História Insólito Ardor - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Asa Noturna, Cassie Sandsmark (Moça-Maravilha), Estelar, Kon-El (Superboy), Mutano, Ravena, Terra
Tags Ação, Asa Noturna, Comedia, Corvo, Drama, Estelar, Garfield, Jovens Titãs, Koryand'r, Mutano, Rachel, Ra's Al Ghul, Robstar, Universo Alternativo
Exibições 67
Palavras 6.259
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Amores da minha vida!
Adivinha quem voltou das cinzas como uma fênix? Isso, não fui eu porque desta vez não demorei tanto.
Hoje faz dois meses exatos desde a ultima atualização, sinto muito pela demora mas realmente eu tenho tipo problemas em expressar o que se passa na minha cabeça sobre I.A.
Escrevi esse capitulo todo ONTEM! GENTE ESSES LAPSOS DE INSPIRAÇÃO WEJHFEWIFIFUB Só que acho que eles são bimestrais :v

Além do que eu estou ESCREVENDO FIC NOVA. Deveria? Não, mas é bom variar de vez em quando, porém não está postada e nem sei quando o farei, mas queria avisar vocês de toda forma <3

Quero agradecer à todos os comentários e favoritos. Vocês são uns amores e amo cada um de vocês. Sério, eu sei que sou uma escritora terrível pra atualizar, mas eu tbm sei que tenho os melhores leitores do mundo que tão sempre comigo mesmo com as demoras. Sério, vocês são os melhores.

Bem, sem mais delongas, espero que gostem.

Boa leitura!

Capítulo 7 - 06. Sede de Vingança


Capítulo 6 – Sede de vingança

[...]

― Connor segure isso mais alto! ― grunhiu Cassie de braços cruzados. Estava em frente a sua loja de flores no centro da cidade. Deveriam ser aproximadamente oito da manhã quando ela resolveu, de uma hora para outra, alterar a placa da loja.

Connor resmungou:  ― Por que você quis mudar isso? E por que agora?

― Cansei da outra placa. Não tinha nada a ver com a mensagem que quero passar da loja. ― disse gesticulando com as mãos como se fosse óbvio.

― É a porra de uma loja de flores. Não tem nenhuma mensagem para passar. ― bradou enganchando o ultimo pino na parede.

― Você nunca compreenderia a arte das vendas. ― Cassie balançou a cabeça de um lado para o outro, descrente. Connor bufou descendo da escada de metal caindo ruidosamente no chão da rua.

― Você sabe que não tem câmeras nessa parte da rua não é? ― comentou afastando-se para ver a placa melhor. Ainda estava torta para a direita: ― Poderia ter ido voando lá e colocado sozinha, não precisava me acordar.

― Já fui pega uma vez esse mês, to querendo evitar problemas por enquanto. ― comentou olhando-o nos olhos. Ele inspirou fundo:

― De toda forma sequer mudou o nome da loja. Colocar alguns enfeites não vai mudar nada. ― resmungou ainda sem entender a mudança repentina da loja de flores, mas no momento só reclamar bastava. Cassie gesticulou com as mãos:

― Bem, não é como se você fosse entender, de toda forma ficou ótimo. Só preciso organizar as flores da fachada, hoje vou querer todas amarelas. ― disse convicta retornando para dentro da loja.

Connor ficou do lado de fora encarando o grande Planeta emergindo no horizonte. Não era a melhor vista que ele tinha, mas era boa o bastante para tirar-lhe o fôlego. Levou os olhos até Cassie que mudava alguns vasos de lugar intercalando entre plantas domésticas e carnívoras ― que, honestamente falando, ele não tinha ideia de para que elas serviam.

Cassie trocou outras duas plantas antes de chamar Connor para ajudar. Com um resmungo básico e muito xingamento por parte dos dois, passaram o resto da manhã discutindo entre colocar plantas carnívoras perto da entrada e deixar comer os clientes, ou colocar nos cantos.

Por breves momentos Connor optou pela entrada.

[...]

― COMO ISSO FOI ACONTECER? ― O grito de ódio de Kory reverberou por toda a sala branca. A seu lado Garfield tentava acalmá-la enquanto mantinha o rosto sério e impassível.

Ao pé deles, Garth jazia deitado com um pano braço por cima de sua cintura tapando a ferida exposta e sanguinolenta. Seus olhos estavam fechados e seu rosto sereno, como alguém que morrera dormindo com uma parada cardíaca. E pelos diagnósticos era exatamente o que tinha acontecido.

Mil e um motivos passaram pela cabeça dele. Talvez a pressão psicológica da tortura que o rapaz havia sofrido por quase uma semana, ou mesmo as lesões de alguma forma ter inflamado causando uma espécie de choque. De toda forma, eles haviam sido responsáveis por isso, irrefutavelmente.

Kory andava de um lado para o outro soltando xingamentos em tamaraniano. Não era a primeira tortura que fazia, e nunca ― a menos que fosse de sua vontade ― havia matado um de seus informantes. Tinha algo errado.

― Tem certeza que ninguém entrou nessa sala? ― perguntou pela milionésima vez diretamente aos soldados armados à sua frente.

― Não, Comandante. ― garantiu ele: ―Só ouvimos um barulho dentro da sala, e quando entramos ele estava no chão, morto.

― Foi um ataque cardíaco, Comandante. ― o médico militar que o examinara disse firmemente: ― Fiz os exames, não foi nada além de um ataque. Talvez ele tivesse problemas de coração e vocês não soubessem.

Kory negou: ― Tenho toda a ficha dele impressa e estudada. Cada fio de cabelo computadorizado. ― trovejou: ― Não cometeria um erro desses!

Garfield colocou uma de suas mãos em seu ombro acalmando-a.

― Obrigado pela consideração. Cuidaremos do resto. ― disse ao médico que bateu continência e retirou-se da sala: ― Vocês dois, quero que vão até a sala das câmeras e peguem as filmagens das ultimas duas horas.

― Perdão pela intromissão, Comandante, mas não confia no julgamento do médico? ― perguntou um dos soldados. Garfield riu.

― Não confio em ninguém. ― respondeu. Os dois homens se entreolharam antes de saírem. Kory soltou um resmungo:

― Não entendo. Não faz o menor sentido. Não cometo erros dessa forma. Sou torturadora há anos, Gar. ― disse desolada sentando-se na cadeira que outrora fora ocupada por Garth.

Garfield aquiesceu, mas nada disse. Olhou mais uma vez para o corpo inerte de Garth como se ele pudesse lhe dar qualquer pista do que acontecera naquela sala. Um ataque fulminante não acontece em jovens menores de trinta anos a menos que tenha histórico ou problemas de saúde.

Garth era atlético. Sua saúde era uma das melhores que já vira. Nunca sequer havia ido ao médico. Uma pessoa como ele não teria um ataque fulminante de uma hora para outra. A quantidade de sangue que perdera sequer chegou perto de um litro, então anemia não teria causado o choque.

Mas drogas sim.

Droga, como não pensara nisso antes?

― Slade.

Kory estremeceu olhando o namorado nos olhos. Uma conversa silenciosa foi o bastante para mudar de surpresa à irada. Levantou-se abruptamente deixando seus olhos brilharam no mais profundo verde que podia.

― Aquele Klorbag! Estava de olho na minha presa desde o começo. ― balbuciou apertando as mãos em punho: ― Vou quebrar aquele sorrisinho branco.

― Opa! Se acalma. ― pediu o rapaz a segurando pelos ombros. Ela respirou fundo, mas soltou-se do namorado: ― Não pode simplesmente entrar na sala dele, quebrar tudo o acusando de algo que não temos certeza.

― Eu tenho certeza absoluta. ― disse nervosa.

― Esta levando isso para o lado pessoal, Kory! Pense comigo, as câmeras de vídeo provavelmente vão poder nos mostrar o que aconteceu. E ai sim vamos ter provas que te possa ter sido ele ou não. ― disse calmamente acariciando seu rosto: ― No momento seja profissional. Os soldados precisam de alguém que imponha respeito, e não medo.

Kory aquiesceu desviando o olhar.

― Eu sei, mas é como se ele zombasse de nós. Como se estivesse um passo a nossa frente, mas não nos contasse nada. ― a hipótese tinha fundamento, mas ao mesmo tempo contradizia as ações do General.

De todos os membros do exército, ele era o que mais desejava ver o grupo detido, e não impediria isso somente por mérito próprio. Do pouco que ouvira falar dele sabia que faria qualquer coisa para alcançar seus objetivos, fosse ou não executado por suas próprias mãos.

Observou Kory respirar fundo assumindo as feições serias de sempre. Garfield sabia o quão complicado era se trabalhar com tamaranianos.

Não só por causa do medo que eles causavam no Universo, mas por serem emotivos demais. Sentiam tudo mil vezes mais forte que qualquer outro ser na galáxia toda. A dor, a fúria, a morte, o amor. Qualquer deslize, qualquer motivo que seja dado a eles é motivo de sobra para quebrar tudo e mostrar que não são controláveis.

Kory já cometera muitos erros desse, e Garfield na época relevava por ela ser princesa de Tamaran, mas no decorrer dos anos precisou apertar as rédeas. Ela gritava sem motivo, ameaçada ou mesmo chorava. Um exemplo de sua falta de controle emocional fora na mesma manhã quando pedira por um bolo na confeitaria.

Não era a hora e nem o lugar ideal para aquilo. Estavam em uma investigação, estavam lidando com um grupo que em anos havia conseguido colocar um planeta inteiro de pernas para o ar, me ainda sim ela se deixava levar por coisas banais.

Tamaranianos não eram eximes em guerras. Não eram assustadores.

Eram bons em sentir raiva.

Destruíam, massacravam, destroçavam, e muitas vezes sequer estavam em guerra. Bares? Muitos destruídos. Baladas? Brigas e ciúmes ― o balcão que Kory quebrara na Gliders é um dos exemplos ― que causavam mortes. Reuniões de paz? Terminavam em carnificina.

Não existe diálogo com Tamaranianos, a menos que você seja um.

― Vamos até a sala das Câmeras. Veremos por nós mesmos se não há adulteração. ― avisou a guiando pelos ombros porta a fora.

 ― Mas e o corpo? ― perguntou ela impassível. Havia voltado ao normal finalmente.

― Farei com que seja devolvido a seu apartamento. Faremos com que pareça uma reação a assalto. ― respondeu Garfield andando rumo à sala.

― Pois bem. Vamos.

[...]

[07:02] Alvo eliminado com sucesso. Quais são as próximas ordens?

[07:12] Fique de olho em Donna Troy e Roy Harper. Eram próximos ao alvo, talvez se revoltem contra o exército.

[07:13] Devo tomar providências quanto a isso?

[07:14] Suas ordens são de observar, não lutar. Tudo no seu tempo, meu jovem.

[07:15] Entendido. Ordem recebida e pronta para ser executada.

[07:30] Não me decepcione.

[...]

Slade estava sentando em sua mesa. As papeladas dos roubos e assaltos da cidade nos últimos cinco dias estavam listadas em alguns deles. De acordo com o gráfico em sua mesa havia diminuído drasticamente o número de assaltos desde que os Comandantes haviam aparecido. Realmente ter uma tamaraniana por perto era útil.

Bateram duas vezes em sua porta. Slade deu permissão ao rapaz, aparentemente um cadete, entrar em sua sala. Ele bateu continência antes de falar:

― General, o senhor está sendo chamado no andar de segurança. ― avisou o jovem ainda mantendo a posição. Slade suspirou:

― Obrigado. Dispensado, cadete. ― ordenou gesticulando com a mão direita. O rapaz curvou-se e saiu da sala. Slade largou os papéis.

― O que será que eles querem? ― balbuciou saindo de sua sala e seguindo rumo ao andar de segurança.

Ficava bem distante de sua sala, o que daria uma boa caminhada até lá. Passou por vários cadetes e outros homens de patentes diversas. Os cumprimentou com acenos de cabeça e continências quando necessárias.

Quando chegou na sala encontrou Kory e Garfield encostados no painel de vídeo examinando as câmeras da sala no subterrâneo. Aproximou-se intrigado.

― Me chamaram? ― perguntou sugestivo. Kory virou-se a ele maligna.

― Sim, mas infelizmente não pelos motivos que eu gostaria. ― resmungou mais para si mesma, porém deixou claro para Slade sua insatisfação.

― Devo presumir que foi o Logan quem me chamou? ― comentou ignorando a tamaraniana irritadiça a sua frente. Garfield afirmou virando-se para olhá-lo.

― Depois de nossa última conversa você viu alguém nos andares inferiores enquanto saia? ― Perguntou Garfield educadamente, mas sem desfazer-se do tom cortante em sua voz. Slade negou.

― Ninguém além da troca de patrulha. ― respondeu convicto: ― Posso saber o motivo?

Suas mãos estavam em suas costas, ombros rígidos e olhos travados na imagem das câmeras.

Garfield examinou-o minuciosamente antes de responder: ― Nosso informante morreu a menos de uma hora. ― disse sério: ― Suspeito que tenha sido efeito de alguma droga, mas não consta entrada de ninguém na sala pelas câmeras. ― Indagou intrigado.

― Além de não ter ventilação ou janelas. É uma sala literalmente sem saída. ― emendou Kory cruzando os braços: ― Não faz sentido.

― Erros acontecem, Princesa. Mesmo que nesse caso talvez o erro lhes custe caro. ― provocou com um sorriso debochado no rosto. Kory grunhiu:

― O que quer dizer com isso, caolho? ― cuspiu Kory ameaçando aproximar-se. Garfield prostrou-se entre eles:

― Parem com isso. ― bradou em tom baixo: ― Senhor Wilson, poderia não provocar minha namorada? Não é sempre que eu consigo pará-la antes que arranque a cabeça de alguém.

Slade arqueou a sobrancelha: ― E o que o faz pensar que ela conseguiria arrancar a minha?

― A cicatriz é uma delas. ― respondeu simplesmente voltando-se a um dos homens que mexia nas câmeras. Slade grunhiu: ― Salve essa gravação, pode ser útil mesmo que não nos tenha mostrado nada.

― Sim, Comandante.

― Convoquem os outros dois soldados de antes da troca de patrulha. ― disse Slade sério: ― Os interrogue.

Garfield concordou: ― Pois bem. Vamos, temos um corpo para nos livrar.

Assim o Helleriano saiu da sala seguido por Kory que não desviara o olhar de Wilson por sequer um segundo. Depois de saírem Slade aproxima-se da câmera:

― Mostre a gravação. ― ordenou. O rapaz voltou o vídeo no momento em que ele e os Comandantes se despediram mais cedo e seguiram caminhos diferentes. No vídeo Wilson gira os calcanhares e desaparece pelo lado contrário a eles passando pela troca de patrulha. O horário, data e mesmo a sincronia do vídeo eram perfeitas.

Nem parecia que havia sido adulterado.

[...]

Richard enrolou os últimos mapas de sua implantação do projeto da S.T.A.R. Eram os últimos retoques antes de entregar a proposta aos diretores da empresa. Dick estava trabalhando nela no ultimo mês, e depois de ter começado um relacionamento com Tara os pedidos pareceram triplicar.

Até mesmos projetos em Heller ele iria monitorar, e claro que isso tinha dedo da Tara envolvido. Ela passava bastante tempo em seu apartamento, normalmente em horários que Rachel não estava. As duas não se deram muito bem desde o começo.

Richard não soube dizer o porquê, havia imaginando que elas se gostariam logo de cara, já que Tara tinha um gênio semelhante em algumas partes com a Cassie. Contudo elas pareciam como dois imãs de polos iguais, que se repelem assim que próximas.

Por isso, em respeito a caçula, Dick preferia que Tara aparecesse pela parte da manhã ou da tarde, enquanto Rachel estava na Universidade. Sendo assim não demorou muito para Tara sentar ao seu lado no sofá com duas xícaras de café quente. Entregou uma a ele antes de tomar um gole.

― o café daqui é bom. ― disse Tara apreciando o aroma. Dick meneou tomando um pouco.

― Mas muito caro. ― comentou encostando-se no ombro da loira. A mesma levou a mão ao seu cabelo acariciando-o.  

― Heller tem um solo fértil e saudável, lá o café tem um bom preço. Mas aqui a radiação é forte demais. Nada cresce a não ser as plantas locais e os cristais. ― Tara falou tomando outro gole: ― Tudo que é importado é caro, principalmente de outro planeta.

Dick riu: ― Com certeza. É ruim não termos condição de nos sustentar sem depender de outros planetas. Morreríamos de fome se ficássemos a nossa própria sorte.

― Vocês morreriam por qualquer coisa. Não sei como ainda estão lidando com esse planeta e não mudaram para outro. Alleryn tem radiação demais, não é saudável. ― outro gole de café desceu quente pela garganta de Tara. Dick ficou ereto deixando a xícara de lado.

― Não é atoa que Alleryn tem problemas com mutantes.  ― zombou Dick rolando os olhos. Tara riu passando suas pernas por ambos os lados de Dick ficando a sua frente.

― Mutantes não são o problema. ―disse aproximando-se: ― O problema é com o governo que não sabe como lidar com eles. ― informou acariciando o rosto do moreno com o polegar.

― E tem uma forma certa de lidar com mutantes? ― continuou Dick curioso.

― Tratando-os igual se trata todos. Com respeito e compreensão. ― disse firmemente. O rapaz sorriu roçando seus narizes:

― Não é atoa que você é uma princesa, não é? ― zombou. Tara mostrou-lhe a língua deitando-se em seu peitoral.

Ficaram em silêncio aproveitando o calor um do outro naquela manhã gelada. Não passou tanto tempo antes de Dick receber uma mensagem de Roy. Ficou tenso por um momento enquanto lia a mensagem. Por sorte Tara havia cochilado em seu colo então pode ler sem se preocupar com ela.

“Achamos o Garth. Ele nos ligou a pouco nos chamando para as cavernas ao norte. Quer ajuda com as fotos como sempre. E sim eu dei um soco nele por você. Vamos hoje mesmo atrás dele.”

Dick sentiu um alivio o invadir, mas ao mesmo tempo um incômodo. Zatanna havia dito que sua localização era na base militar, e raramente ela errava. Não sabia dizer se isso era ou não verdade, mas no momento resolveu acreditar que ele estava bem.

Que os três estavam juntos.

[...]

― Pelas evidências foi um assalto. Seu amigo revidou e acabou sendo morto. ― disse o oficial no necrotério. Donna e Roy estavam paralisados enquanto o homem falava: ― Pelas imagens nós vimos um homem entrando em sua casa pela porta da frente. Ficou por quase dez minutos antes de sair deixando a porta aberta. O vizinho acabou ouvindo os barulhos e nos chamou.

― Quando chegamos o rapaz já estava morto. ― completou friamente. Donna tremia apertando as mãos em punhos. Morto?

Garth estava morto?

― Pelo estado do apartamento e do rapaz a briga foi feia. Evidentemente foi um assassinato.

Garth havia sido assassinado? Ah, com certeza havia.

Donna parecia que iria explodir a qualquer minuto. As lágrimas desciam como cascatas enquanto o policial falava sobre o laudo, e o tempo que ele havia morrido. Porém ela não conseguia ouvir, somente sentia as lágrimas transbordarem de forma dolorosa.

Queria poder gritar ali mesmo. Socar, esbravejar, dizer que era tudo mentira e que seu amigo ainda estava vivo, mas não podia. Não conseguiria parar depois que começasse a quebrar tudo.

Roy pediu sigilo quanto à morte do amigo. Como o rapaz era órfão só os amigos mais próximos participariam do enterro. O local ainda teria de ser decidido.

Roy não quis ver o corpo.

Os dois voltaram para casa, mais necessariamente acima do bar. Não falaram com ninguém, simplesmente subiram até o quarto da moça.

As paredes eram de ferro reforçado, e o motivo foi bem explicado no momento em que ela deu o primeiro soco na parede.

― AAAAAHHHHH!

Ela gritou socando as paredes e extravasando toda a raiva e frustração que sentia. As paredes trepidavam junto dos móveis perto delas. Um dos quadros em seu quarto despencou ao chão assim que sua bota foi de encontro com o aço. A dor era forte, sua cabeça latejava e nem mais sabia se o que ouvia eram seus gritos ou os pedidos de Roy para que parasse.

― EU VOU MATÁ-LOS!!! ― Gritou a plenos pulmões despencando ao chão abraçando o próprio corpo. Roy a abraçou carinhosamente deixando poucas lágrimas descerem por seu rosto.

― Eles vão pagar. Eu sei que foram eles, eu sei... ― resmungava afundando o rosto no ombro do amigo: ―... vão pagar.

Roy não sabia o que dizer. Eles cresceram juntos. Eram inseparáveis mesmo quando Donna foi adotada, e agora, depois de tudo que passaram sequer conseguiram proteger seu amigo.

Do assalto? Claro que não.

Deles.

Donna afastou-se abruptamente de Roy:

― Eu vou até lá. ― disse séria com a voz ainda rouca pelo choro. Levantou-se, mas foi impedida de ir pelo ruivo.

― E vai fazer o que? ― perguntou baixo. Ela o encarou possessa:

― Brincar de casinha, O QUE VOCÊ ACHA QUE VOU FAZER? ― Esbravejou levando as mãos para o alto: ― Eles mataram meu melhor amigo, eu os quero mortos!

― Era meu melhor amigo também, mas não saia quebrando tudo. Vai prejudicar os Titãs. ― pediu Roy tentando manter a calma, mas o que dissera somente deixou Donna com mais raiva.

― Quem se importa com eles? EU NÃO! ― gritou girando os calcanhares e rumando para a porta do quarto. Roy a segurou:

― Não! Para, pensa por um instante. ― pediu ele sério, porem podia-se ver a fúria crescendo em seus olhos: ― Não aja impulsivamente.

― Vou pelo menos contatar o Dick, ele vai me entender. Vai me ajudar. ― falou Donna sentindo as lágrimas começarem a voltar.

Roy estremeceu: ― Não ouse dizer isso ao Dick, ele não pode saber!

― Vai esconder isso dele também? Eram amigos. Ele vai querer vingança assim como eu! ― os soluços estavam altos, e Roy precisou se segurar para não desabar junto dela, mas dois desequilibrados não dariam em nada. Poderia chorar mais tarde.

― Se lembra de como o Dick era há seis anos? ― perguntou Roy sério.

― Centrado no que queria. ― respondeu dando de ombros. Ele a sacudiu com força, Donna arregalou os olhos.

Não. ― cuspiu possesso: ― Era impulsivo, vingativo, tratava tudo a ferro e brasa. Finalmente ele se acertou, ele está bem consigo mesmo ainda que seus demônios ainda o persigam. Quer vingar o Garth destruindo o Dick?

Donna ficou muda. Ela se lembrava bem da fase sombria do Grayson, sabia bem que se quisesse vingança ele com certeza seria a melhor pessoa a quem chamar, sempre sabia como deixar uma marca inapagável.

Porém no momento ele estava na paz, depois de sacrifícios envolvidos ele estava bem. Mas Donna ainda queria ser egoísta.

― E o que eu faço então? Deixo eles ganharem? ― perguntou desolada. Tapou o rosto com as mãos. Seu corpo tremia acompanhando o ritmo descompassado de seu coração: ― Eles não vão ganhar, eu, o Garth... Nós... Eu não pude...

Roy aquiesceu. Ele sabia.

A abraçou carinhosamente beijando-lhe o topo de sua cabeça.

― Está olhando para as pessoas erradas. ― disse ele em seu ouvido: ― Não foram os Comandantes.

Donna ficou tensa.

― Quer dizer...? ― Ela não conseguiu terminar, mas Roy a entendeu.

Somente concordou com a cabeça segurando seu rosto molhado com ambas as mãos. Donna estava com os olhos inchados, o rosto vermelho. E o coração? Em cacos. 

― Com certeza.

Donna segurou o ar arregalando os olhos por milésimos de segundo antes de mudar a feição. Não era dor, não era raiva, nem mesmo vingança.

Era traição.

― Vou matar aquela vadia. ― grunhiu Donna. Roy sorriu:

― Matar? É pouco.

Ele a soltou caminhando para dentro de seu próprio quarto. Morava a algum tempo com Donna . Juntos dividiam o apartamento que pertencera ao pai de Donna antes dele mudar-se.

Pegou uma mala grande e retornou ao quarto da amiga. Donna sentou-se na cama observando-o pegar suas roupas.

― O que está fazendo?

Ele a olhou de canto, mas não respondeu. Continuou a pegar o essencial. Na sequencia mandou uma mensagem para Dick e fechou a mala.

― Vamos sair daqui. ― disse somente tirando do cabide um casaco grosso negro. Foi até Donna a ajudando a se vestir. Pegou o cachecol que estava em seu próprio pescoço colocando no dela.

― Pra onde vamos? ― perguntou quase sem voz, Roy a olhou nos olhos:

― Enterrar o Garth.

Foi até o seu fazendo o mesmo processo. Desligou os geradores e saiu da casa junto de Donna. Deixaram um aviso com um dos bartender que trabalhava para o pai de Donna e foram embora, com malas e um coração arrasado.

[...]

― Dick, você tem que conhecer eles. ― comentou Tara sentada no balcão da mesa enquanto Dick terminava o almoço. Ele a encarou confuso:

― Quem?

― Garfield e Kory. ― respondeu ela animadamente. Dick quase derrubou da panela no fogão.

― O que?

― Olha, eu sei que eles parecem ser dois monstros horrendos e que amam matar, mas são uns doces. Até a Kory quando não está por ai quebrando as coisas ou me xingando. ― disse dando de ombros.

Dick riu da ultima parte.

― Ceeerto. ― não, não estava: ― E de onde a princesa conhece eles?

― Garfield é meu melhor amigo. ― respondeu sorridente. Dick arqueou a sobrancelha:

― Devo sentir ciúmes?

Ela lhe mostrou a língua. Dick riu: ― Não precisa. Já tivemos um rolo uma vez, mas a amizade foi mais forte. Foi como se eu tivesse beijando um irmão. Eca! ― comentou balançando a cabeça como se a lembrança a deixasse enojada.

― Me poupe dos detalhes. ― murmurou rolando os olhos.

― Mas enfim, eu quero muito que você o conheça. Normalmente eu apresento todos os meus namorados para ele. Queria que vocês pudessem se dar bem.

Tara levantou-se para arrumar a mesa enquanto o rapaz desligava o fogo.

― Ah, bem. Eu não fico muito confortável com isso. ― comentou tentando fugir da proposta da namorada. Ele se sentia indo a um encontro às escuras, a única diferença era que não seria um encontro e que conhecia as pessoas. Mas o sentimento era o mesmo. Calafrios.

Não sentia medo deles em si, como um Cidadão os dois sequer fariam menção de lhe fazer mal, mas queria evitar um possível “Você me é familiar” e então ser capturado por uma falha.

― Ora, vamos. Não estou te apresentando nem ao meu irmão, muito menos ao meu pai. ― disse ela colocando os copos. Voltou à cozinha passando por Dick: ― Ainda. ― sussurrou em seu ouvido. O rapaz definitivamente teria derrubado a panela nesse momento se não tivesse reflexos rápidos.

Onde ele havia se metido?

― Bem, é. Sabe, acredito que seja um pouco cedo para sair me apresentando por ai. Estamos saindo há um mês, e namorando a duas semanas. Não acha que é cedo demais?

― Bobagem! ― gesticulou com as mãos sentando-se em seu lugar.

Ele suspirou sentando-se também. Resolveu não dizer mais nada, quem sabe ela não desistia da ideia?

Tara foi embora sem dizer mais nada do assunto, e Dick agradeceu internamente por isso. Esperaria Rachel chegar para comerem fora. Fazia tempo que não passava algumas horas com a irmã, Cassie e Connor. Podia não parecer, mas Tara havia tomado todo seu tempo, fora claro os problemas com os Alelos que até o momento estavam vivendo nas sombras, com serviços aqui e ali.

Avisou Connor que iriam se encontrar no restaurante e que deveria buscar a Cassie. Ele ouviu algo como “já estou aqui” e um “sai de perto da planta carnívora”. Honestamente? Dick resolveu ignorar isso e ir descansar um pouco.  

Ela chegou depois de duas horas. Dick estava de toalha quando ela entrou igual um furacão dentro de seu quarto dizendo mil coisas ao mesmo tempo sobre a escola, cura, sobre o lanche ser muito caro e que estavam roubando dinheiro para investir em tráfico de unicórnios ― o que Dick fez questão de fingir não ter ouvido ― e algo sobre assassinato.

― Opa, opa! ― pediu Dick esticando as mãos pedindo tempo. A irmã o olhou curiosa: ― Assassinato?

― Sim, minha professora mora num prédio lá no centro, nem sei qual é, e houve um assassinato lá. Disseram que foi autodefesa. ― comentou a garota torcendo a boca: ― Ela chegou atrasada, mas parecia bem interessada no assunto.

― É algo comum em qualquer lugar, mas realmente deve ser estranho saber que alguém morreu aonde você mora. ― comentou Dick pegando suas roupas: ― Se me dá licença, quero me trocar. A menos, é claro, que não se importe de ver o irmãozinho sem toalha. ― zombou Dick vendo a vermelhidão de Rachel tomar proporções gigantescas.

Abriu a boca para falar algo, mas somente desistiu e saiu envergonhada. Dick riu voltando a se arrumar.

Rachel entrou em seu quarto sentando-se na cama. Respirou fundo controlando a vermelhidão de seu rosto. Mordeu os lábios soltando um risinho histérico tentando manter o volume de sua risada baixa.

Ouviu um barulho debaixo da cama e viu Silkie saindo por entre suas pernas, talvez o tivesse acordado. Ela sorriu o pegando e dando um forte abraço.

― Estou envergonhada. ― comentou afagando o bichinho: ― Eu quis dizer sim, mas não conta pra ninguém. ― disse lhe dando um beijo: ― É nosso segredo.

O animalzinho fez mais um barulho pegando um punhado do cabelo da garota entre os dentes e mastiga-lo. Rachel o repreendeu colocando-o novamente debaixo da cama.

 ― Ok, vamos nos arrumar. ― Disse para si mesma encarando o espelho. Sorriu e correu para o banheiro.

[...]

Donna respirou fundo assim que chegaram ao píer. As águas de Alleryn não eram radioativas, mas eram borbulhantes pelo fervor das rochas. Toda água do planeta era quente, como grandes termas distribuídas pelo solo.

Em uma das áreas mais simples com um pequeno lago termal havia uma casinha singela. Era feita de madeira rustica, pedras e telhas de barro. Comparada às construções da cidade era simples e ultrapassada, mas para eles era ótimo.

Quando os três eram pequenos passaram a maior parte do tempo ali, naquela cabana. Haviam achado ela abanada quando novos e se apossaram dela por anos, era o esconderijo secreto deles. Ajudava a fugir da realidade cruel que era Alleryn.

Todo o entorno era composto de árvores nativas com formatos estranhos. Suas folhas eram secas, como se estivessem mortas, a cor variava ente o verde e o azul. Outras assumiam cores arroxeadas quando muito expostas à radiação ― igualmente aquelas que ficavam próximas a grandes cristais ―, além dos ditos cujo que se distribuíam em todo o entorno da pequena cabana.

Roy saiu da nave pegando na mão da amiga. Ela o olhou sem sorrir, não conseguiam mais fingir estar tudo bem. Os olhos de Roy estavam vermelhos pelo choro e da conversa que tiveram durante o trajeto. Teve de parar no meio do caminho por não conseguir mais enxergar a estrada.

Sentia-se destruído.

Andaram até a cabana entrando nela. A porta abriu ruidosamente. O cheiro de doces e lenha seca os embalou de forma tão nostálgica que não impediu Donna de derramar mais lágrimas doloridas.

A cabana estava como sempre: um pequeno sofá de três lugares verde-musgo no centro da cabana. Atrás dela uma mesa com três cadeiras, um fogão e vários armários dispostos nas paredes. No fundo um beliche e uma cama ao lado das janelas. Uma porta na parede das camas dava para o banheiro.

De frente para o sofá tinha uma lareira e uma mesinha entre eles. Em cima da mesinha tinham algumas revistas e recortes de algo que Garth deixara incompleto; e que jamais completaria.

Fazia anos que eles não apareciam por lá com frequência, com exceção de Garth que fazia questão de estar ali todo fim de semana para limpar e organizar tudo. Donna suspirou e andou até o sofá.

Sentou-se no meio dele encarando os recortes. Muitos deles eram imagens de animais aquáticos que Garth tirara foto em um de seus trabalhos. As revistas eram sobre politica com algumas páginas grifadas em vermelho.

E então ela viu, na mesinha ao lado de um porta-retratos deles, um papel com letras impressas e selo Imperial:

“Lista de suspeitos:

Garth Curry

Roy Harper

Cassandra Sandsmark

Slade Wilson

Havia um risco passando pelo nome do Slade e uma seta escrito “Não levem a sério, ela estava irritada” com a assinatura de Garfield Logan embaixo. Donna segurou um soluço apertando a folha com força.

― Ele sabia que seria pego. Sabia e mesmo assim!

Roy pegou a lista de sua mão e a examinou. Quando viu seu nome e o da Cassie sentiu um frio subir por sua espinha.

Ele tinha um disfarce semelhante ao do Asa, não tinha como identifica-lo. Agora no caso da Cassie ele podia entender, afinal com ou sem máscara não fazia diferença. Ela e o Connor eram muito expostos, o que era uma surpresa não terem sido pegos até o momento.

Mas agora o nome dela estava em uma lista de suspeitos.

E provavelmente Garth havia sido pego por eles, e eliminado por “saber demais”. Claro ele estava supondo, afinal os Comandantes poderiam sim tê-lo matado, mas se fosse mesmo a intenção deles o teriam exposto em praça publica como exemplo a ser seguido igual Kory sempre fazia em outros planetas.

Não, ela não o teria matado, mas era claro que havia sido torturado, mas a policia nunca admitiria isso. Encobrir uma Comandante tamaraniana é mais importante que um Biólogo marinho.

Roy dobrou o papel o enfiando no bolso de seu casaco.

― Eu vou começar. ― Avisou acariciando as costas da morena. Saiu da cabana indo até a nave. De lá retirou uma pá e andou até uma árvore grande atrás da cabana. Era toda azul com algumas folhagens verdes. Seu tronco era grosso e vivo, aquela árvore parecia ter longos séculos de vida.

Logo na parte baixa de seu tronco havia uma inscrição que Donna havia visto uma vez em um livro:

“A amizade é uma alma com três corpos”

A frase original era diferente, mas Garth a adaptou quando a escreveu. Roy passou os dedos pela inscrição, respirou fundo e começou a cavar.

Sua mente vagou longe enquanto fazia o trabalho pesado. Lembrou-se de uma das ultimas conversas que tiveram:

“― Eu vi o que você estava guardando no armário. ― zombou Roy parado na porta do quarto. Garth deu um salto olhando o amigo exasperado.

― Ah foi? ― murmurou sentando-se na cama: ― E o que era?

Roy não respondeu, somente sorriu e sentou-se ao lado dele colocando uma das mãos em seu ombro.

― Quando vai falar com ela? ― perguntou objetivo. Garth sorriu sem humor.

― Não sei se deveria. ― disse por fim olhando o amigo de canto: ― Sempre fomos um trio, inseparáveis em todos os sentidos, e se eu pedir ela em namoro acredito que isso possa acabar.

Roy rolou os olhos. Deu um tapa em sua cabeça ouvindo um “rude!” na sequência.

― Idiota é você. O amor é egoísta, e não é como se eu fosse me deixar ser excluído. Ora vamos, eu nunca fico de fora de nada. ― ridicularizou tirando uma risada fanha de Garth.

Na sequência ficou sério: ― Acha que devo?

― Ela está esperando, eu garanto. Mas por que não deixa pra fazer isso perto do aniversário dela? Ela sempre sonhou com essas frescuras, não entendo o porquê. ― comentou dando de ombros.

Garth suspirou e então se levantou:

― Pois bem, vou seguir seu conselho, senhor galã. Mas só se me prometer uma coisa.

― Não vou levar a aliança no casamento. Sou lindo, mas vestido com flores me engorda. ― zombou recebendo um aceno nada bonito do amigo.

― Se acontecer alguma coisa comigo antes de eu conseguir falar com ela, promete que vai cuidar dela, independente do que aconteça? ― Seu olhar era sério, e por alguns instantes parecia sem brilho.

― Que melodramático. ― ridicularizou passando o braço em seu pescoço: ― Promessa feita é promessa cumprida”.

Só agora Roy havia entendido. Era como se ele já soubesse o que ia acontecer. Fazia pelo menos um mês desde a conversa, será que ele tinha essa lista há tanto tempo assim? E por que não mostrou a ninguém?

Mordeu o lábio nervoso sentindo o gosto metálico em sua boca. Como pode ser tão idiota?

Outra pá entrou em contato com a terra na sua frente. Levantou o olhar vendo Cassie ajudando a cavar. Seus olhos estavam vermelhos e algumas lágrimas caíam em direção à terra árida.

Fungou duas vezes antes de limpar o rosto com as costas da mão.

― Não precisa fazer isso. ― disse Roy da forma mais amável que conseguiu. Ela negou:

― Tenho sim. ― respondeu voltando a cavar.

Sem dizer mais nada continuaram o processo. Assim que estava funda o bastante foram até a nave onde estava o pequeno caixão. Não fora tão difícil retirar o corpo do necrotério. Normalmente os corpos em Alleryn são carbonizados e guardados em caixas lacradas. Ocupa menos espaço e é mais barato.

Porém se tiver um local para enterrar o ente, eles lhe dão permissão. No caso eles não tinham, mas como Roy era militar lhe deram um passe livre. Donna pegou o caixão pela parte detrás enquanto Roy subiu nela pegando a da frente.

Donna sustentou praticamente todo o peso do caixão com sua mão esquerda. Roy desceu e ambos levaram-no até a cova. O colocaram nela e, talvez na milésima vez naquele dia Donna sucumbiu ao choro lamurioso.

Ali, longe das vistas de todos, Roy chorou. Chorou por seu amigo que não pode proteger, e por um futuro que lhe tomam. Chorou pelo passado deles, por coisas que dissera que provavelmente haviam o magoado; chorou por ter quebrado seu braço uma vez quando menores; chorou por ter brincado sobre gostar da Donna; chorou por não dizer com frequência que o amava.

Lágrimas foram absorvidas pela terra, e a árvore trepidou pelo vento.

Não souberam dizer o tempo que havia passado, mas quando perceberam já haviam o enterrado e agora estavam no píer, sentados com os pés na água quente. Donna estava encostada no ombro de Roy com os olhos fechados.

O rapaz encarava as bolhas que se formavam na água. O tom verde florescente o lembrou dela, e quis por pelo menos alguns segundos se imaginar vingando-o da forma mais apropriada.

― Vamos sumir por uns tempos. ― sussurrou ele baixo o suficiente para só ele ouvir, mesmo não havendo mais ninguém com eles. Donna se remexeu:

― Ai sim o Dick vai surtar. ― disse sem abrir os olhos.

― O deixo informado de tudo, exceto sobre o que aconteceu de fato. Ele tem um plano para terminar, não o quero mudando tudo por nós. O Garth não iria querer. Nós sabemos tudo o que ele fez para chegar aonde chegou. ― disse por fim beijando sua testa: ― Se quer vingança teremos de fazer do meu jeito.

― Só dizer, estou disposta.

Ele sorriu sem humor: ― Ela mal perde por esperar.

Eles passaram a noite ali. No dia seguinte saíram do planeta, e começaram sua jornada.

Uma jornada em busca de vingança. 


 


Notas Finais


Eu revisei duas vezes, mas caso ainda tenha erros me avisem por favorzinho <3

Então? O que acharam?

Bem, eu realmente matei o Garth, mas eu precisava amores, sério.

Então, eu dei muito foco na Donna e no Roy. "Ah, por que babs?'' Porque eles são coadjuvantes importantes, não parte de cenário. Terão outros capitulos com foco em outros personagens, porque como vocês sabem muitas coisas acontecem nas minhas histórias, então saber sobre esses dois é muito, MUITO importante. Caso não fosse teria deixado passar batido.

Tara querendo apresentar o Dick? O que acham? O best vai aprovar? rheurhuehuhh

O ENCONTRO LINDO ENTRE ELES ESTÁ CHEGANDO. Sim, eles já se toparam outra vez, mas agora vão se encontrar do jeito certo <3 Só aguardem.

Não sei quando sai o outro, me desculpem, mas eu estou totalmente a mercê da minha inspiração, mas espero que eu consiga escrever rápido!

Enfim obrigada por quem leu até aqui, agradeço o carinho de vocês. Deixem um comentário se puderem <3

até o próximo.

beijinhos


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