História Inside - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 6
Palavras 2.503
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá, esta é minha segunda história original, espero que gostem.

Capítulo 1 - Chapter 1- Mistery


Fanfic / Fanfiction Inside - Capítulo 1 - Chapter 1- Mistery

Chapter 1《Mistery》

Encarei a janela pela milésima vez, meu olhar vagava pelas árvores da floresta Magnus, mesmo com o vidro fumê do carro fechado, pude sentir o aroma da floresta, aquilo me fez ter paz por um momento, que durou pouco. Faltava menos de uma hora para chegarmos ao Hospício Santa Marta, em Virgínia. Meus pais continuavam quietos nos bancos da frente, eu por minha vez não ouvia nada, meus fones tiravam qualquer alternativa de audição naquele momento, apenas me ajeitei novamente no estofado e debrucei meu cotovelo na janela, repousando minha cabeça.

Meus pais tomaram essa decisão junto de minha psicóloga, que afirmou que isso seria bom para minhas crises depressivas, ajudar os outros. Isso me ocuparia e ajudaria em meu tratamento. Sendo assim, eles trancaram minha matrícula na escola de meu bairro e me inscreveram em um curso online, já que eu teria acesso à internet. Eu não gostei muito da ideia, entre viver em uma casa cheia de conflitos e ficar em um local de loucos, bom, não teria muita diferença.

Consegui avistar ainda de longe a grande construção antiga, os mármores descascados, com musgos em sua volta, um local nada acolhedor para ser sincero. Quando já estávamos na estrada do jardim, pude ver a freira que nos esperava bem na frente do instituto.
Algumas pessoas passeavam pelo enorme campo aberto ao redor da mansão, tão grande, que nem pude enxergar sua total extensão. Algumas usavam camisolas, outras ,camisas de força em cadeiras de rodas, mas sempre acompanhadas por alguém. O carro parou em frente ao local e tivemos que descer.
  

-Bem vindos, sou Margareth. Uma das coordenadoras dessa instituição, por favor, me acompanhem. E evitem contato visual com alguns pacientes.

Aquilo me deu um frio na espinha, mas não tinha outra escolha, olhei para minha mãe, que me deu um olhar recíproco preocupado, ela era a única que me entendia e que era contra a eu ficar ali, mas nada passava por cima das decisões de meu pai. Ela acabou concordando que era melhor para mim ficar longe de aborrecimentos.

Caminhamos por um longo corredor até chegarmos ao saguão principal, se é que aquilo pode ser chamado de saguão, as paredes descascavam, o chão era de madeira quase podre e a única mobília era um balcão, dois sofás com uma mesa de centro sobre um tapete e um abajur. O local dava vários ecos e o ambiente hospitalar não me deixava nada a vontade.
  - Por aqui.- Ela nos guiou até o segundo andar e pediu que eu esperasse do lado de fora, enquanto conversava com meus pais. Me sentei em um banco próximo a porta, enquanto mexia no meu celular despreocupadamente.

“Socorro...”
Ouvi um breve sussurro vindo de uma das portas do corredor, para ser mais específico, da última porta, forcei minha visão e pude ver a numeração 1125. Tentei ignorar, pensando que era alguma alucinação proveniente de meu nervosismo. Porém, um som estranho começou a ser reproduzido, como se alguém estivesse arranhando a porta. Novamente os sussurros surgiram.

“Socorro...tem alguém aí?”

Eu sei que não devia, mas era mais forte que eu. Me levantei cautelosamente, como se estivesse prestes  a cometer um crime. E talvez estivesse, afinal, Margareth advertiu para que não interagíssemos com nenhum dos pacientes. Me aproximei da porta com passos vagarosos, tentando não emitir som.  Involuntariamente prendi minha respiração, aproximando meus dedos da porta.

Olá
Aquilo me fez dar um pulo de susto, fiquei quieto.
“Consigo ver a sombra de seus pés, e por seu cheiro vejo que não é daqui. Quem é você?”

Pensei em correr e ignorar aquela pessoa que falava do outro lado, mas algo prendeu minha atenção e eu simplesmente não tive como sair de lá.

  - Adam.- Disse por fim. Minhas mãos suavam e eu não sabia o que falar ou o que fazer.- Quem...você é?

Eu não sei.”
Eu ia retrucar, porém ouvi a porta do escritório ser destrancada e me afastei da porta 1125.

Até, Adam.”

Meus pais saíram da sala, minha mãe passava a mão freneticamente debaixo dos olhos, tentando esconder as lágrimas que havia derrubado, mas seus olhos vermelhos a denunciavam. Meu pai continuava cético como sempre, o olhar firme e decidido. Passou a mão em meus cabelos e disse um: comporte-se. Descendo as escadas logo em seguida. Minha mãe veio até mim, me abraçando, como se quisesse checar se eu estava bem, ou apto a sobreviver aqui.

  - Quero que fique com isso.- Retirou um colar com um pingente da bolsa.- Guarde isso consigo. Eu te amo. Sei que seu pai tem sido...duro, mas isso é culpa do trabalho. Em breve tudo estará melhor e voltaremos a ser uma família como antes.- Segurou meu rosto entre as mãos e beijou minha testa.- Se cuide, te amo.

  - Eu também.- Ela bagunçou meu cabelo e olhou para a freira pela última vez, descendo as escadas.
Quando havia a perdido de vista me virei para a mulher a minha frente, ela checou o relógio de pulso e olhou para minha mala.

  - Venha, vou levá-lo a seu quarto.- Se virou, andando pelo corredor, esperando que eu a seguisse, assim fiz sem questionar. Meu dormitório ficava no terceiro andar, um local onde só os cuidadores tinham acesso. Digamos que era um tipo de passagem exclusiva, algo que dividia os loucos dos sãos.
Percebi que haviam muitas pessoas de minha idade naquele lugar, algumas mais velhas, outras mais novas. Iam de um lado para o outro, pegando chaves, ajeitando os uniformes, ou simplesmente deitados em suas camas. Margareth parou em frente a uma porta com a numeração 310. Abriu a porta e entrou.
O quarto era mediano, com uma beliche, uma escrivaninha, um armário que ocupava quase toda a parede e um abajur em uma cômoda. O chão era de madeira, mas diferente da recepção, essa estava polida. A parede tinha uma coloração azulada, e algumas manchas de mofo perto do teto.

  - Você ficará nesse quarto. O jantar será às 18:00, sua tabela de horários está na gaveta, e seu colega de quarto o explicará mais sobre como as coisas funcionam por aqui.- Olhou novamente o relógio.- Bom, agora tenho coisas a fazer. Richard o explicará melhor.- Saiu do quarto, batendo a porta atrás de si.

  - Richard?

Olhei em volta, a cama de cima estava com algumas roupas jogadas e uma das portas do armário estava aberta. Coloquei minha mala do lado da minha cama e me sentei. Peguei minha caixa de remédios e tomei um antidepressivo. Chequei o celular, estava sem rede, ótimo. Para minha sorte, sempre levo alguns livros comigo, para casos como esse.
Já estava lendo há uns 20 minutos, aquilo já estava ficando tedioso, pensei em tirar um cochilo, o tempo estava começando a ficar nublado. O barulho de porta sendo aberta prendeu minha atenção, um garoto de aproximadamente 18 anos estava parado segurando a maçaneta. Tinha cabelos loiros e olhos azuis, usava o uniforme que todos usavam e uma máscara cirúrgica, estava sujo com algum líquido vermelho.

  - Você deve ser Adam. Sou Richard, seu colega de quarto.- Abaixou a máscara, expondo um sorriso largo e acolhedor.- Foi mal pelo atraso. O Sr. Matthews costuma ficar muito energético com os remédios, e isso acaba acontecendo. Ah, relaxa, é só sopa de beterraba.
Caminhou até o armário e sem se importar com minha presença começou a retirar a roupa, vestiu uma calça jeans, e uma camisa cinza.
 

 - Vamos?- Concordei.

Ele me mostrou todo o andar dos cuidadores, me apresentou a seus amigos, ele parecia ser bem popular, pois parecia conhecer a todos. Era uma pessoa bem carismática e animada, me pergunto se me sairei tão bem quanto, afinal, eu era o oposto.

Descemos as escadas para o segundo andar e novamente passei por aquela porta. Os arranhões pararam e o sussurro cessou. Richard caminhava tranquilamente à minha frente, com as mãos nos bolsos. Olhei para trás novamente e acabei topando com ele, que havia parado.

  - Algum problema? Parece que algo o incomoda.

 - O que há no quarto 1125? -Ele deu de ombros e voltou a andar.

 - Ninguém sabe, a pessoa que entrou nesse quarto nunca foi vista. Apenas sussurros e arranhões são emitidos a noite. Estranho, não? Parece um tipo de monstro noturno. Além disso, sempre nos pedem para evitar contato, mas ninguém tenta. Pelo menos depois do incidente de 2013.

  - Incidente de 2013?

 - No dia 3 de janeiro de 2013, um dos inspetores veteranos ficou encarregado de alimentar a pessoa que está lá dentro. Ele entrou na hora do almoço, e depois não saiu. Até acharem seu corpo já apodrecido e com marcas de enforcamento, arranhões e até mesmo mordidas. O caso foi dado como assassinato, mas ninguém sabe o que exatamente aconteceu com ele e com o assassino.

  - Qual era o quadro do assassino?

  - Não se sabe ao certo, mas parecia ser uma esquizofrenia crônica.
Sem esperarmos, berros foram ouvidos do quarto 1125, a porta foi praticamente socada, chutes e arranhões ecoavam pelo corredor. Eu e Richard nos entreolhamos e saímos correndo dali. Quando finalmente chegamos à biblioteca, pude respirar profundamente.

  - Você acha que...
 

- Nos ouviu?- Ele estava ofegante e passou uma mão na testa, limpando as gotículas de suor.- Impossível, aquele quarto possui isolamento sonoro. Feito exatamente para esquizofrênicos.

  - Espera, está me dizendo que nenhum som, mesmo que bem perto da porta, pode-se ouvir de dentro?

  - Exatamente. Vem, vou te mostrar meu lugar preferido daqui.

Um calafrio percorreu todo meu corpo, como isso seria possível? Como eu conversara com aquela coisa? Para minha sorte momentânea a biblioteca era um lugar incrivelmente aconchegante, compara aos outros cômodos.
Era uma enorme sala com estantes em suas paredes, o chão era forrado com tapetes e algumas mesinhas e puffs decoravam o lugar. Richard se dirigiu à estante A, pegando o segundo livro da terceira prateleira. Se virou para mim, mostrando um curioso de capa vermelha e com o título “ Contos dos irmãos Grimm”.

  - Meu preferido. Gosta de ler?

  - Mais ou menos. Prefiro escrever em meu laptop.

 - Entendo, mas sabe, uma boa leitura é a base de tudo. Vou te emprestar até sexta, quero este livro lido de ponta à ponta.- Me mostrei relutante, mas Richard insistiu de uma forma que não tive mais como recusar, minhas possibilidades estavam esgotadas.

  - Vou me esforçar.- Disse por fim, conseguindo um sorriso de Rick.

 - Ótimo. Vamos, tenho que te mostrar o resto do lugar até o jantar.




Agora estava caminhando por um dos longos corredores desse lugar, era incrível como a iluminação fluorescente à noite deixava tudo mais sombrio e aterrorizante. A única coisa que me tranquilizava era ver a movimentação de pessoas para um mesmo ponto, a escadaria que dava ao primeiro andar. Já eram 18hrs e o sino havia nos avisado isso. O fato de haver um sino já era o suficiente para ver o quão antiga era essa construção.


Quando cheguei ao primeiro andar,senti um peso sobre meu ombro e um braço circundar meu pescoço, depositando peso sobre o mesmo. Me virei rapidamente dando de cara com Richard.


- Com fome?- Perguntou, enquanto se afastava.


- Nem tanto, meus medicamentos tiram meu apetite.- Dei de ombros e ele riu.


- Sorte sua, a comida daqui é horrível. A única variedade é espinafre com algum cereal, ou uma gororoba que, sinceramente, nunca vou querer saber o que é.- Ele colocou a mão no bolso e sorriu.- Mas, você deu sorte, prodígio. Hoje como é sexta-feira, teremos sopa de legumes no jantar.


- Nossa, que maravilha…- Revirei os olhos e o ouvi gargalhar.


Chegamos ao refeitório e pude notar o quão ocupado era esse lugar. Deviam haver mais de 20 mesas espalhadas por ali, mesas grandes e compridas, com bancos maiores ainda. O cheiro de cebola que vinha da cozinha me deu certo enjoo e tontura, acabei por apoiar-me na parede.

- Hey, você tá bem?- Ele perguntou.


- Sim, sim...é só um enjoo por conta do cheiro forte…- Me sentei em uma mesa.


- Certo, fique aí descansando que vou pegar algo ‘comestível’.- Se virou indo em direção às bandejas para então entrar na fila que se formava. Richard era uma pessoa divertida, era até engraçado que conseguia me tirar algumas risadas, era bom tê-lo por perto. Mas eu não ficaria aqui para sempre, era somente o tempo de meus pais se separarem e eu ir morar com minha mãe. Então tudo ficaria bem, repeti esse mantra três vez mentalmente.


Antes que eu saísse de meu transe, uma pessoa se sentou em minha frente de modo brusco. Levantei meu olhar para encarar a garota à minha frente.


- Nunca te vi por aqui, é novo?- Ótimo, mais pessoas extrovertidas, pensei. Ela parecia ser um pouco mais velha que eu, tinha longos cabelos castanhos encaracolados até as costas, sua pele era escura e os olhos também escuros. Vestia uma blusa preta sob o blusão quadriculado vermelho de botões.- Ei, o gato comeu sua língua?- Disse sorrindo e apoiando os braços cruzados sobre a mesa.


- Ahn, sim, quer dizer, sim sou novo.- Ela riu e continuou a me olhar.- Me chamo Adam.


- Prazer, Nichole.- Ela se virou e olhou para Richard.- Vocês já se conhecem há muito tempo? Parecem ser bem próximos.


- Na verdade não, cheguei hoje. Ele é meu companheiro de quarto.- Ela fez um ‘Ah’, logo depois rindo de modo contido.


- Desculpa por chegar assim, é que sou melhor amiga dele e como os vi juntos hoje, sendo que ele nunca te mencionou para mim achei estranho. Desculpa, você deve me achar uma estranha.


- Não, eu…- Busquei alguma palavra em minha mente.- Só estava distraído.


Um silêncio um tanto que constrangedor se formou em volta de nós, o som do refeitório nunca foi tão incômodo como agora. Ela se apoiou na mesa e se aproximou de mim lentamente.


- Já ficou sabendo do quarto…1125?- Saiu quase que em um sussurro. Mas antes que eu pudesse dizer algo, uma bandeja foi depositada com um certo baque ao meu lado. Fazendo com que eu e Nichole tomássemos um susto.


- Vejo que já se conheceram.- Richard disse se sentando ao meu lado.


- Sim,- Disse Nichole cruzando as mãos sob o queixo e apoiando os cotovelos na mesa.- Conversamos bastante.- Deu-me uma piscadela.


- Sobre?- Perguntou, tomando um pouco da sopa.


- Você, nós...e também, sobre “o” quarto.- Fez aspas com as mãos.


Ouvi Richard engasgar ao meu lado e me virei, encarando-o, que permanecia com um semblante sério, olhando Nichole.


- Podemos conversar um instante?- Fez sinal para o corredor e a garota assentiu, se despedindo de mim e saindo do refeitório.- Já voltamos, me espere aqui, ok?


- Tudo bem.- Ele sorriu e deu um tapa em meu ombro, logo depois seguindo a morena.


Eles estavam agindo estranho, com certeza estavam me escondendo algo sobre o tal quarto, mas o que?


Tentei abandonar esses pensamentos, tomando uma colherada da sopa. Eu iria descobrir o que, mas não agora, seria péssimo me meter em problemas nesse estágio.











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