História Institute of Arts in Los Angeles - Interativa - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 32
Palavras 10.689
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpa a demora pra postar, mas... PUTA QUE PARIU, COMO ESSE CAPÍTULO FOI DIFÍCIL DE ESCREVER!

VENDI MEU CU, A MINHA ALMA, SACRIFIQUEI TRÊS BODES E DEI DOZE OFERENDAS A IEMANJÁ PRA PODER TERMINAR ESSA PORRA.

Sério, tô esgotada, alguém me mata.

(Nova capa feita por @DaisyBell)

Capítulo 4 - Partying like Russians


Fanfic / Fanfiction Institute of Arts in Los Angeles - Interativa - Capítulo 4 - Partying like Russians

O dia na escola tinha sido, no mínimo, agitado. Todos estavam ansiosos demais, animados demais para a festa de Johanna. Elizabeth Pinkketon entendia isso. Nunca foi para uma dessas festas, mas já ouviu boatos sobre elas e sabia que as da Johanna eram as melhores. Consequentemente, isso fez com que a garota de cabelos loiro-morango ficasse animada, também.

Quando deu a hora da festa, Effy já estava pronta e batendo na porta da casa de Johanna. Não foi atendida, então tentou abrir a porta, mas ela estava trancada; o que significa que a festa ainda não tinha começado. Elizabeth respirou fundo, decepcionada com a falta de pontualidade de sua 'rival'.

-O que tá fazendo aqui uma hora dessas, Effy? - Uma voz feminina soou atrás de Elizabeth, o que fez Pinkketon virar o rosto para ver quem era. Era Jesmine, indo na direção da porta, acompanhada por Anna. Elas provavelmente tinham vindo juntas.

-É a hora da festa. - Effy respondeu, voltando a encarar a porta da casa, já começando a ficar impaciente pela demora.

-Ninguém chega numa festa exatamente na hora marcada, diva. - Annabeth falou, revirando os olhos. Jesmine tocou a campainha da casa.

-Eu gosto de ser pontual. - Elizabeth se defendeu, passando as mãos pela saia do vestido para arrumá-la. - E não me chame de diva.

-E o que você vai fazer se eu chamar, diva? - Anna perguntou, cruzando os braços e abrindo um sorriso por achar aquela situação divertida. Effy grunhiu.

-Você é irritante. - Pinkketon declarou. - Como os seus amigos te aguentam?

-Bem, pelo menos eu tenho amigos. - Annabeth rebateu. Elizabeth engoliu o seco. "Golpe baixo, Genevive. Golpe muito, muito baixo."

-Dá pra pararem? A festa mal começou e vocês já estão desse jeito. - Jesmine murmurou, soltando um suspiro enquanto encarava a porta. - Johanna tá demorando...

-Desculpa, Jes. - Annabeth pediu, também voltando o olhar para encarar a porta. - Mas foi ela quem começou.

-Eu comecei? Você implica comigo e me provoca sem motivos e fui eu quem comecei? - Elizabeth perguntou, indignada, mas mantendo seu tom de voz.

-Você me chamou de irritante.

-Não é como se eu estivesse mentindo. - Effy praticamente cuspiu as palavras. Annabeth voltou a encarar a ruiva, séria, e parecia prestes a socá-la no rosto quando Jesmine entrou no meio das duas.

-Paz e amor. Só hoje, por favor. - Jesmine pediu, com um tom de voz pacífico, o que fez Anna se conter.

-Eu quero uma revanche. - Elizabeth declarou, ignorando os pedidos de paz de Jesmine, e recebendo um olhar confuso das outras duas. - Uma revanche do negócio da dança, valendo tudo ou nada.

-Quer perder de novo? - Anna perguntou, soltando uma risada sarcástica. - Como aguenta tanta humilhação, Pinkketon?

-A única pessoa que eu tô vendo aqui e que vai ser humilhada, é você. - Elizabeth falou, cruzando os braços. - Ou tá com medo de perder?

-Eu não tenho medo de nada. - Anna falou imediatamente, semicerrando os olhos. - Eu topo.

-Ah Deus, por que eu ainda insisto em tentar fazer as duas se acalmarem? - Perguntou Jesmine para ninguém em especial, coçando a própria testa. Ela tocou a campainha de novo.

Só então a porta foi aberta, revelando uma Johanna sorridente.

-Minhas primeiras convidadas. Entrem, entrem. - A loira incentivou, saindo da frente da porta para abrir espaço para as três garotas, que entraram na casa. Ela estava decorada, e não tinha nenhuma iluminação além de várias luzes coloridas espalhadas por aí. - Jes, liga o som. Anna, pode explicar as coisas pros garçons, por favor? Eles estão na cozinha. - Johanna instruiu, deixando óbvio que isso sempre acontecia antes das festas da garota. Thompson fechou a porta, enquanto suas amigas se dispersaram pela casa para ajudá-la. Por fim, Joh se virou para Elizabeth. - E... Effy, pode fazer uma coisa pra mim? Por favor?

Elizabeth arqueou ambas as sobrancelhas, sem acreditar no que ouvia. Johanna Thompson (cuja qual nunca foi exatamente amiga de Effy, mas também não exatamente inimiga. Elas eram mais... Rivais, ou algum tipo de meio termo.) estava mesmo pedindo um favor pra ela?

-Nada complicado. Só quero que você suba as escadas e chame Coral pra festa. - Joh explicou. - Primeiro corredor à direita da escada, terceira porta a esquerda.

Elizabeth acabou por dar de ombros e subir as escadas, para ir chamar Coraline.



* * *



A batida leve e sem nenhum ritmo em especial ecoou pelo quarto de Coraline. A russa dirigiu o olhar imediatamente para a porta, sabendo que, seja lá quem estivesse do outro lado dela, entraria a qualquer segundo. Coral estava sentada em cima da cama, lendo um livro cujo título era "O Código Da Vinci". O quarto da loira tinha paredes brancas, assim como as cortinas e a cama. Outros móveis, como o guarda-roupa, a escrivaninha e as prateleiras (cheias) de livros possuíam um tom marrom típico de madeira. As luzes que iluminavam o quarto eram amareladas, dando ao lugar um ar elegante e sofisticado; mas alguns objetos em especial quebravam toda a neutralidade do local, como os pôsteres de filmes (Como Senhor dos Anéis, O Hobbit, Os Vingadores, Guerra Civil, Batman vs Superman, Star Wars VII, entre outros.) espalhados pelas paredes e "figuras de ação" entre os livros, além de alguns objetos que eram claras referências à filmes e livros famosos. Sem contar, claro, um grande mural que cobria a maior parte da parede onde a cama de Coraline estava encostada. O mural possuía nele preso vários panfletos de feiras de ciências, feiras culturais, apresentações teatrais de peças famosas, palestras, e muitos post-its pequenos e amarelos com observações aleatórias de Coral.

Apesar disso, tudo estava extremamente arrumado. Os pôsteres eram alinhados, e os livros organizados em cores/coleções. Até os panfletos e post-its do mural pareciam ter sido estrategicamente escolhidos e posicionados para que se encaixassem bem.

Por isso Elizabeth ficou meio desconsertada quando abriu a porta. Sem saber o que falar até, o que fez daquilo um momento bem incômodo para Coraline. Por isso a russa pigarreou.

-Posso ajudá-la? - Belikov perguntou, marcando a página do livro que estava lendo e fechando-o em seguida, colocando-o de lado.

-... Mais ou menos. - Respondeu Effy, sem passar da batente da porta. A garota sorriu meio sem jeito. - Johanna tá te chamando pra ir lá embaixo. Os convidados já estão chegando.

-Eu não vou para essa festa. - Coral disse, séria. Ela realmente não pretendia ir, Pinkketon conseguia ver isso na cara dela. - Mas normalmente a Johanna envia pessoas que me conhecem para me convencer à ir para festas. Você tentando me convencer deve ser uma situação interessante. Vamos lá, dê o seu melhor.

Effy interpretou as palavras de Coraline como uma permissão para que pudesse entrar no quarto dela, então o fez. Ela se sentou na ponta da cama, para não invadir a privacidade da outra. Coral apenas a encarou, interessada no que a outra tinha a dizer.

-Então... Você é russa, certo? - Elizabeth perguntou o óbvio, o que fez Coraline arquear uma sobrancelha. Apesar de tudo, Pinkketon possuía um sorrisinho confiante, já convencida de que iria conseguir fazer Coral ir à festa. Effy estava, sinceramente, adorando aquela situação. - Até quanto tempo morou na Rússia?

-Até eu completar 16. - Respondeu Coraline (que, atualmente, tem 17 anos.) sem hesitar. Ela só queria saber onde tudo aquilo ia chegar.

-Hm. Legal. Você ia para muitas festas lá?

-Nunca fui do tipo festeira. - Belikov disse, dando de ombros em seguida. - Mas eu tinha um amigo, Dimitri. Ele dava festas agitadas demais para alguém com menos de 18 anos, e sempre acabava me convencendo a comparecer. Só que eu ia pras festas para meio que fugir de casa. Atualmente eu não tenho nada do que fugir, então...

Coral deu de ombros ao terminar de falar. Seu tom de voz fazia as palavras fluírem com naturalidade, mas eventualmente Effy acabou franzindo as sobrancelhas. Coraline parecia ser do tipo calada, mas que encara os problemas de cabeça erguida e pisa neles. Por um momento, Pinkketon se perguntou o que faria a loira a sua frente fugir. Mas ela deixou o assunto de lado rapidamente quando lembrou que não era da sua conta.

-"Agitadas demais"? Mais que as da Johanna, e as outras que você já frequentou aqui nos EUA? - Elizabeth perguntou, direcionando a conversa para onde ela queria. Coraline bufou e soltou uma risada breve.

-Mil vezes mais. Comparadas às festas do Dimitri, as festas que a Joh dá são festinhas de aniversário infantis. - Coral respondeu. Ela não soava arrogante ou superior; só... Sincera. Brutalmente sincera.

-A sua vida seria mais animada se as festas daqui fossem como as da Rússia?

-Sim. E mais complicada, sem dúvidas. Mas melhor, de certa forma. - Belikov disse, dando de ombros em seguida. Effy abriu um sorriso largo e se levantou.

-Então que tal você mostrar para esses americanos ignorantes o que é uma festa de verdade? - A garota sugeriu, estendendo a mão direita para ajudar Coral a se levantar. "Xeque-mate."

Por alguns segundos, as garotas só ficaram lá, paradas, se encarando. Effy chegou até a pensar que não tinha funcionado, e Coraline começou a rir.

-Deuses. Se estivéssemos em um dos livros da J.K. Rowling eu provavelmente tentaria lançar um Crucio contra você agora mesmo. - A russa brincou, aceitando a ajuda de Pinkketon para se levantar; pegando a mão da garota e se impulsionando para cima até se pôr de pé. - Você fez um bom trabalho aqui, Pinkketon. Você conseguiu passar um diálogo inteiro sem falar sobre Broadway ou sobre si mesma. Faça isso mais vezes. Tenho certeza que vai se enturmar melhor.

E, ao terminar de falar, Coral não esperou resposta e entrou no banheiro do quarto, deixando Effy pensar sobre as palavras da russa. Por fim, Pinkketon acabou voltando para a festa, que aparentemente já tinha começado.



* * *



Do jeito mais irônico possível, o som do carro de James tocava em volume máximo a música "Highway to Hell", da banda AC/DC, enquanto o garoto dirigia para a casa dos seus amigos. Havia prometido dar uma carona a eles para a festa de Johanna no dia anterior.

A primeira casa em que ele decidiu ir foi a de Ethan. Como seria esperado de um típico folgado-que-vive-mais-na-casa-dos-amigos-do-que-na-própria, Jay não precisou descer do carro para que o porteiro do prédio em que Ethan morava interfonasse para o garoto. Quase todos naquele prédio (e na vizinhança de todos os amigos do Palmer) reconheciam o carro de James como "o carro barulhento do garoto barulhento que parece que não tem casa porque vive perambulando por aqui", inclusive o porteiro.

Não demorou muito, também, para que Sayuri aparecesse saindo do prédio. O japonês acenou para se despedir do porteiro, que acenou de volta; então o adolescente abriu a porta do banco do passageiro (na frente, ao lado do motorista) e entrou. Jay pisou no acelerador na mesma hora, já indo para a casa do Gus.

Ethan riu assim que notou qual era a música tocando no rádio.

-Não acha irônico que esteja tocando "Highway to Hell" bem quando estamos indo para a casa do Gustavo? - O japonês perguntou, reconhecendo o caminho que o carro seguia como sendo o caminho para a casa do amigo.

-Pensei a mesma coisa quando estava vindo para a sua. - Palmer provocou. - Vai ver é porque os dois, até quando vão tentar melhorar as coisas, pioram. Ter que aguentar vocês é um inferno, mesmo.

Ethan fingiu-se de ofendido, mas os dois acabaram caindo na risada enquanto "Highway to Hell" acabava. Rapidamente começou a tocar outra música que Sayuri não se recordava o nome, mas Jay a reconhecia como "Livin' on a Prayer". Ethan, também, abaixou o volume da música. James não reclamou, porque sabia da cisma do amigo de não gostar de ouvir música muito alta.

-Então? Animado para a festa da Joh? - Palmer perguntou, de modo casual, quando o carro teve que parar num sinal vermelho.

-Acho que eu tô mais pra "nervoso" do que pra "animado". - O japonês admitiu, com um sorriso fraco. James riu, passando as mãos pelos próprios cabelos, arrumando-os.

-Por que? Sabe, festas são uma maneira ótima de quebrar o gelo e tentar algo com alguém. Alguma pessoa em mente? - Jay perguntou com um tom risonho e zombeteiro, na intenção de constranger o amigo.

-Na verdade sim. - O japonês confirmou, depois de alguns segundos de silêncio. Palmer o olhou, surpreso; mas rapidamente teve que dar partida no carro ao ver que o semáforo tinha ficado verde.

-É sério? - Jay perguntou, com um sorriso aberto. - É a Yoongie, não é? Cara, sempre achei que vocês iam acabar se pegando, mas pensei que ia rolar muito cu doce antes.

Ethan soltou uma risada breve, com um notável timbre de nervosismo, e negou repetidas vezes com a cabeça enquanto o carro estava sendo estacionado na frente da casa de Gus.

-Não, Jay. É a Coral. - Sayuri disse, respirando fundo em seguida. Ele não hesitara em dizer, porque sabia que podia confiar em James. Ou, pelo menos, pensava que podia.

O sorriso de Jay vacilou no mesmo instante que o nome de Coraline foi pronunciado, sem nenhum motivo qual Palmer pudesse definir. Ele, de certa forma, não gostava da ideia de ver Ethan e Coral juntos numa festa. Mas James preferiu não falar nada, e ficou em silêncio enquanto apertava a buzina do carro repetidas vezes, olhando para a casa de Gustavo. O amigo não tardou em sair de lá e se sentar num dos bancos de trás.

-A paciência é uma virtude. Já ouviu essa frase antes, James? - Perguntou Gus, levemente irritado. - Minha mãe achou que alguém estava tendo um ataque epiléptico no banco da frente de um carro. Mas não, era só você apertando a buzina como se eu fosse surdo.

Ethan e James acabaram rindo da reação do amigo, relaxando o clima tenso que havia sido instalado há poucos instantes. Gus sorriu ao ver os amigos rindo, rapidamente relaxando também.

-Ainda com a ideia tonta de só passar meia hora na festa da Joh? - Palmer perguntou, mudando de assunto e dirigindo, dessa vez, para a casa de Kim Min-Jun. Jun não era muito amigo de Ethan nem de Gus, mas era de James; e Jay havia prometido dar uma carona ao coreano também.

-Não é uma "ideia tonta". É uma certeza. - Gustavo disse, dando de ombros em seguida. Ele tinha a certeza de que a festa estaria cheia de pessoas que ele não gosta ou que não gostam dele; entre essas pessoas até mesmo a própria anfitriã, Johanna Thompson.

-Cara, eu e o Jay vamos estar lá. Vai ser legal. - Ethan garantiu, olhando para Gus pelo retrovisor do carro, com um sorriso.

-No caso, você vai estar lá. - Gustavo Langdon corrigiu, cruzando os braços. - James vai nos abandonar para transar com uma garota qualquer assim que tiver a chance. Talvez até mais de uma.

-É aí que você se engana, caro amigo. - Palmer se intrometeu, com um sorriso fraco e forçado. - Dessa vez o garanhão aqui é o Ethan. Ele até tem uma garota em mente para conquistar hoje à noite.

-... Uau, você parece estar falando sério. - Observou Gus, com as sobrancelhas franzidas. - Quem é a tal garota?

-Coraline Belikov. - James respondeu no lugar de Ethan num murmúrio e à contra gosto, sem tirar os olhos da estrada.

-A Coral? - Uma das sobrancelhas de Langdon se arqueou enquanto o garoto se inclinava para frente para poder conseguir olhar pro rosto de Ethan. - Cara. Nós quatro somos melhores amigos desde que ela saiu da Rússia, e você me vem com uma dessas? Ah, pior ainda: você conhece os amigos dela? Um deles tem tendências agressivas e vai acabar quebrando a sua cara se você magoar ela.

-Para de falar sobre mim como se eu não estivesse aqui, Gus. - James repreendeu, parando o carro na frente da casa de Min-Jun. Jay realmente era tudo o que Gustavo dissera; um jovem com tendências agressivas que quebraria a cara de qualquer um que magoasse algum de seus amigos. Com atenção especial a Coral.

-Não, eu estava falando sobre mim. - Gus interrompeu o amigo, mas rapidamente voltando a atenção para Ethan. - Mas isso se encaixa a James e Johanna também. Não tenta se envolver com a Coraline, sério. Ela é problema. Te aconselho isso como um amigo.

-Parem de falar como se tivessem certeza que eu vou magoar ela. - Ethan pediu, revirando os olhos. Ele não era do tipo que revirava os olhos sempre; mas fazia isso uma vez ou outra, tipo quando seus amigos estavam sendo uns babacas, como agora. - Nós nem temos alguma coisa. Na verdade a probabilidade de eu ser rejeitado é muito alta. E a probabilidade de eu nem ter coragem para falar com ela é ainda maior. Já pararam pra pensar nisso? Tiraram toda a autoconfiança que me restava pra ir falar com ela. Obrigado.

O carro ficou em completo silêncio por alguns segundos, até que Gustavo respirou fundo e voltou a se sentar normalmente.

-Foi mal, cara. É que ela é tipo uma irmã que eu nunca tive. Nunca pensei que algum de nós fosse se interessar por ela. E, se fosse, esse seria James, porque, sejamos sinceros, ele é um depravado. - Gus disse, o que acabou arrancando um sorriso mínimo de ambos os amigos (acompanhado por um leve bufar de James). - Só não faz besteira, falou?

Ethan afirmou com a cabeça em resposta, o que fez Jay bufar outra vez e ainda mais alto. A aprovação de Gus para toda aquela loucura de Ethan e Coraline incomodava James mais do que deveria. O garoto se consolou com o pensamento de que Coral não aceitaria ficar com ninguém sob circunstância alguma numa festa como as de Johanna. Coraline não era do tipo de garota que fazia isso... Certo?

A entrada de Min-Jun no banco de trás do carro arrancou todos os outros garotos de seus respectivos pensamentos.

-Oi Ethan. Oi Gustavo. - O coreano cumprimentou, com um sorriso sem jeito. Nunca foi realmente amigo daqueles dois. - E oi, James.

-Eaí, Jun. - Palmer cumprimentou de volta, com um sorriso fraco e forçado, pisando no acelerador.

-Eu... Cheguei numa hora ruim? É que eu vi pela janela da casa o carro do James, então eu pensei que deveria vir. - Min-Jun se justificou.

-Cara, relaxa. - Gustavo pediu, dando de ombros em seguida. - O Jay que é avoado e se esqueceu de buzinar.

-É, foi mal. - James confirmou, enquanto dirigia para a Mansão Thompson. - Por sinal, como convenceu seu pai de te deixar ir para essa festa?

-Não convenci. - Admitiu Min-Jun, fazendo uma rápida careta. - Por isso quero que você acelere.

Jay abriu um sorriso fechado, sem mostrar os dentes, e fez o que lhe foi mandado.

-E o que vai dizer pra ele amanhã? - O motorista perguntou, sabendo que nenhuma festa de Joh acabava antes das 6h da manhã do dia seguinte.

-Johanna disse que ia cuidar disso. - Jun murmurou, com certo tom de incerteza na voz. -... Ela vai cuidar disso, não vai?

-Conhecendo a Thompson, vai. - Palmer confirmou. - Se vai dar certo ou não, aí já é outra história.

O resto do caminho foi silencioso e constrangedor. Ethan estava nervoso, James estava frustrado, Jun estava desconfortável e Gus estava só alheio aos problemas dos outros rapazes, sem assunto. A tensão ali era quase palpável, quando finalmente Jay decidiu acabar com o sofrimento deles estacionando perto da casa de Johanna. Os quatro saíram do carro e então foram para a festa.



* * *



Johanna olhava ao redor, satisfeita, com um copo de alguma bebida colorida na mão. Ela estava com seu vestido preto mais discreto; os cabelos dourados soltos, batom vermelho vinho e delineador, além de calçar um par de saltos altos, também pretos, e um par de brincos longos dourados. Tudo para que parecesse uma diva (o que ela realmente é, no bom sentido da palavra) com o menos possível.

À medida que a garota circulava, as pessoas da festa (um bando de adolescentes bêbados) iam agradecendo-a e parabenizando-a pela festa. Johanna só conhecia cerca de ¾ deles, mas não é como se a garota se importasse, de qualquer modo.

-Johanna Thompson? Parabéns por sua festa. - Uma voz masculina atrás da garota falou. Ela se virou para agradecer, mas seu sorriso se desmanchou assim que ela reconheceu o garoto. Alto, branco, de cabelos castanhos e olhos azuis. "Darwin."

-O que... O que você tá fazendo aqui? - A loira perguntou, num tom de voz normal; quase inaudível considerando a batida alta e frenética da música eletrônica que tocava pelos arredores de toda a Mansão Thompson.

-Vim visitar a minha melhor amiga. - Ele respondeu, de modo sorridente, puxando-a para um abraço, com cuidado para não derrubar a bebida dela. - Acabei de chegar na cidade. Estava com saudades. Pensei que você fosse ficar mais feliz em me ver.

-... Feliz?! - A garota perguntou, de modo indignado, empurrando-o para longe dela. - Você sumiu por dois anos. Não avisou, não deu notícias, nada, e então volta para Los Angeles do nada, nem sequer me avisa e só aparece numa festa minha? Quem você pensa que é?

-Joh, eu... - Darwin começou, querendo se explicar.

-Já sei. - Ela o interrompeu. - Você tem pais que não gostam de mim. Nunca gostaram. Acham que eu sou um mau exemplo. - Johanna sorriu fraco. Um sorriso vazio, forçado. - E talvez eu seja mesmo. Toma cuidado comigo, porque eu sou má, perigosa e corrompo as pessoas. - Ela concluiu, com um tom de voz irônico.

Dito isso, Joh colocou o copo da bebida alcoólica colorida na boca e o virou, tomando todo o conteúdo em três goles. Assim que o fez, entregou o copo vazio para Darwin e entrou no meio de um aglomerado de adolescentes que dançavam ao som da música. Win tentou ir atrás dela, mas a garota já havia sumido entre a multidão.

Então ele respirou fundo, derrotado.



* * *



Sendo o mais sincero possível? Oziel Celeski não estava gostando daquela festa. Adolescentes bêbados dançando, se drogando, esbarrando uns nos outros e se pegando por todos os lados num ambiente mal-iluminado não era exatamente a situação dos sonhos do ruivo. Ele só precisava encontrar Johanna, mostrar que veio à festa e depois sair. Só. Mas aparentemente a loira havia sumido da própria festa, e isso já estava atingindo os nervos de Ozi, porque, se o rapaz não provasse que estava ali, Joh iria provavelmente cobrar algum outro favor em troca de receber a culpa da estátua quebrada. E Celeski odiava quando o cobravam favores.

Enquanto abria espaço entre os adolescentes, o ruivo entrou num cômodo quase vazio, o qual ele julgou ser a cozinha. Haviam apenas uns três homens bem-vestidos lá dentro, provavelmente contratados para serem os garçons. Nenhum deles parecia se importar com a presença do jovem. Um dos garçons pegou uma bandeja de cima do balcão da cozinha; uma de prata, cheia de copos com uma bebida de cor avermelhada. Talvez Oziel estivesse encarando os copos por tempo demais; porque rapidamente ele ouviu a voz grave soar:

-Quer um? - O garçom perguntou, pegando um dos copos da bandeja com a mão livre e entregando a Oziel. O garoto fez uma rápida careta enquanto pegava a bebida. Estava morrendo de sede, mas até agora só tinha visto bebidas alcoólicas. E o Celeski tinha prometido que nunca beberia nada alcoólico. Quando o ruivo estava prestes a perguntar ao homem o que era aquilo, já era tarde demais, porque os três garçons já tinham voltado pra festa. Oziel deu de ombros e cheirou a bebida avermelhada. Tinha cheiro de... Morango. Morango adocicado (Ozi também sentia cheiro de álcool; mas desconsiderou isso porque até as roupas dele cheiravam à vodka, de tanto tempo que ele ficou exposto aos bêbados da festa). Provavelmente era só suco, mesmo; até porque o ruivo tinha visto que muitos amigos da Johanna não estavam nem tocando na bebida alcoólica. Ela não teria desconsideração por eles o suficiente para não distribuir pelo menos uma bandeja de suco.

Então o ruivo tomou o líquido. Era o melhor suco de morango que ele já tinha experimentado na vida, sem dúvidas. Pegou outro copo cheio da bebida numa bandeja do balcão que os garçons haviam ignorado. E bebeu.

O garoto se sentou no balcão, ao lado da bandeja de suco. A música eletrônica frenética era abafada naquele cômodo; o que era bom. Ficar ali na cozinha sozinho e bebendo era muito melhor do que se misturar com os outros. Talvez Oziel pudesse procurar Johanna quando a festa acabasse.

O ruivo decidiu que era exatamente isso que ele faria: esperar a festa acabar.

Estava talvez no quinto copo (Celeski nunca esteve com tanta sede na vida) quando outra pessoa entrou na cozinha. Uma garota de olhos puxados e cabelos e olhos castanhos que parecia totalmente deslocada no lugar. Ela definitivamente não era o tipo de pessoa que alguém esperaria ver numa festa como aquela.

-Por que está sozinho aqui? - A voz doce dela perguntou, enquanto a garota abria a geladeira da cozinha, como se a casa fosse sua. Talvez até não fosse, mas Oziel sabia que Yoona era uma das amigas íntimas de Johanna, então não surpreenderia o ruivo se a coreana viesse para essa casa o tempo todo.

-Falta de vontade de lidar com o mundo exterior. - Celeski respondeu, pegando outro copo de cima da bandeja ao seu lado. Observou a coreana procurar algo na geladeira, com uma sobrancelha arqueada. O rapaz tomou alguns goles da substância avermelhada do copo antes de voltar a prestar atenção em Yoona. - E você?

-Procurando a Joh. Ou a Anna. Ou o James. - Yoongie respondeu, tirando da geladeira um pote cheio de fatias de limão. Ambas as sobrancelhas de Oziel se arquearam, mas ele decidiu deixar pra lá. "Cada louco com suas loucuras." - ... Ou qualquer um com quem eu possa conversar que não esteja completamente bêbado. Então já podemos excluir a Joh e o James dessa lista. Só que eu não encontro a Anna em lugar nenhum.

Yoona deu um suspiro tristonho ao terminar de falar. Colocou o pote de limões no balcão, ao lado da bandeja de sucos (obviamente deixando os sucos entre o pote de limões e Oziel). Pegou um dos copos e espremeu a fatia de limão em cima dele, fazendo o suco do limão cair no de morango. Yoona tomou alguns goles da bebida, jogou a fatia espremida de limão no lixeiro ao lado da pia e voltou para pegar o pote de limões, para guardá-los novamente na geladeira. E assim ela o fez.

-Então sabe onde tá a Joh? - Oziel perguntou, tomando mais alguns goles do suco de morango qual segurava.

-Não. Ela costuma ser a estrela das próprias festas, mas hoje ela sumiu. - Respondeu Yoongie, voltando pro balcão para poder pegar o suco qual ela adicionou limão. Quando o fez, a coreana se sentou ao lado de Oziel, dando a entender que ficaria ali. - Mas eu não tô muito preocupada, ela some o tempo todo. Vai voltar logo.

-Hm. - Foi a resposta de Oziel, enquanto ele virava a bebida e tomava vários goles repetidos até ela acabar. O garoto rapidamente se sentiu tonto, mas... Deve ser por ter bebido muito rápido, certo?

-Por que veio à festa? Pensei que tivesse recusado o meu convite. - A coreana mudou de assunto, bebendo o líquido do copo com calmaria.

-E recusei. - Oziel respondeu, dando de ombros em seguida enquanto pegava outro copo. Aquele suco era tão bom que parecia ser viciante. - Mas Johanna me convenceu a vir.

-Ela é uma garota muito persuasiva. - Yoona falou, afirmando com a cabeça de modo vago, entre um gole lento e outro.

-Você nem imagina o quanto. - Celeski murmurou, revirando os olhos discretamente ao se lembrar que só estava ali para pagar um favor.

-Nunca te vejo em festas do pessoal da escola. - Min Yoona comentou, num tom de voz baixo.

-Não é como se as pessoas gostassem da minha presença ao ponto de me convidar pra uma. - O ruivo falou, com certo desinteresse na conversa, tomando mais alguns goles do tal suco.

-Bem, você deveria aproveitar enquanto está em uma. - Yoongie aconselhou, abrindo um sorriso meigo. - Quer dançar?

-Eu não gosto de contato físico. Nem de dançar. - O garoto respondeu, usando um tom de voz grosseiro sem perceber. Ele só estava acostumado demais em falar assim com as pessoas. Mas meio que se arrependeu quando viu o rosto de Yoona se desanimar completamente. Ozi tacaria o foda-se se fosse alguma outra pessoa; mas, apesar de não conhecer Yoona tão bem, sabia que ela era do tipo fofa do coração de ouro que não merecia ser decepcionada. Oziel revirou os olhos, descendo do balcão. - Beleza. Mas sem encostar.

A música tocando era uma eletrônica, qualquer tipo de contato físico era completamente dispensável.

-Que sem graça, você. - Yoona brincou, com um sorriso fechado no rosto. Oziel pegou outro copo cheio daquele suco e, seguindo Yoona, ambos saíram da cozinha e foram para a área do jardim, o lugar com mais concentração de alunos e onde a música parecia estar mais alta. Oziel tomou todo o líquido antes de entregar o copo vazio para um bêbado aleatório e começar a se mover de acordo com o ritmo frenético da música. Rindo, Yoona fez o mesmo.

Por algum motivo, Oziel estava alegre, mais do que de costume. Ele começou a fazer movimentos esquisitos, como se estivesse tendo uma convulsão, só pra fazer graça. E Yoongie ria daquilo. O ruivo riu também, mas rapidamente voltou a dançar como uma pessoa normal.

E, quando eles estavam perigosamente próximos, Yoona tentou beijá-lo.

Mas Oziel parou de dançar e segurou a coreana pelos ombros para que ela não se aproximasse mais na mesma hora, deixando a garota confusa. Ela o achava fofo, realmente pensava que poderia derreter o coração de gelo dele, e achava que aquela era a oportunidade perfeita para tentar algo.

Oziel discordava. Discordava mil vezes.

-Yoona, eu não posso. - O ruivo falou, tendo que elevar seu tom de voz para que ele possa ser ouvido por Yoongie, já que a música estava realmente alta.

-Por que não? - A garota perguntou, talvez baixo demais; mas juntando as habilidades de dedução e de leitura labial de Celeski, então ele presumia que foi isso que ela perguntou. O ruivo negou vagamente com a cabeça.

-Eu só não tô com humor pra isso. - Ele mentiu. O garoto não tinha vergonha de dizer a verdade sobre a sua sexualidade; mas, também, se falasse alto demais num ambiente como aquele, as pessoas provavelmente parariam de ter medo dele. Algumas tentariam se aproximar, outras implicariam. E a última coisa que Ozi quer é outras pessoas pra encher o saco dele.

-... Desculpa. - A coreana pediu, por fim, com um tom de voz frágil. Apesar da má iluminação do local, dava pra ver que ela estava vermelha como um tomate. E, antes de esperar uma resposta do ruivo, Yoona correu na direção de um fluxo de adolescentes, se misturando entre eles e impedindo que Oziel conseguisse vê-la.

O garoto, agora sozinho, respirou fundo e passou as mãos pelo próprio cabelo. Será que ele fez alguma coisa que parecia que estava flertando?

Ozi por fim afastou esses pensamentos da cabeça, abrindo espaço entre os alunos para poder voltar à cozinha, onde estaria sozinho e com o suco de morango que parecia mais ser divino do que qualquer outra coisa.



* * *



Normalmente, amigos serviam para incentivar uns aos outros. Entretanto, Ethan descobriu que os amigos dele serviam exatamente pro contrário. Na festa, ele estava tímido demais; com vergonha demais para ir falar com Coraline. E, sinceramente, o japonês odiou isso, uma vez que, se essa festa estivesse acontecendo há alguns dias atrás (quando Ethan não desconfiava de ter algum tipo de sentimento por Coral), eles dois estariam bebendo e rindo com Jay e Gus.

Sayuri estava sentado num dos pufes coloridos espalhados pelo interior da mansão Thompson, enquanto observava as pessoas ao seu redor dançando ao ritmo da música eletrônica extremamente alta que tocava sem parar. Ethan não gostava de música muito alta, mas bem, ele não podia esperar outra coisa de uma festa como aquela. Sempre que um garçom passava, o japonês pegava um copo de bebida alcoólica que eles carregavam de lá para cá em bandejas. Bebidas que não pareciam acabar, e com uma diversidade incrível, desde copos de Absinto e Everclear até drinks com baixo teor alcoólico.

Em pouco tempo, Ethan já estava bêbado, fora de si. E foi aí que o rapaz decidiu, com um sorriso bobo no rosto, sair para se divertir naquela festa. O estado de sua coordenação não estava um dos melhores, então ele esbarrava em alguém a cada passo, mas depois começava a rir freneticamente disso. Dançava entre as pessoas de um jeito ridículo, até encontrar num canto da sala caixas de som grandes e superpotentes. Era de lá que toda aquela música vinha.

E, enquanto seus ouvidos quase estouravam por conta do volume do som, Ethan teve uma ideia.

Como esperado, não uma boa ideia.

Ele se aproximou das caixas de som e desconectou a extensão que ligava todas elas da energia. O silêncio repentino deixou todos ali atordoados, mas as pessoas rapidamente se deram conta do que estava acontecendo e começaram a vaiar Ethan, jogando os copos plásticos e objetos pequenos nele. O garoto, entretanto, não parecia se importar enquanto pegava um microfone de cima da caixa de som. Johanna fazia muito isso, deixar microfones soltos por aí em suas festas para que bêbados pudessem fazer idiotices.

Aparentemente, ela atingiu seu objetivo. Isso foi comprovado quando o japonês ligou o microfone, que por sinal era sem fio, e começou a cantar uma música natalina.

Normalmente, Ethan Sayuri tinha uma voz belíssima para cantar qualquer coisa. Mas isso não era exatamente verdade quando o rapaz ficava bêbado.

-JINGLE BELLS, JINGLE BELLS! - Ele começou, deixando a maioria das pessoas ali sem reação. O som da voz dele saiu pelas mesmas caixas de som que a música eletrônica saía antes. Algumas pessoas riram, cochichavam; mas a maioria assistia o japonês como se aquilo fosse algum tipo de show. Ele, ao perceber que tinha a atenção de todo mundo, subiu de modo extremamente desajeitado em cima de uma das caixas de som (a menor delas. E, mesmo assim, quase caiu algumas vezes). Quando conseguiu, ficou de pé nela com algum esforço, fazendo da caixa de som seu próprio palco. - JINGLE ALL THE WAY! OH WHAT FUN IT IS TO RIDE IN A ONE HORSE OPEN SLEIGH...

O garoto continuou cantando enquanto balançava freneticamente o pé direito no ar, na intenção de fazer seu sapato sair. Ele estava suando, e isso o incomodava. Assim que o sapato direito voou, ele fez o mesmo com o outro pé. E, quando o sapato esquerdo caiu, alguém no meio da multidão gritou, interrompendo a cantoria de Ethan:

-AGORA A CAMISETA!

E o resto das pessoas do cômodo (que, por sinal, era uma sala enorme e lotada) gritaram em animação. Apesar de bêbado, Sayuri logo entendeu que eles achavam que o rapaz ia fazer strip-tease ali mesmo.

E, se era isso que seu público queria, é isso que Ethan vai fazer.

O garoto riu enquanto jogava o microfone em algum lugar da platéia. Uma garota cuja ele não reconheceu pegou o microfone. Outra pessoa aleatória voltou a conectar os cabos das caixas de som na energia, fazendo a música ensurdecedora voltar e a caixa de som abaixo dos pés de Ethan tremer com as ondas sonoras. Ele riu alto ao sentir isso em seus pés descalços.

Entretanto, ninguém tinha voltado a dançar. Todos do cômodo estavam quietos, olhando o japonês, esperando.

A espera não durou muito, também. Ambas as mãos de Ethan foram dirigidas para a barra da camiseta do mesmo, e, numa demora que chegava a ser um suspense torturante para pelo menos ¾ das pessoas daquela sala, o japonês foi subindo, até por fim retirar a camisa por completo. Quando o fez, exibindo o tanquinho que o japonês conseguira sem muito esforço, uma onda de aplausos e gritos de animação tomou a festa. Ethan sorriu ao ver a cena, jogando a camisa para uma direção qualquer e rapidamente dirigindo as mãos para os botões da calça, o que levou sua "platéia" à loucura. Ele desabotoou, deixando a calça cair no chão por conta própria. Os adolescentes bêbados ao seu redor gritaram e aplaudiram em êxtase. Todo mundo adora um bêbado fazendo coisas vergonhosas em público (apesar de que, sinceramente, o corpo de Ethan era digno de orgulho e não do contrário). Assim como fizera com a camiseta, Ethan chutou as próprias calças para longe. E, quando já estava com as mãos no elástico da cueca para fazer o Grand Finale de seu showzinho, viu alguém recolher as calças dele no chão. A mesma pessoa que segurava a camiseta do japonês em sua mão livre. A garota de cabelos dourados estava com uma expressão mortalmente séria enquanto afastava os adolescentes ao seu redor, abrindo caminho até chegar na caixa de som em que Ethan se mantinha em pé.

Sayuri paralisou ao ver quem era. Coraline. Mas, ao mesmo tempo, não parecia ser Coraline; já que a garota vivia com as roupas mais nerds (mas que ficavam tão bem nela que parecia ser algo não-natural) o tempo todo. Agora ela estava tão arrumada. Uma maquiagem bem elaborada, os cabelos arrumados, com um vestido preto que parecia ter sido feito especialmente para provocar e seduzir todos ao seu redor, lábios vermelhos mais tentadores que nunca e até saltos altos ela estava usando.

Linda, mesmo parecendo estar com um ódio mortal.

O japonês a acompanhou com os olhos enquanto ela voltava a desligar as caixas de som. Ela também estava com o microfone que Ethan havia jogado na platéia, e o usou para dizer:

-Beleza, o show acabou, podem voltar a cuidar de suas próprias vidas. - A garota falou, com um tom de voz sério. As pessoas começaram a vaiar, o que fez Coraline revirar os olhos e bater o microfone na parede, provocando um som quase ensurdecedor que ecoou pelo local, fazendo todos eles se calarem. A loira colocou o microfone no canto da caixa de som em que Ethan estava em pé e dirigiu o olhar para o rapaz. - Anda, desce.

-Mas...

-"Mas" nada. - Coral interrompeu. - Você tá bêbado, não sabe o que está fazendo. Não vou deixar você se expôr desse jeito na frente desses babacas.

O japonês se sentou na caixa de som para poder descer dela. Assim o fez. Enquanto isso, sem muitas opções, todos os outros observavam a cena calados. Quando Sayuri conseguiu se pôr de pé, Coraline colocou um dos braços do rapaz sobre os ombros dela, obrigando-o a se apoiar na mesma. Ela olhou ao redor, vendo que as pessoas ainda assistiam.

-Vocês não tem mais o que fazer, não? - Coral perguntou, de modo rude. Ela realmente parecia estar irritada. A garota logo começou a andar numa direção qualquer, abrindo caminho entre as pessoas e praticamente arrastando Ethan consigo. Enquanto o braço direito estava nas costas de Ethan para poder auxiliá-lo no apoio, a mão direita da garota segurava a camiseta e as calças do japonês.

-Se alguém me dissesse que algum dia você estaria me agarrando e mandando em mim desse jeito numa festa enquanto eu estou seminu, juro que pensaria numa situação totalmente diferente. - O rapaz admitiu, com o tom de voz embolado, soltando uma gargalhada logo em seguida. Era óbvio que ele não tinha a mínima noção do que estava fazendo.

-Ethan, só... Cala a boca. - Coraline murmurou. O japonês aproveitou o fato de ser mais alto que a loira até quando ela está de saltos-altos para inclinar a cabeça pro lado, apoiando-a no topo da cabeça da russa enquanto ela o levava para um lado mais isolado da casa. - A festa estava ótima até aquela sua palhaçada.

-Se tá com tanta raiva, deveria ter deixado eu me humilhar. - O japonês murmurou, fechando os olhos e se deixando ser guiado por Belikov. - Sabe, Coral, eu gosto de você.

-Ah. Eu também gosto de você. Você, James, Gustavo, Johanna e Jesmine são praticamente as únicas pessoas do mundo que eu gosto. - A loira respondeu, deduzindo que era aquilo que Sayuri queria ouvir. Bem, não era, mas ele decidiu deixar por isso mesmo. Ela começou a subir uma escadaria. - Menos quando vocês fazem coisas estúpidas, como essa. Você realmente não deveria ter bebido tanto.

-Eu tô bem. Me leva de volta, tava todo mundo se divertindo. - O garoto pediu com um tom de voz manhoso, enquanto dava seu máximo para subir as escadas e não acabar caindo ou apoiando todo o seu peso em Coraline. Ele provavelmente a esmagaria.

-Acredite, você vai me agradecer por isso amanhã. - A garota murmurou. Quando Ethan tinha aberto a boca para falar alguma coisa, Coral o interrompeu de imediato: - Por favor, não torne essa situação pior do que já é. Sei que tem capacidade para isso.

O garoto se calou, e assim ficou até que eles terminassem de subir as escadas. Coraline atravessou alguns corredores até parar em frente à uma porta semiaberta. A garota abriu a porta completamente empurrando ela com a mão que usava para segurar as roupas de Ethan. Ela usou a mesma mão para clicar no botão do interruptor e acender a luz. O ambiente se iluminou, com uma luz amarelada.

Era o quarto de Coraline.

A garota conseguiu, por fim, guiar Ethan até a cama, e o soltou lá. Ele caiu desajeitadamente sem nem resistir, e se ajeitou na cama para poder ficar deitado direito. Coraline colocou as roupas dele na cômoda, ao lado da cama, e então apagou a luz. Apesar de o ambiente estar completamente escuro, ela conhecia o próprio quarto com a palma da mão, então andou até a escrivaninha e acendeu o abajur de lá, que emitia uma luz alaranjada e fraca. A loira se sentou na cadeira em frente à escrivaninha, observando o japonês bêbado jogado em sua cama.

-O que tá fazendo? - A voz embolada de Ethan pôde ser ouvida perguntando, enquanto o japonês colocava ambas as mãos na testa. Apesar de estar como estava, a mente dele ainda parecia estar girando.

-Vou te esperar dormir. Não quero correr o risco de que você saia daqui e volte lá pra baixo para poder completar o seu show. - Coraline murmurou, com um tom de voz cansado. Apesar de não ter sido uma fala realmente significante para a loira, aquilo arrancou um sorriso quase imperceptível de Ethan, que acabou caindo no sono logo então.



* * *



James já tinha bebido uns bons copos de tequila, mas ainda não estava bêbado. O garoto era bem resistente para esse tipo de coisa.

A parte ruim de não ficar bêbado, é que você se importa. Um bêbado não tem noção do que está acontecendo. Um sóbrio, sim. E foi por isso que James Palmer nunca desejou tanto estar bêbado quanto quando viu Coraline arrastando um certo japs seminu escada à cima. Claro que Ethan estava bêbado, e Coral realmente não é do tipo que se aproveita de alguém desse jeito, mas só a ideia de ver os dois juntos num quarto vestidos daquele jeito... Argh.

Bebidas. Jay precisava urgentemente de bebidas.

O garoto foi diretamente para a cozinha, onde encontrou uma Yoona tristonha sentada numa cadeira em frente ao balcão. James pegou uma das várias garrafas de bebida que estavam prestes a ser servidas, usou um abridor de garrafa para abri-la e tomou bons e longos goles. Colocou a garrafa no balcão e puxou uma cadeira ao lado de Yoona, sentando-se na mesma.

-Noite difícil? - O rapaz perguntou para a amiga, dando outro gole direto da garrafa.

-Mais ou menos. A sua também, aparentemente. - Im Yoona respondeu, soltando uma risada fraca e sem humor ao ver James bebendo daquele jeito. - Vai com calma.

-Desculpa, Yoongie, mas a última coisa que eu tô no momento é calmo. - Palmer falou, negando vagamente com a cabeça.

-O que aconteceu? - A coreana perguntou, apoiando os cotovelos no balcão e a cabeça nas mãos, sem olhar diretamente para James, apesar de estar interessada na resposta do mesmo.

-Eu tô meio que gostando de uma garota pela primeira vez na minha vida. - Jay respondeu, num murmúrio, encarando a garrafa de vodka que estava em suas mãos. - Mas um dos meus melhores amigos também está. Se eu ficar com ela, minha amizade com os dois estará estragada. Se ele ficar com ela, também. Nossa amizade é tipo a coisa mais importante do mundo pra mim, e eu me sinto horrível por isso, mas eu quero ficar com ela a todo segundo. E, Deus, quero socar a cara dele sempre que ele se aproxima mais que um metro dela.

James soltou uma risada seca ao terminar de falar, voltando a tomar a bebida. Normalmente ele não abriria o jogo daquele jeito para alguém que não fosse do Círculo, mas Yoongie e Joh eram excessões. Ele confia nelas.

-E ele se aproximou. - Yoona tirou suas conclusões, pensativa.

-Exatamente. - James confirmou, com um sorriso forçado sem mostrar os dentes. - Mas, vamos lá, eu sou James Palmer. Eu não saio por aí choramingando por garotas, eu faço as garotas saírem por aí choramingando por mim. Vou superar a Coral. Sempre supero.

-Coral? - Yoongie repetiu, arrumando sua postura para poder olhar James com os olhos arregalados. O garoto prendeu a respiração ao perceber que tinha dito o nome dela, mas acabou soltando um suspiro pesado e afirmando com a cabeça. - Você gosta da Coral? Não acredito que meu shipp da vida está virando realidade. - A coreana sorriu, meio animada com a notícia.

-Não está. - Palmer negou imediatamente. - Ela não sabe. Na verdade, só você sabe até agora. E ela parece estar mais interessada no Ethan.

-Ah... Então o Ethan é o outro garoto... - Yoongie observou, coçando o queixo de modo pensativo. - Você tá em uma situação bem complicada aqui.

-Eu sei.

-Mas, se te serve de consolo, acho que você ainda tem chance. - Min Yoona falou, colocando uma das mechas do cabelo atrás da orelha. - Quer dizer, é a Coral. A Coral não tem e nunca teve interesse amoroso em ninguém. Nós nem sabemos se ela é mesmo uma humana ou um robô.

James sorriu fraco com a brincadeira da amiga, tomando mais dois goles seguidos da vodka.

-Mesmo se ela for uma humana e eu conseguir conquistá-la, Ethan vai provavelmente me achar um traidor, porque eu já sabia que ele gosta dela. E ele é um dos meus melhores amigos, não posso deixar isso acontecer. - James afirmou, com convicção.

-Então sua melhor opção é superar seus sentimentos pela Coraline. - Yoona expôs o óbvio, parecendo já ter esquecido o acontecimento com Oziel.

-É... - Jay concordou, dando mais alguns goles na vodka, enquanto uma terceira pessoa entrava na sala. Effy Pinkketon. Ruiva, gostosa e completamente bêbada. James sorriu de canto enquanto observava a garota com os olhos, que começou a conversar algo com um dos garçons. Provavelmente sobre a bebida, mas não é como se Palmer se importasse. - E o melhor jeito de esquecer uma mulher, é transando com outra.

O moreno voltou a olhar para Yoona, que riu ao entender sua frase. A coreana negou com a cabeça sorrindo, um modo mudo de dizer que Jay não tinha jeito, enquanto via o garoto se levantar e ir até Effy.

Foi naquela hora que Elizabeth Pinkketon percebeu o motivo de tantas garotas estarem sempre praticamente se jogando em James. Ele conseguia atingir seus objetivos em cinco passos: jogar conversa fora; chamar para uma dança; lançar elogios sugestivos; ficar perigosamente próximo (de modo provocante) e então beijar a garota do modo que ela sempre quis ser beijada. Um beijo selvagem, quente, gerado por desejo e hormônios.

E era seguindo esses exatos cinco passos numa festa que James sempre acabava levando uma garota pra transar.

E não foi diferente com Effy.

Johanna ia ficar tão brava quando descobrisse que tipo de coisa eles dois fizeram na cama dela.



* * *



Depois de ter bebido muitos (muitos) copos daquele suposto "suco de morango", Oziel se sentia tonto e felizinho. Sua mente estava confusa, ele não raciocinava direito e nunca teve uma coordenação pior.

Oziel Celeski estava bêbado. Mas não sabia disso.

E dançava, no jardim da casa. Dançava de modo frenético ao som da música eletrônica que tocava, rindo, sem ter a mínima noção do que estava fazendo.

Já Annabeth estava bem sóbria. Eventualmente ela tinha aprendido a não confiar nas bebidas servidas numa festa da Johanna. Porém, isso não a impedia de aproveitar, e no momento ela era o centro das atenções da festa; porque, com um vestido daquele, num corpo como o dela, se mexendo numa dança sensual e provocante como a que ela fazia, não tinha como ser diferente. No entanto, todos que tentavam ter uma chance com ela eram imediatamente afastados, porque a última coisa que Anna Genevive queria é ter que aguentar adolescentes bêbados e drogados com os hormônios à flor da pele.

E foi com esse pensamento em mente, que ela acabou esbarrando em Oziel, que dançava como um louco. A garota teve que segurá-lo para que o ruivo não caísse, enquanto Celeski ria da situação, o que fez Annabeth arquear ambas as sobrancelhas. Sinceramente não se lembrava da última vez que vira Oziel sorrindo.

-Você tá bem? - Ela perguntou, enquanto o ajudava a ficar de pé normalmente.

-Bem? Eu tô ótimo! Nunca estive melhor! - Ele declarou, com um sorriso aberto, enquanto pegava um copo de cima da bandeja que um garçom que passava por eles carregava. O copo tinha o líquido vermelho que Oziel estava bebendo desde o início da festa. O ruivo tomou três goles seguidos antes de voltar a pular ao som da música, consequentemente derramando boa parte do que restou da bebida.

-Não sabia que você bebia. - Anna comentou, decidindo acompanhá-lo na dança. Ela e Oziel não se falavam muito, mas a garota se via obrigada à isso, já que eles iriam fazer um trabalho de música juntos.

-Eu não bebo. - O garoto concordou, rindo, por fim derramando no próprio rosto a bebida que segurava, numa tentativa falha de dançar e beber ao mesmo tempo. - Só suco de morango. E, Deus, como esse é bom!

-Suco? - Annabeth fez uma cara engraçada, reprimindo uma risada. - Oziel, isso não é suco. São drinks alcoólicos.

Oziel imediatamente parou de dançar e fez uma cara séria, encarando a garota.

-Então... Eu tô bêbado?

-Tá. - Ela confirmou, já começando a rir da situação. Oziel a acompanhou na risada. Ele deve estar nessa fase que ri de tudo.

-Eu acabei de quebrar uma promessa que fiz ao meu irmão. - Ele comentou, entre risadas, bêbado demais pra se importar com isso, rapidamente voltando a dançar.

-Pessoas bêbadas costumam agarrar alguém. Já encontrou a Yoongie nessa festa? Ela tá tão na sua. - Annabeth mudou de assunto, aproveitando a situação para tentar dar suporte à amiga. As risadas de Oziel se intensificaram.

-Sim, eu encontrei ela. E ela tentou me beijar. Dá pra acreditar? - O garoto perguntou, encerrando a risada com um sorriso aberto. - Ela é bonitinha, mas eu sou gay, então...

-... Pobre Yoona. Você é gay? Uau. Tá aí outra coisa que eu não sabia sobre você. - Genevive comentou, com um sorriso de canto.

-É. Eu sou gay. É tão bom falar isso em voz alta. - Oziel disse, soltando uma risada ao terminar de falar. - POIS É, PESSOAS! EU, OZIEL CELESKI, SOU GAY! HOMOSSEXUAL, BICHA, GOSTO DE PIROCA.

À essa altura, Annabeth já tinha parado de dançar e ria incessantemente da declaração do garoto, que começou a gargalhar ao terminá-la também. Suas palavras foram literalmente gritadas, chegando ao ponto de algumas palavras se sobressaírem em relação à música, chamando a atenção de todos que estavam naquela área, que era o jardim da Mansão Thompson.

-Ah, cara. Eu adoro o Oziel bêbado. - Annabeth comentou ao terminar de rir da cena que o ruivo armou. Ozi sorriu para ela...

... Só para logo então curvar o próprio corpo pra frente e vomitar.



* * *



Gustavo estava irritado. Irritado, especificamente, com Coral, Ethan e James, que disseram que iriam ficar com ele durante toda a festa mas o abandonaram na maior cara dura.

Eles iam receber um belo de um esporro amanhã.

O garoto por fim desistiu daquela festa. Não tinha mais motivos para ficar ali, de qualquer jeito. Estava prestes a sair quando foi parado por um garoto desesperado.

-Sabe onde a Johanna está? - Ele perguntou, com uma voz trêmula, parecia prestes a chorar. Gus franziu as sobrancelhas.

-Você tá bem?

-Eu... Eu tô, tô sim. - O garoto respondeu imediatamente, engolindo o seco. - Sabe me dizer onde está a Johanna ou não? Eu preciso muito encontrá-la. Muito mesmo.

-Não. - Gustavo respondeu, e observou a expressão do garoto se contorcer em decepção. Gus respirou fundo. - Quer ajuda para encontrá-la? - Perguntou, desanimado. Só não queria que alguém ficasse com aquela cara por causa dele.

-Sim! Deus, sim, isso seria ótimo. - O garoto de olhos azuis aceitou, afirmando freneticamente com a cabeça enquanto abria um sorriso.

-Legal. - Gustavo Langdon murmurou, enquanto começava a abrir caminho entre os adolescentes. Já é madrugada, então tem bem menos pessoas na festa do que tinha ao início dela, então não foi difícil andar pelas pessoas. O outro garoto o seguiu.

-Qual é o seu nome?

-Gustavo Langdon. - Gus respondeu. - E o seu?

-Darwin Connor. - Win falou, enquanto via Gus abrir a primeira porta que apareceu. Ele colocou a cabeça para dentro, mas aparentemente não tinha visto nada interessante, porque rapidamente saiu, fechou a porta e continuou andando. Connor apenas o seguia.

-Cara, por que você quer tanto encontrar a Johanna? - Gus perguntou por simples e pura curiosidade, enquanto passava pelas portas de vidro que davam pro jardim. Enquanto ainda tinham pessoas no interior da casa, o jardim já estava vazio. Não tinha muito lá onde procurar.

-A gente brigou... E foi bem ruim. - Darwin respondeu, num tom de murmúrio enquanto olhava ao redor, à procura de sua melhor amiga. Gustavo arqueou uma sobrancelha.

-Nunca pensei que a Thompson fosse capaz de ter uma discussão séria com alguém sem partir pra cima. - Gustavo comentou, começando a andar pela extensão do jardim. Era realmente um lugar muito grande.

-Ela... Ela briga muito? - Win perguntou timidamente, e Langdon deu de ombros. Não era próximo de Johanna, mas seus amigos eram, então o garoto já tinha uma resposta pra isso:

-Sim. Mas só vejo ela brigando quando é pra defender alguém. - Gustavo respondeu, passando as mãos pelos cabelos. - Ela fica muito irritada quando vê alguém sofrendo bullying. Tenta resolver verbalmente no começo, mas se o bully não tiver pedido desculpas nos dez primeiros segundos... Ah, diga-se de passagem que é melhor que ele tenha um bom plano de saúde.

Gus riu ao terminar de falar. Não era mentira, ele já tinha visto Johanna Thompson em ação, e ela era muito forte para alguém tão pequena e muito criativamente cruel para alguém de aparência tão fofa. Mas ela era muito paciente em qualquer situação que não envolva alguém praticando bullying com outra pessoa.

Bem... Dava para entender. Ela cresceu com Darwin, um garoto fofo e sensível que era constantemente humilhado por todo mundo. Ele precisava de proteção, então Johanna aprendeu a protegê-lo. E, mesmo depois de ele ter se mudado, a mania continuava; mas dessa vez sendo aplicada à outras pessoas, como Jesmine. No mundo, existem lobos e cordeiros, e Joh é exatamente o tipo de lobo que prefere defender os cordeiros do que se aproveitar deles.

Pelo menos na maioria das vezes.

-Algumas coisas nunca mudam. - Darwin falou, mais para si mesmo do que para Gustavo. Langdon deu de ombros, já tinha notado que Win e Johanna tinham algum tipo de história, então preferiu não se intrometer.

Os garotos, em silêncio, começaram a rondar pelo jardim. Ele era bem grande. Gus já estava convencido de que Johanna não estava ali, então foi andando na direção das portas de vidro que separavam o jardim da parte interna da casa. Kim Min-Jun estava encostado lá, com um olhar distante, até por fim perceber a presença dos outros dois.

-Ah... Oi, desculpa. - O rapaz pediu, saindo da frente da porta para que Win e Gus pudessem passar.

-Você viu a Johanna? - Darwin perguntou imediatamente, com um fio de esperança na voz, sem sair do lugar. Jun franziu as sobrancelhas.

-Ela e a Jes subiram as escadas do sótão há algumas horas... - O coreano respondeu, incerto por não saber se elas ainda estavam lá ou não.

-Ótimo. Vamos. - Gustavo decidiu, passando pelas portas de vidro com toda a velocidade. Darwin o seguiu. Min-Jun deu de ombros antes de decidir que iria segui-lo também.

-Posso ir com vocês? - Jun perguntou, apressando o passo para poder acompanhá-los. - Meu pai vai me matar se eu chegar em casa uma hora dessas, e tá meio solitário aqui...

Não era surpreendente. A festa estava quase vazia, exceto por algumas pessoas bêbadas espalhadas pelos cantos, rindo e bebendo, e outras que tinham desmaiado ou dormido em cima de algum móvel.

-Tanto faz. - Langdon respondeu, sem dar realmente muita importância para a situação. Darwin começou a andar mais rápido que ele, tomando meio que a liderança do trio. Era claro que ele estava inquieto.

-Hm... Onde estão Jay, Ethan e Coraline? - Min-Jun perguntou, mudando de assunto, para que o ambiente não ficasse silencioso. Era claro que nenhum deles três era amigo um do outro, e a situação poderia realmente ficar constrangedora se o fator "silêncio" fosse adicionado à isso. A pergunta foi obviamente dirigida para Gustavo. - Pensei que vocês quatro fossem colados um no outro ou sei-lá.

-Eles estão transando. - Gus respondeu, certo de duas palavras. Apesar de não ter certeza se Coral e Ethan estavam (o que parecia algo bem óbvio, considerando que Ethan já admitiu gostar dela e eles entraram num quarto juntos, sendo que o garoto estava seminu.), se tinha uma coisa que Gustavo aprendeu ao longo dos anos, é que James é muito apegado aos amigos. E, se ele não estava com nenhum deles, então o garoto com certeza estava transando com alguém. Principalmente numa festa como essa.

Jun abriu um sorriso fraco e forçado, constrangido pela resposta de Gustavo, e decidiu consigo mesmo que talvez puxar assunto não fosse a melhor decisão de todas.

Eles subiram todas as escadarias até chegar no último andar. Darwin guiou os outros dois entre os corredores, até parar no final de um em específico, que parecia inútil por não ter portas. Win pulou com os braços esticados para cima até segurar uma alça de ferro no teto, que pareceria deslocada no lugar, se não fosse pelas marcas em forma de quadrado no teto que indicavam que aquilo era um alçapão, deixando claro que era a porta para o sótão. Forçando a alça pra baixo, Darwin acabou abrindo o alçapão, que soltou uma escada de madeira ligando o chão ao sótão.

Os três garotos subiram.

-Parece que elas não estão aqui. - Min-Jun murmurou o óbvio enquanto olhava ao redor. O sótão era um lugar escuro e empoeirado, cheio de caixas empilhadas, móveis antigos e teias de aranha. - Acho melhor voltarmos...

Darwin, no entanto, ignorou completamente a sugestão do coreano cujo nome ele não sabia e subiu em algumas caixas empilhadas até alcançar o teto. Ele empurrou algumas telhas, fazendo uma abertura no teto, grande o suficiente para que ele pudesse passar.

-Cara, violação de propriedade privada. Você acabou de destruir o teto de uma casa. - Gus falou, enquanto observava Darwin passar pela abertura do teto mesmo assim. Langdon revirou os olhos antes de subir nas mesmas caixas que Darwin e passar pelo mesmo lugar que ele. Min-Jun, sem outra escolha, fez o mesmo.

Talvez não tenha sido uma ideia tão idiota assim. Johanna e Jesmine estavam lá, sentadas uma ao lado da outra no meio do telhado, encarando os três garotos que tinham acabado de chegar.

-Gustavo! Min-Jun! E... Amigo deles! Juntem-se a nós. - Jesmine sugeriu, abrindo um sorriso fino enquanto erguia uma garrafa de tequila pela metade que ela segurava. Foi então que os garotos perceberam que as duas seguravam uma garrafa de alguma bebida alcoólica cada uma.

-Darwin. - O rapaz se apresentou, constrangido. Ele permaneceu de pé ao lado da abertura nas telhas enquanto os outros dois foram se sentar perto das meninas. Receoso, Darwin fez o mesmo, sentando-se especificamente perto de Johanna, que mal olhou pra cara dele. - Joh...

-Você sente muito. Eu sei. - Ela interrompeu, encarando o céu. O sol começava a nascer, e a vista que eles tinham do telhado daquela casa parecia ser digna de deuses. - Tá tudo bem, eu... Eu só tava frustrada. Ainda estou, na verdade. Mas o que importa é que você tá aqui, certo? - Ela perguntou de modo retórico, abrindo um sorriso fraco. Bebeu alguns goles da garrafa que segurava logo em seguida.

-O que aconteceu entre vocês dois, afinal? - Gus perguntou, pegando a garrafa das mãos de Johanna e bebendo também. A garota logo percebeu que eles cinco estavam sentados em círculo.

-Longa história. Te conto quando estivermos num momento menos legal, não quero estragar o clima. - Joh respondeu, parecendo pouco se importar com o ato de Gustavo. A loira apoiou a cabeça no ombro de Jes, como se estivesse com preguiça até de sustentar a própria cabeça.

-Chegamos numa hora errada? - Uma terceira voz feminina foi ouvida. Eles rapidamente se viraram para ver quem era. Coraline, enquanto subia pro telhado. Logo depois dela, veio Annabeth. - É que vimos os meninos subindo pra cá e presumimos que a festa agora é aqui. - A loira se explicou, sentando-se entre Gustavo e Darwin. Ela pegou a garrafa das mãos de Gus.

-Trouxemos outras duas pessoas, se não se importam. - Anna avisou, juntando-se ao círculo também, entre Jesmine e Min-Jun.

Todos voltaram a olhar para a abertura nas telhas enquanto viam Ethan e Oziel (respectivamente) entrarem também. Nenhum dos dois parecia estar muito bem, e Ethan ainda estava seminu. Os dois se sentaram perto dos outros jovens, e, à essa altura, o círculo estava totalmente deformado.

-Eu vim. Não ouse me cobrar outro favor. - Celeski murmurou, levando ambas as mãos até as têmporas, claramente tonto. Joh sorriu com a fala do garoto.

-Lugar legal. - Ethan elogiou, com um tom de voz arrastado, bocejando logo em seguida.

-Veste uma roupa, Sayuri. Dispenso ter essa visão do inferno, obrigado. - Gustavo falou, fazendo uma rápida careta de desgosto. Ethan mostrou o dedo médio para o amigo, que soltou uma risada rouca com o ato.

-Como ousam dar uma festa no telhado sem mim? - Outra voz masculina preencheu o ambiente. Johanna revirou os olhos ao reconhecê-la como a de James, que rapidamente se sentou entre os outros também, com um sorriso aberto.

-Virou casa da Mãe Joana, agora? - Joh perguntou, com um tom de voz indignado.

-Tá com cara de quem transou. - Coraline observou, passando a garrafa para Jay, que prontamente bebeu alguns goles demorados.

-Uma festa não é uma festa se eu não tiver transado nela. - Palmer declarou, rapidamente desviando o olhar para Johanna enquanto entregava a garrafa para Min-Jun. - Por sinal, é melhor você lavar os seus lençóis antes de dormir.

-Filho da puta. - Johanna xingou, com os olhos semicerrados, arrancando risadas dos outros.

-Oi. - Outra voz baixa cumprimentou. Era Effy, que claramente tinha sido levada ao telhado por James. No entanto, a ruiva se sentou o mais distante possível do garoto.

-Legal. - Jesmine falou, olhando ao redor. - Eu, Johanna, Darwin, Ethan, Min-Jun, Coraline, Gustavo, James, Effy, Anna e Oziel. Esqueci de chamar alguém?

-Eu, aqui, oi. - Outra voz feminina falou, sendo rapidamente reconhecida como a da Yoona, que se sentou próxima à Johanna. - A casa lá embaixo tá vazia, então eu decidi seguir o casal ali.

Obviamente, Yoongie se referia à James e Effy.

-Doze pessoas. Têm doze fucking pessoas no meu telhado. - Johanna murmurou, passando as mãos pelo rosto.

-Parece uma cena de filme adolescente. - Darwin comentou, abrindo um mínimo sorriso.

-É. Um grupo de amigos sentados num telhado bebendo e vendo o nascer do sol depois de uma festa. - Annabeth concordou, alongando os braços. - Exceto pelo fato de que não somos amigos.

-Faz a situação ser ainda mais interessante. - Min-Jun falou, erguendo a garrafa que ele ainda segurava para cima. - Um brinde à não-amizade!

Johanna arqueou uma sobrancelha, achando aquela cena engraçada. Todos permaneceram em silêncio até que, por fim, Oziel decidiu complementar a frase de Min-Jun:

-E que ela continue assim.


Notas Finais


Capítulo lixo para tanta demora, eu sei...

MAS EU DEMOREI PRA ESCREVER, ENTÃO ME MATO SE ESSE CAP TIVER MENOS QUE DOZE COMENTÁRIOS

Brincadeira, tá, amo vcs

Mentira

XOXO


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...