História Interrompida - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Drogas, Romance
Exibições 7
Palavras 1.453
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Seis


Fanfic / Fanfiction Interrompida - Capítulo 6 - Seis

Aquela manhã tinha sido desastrosa com toda a cena estúpida de ciúmes de minha mãe com Maria. Parecia que eu já estava acordada há horas, mas ainda havia o colégio para enfrentar.
  Eu estava no último ano do ensino médio e mal via a hora para que tudo aquilo acabasse de uma vez. Toda aquela chatice de provas, testes, estudo, professores chatos, matérias entediantes e tudo mais me deixava cansada. Se me perguntassem o que eu pretendia fazer depois de formada, eu não saberia responder tal pergunta. Eu era o tipo de pessoa que apenas vive o momento. Enquanto meus colegas de classe não paravam de falar sobre os cursos que gostariam de fazer na faculdade, eu simplesmente bocejava e desejava que a aula acabasse logo.  No final da aula daquele dia tedioso, recebi uma mensagem de Frederico, dizendo que adorou compartilhar comigo o cantinho secreto dele. Esbocei um sorriso e meu coração se acalentou quando aceitei o convite de ir vê-lo depois da aula. Eu contava os minutos, horas e segundos para vê-lo novamente. Sentir o seu cheiro almiscarado com notas de hortelã e tabaco. Eu estava balançada por aquele garoto e não podia negar à mim mesma. Cada célula de meu corpo ansiava por mais beijos dele.
  Assim como o combinado, nos encontramos na entrada de um parque de diversões, mas para a minha desagradável surpresa ele não estava sozinho. Meu cavaleiro de jaqueta de couro preta, estava acompanhado por uma menina de descendência japonesa e por um menino alto e negro. Eles eram estilosos e se vestiam bem. Vacilei ao ir de encontro à eles e isto não me acontecia sempre.
  - Oi, Sofia – Fred disse e me abraçou – Estes são meus amigos: Samira e Paulo.
 Sorri para eles e os cumprimentei.
- Prazer em te conhecer, Sofia – disse a menina de olhos puxados e de cabelos negros e bem lisos. Ela tinha um piercing no septo e uma mecha vermelha atrás da orelha. Usava jeans rasgados, blusa da banda ‘’Pink Floyd’’ e calçava uma bota estilo militar.
- Então esta é a famosa Sofia dos cabelos ruivos... – declarou Paulo que era alto, com pouco cabelo e tinha um sorriso carismático.
- Não sabia que eu era famosa – lancei um olhar para Fred que sorriu de volta.
- E não sabe o quanto! O cara aqui só sabia falar de você... Nunca o vi falar tanto em um menina assim antes – disse Paulo que batia nos ombros do amigo em brincadeira.
- Qual foi, cara? Vai me dedurar assim?
 Todos nós rimos.
- Vamos entrar, então? – convidou Samira que tinha os quatro ingressos à mão.
 - Claro – disse Fred.
 Então ele fez a coisa mais fofa que eu não estava esperando; pegou minha mão e me levou para dentro do parque que estava todo iluminado e enfeitado.
  - Qual brinquedo vocês querem ir primeiro? – indagou Paulo.
- Eu quero o trem fantasma!
- Mas já, Samira!? Vamos na xícara primeiro.
- Pode ser então, Paulo. Vamos pessoal? – Samira convidou à mim e Fred que não parávamos de trocar carinhos com beijos no rosto.
- Vamos!
  
   Entramos na fila para ir ao brinquedo. Havia uma dúzia de xícaras coloridas e grandes para entrarmos. Me senti a própria Alice no País das Maravilhas naquele lugar. Nós quatro nos divertimos enquanto o brinquedo girava em seu próprio eixo e em volta das outras xícaras.  Meus cabelos ruivos estavam soltos e balançavam no ar, mas não me impediu de guardar na memória aquele momento divertido. Eu mal sabia quem aqueles dois jovens eram, e também mal havia conhecido Fred, mas naquele instante eu me senti amada e acolhida. Era como se eu fizesse parte de algo. Não me sentia feliz e livre há muito tempo. Fechei meus olhos e curti o momento.
  Depois da xícara, fomos na montanha russa, tiro ao alvo – cujo qual Fred havia ganhado um urso de pelúcia azul para mim e teve que aguentar a piada dos amigos – depois, Samira pediu para que fôssemos ao trem fantasma, mas eu queria mesmo era ir à roda gigante com Fred. Paulo então a levou ao trem e eu tive minha chance para ficar à sós com Frederico. Antes de entrarmos, ele comprou um algodão doce cor-de-rosa e entramos na cadeira do brinquedo. Não sabia se meu coração disparava rápido e meu estômago se retorcia pela altura do brinquedo ou por estar perto de Fred.
- Você gostou dos meus amigos? – ele pegou em minha mão desocupada, a outra estava segurando o palito do algodão. O urso estava em meu colo.
- Eu gostei deles. São bem legais, mas pensei que ficaríamos sozinhos.
   Um sorriso sexy surgiu em seu lábio e eu me segurei para não beijá-lo.
- Eu sei, mas queria lhe apresentar à eles. São meus únicos amigos.
  Dei um beijo na bochecha e senti a barba mal feito pinicar meu rosto. Eu gostava daquela sensação que despertava meus desejos mais lascivos.
- Eu nunca apresentei uma garota para eles. Mas senti que você era alguém que eu tinha que apresentar. E eles também já estavam curiosas para conhecer a tal garota misteriosa dos cabelos vermelhos que eu tanto falava sobre.
- Não sabia que você tinha falado tanto de mim para eles. Fico feliz em saber que te marquei desse jeito.
 Ele umedeceu os lábios e eu já sabia o que viria a seguir. Nosso beijo tinha gosto de açúcar e foi mágico. Beijá-lo no alto da roda gigante com todas aquelas luzes coloridas abaixo de nós, me fez com que me sentisse alguém especial. Estávamos nós outra vez como donos do mundo. E no alto daquele brinquedo, nada poderia nos afetar.
- Eu realmente estou louco por você, Sofia. Não consigo mais esconder isto.
  Ainda absorta com o beijo recém dado, sorri e toque em seu rosto.
- Você não sabe o quanto me faz feliz ao ouvir isto.
  Então aproveitamos cada minuto daquele lugar mágico. Frederico, Samira, Paulo e eu deixamos o parque felizes e revigorados. Nem em mil sessões de terapia poderia nos deixar alegres como estávamos.  Fred me deixou a poucas quadras de minha cabeça e partiu com os amigos. Eu queria ir com eles para qualquer lugar que fossem, porém não queria arrumar mais confusão em casa.

  Chegando em casa, com meu urso azul nos braços, ouvi um choro alto e coisas se quebrando. Era André que chorava desesperadamente no quarto. Bati na porta mas ele gritou para que eu me afastasse. Gritei que era eu, sua irmã. Então ele me deixou entrar em seu espaço.
  Há anos não entrava no aposento de André. A cor verde tomava conta de tudo. Postêres de jogadores de futebol, games e bandas adornavam as paredes do quarto. Em volta havia toda sujeira e bagunça que pudesse imaginar; livros e revistas no chão, roupas sujas jogadas por todos os lados e um pedaço de pizza em cima da mesa de estudos. Ele não deixava ninguém entrar naquele lugar, nem mesmo Maria para que limpasse. Chegou em meus pensamentos dar uma bronca nele pela bagunça, mas ao vê-lo debruçada na cama com um lençol com estampas de bolas de futebol, me impediu de fazer tal coisa.
- O que houve, maninho? – perguntei e me surpreendi ao dizer tal apelido carinhoso, pois mal nos falávamos em casa.
- Minha mãe! Ela é uma idiota!
- O que ela fez?
 Aos soluços ele me contou o que houve. Mamãe havia dispensado os serviços de Maria sem pensar duas vezes. Nosso pai concordara. Na realidade ele não ligava para as decisões de mamãe, não quando elas se referiam às assuntos que não o abalava.
- Mas como ela pôde fazer isto? Eu falarei com ela para que considere e ...
- Não adianta, Sofia. Elas brigaram e Maria foi embora aos prantos dizendo que nunca mais colocaria os pés aqui em casa.
  Meu coração se apertou ao perceber que meu irmão não tinha mas alguém para ampará-lo.
- Eu odeio a minha vida! Mamãe é cruel!
  Ele chorou e para a minha surpresa me agarrou. Eu o acalentei e segurei o choro. Me senti injusta por estar feliz comigo mesma enquanto meu irmão sofria naquela casa. E cheguei a conclusão de que ele só tinha à mim e então eu o defenderia de tudo e de todos. Não poderia deixá-lo sozinho. Não naquele momento. Não naquelas circunstâncias. Então me veio à cabeça; porquê duas pessoas colocam filhos no mundo para depois deixá-los sozinhos? Para onde havia ido todo aquele amor no nascimento de seus filhos? Havia sido engolido pelas atrocidades mundanas e pecados cometidos pelos próprios pais? Fiz uma promessa que acaso me tornasse mãe um dia, jamais deixaria meu filho de lado.

 



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