História Inocência roubada - Capítulo 45


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HEEEEEEEEEEEEEY SORRY A DEMORA, MAS TIVE CONTRATEMPOS ONTEM E HOJE UMA CERTA GAROTA ESTAVA IMPOSSIVEL SHAUSHUAHSUAHSHA
BOM GALERA, ESSE É O CAPITULO DA PRIMEIRA DESPEDIDA... ESPERO QUE AGUENTEM...
POREEEEEEEEM, ESSE É O CAPITULO DAS SURPRESAS \O/ UHUUUUUUUL

BOM, TEM 3 MUSICAS NO CAPITULO E PELO AMOR DE LANA MARIA PARRILLA E CIA ESCUTEM AS PORRAS DAS MUSICAS, OBRIGADA!
TEM MOMENTOS LINDOS NO CAPITULO TBMMMMM <3 CHOREY

BOM, ACHO QUE É ISSO SHUAHSUAHSUHAU
BOA LEITURAAAA <3 COMENTEM MUITO PORRAAAA
BEIJOXXX

Capítulo 45 - Saturno


Fanfic / Fanfiction Inocência roubada - Capítulo 45 - Saturno

 Nova York – NYPD – Domingo – 3:30am

Zelena tinha resolvido tudo o que faltava para entregar cada criança para os seus pais. O serviço social só viria buscar as meninas órfãs no dia seguinte depois das oito da manha, então ela marcou as nove da manha com todos no dia seguinte. Sabia que não somente ela, como os detetives e as famílias precisavam de descanso e de um tempo para processar tudo o que estava ocorrendo.

O problema ficou em como ficariam as meninas órfãs. Ela não sabia onde que elas ficariam, mas logo a solução apareceu. Violet e sua mãe se ofereceram para ficar com Mulan ate o dia seguinte, Emma se encarregou de ficar com Grace e Eve não ficava com outra pessoa a não ser Belle. A morena olhou para ela enquanto todos deixavam a delegacia e deu de ombros. A ruiva apenas suspirou, elas podiam dar conta de uma menina de quatro meses por uma noite, não podiam?

Os detetives se cumprimentaram e se parabenizaram pelo trabalho e por todo o esforço durante todos aqueles meses e principalmente durante aquele final de semana que havia sido de longe o mais agitado, angustiante e amedrontador que eles já enfrentaram. Cada um pegou o caminho de sua casa e Zelena e Belle foram juntas para o carro. Belle estava junto com Zelena, havia deixado seu carro antes de viajarem e a ruiva quem havia lhe buscado. Elas decidiram então que tinham que passar no mercado, agora elas tinham uma nova inquilina que precisava de muitos “equipamentos” que nenhuma das duas tinham.

A tenente seguiu ate o mercado 24 horas mais próximo que encontrou e as duas, como duas mães de primeira viagem, entraram e foram para a seção infantil. Belle passou a menina para o colo da ruiva e olhava no celular qual o tamanho de fralda um bebe do tamanho dela usava. Sentiam-se diante de um enigma impossível. Havia diversas marcas e tamanhos e tipos para o dia, para a noite, para bebes com pele sensível, com alergia e muito mais.

─ Ela é um bebe ou uma TV de plasma pra ter tanto tipo de fralda assim pra embrulhar? ─ Zelena perguntou e Belle riu.

─ De acordo com o que diz aqui, ela deve usar fralda M, será que podemos confiar? ─ a morena olhou para a namorada. Zelena fez uma careta.

─ Acho que cabe sim ─ ela olhou para a pequena que estava com os grandes olhos azuis abertos e a encarava mexendo as pequenas mãos ─ cabe, não é minha bonequinha? ─ a ruiva segurou suas mãos e sorriu para ela. Belle apenas observou. Um dos rapazes que trabalhava no setor observou as duas e foi ate elas.

─ Pois não, posso ajuda-la? ─ ele sorriu simpático ─ percebi que vocês estão um pouco confusas, devem ser mães de primeira viagem certo? ─ as duas se encararam. Seriam?

─ É! Tipo isso ─ Belle respondeu.

─ Vou ajuda-las ─ ele foi ate a estante e pegou uma fralda ─ essa marca é uma das melhores, é a que mais vende, não causa alergias e nem irritações, dura quase uma noite inteira e para a filha de vocês o tamanho é M ─ as duas arquearam a sobrancelha e então Belle pegou o pacote colando na cesta que levava.

─ Muito obrigada pela ajuda! ─ Zelena agradeceu.

─ Não há de que, parabéns pela menina! Ela tem muito de vocês duas, da para ver em como ela olha e sorri ─ ele elogiou. Elas apenas seguiram o caminho e continuaram pegando o que faltava. Outra roupa, produtos de higiene, mamadeira e uma chupeta. Não sabiam se a menina usava, mas iriam testar.

─ Precisamos ver o leite pra ela, logo ela vai reclamar de fome! ─ Belle falou encarando os vários leites em pó que havia na estante.

─ Qual deles que temos que levar? ─ a ruiva encarou a morena e ajeitou Eve em seu colo quando a menina se mostrou incomodada com a posição ─ ei minha pequena! Esta tudo bem! ─ Zelena a levantava e olhava para ela tentando a distrair.

─ Bom, vou levar esse da Nestle para crianças de 3-6 meses ─ ela falou, mas a ruiva não prestava atenção, a pequena loirinha lhe arrancava sorriso e lhe fazia mudar a voz e a maneira de agir.

Elas seguiram para o caixa. Zelena queria pagar tudo, mas Belle não deixou que ela fizesse isso. Era sempre assim em tudo, sempre que saiam elas encontravam problema para dividir a conta. Receberam mais elogios pela “filha” e acabaram rindo. Colocaram as compras no carro e decidiram que ficaram no apartamento de Zelena por ser maior. Eve começava a demonstrar sinais da falta da mae, da fome e do cansaço. Ela resmungava e a ruiva fazia o que podia para distrai-la.

Belle estacionou o carro e elas seguiram para o elevador. Eve já chorava e o desespero já começava a crescer no coração das duas. Nenhuma delas tinha experiência com crianças, principalmente bebes. Elas já haviam cuidado de suas primas ou no caso de Zelena, de sua sobrinha, mas aquele caso era diferente. Seriam apenas as duas por uma noite inteira sozinhas por conta própria e risco com um bebe. O choro já se tornava estridente e Zelena a colocou na cama.

─ Ei! Esta tudo bem, já vamos te ajudar! ─ ela tentava acalmar a menina que já estava vermelha e abria a boca em um grande “O” chorando ─ Belle, voce esta preparando o banho dela? ─ a ruiva gritou.

─ Quase pronto meu amor! ─ Belle gritou de volta e logo apareceu com uma bacia rasa com agua morna e colocou sobre a toalha que elas estenderam sobre a cama. A ruiva então desabotoou sua pequena roupa com um pouco de dificuldade para retirar os braços e as pernas, pois Eve se debatia enquanto chorava. Retirou sua fralda e a pegou novamente no colo.

─ Pronto bonequinha ─ ela falou baixo e calmo com a loirinha e a deitou sobre a agua. De começo a menina estranhou, mas logo se acostumou com a temperatura ─ você vai ficar cheirosa, não vai? ─ Zelena falava com ela como se Eve pudesse entende-la.

─ Vamos passar o sabão ─ a morena ensaboou as mãos e deslizou pelo pequeno corpo cheio de dobras e branquelo da garota passando em cada parte que achava ser importante. A pequena Eve fitava seus belos olhos em Belle e a observava.

─ Ela é linda não é? ─ Zelena falou sorrindo para a menina ─, mas a tia aqui chegou primeiro viu! ─ Belle riu e então começou a enxaguar a pequena.

Terminaram o banho e a ruiva retirou Eve da banheira enquanto Belle levava a bacia de volta para o banheiro para jogar a agua fora. A menina voltou a chorar escandalosamente. Zelena colocou a fralda e a vestiu com o pequeno macacão amarelo e branco com flores coloridas. Fez com a máxima rapidez que conseguiu, pois Eve não parecia muito paciente e nem calma. Ela a colocou em seus braços e encostou seu peito com o dela. Vagarosamente passava as mãos em suas costas.

─ Minha boneca, sei que esta difícil ─ ela sussurrou para a menina ─, mas vamos fazer o melhor por você, eu prometo!

Belle foi para a cozinha preparar o mixe do leite em pó com agua para a mamadeira da menina. Testou a temperatura e correu de volta para o quarto encontrando a namorada carinhosamente balançando a menina e sussurrando algumas palavras para ela. Seu coração encheu-se de uma súbita alegria. Não que ela não estivesse feliz ao lado da ruiva, ela sempre se sentia completamente feliz ao lado dela, mas aquela sensação era diferente, como se elas estivessem completas, como se aquela realidade fosse comum, rotineira, como se elas pudessem fazer aquilo todos os dias, mesmo com as confusões, com as duvidas, com o desespero e com os medos.

Zelena percebeu a morena a olhando e então avisou a pequena que o “jantar” estava servido, fazendo a namorada rir. Ela passou Eve para Belle e foi tomar banho enquanto ela alimentava a nova inquilina do apartamento. Durante o banho, enquanto a agua caía em seu corpo e levava toda aquela tensão e sobrecarga que ela havia recebido em tão pouco tempo, ela pensava em tudo o que tinha descoberto: sua mãe, seu nascimento, sobre Ginny. Era reconfortante saber que ela foi amada por sua progenitora, que ela não fora abandonada ou rejeitada. Que sua mãe, mesmo nova e inexperiente, aceitou lutar por ela e morreu por isso. Quanto a Ginny, ela não sabia o que pensar, não sabia se a perdoava, se realmente conseguia ver algo de bom em tudo o que ela havia feito. Ela compreendia que a morena também teve parte no sofrimento, sofrimento esse que se estendeu ate sua vida adulta e sabe-se lá quantas outras vezes depois.

Apesar de tudo, de toda a confusão em sua cabeça, de toda a dor e de descobrir que a mãe não mais vivia, ela era agradecida por ter tido uma família incrível como a dos Mills. Uma família que a acolheu, que a amou, que a tratou como filha e que nunca a julgou. Sua mãe sempre apoiou seus sonhos e seu pai nunca mediu esforços para que ela tivesse o melhor em todos os âmbitos do seu crescimento. E seu irmão, Henry Mills, que era seu melhor amigo, a pessoa que havia lhe ensinado sobre humildade, generosidade, sobre ser forte, sobre levantar independente de quantas vezes caísse e sobre o amor. E agora ela tinha Belle, o amor da sua vida, a pessoa que lhe arrancava suspiros, tanto na cama como fora dela. Que a fazia rir de coisas simples, que a fazia enxergar o lado bom das situações ruins e que sempre tinha uma palavra de conforto para qualquer problema que se passava em sua cabeça. Pensou na morena segurando a pequena Eve e sentiu como se cada célula do seu corpo fosse implodir. Imaginou-a segurando as pequenas mãos brancas com os dedinhos macios da menina e sorrindo para ela como se elas pudessem enfrentar o mundo apenas com aquele pequeno gesto. A ruiva nunca sentiu que pudesse ser mãe, que um dia iria querer uma criança ou que o instinto materno fosse despertar em seu amago. Mas havia uma sensação estranha em seu peito, que lhe incomodava, mas não algo ruim. Algo como se tudo ali estivesse completo.

Nova York – Condomínio Blue Bird – Domingo – 4:00am

EMMA’S POV

O sentimento de chegar em casa era totalmente estranho e ao mesmo tempo inovado para mim. Eu sentia como se fosse ontem que eu tivesse deixado minha casa para ir a escola com um plano na cabeça, com coisas me atormentando, coisas tão simples, mas que pra mim pareciam o bicho papão do mundo adolescente. Porem eu mal sabia que havia muitos problemas que eram muito maiores, que iriam me perturbar de maneiras completamente diferentes e me mudar para uma garota totalmente distinta daquela que tinha pegado um dia o caminho para um festival de outono.

Ao meu lado estava a pequena Grace. Eu me ofereci para ficar com a garota por saber que ela se sentia a vontade comigo e por ela confiar em mim. Suas mãos nunca soltavam as minhas e tudo o que ela ia fazer ante ela lhe lançava um olhar como quem pedia permissão. Eu achava engraçado, pois ao me lembrar de minha infância, eu sabia que não fui tão tímida e introvertida. Dificilmente pedia permissão para coisas comuns como Grace fazia. No entanto, eu entendia que sua realidade era inteiramente diferente da minha e que ela deveria ter seus muitos fantasmas e monstros a assombrando.

Observei minha casa e respirei o ar reconfortante e ao qual eu sentia falta. Minha casa. Tudo continuava no mesmo lugar, as mesmas coisas, nossas fotografias, nossos quadros e pinturas. Subi então com meus pais e eles me levaram ate o lugar que eu mais esperava, o lugar que eu tanto queria ter de volta: meu quarto. Meu pai abriu a porta e então eu senti as lagrimas molharem meu rosto. Todas as minhas coisas, meus pertences, minha cama, minhas roupas e tudo que eu havia escolhido para decorar o lugar que eu mais gostava na casa.

─ Eu vou pegar uma roupa sua que tenho guardada que certamente servira em Grace ─ minha mãe falou e sorriu. Eu assenti ─ eu não demoro!

─ Tudo bem mãe! ─ falei e entrei no meu quarto. Passei a mão por cada parte, cada pedaço ate chegar em minha cama. Como eu sentia falta do cheiro dos lençóis, do macio do cobertor e do aconchego do meu colchão. Eu nunca parei para prestar atenção nessas pequenas coisas ate o dia em que as perdi.

─ Esse é seu quarto? ─ a pequena Grace me encarou.

─ É sim, você gostou? ─ perguntei a ela sorrindo.

─ É muito bonito e grande! ─ ela observava cada lugar e parou próximo as minhas bonecas. Ela ficou parada. Eu sabia que ela provavelmente queria pegar uma delas ─ são tão lindas!

─ São sim! ─ eu me levantei e fui ate ela ─ são as minhas favoritas! ─ olhei para ela ─ você gostou de alguma? ─ ela assentiu com a cabeça e eu sorri.

─ Qual delas você gostou mais? ─ ela me encarou e então olhou de volta para as bonecas. Eu a encorajei ─ eu gosto mais dessa ─ peguei a que tinha cabelos escuros e olhos azuis, ela vestia um vestido vermelho e sapatos pretos ─ acha ela bonita? ─ novamente ela assentiu com a cabeça sem dizer nada, porem foi ate a estante e ficando na ponta dos pés alcançou a boneca loira de olhos azuis que usava um vestido rosa e sapatos brancos.

─ Eu gostei dessa! ─ ela me encarou. Eu me agachei e olhei em seus olhos.

─ Ela é sua então! ─ Grace abriu a boca e seus olhos brilharam.

─ Mesmo?

─ Mesmo! ─ confirmei ─ ela precisa de alguém para cuidar dela e eu confio em você! ─ ela então abraçou a boneca e assim ficou ate minha mãe voltar com as roupas.

Eu e Grace fomos para o meu banheiro onde eu enchi a banheira e coloquei os sais de banho que eu mais gostava. Deixei a agua em uma temperatura agradável e ajudei a pequena a se despir e logo em seguida eu retirei minhas roupas. Enquanto eu tomava banho eu a ajudava a se ensaboar. Eu achava engraçada a forma que ela me olhava e repetia meus gestos. Lavei nossos cabelos, passei condicionador e depois do banho ainda mostrei a ela como se usava creme hidratante.

─ É cheiroso Emma! ─ ela falou cheirando a pele ─ tem cheiro de baunilha, igual doce!

─ Tem mesmo! ─ falei enquanto terminava de colocar seu pijama.

Nós nos trocamos e ela foi comigo para a cama levando sua boneca ao qual deu o nome de Ella, como a Cinderela. Ajeitei o travesseiro para nós duas e desliguei as luzes. Eu sempre fui acostumada a dormir virada para o lado esquerdo e de bruços, desde pequena, mesmo quando Regina dormia em casa, cada uma dormia em sua posição. No entanto, quando fui me virar, Grace se manifestou segurando em meu braço.

─ Emma ─ ela sussurrou e eu virei para ela.

─ Algum problema meu bem? ─ eu a encarei. Ela fez silencio por alguns segundos.

─ É...que ─ ela enrolou mais um pouco ─ eu to com medo...

─ Medo de que? Eu to aqui e nada de mal vai te acontecer ─ eu a puxei para perto de mim e passei as mãos em seus cabelos finos dourados ─ quer que eu cante para você dormir? ─ ela assentiu e eu suspirei.

[PLAY/Toquinho – Menininha Cover Fernanda Violani]

Menininha do meu coração

Eu só quero você

A três palmos do chão

Menininha não cresça mais não

Fique pequenininha na minha canção

Senhorinha levada

Batendo palminha

Fingindo assustada

Do bicho-papão

Menininha, que graça é você

Uma coisinha assim

Começando a viver

Fique assim, meu amor

Sem crescer

Porque o mundo é ruim, é ruim e você

Vai sofrer de repente

Uma desilusão

Porque a vida somente é

Seu bicho-papão

Fique assim, fique assim

Sempre assim

E se lembre de mim

Pelas coisas que eu dei

E também não se esqueça de mim

Quando você souber enfim 

De tudo o que eu amei.

Quando terminei a canção que eu escutava minha mãe cantar para mim incansáveis noites, Grace estava em um sono profundo e respirava calmamente. Eu respirei fundo e encostei em minha barriga. Seria esse o sentimento de ser mãe? Seria assim caso eu aceitasse ter essa criança? Apenas em pensar meu corpo todo se arrepiava e um medo misturado a um sentimento que eu não sei explicar tomava conta do meu coração. Deixei meus pensamentos de lado e com um mão em meu ventre e a outra segurando Grace, adormeci.

Nova York – Apartamento de Zelena – Domingo – 5:30am

Depois de mamar, a pequena Eve dormiu. O cansaço sobre seu corpo devia ser grande e a falta do colo materno deveria ainda estar lhe causando uma confusão e sentimentos assustadores. Zelena a deitou no meio da cama e esperou Belle tomar banho. Antes das quatro e meia elas três estavam dormindo em um sono profundo e deixando o corpo relaxar sobre o colchão macio. Apesar de estarem com um bebe entre elas e de procurarem se mexer o mínimo possível, elas conseguiram adormecer e esperavam por uma noite tranquila. Apenas esperavam.

Quando era próximo das seis da manha, Eve se mexeu e começou a resmungar emendando um choro alto que fez as duas acordarem assustadas e meio perdidas. A ruiva esfregou os olhos e pegou a pequena no colo tentando faze-la não chorar, mas não adiantava.

─ Eu vou preparar outra mamadeira ─ Belle pronunciou ainda sonambula e foi em direção da cozinha. Zelena continuava balançando a menina que chorava sem parar. Em alguns minutos, a morena apareceu com o leite e fez menção de pega-la no colo.

─ Fica tranquila meu amor, volta pra cama! ─ a ruiva sorriu pegando a mamadeira.

─ Tudo bem! ─ Belle a beijou na bochecha e voltou para o seu lado na cama. Ela estava morrendo de sono, cansada, com o corpo doendo, mas não conseguiu pregar os olhos ao ver a cena de sua namorada “amamentando” a menina e ninando ela com tamanho cuidado e afeto. Seu peito estufava de tão cheio que estava ao presenciar algo tão bonito. Sentia que em algum momento seu coração podia escapar pela sua boca. Ela pensou que não podia ficar melhor, mas então ela ouviu a ruiva sussurrar uma pequena canção.

[PLAY/Acalanto – Adriana Calcanhoto]

É tão tarde

A manhã já vem

Todos dormem

A noite também

Só eu velo

Por você, meu bem

Dorme anjo

O boi pega Neném

Lá no céu

Deixam de cantar

Os anjinhos

Foram se deitar

Mamãezinha

Precisa descansar

Dorme, anjo

Mamãe vai lhe ninar

"Boi, boi, boi,

Boi da cara preta

Pega essa menina

Que tem medo de careta"

Sentiu uma lagrima escorrer em seus olhos. Como a vida podia se mostrar tão bela em gestos tão singelos? Em canções tão pequenas? Ela não sabia. Percebeu que a ruiva não havia usado a palavra “papai” que havia na letra, mencionando então duas mães e isso foi o suficiente para que ela soubesse que aquela rotina podia sim ser uma realidade.

Nova York – NYPD – Domingo – 9:30am

Todos estavam na delegacia como havia sido marcado. Cada família conversava com um assistente social para saber como fazer o acompanhamento e onde procurar em suas respectivas cidades os locais necessários para esses trabalhos. Foi explicado que cada jovem e criança iria precisar de acompanhamento psicológico, psiquiátrico, pediátrico e nutricionista. Exames seriam precisos e muito outros processos que apesar de parecerem complicados de inicio não eram, eram simples e muito necessários para que cada um ali pudesse superar o que foi passado e que não apenas as crianças, mas os pais soubessem lidar com as crises que poderiam surgir, com os medos, inseguranças e ate mesmo as próprias preocupações maternas, dificuldades de relacionamento entre pai e filho. Tudo isso seria trabalhado.

Os pais de Eric fizeram o reconhecimento do corpo e já tinham a liberação para leva-lo de volta a Seattle onde fariam o velório e o sepultamento do garoto. Eles estavam em choque, não tinham conseguido dormir depois de ver o corpo frio e sem vida de seu garoto que um dia fora tão alegre e cheio de energia. O corpo de Glinda foi reconhecido por sua família e também liberado. Porem o corpo de Ingrid permanecia no laboratório do medico legista e ela não possuía ninguém que a buscasse e velasse por ela.

A chefe do serviço social estava resolvendo o problema das crianças órfãs. Eve, Grace e Mulan deveriam ser encaminhadas para algum abrigo e colocadas na lista de adoção. Eve sendo um bebe seria adotada rapidamente, mas Mulan e Grace talvez não teriam a mesma sorte. Foi quando antes dela assinar os papeis para levar as meninas, a mãe de Violet se pronunciou para a mulher.

─ Moça ─ ela chegou calmamente na mulher de meia idade que vestia uma roupa social e um coque muito bem feito ─ como se chama?

─ Sou a Sra. Gesualdi, no que posso ajuda-la? ─ ela perguntou educadamente.

─ Prazer, sou a mãe da Violet e eu gostaria de saber como faço para ficar com a menina Mulan ─ a mulher assustou-se e arqueou a sobrancelha.

─ Você quer adotar a menina? ─ ela perguntou.

─ Sim, eu gostaria de adota-la ─ ela afirmou o que antes dissera ─ ela é muito apegada a minha filha, passou por muita coisa e não acho justo e nem necessário que ela passe pela dificuldade e ilusão do sistema de adoção, então sim, como faço? ─ a mulher ainda estava atônita.

─ Bom, a senhora terá que preencher um cadastro e como a situação e delicada e diferente, iremos conduzir tudo de forma direta e o mais rápido para que ela esteja com você ─ ela afirmou ─ não é do nosso querer aumentar o numero de crianças no sistema e uma atitude como essa é muito mais que bem vinda!

─ Muito obrigada! Eu farei o que pedir e assinarei o que precisar! ─ a mulher olhou para Violet e Mulan que estavam distraídas. Sabia que estava fazendo a coisa certa pela primeira vez e agora teria duas meninas consigo, duas companhias e Violet teria uma pessoa para chamar de irmã.

A situação ainda ficava complicada com relação a Grace. Emma ficara sabendo que Mulan não iria mais para o sistema e que agora ela seria conduzida pelo sistema de adoção para então se mudar com Violet. No entanto, ela sabia que pedir aos pais que ficassem com a pequena e logo depois revelar que estava gravida e que namorava a melhor amiga seria como uma chuva de informações que poderiam ser mal processadas. Tudo o que Grace menos precisava era de uma família passando por conturbações como ela iria passar com a dela.

Respirando fundo e tomando o ultimo folego de coragem que havia em seu peito, ela chamou Zelena e Belle. As detetives pediram licença e foram com Emma ate uma das salas. Depois de quase meia hora de conversa, as três saíram da sala. Mary e David apenas observaram e não perguntaram qual era o teor da conversa da filha com as policiais. Talvez Emma tivesse algo a confessar que só era do interesse delas e não da família. Os pais de Eric estavam se despedindo e agradeciam a cada um por terem sido a companhia do seu filho durante todo o sufoco que ele havia passado.

─ Sinto muito! ─ a mãe de Ariel cumprimentou os pais e eles assentiram.

─ Meus pêsames, que Deus os conforte! ─ a mãe de Henry abraçou a mãe de Eric e cumprimentou o pai.

─ Pai! ─ Regina sussurrou ─ isso não esta certo, eles não podem passar por isso sozinhos e creio que todos nós queremos nos despedir do nosso amigo adequadamente ─ ela olhou para Henry e ele então suspirou e pensou. Cochichou algo no ouvido de Cora e ela arregalou os olhos. Ela respondeu de volta e então foi ate Mary e David e eles assentiram.

─ Sr. e Sra. Humphrey ─ Henry chamou a atenção dos pais de Eric ─ vocês não irão sozinhos para Seattle ─ ambos arquearam a sobrancelha.

─ O que quer dizer? ─ a Sra. Humphrey perguntou.

─ Todos nós iremos com vocês e não deixaremos que passem por isso sozinhos, principalmente em dia de Natal ─ disse Cora.

─ Todos nós iriamos querer nossos filhos nesse dia e infelizmente vocês tiveram uma perda, uma perda que não é só sua é de todos nós, então iremos e ficaremos no funeral! ─ Mary falou e segurou as mãos da senhora que chorava ao ouvir palavras tão acolhedoras.

─ Muito obrigada! Eu agradeço de todo o meu coração! ─ ela falou entre soluços.

─ Nós iremos também ─ Zelena falou e Belle assentiu ao seu lado ─ me sinto responsável pelo o que houve ao garoto e sei que prometi traze-lo com vida... ─ ela suspirou.

─ Você fez o seu melhor e hoje nosso filho não sofre mais! ─ o Sr. Humphrey segurou nas mãos da ruiva.

─ Bom, detetives eu tenho que voltar para o trabalho ─ a Sra. Gesualdi se manifestou em meio a todo aquele mar de emoções e demonstrações de afeto ─ tenho que pegar a assinatura de vocês para levar Eve e Grace comigo! ─ ela falou e a pequena Grace agarrou-se em Emma segurando sua boneca. Eve estava no colo de Jennifer adormecida depois de ter tomado mais uma mamadeira.

─ Não será necessário ─ Belle falou ─ nós vamos adota-las! ─ a mulher arregalou os olhos surpresa mais uma vez.

─ Como assim? Vocês duas? ─ ela apontou para ela e Zelena ─ vocês são um casal?

─ Somos e sim, queremos adotar Grace e Eve! ─ os detetives que não sabiam do tal relacionamento ficaram estupefatos e muito mais surpresos ainda pela atitude repentina das duas em adicionar mais dois membros a “família”.

─ Desculpa perguntar, mas tenho que fazer isso, vocês são casadas? ─ a mulher as encarou ─ não quero dificultar nada, na realidade casais homossexuais geralmente estão tendo muito mais acesso a adoções hoje em dia, mas pra que fique mais seguro tanto para Grace quanto para Eve é preciso que haja uma família solida e que o juiz possa ver que vocês estão dispostas mesmo a cuidarem delas juntas! ─ Belle olhou para Zelena. Elas não eram casadas.

─ Bom, não somos casadas, mas não quer dizer que não seja serio... ─ a morena se pronunciou.

─ Zelena você ta esperando o que? ─ perguntou August.

─ Já chegou ate aqui, agora vai ne? ─ disse Jennifer. Zelena olhou para o irmão. Henry foi ate ela e sorriu.

─ Seja feliz minha pequena, faça o que seu coração mandar! ─ a ruiva sorriu ─ você tem a minha benção! ─ ela sentiu os olhos marejarem. Ela então virou-se para Belle e segurou suas mãos.

─ Belle French, você aceita ser minha melhor amiga, minha companheira de trabalho, minha parceira, aceita uma pessoa que não possui o passado mais simples do mundo e nem o mais bonito, uma pessoa cheia de falhas, medos, inseguranças, mas que esta disposta e enfrentar cada dia ao seu lado, que esta disposta a te fazer sorrir por motivos simples a cada minuto do dia, a te fazer suspirar, a te abraçar nos momentos difíceis e compartilhar as dores porque por você eu escalaria todas as montanhas, nadaria todos os oceanos, tentaria voltar as horas no relógio só pra passar mais tempo ao seu lado, ou pra rever um sorriso seu, você aceita ser minha esposa e mãe de duas garotas lindas? ─ suas lagrimas escorriam e Belle sorria sentindo seu rosto molhado.

─ Eu seria louca de rejeitar estar ao lado da pessoa que faz meu coração errar uma batida cada vez que olha pra mim, de rejeitar alguém que mesmo errando assume que errou e corre atrás para consertar, eu seria completamente insana em dizer não para a mulher mais incrível que eu já conheci e que vai ser mãe das minhas duas filhas, das nossas filhas! Eu aceito, eu diria sim em todas as vezes que você pedisse! ─ Zelena a beijou e as pessoas aplaudiram. A assistente social se conteve e suspirou.

─ Bom, regularizem o mais rápido que puderem, pelo menos no civil pra eu poder ter algo concreto e enfim, parabéns pelas filhas, quando voltarem a gente conversa e termina de resolver os tramites da adoção, deixarei que vocês passem por esse momento difícil na privacidade que precisam ─ ela então se despediu e saiu da delegacia.

─ Zelena, o que a gente vai fazer? ─ Belle colocou a mão na testa.

─ Mães! Nós vamos ser mães! ─ ela falou sorrindo.

Seattle – Lake View Cemetery – Segunda – 10:00am

Henry Mills e David Nolan se dividiram para pagar todas as despesas de todos os pais ate o estado de Washington. Pagariam passagem de ida e volta e tudo o que precisassem. Eles pegaram o voo das três e meia da tarde e chegaram as seis horas da noite. Os pais de Eric haviam pegado o voo mais cedo, pois precisavam arrumar tudo para o funeral e contatar toda a família e amigos para que pudessem comparecer.

O funeral começou às sete da noite e foi ate as nove da manha do dia seguinte. Todos os adolescentes permaneceram no local e não deixaram o amigo por nada. Mesmo cansados, com sono e tristes, eles queria estar próximos ao amigo que havia lhes deixado tao cedo. Eric estava vestindo uma roupa social, seu rosto sem expressão e duro os encarava apenas os lembrando de que houve uma realidade horrível que eles vivenciaram e que ela não deixaria de existir.

Eric seria para sempre uma vitima da dor e da agonia do trafico e exploração infantil. Sua alma e seu espirito estavam livres, como a de muitas crianças e adolescentes que passaram pelo mesmo e não conseguiram sair ilesos voltando para casa com algum folego de vida. O amigo seria para sempre a lembrança de que a guerra contra tudo isso não acabava ali, não terminava com cada um voltando para suas respectivas cidades e vivendo suas vidas. Eles tinham que mostrar o porque sobreviveram, porque estavam ali e deviam isso a ele. Ao amigo que não desistiu de alguém que havia sido responsável pelo seu sofrimento.

O caixão então foi fechado e carregado por David, Henry, o pai de Ariel, os dois irmãos do Sr. Humphrey e o irmão da Sra. Humphrey. Os familiares, amigos da família e amigos da escola e do bairro, juntamente com os adolescentes e suas famílias seguiam o caminho ate o local onde seria feito o sepultamento. Ao chegarem, os agentes funerários tomaram conta do caixão. Um padre fez uma oração e então Emma e Regina, que já haviam avisado sobre a homenagem que fariam ao garoto, se posicionaram. Regina foi ao teclado que a funerária dispôs a ela e Emma foi ao seu lado no microfone. Os adolescentes haviam escrito uma musica juntos na madrugada que ficaram no funeral.

[PLAY/Saturn – Sleeping at Last Cover Emily George]

You taught me the courage of stars before you left

Você me ensinou a coragem das estrelas antes de partir

How light carries on endlessly, even after death

Como a luz continua interminavelmente, mesmo após a morte

With shortness of breath, you explained the infinite

Com dificuldade em respirar, você explicou o infinito

How rare and beautiful it is to even exist

Quão raro e belo é até mesmo existir

I couldn't help but ask

Eu não pude deixar de perguntar

For you to say it all again

Para que você dissesse tudo de novo

I tried to write it down

Tentei escrevê-lo

But I could never find a pen

Mas eu nunca puderia encontrar uma caneta

I'd give anything to hear

Eu daria qualquer coisa para ouvir

You say it one more time

Você dizer mais uma vez

That the universe was made

Que o universo foi feito

Just to be seen by my eyes

Só para ser visto pelos meus olhos

O caixão descia lentamente e os soluços eram ouvidos em meio a canção. Tanto Emma quanto Regina possuíam lagrimas em seus rostos ao verem o corpo do seu amigo ser deixado no fundo de uma cova.

I couldn't help but ask

Eu não pude deixar de perguntar

For you to say it all again

Para que você dissesse tudo de novo

I tried to write it down

Tentei escrevê-lo

But I could never find a pen

Mas eu nunca puderia encontrar uma caneta

I'd give anything to hear

Eu daria qualquer coisa para ouvir

You say it one more time

Você dizer mais uma vez

That the universe was made

Que o universo foi feito

Just to be seen by my eyes

Só para ser visto pelos meus olhos

O caixão chegou ao fundo e flores foram jogadas em cima. Eles então começaram a ver a terra cobrindo a caixa de madeira que continha o corpo do seu amigo, mas que não continha o seu espirito, pois esse estava livre e os acompanharia para sempre.

With shortness of breath, I'll explain the infinite

Com dificuldade em respirar, eu vou explicar o infinito

How rare and beautiful it truly is that we exist

Quão raro e belo é realmente existirmos


Notas Finais


É ISSO AEEEEEEEEEE, TRISTE, MAS NOS DESPEDIMOS DE ERIC <3
O QUE ACHARAM DAS SURPRESAS?????
COMENTEEEEM
ATE A PROXIMA ATT <3


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