História Instantes Instáveis - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bicicleta, Drama, Fluffy, Horóscopo, Lihnfa, Peixes, Piscis, Shonen-ai, Signos, Vermelha, Vermelho, Yaoi, Zodíaco, Zoroscopo
Exibições 15
Palavras 2.327
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Sim, acabou, é o último capítulo. Eu espero que gostem, até mais ^^

Capítulo 3 - A Última Luz Apagou


Fanfic / Fanfiction Instantes Instáveis - Capítulo 3 - A Última Luz Apagou

  Não voltei ao parque no dia seguinte, fiquei fraco e enjoado o dia inteiro. Parece que Pi não foi o único a ficar resfriado naquele dia. Descongelei vários potinhos de canja enquanto minha mãe me ajudava a cozinhar as cenouras. Eu, como um bom avoado, tinha me esquecido de fazer as cenouras na canja da última vez.

  Mamãe ficou me dando sermão sobre ir à praia com chuva e que tinha sido bastante burrice minha não prevê-la ou ao menos ter assistido o jornal com as informações. Aceitei sua broncas carinhosas e continuei cortando as cenouras junto a si.

  A canja me melhorou um bucadinho, dormi aquele dia inteiro depois de comer.

  Não consegui voltar ao parque antes que três dias se passassem. Não tinha desistido de Piscis, de jeito nenhum, mas não tinha vontade de ir ao parque e esperar alguém que não ia aparecer. Talvez jamais viesse a aparecer novamente naquele parque.

  Mas eu criei vontade e fui assim que deu (assim que minha mãe me obrigou a sair de casa). Mamãe achava que fazia mal ficar me isolando no quarto, e como o céu estava livre de nuvens no dia, ela me fez sair para "pegar um ar". 

  Desci as escadas do prédio e fui à garagem pegar minha bicicleta. Lembrei que ele pedira os band-aids, então voltei correndo para pegar. Quando cheguei ao parque, sentei ofegante no banco mal posicionado e tentei respirar melhor. Nenhum sinal de Piscis. E continuei sem qualquer sinal o dia inteiro.

  Mais dois dias se passaram e nada dele. Comecei a ficar preocupado, pouco desesperado também. Se não recebesse seu adeus, não conseguiria ficar em paz por uns três anos. Era engraçado - talvez não para mim - como sua presença me era necessária e boa, era... precisa. Me irritava esta sensação, nunca tive isso nem com minha namorada que tanto amava. Mas com Piscis tinha. Foi a coisa mais verdadeira que senti depois de meu término... talvez até de antes fosse a mais verdadeira. E era bom... mas também ruim porque sabia que ia acabar. Ele ia se mudar, não voltaríamos a nos ver, não teria mais sua presença comigo. E me recusava a falar com ele pelo celular, o que queria era sua presença, seu toque, ouvir sua voz morna ao meu lado, não conversas jogadas fora, sem ações, usadas só para que o esquecimento fosse adiado.

 

  Sétimo dia depois da chuva, o dia estava nublado e eu temia que ele não fosse vir, afinal, era o último dias das "três semanas". Tínhamos ido em apenas dois lugares, uma reserva florestal e uma praia; nas duas, coisas ruins haviam acontecido. Não era asim que eu queria que se lembrasse de mim, da cidade. Comecei a ficar impaciente e fui andando mesmo até sua casa, que não era tão longe assim. Chegando lá, o vi saindo pela porta e sorrindo ao me ver.

  -Luke! - ele correu atravessando a rua e, assim que chegou até mim, me abraçou.

  Agarrei sua cabeça e seus cabelos a fim de me deixar mais próximo de si.

  -Está melhor?

  -Sim, mas vamos rápido, vão começar a me procurar.

  -O quê? Como assim, Piscis?

  Ele não me respondeu, só segurou minha mão e me levou até a garagem de sua casa, onde havia um carro, uma moto e uma bicicleta vermelha.

  Pedalei-a com ele sentado da mesma forma que no dia da reserva florestal até o parque, onde minha bicicleta estava jogada. Ele foi na frente e eu o segui até uma lagoa.

  -Água de novo? - ri.

  -Não pode entrar na água, Luke. A gente veio por outro motivo. - sorriu.

  Fiquei olhando em volta enquanto sua mãozinha me guiava por ali. Havia barraquinhas de churros e tapioca salpicadas por todo canto, áreas recreativas, alguns palhacinhos brincando com as crianças, duas quadras de basquete vazias e uma área circular onde pessoas com skate, patins e patinetes estavam andando e aprendendo.

  -O que viemos fazer, então?

  -Gosta de andar de patins? - ele sorriu sem me olhar.

  -Aham. - falei mesmo que não tivesse prática para tal esporte, soltei meu pulso de sua mão e a agarrei ficando assim de mãos dadas com ele.

  Fomos até a pista ainda de mãos dadas, mas logo ele as soltou e foi falar com um rapaz. Fiquei pouco longe enquanto eles dois riam de algo e se abraçavam. Por algum motivo, aquilo me incomodou um pouco. Piscis voltou com dois pares de patins nas mãos sorridente. Joguei meus pensamentos de ciúme para longe agarrei sua mão novamente para levá-lo até um banco para pormos os patins. Assim que coloquei os meus, o ajudei a colocar e se levantar.

  Seguimos para a pista circular e começamos a andar vagarosamente. Deslisamos por alguns segundos de mãos dadas e, depois de conseguido um equilíbrio por parte dos dois, as soltamos. Depois de um tempo, não percebia mais as pessoas ao redor, era como se fôssemos só eu e Piscis naquela pista, patinando, sorrindo um para o outro. Ele voltou a pegar minha mão e ficamos andando sem nenhuma pressa. De vez em vez, recebíamos olhares de reprovação das pessoas, mas quem ligava? Já disse, era como se fôssemos só nós dois na pista.

  Em uma das nossas voltas, Piscis pareceu ofegante e perdeu a velocidade. O sentei em um dos bancos de madeira e ele começou a tussir. Talvez ainda estivesse resfriado. Fiquei o observando enquanto recuperava o fôlego, seu precioso ar oxigênio.

  -Tudo bem?

  -Aham, estou ótimo. - ele sorriu se forçando a parar de ofegar.

  -Respira fundo, vai ficar tudo bem. - sorri e ele assentiu com a cabeça. - Você está melhor mesmo? - coloquei minha mão em seu pescoço, não estava quente. - Não parece resfriado.

  Ele corou e colocou as mãozinhas nos bolsos do casaco. Estava escondendo alguma coisa de mim.

  -Por que estariam te procurando na sua casa? Não podia estar aqui?

  Não me respondeu. Suspirei e ele olhou para o lado com um biquinho choroso.

  -Olha para mim, Pi, o que houve? - segurei seu queixo com delicadeza e o virei para mim, fazendo com que me olhasse nos olhos.

  -Me proibiram de sair por estar resfriado. - ele olhou para o chão.

  -Quer que eu converse com seus pais?

  -Não! - arregalou os olhos preocupado e depois tossiu. - Digo, não precisa.

  -Por que está tossindo tanto?

  -Devo estar resfriado ainda. - respondeu rápido e levantou. - Continua patinando comigo. - me estendeu sua mão e a peguei hesitante. Não queria me falar alguma coisa.

  Levantei com sua ajuda e fomos deslisando novamente até a pista. Desta vez, os olhares pesavam sobre mim, não me senti bem-vindo naquele lugar. Logo saímos da pista e devolvemos os patins ao rapaz de antes. Piscis agarrou minha mão de novo e me guiou pela lagoa até chegarmos numa das áreas recreativas. Tinha vários brinquedos como cama de gato, alguns de subir e escalar, escorregas, balanços, trens enormes de concreto cheios de túneis para as crianças se perderem. Ele gostou da cama de gato, que mais parecia uma teia de aranha em 3D. Começou a subir por aquele treco e eu fiquei observando. Quando chegou ao topo, estendeu os braços e balançou as pernas. Fiquei com receio de ele cair, mas não aconteceu.

  Ele desceu e correu pela área como uma criança. Saiu brincando por todos os brinquedos que podia. O último foi o balanço. A região do peito estava mudando de volume com muita rapidez e ele pouco balançava.

  -Você se esforçou demais. - me ajoelhei apioado em seus joelhos e lhe dei um peteleco na testa.

  -Vamos voltar para a pista? Deve estar mais vazia agora.

  -Assim que você voltar a respirar normalmente. - disse e envolvi sua cintura com os braços apoiando a cabeça em suas pernas.

 

  Já estava tardinha, sua respiração já estava normal. Voltamos à pista circular, que realmente estava com menos pessoas que antes. O rapaz devolveu os patins que estávamos usando com um sorriso.

  Por mais que eu tentasse, era difícil andar de patins. Eu não era um desastre, mas também passava muito longe de ser um profissional. Era o suficiente para ficar de pé e andar um pouco.

  Piscis estava mais na minha frente, me guiando. Infelizmente, nenhum dos dois parecia estar prestando atenção no chão ao passar por uma pedrinha e eu tropeçar. Caí por cima de Piscis, que conseguiu me erguer para que não caíssemos nos chão. De vez em vez, continuei caindo por cima dele, que nunca me deixava cair. Ele aparentava ser bom no patins, não caía como eu.

  Foram boas horas naquela pista patinando com ele. Eram quase nove da noite, a lagoa já iria "fechar". Ele estava andando ao meu lado para fora do lugar, mas cada vez que seus pés se apoiavam no chão, fazia careta.

  -Está doendo?

  -Trouxe os band-aids? - sorriu.

  Tirei dois dos curativos adesivos da bolsa e os dei. Piscis abaixou a meia e colou os band-aids onde o tênis estava o arranhando. Sua pele começando a ficar em carne.

  -Por que não reclamou disso antes?

  -Não achei necessário. Obrigado por se preoculpar, é fofo da sua parte. - corei.

  -Fofo é você. - foi sua vez de corar e aproveitei para apertar suas bochechas.

  Chegamos até nossas bicicletas e ele ficou as olhando com um sorrisinho bobo e fofo.

  -Obrigado por me ensinar a andar de bicicleta. E por passear comigo. E por me esperar naquele parque sozinho. Sinto muito.

  -Não agradeça, fiz mais por mim que por você.

  -De qualquer forma. - ele me abraçou e devolvi o ato com carinho. - Posso te dizer uma coisa? - assenti com a cabeça. - Vou sentir muito a sua falta.

  -Eu também vou.

  -Acho... que eu gosto de você. - ele corou e escondeu seu rosto em meu peito, deve ter sentido meu coração acelerar.

  -E eu tenho certeza de que gosto de você. - as luzes da lagoa foram apagando aos poucos, até que a última luz apagou deixando somente os postes de luz da rua iluminando a nós dois.

  Ele me olhou surpreso. Seus olhos tinham uma expressão confusa entre felicidade e tristeza.

  -Por que tem que se mudar? Mora comigo. - sussurrei.

  -Não é assim. - sussurrou de volta.

  -Você vai amanhã, então? - apertou o tecido de minha blusa e fez que sim com a cabeça. - Então fala pra mim.

  -O quê?

  -Que me ama, oras.

  -Eu te amo. - sorriu na minha blusa.

  -Também te amo. - beijei o topo da sua cabeça. - Vamos, sua família deve estar louca atrás de você.

 

  Chegamos ao parque com não muito tempo de demora. As luzes das casas ainda estavam acesas, as pessoas deviam estar se arrumando para dormir.

  -Tem certeza de que não quer que fale com seus pais?

  -Absoluta. - sorriu triste. - Vamos ficar mais um pouco, por favor.

  -Claro.

  Sentamos de mãos dadas no banco mal posicionado em um ótimo lugar. Ele sentou no meu colo enquanto sentia o aroma de seu pescoço, que se encaixava perfeitamente com a minha cabeça. Era quente e macio. A vontade de mordê-lo era imensa, mas me conti em somente um beijo. Ele se arrepiou em cóssegas, mas continuei com mais beijos subindo-os até seus lábios, que devolveram gentilmente o ato de carinho. Foi a primeira vez que beijei um garoto. A primeira vez que gostei de um. E foi o gostar mais sincero que senti, era parte de mim, uma parte que seria arrancada e deixaria um buraco tão fundo que nada o preencheria.

  Não intensificamos em momento algum aqueles beijos, eles eram de carinho e não havia pressa alguma em acabar. Seus beijos me lembravam a mergulhar na praia, demorados, molhados e, infelizmente, o ar se fazia necessário. Mas ao contrário do mar, eram doces, quentes. Dava quase para ouvir uma música ao fundo. Ele enroscava o dedo em minha cauda enquanto acariciava sua barbatana. Ambos ficamos nervosos com aquilo, mas só deixava tudo melhor.

  Quando já eram quase dez horas, separamos nossos corpos e fui andando com ele até sua casa. Guardamos sua bicicleta na garagem e fomos até a porta de sua casa subindo a escadinha de três degraus. Olhei pela janela de vidro que uma mulher cozinhava aflitamente. Devia ser sua mãe, mas seu cabelo e orelhas de lobo eram incrivelmente negros e nem parecia ter cauda. Ela estava usando flores na cabeça e se vestia toda em branco.

  Ele me abraçou e sorriu triste.

  -Vai voltar um dia?

  -Não, nunca. - uma lágrima correu por sua bochecha. - Eu te amo, Luke. Obrigado por tudo.

  -Droga... eu também te amo, Pi. - olhei de novo para a mulher. - Certeza de que não precisa?

  -Vão entender, Luke. Só vai embora antes que te vejam. - tocou a campainha.

  -Tcahu. - sussurrei e o beijei selando nossos lábios uma última vez. Estava descendo os degraus quando ele sussurrou:

  -Adeus.

  Saí correndo em direção ao apartamento. Me tranquei no quarto e chorei a noite inteira, não consegui dormir direito. Foi um choro esquisito não só por ter as emoções de alegria e tristeza juntas, mas por ter chorado por dois naquela noite.

  Dias, semanas, meses e anos se passaram e nós não voltamos a nos ver.

 

  Sabe, eu não tinha percebido uma coisa naquele último dia. A casa estava toda arrumada com nada dentro de caixas, estava tudo ainda no lugar que devia ser costume. Ele não iria se mudar no dia seguinte, ele nunca se mudou na verdade... pelo menos não fisicamente, não de cidade. E também não em memória, ele sempre continuo na minha mente. Nossos instantes juntos, sem que eu soubesse, foram instáveis e perigosos, poderiam ser quaisquer deles os últimos. Poderiam porque eu não sabia. Não sabia o motivo de sua fragilidade, sua fraqueza, suas tosses. Eu não sabia que nossos instantes eram instáveis.

  Mas ele sabia que me devia um piquenique.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, principalmente o @Sonny173, que pediu a fanfic :3 ♥
Até mais!


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