História Infancoland - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Drama, Familia Real, Ficção, França, Grafite, Infância, Mistério, Suspense, Tragedia, Violencia
Exibições 10
Palavras 2.337
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Espero que gostem! Maior trabalho de postar ;-;!

Capítulo 7 - Totalmente inútil


Ótima ideia, pensei. Nossa, eu ligo para uma pessoa que nem conheço e que sabe meu nome. Olha, eu não sei o quão grande foi o lixo que fiz, eu sei que no mínimo, quando Ludgero descobrisse, ele iria me matar.

A coisa foi tão desastrosa que a pessoa me ligou de novo. Eu não sabia se atendia ou se desligava de uma vez por todas. O maior problema de tudo isso foi a droga do toque, estava no volume máximo.

Soltei um palavrão. Desliguei o celular, mas não deu muito certo.

Ludgero se acordou com um susto.

- Wallace? – falou com a voz sonolenta e, ao mesmo tempo, desesperada – O que está...

O celular vibrou quando desligou.

Isso, muito bom. Deus, por favor, perdoe todos os meus pecados. Se for para eu morrer agora, que O Senhor me leve para os céus.

- Wallace... Você não está com o celular, está? – Ludgero perguntou, ainda com a voz um pouco sonolenta, mas, em vez de raiva, pude sentir o seu desespero.

- O que você fez...? Ligou para alguém? – não respondi absolutamente nada – Meu Deus, Wallace, o que você...

Ele falou alguma coisa em espanhol, provavelmente, um xingamento.

- Eu disse pra você não usar! Se quisesse ir embora, que fosse! Nossa, depois de tudo o que passamos, todas as aventuras que fizemos, você faz uma droga dessa!? Eu que pensava ter arranjado um amigo. Que merda, Wallace!

- Ludgero, eu não sei o quê...

- Cale-se! – ele gritou tão de repente que eu levei um susto – Vá embora daqui.

Fiquei com cara de interrogação. Ele estava me expulsando mesmo?

Oh, não, Wallace, ele só está mandando você tomar um pouco de ar no meio da rua.

- O que está esperando?! Vá embora daqui!

- Você vai mesmo fazer isso? Por conta de um celular? – vamos supor que eu estava sem argumentos naquela hora.

- Por conta de um celular? – por mais que parecesse irritado, na verdade, Ludgero estava mais era desesperado – Eu estou dizendo que – ele tentou respirar fundo – Vai ser melhor. Antes que eu – ele respirou profundamente de novo – possa realmente ficar estressado.

- E-Eu não tenho para onde ir... – minha voz falhou.

- CLARO QUE VOCÊ TEM! – o som foi tão alto que ecoou pelo espaço em que nos encontrávamos – Você só pensa em si mesmo. O que eu deveria achar de um bostinha riquinho, hm?

Ele colocou a mão na cabeça, puxando os próprios cabelos. Fechou os olhos e cerrou as sobrancelhas, parecia estar se lembrando de mais alguma coisa de seu passado misterioso.

- Da última vez que eu me envolvi com gentinha de sua espécie... – ele pareceu hesitar em continuar a falar – Eu passei três dias sem comer e nem beber. Isolado, solitário e com frio, dentro de um cubículo.

Senti um calafrio percorrendo pelo meu corpo inteiro. Seria o passado de Ludgero tão sombrio assim?

Ele com certeza tinha razão. Eu era um mesquinho. Apenas um menino metido, que nunca enfrentara problemas na vida, apenas um acidente de avião que lhe causara amnésia.

Apenas mais um menino mimado.

Aqueles pensamentos perfuravam minha mente, o que me causava uma enorme dor de cabeça. Regredi um pouco, estava tonto.

Uma lembrança viera logo em seguida. Eu tinha sete anos. Estava feliz e com uma mulher ruiva e alta do meu lado. Ela tinha um sorriso brilhante, era bem bonita e alegre.

Mas logo o cenário de toda aquela cena muda. Eu agora parecia mais velho, aparentava ter treze anos de idade. Estava em um ambiente escuro, todo cheio de hematomas pelo corpo e parecia sentir muita dor. Estava sentado, gritando loucamente por apenas um nome: “Mãe! Mãe!”. Chorava muito e olhava para um ponto fixo. Notei que a direção em que seguia meu olhar parecia ter algum instrumento. Uma guilhotina.

E aquela mulher bonita que eu tinha falado antes estava lá, presa e tão machucada quanto eu. Até mais ainda.

Então ela falou algo como “Feliz aniversário” antes da lâmina cair. Eu não consegui ver mais nada depois disso.

Aquela lembrança me fez cair no chão. Chamava de mãe a moça guilhotinada.

Senti vontade de chorar, de sair de lá. Senti vontade de morrer.

Como que eu podia ser filho do Príncipe William se eu era filho daquela mulher tão simples? E como ele deixou que isso acontecesse com sua suposta mulher?

Mil e uma perguntas formavam-se na minha cabeça, mas eu sabia que nenhuma delas seriam respondidas nem tão cedo.

Eu estava tão confuso e tão aterrorizado que não percebi Ludgero chamando meu nome. Para ser mais realista, ele estava gritando. Não conseguia ver direito, minha visão estava embaçada. Escutei um barulho estrondoso, e logo uma dor terrível percorreu pela minha perna. Senti algo me puxando, mas não conseguia enxergar, como já havia dito.

Olhei para baixo, para ver o que tanto me incomodava no meu membro inferior.

Eu só vi uma coisa. Sangue.

Muito sangue.

Senti um arrepio. Não conseguia gritar, não conseguia me mover, não conseguia fazer completamente nada.

Até finalmente minha visão escurecer de uma vez por todas.

...

Acordei quase que morto.

Tentei abrir os meus olhos, mas eu não conseguia. Algo parecia impedir essa ação.

Senti uma dor latejante na minha perna esquerda. Parecia que algo tinha me acertado em cheio nesse lugar.

- Onde eu estou... – sussurrei para mim mesmo.

Tentei me mover, mas algo impedia meus movimentos. Pareciam cordas bem presas nos meus pés. Minhas mãos pareciam algemadas.

Escutei passos, alguém parecia falar no telefone, seguido de risadas altas que ecoavam pelo lugar em que me encontrava.

Tudo bem, o que pode acontecer com você agora: alguém pode te matar, alguém pode te assassinar ou alguém pode acabar com a sua vida.

- Agradabilíssimo falar com o senhor. Pois é, sim, já consegui. Aham. Não, não. Não o localizei, aparentemente, o garoto estava com alguém, mas não parecia ser ele. Pois é. Pode ter crescido muito ao longo dos anos, não é mesmo? Ah, olha, preciso desligar, tudo bem? Mais tarde a gente se fala, caso o senhor tenha tempo. Tenha um bom dia.

Pera, então já era dia?

- Oh! Senhor Wallace, você acordou! – uma vós máscula ecoou por toda sala.

Não respondi nada. Estava com tanto medo que duvidava muito de meu coração ainda bombear alguma gota de sangue.

- Me desculpe pelo mau jeito. – algo em sua voz parecia repleta de falsidade – Não devo me apresentar.

Sim, até porque foi por algum motivo que você me vendou, certo?

- Não vai falar nada? Posso até servir o seu café agora mesmo. Estou tentando lhe agradar, Príncipe.

- Vai pra merda.

- Nossa, senhor, - algo me dizia que ele conquistou o objetivo de me irritar seriamente – não precisa ficar bravo, só quero ajudar.

- O que quer comigo?

- Vou ser totalmente sincero. – ah, que bom, um sequestrador sincero, quanto amor. – Preciso de dinheiro, e a única forma de conseguir isso é com você.

Dei uma risada irônica, e por incrível que pareça, eu havia perdido um pouco do meu medo.

- Desculpe-me, não consigo pegar minha carteira com as minhas mãos algemadas. Poderia soltá-las, por favor?

- Ah, não, não. Isso faz parte do que pretendo fazer. – sua voz tomava um tom mais irritado e um pouco mais satânico do que o normal – Não está se perguntando como eu te encontrei?

- Não. – respondi, e, logo em seguida, cuspi no chão.

O homem bufou. Pareceu que estava limpando o sapato em minha calça. Tinha jogado “um pouco do meu DNA” no seu calçado.

- Você não tem nada a ver com o Príncipe Wallace. É ruivo e tem um sinal na orelha, igual o garoto, mas seus modos parecem mais com os de um filho de um traficante.

- Talvez seja porque eu não seja o Wallace. – tentei enganar o homem, mas na verdade eu queria me enganar.

- Não venha com esse papo. Eu sei de tudo sobre você. Até mesmo como você caiu do avião. Você acabou batendo a cabeça com força e por isso ficou com amnésia. Alguém te salvou e ninguém nunca mais te encontrou. Só ouvi alguns boatos que você estava com um menino e que parecia fugir do resto do mundo.

- Louco?

- Como?

- Louco, quer dizer, você é louco? Doente? O quê? – repeti, esclarecendo minha pergunta anterior.

- Não, sou apenas um suposto “caçador de recompensas”.

Aquelas palavras pareciam arranhar meus ouvidos quando as escutei. Lembrei-me instantaneamente de Ludgero: ele havia falado algo sobre “caçador de recompensas”.

Eu sabia que não era para ter ligado para aquele número. O homem tinha nos rastreado. E de uma forma bem rápida.

- Então esteve com ele. – disse o cara, quase que adivinhando o que estava pensando.

- Com quem? – perguntei, um tanto assustado.

- Ludgero, certo? Acho que é esse o seu nome.

Como ele sabia daquilo?

- Foi o que eu pensei. Então ele quem te salvou. O avião caiu bem no lugar que eu suspeitava ser o seu esconderijo. Ele estava fora, conseguindo comida.

- Não sei do que está falando.

- Claro que sabe. Aliás, você negou, o que confirma o que acabei de dizer. Quase ninguém me engana, Príncipe.

Fiquei calado. Eu não tinha o que falar.

- Posso te dizer uma coisa?

Respondi com um suspiro.

- Eu nunca gostei de você. Sempre te achei metido a inteligente, a perfeitinho, a humilde. Mas agora tive certeza de que você é uma pilha de lixo que vale ouro.

Senti vontade de bater no homem. Eu era tão ruim assim, então? O que mais tinha me acontecido que eu não sabia?

Afinal, o que eu era? Nem eu entendia o que pensava.

Talvez você realmente seja uma pilha de lixo, Wallace. De príncipe bastardo, para um bandido encurralado.

Quando eu disse que eu não entendia o que pensava, eu não estava de brincadeira. Às vezes vinham na minha cabeça coisas que eu não tinha a menor noção do que eram.

Por fim, o homem chegou perto de mim e deu um beliscão bem, bem, bem forte no meu ombro direito. A dor era tão grande que parecia piscar do lugar onde fui agredido até as minhas costelas.

Então eu fiquei lá, paralisado, pois era o que me restava fazer. Escutei os passos do cara ecoando pela sala e um grande estrondo da porta batendo.

Agora, a sala estava trancada.

Juntamente comigo.

...

Não conseguia dormir, por mais cansado e zonzo que estivesse. Deveriam ter se passado umas cinco horas depois daquilo. Eu sei apenas que meu estômago roncava loucamente.

Mais sons. Alguém entrava na sala.

Os passos pareciam tão suaves que eu nem escutei eco nenhum.

Uma respiração nervosa se aproximou de mim. Não parecia ser aquele homem malvado.

Alguma coisa foi para trás de mim e quebrou as algemas de minhas mãos, por mais que ficassem ainda nos meus pulsos, provavelmente, parecendo duas pulseiras com correntinhas nada convencionais. A pessoa também tirou a venda, consegui abrir os meus olhos, mas como o ambiente estava escuro (por mais que fosse de dia, não havia nenhuma luz na sala em que me encontrava) não conseguia ver quem era o indivíduo, mas percebi que era uma garota. Ela me ajudou a desamarrar meus pés e, finalmente, conseguir sair pela única porta que havia.

Por mais que estivesse confuso e tivesse um trilhão de perguntas, apenas disse, antes de sair do lugar:

- Obrigado.

A garota esboçou um sorriso, que logo sumiu.

- Seja breve. Ele volta logo. A saída é para a esquerda.

Concordei com a cabeça, mas duvidei de que tenha visto o meu movimento. Então retribuí com um sorriso de gratidão e corri para o corredor da esquerda, onde tinha uma porta destrancada para a liberdade.

...

Tudo bem, eu não tinha a menor ideia do que fazer. Estava com fome, com frio, sentindo dor no ombro e na perna e não encontrava Ludgero. Provavelmente ele iria me esquecer, até porque eu fui um traíra.

Então, depois de andar muito, cheguei até aquela imensa rachadura no muro. Aquela onde foi o meu primeiro lar quando cheguei (de forma bem terrível) em Paris. Senti um cheiro familiar ao entrar no galpão.

Fumaça de cigarro.

Nunca estive tão feliz de sentir um cheiro tão horrível igual aquele.

- Não. Não está perdoado, não me preocupei com você e eu quero mais que você vá para o inferno. – escutei a voz do meu amigo. O que ele dissera, na verdade, não parecia mentira.

- Mas, - continuou – como você adivinhou onde estaria, pode ainda andar comigo. Ah, nunca mais, nunca mais ouse me desobedecer. Ou você morre, escutou?

Não respondi nada e apenas concordei com a cabeça.

- Aliás, eu preciso de ajuda.

Ludgero me pedindo ajuda. Coisa que não acontece todo dia.

- Você se lembra do último grafite? O belo peixe de pernas gostosas?

- Como esquecer.

- Bem, - ele não parecia nada contente – preciso te mostrar uma coisa.

O caminho foi silencioso, apenas coberto da cara emburrada de Ludgero e de alguns pigarros normais de um fumante. Minha perna ainda latejava, mas ignorei a dor. Nós chegamos aonde eu havia grafitado o meu último desenho.

Mas estava bem diferente: em vez de o muro estar com o grafite, alguém parecia ter pichado tudo por cima do meu “trabalho”. Rabiscos de uma só cor cobrindo o muro: vermelho sangue, e para finalizar, um enorme desenho por cima do meu, com vermelho escuro, dessa vez.

Não era exatamente um desenho.

“Δ=b²-4ac”.

- Eu também encontrei isso preso a um tijolo.

Ludgero me entregou um papel.

Havia uma fórmula. “x² + 3x + 2=0”. Não havia mais nada.

Fiz a conta de cabeça. X1= -1, X2= -2.

Não entendi o porquê de uma equação de segundo grau tão de repente. Também não entendi como um vândalo poderia ser tão inteligente.

- Não sei o que significa. – foi a única coisa que consegui falar naquela situação.

- Também não. Vamos embora daqui.


Notas Finais


Caso haja algum erro, avise, pff <3 ajuda bastante, nen


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...