História Inquebrável - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Tags Baekyeol, Chansoo, Exo, Kaisoo, Lemon, Mpreg, Yaoi
Exibições 359
Palavras 4.736
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Quem é vivo sempre aparece, não é, não? DIAHDIHADUIAH
Espero que vocês gostem desse capítulo. Escrevi com muito carinho. Tá até melado de tanta açúcar e ahdaiuhdahd
Desculpem se tiver algum errinho. Não foi betado.

Capítulo 6 - Revelações


Eu sempre achei a expressão "o chão se afundou aos meus pés" um tanto quanto exagerada. Mas, naqueles ínfimos meses, eu estava sentindo na pele o que era perder o chão; ruminei por alguns instantes, tentando engolir tudo que estava sendo exposto. Em hipótese alguma Chanyeol poderia descobrir que o filho era dele. Contudo, eu não poderia aceitar uma coisa monstruosa como aquela e ficar a mercê de uma pessoa completamente sem escrúpulos como Yifan. 

Senti meus lábios tremelicarem naquele instante e um bolo formou-se em minha garganta.  

– Eu não vim aqui com o intuito de te deixar mal, Kyungsoo. Vim porque pensei que me entenderia. Você pode imaginar como seria viver sem seu filho? – Indagou, ainda de costas para mim.  

– Você nunca se importou com a paternidade. Por que agora? – Me esforcei ao máximo para que minha voz saísse firme, mas eu estava tomado por tantos sentimentos e anseios que ela saiu em um fio, embargada. – Você realmente tem que fazer isso? Não pode apenas reconhecê-lo como seu filho e partilhar a guarda com o Byun?  

– Não é tão fácil assim. Minha vida toda está na China. Minha família, meu emprego, meu esposo. – Arregalei os olhos ao ouvi-lo declarando que casou-se. – Eu não queria ter que fazer isso com você, mas eu não tenho escolha. Vou admitir, eu realmente não me importava com a paternidade, mas, então, eu conheci Minseok. Ele é a criança mais adorável e linda que eu já conheci. Ele é apaixonante. Eu vou me esforçar para ser o melhor pai do mundo, e para lhe dar uma criação de primeira e um futuro brilhante, do qual você sabe que Baekhyun não será capaz de dar. Vamos combinar, ele mal consegue cuidar de si mesmo... 

– Cala a porra da boca! – Esbravejei,  batendo a mão na mesa com uma força que não condizia com a minha estatura, fazendo com que a palma desta latejasse. – Você não tem o direito de falar isso! Não estava lá quando ele ficou internado quando quase perdeu o bebê, com anemia, em depressão por ter sido abandonado pelo filho da puta do namorado. Ele não comia, só sabia chorar. Perguntava por você todos os dias, seu desgraçado! Você não estava lá quando ele foi expulso de casa pelos pais, ou quando ele descobriu que sua gravidez era de risco. Ele teve que escolher entre sua vida e a vida do feto que carregava no ventre, e por sorte, ambos ficaram bem. Você nunca esteve lá para nada, Yifan! – Aumentei a voz, sentindo minha cabeça latejar. – Você só é um desgraçado que lhe fez juras de amor e deu no pé ao descobrir que ele estava grávido. Não venha falar da criação de Minseok. Tanto eu como Baekhyun, sempre fizemos o nosso melhor para cuidar e educá-lo! – Suspirei fundo ao terminar de falar, jogando meu corpo contra a cadeira giratória.  

– Você não está em posição de gritar comigo, Kyungsoo. Você sabe o que eu tenho em mãos. Eu vou te dar um mês para decidir de qual lado ficará. – Deu as costas novamente, indo até a porta. – Ah, e se Jongin ficar sabendo disso, Chanyeol receberá em seu escritório um exame de DNA onde comprova que ele é o pai dessa criança que você está carregando. – Foi a última coisa que disse antes de fechar a porta em um baque silencioso.  

Arrastei a mão ainda dolorida pelo impacto com a madeira, até meus lábios, que ainda tremiam, tentando controlar a vontade de chorar compulsivamente, mas não adiantou de nada.  Não via um palmo à minha frente enquanto as lágrimas grossas borravam minha visão, sendo acompanhadas por soluços altos, que logo preencheram minha sala. Poucos minutos depois, Jongdae apareceu na porta, esbugalhando os olhos ao deparar-se com o meu estado deplorável. Ele aproximou-se em passos rápidos e agachou na minha frente, entrelaçando seus dedos aos meus, como sempre fazia quando eu estava nervoso antes de uma reunião.  

– Kyungsoo-ah, está passando mal? Por que está chorando assim? Hm? – Ele levou o polegar pequeno até a maçã do meu rosto, a enxugando com zelo. – É algo com o bebê? Quer que eu chame um médico? Quer que eu chame o Jongin? – Questionou com uma calma que não condizia com os meus pensamentos.  

– N-não é nada com o bebê... – Inspirei fundo tentando me acalmar. – É só essa situação toda, Jongdae-ah, eu não sei o que fazer... – Um sorriso aliviado iluminou seu rosto preocupado, fazendo-o se levantar e acariciar meu rosto com delicadeza. Jongdae sempre foi uma pessoa que eu pude contar e confiar em todos os momentos, ele sabia todos os meus segredos, meus medos, sabia quando algo estava me incomodando. Era um ótimo observador. Sua natureza protetora e cuidadosa fazia com que ele se preocupasse com todos à sua volta. Eu admirava o modo que ele sorria sincero, mesmo quando estava no meio de um problema. 

– Isso tem algo a ver com aquele cara alto que entrou aqui, não foi? – Aquiesci, enxugando o rosto com alguns lenços de papel que se encontravam ao lado esquerdo da mesa. – Eu não sei exatamente o que aconteceu, e você não precisa me contar agora. Se for uma decisão difícil de ser tomada, pense bem: Você irá se machucar com essa decisão? – Me encarou. 

– Provavelmente. 

– Irá machucar outras pessoas? 

– Não importa qual decisão eu tome, ambas machucarão alguém. 

– Hm... Então você terá que decidir qual pessoa machucar, Soo. As vezes precisamos ser egoísta e pensarmos mais em nós do que nas pessoas ao nosso redor. Quem te ama não te deixará por isso. Você não vê o senhor Kim? – Começou, encostando na minha mesa enquanto eu o olhava curioso. – Eu não deveria estar falando isso, ele provavelmente me matará depois, mas... Quando você decidiu casar-se com Chanyeol, essa decisão o machucou. Quando ele recebeu o convite de casamento, ele sorriu e te desejou felicidades, e ele foi sincero. Ele te amava demais e queria que você fosse feliz. Naquele mesmo dia, ele te disse que faria hora extra, e por um acaso, eu estava fazendo... Só eu vi como ele chorou enquanto relia o convite de casamento. Acho que ninguém nunca havia o ferido tanto. – Sua expressão ruiu por alguns segundos, o tornando pensativo. – Bem, mesmo com um coração estraçalhado e machucado, ele continuou ao seu lado, te amando e cuidando de si. É isso que acontece quando alguém te ama. Essa pessoa não te abandona. Então, não fique com medo. Se essa pessoa te deixar, isso significa que o laço de amor que existia entre vocês era fino demais ou estava desgastado. Sabe aquela história do fio do destino? – Assenti. – Ela não é serve somente para almas gêmeas, serve também, para prender as pessoas que te amam ligadas a você por uma eternidade.  

– Você fala palavras tão bonitas, Jongdae-ah. – Sorri pequeno. – Deveria ser psicólogo. É um ótimo conselheiro. – Soltei um riso baixo, tentando fazer aquele ar pesado se esvair. – Obrigado. Era exatamente isso que eu precisava ouvir. – Levantei da cadeira e o abracei, afundando minha cabeça em seu peito. Ele levou a mão até meus fios negros e fez um carinho singelo ali, ficando em silêncio por alguns segundos.  

– Bom, acho melhor eu voltar para a minha sala. Se o Sr. Kim entrar aqui e me ver assim com você, ele me castra. – Ele soltou uma risada alta e gostosa, típica de sua personalidade espalhafatosa. – Por que não vai até a sala dele fazer uma visitinha, hm? Acho que lhe fará bem... Bom, preciso voltar ao meu trabalho. – Ele me soltou e fez reverência, seguindo até sua sala.  

Fui até o banheiro do meu escritório e dei uma rápida olhada no espelho, notando que meu rosto ainda estava um pouco vermelho e os olhos inchados, mas nada que entregasse de cara que eu havia chorado. Poderia inventar uma desculpa qualquer depois. Ajeitei meus fios negros com os dedos e sai dali, abrindo a porta do meu escritório e seguindo pelo corredor amplo para pegar o elevador. Jongin trabalhava no andar de cima, ao lado do escritório de Chanyeol. Depois de tudo isso, eles tinham se afastado bastante, não se ignoravam, mas Chanyeol havia tornado-se monossilábico com Jongin, mas, por incrível que pareça, estava aceitando aquele término muito bem. Talvez pela raiva por pensar que eu o traí com o irmão, ou talvez... Ele estivesse com Baekhyun ainda. Eu não sabia se Baekhyun ainda morava naquela casa e não procurei saber. Aquilo ainda me incomodava, de certa forma.  

Cumprimentei algumas pessoas que passavam rapidamente pelo corredor, com vários papéis nas mãos, falando ao telefone em um idioma que eu não fazia ideia do qual era. O elevador estava vazio quando eu entrei, apertei o botão para ir para o quarto andar e esperei que ele subisse, batendo o pé no chão de metal enquanto esperava. Assim que cheguei em frente ao escritório de Jongin, girei a maçaneta lentamente enquanto abria a porta. Ele estava concentrado com uma caneta em mãos, o óculos desleixado sobre a ponta do nariz e os fios castanhos meticulosamente penteados de lado. Ele fica extremamente sexy quando estava sério. Estava tão concentrado, provavelmente assinando alguns contratos, que mal notou quando eu encostei a porta e andei em sua direção. Mas antes que eu pudesse deixar um beijo em sua bochecha, ele virou o rosto e selou meus lábios, sorrindo.  

– Como? – Indaguei, o encarando. 

– Eu ouvi o barulho da porta, e existem apenas três pessoas nessa empresa que entram no meu escritório sem bater. Uma delas é o Jongdae hyung, que já deixou todos os contratos para eu assinar ainda pela manhã, e outra, é o Chanyeol, e bem... Não há motivos para ele vir me procurar, já que tratamos tudo através do Jongdae. E a última e mais importante, você. – Ele me puxou pela cintura, me fazendo sentar em seu colo enquanto sorria. Passei os braços em seu pescoço e me aproximei de seu rosto, roçando nossos lábios em um carinho gostoso. – Estava com tantas saudades assim? 

– Sim. Eu precisava sentir o seu cheiro. – Disse afundando o rosto em seu pescoço, aspirando o aroma adocicado que vinha dali. Desde que descobriu que eu estava grávido, Jongin havia parado de usar perfumes fortes, alegando que aquilo poderia me deixar enjoado, e eu gostava daqueles perfumes doces que ele usava, me fazia ficar com vontade de morder cada pedacinho de sua epiderme. 

Senti um arrepio cruzar meu corpo quando ele deixou um beijo tímido em meu pescoço, apertando meu corpo contra o dele em um abraço meio desengonçado. Jongin conseguia me acalmar apenas com seu cheiro, fazendo meu corpo relaxar e amolecer com seus carinhos. Ficamos ali, abraçadinhos por longos minutos, dentro de uma bolha que nada seria capaz de estourar.  Ele levou as duas mãos até meu rosto e olhou nos meus olhos, me fazendo desviar o olhar por alguns segundos. Eu realmente odiava o modo que ele conseguia decifrar meu olhar. 

– Você sempre fica manhoso assim depois de chorar. Aconteceu alguma coisa? Por que a pontinha do seu nariz está vermelha? – Arqueou a sobrancelha, me encarando com uma expressão séria no rosto. 

– Não, Jongin-ah, não aconteceu nada. Eu apenas me emocionei com umas coisas bonitas que o Dae falou. Coisa boba. – Sorri, selando seus lábios. Ele não parecia ter acreditado muito naquilo, mas também não me interrogou. – Podemos sair para almoçar? Estou morrendo de fome.  

– Claro, meu amor. – Sorriu bonito. – Eu apenas preciso terminar de assinar alguns contratos para entregar para o Jongdae. Faltam apenas dois. Você pode esperar? – Balancei a cabeça positivamente, saindo do seu colo e sentando a sua frente, pegando o meu celular para jogar Neko.  

... 

Os paralelepípedos de Myeongdong estavam um tanto quanto escorregadios pela chuva que caíra pela manhã. Por esse motivo, Jongin segurava fortemente minha mão, com medo que eu escorregasse ou algo do tipo. Eu gostava daquele lugar, por ser uma área comercial, haviam muitos restaurantes bons. Já fazia alguns dias que eu estava querendo comer macarrão frio e Myeongdong Hamheung Myeonok era o melhor dali nesse quesito. Entramos no local e sentamos uma mesa, esfregando as mãos numa tentativa de esquentá-las. Como havia chovido, a temperatura também havia caído. Jongin puxou minhas mãos para cima de mesa e sobrepôs as suas, esquentando-as imediatamente. 

– Você realmente não quer me contar o que está te incomodando?  

– Não tem nada me incomodando, Jongin, eu já falei. – Ele suspirou baixinho e me fitou.  

– Eu sei que tem, hyung. Você não costuma falar desse jeito, é uma pessoa quieta. Só fala bastante quando está querendo fugir de alguma coisa que está te incomodando. Eu não estou chateado por não querer me falar, só quero saber se posso te ajudar com isso. – Abaixei a cabeça, olhando para o meu colo por alguns segundos e neguei com a cabeça, sentindo vontade de chorar novamente. Percebendo que eu não levantei a cabeça, ele entrelaçou seus dedos aos meus. – Hyung? Olha para mim... – Neguei. – Kyungsoo... O que está acontecendo? – Perguntou em um tom mais sério, saindo do banco de frente e sentando ao meu lado.  

Jongin segurou suavemente meu queixo com a mão esquerda e me fez olhar para ele. Desviei o olhar novamente, não querendo demonstrar fraqueza. 

– Por que você está chorando, amor? – Perguntou baixinho, enquanto selava meu rosto. – Por favor, não chora. Aconteceu alguma coisa? – Neguei. – Fala comigo, Kyungsoo. 

– E-eu não posso... – Sussurrei. – É uma coisa que eu realmente preciso resolver sozinho... Eu preciso falar com Baekhyun.  – O moreno não voltou a me pressionar, apenas selou meus lábios e disse que me levaria até a faculdade onde Baehyun estava estudando, para que pudéssemos conversar. Eu não sentia raiva dele, mas sim, uma mágoa, mas naquela situação, precisamos nos unir. Pelo bem do Minseok. 

Depois de comermos, Jongin me deixou na tal faculdade e voltou para o trabalho, após eu falar que pegaria um táxi para voltar para a empresa. Meio relutante, eu comecei a procurar por Baekhyun. Já havia estado ali algumas vezes, então, não seria tão difícil encontrá-lo. Ele trabalhava como estagiário em um laboratório de microbiologia dali. Bati algumas vezes na porta branca de madeira, mordendo o lábio inferior em puro nervosismo. Logo ela foi aberta, revelando Baekhyun com máscara descartável e jaleco. Ele arregalou os olhos ao me ver, adotando uma expressão confusa. 

– Kyungsoo? – Perguntou descrente, abaixando a máscara. – O que faz aqui? 

– Eu.. Hm.. Podemos conversar? – Ele aquiesceu e saiu do laboratório.  

– Vamos até a cantina. Será melhor para conversarmos. – Ele avisou um outro estagiário que estava ali que precisava dar uma saída rápida e fomos em silêncio até a cantina. Não tinha muitas pessoas ali por já ter passado da hora do almoço. Nos sentamos em uma mesa no lado esquerdo, com Baekhyun de frente para mim. Ele me encarava curioso, e ao mesmo tempo, com medo. – Bom, para você estar vindo me procurar, alguma coisa deve ter acontecido...  

– Eu vim falar sobre Minseok... – Disse baixo. – Eu não sei se deveria estar contando o que aconteceu, Baekkie, mas eu  sinto que preciso fazer isso. – Ele deixou um sorriso adornar seus lábios. 

– Estava com saudades de te ouvir me chamando assim... – Revelou, apoiando o queixo na palma da mão. – O que aconteceu? 

– Wu Yifan esteve no meu escritório pela manhã... – Ele fechou a cara por alguns minutos e ficou pensativo. 

– O que aquele crápula queria com você? Ele te fez alguma coisa? Vindo dele, nunca é coisa boa. 

– Ele sabe sobre o meu filho. – Disse baixo, envergonhando por ter que admitir que ele estava certo. – Sabe que o bebê não é do Jongin. – Me surpreendi quando Baekhyun começou a chorar, ele chorava tanto que, pelo que eu conhecia dele, só poderia significar que ele estava em pânico ou arrependido por uma decisão. E acho que aquele choro era uma mistura de ambas coisas. 

– Me perdoa, Kyungsoo... Se eu soubesse que você estava grávido do Chanyeol, eu jamais cogitaria a ideia de me envolver com ele. Eu juro. Jamais quis destruir o casamento de vocês.. Eu amo tanto você, é como um irmão para mim... Eu fui fraco, sei que não mereço seu perdão, mas não vou cansar de implorar por ele. 

– Eu já te perdoei. – Declarei, vendo-o me olhar com espanto. – Já faz um tempo que eu te perdoei, Baekhyun... Perdoei Chanyeol também. Mas isso não significa que eu vá voltar com ele ou que vá voltar a confiar em um de vocês. Eu apenas não quero mais guardar remorso pelo que aconteceu... Por mais que tenha me machucado muito, isso me fez enxergar os sentimentos de Jongin... – Sorri lembrando do modo carinhoso como o mais novo cuidava de mim. – Ele é uma pessoa maravilhosa, que cuida de mim como ninguém nunca cuidou. – Baekhyun ficou quieto pro alguns minutos e sorriu, enxugando as lágrimas com a manga do jaleco. 

– Você sorri falando nele, Kyungsoo... Você está apaixonado. 

– Hm... – Comprimi o lábio inferior. – Talvez... Eu acho que estou realmente gostando dele... Mas o foco não é esse... Bom, como você mesmo disse, Yifan é um crápula. Ele me procurou e tentou me jogar contra você... Pediu ajuda para conseguir a guarda do Minseok... Ele me ameaçou... Disse que se eu não o ajudasse, ele contaria tudo para Chanyeol. 

– Eu não acredito que ele foi tão baixo assim... – Abriu os lábios, surpreso. – Kyungsoo, me responde uma coisa, você realmente planeja esconder isso do Chanyeol para sempre?  

– Não... Eu só não sei se é a hora certa para contar. Tenho medo do que possa acontecer, do que meu pai possa fazer. Não quero ser obrigado a me casar com ele.

– Kyungsoo, você tem ao eu lado uma pessoa que não deixaria nada acontecer com você. Três pessoas, na verdade. Sei que Chanyeol ainda zela por você, e não deixaria nem seu pai nem ninguém fazer mal para você e esse bebezinho. Sem falar que você tem o Jongin ao seu lado, ele seria capaz de tudo para ver você bem, e você também tem a mim. – Ele segurou minha mão por cima da mesa. Fiquei olhando para os dedos longos e finos por alguns segundos, pensando se deveria ceder aos carinhos ou não. – Sei que não confia em mim, eu também não confiaria se estivesse no seu lugar, mas, eu não vou te decepcionar dessa vez, Soo. – Balancei a cabeça antes de acariciar a mão delicada com o polegar.  

– Eu vou ser sincero, Baekhyun. Não será fácil voltar a confiar em você, pode levar um tempo, ou talvez nunca aconteça, mas... Eu sinto sua falta. 

– Eu também. – Ele abaixou a cabeça, brincando com os meus dedos. – O que você fará quanto ao Yifan? – Indagou me encarando. 

– Sinceramente, não faço ideia. Não vou ceder a proposta indecente que ele fez, tampouco vou deixá-lo me intimidar novamente. Eu preciso pensar em alguma coisa. Não vou deixá-lo tirar o Miseok da gente. 

... 

Estava sentado no sofá enquanto assistia uma série qualquer, mal prestando atenção no que estava acontecendo. Fazia cerca de duas horas que eu havia chegado em casa. Ao invés de voltar para a empresa, acabei avisando Jongin que vinha para casa. Não estava com saco para ficar enfurnado naquele escritório. Talvez eu devesse entrar de férias; havia feito um lanche depois que saí do banho, e aquilo deixou-me preguiçoso. Coloquei um colchonete no chão da sala e por ali fiquei, esperando Jongin chegar. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele me interrogaria sobre o que eu havia ido tratar com Baekhyun. E eu queria, ao menos, tempo para cuidar daquilo sem envolver outras pessoas.  

Porque eu sabia que se chegasse no ouvido do meu pai que o filho realmente era do Chanyeol, tanto meu pai quanto o Sr. Park fariam de tudo para nos casar. Sei que eu posso me opor contra isso, mas meu pai não hesitaria em afetar as pessoas próximas a mim para me afetar. Tinha medo por Jongin, por Jongdae. Por tantas pessoas. Era uma decisão difícil a ser tomada, mas, eu tinha de fazê-la. 

Poucos minutos depois eu ouvi o barulho da fechadura digital, e logo Jongin passou pela porta, tremendo pelo frio. Seus cabelos estavam úmidos pelo sereno que decorava as ruas de Seul, assim como suas roupas. Eu não precisei mandá-lo ir se esquentar, já que, apenas ao olhar duramente para ele, este entendeu o recado. Ele passou por mim e abaixou-se, deixando um beijo gelado em minha testa antes de correr para o banheiro. Não demorou muito a voltar, trajando um conjunto de moletom preto que ficava um pouco grande demais no seu corpo.  

Kim Jongin era uma pessoa que tinha vários lados. Dentro daqueles ternos e com os cabelos meticulosamente penteados, poderíamos ver seu lado sério, até sexy. Mas, naquele momento, ajeitando os óculos redondos no rosto enquanto a manga comprida cobria suas mãos, eu via seu lado fofo, adorável. Um lado que me fazia suspirar e querer fitá-lo por muito tempo. Ele aproximou-se vagarosamente e se enfiou de baixo do cobertor que me cobria, se aconchegando em mim.  

– Hyung... – Chamou manhoso.  

– Hm? – Abaixei o rosto minimamente para encará-lo. 

– Eu quero me casar com você. – Arregalei os olhos, o fitando boquiaberto. Ele afundou a cabeça no meu peito e soltou um riso baixo. – Eu sempre tive vontade de falar isso. 

– Yah, idiota! Você quer me matar do coração?! – O xinguei, dando um tapa em seu braço. – Não brinca com isso. 

– Mas eu não estava brincando. – Dessa vez ele me olhou sério, fazendo meu coração acelerar. – Eu realmente quero me casar com você um dia. Ter filhos com você. Construir uma família. – Não pude deixar de sorrir com aquela cena. Jongin todo manhoso nos meus braços dizendo que tinha planos para nós. 

– Eu também. – Ele me encarou sorrindo, como se estivesse encantado com a minha resposta. – Sabe, Jongin, essa traição me machucou bastante, mas, acho que há males que vêm para o bem. Se nada disso estivesse acontecido, eu não estaria aqui com você hoje. Sentindo o meu coração acelerar a cada beijo que você me dá. Eu ainda não consigo dizer que te amo, mas eu gosto de você. De verdade. – Contornei seus lábios com a ponta do dedo, antes de colar meus semelhantes. Jongin moveu seu corpo para cima do meu, me fazendo ficar arrepiado ao sentir a ponta molhada de sua língua deslizar por meu lábio inferior, fazendo o beijo se intensificar. Findou  o beijo deixando uma mordida em minha boca, me fazendo ofegar. 

– Esse "eu gosto de você" foi a declaração mais linda que eu já recebi.

– Ah, então o senhor recebe muitas declarações, Kim Jongin? – Perguntei entre risos, passando a mão em suas costas. 

– Mais do que você imagina. – Proferiu em uma clara provocação. – Eu já disse que não quero que se force para dizer que me ama, quero que diga se realmente sentir vontade. Como sentiu vontade de dizer que gosta de mim. Eu estou me sentindo tão feliz que sinto que posso explodir a qualquer instante. Parece que estou sonhando. 

– Hm, é mesmo? – Indaguei risonho. – Então, a partir de hoje, você vai viver em um sonho, porque vou dizer que gosto de você todos os dias. – O puxei pela nuca para alcançar sua boca, me deliciando com seus lábios fartos com gosto de hortelã; Jongin era fanático por aquelas balinhas verdes de hortelã. Eu gostava também, então, aquilo deixava o beijo ainda mais convidativo.  

Minha pele quente estremeceu ao sentir os dedos gelados de Jongin entrarem em contato com ela. Em toques suaves, como se estivesse moldando uma argila, suas mãos viajaram pelas minhas curvas, me fazendo arfar dentro de sua boca quando ele apertava-me. Eu amava o modo como ele conseguia ser intenso e delicado simultaneamente. Seus lábios molhados e quentes começaram a macular meu ponto fraco, deixando marcas em meu pescoço que fizeram com que sons eróticos deixassem minha garganta.  

Aquela noite terminou com Jongin entre minhas pernas, investindo fundo em meu interior enquanto eu deixava arranhões em suas costas, nas mesma proporção que pedia por mais. Dormi naquele colchonete, com o corpo enroscado ao de Jongin, e este me levou para a cama no meio da noite. 

Duas semanas depois. 

Eu sempre odiei tomar decisões. Contudo, eu odiava deixar as coisas no ar para serem resolvidas conforme o tempo passava. Sabia muito bem que adiar aquilo não mudaria nada, no final, eu teria que fazer, de qualquer jeito. Era por esse motivo que eu estava inquieto vendo Jongin cozinhar. Era domingo, e mesmo eu afirmando que estava bem depois de um enjoo matinal, ele insistiu em fazer o almoço, e me proibiu de levantar daquele banco. 

– Amor? – Virei a cabeça para olhar para Jongin, que tinha uma expressão estranha no rosto. 

– Hm? Desculpe, acabei me distraindo. 

– Quer me falar alguma coisa? – Como esperado. Jongin me conhecia melhor do que eu mesmo. Suspirei fundo antes de tomar coragem para falar: 

– Eu vou contar ao Chanyeol. – Ele ficou me fitando em silêncio por um tempinho e sorriu.  

– Pensei que nunca faria isso. – Ele enxugou as mãos em um pano de prato que estava pendurado ali e contornou a bancada, segurando minha mão. – Eu acho que está tomando a decisão certa. Quero que saiba que eu vou te apoiar nisso. Tudo bem? – Aquiesci. 

– Obrigado. – Beijei seu rosto. 

– Só me diz uma coisa, hyung... Essa decisão tem alguma coisa a ver com a visita do Yifan? – Arregalei os olhos o encarando.  

– Como você... 

– Eu tinha perdido um documento naquele dia, e fui ver as câmera de segurança. E por um acaso, vi Wu Yifan andando até sua sala. Não queria invadir sua privacidade ou coisa parecida, foi por isso que perguntei se poderia ajudar. Assim que você começou a chorar, eu soube que aquele merdinha tinha dito algo para você. Eu me controlei para não socá-lo.  

– Eu vou te contar, mas você terá que me prometer que não irá procurá-lo. 

– Não sei se posso te prometer isso. Eu já estou com vontade de socar a cara dele. 

– Jongin, por favor. – Ele suspirou pesado, assentindo. – Ele me pediu ajuda para conseguir a guarda de Minseok. E quando eu neguei a ajudá-lo, ele me ameaçou. Disse que contaria ao Chanyeol que o filho é dele. – Jongin soltou minha mão e começou a andar de um lado para o outro, enquanto passava a mão pelo rosto, visivelmente irritado. Eu não soube o que fazer quando ele socou a parede. Nunca havia visto Jongin com tanta raiva daquele jeito. – J-Jongin? 

– Eu só não vou atrás desse filho da puta porque prometi a você. Caso contrário, eu já estaria encomendando o caixão dele. – Me aproximei dele e o abracei por trás, selando seu pescoço na tentativa de acalmá-lo.  

– Me desculpa. Eu deveria ter te falando, mas eu fiquei  com medo...  

– Não estou bravo com você, meu amor. – Ele se virou para mim. – Queria que contasse para Chanyeol, mas não que fosse fosse forçado dessa maneira. Você está se sentindo bem quanto a isso? Quer que eu vá com você? 

– Está tudo bem. Acho que preciso fazer isso sozinho.  

Jongin entendeu meu lado. Gostava da forma como ele era compreensivo. Ele acabou machucando as mãos por ter socado a parede, nos fazendo ir até o hospital mais próximo, para que pudesse tratá-las. Fiquei o mimando naquele dia, o enchendo de beijos e dizendo o quanto ele era importante para mim e o quanto gostava dele. No final, ele dormiu entre meus braços, um pouco mais calmo diante a situação.  

...

Encarei meu pés por alguns segundos antes de girar a maçaneta da sala de Chanyeol, o encontrando atrás da mesa enquanto se distraia com alguma coisa no celular. Assim que notou minha presença, ele levantou, deixando o celular bloqueado sobre a mesa e veio até mim. 

– Kyung?  

– Podemos conversar? 

– Claro, entra. – Encostei a porta atrás de mim e me sentei na cadeira que estava disposta em frente sua mesa, mordendo o lábio inferior, tomando coragem para contar tudo. – Algum problema com a empresa ou seus pais? – Neguei. – Então, o que é? 

– Antes de tudo, eu gostaria de me desculpar. – Ele arregalou os olhos. – Eu menti para você, Chanyeol. Existem várias circunstâncias que me levaram a isso, e uma delas, foi a raiva que estava sentindo de você.

– Sobre o que está falando, Kyungsoo? – Questionou sério, cruzando as mãos enquanto apoiava os cotovelos na mesa. O encarei por um tempinho, temeroso. Não sabia qual seria a reação do Park.

– Esse bebê, Chanyeol... Eu menti sobre ele. Não é do Jongin, na verdade, eu nunca te traí. Esse bebê é seu. 


Notas Finais


Eu precisava parar nessa parte e adhiahdhdiuhdiuha ai, gente, desculpa.
Vocês acham que o Kyungsoo tomou a decisão certa? Ou foi muito precipitado isso tudo? HADHIAHAIU AH, GENTE, EU AMO ESSE JONGDAE, ELE É TÃO FOFINHO E UUUUUUUUUURGH! E SE PREPAREM PORQUE VAI TER SUCHEN SIM.
Já estava na hora dele voltar a falar com Byun, não acha? Mesmo ainda não confiando nele.
Ah, e essa fanfic terá uma side ChanBaek, contando como tudo aconteceu, na visão do Byun. Chamará Infiel e já está sendo escrita :3
Espero que tenham gostado e se tiver erros, sorry ;-;
amo vocês <3


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