História Interrompida - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Drogas, Romance
Exibições 4
Palavras 1.015
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Cinco


Fanfic / Fanfiction Interrompida - Capítulo 5 - Cinco

Ao terceiro toque do despertador, eu finalmente me ergui da cama. O efeito do álcool virara lembrança em forma de dor de cabeça. Era ressaca e todo o meu corpo estava dolorido.
   Me levantei da cama e me encaminhei até à cozinha.
  Maria de Lourdes, cuja qual era o braço direito de todos em nossa casa, estava abrindo o forno e segurava uma fornada de biscoitos amanteigados dispostos no tabuleiro. O cheiro agradável penetrou minhas narinas e a nostalgia tomou conta de mim. 
   Quando eu era criança, Maria já trabalhava em minha casa e preparava aqueles biscoitos para mim. Aquele cheiro era familiar e me marcara, pois a infância havia sido a melhor fase de minha vida, onde minha família fora unida. Porém, infelizmente, o tempo passara e não havia mais resquícios de nenhuma felicidade em minha casa.
- Bom dia, Girassol!
Ela me chamava carinhosamente por este apelido.
- Bom dia, Maria! 
- Fiz seus biscoitos preferidos e espero que goste.
Eu a agradeci, a abracei e devorei dois biscoitos em formatos de estrelinhas e os comi de uma só vez. Estavam deliciosos e tinham o mesmo sabor de minha infância.
- Maria sempre paparicando essas crianças...
A voz grave do meu pai me alarmou, pois não prestei na presença dedele na cozinha. Ele estava sentado na mesa com um jornal cobrindo todo o rosto.
- Pai, você aqui em casa? – o questionei.
- Resolvi tomar café aqui e não na rua. Como faço de costume, enquanto vou ao hospital – ele folheou o jornal e o deixou de lado – Posso saber onde a senhorita foi ontem à noite, para chegar pela madrugada?
Arregalei os olhos e me servi de uma xícara de café expresso.
- Como assim, o senhor Alberto quer saber por onde eu estive? – beberiquei o líquido quente e forte que apartou a minha dor de cabeça – Desde quando você se importa comigo?
Percebi que ele ficou incomodado pela maneira em que dobrou o jornal e o deixou de lado mais uma vez. Cruzou as mãos sob a mesa e lançou um olhar severo à mim. Eu não via aquele olhar desde os meus dez anos de idade, quando quebrei uma janela de vidro da sala enquanto brincara de bola.
- Vi quando chegou em casa às quatro da manhã, pois eu estava na biblioteca e no exato momento em que chegou ouvi seus passos. Pode me dizer por onde foi ontem à noite?
Antes mesmo de tentar formular uma mentira, a chegada de meu irmão mais novo nos interrompeu. Suspirei de alívio e agradeci aos céus pela dádiva.
- Bom dia, Mari... O que 'cês tão fazendo na cozinha?
André abriu a geladeira e pegou um suco de laranja e encheu uma caneca do Capitão América. Seus cabelos estavam bagunçados e ele vestia um pijama do Batman.
- Querido, fiz biscoitos amanteigados!
- É sério? – seus olhos foram à procura dos biscoitos – Seus biscoitos são os melhores! – ele deu um beijo na bochecha da mulher que os fizera – Te amo muito, Maria. Você é uma mãe para mim.
Senti a tensão pairar no ar, pois no exato momento minha mãe adentrou à cozinha e ficou cabisbaixa ao ouvir tal declaração.
- Obrigada, meu querido. Mas...
- Ele tem uma mãe! – Elizabeth interrompeu Maria.
- Mas não parece, Elizabeth – meu pai disse.
- Lembre-se que também não temos um pai. Não se vanglorie por pouco, pai. 
Todos ficaram chocados com o que eu havia dito.
- Verdade, Sofi. Papai vive trabalhando...
- Eu não permito que... – o celular de Alberto começara a tocar – Um momento. ''Alô, senhor Luiz? Pode falar...''
Então ele se retirou da cozinha deixando-nos à sós.
- Não falei? – eu disse.
- O sujo falando do mal lavado – alfinetou meu irmão.
- O que você quer dizer com isso, menino? – indagou mamãe.
- Ele não quis dizer nada... Beba seu café com leite, antes que esfrie, menino! – interveio Maria.
- Eu quis dizer o que está claro à vista: nem você e nem papai liga para nossa família. Portanto, nenhum pode criticar o outro.
- Mas o quê? 
Elizabeth ficou boquiaberta e vermelha de raiva pela audácia de seu filho mais novo.
- Coma os biscoitos, Andrezinho...
Maria tentou abafar o indício de uma briga, mas o fez em vão.
- Não se meta em assunto familiar, Maria de Lourdes!
- Não fale assim com ela! – André gritou enquanto colocava a caneca na mesa.
- Eu só queria ajudar... – lamentou-se a pobre mulher.
- Ajudar!? Ora, aonde já se viu tamanha petulância! São meus filhos e quem deve educá-los sou eu! E além do mais, isto não é assunto para criadagem. Coloque-se em seu devido lugar. Caso contrário...
- Irá me despedir?
A tensão pairou sob a cozinha. A atmosfera ficou pesada e o astral sombrio.
- Com toda a certeza!
- Papai jamais deixará! – André agarrou na cintura de Maria – Não permitirei isto. Fique tranquila, Maria!
- Deixe de tolice, garoto. Largue a empregada e vá para o colégio.
- Não vou! Não antes de você pedir desculpas à ela.
Elizabeth gargalhou alto.
- Acha mesmo que eu faria tal coisa? – colocou a mão na cintura.
- Ouça sua mãe e vá para o colégio, querido. Não arrume briga por minha causa.
André ouviu o conselho de Maria e a beijou no rosto antes de partir. À mãe, apenas lhe lançou um olhar frio e distante.
- Mais uma gracinha desse garoto e você estará no olho da rua! – a mãe do menino disse assim que ele deixou a cozinha.
A humilde mulher apenas assentiu cabisbaixa e se virou para a pia, arregaçou as mangas e começou a lavar os pratos sujos.
- Como você é cruel, mãe! É por isso que ninguém te suporta! – eu esbravejei e bati a porta atrás de mim deixando-as sozinhas na cozinha.
Era o cúmulo da ironia minha progenitora não cuidar de seus filhos, mas mesmo assim não permitir que ninguém o faça. A cada dia que passava, eu tinha mais pena daquela mulher e eu não estava falando da pobre Maria.

 



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