teatro.

— Com licença, — Patrick limpou a garganta, fazendo com que a pessoa o olhasse. — como podemos te ajudar?

— Eu já errei a sala três vezes. — A voz resmungou, fazendo com que eu olhasse para onde ela vinha. O portador da voz era um menino de no máximo dezenove anos. Ele tinha os olhos levemente puxados e a pele clara, devia ser de alguma descendência asiática. O corpo era esguio e sem sinal de músculos por baixo das roupas escuras que ele usava. O cabelo liso e curto, possuía uma franja que cismava em cair no olho do rapaz. — Mas acho que finalmente acertei o lugar.

Professor Patrick pulou do palco, aonde estava sentado, e permaneceu de pé; o olhar parecia ansioso como se esperasse que aquele menino “misterioso” fosse ser a salvação do clube de teatro. — Talvez. Qual é seu nome?

— Michael. — O rapaz soltou, acertando a alça da mochila que parecia insistir em cair. — Michael Sora.

— Hm... Não ouvi de nenhum Michael entrando para o clube de teatro. — O professor se dirigiu até sua mochila, procurando a planilha.

— Eu, literalmente, acabei de ser transferido. — O rapaz respondeu. Observei-o enquanto ele descia os degraus, até onde Patrick estava, esticando um papel de entrada no clube.

O professor pegou, deu uma passada de olhos e por um momento pareceu surpreso, o que me fez ficar intrigada. Logo o diretor das peças de teatro limpou a garganta, guardou o papel no bolso de sua calça social e voltou para o palco.

— Bem, Michael Sora, é agora um novo integrante. Espero que o tratem bem, afinal somos uma família. — O professor deu seu sorriso caloroso, me fazendo acompanhar o movimento. O sinal tocou logo em seguida, fazendo com que os mais próximos da saída, fossem embora com antecedência.

Estava recolhendo meu fichário com algumas anotações e rabiscos que eu cismava em criar, quando o professor me chama.

— Teresa. — A voz calma e serena dele me tranquilizou, era como se fosse um segundo pai; só que no ambiente hostil da escola. Me virei com prontidão.

— Sim, sr. Jackson? — Questionei, abraçando o fichário contra meu corpo. O rapaz transferido continuava ali, parado. Seus olhos rodeavam o lugar, como se procurasse falhas ou rotas de fuga.

— Será que você pode mostrar a escola para Michael? O comitê de boas vindas foi embora assim que as aulas acabaram, estão ocupados com a festa de início de ano letivo e...

Suspirei, coçando parte de meu cabelo; não havia problemas, afinal eu estava livre naquela tarde. Samantha havia levado Estella para o médico e depois passariam na casa da mãe de Sam; o que me renderia a solidão e tarefas de casa de álgebra.

— Claro, não se preocupe. — Dou um sorriso sem graça e arrumo a alça única da minha mochila.

— Muito obrigado. — O professor sorriu, pegando seus materiais e saindo pelo backstage.

Aceno com a cabeça para o novato e começo a subir as escadas até o topo do auditório. No entanto, quando olho para trás, Michael continua parado lá embaixo.

— Hm... Michael? — Chamei, meio receosa. Sem respostas. — Sora? — Novamente tentei, apelado para seu sobrenome.

Os olhos dele piscaram por um instante, balançava a cabeça e procurando pela emissora da voz, neste caso, eu.

— Está tudo bem?

O rapaz suspirou, ajeitando a franja e mantendo-se calado. Ele subiu os degraus, dois por dois, enquanto observava seus pés.

— Não sei seu nome. — Ele comenta, ao ficarmos há um degrau de distância.

— Ah, eu não me apresentei. — Suspirei, cansada daquele dia, no entanto estendi minha mão para o cumprimento. — Teresa Lonhill.

— Lonhill? — Um sorriso debochado fixou nos lábios finos do rapaz; eu já havia ouvido milhares de piadas com o anagrama de meu sobrenome; me chamando de perdedora e solitária.

— Sem comentários. — Conclui, abrindo a porta do auditório, sem tanta paciência.

Os corredores já estavam vazios devido ao horário que nos encontrávamos. Alguns clubes ainda estavam em atividade, o conselho estudantil estava com algumas pessoas lá dentro, deviam ser os responsáveis pelo regimento das regras.

— Conselho estudantil. — Apontei. — Os mais populares da escola normalmente fazem parte desse clube.

— Já não gostei. — O rapaz suspirou, fechando o passo para me acompanhar.

— Nem todas pessoas dali são ruins ou inalcançáveis. — Comentei. — Já conversei com algumas pessoas daqui.

— Hm... — E foi apenas isso que saiu de sua boca. Eu agarrei em minha alça, seguindo pelos corredores.

Chegando perto do laboratório de ciências, avistei meu armário. Ele parecia ter algo colado nele; como a normalidade.

Apressei meu passo para ele, ficando frente a frente com o metal vermelho. Em sua superfície havia algumas palavras escritas com canetas para CD. Eram das mais diversas ofensas, desde “vaca”,“cadela” até como “sua mãe se matou por não aguentar esse estorvo como você em casa”.

— Seus amigos? — Michael perguntou, cruzando os braços e encarando as palavras escritas. Um pequeno sorriso permanecia no rosto.

Fechei o punho, sem paciência para piadinhas de um total estranho. — É, são meus amigos. — Eu havia limpado o armário antes de ir para o clube, se continuasse nesse ritmo logo deixaria me afetar pelas ofensas e deixá-las estampadas no armário.

— Por que não tenta tratar com o conselho superior amigável estudantil? — Michael questionou, juro que nunca senti tanta vontade de bater em alguém.

Me virei para ele, erguendo meu dedo e pressionando contra ele. — Não somos íntimos para fazer essas brincadeirinhas, você não sabe o que passa aqui e você é apenas um estudante transferido. — A cada ponto que eu dizia, pressionava o dedo novamente contra ele. — Eu podia ter deixado você perdido no auditório mas eu estou fazendo um fodendo favor para o professor Patrick. Então é melhor ficar quietinho.

O menino ergueu a sobrancelha, me afastando dele. — Ei, ei estressadinha. — Ele arrumou o casaco despojado. — Eu estava apenas querendo te dar ideias.

Revirei meus olhos, colocando minha mochila no chão, perto de meus pés. — Não adianta falar com eles. — Confessei a contragosto.

— O quê?

— Não adianta falar com eles. — Aumentei meu tom de voz, apertando meus lábios, com certa raiva. — Eles me disponibilizam apenas produtos de limpeza, eu tenho que me virar.

— Com certeza eles são super gente boa. — Michael encostou nos armários e eu mordi meu lábio com certa força.

— Você não conhece eles. — Me ajoelhei, procurando o paninho que eu levava para limpar, ocasionalmente, o armário. — Como pode julgar alguém assim?

— Pelas ações.

— Há. — Revirei novamente os olhos, já me sentindo enjoada com a hipocrisia do rapaz. — Me poupe. Se for assim, você é um tremendo babaca.

Michael deu de ombros, arregaçando as mangas do casaco e tirando o pano de minhas mãos. — Sou um babaca com o b maiúsculo. — Michael sorriu de lado. — Obrigado por ter descoberto tão cedo. Agora me dá logo essa água ou qualquer merda que você passa nesse armário.

Minha expressão deve ter ficado confusa por alguns instantes, não entendia o que o descendente de coreano pretendia fazer. — Não temos o dia todo, quer deixar essa pichação aqui?

Balancei a cabeça, negativamente. Peguei minha garrafa de água e corri para o bebedouro, para enche-la. Após isso entreguei ao garoto que começou a esfregar até as letras irem sumindo; pouco a pouco o que restava eram alguns borrões da tinta da caneta.

— Hm... — O rapaz não parecia satisfeito. Ele me devolveu o lenço e a garrafa de água e começou a procurar algo em sua própria mochila; ele fazia algumas caretas enquanto murmurava que nada parecia ficar bom ali. No fim, ele pareceu cansado e tirou um post it azul e colou no armário.

— Você tem uma caneta? — Ele questionou. Ele havia acabado de tirar post its da mochila mas não tinha uma caneta?

— O que você vai fazer? — Perguntei, abrindo meu fichário e tirando a primeira caneta que apareceu no meu campo de visão.

— Vou fumar o post it, tenho poderes pirotécnicos para transformar a caneta em um isqueiro. — O menino revirou os olhos, respirei fundo tentando pensar nas consequências de esfaquear alguém "sem querer", sete vezes no pescoço, com uma caneta esferográfica.

— Educação mandou lembranças. — Murmurei, enquanto o observava escrever no post it. Ele fazia algumas caretas, tentando escrever no pequeno espaço. — Esfinge, dá para você me dizer o que diabos você está escrevendo no MEU armário?

Ele se afastou, com um sorriso infantil implantado em seus lábios. Ele parecia uma criança que havia acabado de fazer uma travessura.

— Fique a vontade para ler, princesa. — Ele deu de ombros, devolvendo a caneta e se dirigindo até a entrada principal. — Não se preocupe, vou contar para seu querido professor que você me mostrou cada cantinho dessa escola. — Ele disse, de certa maneira, alto enquanto acenava.

Suspirei, colocando a caneta novamente dentro do fichário e lendo o post it. Segurei o riso, enquanto lia o que o aluno insuportável, porém de um humor agradável, havia escrito.

"Esse armário está amaldiçoado pelo espírito de alunos mal amados e sem nada para fazerem. Os próximos que escrevem neste armário vão ter notas abaixo em todas matérias desse semestre.
Michael Sora duvidou e acabou sendo transferido para essa escola por conta de seu baixo rendimento.
Se você não repassar essa mensagem para 5 pessoas acabará sobre maldição.
... E se mesmo assim houverem curiosos de mal coração que tentarem, saibam que Bullying é crime. :)"



Notas Finais


Welp, esse foi o capítulo de hoje. Okay, não é a nona maravilha do mundo, mas foi feito com coração e com as músicas tristes da vida.


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