História Instinto de Gato - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Baseball, Comedia, Drama, Escolar, Fantasia, Ficçaocientifica, Gato, Instintodegato, Lancaster, Mistério, Neo, Romance, Saya, Slice Of Life
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Palavras 2.885
Terminada Não
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Recomeço


–Kensuke! Esse maldito! Está em todos os lugares.... Como é possível?

Neo pegou o papel para continuar a ler, porém ouviu um barulho estranho na porta, algo que o assustou.

A porta se abriu, causando mais assombro nele.

Um garoto com a mesma idade que ele, um pouco mais baixo, olhos puxados, de cabelos longos e prateados como a lua e vestindo uma roupa bem colorida com um dragão branco no meio dela, entrou pela porta. O garoto parecia calmo como uma leve chuva de inverno ou talvez como uma noite de lua cheia. Neo teve a impressão de sentir um ar gelado assim que ele entrou no quarto.

 –Caramba, mas, eu tranquei a porta do quarto como o meu pai disse e continua aparecendo gente estranha. E agora quem é você?

O garoto olhou para ele com curiosidade, estava carregando uma bolsa de viagem que ele colocou do lado do beliche e enfim disse:

–Você deve ser Neo, prazer, sou Len Fullmoon, seu colega de quarto. –Estendeu a mão para cumprimentá-lo.

“Colega de quarto” fez ele ligar os pontos e descobrir que por isso ele tinha conseguido entrar, Len tinha a chave assim como ele.

–Então você é o Len. Eu tinha visto seu nome na porta do dormitório. –Disse Neo enquanto apertava a mão gelada do garoto.

–Sim, como eu disse sou seu colega de quarto por isso meu nome estava na porta. Eu adoraria conversar, mas, estou cansado demais, acabei de chegar de viagem.

O garoto largou a bolsa que estava carregando no chão e logo deitou na cama de baixo, se enrolou na coberta e dormiu.

Neo não estava acreditando no que estava vendo, aquilo foi realmente estranho, um garoto que ele nunca tinha visto antes entrar no quarto e dormir logo em seguida. Mas, aquilo despertava a curiosidade dele, por isso ficou observando o garoto dormir tentando descobrir algo novo sobre ele. Depois de um tempo percebendo que aquilo não adiantaria nada e também porque já estava com sono resolveu dormir.

No outro dia, ele acordou e procurou pelo garoto, mas, não o encontrou em lugar nenhum, por isso começou a achar que tinha adormecido e o que tinha visto na noite anterior fosse apenas um sonho.

Chegando em sua classe, de longe dava para ouvir um alvoroço que só quando pôs os pés dentro da sala que pode perceber o que estava acontecendo.

Havia uma multidão e em meio dela, ele pode reconhecer alguém. Era o garoto que tinha aparecido do nada no outro dia, parecia que todos estavam animados por ter ele ali, como se ele fosse muito querido. Ao contrário da agitação de todos, o garoto continuava calmo, algo que Neo nunca tinha visto antes, tinha uma aparência tão fria e serena.

Não demorou muito para Len perceber que Neo o estava observando e ele começou a encarar de volta, e toda a multidão virou para olhar.

–Neo! Meu colega de quarto, dormiu bem? – Perguntou ele mudando completamente o clima da classe.

–Ué. Você está na mesma classe que eu? –Perguntou Neo confuso.

–Pois é, parece que sim.

De repente um grito que veio de longe acabou interrompendo a conversa dos dois.

–LENNN!!

Era Sunny que estranhamente estava toda animada com a presença do garoto.

–Sunny, a quanto tempo, voltei de viagem. –Disse Len sorrindo.

Ela então abraçou o garoto, tanto ele quanto Neo se surpreenderam com a atitude da garota.

–Continua explosiva como sempre, minha chama. –Disse ele sorrindo enquanto a cobria com os braços.

–Tudo isso para derreter seu coração gelado. –Respondeu ela toda afetuosa.

–Fico imagino o que seria eu sem você para me aquecer todos os dias, senti sua falta.

–Eu também senti, muito sua falta.

Neo observou aquilo com curiosidade porque nunca tinha visto Sunny agir de uma forma tão carinhosa, parecia que ela não ligava para ninguém fora Saya, só que aquilo mostrou que no fim havia alguém que ela gostava.

Como ele continuou olhando muito, Sunny ficou incomodada.

–O que você está olhando, seu enxerido?

Neo ficou meio encabulado pela pergunta forte de Sunny e isso fez com que ele procurasse algo para fazer enquanto dispersava e respondia.

–Nada.... –Disse ele enquanto se sentava em seu lugar.

Logo ele perdeu o interesse nos dois e passou a não prestar atenção ao o que acontecia dentro da sala e ficou olhando fora como costumava fazer.

Porém seu instinto o fez olhar de volta para a sala, e com isso ele pode observar sua amada entrando na sala, seus cabelos dourados indo de um lado para o outro, hipnotizando sua mente.

Len estava o observando e percebeu como a garota mexia com ele. Foi quando Kensuke entrou e começou a conversar com ela que o garoto logo ficou chateado, demorou um pouco para ele perceber que estava sendo observado e quando percebeu, virou de lado aborrecido.

A aula começou e passou mais rápido do que Neo esperava, no intervalo ele logo foi para a quadra e treinar com a máquina de arremessos. Parecia que aquilo já havia virado mania, agora ele não conseguia parar mais. Fora que aquilo ajudava ele a relaxar e esquecer o aborrecimento.

O sinal bateu e ele novamente foi para a aula, assistir mais um pouco daquelas chatices.

Era sexta-feira e por isso precisava trabalhar, foi direito para a cafeteria de Marcos que o próprio estava curioso com o progresso dele e Saya, porém Neo só pôde dar más notícias de que as coisas não tinham progredido em nada, deixando seu chefe chateado, apesar de chateado a única coisa que ele disse foi:

–Você não pode deixar as coisas dessa forma, Neo...

E realmente ele não podia, também estava realmente chateado com aquilo tudo, porém não sabia o que fazer, não tinha o que fazer e não conseguia pensar em nada para resolver aquilo.

Depois do trabalho, Neo voltou para o dormitório, estava cansado de tanto estresse e coisas sem solução, por isso queria apenas deitar e dormir, esquecer do mundo. A noite estava tranquila para que isso pudesse se tornar realidade.

Abriu a porta do quarto e viu Len sentado no sofá lendo um livro, mas, Neo não se importou com ele, deixou as coisas em um canto, escovou os dentes, se arrumou e deitou para dormir.

–O que você sente pela amiga da Sunny, Neo? –Perguntou Len concentrado em seu livro, porém parecia curioso.

O garoto estava deitado tentando dormir, mas, conseguiu ouvir o que ele havia perguntado, resolveu ignorar.

–Sei que você está me ouvindo e também vi o jeito como olhou para ela.

Sem escolhas, Neo respondeu:

–Isso não é da sua conta.

–É realmente, não.

Houve um silêncio entre os dois.

–Deixa eu dormir, ontem você chegou cansado e eu te deixei dormir numa boa, não acho justo você ficar me enchendo o saco.

–Verdade, então vou te dar essa paz, durma bem.

Neo ficou desconfiado, mas, vendo que o garoto ficou quieto e continuou fazendo o que estava fazendo antes, podia ter um pouco de confiança. Logo voltou a ficar cansado e não demorou muito para dormir.

O dia seguinte era sábado e não havia nada que ele podia fazer, demorou para acordar, quando acordou ficou bastante tempo olhando para o teto, estava desanimado, a semana tinha sido triste e monótona, sua vida tinha voltado a ser preto e branco novamente. Olhou para a cama debaixo e viu que Len já havia acordado fazia tempo.

Sem opções do que fazer, levantou tomou um banho e se arrumou como era de costume. E quando estava quase terminando de colocar a roupa, quando ouviu um barulho na porta. Parecia que Len havia voltado, só teve a certeza quando saiu do banheiro.

–Parece que você finalmente acordou. Você bem que poderia não sair do banheiro sem terminar de se vestir.

–Olha só e parece que você consegue enxergar. Desculpa é que eu estive morando aqui sozinho por bastante tempo e não estou acostumado com mais um.

–É que você dormia demais, parecia um gato com o tanto que dorme.

–Nisso você tem razão.

–Bom... Agora você bem que poderia me dizer o que você sente pela aquela garota loira, amiga da Sunny?

–Poderia, né? Mas, não estou afim. Por que você quer tanto saber disso...?

–Você não me parece bem, tem algo que te incomoda e não gosto de vê-lo assim, por isso...

–Mentira, você não sabe de nada.

–Eu realmente não sei de nada, mas, consigo ver isso em você, por isso estou perguntando o que tem acontecido.

–Eu não quero te contar, você não precisa saber.

–Eu vou te fazer mudar de ideia.

–Não vai.

Neo então, resolveu sair dali para que Len parasse de encher o saco, por isso abriu a porta.

–Eu preciso ir, estou ocupado, a gente conversa depois.

E finalmente saiu.

Fora do dormitório, ele sabia que não havia nada para fazer e que só havia mentido para Len e por isso ficou sem ter o que fazer e para onde ir, mas, precisava sair dali.

Decidiu ir até Shibuya center’s dar uma volta por lá, e enquanto estava por lá se lembrou da carta da May para ele. Já que estava sozinho e não teria interrupções resolveu lê-la.

“Querido Neo,

Parece que estou com o mesmo problema que você, vou ser direta e dizer que estou apaixonada pelo Kensuke, acho que você não deve conhece-lo, por isso vou dizer quem ele é. Eu estudo na escola Seike, do outro lado da cidade e ele era da minha sala, tem minha idade, cabelos castanhos escuros, com um penteado para cima, além de ser forte, inteligente e a pele um pouco morena. Adora Kendo, e sempre quis ser o mais forte de todos. Ele é um pouco grosso as vezes, porém tem um coração amável.

Por você ser sempre meu amigo, não podia pedir isso para outro alguém que não seja você. Queria que me ajudasse a pelo menos a ter um momento a sós e ver se ele sente o mesmo por mim.  Seja como for me responda o mais rápido possível. Tenho estado bem triste por achar que não tenho nenhuma chance, principalmente agora que ele vai mudar de escola.

Com amor, May. “

–Pelo visto parece que eu tenho que falar com ela. –Disse em voz baixa assim que terminou de ler a carta.

Ele não conseguia resolver os próprios problemas e ainda tinha que resolver os problemas dos outros, isso era irônico.

Não demorou muito para chegar onde May trabalhava. Quando entrou na lanchonete logo conseguiu vê-la e vice-versa, havia poucas pessoas na lanchonete em comparação com o outro dia que esteve ali com Saya, se sentou em uma mesa esperando que ela viesse conversar com ele.

Dito e feito e ela apareceu.

–May... Eu li sua carta.

–Até que enfim...

–Eu conheci o Kensuke, ele se mudou para a minha escola e por incrível que pareça ele e a Saya, a garota que veio comigo semana passada aqui, são amigos de infância.

–Eu não esperava por essa...

–O problema é que eles parecem muito íntimos até demais, eu sinto que a estou perdendo para ele.

–É engraçado que se você perder ela para ele, eu perco ele para ela hahaha.... Parece que eu preciso te ajudar para me ajudar e vice-versa.

–Se pudesse me ajudar eu te agradeceria.

–Acho que isso é uma troca justa, apesar de que você tem mais contato com os dois do que eu. Portanto quem vai mais agir aqui entre nós, é você.

–É, pelo o que parece.

–Mas, acho estranho porque aquela garota realmente parecia gostar de você. Acho que ela não te trocaria do nada.

–Sério?

–Sim, eu vi como ela estava feliz por estar contigo. Ela não deu nenhum sinal de que estava gostando de você?

Foi quando Neo se lembrou de como ela havia segurado seu braço, dela ter perguntado o que ela era para ele, de quando ele a levou para casa dela e principalmente daquele beijo. Lembranças que mostravam que May tinha razão.

 –Teve alguns momentos...

–Então, talvez o Kensuke seja só o que ele é, um amigo de infância e nada mais. Se for isso você tem toda a chance do mundo de ficar com ela, só precisa agir.

–É vejo que você pode ter razão.

–E caso consiga sua Saya, eu consigo o meu Kensuke.

–Sim, e ambos ficamos felizes.

–Seja como for eu tenho que voltar para trabalhar, vai comer alguma coisa?

–Quero algo doce, um bolo de chocolate e milk-shake.

–Em instantes vou trazer.

O garoto se alimentou e depois disso resolveu ir para os dormitórios, quando novamente pode ver Len sentado no mesmo lugar lendo o que parecia ser o mesmo livro. Deu meia volta e foi andar pelas ruas antes que pudesse dormir para ver se o garoto ia dormir também e quando voltou lá, ele continuou lá. Entrou no quarto e se arrumou para dormir, deitou na cama, se encobriu e tentou dormir.

Alguns minutos depois ele estranhou pelo fato de Len não ter dito nada. Como estava cansado logo pegou no sono.

No outro dia, contudo, acabou acordando com um pequeno barulho que Len fez enquanto saia do quarto, isso despertou a curiosidade em Neo, para onde ele estava indo? Será que ele fazia isso todas as manhãs?

Então, quando ele saiu, Neo aproveitou para se arrumar bem rápido e o segui-lo.

O garoto foi bem longe, tão longe que chegou a sair da cidade, entrou por uma trilha e subiu até o ponto mais alto da montanha até que chegou a uma clareira onde havia uma pequena casa, então entrou na casa e deixou as coisas que estava carregando lá dentro e ficou para fora.

Neo continuou observando enquanto Len fazia suas sequencias de golpes no ar e praticava de diversas formas o que parecia ser uma arte marcial. Depois de algum tempo, ele finalmente parou.

Foi quando disse:

–Agora que você viu meu segredo, eu acho justo que você me contasse o seu. Neo...

Vendo que as palavras estavam sendo dirigidas a ele, o garoto saiu de onde estava escondido e apareceu na frente dele.

–Desculpa por ter te seguido e ficar te observando, eu estava curioso.

–Bem.... Eu não me importo de você ter visto isso. Mas, é bom porque assim você me conta sobre o que você tem escondido.

–Tudo bem.... Parece justo.

Neo parou por um momento por estar com vergonha, respirou e disse enfim:

–Estou apaixonado pela Saya, se isso que você quer saber.

Len olhou para ele sem reação.

–Você não me parece surpreso.

–Porque eu já esperava por isso, só queria ouvir isso vindo de você.

–Por que? Se você já sabia, eu não precisava dizer nada. –Disse Neo irritado.

–Eu vi como isso está te fazendo mal, eu gostaria de te ajudar e ser o seu amigo. E também porque eu precisava ter certeza de que você realmente gostava dela.

–Você quer ser meu amigo? E como vou poder confiar em você?

–O que seria uma prova de confiança para você?

Ele pensou por um momento e então respondeu:

–Acho que não existe algo que prove confiança, isso você se conquista com o tempo e com pequenas ações, mas já que insiste por algo, você me deixaria socar sua cara? Se você deixar sem mostrar reação, isso já me provaria que você é um pouco confiável.

Len ficou um pouco incomodado com a ideia dele.

–Tudo bem. Se isso for te provar algo, então...

O garoto ficou em posição de luta, porém imóvel. Surpreso pelo o garoto realmente ter aceitado, Neo então se preparou para dar o soco, olhou nos olhos de Len, mediu a distância, fechou o punho com toda força e o puxou para trás e disse:

–Então, segure.

Len acenou com um sim e ele continuou olhando para os olhos dele que mostravam muita calma, porém isso não o impediu e com toda a força desferiu o golpe.

O punho de Neo chegou muito próximo ao rosto de Len, porém não o acertou, mesmo assim Len não demonstrou reação, nisso ele abriu a mão acertando os dedos no rosto dele.

–“Powwww”.

Len ficou com um ponto de interrogação no rosto.

–Não ia me socar? –Perguntou ele.

–Como eu disse, isso não provaria nada. Mas, só pelo o fato de você não ter nem se mexido e ficado calmo o tempo todo, para mim já é o suficiente.

–Entendi... então... somos amigos? –Perguntou Len para ter certeza.

–Somos.... Mas, tenho que te avisar que se você trair minha confiança, aí sim você vai levar um soco na cara. Seja como for vamos voltar para o dormitório, aí eu te conto o que aconteceu.

Len estava impressionado, mas, seguiu Neo e os dois voltaram para o dormitório.

Neo contou toda a história e tudo que havia acontecido antes do garoto chegar de viagem e depois de 30 minutos, Neo contou tudo para ele, o garoto ficou um tempo parado pensando antes de dizer qualquer coisa, até que finalmente se pronunciou sobre o ocorrido:

–Eu tenho um plano.

–Como assim você tem um plano?

–Ué, depois de tudo o que você me disse, eu acho que tem um jeito de você voltar a falar com ela como antes.

–E qual seu plano?

–Hmm... Olha, vai ser assim...



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