História Infames - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Infames
Visualizações 81
Palavras 3.512
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E o meu pc voltou, me deixando postar esse capítulo! Espero que gostem desse capítulo baseado no meu Hyuuga preferido <3

Capítulo 10 - O Casanova


Fanfic / Fanfiction Infames - Capítulo 10 - O Casanova

  Neji

  Mesmo quando eu ainda era novo demais para discernir a maioria das coisas, já entendia o significado de carregar um sobrenome tão poderoso como o Hyuuga. Embora eu não fosse filho do chefe da família, mas sim sobrinho deste, ainda assim seria o herdeiro, uma vez que o meu tio Hiashi não havia tido filhos homens. O que eu sabia era que suas herdeiras seriam praticamente usadas como “moeda de troca” em casamentos arranjados enquanto eu ficaria a frente da empresa da família, que era basicamente um conglomerado nacional que detinha grande poder em toda a Ásia.

  Nunca me senti bem-vindo na casa onde morava, afinal tinha que conviver com a constante pressão de ser o sucessor ilegítimo, aquele que havia tirado das pobres garotas a chance de deter algo além de um matrimônio forçado. Eu nem queria nada daquilo pra dizer a verdade. Meus sonhos eram somente dois: ser um escritor famoso e casar com a garota que eu gostava desde a infância.

  Isso mesmo, o Casanova do instituto era apenas uma farsa. Aquele apelido tinha surgido de uma coincidência e havia impregnado de tal modo que se eu desse para trás provavelmente seria chutado da Sharingan e perderia todos os meus privilégios. A verdade é que eu pegava sim muitas garotas, mas sempre imaginando outra naquele lugar: Tenten Mitsashi.

  Aquela era a pessoa mais avoada que eu já tinha visto, mas também a de coração mais puro. Nós chegamos a ter uma breve relação um pouco antes do nono ano, mas acabamos terminando quando a fama de pegador foi atrelada ao meu nome e desde então vivíamos como inimigos. Ainda que eu soubesse que ela me odiava profundamente e que até mesmo tinha um namorado, não conseguia matar as esperanças que existiam em mim. Como apagar todas as lembranças que havíamos construído?

  Mas não importava mais. Sasuke tinha feito uma merda – arquitetado um falso sequestro para Sakura – e agora aquele inferno de guerra recomeçaria e não teria mais oportunidades de me aproximar de Tenten. Para completar a rainha tinha sido uma vadia desalmada a ponto de roubar o nosso novo integrante – o que o poder de uma vagina não consegue? – duplicando o ódio que nosso líder estava sentindo.

- Filha da puta! – Sasuke chutou uma das cadeiras da nossa salinha secreta.

  A famosa sede da Sharingan nada mais era do que um galpão reformado que não era usado há muito tempo e nos foi cedido pelos pais dele. Aos poucos transformamos aquele monte de lixo em uma sala com papéis de parede modernos, com mesas de sinuca e totó, videogames, televisões de última geração, poltronas de couro e até mesmo um bar. Um ano antes tínhamos perdido quase tudo depois de um surto da “rainha”, mas depois de duas ligações tudo estava novinho em folha.

- Bro, como espera contra atacar desse jeito? – Naruto era um piadista nato, mas naquele momento parecia o mais sério de nós, denunciando o quanto estávamos encrencados.

- Deixe-o extravasar... – o Nara tocou o ombro do Uzumaki, que apenas aquiesceu.

- Não que eu me importe... – soltei a frase – Mas nós não devíamos estar na aula?

- E você acha que eu pretendo sequer respirar o mesmo ar que aquela vadia de novo?! – Sasuke gritou totalmente possesso. – Que se foda essa merda de casamento e que se exploda a porra da Dream Class! Eu não vou permitir que essa doente me trate desse jeito! Se é guerra o que ela quer, então ela conseguiu.

  Nós três parecíamos crianças de tão assustados. Sasuke costumava ser uma pessoa cem por cento nem aí e até mesmo quando as brincadeiras de Sakura aconteciam ele conseguia relevar e já planejar o que faria em seguida. No entanto até mesmo eu tinha de admitir que aquela garota havia passado de todos os limites. Sasuke era filho dos donos daquele lugar e ainda assim tinha sido desmoralizado na frente de todos os alunos. Por mais que fosse o aluno mais rico, nada podia competir com o espírito vingativo de um Haruno, era até desumano.

  Resumindo... Estávamos rebaixados ao mais baixo nível social ali dentro e nossa única opção era a retaliação, mas precisaríamos de algo ainda mais letal do que ela fizera. No entanto, como competir com aquilo? Além da humilhação pública com aquele decreto ela também tinha pisado no orgulho de Sasuke ao “traí-lo” na frente de todos com um de nossos caras. A história se espalharia pelas rodas sociais como um vírus e logo ele estaria sendo zoado em todos os tipos de lugares e até mesmo nas redes sociais.

- Bem, eu é que não vou ficar aqui com cara de bunda. – disquei aquele número no meu celular. – Eu sei o que vai te animar cara.

  Minutos depois as quatro gostosas do segundo ano passavam pela porta com suas bolsas a tiracolo. Karui, Tayuya, Hotaru e Saya eram Classes C, conhecidas como “quarteto fantástico” e não haviam ganhado esse nome apenas por serem bonitas, mas porque sabiam se divertir e eram as únicas garotas que tinham passagem regular para aquele lugar.

- Hun, nós soubemos o que aconteceu no refeitório. – Karui já chegou sentando no colo de Sasuke, que finalmente parecia mais calmo.

  O maravilhoso poder de uma boa buceta.

- Não se preocupem com isso, hoje nós iremos consolá-los. – Tayuya se aproximou de uma barra de metal bem específica que estava posta no centro da sala, dançando provocativamente enquanto Hotaru e Saya nos davam a devida atenção.

- Casanova, o que seria de nós sem você... – Shikamaru sorria maliciosamente enquanto acendia mais um de seus charutos importados.

  Antes que percebêssemos tínhamos chegado ao meio dia. Inúmeras ligações da diretora iluminavam a tela do celular de Sasuke, provavelmente porque tínhamos matado todas as aulas da manhã. Tivemos de abandonar o conforto da sala para retornar à “superfície”, onde todos pareciam fugir de nós com medo. Ninguém teria coragem suficiente para ignorar o rei, mas nenhum deles parecia disposto a ir contra a Byakugou, dessa forma qualquer lugar aonde nós chegávamos se tornava repentinamente vazio.

  Não topamos com Sakura e suas seguidoras durante o almoço, mas foi inevitável que nos encontrássemos durante a aula de hipismo, que era separada das outras turmas. O estábulo estava quieto, mas de longe podíamos ver a cabeleira rosada e movimentando agilmente em seu cavalo branco premiado. Enquanto os caras iam à frente eu fiquei para tomar conta de Breeze, minha égua que estava prenha.

- Hey garota, como você está? – perguntei carinhosamente enquanto penteava a crina castanha. – Olha só que barrigão... Com certeza vai ter um bebê forte e saudável...

  Breeze relinchou em concordância enquanto eu acariciava sua barriga, como se realmente estivesse me tornando avô. O estábulo era o meu lugar preferido em todo o colégio e uma vez ao dia eu me certificava de ir até lá para ver minha amiga, que estava comigo há vários anos e finalmente teria seu primeiro filhote, que já estava destinado a Hanabi. Todos nós pagávamos aluguéis muito altos pelos estábulos do haras do instituto, mas assim que o ano terminasse tudo já estaria pronto para receber Breeze e seu bebê em Londres, onde eu estudaria.

- Er... – quase tive um derrame quando percebi que Tenten estiver ali desde o primeiro instante escutando aquele diálogo que estava mais para um monólogo.

- Quanto você ouviu? – semicerrei meus olhos, altamente constrangido.

- Não muito... – ela murmurou com as bochechas vermelhas.

  Inspirei e expirei lentamente, guardando as coisas de Breeze nas prateleiras de madeira que estavam na parede ao lado.

- O que veio fazer aqui? – minha voz saiu um pouco mais séria do que gostaria. Costumava ser assim quando nós tínhamos de conversar, eu travava e acabava dando uma de bad boy arrogante. – Pensei que fosse contra os termos da sua rainha conversar com um Sharingan.

  Ela engoliu em seco afastando alguns fios de cabelo do seu rosto. Inconscientemente me lembrei do passado, exatos quatro anos antes, quando ela ainda usava coques na cabeça e era chamada por todos de pucca. Foi exatamente aquele traço que chamou minha atenção nela pela primeira vez e quando perguntei o motivo de não se importar com os comentários e continuar daquele jeito, a resposta foi clara e corajosa.

- Minha família paterna é de descendência chinesa. Lá é comum para as mulheres usarem os cabelos assim, é motivo de orgulho. Além do mais, eu não me importo com as outras pessoas... Eu estou bem assim.

  Depois disso foram meses agoniantes aqueles em que nós nos evitávamos por vergonha, sempre observando um ao outro pelos cantos dos olhos. E tudo permaneceu assim até o dia em que recebi minha prova de matemática, onde estava enfatizada minha gigantesca displicência com os estudos.

- Um C?! – exclamei alto chamando a atenção do professor Yamato.

- Exatamente... – ele fechou os olhos enquanto se inclinava na mesa – Senhor Hyuuga, sinto informar que se continuar decaindo dessa forma acabará no prolongamento ou até mesmo reprovado.

- Isso não pode acontecer! – amassei o pedaço de papel com raiva. Minha família jamais aceitaria uma imperfeição.

- Bem, se está tão determinado a mudar seu rumo, sugiro que comece a ter aulas de reforço com nossa representante de classe.

  Olhei de soslaio para a tal representante, Tenten. Ela lia um livro distraidamente em algum canto da sala e parecia inerte em seu próprio mundo. Pensei bastante a respeito daquilo e decidi aceitar o pedido do professor, que uniria o útil ao agradável. Foi assim que eu e a Mitsashi nos aproximamos e passamos os meses seguintes num ritmo de estudo severo, vez ou outra estendendo os encontros para passeios em cafés e parques. Aos poucos Tenten e eu fomos mudando tanto por fora como por dentro e quase saltei da carteira quando a encontrei na nossa sala de estudos com os cabelos soltos e olhos brilhando.

- Visual novo... – coloquei a mochila sobre a mesa e a encarei.

- Você gostou? – ela perguntou timidamente enquanto balançava os cabelos.

- Ficou bonita... – virei o rosto de lado para que meu rubor não me denunciasse.

- Obrigada, Neji-kun.

  Finalmente percebi algumas coisas que estavam rabiscadas no quadro atrás dela, palavras, números e símbolos que não diziam respeito a nada.

- O que é isso? Alguma pegadinha? – sorri minimamente enquanto a via irradiar mais energia.

- A aula de hoje vai ser sobre um assunto mais complexo do que funções... – ela caminhou, pegou o apagador e rapidamente apagou a parte superior da sentença, deixando a frase “I Love You” no lugar. – Espero que a explicação tenha sido bem clara.

  Sem reação, mas entendendo bem onde ela queria chegar, me aproximei e a puxei para o primeiro de muitos beijos que compartilharíamos.

- Hey, Neji! – ela estalava os dedos na frente do meu rosto. – Olha, eu só vim aqui porque o professor Hibiki mandou te chamar. Se não vier logo vai levar falta.

  Ela deu as costas, mas rapidamente a segurei pelo punho. O ato mais involuntário da minha vida pareceu gerar grande desconforto nela já que eu sequer falei alguma coisa e apenas a encarei como se esperasse algo. Um pedido de desculpas talvez... Ou um “Eu ainda amo você”. Provavelmente ela teria dito algo assim, mas o Inuzuka surgiu como uma praga na entrada e sugou toda a atenção.

- O que você tá fazendo Casanova?

  O meu apelido naquela boca sempre era carregado de repúdio, como se Kiba soubesse o quanto aquele nome me custava, o poder que ele tinha para manter a mim e Tenten separados.

- Nada, Kiba. – ela se soltou rapidamente e caminhou até o namorado sem olhar para trás. – Vamos. – chamou pacientemente o tomando pela mão.

  Assim como já tinha sido comigo.

***

- Oe, Neji-nii-san! – Hanabi ralhou irritada enquanto terminava de bagunçar os cabelos do topo de sua cabeça.

- Hanabi, está mais alta? – gargalhei mais ainda ao notar o rubor que se espalhava por seu rosto.

- Claro, serei modelo um dia! – ela era determinada no jeito de falar e agir, diferente da irmã mais velha que sempre estava sob a asa do pai tentando impressioná-lo. Talvez porque ela tivesse esperanças de que no último minuto seu pai deixaria todas aquelas regras de lado e a deixaria comandar a empresa ao invés da companhia de confecção de quimonos.

- Sabe que determinação não auxilia no crescimento, né?

- Mas leite ajuda inclusive nos seios! – e novamente aquela criaturinha conseguiu me animar mesmo num dia tão foda.

- Hanabi, pelo amor de Deus! – Hinata ralhava repetidamente como um disco repetido, mas a cada comentário minha prima mais nova parecia intimidá-la apenas com o olhar.

  Ameaçada, sério? Estava doido para descobrir o que a tão perfeita Hinata Hyuuga tinha feito de errado.

- Ah, eu odeio esperar... – Hanabi tamborilava os dedos no Chabudai* de madeira. – Quando esse mistério do papai vai acabar?

- Aprenda a ser paciente. – Hinata novamente estava impondo sua autoridade, mas diferente das últimas vezes não pareceu acanhada pelo olhar da irmã mais nova. – Se papai organizou uma reunião desse porte é porque deve ser algo importante.

- E é isso que me assusta... – soltei.

  No momento seguinte o Fusuma* foi arrastado para o lado por uma empregada dando a passagem para titio e papai, que estavam acompanhados por um casal bem velho e uma garota linda que eu nunca tinha visto. O Tokonoma* logo foi preenchido pelos convidados, moradores e empregados, dando início a visita.

  Uma cantora Enka* aliviava a tensão enquanto cantarolava algo semelhante a uma história sobre amor impossível, o que me pareceu mil vezes mais interessante do que os assuntos banais dos quais eles estavam tratando.

- Suzuki-san, Nadeshiko-san, esses são os pilares da família Hyuuga atualmente... Minhas filhas Hinata e Hanabi e meu sobrinho e sucessor, Neji.

  Todos fizemos mesuras – Hinata sempre exagerando nesse aspecto – esperando a apresentação dos convidados.

- Crianças, estes são meus parceiros dos estados unidos, um ramo distante da nossa família. – tio Hiashi explicou pausadamente.

  Ao fundo papai parecia tenso demais, como se estudasse as minhas reações.

  Merda! Eu já sabia o que ia acontecer.

- E esta é Shion-chan, sua única filha.

- É um prazer conhece-los. – ela nos cumprimentou formalmente, dando-me uma visão completa de seu rosto. Seus cabelos eram loiros e compridos e a pele branca tinha um bronze maior, mas aqueles olhos... Eram inegavelmente o maior traço da família Hyuuga. – Principalmente você, Neji-sama.

  “Sama?!

  Hinata e Hanabi me encaravam aflitas. Acho que as duas também já haviam percebido do que se tratava, pois o pânico estava estampado em suas caras.

- Igualmente. – fiz um breve aceno com a cabeça, totalmente desnorteado.

- Neji-san, soubemos que em breve que você irá estudar em Londres. – a senhora Nadeshiko perguntou gentilmente ao perceber o clima pesado.

- Sim, pretendo me preparar adequadamente para o cargo de presidente da companhia Hyuuga.

- Ah, que formidável! – ela juntou as mãos num sorriso verdadeiro. – Veja amor, olhe como ele é bonito e comprometido!

- Nadeshiko... – o marido ralhou com ela, mas a mulher pareceu ignorar e continuou a fazer inúmeros elogios a mim, que para variar já estava da cor de um tomate.

- Shion também irá para Londres ano que vem, imagino que vocês se verão constantemente por lá. – ela continuou – Vamos filha, fale sobre o seu sonho!

  A menina estava igualmente constrangida e àquela altura não conseguia me olhar nos olhos direito.

- Eu... Er... Bem... – os dedos dela se entrelaçavam um no outro, assim como Hinata costumava fazer quando era mais nova. – Estou pensando em cursar desenho artístico.

- Gosta de pintar? – antes que me percebesse já tinha perguntado. Saiu de modo tão naturalmente interessado que a garota loira parecia mais tranquila para conversar.

- Sim, acho toda forma de arte bonita. – havia um brilho sonhador nela, como nos olhos de uma criança. – Desenho, música... – encarou a Enka com adoração e então se voltou para mim. – E escrita, claro. – para os outros aquele era apenas um adicional, mas para mim foi como um aviso do destino. Gosta desse tipo de coisa, Neji-sama?

- Hun, sim. – sorri minimamente, deixando transparecer meu contentamento.

  O que tinha tudo para ser um desastre acabou se tornando uma das noites mais leves que eu já havia tido desde então. Os pais de Shion eram muito focados nos negócios e na família e sua filha era uma pérola em vários sentidos. Além de bonita, inteligente e gentil, ainda estava metida em projetos sociais importantes. Ficou esclarecido que ela estudaria o último ano do colégio no instituto e ficaria morando conosco por enquanto, de maneira que pudéssemos nos conhecer melhor.

- Venham, vou mostrar o jardim de meu tataravô. – Hiashi, meu pai e os visitantes se levantaram em direção à saída.

- Querida, porque não fica sozinha com o Neji-san? Tenho certeza que devem estar curiosos a respeito um do outro.

  Eu e minha prometida trocamos olhares.

- Está certo. – ela assentiu sentando a minha frente novamente.

  Em instantes estávamos sozinhos.

- Estava sabendo disso desde quando? – perguntei rapidamente, ciente de que nosso tempo era pouco.

  Assustada, ela apenas franziu as sobrancelhas e abaixou a cabeça em um claro sinal de submissão.

- Fui tão pega de surpresa quanto você.

- Como...

- Não é tão difícil detectar decepção.

- Não, não entenda assim! – pedi desesperadamente, ganhando sua atenção. – Eu apenas fiquei assustado. Não imaginava que aconteceria tão cedo.

- Muito menos eu. – ela respirava pesado. – Tinham coisas que eu ainda queria fazer.

- Hey, você não vai morrer.

- Casamento é basicamente isso.

  Foi como um soco no estômago. Aquela garota frágil estava mais sufocada do que eu mesmo e potencialmente assustada com a possibilidade de eu prendê-la como acontecia com a maioria das mulheres ali.

- Eu não sou como eles. – apontei com a cabeça na direção onde eles estavam. – Se é para... Casarmos, então que possamos ao menos ter direito a nossos desejos pessoais.

- Sério? – ela estava surpresa e desconfiada, mas ignorei o último ponto e continuei.

- Claro. Você pode fazer o que quiser, eu não tenho o direito e muito menos a vontade de te limitar, mas espero que isso seja recíproco.

- Vai dormir com outras mulheres?

- Possivelmente.

- Vou poder dormir com outros homens?

  Aquela pergunta me pegou de surpresa. Uau, talvez ela não fosse tão ingênua e frágil como aparentava.

- Obviamente.

- Neji-kun, será um prazer me casar contigo. – ela estendeu a mão e fiz o mesmo, sentindo aquele calor aconchegante.

  Mas o clima foi estragado quando meu celular tocou.

- Um minuto. – pedi educadamente enquanto me afastava para atender. – Alô, aqui é Neji Hyuuga.

- Neji... – a voz que eu já conhecia bem me chamava de um jeito manhoso. – Sabe, é que acabei pensando bem... Acho que está na hora de termos aquela conversa.

- Agora? – já eram mais de dez horas, como ela poderia querer conversar tão tarde?

  Mesmo assim era Tenten Mitsashi e não poderia perder a oportunidade.

- Me encontre no estábulo da escola em meia hora.

- Na escola?! Como eu vou entrar lá a essa hora?

- Você tem chaves reservas dos portões de trás, não tem?

- Tenho, mas... Como você sabe?

- Então, até mais!

  E desligou na minha cara. Mulheres...

- Shion-san foi um prazer, mas preciso mesmo me retirar...

- Entendo perfeitamente. – ela se levantou e me cumprimentou – Até a semana que vem.

- Até. – me despedi formalmente caminhando para fora.

  Porque aquilo me cheirava tanto a armação?

***

   A escola estava deserta e assustadora como naqueles filmes de terror clichês. Tive que ser esperto para não ser pego pelos seguranças e consegui chegar até o portão dos fundos. Coloquei as mãos no casaco já que o frio estava insuportável, ignorando as mil teorias sobre o que a Mitsashi estaria aprontando. E, bem como previ, ela não estava sozinha quando cheguei ao estábulo.

  Sakura, Ino e Hinata também estavam lá com sorrisos presunçosos, parecendo esperar alguma reação de descontentamento. Ao notarem que eu estava imparcial e sem um pingo de medo desmancharam suas expressões em belas carrancas.

- Latas spray... – encarei aquele bando de latas jogadas no chão com apreensão. Como não havia as percebido primeiro?

  Então encarei o estábulo e corri apressadamente até ele enquanto ouvia as gargalhadas e provocações das garotas.

- Breeze... – murmurei apavorado ao ver minha égua inteiramente cor de rosa. – Vacas malditas, ela está grávida!

- Como se a gente se importasse. – Tenten sorriu maliciosamente.

  É verdade, eu tinha me esquecido... Ela e eu não éramos mais os mesmos. Aqueles dois adolescentes imaturos que tinham se apaixonado haviam ficado para trás.

- Bem, parece que ganhamos o primeiro round. – a Haruno comentou casualmente balançando aqueles cabelos estranhos.

- Eu não comemoraria tão cedo. – a voz de Sasuke se fez presente, atraindo a atenção daquelas malditas.

  Parados diante da entrada estava toda a Sharingan, armada com bolinhas de paintball até os dentes.

- É como você diz Sakura... – o Uchiha se aproximou mirando o cano da pistola de brinquedo nas roupas de grife que a Haruno usava. – Esse jogo foi feito para dois.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                      

 

 


Notas Finais


Chabudai - É uma mesa tradicional japonesa, onde as pessoas costumam comer.
Fusuma - São as "portas" japonesas, que são de correr.
Tokonoma - é a área da casa destinada a receber as visitas.
Enka - um tipo de cantora tradicional japonesa.


E a autora está aqui, sem muitos atrasos! Adorei escrever sobre a antiga relação do Neji e da Tenten, a reação dos outros alunos do colégio com o decreto da rainha, até mesmo sobre o Kiba (que vai causar muito ainda). Shion vai ser amada por uns, odiada por outros u.u
E a byakugou e sharingan iniciam de fato a guerra! Vocês acham que elas extrapolaram sobre o lance do Neji ou que foi bem feito? Adoro as teorias de vocês, principalmente sobre a Ino ahsauhhsua
Obs.: pra quem quiser ter ideia de como é a sala secreta da sharingan, aí está um link pra inspirar: https://casaeconstrucao.org/wp-content/uploads/2016/06/sala-de-jogos-eletr%C3%B4nicos-luxo.jpg
Enfim, o próximo capítulo é mais focado na Temari, mas haverão cenas do ponto de vista da Sakura também. Nos encontramos na próxima! o/


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