História Inocente. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Visualizações 27
Palavras 807
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi gente. Tudo bem?

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Único.

    Para ele sempre era fácil. Ele era bonito, simpático, tocava na banda da Igreja e tirava notas boas. Ajudava em casa, não procurava nenhuma confusão na escola. Era um bom filho, um bom irmão, um bom neto. Mas não um bom primo. Para não expormos sua identidade vamos chamá-lo de... Hugo. Sim, Hugo está ótimo. Hugo era praticamente perfeito, o filho do meio de três garotos. Ah, abençoada era aquela família, com três garotos incríveis para chamar de seu. O mais velho e o mais novo realmente faziam jus à sua reputação, nunca haviam dito nada que me incomodasse ou que me constrangesse de alguma forma. Mas Hugo... Por fora ele realmente era belo, educado e muito gentil. Mas quando todos saíam, quando ele via uma oportunidade se abrir à sua frente... Sua máscara de menino de ouro caía, revelando um moleque sem noção e sem respeito.

Não me lembro de quantos anos eu tinha. Não me lembro em que ano aconteceu, só me lembrava de que ele adorava fazer coisas, hum, ilícitas comigo. Nunca chegou aos "finalmentes", graças à Deus. Eu realmente não saberia o que fazer se tivesse. Na época eu não entendia direito, só sabia que era algo errado e que ele não deveria fazer. Mas eu era tão pequena... tão inocente. Não fazia ideia de que aquilo era tão grave. E o pior de tudo, eu nunca fazia nada para impedir. Estava curiosa e assustada demais para dizer. Minha cabeça de criança, cheia de princesas e príncipes encantados em contos de fadas, arco-íris e cor-de-rosa, meio que romantizava, errônea e ridiculamente, aquilo. Ficava imaginando, se quando eu crescesse ele gostaria de ter comigo o que os adultos tinham. 

Nossos lábios nunca se tocaram, mas suas mãos já haviam me apertado mais vezes do que eu podia contar. Eu lia em seus olhos, algo perverso e sádico. Porém, só fui entender o que eles realmente significavam anos mais tarde. Só compreendi o que eu havia sofrido anos depois. A notícia foi um choque. Eu havia sido molestada por uma pessoa que todos julgavam ser boa, pura e incapaz de fazer esse tipo de agressão à alguém. Fui, literalmente, atacada pelo lobo em pele de cordeiro. 

Hugo era tão legal na frente dos outros, tão... doce. Quando finalmente entendi o que acontecera anos atrás, fiquei o observando nas reuniões de família. Ele se lembrava de tudo o que fizera? Ele se envergonhava? Ele se quer cogitava me pedir desculpas algum dia? Eu não sabia nenhuma das respostas, pois ele continuava com seu belo sorriso no rosto, relaxado e despreocupado. Rindo com todos os outros, envolvido numa aura boa e familiar. Ele não parecia afetado, como se nunca tivesse feito nada. 

Mas isso não era mais importante para mim. Claro, me senti horrível quando soube. Me senti estranhamente vazia, como se eu fosse preenchida de ar e vergonha. Como se tivesse sido eu quem havia cometido erros. Como se tivesse sido eu que havia cometido crimes.

De qualquer forma, assim como descobri a verdade, eu também descobri o perdão. Não, ele não veio e acho que nunca virá pedir desculpas. Mas algo dentro de mim me disse que eu não deveria puxar esse assunto agora. Que eu não deveria dizer ao mundo tudo o que Hugo havia feito. E agora, nesse momento enquanto escrevo, estou libertando minha alma. Não vou imaginar como seria se a mãe dele, uma mulher tão maravilhosa, descobrisse. Não vou imaginar se meu pai, a quem ele e seus irmãos tanto adoram, descobrisse. E também não vou imaginar se meu irmão, um dos melhores amigos dele, descobrisse. Vou me libertar disso, esquecer e seguir em frente. Como eu disse, ele não veio me procurar para falar do assunto, mas eu também não vou cobrar. 

A única culpa que vou carregar comigo, é de não ter dito quando tive a chance. De não ter perguntado, inocentemente quando era apenas uma menininha que adorava Clube das Winx, à minha mãe se aquilo era normal. 

Coisas acontecem, é inevitável. A vida vai te pregar muitas peças, mesmo que você nem perceba. Seus olhos vão se encher de lágrimas quando você não souber o que está acontecendo, acredite, já aconteceu comigo. E quando você tiver percebido a verdade que estava bem embaixo do seu nariz, pode ser tarde. Não tarde para superar e tentar ser feliz. Mas tarde para fazer algo que puna aquilo. Entretanto, nunca vai ser tarde para recomeçar. Para dizer que ali não é o fim e que você tem um livro à terminar. Não é o fim para perdoar, mesmo que não tenha sido pedido, e muito menos para desistir. 

Assim como eu já disse, o acontecimento é inevitável, mas a superação nunca é.

A vida vai te apedrejar, mas você sempre vai achar a luza na escuridão que te curará.


Notas Finais


Acho que nunca escrevi nada tão intenso. Obrigado por ler até aqui, comente o que achou. Vou adorar respondê-lo e o farei com muito amor. Obrigado novamente, beijos. <3

Minhas outras histórias:
Dark Blue: https://spiritfanfics.com/historia/dark-blue-8186935

The Rosethorn: https://spiritfanfics.com/historia/the-rosethorn-8688464


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...