História Ink To Ink - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Arte, Drama, Família, Homossexualidade, Lemon, Pintura, Policial, Romance, Tortura
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Palavras 3.495
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Acho que voltei... Espero que gostem >.< boa leitura <3

Capítulo 9 - Purple Ink


Fanfic / Fanfiction Ink To Ink - Capítulo 9 - Purple Ink

Já se passou um tempo desde o dia em que contei tudo sobre meu passado para o Adam e a palavra que me define nesse momento é liberdade. Nunca pensei que minha cabeça ficaria tão leve como está agora. Eu tinha tanto medo daquele monstro que já cogitava viver com ele na minha cabeça. Damien Broussard desapareceu da minha mente e levou consigo algumas de minhas lembranças.

Na tarde daquele dia, quando acordei senti como se algo faltasse e mesmo hoje tenho a impressão de sempre estar esquecendo algo, parece até que esse foi o preço que paguei pela liberdade, mas apesar disso comecei a pensar que tudo ficaria bem de agora em diante.

Adam finalmente conheceu dois de meus amigos que sempre estiveram ao meu lado quando precisei, mesmo que com Joshua o começo tenha sido meio conturbado. Depois de vê-los e depois da visita ao Louvre e da nossa conversa eu senti uma necessidade imensa de ir até o ateliê, ao qual não ia a mais de um mês, para colocar tudo o que passei nos últimos dias para fora através do pincel direto na tela.

Levei a maleta de pincéis e alguns lanches para não passar a noite com fome. Devia ser umas nove e meia da noite quando desci do taxi e fui em direção ao portão; assim que o abri havia alguém do lado de dentro, sentado nos degraus da entrada com a cabeça baixa e parecia estar... chorando? Era uma mulher e usava um vestido bege, cabelo pendurado em um coque meio desarrumado e estava descalça com um par de sapatos pretos na mão. E mesmo que ela estivesse em meio a sombra da árvore do jardim da frente senti algo familiar e quando ela se levantou eu sabia exatamente quem era.

- Mãe?

Ela andou até minha direção e me abraçou sem dizer nada.

- O que houve? Porque está aqui?

Ela não deu nenhuma resposta, apenas continuou a chorar em meus braços.

PARTE 1 - PERSPECTIVA DO CAMILLE

Levei ela para dentro e a sentei no sofá. Me agachei para ficar na altura de seu rosto.

- Agora quero que se acalme e me conte o que houve. Você foi assaltada ou algo do tipo? Quer que eu ligue para meu pai vir te buscar?

Seus olhos negros me encaram com medo quando citei meu pai.

- O que ele fez? Mãe, por favor, você está me assustando.

Automaticamente olhei para o corpo dela procurando alguma marca, mas não havia nada que indicasse que ele bateu nela.

- Camille eu... me arrependo tanto de nunca ter sido uma boa mãe para você – disse choramingando.

- Mãe....

Eu não podia simplesmente negar a verdade.

- Ele me disse coisas horríveis... - balançava a cabeça como se negasse para si mesma. - Porque sempre estive ao lado dele!

Colocou as mãos no rosto e voltou a chorar nervosamente. Eu a abracei forte e deixei que ela chorasse, era o melhor a se fazer nessa hora. Ela estava tão frágil nos meus braços... era a primeira vez que eu demonstrava querer abraça-la depois de anos; eu realmente a amo, mas o fato dela sempre obedecer meu pai fez com que eu quisesse me afastar.

Depois de alguns minutos ela se acalmou, me levantei e fui até a cozinha preparar um chá.

- Tome um pouco, é de camomila.

Ofereci e ela pegou sem dizer nada; me sentei ao lado dela, esperei que tomasse um pouco antes de perguntar o que estava acontecendo outra vez.

- Se sente melhor? - Falei quando peguei a xicara de suas mãos.

- Sim, obrigada - disse parecendo mais aliviada.

- Agora pode me explicar o que meu pai fez com você?

Ela deu um grande suspiro antes de falar.

- Nós brigamos mais uma vez e eu... sai de casa.

Isso me surpreendeu bastante.

- Vocês andam brigando?

- Sim, há um tempo... você deve estar surpreso já que sempre concordei com tudo o que ele dizia e isso mantinha a paz entre nós, mas hoje ele me disse que a culpa de você ser assim é totalmente minha...

- Ele está sendo ridículo.

- Que fui fraca com você, que sou uma esposa horrível e que só sei choramingar pelos cantos por causa de você..., mas o que eu poderia fazer?! Você é meu único filho! Que eu nunca prestei a devida atenção e nunca sequer dei ouvidos as coisas que você queria me dizer... uma criança que nunca teve a chance de ser compreendida, porque nós dois somos pais ignorantes demais para entender que opção sexual nada tem a ver com a pessoa que você é.

Meus olhos encheram-se d'água quando ela disse tudo aquilo. Por anos eu sonhei por esse momento e agora que ele está acontecendo parece surreal.

- E olhe só para você! Um homem feito... você cresceu tão bem por sua conta própria. Como pude ser tão cega? Como pude perder a vida do meu lindo menino bem diante de meus olhos?!

Ela colocou as mãos no rosto novamente e voltou a chorar.

- Ei mãe, você não perdeu totalmente minha vida, afinal nós dois ainda estamos aqui e eu esperei tanto por esse momento que não me importo se começarmos de novo a partir de hoje!

Sorri em meio a lágrimas de felicidade e ela sorriu de volta, mas logo voltou a chorar.

- Eu estive pensando por tanto tempo e há tantas coisas pelas quais preciso te pedir perdão...

- Depois do que você me disse eu já te perdoei.

Coloquei algumas mechas de cabelo que saíram do coque para traz de sua orelha.

- Há coisas também que você deve saber, uma delas é o motivo pelo qual seu pai e eu te mandamos para aquele internato...

- Mãe, eu... posso esperar até amanhã para isso - sorri gentilmente e acariciei seu rosto. - Quer mais chá?

- Sim.

Sentei ao seu lado e a abracei.

- Também quero te contar coisas que guardei apenas para mim por todos esses anos e coisas maravilhosas que estão acontecendo na minha vida e que eu gostaria muito de compartilhar com você sem que meu pai interfira, nunca mais.

Eu sabia que isso seria difícil para ela. Apesar de meu pai ser como é, ela sempre o amou incondicionalmente, para no fim ele tratar ela assim... como se ela não tivesse feito nenhuma diferença em sua vida.

- Eu adoraria saber sobre tudo, filho - ela sorriu.

- Então primeiro vou ligar para a vovó vir te buscar, você precisa descasar - falei enquanto procurava o número na minha agenda.

- Espera, eu queria te perguntar uma coisa...

- O que foi? - Ela segurou minha mão antes deu ligar.

- Posso ficar e assistir você pintar?

- Claro! Mas, tem certeza de que quer passar a noite aqui? É meio frio de madrugada...

- Sim! E sabe, você não deve lembrar muito, mas quando você tinha três anos e começou a pintar eu te assistia porque tinha medo de você comer tinta - ela deu uma leve risada e eu ri junto.

- É, eu não me lembro disso.

- E eu já passei noites e noites nesse lugar... - olhou em volta, provavelmente lembrando os velhos tempos em que admirava meu pai pintar.

- Você pode vir aqui sempre que quiser mãe - dei um beijo em sua testa e me levantei indo até a cômoda; peguei uma coberta que eu guardava e dei para ela se cobrir.

Abri a janela como sempre fazia e peguei uma tela média em branco, organizei as tintas e os pinceis e me sentei no banco.

- Estou feliz que esteja aqui mãe - falei de costas para ela dando o primeiro traço.

 

De manhã quando terminei, liguei para Adam e expliquei o que tinha acontecido; ele apareceu minutos depois para nos buscar. Levamos minha mãe até a casa em que minha avó está ficando em Paris.

Quando apresentei ela ao Adam ela apenas sorriu, e no carro ela não disse nada, apenas ficou olhando para ele. Fiquei querendo saber o que ela estava pensando naquela hora... e ainda com os dois no carro me liguei que minha mãe é só cinco anos mais velha que Adam... talvez se deem bem....

- Tem certeza de que quer falar com ele? - Adam perguntou quando paramos na frente da casa dos meus pais.

Eu disse a ele que precisava ter uma conversa com meu pai a qual adiei por anos e que desta vez eu precisava terminar isso.

- Tenho. - Abri a porta do carro e sai. - Vai me esperar?

- Claro.

Eu sorri e fechei a porta.

Eu estava nervoso enquanto subia as escadas do duplex vitoriano e me preparava para tocar a campainha. Ainda no ateliê disse para minha mãe o que eu pretendia conversar com ele e que eu queria colocar um fim nisso; no fundo eu tive esperança de que ele me aceitasse algum dia, mas eu cansei de esperar por uma falsa aprovação.

- Bonjour, qui voudrait? (Bom dia, quem gostaria?) - Perguntou uma voz feminina no interfone, era Louise a empregada que servia minha mãe.

- Louise, c'est moi Camille. (Louise, sou eu Camille.)

- Oh! Juste une minute. (Oh! Só um minuto.)

Não demorou muito até ela abrir a porta.

- Bienvenue. (Seja bem-vindo.)

- Merci. Louise, je veux parler à mon père, n'est-ce pas? (Obrigado. Louise quero falar com meu pai, ele está?)

- Oh oui, mais ... c'est toujours dans la chambre. (Ah sim está, mas... ainda está no quarto.)

Quando mencionei meu pai ela ficou nervosa esfregando as mãos, provavelmente presenciou a briga de ontem à noite.

- Ne t'inquiète pas, il ne se disputera pas avec toi pour t'appeler. (Não se preocupe ele não vai brigar com você por chamá-lo.)

Ela assentiu e subiu as escadas.

Aquela casa não mudou muito desde que eu tinha sete anos, a diferença era que não havia mais fotos minhas nas estantes da sala, nem os livros espalhados pelos cantos e muito menos os pacotes de doces que eu comia enquanto lia.

Os quadros pendurados nas paredes sempre foram todos de meu pai mesmo que naquela idade eu já tivesse pintado alguns, ele nunca deixou que minha mãe os pendurasse e naquele tempo até comecei a achar que eram horríveis. Cheguei a desistir de pintar quando entrei para o internato porque para ele eu sempre fui uma "cópia malfeita".

- Il descend déjà (Ele já está descendo) – disse Louise ao descer. - Désolé de ne pas offrir avant, acceptez-vous un thé ou un café? (Desculpe não oferecer antes, aceita um chá ou café?)

- Non merci. (Não, obrigado.) - Sorri mais uma vez e ela se retirou para a cozinha.

Louise é três anos mais velha do que eu e ainda era adolescente quando veio morar nos fundos da nossa casa enquanto sua mãe trabalhava para nossa família. Quando sai do internato eu mal falava com outras pessoas e não tivemos convivência significativa para virarmos amigos antes de eu ir para o Canadá, então ainda somos completos estranhos um para o outro.

Não demorou muito até que o homem de cabelos grisalhos ainda vestido de pijama e hobby de algodão marrom, descesse as escadas. Ele estava muito mais velho do que eu me lembrava, mas seu olhar severo estava o mesmo de sempre.

- O que sua mãe disse para fazer você vir até aqui depois de todo esse tempo? - Falou enquanto sentava-se na poltrona e eu permaneci de pé, pois não pretendia passar muito tempo ali.

- Não foi justo dizer aquelas coisas a ela.

- Não posso fazer nada se a verdade doí e não me importo também se ela voltará ou não, tudo já estava indo por água a baixo a anos e essa sua criancice só fez com que tudo piorasse.

- Não coloque a culpa de suas brigas em mim. O quão egoísta você consegue ser? Alguma vez pensou nos sentimentos dela antes dos seus?

- Isso importa agora?

Louise entrou na sala trazendo café e bolachas para meu pai. Tive uma sensação estranha quando eles se entre olharam enquanto ela o servia.

- Cedo ou tarde sua mãe iria atrás de você, mesmo que você tenha problemas.

- Minhas escolhas não têm a ver com ela querer sair de casa. - Olhei para Louise enquanto ela terminava e então ela se retirou. - Acredito que não seja apenas por minha causa que ela decidiu isso, porém acredito que agora ela veja o tamanho do erro que cometeu ao escutar cada palavra sua sem nem mesmo pensar duas vezes durante esses anos. 

 Ele esticou o braço e pegou a xícara de café na mesinha de centro.

- Ela não tem o que reclamar, durante nosso casamento a escolha sempre foi dela.

- Nunca parou para pensar que ela tinha medo de te perder? Que ela te ama tanto que estava cegamente te obedecendo?

- Sim - deu um gole no café - mas não me incomodei porque sei que estou certo - deu de ombros.

- Você é ridículo. - Falei passando a mão por meu cabelo para não dar um sono no rosto do meu próprio pai.

- Posso admitir que o erro em te criar pode ter sido nosso, mas agora parece que essa doença está fixada na cabeça de vocês.

- Como eu pude algum dia admirar você?! Admirar sua arte?! - Perguntei incrédulo. - Como mesmo depois de ter saído daquele inferno eu ainda tive esperanças de que você me entendesse?!

Ele ficou calado apenas tomando seu café.

- Me tira uma dúvida, porque não acreditou quanto o Dr. Wener disse que sofri abuso?

- Na época achei que tivesse te colocado em um lugar seguro e nunca ia imaginar que algo assim aconteceria, achei que você esteve mentindo para que sua avó acreditasse em seu drama. Aquilo era loucura, quem acreditaria? Você estava rebelde e não gostava de obedecer então para começar a mentir não faltava muito. Eu também estudei naquele internato e a educação que recebi foi a melhor e meus pais ficaram muito satisfeitos. No ano em que te coloquei lá a gestão havia mudado, mas o diretor me garantiu que as normas eram as mesmas, então pensei que estivesse fazendo o certo. Camille, você era tão desligado de tudo e não queria estudar, sua mãe jovem e inexperiente não conseguia cuidar de você e depois que ela e sua avó brigaram, Estella não quis mais te deixar com ela. Eu estava trabalhando e não tinha tempo para ficar com você enquanto sua mãe ainda estudava, te colocar lá foi uma decisão lógica.

- Essa é sua última desculpa?

Ele se calou.

Eu sabia tudo o que estava acontecendo na época e sei que minha mãe estava desesperada tentando me criar sem ajuda dele. Eu entendo pelo que eles passaram, entendo que cuidar de um filho é difícil, mas nada justifica ele continuar ignorando o fato deu ter passado por tudo aquilo... um pai surtaria se soubesse que seu filho sofreu abuso no lugar onde pensou que ele estivesse seguro.

- Pai... - sussurrei decepcionado e acima de tudo magoado mais do que ele podia sequer imaginar. Eu como qualquer pessoa gostaria de ter o pai ao lado nas horas que mais precisa sejam elas tristes ou felizes. Eu sempre desejei que ele fosse mais próximo de mim, desejei que ele passasse o dia conversando comigo e rindo de alguma besteira que fiz ou que falei, desejava que ele estivesse ao meu lado em minhas vernissages e exposições que participei e as que vou participar, desejava que ele conhecesse a pessoa que amo.... Mas não posso mudar quem sou por causa dele, não posso deixar de viver para dar ouvidos a uma pessoa falsa, manipuladora e que nunca fará um mínimo de esforço para entender as pessoas. - Essa vai ser a última vez que te chamo assim; sei que já não me considera um filho a muito tempo, é só que... eu pensava que se te desse um tempo você poderia....

- Aceitar essa sua anormalidade?

- Já chega...! - Soquei a parede e pela primeira vez na minha vida gritei com ele. - Chega de me insultar! Você não tem o direito de me julgar quando nem ao menos assume seus próprios erros!

Ele se levantou e andou na minha direção, e quando estava perto o suficiente ele me deu um tapa no rosto que ardeu como o primeiro tapa que levei de Damien. Meus olhos se encheram d'água, mas não de tristeza e sim de raiva por meu próprio pai me lembrar daquele monstro.

- Não ouse levantar a voz para mim moleque! Você tem que agradecer por tudo o fizemos por você!

- O que você fez por mim?! Nada! Essa é a resposta certa ou você vai negar agora? Coisas materiais nunca terão significado quando na verdade eu só queria o seu amor.

- Não sou obrigado a ouvir isso... saia dessa casa!

Ele deu as costas para mim e voltou para a poltrona; a campainha tocou novamente e Louise apareceu para atender.

- Não precisa dizer, não quero passar nem mais um minuto perto de você.... Eu vou construir a minha própria família e você vai saber que a solidão foi sua pior escolha.

Me verei e fui em direção ao hall de entrada e Adam estava lá. Meu rosto queimava de raiva quando segurei na mão dele e sai de lá. Entramos no carro e ele começou a dirigir sem falar nada. Me encolhi no banco do carona chorando; eu me sentia fraco por ter considerado aquele homem um pai por tanto tempo e a frustração por não conseguir fazê-lo mudar.

- A culpa não é sua; ele acredita que só haja uma forma de se construir uma família, ignora qualquer tipo de mudança que possa afetar esse status tradicional desconsiderando o sentimento que realmente importa - disse enquanto estacionava o carro na garagem do prédio.

- Eu já sabia que ele não me aceitaria, mas o que mais me dá raiva é ele não dar a mínima pelo que passei... como ele pode ignorar sua família dessa forma?

- Talvez, essa não fosse a intenção inicial, mas ao invés de mudar o próprio jeito de pensar e procurar reatar a relação entre vocês, ele apenas continuou a forçar em você o que acha ser certo. - Ele tirou as mãos do volante e colocou no topo da minha cabeça me fazendo carinho.

- Eu tenho medo - falei enxugando minhas lágrimas - de que mais tarde ele se arrependa e seja tarde demais.

 

Adam me abraçou e me confortou até que eu me acalmasse.

Minha avó me ligou e disse que minha mãe melhorou depois de terem conversado e colocado tudo em seu lugar, disse também que o tempo dela em Paris estava acabando e logo teria que voltar para Londres levando minha mãe junto dela; as duas precisavam de um tempo juntas e minha mãe precisava de um tempo longe "daquele canalha" ela disse.

- Vou fechar minha sala de aula. - Falei enquanto jantávamos em um restaurante próximo ao nosso apartamento.

 Fora o dia em que resolvi fazer hambúrgueres, nós quase nunca cozinhávamos e quando ficávamos em casa pedíamos sempre alguma coisa.

- Eu tenho ficado ausente demais e as provas estão terminando... os alunos não vão precisar mais de mim.

- Tem certeza disso?

- Sim. Eu gosto de dar aulas, mas em janeiro vou ter um novo compromisso e talvez fique mais ocupado.

- Que tipo de compromisso? Você não falou nada sobre isso antes.

- Eu estava aguardando uma boa hora para te contar, mas os acontecimentos inesperados me fizeram adiar um pouco; eu fiz a prova enquanto você viajava em maio e já terminei de fazer a inscrição.

- Camille, me diga logo antes que você me mate do coração!

Eu ri.

- Ok. Vou fazer pós-graduação em crítica e curadoria.

- C'est fantastique! (Isso é fantástico!) Mais ne faites-vous pas cela pour me faire plaisir? (Mas não está fazendo isso para me agradar?)

- De forma alguma, porém confesso que tive um pouco de sua influência – sorri – eu acho seu trabalho incrível e eu sempre curiosidade nesse meio, então resolvi tentar.

- Mon amour, félicitations! Je suis fier de vous et j'ai peur de savoir que je vais gagner un autre concurrent.... (Meu amor, parabéns! Estou orgulhoso de você e meio receoso em saber que vou ganhar mais um concorrente...)

- Um ... il semble que vous allez devoir prendre soin de ne pas perdre votre emploi pour moi. (Hum... parece que você vai ter que se cuidar para não perder o emprego para mim.)

Brincadeiras à parte, ele ficou muito feliz com a surpresa e eu também por finalmente traçar um novo objetivo.


Notas Finais


Até amanhã <3


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