História Insight - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Tags Alycia Debnam-carey, Clexa, Eliza Taylor, Elycia
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Palavras 4.325
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Heeeeey, elyciazinhas/clexinhas. Tudo na paz? Quero dizer: QUE PASSAMOS DOS 100 FAVS, PORRA! Cês são fodassss. Muito obrigada mesmo! Agora sobre minhas justificativas: era pra ter postado antes, mas minha mãe adoeceu e ficou internada a semana toda, ou seja, fiquei com ela no hospital e tudo que eu conseguia escrever era pelas notas do celular na sala de espera de um hospital cheio de gente vomitando. Foi horrível, real. E justamente por isso não consegui responder os comentários, mas vou.

Mas o que importa é que estamos aqui, com uma esporádica atualização fora de hora. A música desse capítulo é o mais novo hino: Bad Things - MGK feat Camila Cabello.

Sobre esse capítulo tem algo MUITO IMPORTANTE: terão muitas lembranças de Alycia então cada flash está divido por " *** ". Só isso mesmo!

Boa leitura!

Capítulo 17 - Bad Things


Alycia.

 

Minha cabeça doía como o inferno. As têmporas latejavam e os músculos rangiam a cada tentativa cretina em me levantar da cama. Não fazia ideia de quanto tempo dormira, mas a julgar pelo sol que não invadia mais as persianas, apostaria ter sido pelo restante da manhã e toda à tarde.

Minha memória parecia um grande e imbecil vácuo, tudo o que eu podia me lembrar era de minha própria imagem recostada nos azulejos enquanto a água fria assolava-me a epiderme. As lembranças seguintes eram de meu corpo, ainda nu, caindo sobre a cama. Presumi que o sono atingira-me em cheio, já que tudo depois do toque macio do leito era um grande borrão.

Aliás, tudo era um grande borrão.

Am I out of my head?

Am I out of my mind?

If you only knew the bad things I like

Don't think that I can explain it

What can I say, it's complicated

Num suspiro sôfrego arrastei-me para fora da cama. Primeiro as pernas, depois os braços e por fim o tronco. Céus, se não tivesse ali viva para contar a história, poderia jurar ter sido atropelada por um caminhão tamanha a rigidez e ardência muscular que me assolava as juntas. A região acertada por Eliza latejava e os queimados na mão passaram a também incomodar. A cabeça já era algo que eu preferia não focar minha atenção, doía tanto que parar para descrever a sensação fazia apenas com que o inchaço em meu cérebro dobrasse.

Eu estava me proibindo de beber.

Pelo espaço de tempo de: para sempre.

Os passos arrastados e estupidamente dolorosos carregaram meu corpo despido até o banheiro. E um bolor agarrou-se a minha garganta assim que coloquei os olhos sobre a imagem refletida pelo espelho.

Eu estava patética.

Olhos fundos, cabelos desgrenhados e amassados certamente por ter adormecido com estes molhados, os lábios secos, bolsas negras de uma olheira tão marcante que nem toda maquiagem poderia disfarçar. O álcool literalmente fodera comigo.

Eu estava péssima.

A perturbação física talvez pudesse me afetar de alguma maneira se eu não tivesse focado meus olhos em algo muito maior.

Marcas.

E eu estava cheia delas.

No matter what you say

Don't matter what you do

I only wanna do bad things to you

So good, that you can't explain it

What can I say, it's complicated

Aglomerados num crescente tom uva se espalhavam por toda a extensão de minha clavícula, maxilar e pescoço. E céus, o ombro. A carne estava dolorida e delineada por uma geometria semiregular que, minhas noções matemáticas, me diriam ser próxima ao oval. As ondulações e imperfeições ainda assim simétricas só poderiam remeter a uma causa.

Dentes.

E tão forte quanto às dores musculares, minha cabeça rodou.

Nothing's that bad, if it feels good

So you come back, like i knew you would

And we're both wild, and the night's young

And your mind drunk, bring you in 'til my face numb

Drop it down like that bass drum, I got what you dream of

A vertigem apagou-me por alguns instantes e se minhas mãos não se esparramassem firmemente sobre a pedra da pia, a essa altura eu certamente estaria no chão.

Novamente.

E então as memórias me engoliram.

Nails scratch on my back attack

I suppose when you scream out

And you kick me in with those hips

While my teeth sink into those lips

While your body's giving me like

And you're suffocating my kiss

Then you say

- Olhe só pra você Eliza, não negue para mim. - Eu ouvia-me dizer e céus, eu sequer sabia de onde vinha toda aquela autoconfiança. Nem na fala e nem em minhas próprias mãos que invadiam sem freios o tecido fino e molhado da blusa de Eliza. E quando meus dedos tocaram sua carne quente e esta tremeluziu sobre eles, eu me enchi do necessário para avançar. - Não negue pra você. 

O olhar de Eliza queimava sobre o meu. As íris antes turquesas agora se revestiam de uma cobertura tão negra quanto noites escuras. A excitação berrava por seus olhos, tronco e mãos, ainda que os lábios não proferissem uma palavra. Mas em seu silêncio, eu sabia. Ela queria.

Tanto quanto eu.

E então eu avancei.

Minhas mãos, mesmo que anestesiadas pelo álcool, adquiriam ainda uma agilidade anormal em retirar e lançar as peças de Eliza para um canto qualquer do cômodo. Talvez algum amante da fisiologia pudesse explicar minha súbita coordenação, algo como adrenalina ou esses trilhões de hormônios e enzimas. Eu só me limitava a agradecer pelo o que é que fosse e torcer para que permanecesse até o final daquilo.

E céus, como eu queria alcançá-lo.

I want you forever

Even when we're not together

Scars on my body so I can take you wherever

I want you forever

Even when we're not together

Scars on my body so I can look at you whenever

Quando a última peça molhada finalmente atingiu o chão, grudei meus olhos em Eliza. Mais precisamente em seus seios. E puta merda, eu não tinha palavras para descrevê-los. Fartos, rígidos e desgraçadamente apetitosos. Exatamente como eu me lembrava, exatamente da forma como invadia meus sonhos. E a sacana nostalgia remeteu-me a necessidade de tê-los novamente sobre os lábios, cobertos de minha língua e saliva.

Então eu os engoli.

O gosto e cheiro emanado da epiderme de Eliza não poderiam nem em mil anos ser explicados. A cada minuciosidade oferecida, meus dentes avançavam. Os mamilos ouriçados se ofertavam em meus lábios que correspondiam em total adoração. Eu inebriava-me de Eliza e das memórias do primeiro encontro de nossos corpos.

De toda aquela noite.

Am I out of my head?

Am I out of my mind?

If you only knew the bad things I like

Don't think that I can explain it

What can I say, it's complicated

- Dessa vez você vai beber, Alycia. – Marie ralhou enquanto dirigia até a casa de Eliza, sua colega de curso. Os olhos imoralmente azuis encaravam o painel e mesmo sem olhá-los, poderia vislumbrar seu brilho em determinação. Seria impossível discutir com a garota, Marie sempre fora do tipo que convencia qualquer um a fazer exatamente o que ela queria. Seja moral ou fisicamente. A filha da puta era signatária da mais crua coação. E eu? Bom, eu estava cansada demais para tentar convencê-la do contrário.

- Ok. – Limitei-me a responder enquanto descansava a cabeça sobre o estofado. As luzes passavam como borrões amarelos e vermelhos sobre o vidro fumê e apenas aquilo já me deixava suficientemente zonza. Era uma sexta-feira de dezembro e eu só queria dormir.

- Ok? Só ok? – Senti os olhos curiosos da morena sobre mim quando o carro foi obrigado a reter-se no sinaleiro que fechara, mas eu sequer dei-me ao trabalho de olhá-la. Há pouco fechara meus olhos e pretendia assim permanecer. – Sem nenhuma discussão ou xingamento de como sou uma vadia manipuladora?

- Você é uma vadia manipuladora. – Concordei mesmo sabendo que no fundo ela tinha toda a razão. Havia chegado de uma missão há dois dias e tudo o que eu fizera até então fora discutir com Marcus sobre “n” motivos. Para Marie eu estava em algum congresso jurídico e as brigas com meu noivo eram absurdas demais aos seus olhos. Claro que eram, minha amiga o odiava. E eu não podia julgá-la por isso. O fato é que se não tivesse sido eficientemente empurrada para fora de casa por Marie, eu estaria agora mesmo afundada no sofá maratonando alguma série sangrenta. Então eu, por fim, aceitei mesmo sem dar a ela o gosto da razão. Eu merecia e precisava de umas boas doses. – E estou cansada demais para entrar numa discussão que vou perder.

- Gosto dessa sua versão complacente. – Sobrepujou convencida, enquanto avançava com o veículo mais algumas quadras. Apenas revirei os olhos e voltei a fechá-los por poucos segundos já que a voz da morena voltou a me chamar a atenção. – Eliza vai botar pra foder nessa festa e acredite em mim: ela dá as melhores! – Marie sorriu enquanto os dedos tamborilavam o volante em animação.

Eliza.

A garota cursava arquitetura com Marie e nossos encontros limitavam-se em esbarrões pelos corredores da faculdade ou festas em que eu fazia a função de guarda-costas da morena, como minha amiga e vizinha gostava de nomear. A loira tinha perfeitas ondas douradas que caíam na altura dos seios fartos. Não que eu reparasse, de qualquer maneira, em seu busto. Mas acredite, se tratando de Eliza é impossível não notar.

Sério.

Em contrapartida ao corpo quase imoral estavam seus olhos. Eliza tinha um belo par turquesa que beirava o angelical e entoava uma harmonia perfeita com os lábios rosados e finos. Bochechas coradas, sorriso aberto e maxilar delineado. A garota era desgraçadamente desenhada. E mesmo nos breves encontros e, consequentemente, no pouco diálogo eu podia de relance, vez ou outra, ver seus olhos sobre mim. O que sempre fazia meu íntimo remexer de alguma maneira, enviando ondas de calor sobre minhas bochechas além da pujante necessidade em fugir de sua presença opressora. Eliza sempre fora o tipo que chamava a atenção por onde passava, mesmo com o fenótipo comum para a região, havia algo na mulher que fazia com que todos a olhassem. Ela tinha a faculdade aos seus pés.

E eu compreendia.

No matter what you say

Don't matter what you do

I only wanna do bad things to you

So good, that you can't explain it

Quando Marie finalmente estacionou, ela estava lá. Escorada sobre a amurada da varanda, impecavelmente bonita em seu preto e curto vestido. Tão bonita que me remexi desconfortável pela peça simples e branca que eu usava.  Por mais que Marie insistisse que eu estava maravilhosa, eu me sentia uma idiota com roupas curtas demais. Eliza direcionava-nos um sorriso animado, ainda que balançasse impacientemente a garrafa de whisky praticamente vazia entre os dedos.

- Vão ficar aí pra sempre?! – Gritou quando um sorriso mole lhe esculpiu a face. Ela estava bêbada. Com certeza, bêbada.

- Diga isso a Alycia. – Marie rebateu roubando-me a atenção necessária para notar que ela já estava de pé em minha frente, esperando impaciente que eu finalmente descesse do carro. Ótimo, mal chegara à festa e já havia prestado papel de idiota. Minha vontade de simplesmente fechar o vidro e ficar ali a noite toda.  Mas claro que Marie não permitiria.

Resolvi não responder, até porque eu não poderia simplesmente falar que tinha me distraído reparando Eliza. Marie tinha a imbecil mania de dizer que meus constantes extravios da presença da loira eram algum tipo de tesão reprimido ou uma atração desenfreada, como ela mesmo teatralmente nomeava, que eu não conseguia simplesmente controlar senão a evitando. De alguma maneira, a morena não confiava tanto assim em minha orientação, tampouco em meu relacionamento. Então contar o motivo de minha distração era entregar nas mãos de minha amiga meu próprio inferno até o restante dos próximos dez anos.

Estava fora de qualquer cogitação.

I can't explain it, I love the pain

And I love the way

That your breath reminds me of novacaine and weed

Always high, keep it strange

Okay yeah I'm insane, but you the same

O som da porta batendo atrás de mim lembrou-me de que era à hora de sorrir e acompanhar os passos de Marie até a casa. E consequentemente até Eliza. Rezei para que meu salto não afundasse sobre a grama ou que eu simplesmente não passasse por mais qualquer tipo de vergonha. O olhar da loira novamente queimava sobre mim e eu poderia jurar que aquilo me desequilibraria.

Que inferno de mulher.

Mais alguns passos e finalmente alcançamos a varanda. Após uma sessão de abraços calorosos das amigas e de meu total constrangimento em observar a cena sem ter o que fazer, chegara a minha vez. Eu teria que cumprimentar Eliza com a boa e velha educação dada por meus pais ainda que minha vontade fosse de me enfiar de volta naquele automóvel. Respirei fundo quando seus olhos pousaram sobre mim e quando finalmente dei um passo em sua direção, Eliza fez o inesperado.

Ela olhou-me deu as costas.

Não foi como um olhar de repreensão ou algo do tipo, fora um simplesmente desinteressado.

E eu emputeci.

Marie a essa altura dava de ombros, reprimindo com muito esforço o riso para minha verdadeira expressão de choque. Se antes eu tinha vontade de embora, agora eu queria entornar toda a bebida presente naquela casa. Se dependesse de mim não sobraria um resquício sequer de álcool naquela adega, beberia à custa de Eliza afogando nas doses minha vontade de mandá-la pro inferno.

Let me paint the picture, counting by the kitchen

Nothing but your heels on, losing our religion

You're my pretty little fiction

And I'm the voice inside your head

That keeps telling you to listen

To all the bad things I say and you say

- Vai com calma, senhora. – Marie recostou ao meu lado no bar improvisado, enquanto eu servia-me da décima dose de tequila. Desde a quarta, eu sequer sentia mais a bebida queimar minha garganta o que me impulsionava a avançar mais e mais. A morena aparentava total sobriedade se comparada a mim, e apostava que todo álcool lhe escapara os poros pela sequência de músicas em que criava inúmeras coreografias, algumas vergonhosas, na pista improvisada.

- Não queria que eu bebesse, M.? – Resmunguei em sua direção com a voz totalmente embolada. Ainda que arrastada e mole, era perceptível por ela minha irritação. Eu estava puta. Puta com Marie por ter me trazido nessa maldita festa, por ser amiga de Eliza e consequentemente me fizesse conhecê-la. Estava puta com Marcus por ter passado a merda das últimas 48 horas me enchendo a porra do saco. E estava puta com Eliza simplesmente por ser Eliza. – Agora vai foder com alguém e me deixe em paz.

Sua boca abriu e fechou algumas vezes, mas eu basicamente não lhe dei o direito de resposta, pois no segundo seguinte minhas pernas caminhavam em direção a porta.

Eu decidi que precisava de ar.

I want you forever

Even when we're not together

Scars on my body so I can take you wherever

I want you forever

Even when we're not together

Scars on my body so I can look at you whenever

Meus passos errados e trôpegos me levavam de qualquer modo até a porta enquanto meus braços ocupavam-se em desviar de todos os que tentavam de alguma maneira me ajudar. Eu podia muito bem andar sozinha e a ideia de alguém me repreendendo pela bebedeira me inflava os poros em irritação. Não precisava de ninguém quando eu mesma já me prestava a esse papel. Eu que sempre fora a centrada, a sem graça, a guarda costas estava estupidamente chapada e a culpa era de Eliza.

Sempre dela.

Quando o vento gélido tocou-me a face, pude enfim respirar. Dei mais alguns passos até que estivesse próxima o suficiente para jogar o tronco e braços sobre a amurada em mogno. A estrutura amadeirada era perfeita, me dava apoio e principalmente: não falava.

- Você veio, afinal. – Ou talvez falasse, mas descartei totalmente a probabilidade ao reconhecer de quem pertencia a voz.

Eliza.

Eu só poderia ter feito algo muito fodido em minha outra vida e estar simplesmente tendo que prestar contas nessa. Lancei um olhar descrente ao céu e depois a Eliza, aquilo só podia ser brincadeira.

- Não sabia que era muda. – Eliza falou e sorriu. SORRIU. Meu Deus, eu queria matá-la.

- Não sabia que era mal educada. – Rebati mal humorada. Quem aquela garota pensava que era? Simplesmente me ignorara e agora surgia disposta a uma conversa casual que eu absolutamente não estava condoída a ter.

Esperei por alguns segundos a resposta de Eliza, mas esta parecia ocupada demais em acender o próprio cigarro. Sua feição era leve enquanto nos lábios estampava o mesmo sorriso frouxo e desdenhoso. Num movimento lento e fodidamente gracioso, ela levou o tabaco aos lábios e tragou. Seus olhos azuis fitavam o céu negro enquanto a expressão permanecia tênue e inabalável, de maneira que seus músculos faciais moveram-se apenas quando ela entreabriu os lábios para que a fumaça encontrasse o caminho para fora de seu organismo. E então antes da nova tragada, ela me olhou.

- Apenas supere.

Eu estava boquiaberta e ultrajada. Pisquei algumas vezes sem realmente acreditar que havia ouvido Eliza simplesmente me mandar “superar”. Quando é que eu havia virado a sedenta de atenção naquela conversa? Não fora ela que viera disposta a um papo trivial? E de repente Eliza se comportava como se eu fosse a desesperada por seus cinco minutos de gentileza.

Eu estava puta.

Engoli algumas dezenas de palavrões até que achasse o perfeito para enquadrá-la. Quando finalmente abri a boca para despejar minha meia dúzia de ofensas perfeitamente selecionadas, Eliza já havia terminado seu cigarro.

E tão despreocupada quanto chegou, ela se foi.

- Mas o que? – Exasperei enquanto piscava incrédula. Demorou alguns segundos até que meu corpo recuperasse da infâmia e quando o impulso finalmente veio, eu fiz talvez a escolha mais imbecil e prazerosa de minha vida.

Eu a segui.

Am I out of my head?

Am I out of my mind?

If you only knew the bad things I like

Don't think that I can explain it

What can I say, it's complicated

No matter what you say

Don't matter what you do

I only wanna do bad things to you

So good, that you can't explain it

Os corpos abarrotavam e brecavam-se suados pela sala de estar, envoltos demais pela música alta e bebidas para me notar passar por ali. Enquanto buscava por um par de olhos azuis, fazia uma nota mental de avisar aos pais de Eliza que não deveriam mais viajar. Aquilo estava um inferno e minha cabeça latejava.

Quando notei que todo o espaço social habitado por corpos dançantes e febris estava livre da presença da loira, brequei-me no primeiro corredor que avistei. E assim que meus pés adentraram o ambiente esmo bendisse minha própria sorte por dar de cara com as costas de Eliza. A mulher caminhava distraída aparentemente disposta a alcançar o banheiro no fim do corredor, mas antes que pudesse atingir seu objetivo, eu a alcancei.

Meu braço a girou o suficiente para que meu corpo jogasse o seu na parede mais próxima. Minha real intenção era simplesmente despejar-lhe uma dúzia de verdades e quem sabe alguns xingamentos, mas quando Eliza me olhou nos olhos, eu optei pela melhor, ou pior, opção.

Eu a beijei.

The way we love, is so unique

And when we touch, I'm shivering

And no one has to get it

Just you and me

Cause we're just living

Between the sheets

A resposta de Eliza, ainda que surpresa, foi imediata. Seus lábios entreabriram o suficiente para abrigar minha língua e os meus a sua. Eu estava com raiva e depositava toda minha fúria naquele beijo desenfreado e sôfrego. Usava tudo o que estivesse ao meu alcance: lábios, língua e dentes também.

A loira correspondia da maneira que podia enquanto avançava com as mãos sobre meu corpo. As minhas, por sua vez, traçavam o mesmo caminho com o cuidado de não deixar nenhum centímetro de sua epiderme longe do toque de meus dedos. Era pra ter sido apenas um beijo, apenas uma resposta a sua audácia anterior. Queria apenas calar Eliza e também Marie, queria mostrar a minha amiga e a mim que não poderia haver sequer algum tipo de atração entre mim e a loira. Era pra ter sido apenas uma vingança.

Mas quando Eliza gemeu sobre meus lábios, eu tive a certeza de que seria impossível parar.

***

I want you forever

Even when we're not together

Scars on my body so I can take you wherever

I want you forever

Even when we're not together

Scars on my body so I can look at you whenever

- Puta que pariu. – Ralhei quando o novo lampejo de memórias atingiu-me a têmpora. Minhas mãos ainda esparramavam sobre a pia enquanto eu era assolada por novos e malditos flashes. Estes se alternavam entre o episódio do banheiro e a maldita festa.  

Meus fragmentos de reminiscência davam, aos poucos, nitidez ao grande borrão alcoólico. Tinha resquícios concretos de tudo o que ocorrera mais cedo, exceto de como eu fora parar sozinha e exausta no banheiro.

Então como numa sincronia infernal, outro lampejo me atingiu.

***

- Diga. – Eliza prendia meus lábios entre os seus dedos e eu era simplesmente incapaz de sentir qualquer incômodo. Meu único suspiro sôfrego se concentrava na necessidade crescente de ter novamente o toque de Eliza sobre minha intimidade que pulsava. Eu estava absorta do frenesi de tê-la para mim, em mim e então engoli qualquer resquício de orgulho quando enfim atendi a sua ordem:

- Me foda, Eliza. – O pedido entre dentes reverberou tão ávido que pude vislumbrar o deleite da mulher por meu desespero. Ela sorria. Sorria como nunca. – Por favor.

- Não dessa vez. – Eliza então entoou e o chão se abriu sob meus pés.

Dizem que quando finalmente alcançamos aquilo que almejamos, a conquista nunca tem o sabor esperado. Não é tão doce, tampouco o mais nectarino.

Já eu não poderia confirmar ou contradizer a afirmação porque antes que eu pudesse, enfim, alcançar, o afastamento abrupto de Eliza sugara-me de volta à realidade.

Eu não tinha mais sua mão sobre mim, não tinha mais o calor de seus lábios, tampouco o olhar aprazível. Não tinha mais nada de Eliza. E pelo choque a que fui submetida, só me restara de companhia o vácuo sufocante da falta de sua presença.

Sabia que meu cenho franzia em confusão, sabia que todo meu corpo convergia em anarquia e dessa vez eu não poderia culpar apenas a bebida. Eu estava drogada do cheiro da mulher e pelo prazer que ela me proporcionava.

A água gélida ainda caía sobre meu corpo febril, anestesiando meus membros moles. Minha cabeça pesava em tontura ao mesmo tempo em que minhas forças esvaiam-se.

E então eu simplesmente deixei Eliza ir.

Mas aquilo não ficaria assim.  

***

Am I out of my head?

Am I out of my mind?

If you only knew the bad things I like

Don't think that I can explain it

What can I say, it's complicated

- Isso não vai ficar assim. – Reafirmei, dessa vez em voz alta para que todo meu corpo se inebriasse da necessidade de cumprir a promessa.

Eliza pagaria por isso.

Então forcei os músculos até o chuveiro, proibindo-me de voltar às memórias testemunhadas pelo local. Eu precisava de um banho e estar definitivamente apresentável para confrontar Eliza.

E isso eu faria.

Os minutos seguiram com a água, dessa vez morna, banhando-me a epiderme. Repassava alguns discursos sobre o que eu realmente faria, mas a cada vez que eu tinha alguma ideia, esta parecia idiota demais. O melhor seria improvisar.

E que fosse o que Deus quisesse.

Quando finalmente senti suficientemente segura, desliguei o chuveiro e abandonei o box ainda nua. A toalha, assim como mais cedo, fora esquecida forçando com que eu caminhasse molhada pelo quarto. Os pingos d’água formavam um caminho irregular no assoalho desde o banheiro até o guarda-roupa. Donde puxei, além da lingerie, um short jeans e uma blusa branca de botões. Não era o mais magnífico conjunto, mas deveria bastar.

Os cabelos foram penteados para apenas um lado de maneira que formavam ondas lisas por toda extensão amendoada, quase loira. As bolsas de olheiras foram parcialmente cobertas por uma maquiagem leve. Em minutos eu me sentia revigorada e a imagem de quando eu acordara melhorara uns 80%. Sem dúvidas.

Assim que alcancei a porta de meu quarto, o som de uma música, que eu apostaria ser pop, atingira-me os ouvidos.

Eliza.

Enviei uma boa quantidade de ar para os pulmões e então enchi-me do fôlego necessário para avançar. Aos poucos quarto e corredor ficaram para trás e meus pés já adentravam o espaço ornamento pela sala de estar. E meu coração brecou.

A loira tinha um short ainda mais curto que o meu e rebolava ao som da música que agora reverbera ainda mais alta. Por alguma razão Eliza dividia sua atenção entre esfregar o chão requebrar o quadril. Em qualquer outro momento eu riria de sua própria prepotência quebrada por estar limpando minha bagunça que ela continuamente afirmou que não faria, mas eu estava anestesiada demais. Abobada demais.

Eliza desencadeava tantas reações em meu corpo e mente que a concussão me deixava zonza. Antes que novas ondas de vertigem me desencorajassem, suspirei reorganizando a hipérbole de pensamentos convergentes. Talvez o suspiro tivesse sido alto demais, já que agora um formigamento subia-me as pernas.

Eliza me olhava.

Então tão depressa quanto da primeira vez, apenas apertei o passo em sua direção. A loira me olhava e seus olhos corriam de minhas pernas descobertas até a face determinada. Já a sua esculpia-se em surpresa e confusão.

- Alycia? – Chamou desarranjada, mas eu simplesmente a ignorei focando-me apenas nos passos. Eu estava quase lá. – Mas o que? – Dessa vez ela também se movimentava, no oposto de meu movimento. Cada novo passo meu adiante, era um retrospecto de Eliza.

Dessa vez ela fugia.

Mas a tentativa não durou o suficiente, já que o limite de fuga perdurou até que suas costas batessem contra a parede e meu corpo cobrisse o seu.

Assim como da primeira vez.

No matter what you say

Don't matter what you do

I only wanna do bad things to you

So good, that you can't explain it

As íris de Eliza queimavam sobre as minhas e as pupilas dilatavam ao mesmo tempo em que tremeluziam vacilantes. Um vigor inflou-me o peito ao notar que seu rosto perfeitamente desenhado contorcia em desorientação na medida em que minhas mãos espalmavam em sua lateral. Deixei que um sorriso debochado curvasse em minha face e então sussurrei contra seus lábios:

- Não achou que aquilo ficaria assim, achou?


Notas Finais


Gente, coisa importante aqui: Eu costumo colocar a tradução das músicas no próprio capítulo, mas fiquei com preguiça. Então quero saber se vocês preferem como ou sem a tradução. Ok?! Obrigada mais uma vez e até a próxima. <3


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