História Intimamente Emma - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada)
Visualizações 217
Palavras 4.745
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, amigas leitoras.

O capítulo de hoje está mais longo que o normal, mas ele é essencial nessa parte da fanfic. Minha sincera torcida para que vocês gostem.

Façam uma boa leitura.

Capítulo 25 - Conclusão preciptada



Naquela noite Daniel retornou para casa carregado um ramo de lírios no braço. Veio pensando na esposa, ou quase ex esposa, e nas coisas que iria dizer para ela enquanto esperavam o jantar ficar pronto. Ele planejara uma discussão saudável com Regina sobre o divórcio, sem esconder a esperança que sentia de reconciliação. Não cabia na sua ideia aceitar que ela perdera o amor por ele. Era mais justo aceitar que Regina estava tendo um caso e que esse caso era uma aventura totalmente nova na vida dela. Ele sabia que tinha de se esforçar muito mais do que apenas ser gentil com ela se quisesse tê-la de volta. Portanto, iria atrás de tudo e qualquer coisa, até o último lugar do mundo para agradá-la, na tentativa de fazê-la se apaixonar novamente, a começar pelos lírios violeta. Daniel os entregou para Belle providenciar um vaso e colocar sobre a mesa do jantar como adorno decorativo.

Ele sabia que corria um sério risco de não encontra-la no quarto de hóspedes caso demorasse muito, então pediu para a empregada ficar de olho em Regina até ele voltar.

— Ela saiu? — perguntou ele.

— Não, está lá em cima tomando banho. Me pediu para levar o jantar dela dentro de meia hora. — Belle respondeu.

— Volte a organizar a sala de jantar, eu vou convencê-la a descer comigo. Quando eu chegar com ela não se esqueça da música.

— Sim, senhor. — Belle apenas obedeceu.

Daniel subiu para o segundo andar, escutando conforme se aproximava do quarto de hóspedes, o som do chuveiro ligado que só conseguia ser ouvido pelo descuido de Regina em ter deixado a porta do quarto encostada. Tudo no quarto tinha o cheiro do perfume dela, uma mistura forte de rosas e álcool. Ele esperou, tocando suas roupas separadas sobre a cama: uma camisa de lã e uma calça jeans escura. Levou a camisa até o nariz e respirou o perfume que nem o melhor sabão em pó conseguia tirar do tecido. Teve lembranças dela, de como passavam momentos abraçados e, infelizmente, lhe veio na mente que hoje outro alguém a colocava nas mãos e recebia os abraços dela tal como ele fez por tanto tempo.

Regina saiu do banheiro enrolada em uma toalha, encontrando o marido desconsolável com sua blusa entre os dedos. Levou um susto por não esperar que ele fosse aparecer e entrar sem ser convidado. Havia dito a si mesma que não discutiria com Daniel antes dele encontrar um advogado para o divórcio. Mas uma coisa no jeito como ele olhava sua blusa a deixava confusa se era para aquilo ou se ele estava atrás de uma reconciliação. De qualquer forma, Regina não se intimidou na presença do pintor.

— Posso saber o que você faz aqui dentro, Daniel? — disse ela abrindo a porta do armário acoplado na parede enquanto ao mesmo tempo segurava as pontas da toalha com firmeza na outra mão.

Ele virou o rosto, soltou-se da camisa de lã e disse:

— Eu estava esperando que terminasse seu banho. Vim fazer um convite e não aceito um não como resposta. — Daniel falou com coragem.

Regina recolheu uma peça íntima do armário, segurando-a na altura do busto. Não se virou para ele.

— E qual é o convite?

Daniel respirou fundo, se levantou da cama e ficou olhando para as costas dela. Mesmo envolvida com a toalha, a silhueta feminina de Regina era uma visão divina e, contemplando o corpo dela, ele teve dificuldade de disfarçar o sofrimento que apertou o peito só de imaginar que aquilo não era mais dele.

— Jante comigo agora. Gostaria de ter uma conversa civilizada sobre a nossa situação. — Algo na voz dele fez ela notar o remorso contido nas palavras.

— E eu tenho escolha? — Ela fez a pergunta se virando para olhá-lo. Como ele não disse nada Regina assentiu. — Está bem, Daniel, eu vou jantar com você. Pode ser educado e me deixar colocar uma roupa no corpo?

— Como quiser, Regina.

Se fosse como Regina queria, ela estaria com Emma nesse momento. Segurou um riso irônico antes que Daniel percebesse. Buscou no fundo do seu âmago a pena que tinha do marido, e até isso havia se perdido com a melhora dele, aceitando ter a conversa que ele queria e ao mesmo tempo se prometendo que não seria totalmente benevolente aos lamentos que Daniel fizesse sobre o casamento deles.

Ele saiu do quarto lentamente, fechando a porta por fora. Ficou algum tempo do lado de fora, até se convencer de que não podia mais ter os privilégios de marido.

Pouco tempo depois dele ter descido Regina surgiu na sala de jantar fingindo estar paciente para ouvir Daniel. Ele a esperava na cabeceira da mesa, e, rápido, antes da escritora se sentar, fez um sinal para a moça ligar o som com a música deles. As Time Goes By se iniciou assim que Regina ajeitou o guardanapo de pano sobre o colo e fitou Daniel, esperando uma explanação breve da parte dele.

— Prefiro que antes a Belle nos sirva, assim vamos conversando enquanto jantamos. — disse ele.

— Como você preferir. — replicou Regina, quase como uma imitação dele.

Belle foi aos poucos servindo os dois, mas quando pediu licença para se retirar, Daniel fez um sinal para que ela ficasse.

— Não precisa sair, Belle, o que vamos conversar aqui não deve mais ser um segredo para você.

A empregada deu um passo para trás e ficou no lugar onde estava parada antes. Trocou olhares com Regina e tentou não demonstrar sua surpresa.

— Bom, Regina, lamento que tenhamos chegado a um ponto do nosso relacionamento onde não consigo mais olhar nos seus olhos. Você se esquiva de mim, foge como um animal ferido e com medo, e isso me aborrece. Passei alguns dias tentando compreender seu comportamento, as suas palavras e decisão de soltar a indignação que sentia de você mesma estando comigo. Jamais imaginei que fosse tão grave, por isso peço desculpas por ter transformado a sua vida em um inferno. — Daniel buscava os olhos da esposa, mas ela sentia o rosto fervendo, os olhos em chamas e a garganta em um nó. Não ia conseguir olhar para ele sem se manter firme.

— Daniel, eu acredito que para tudo haja um começo, um meio e um fim. Apesar de acreditar que conosco esse fim fosse um final feliz para o resto das nossas vidas, diante de tudo o que vivi ao seu lado, cheguei à conclusão de que não sou capaz de oferecer a dedicação e carinho que tive por você em todos esses anos. Acho que talvez eu mesma tenha me colocado no inferno, aceitado viver uma vida infeliz ao seu lado, mesmo sabendo que não sentia mais as mesmas coisas pela sua pessoa, pelos seus gostos e problemas. Dói escutar isso, é claro que dói, eu sei. Doeria para mim se fosse eu sentada nessa cabeceira, portanto, perdoe a mim. — Regina se acalmou.

Agora, depois de ouvir Regina, ainda que por breves segundos, Daniel sentia o grau da dificuldade que teria de enfrentar contra ela.

— Sempre irei perdoá-la, inclusive perdoo o que está acontecendo, o que leva você a deixar essa casa quase todos os dias a noite. — ele tentou segurar a mão dela em cima da mesa.

— Do que está falando? — Regina recolheu os dedos.

— Da pessoa com quem tem se encontrado. Não, não precisa me esconder, eu sei perfeitamente que há alguém na sua vida e é ele que te move a não me dar outra chance. Você está apaixonada, Regina, completamente apaixonada por alguém. Isso está escrito nos seus olhos, mesmo de longe, por mais que não me olhe.

— E você fará de tudo para saber quem ele é?

— Não. Tenho curiosidade, porém não tanto quanto tenho vontade de que volte a me amar. Me recuso a aceitar que não exista um sentimento por mim dentro de você.

Regina abanou a cabeça, o encarou finalmente.

— Há um amor por você dentro de mim, Dani, um amor que gosto de chamar de preocupação. Querendo ou não estivemos casados por quase vinte anos, eu me acostumei com seus hábitos, com tudo o que você faz e até em ajuda-lo a andar quando esteve doente. Mesmo que haja o divórcio sempre estarei preocupada com você.

— Não desejo sua preocupação. Isso não é um sentimento, parece com uma obrigação.

— Que seja, e mesmo assim é a única coisa que posso oferecer.

A expressão dela vagueou e mostrou um descontentamento discreto como se a teimosia de Daniel a incomodasse profundamente.

Daniel suspirou, limpou os lábios no guardanapo e voltou a falar.

— É estranho, Regina, isso tudo o que vem acontecendo é muito estranho. Juro que não pretendo causar a sua infelicidade, embora seja isso que eu esteja fazendo agora.

Ela fechou os olhos arqueando as sobrancelhas num lamento impaciente.

— Não diga uma coisa dessas. Não se culpe, não se martirize só porque eu estou indo embora. Como eu disse entrarei em contato, sempre vou me preocupar, podemos ser amigos. Você ainda é o meu melhor amigo.

— E quer que eu aceite a sua amizade sabendo que você vai pra cama com outro? — Daniel segurou o pulso dela com brusquidão. — Tem noção do quanto dói imaginar a boca dele descendo pelo seu corpo enquanto ele segura o pênis e se masturba em cima de você.

Regina sentiu nojo do pensamento de Daniel.

— Meu Deus, Daniel! De onde tirou essa ideia? Consegue me imaginar transando com um homem e fica sofrendo por causa disso?

— Sinto coisas muito piores. — ele apertou o pulso dela com força, Regina não teve como escapar dessa vez. — Imagino ele fazendo coisas que eu fazia com você, falando no seu ouvido que te ama, enganando essa sua linda cabecinha carente. — dizia entre os dentes.

Belle deu um passo no susto quando ele puxou a mulher para si, encostando a boca na orelha dela.

— Me largue, Daniel, você está ficando neurótico. — Regina pediu.

— Sempre fui neurótico por você, e é assim que está me pagando. — Ele a soltou, se recostou da cadeira e deixou a emoção emergir. Chorou na frente dela, se descabelando quando passava as mãos pela cabeça, tentando evitar que ela notasse seu desespero.

Belle finalmente o acudiu, trazendo para ele um copo d’água com açúcar. Enquanto isso acontecia, Regina o observava de canto, alisando o pulso que Daniel machucou com sua força. Não havia piedade no mundo que ajudasse ela a acreditar no choro e desamparo dele. Daniel se recompôs. Tampou os olhos com uma das mãos apoiadas na mesa antes de concluir.

— Preferia mil vezes estar doente como um invalido a estar curado e longe de você. Porque é isso que eu sinto, que estamos nos distanciando cada dia mais. Você vai fugir para nunca mais precisar me olhar, eu sei e está doendo mais do que ficar sem poder andar ou me mexer.

Regina se ergueu, deixando o guardanapo que estava em seu colo sobre a mesa. Deu uma última olhada no marido antes de recolher a cadeira e pousar suas mãos em cima dela.

— Tome muito cuidado com a hipocrisia, querido. Lembre-se de que você pode ser uma vítima da sua própria hipocrisia. — A sra. Mills disse aquilo com ar de orgulho, se retirando em seguida.

Daniel via a mulher indo embora, sentindo as palavras dela ecoando em sua cabeça como uma maldição permanente. O que ela estava querendo dizer com hipocrisia? Ela poderia saber de alguma coisa muito séria. A cartas? Não. Regina jamais saberiam onde estavam se nem ele se lembrava onde as tinha enfiado. O pintor chamou Belle novamente, ainda ali parada no canto, assistindo as cenas de um casamento destruído.

— Me diga, o que ela sabe? — a pergunta saiu como um sussurro.

— Eu não sei, senhor. — respondeu Belle.

Ele ia dizer para Belle não se acanhar e contar tudo, absolutamente tudo o que ela soubesse. Ao invés disso, ficou calado, tremulo feito criança que acabara de ter um pesadelo.

. . .

Imediatamente após a conversa nem tão pacífica com o marido, Regina arrumou uma mala pequena e o que fosse precisar para ficar longe dali por uns tempos. Saiu de casa antes que até mesmo a empregada notasse. Emma apareceu na varanda de seu quarto no exato momento em que a mulher deixava a mansão. Alguma coisa havia ocorrido para Regina vir de surpresa. A moça correu para baixo e recebeu a amante um pouco confusa.

— O que aconteceu? — disse Emma dando de cara com Regina subindo os degraus da varanda.

— Estou deixando a mansão. Daniel e eu... Não há mais como conviver perto dele. — Regina foi entrando sem cerimônia, largou a bagagem no chão da sala e esperou por Emma.

— O que ele fez? Ele não te tocou ou qualquer coisa, não é? — Veio Emma atrás dela com medo da resposta.

— Puxou a minha mão enquanto conversávamos, mas isso não foi nada perto da loucura que ele me disse.

— Cadê? Onde ele puxou? Eu quero ver. — Emma procurou qualquer marca na mão dela.

— Não foi nada, meu amor, não se preocupe. — A sra. Mills suspirou profundamente, se virando para Emma ter um abraço seu. — Deixe-me ficar aqui alguns dias até esse documento do divórcio chegar, não vai demorar.

— É melhor que você fique aqui, sempre quis que ficasse comigo nessa casa. Ninguém vai saber, eu vou cuidar de nós duas. — Emma mordeu os lábios. — Jamais me perdoaria se o seu marido te machucasse. O que foi que ele disse? Que história de conversa é essa?

— Vou contar. — Foi o que ela fez após subir com Emma e a mala.

Conversaram no quarto de Emma enquanto ela organizava as roupas de Regina em seu armário e uma gaveta, sem nem mesmo pensar na consequência que uma descoberta sobre sua relação com a escritora pudesse causar, mas também seguia um conselho que ela mesma dera a mulher, que não pensasse no pior. Emma não sabia se o que estava sentindo por Daniel era repulsa, medo ou nojo. Se ela fosse tão audaciosa quanto suas palavras, já teria entrado na mansão do pintor e tirado satisfação com ele.

— Mal sabe o Daniel que o homem com o qual você tem um caso é uma mulher. — debochou a moça.

— Melhor que ele pense num homem comigo do que você. Moramos muito perto. E se um dia ele quisesse vir para acreditar mesmo no relacionamento que temos?

— Não me intimidaria por ele, nem ninguém. Se ainda não gritei para essa cidade que temos um caso, é por sua causa, respeitando o seu pedido. — Emma se ajoelhou entre as pernas da escritora sentada na ponta da cama.

— Foi naquele fim de tarde quando subi e te esperei. Tudo começou e pedi para que tudo o que fizéssemos dali em diante fosse um segredo entre nós. Estou te privando de viver o que temos plenamente.

— Não. Não estou reclamando que não posso contar aos outros sobre nós, se pararmos para pensar é melhor guardar esse amor pra gente, eu só quero que saiba que não tenho medo de nada, nem de ninguém. — Elas compartilhavam um olhar doce uma com a outra.

— A cada dia que passa sinto a mesma sensação. Sei que é por você.

— Percebi o quanto você mudou, o quanto se abriu para mim com o tempo. — Emma a derrubou na cama, deitou em cima dela. Usava a correntinha que havia ganhado de Regina e o metal fino roçou no queixo da mulher antes de Emma beijá-la. — Estando aqui comigo, ainda que por poucos dias, é uma prévia do quanto estou pronta para ir embora ao seu lado.

Mills tocou nos cabelos dela, desceu a mão esquerda pela nuca e sentiu o fecho da corrente quando passou os dedos por ali.

— Não me deixa nunca, Emma. Eu imploro, não me abandone, confie em mim. — Regina implorou num fio de voz.

— Isso vale para você também. Se me deixar, eu te acho e te mato, juro. — Emma sorriu perversa, não deixando que a mulher falasse mais. O que tinham para conversar agora era sobre seus beijos, seus corpos. E muito diferente do que Daniel achava, a transa delas naquela madrugada foi lenta e suave, alguma coisa próxima a poesia entre as peles. Tão prazeroso que Regina quis mais e acordou Swan no meio da madrugada para se amarem novamente.




O sr. Gold preparava dois drinques no minibar da sala de sua casa, ao mesmo tempo que se perguntava quantas pedras de gelo Ingrid iria querer no Dry Martini. Ele arriscou duas e levou ambos os copos de bebida para o andar de cima, voltando ao quarto que lhe pertencia, mais precisamente na cama que dormia, onde Ingrid se desenrolava do lençol de seda marfim fazendo uma pose sensual com uma perna cruzada sobre a outra. Gold sorriu igual todas as vezes em que queria falar um “gostei disso”, um simples movimento no canto esquerdo da boca. Veio com seu roupão azul royal, muito bem fechado na cintura, entregar o copo do drinque para a loira monumental que há muitos anos não via pessoalmente.

— Tenho de admitir, mesmo com o passar dos anos você continua irresistível, Ingrid. — dizia ele se sentando ao lado dela, brindando o reencontro. — Quase não acreditei quando me ligou.

— Cheguei tem poucos dias. O resto você pode imaginar. — Ela bebeu o conteúdo do copo em uma golada apenas.

Gold assumiu uma expressão dividida entre a curiosidade e a dúvida.

— Seu irmão sabe que veio me encontrar?

— Claro que não. Nem ele, nem a esposa metida a entendida dele.

— Por que diz isso dela? Antes de engordar, eu me lembro que Mary Margaret foi uma mulher muito bonita.

— É, ela tinha graça naquela época. Hoje não passa de uma gorda de nariz empinado. Ela não gosta de mim, Gold. — o copo de Ingrid suava enquanto ela falava.

O homem permaneceu ao lado dela, contemplando o corpo desenhado por baixo do lençol. Ingrid era muito bonita, porém servia sempre como diversão, jamais seria capaz de ser esposa de alguém. Aqueles olhos azuis profundos não enganavam o político.

— Então tem feito tudo escondida. A sua filha não parece muito à vontade quando lembra de você. Vai ser no mínimo difícil se reencontrar com ela. — falou ele oferecendo o próprio copo. — Ela andou me aprontando uma meses atrás. Emma teve a audácia de me fazer um convite para um jantar e colocou sal amargo na comida.

Ingrid abriu bem os olhos e sua imaginação foi longe. Gargalhou sem escrúpulos na frente de Gold.

— Tenho de admitir que mesmo com o passar dos anos você continua patético. — repetiu Ingrid, parando de rir em seguida. — Como consegue cair numa brincadeira de criança tão velha? Se parasse para lembrar, Emma é minha filha, pode não ter convivido comigo, mas ainda tem meu sangue.

O sr. Gold pareceu ofendido, se levantou do lado de Ingrid e andou até a janela do imenso quarto de luxo.

— Fui com muita sede ao pote com Emma. — admitiu.

— Homens... Vocês sempre ficam cegos quando o assunto é ninfetas. — Ela bebeu o resto do drinque de Gold tão rápido quanto o primeiro gole. — Meu conselho, esqueça Emma. Ela não é para o seu bico.

— Ninguém mais indicado do que eu, um homem da sua confiança para tirar a pureza dela.

— Por ser exatamente esse homem de confiança que prefiro não ser você a desonrar minha filha. — Ela se sentou, puxando de cima de si o lençol revelando a nudez completa do corpo.

— E desde quando se preocupa com a sua filha? — Gold a olhou por cima do ombro.

— Sempre me preocupei com Emma. — disparou Ingrid com incomodo nato na voz. — Por ter sido uma péssima mãe para ela, todos, incluindo você pensam que eu a odeio. Eu amo a minha filha, do meu jeito ainda assim amo. Por isso acabei voltando, vamos acertar nossas contas. Entende o porquê de eu não aceitar essa ideia absurda de você tentar desonra-la? Emma é maior de idade agora, pode fazer o que quiser, mas sei que na cabeça dela existem inúmeras questões, especialmente tratando-se de sexo. Se quero mostrar ser uma mãe diferente devo aconselhá-la a se entregar para a pessoa certa.

— Isso se ela já não se entregou para alguém antes.

Ingrid se levantou da cama de repente.

— Ela não pode ter feito ainda.

— Nunca se sabe, Ingrid. Desde que aquele pintor e a esposa dele chegaram a Mary Way Village, muita coisa vem ocorrendo nessa cidade.

Quando ouviu o que ele disse ela parou com um sobressalto. Sentiu a mesma sensação do dia em que estava na floricultura e ouviu a voz de Daniel. Teve que perguntar.

— O que disse? Pintor? Foi o que eu escutei?

— Um pintor, Daniel Colter e sua esposa de Nova York se mudaram para cá. Desde então as pessoas nessa cidade parecem mais estranhas que o normal. Até o prefeito anda maluco, e acaba sobrando pra mim.

Algo horrendo se passou pela mente de Ingrid.

— E o que esse homem pode ter a ver? O que vem acontecendo?

— Sua filha anda muito próxima da esposa dele, posso dizer que elas são muito boas amigas. Eles vivem numa mansão em Blue Hill, na rua onde fica a sua antiga casa. Emma e a mulher do pintor costumam se encontrar no bistrô. Você ainda se lembra do bistrô, não?

— Como ficou sabendo? Você anda vigiando a Emma? — Ingrid sentia dor de cabeça com o tanto de vezes que franziu o cenho.

— Não ela precisamente, mas a esposa do Colter. O prefeito acredita que o casamento deles esteja acabando, ele me deu a ordem para ficar de olho na sra. Colter e, veja, eu andei fazendo grandes descobertas. — Ele se voltou para ela, enfiou as mãos nos bolsos do robe. — Além de se encontrar com sua filha esporadicamente no bistrô, ela costuma ir ao parque. A propósito, ela é escritora e pasme, os livros que ela escreve são best-sellers, ela tem fama fora desse lugar. Porém, o mais surpreendente foi descobrir que todos os livros, sem exceção, contam histórias sobre mulheres que se apaixonam sabe pelo o quê?

Ingrid sacudiu a cabeça.

— Outras mulheres. — completou Gold.

Ela cruzou os braços e ele a cobriu com uma toalha antes que ela morresse de frio.

— Não está insinuando que minha filha anda se envolvendo com esse pintor por intermédio dessa mulher, está?

Gold se mostrou surpreso.

— Não. Esse tipo de pensamento não passou pela minha cabeça, embora seja completamente possível. — Algo no olhar dele fez Ingrid achar que o homem gostou do devaneio dela. — Acho que vou passar a prestar mais atenção nela a partir de agora, o prefeito ficaria abismado se soubesse...

— Deixe minha filha em paz, continue cuidando da mulher do pintor enquanto eu mesma vigio a Emma. — Ingrid se enroscou na toalha, voltando para buscar suas roupas espalhadas sobre uma poltrona de cetim ao lado da cama.

— O Leopold vai ficar feliz em saber que você voltou. — Gold tentou segui-la.

— Diga a ele que em breve marco uma visitinha, primeiro preciso cuidar de uns assuntos particulares. — disse ela terminando de se vestir.

— Mas já vai? É cedo ainda.

— É, acontece que marquei com outra pessoa. — ela abotoou o último botão do casaco pesado que pôs ao corpo, se esticou para selar os lábios finos dele e foi atrás dos sapatos os colocando nos pés e saindo em seguida.

Gold apenas deu de ombros.

Ingrid voltou para a o sobrado onde o irmão vivia, chegando de mansinho com a cópia da chave que arranjou sem David ou Mary saberem. Andava saindo todos as noites, fazendo visitas ao Rabbit Hole e mais uma porção de bares ocultos nos becos de Mary Way Village, usando o nome falso de Beth antes que algum morador antigo da cidade a reconhecesse. Gold foi o primeiro a vê-la de volta como Ingrid após o susto que ela teve com a aparição de Daniel na floricultura. Naquela tarde, a mãe de Emma Swan voltou para casa com uma pulga atrás da orelha se recuperando do susto que levou. Se não era ele, poderia ser um homem qualquer com uma voz muito semelhante. Ingrid só se acalmou quando se convenceu de que o retorno para sua cidade natal estava a fazendo ter delírios e Daniel podia ser um deles. O pintor jamais saberia que foi ali onde ela se escondeu a maior parte do tempo. Para ele, ela devia estar morta há muitos anos, pois foi essa a notícia que mandou escreverem. Ingrid Swan se matou envenenada numa noite no porão de sua casa em algum lugar remoto dos Estados Unidos, bem longe de você. Consegue sentir a dor dela ao se destruir por você, Daniel Colter? Ela ainda se lembrava de como enviara a carta para ele que nessa época ainda morava em São Francisco. Então descobriu não estar errada, Daniel veio mesmo para Mary Way, vivia com a esposa e ainda por cima era próximo de Emma. Uma nuvem negra de dúvidas e horror pairou sobre a mente de Ingrid enquanto tentava dormir, algo que ela não fez enfim. Ela acreditava que sabia o suficiente para ir até a filha, mas nada a fazia aceitar que um dia talvez deveria contar a verdade para Emma. Uma verdade sombria e asquerosa.

Na manhã seguinte, antes das oito, Ingrid deixou o sobrado pelos fundos da loja e pediu um taxi até Blue Hill. Tinha uma cópia da chave da casa e usaria se Emma não tivesse escolhido trocar a fechadura, o que ela torcia em seu íntimo para não ter acontecido. Sua casa perto das outras da rua e do bairro era de longe a mais maltratada, nada comparada ao que foi um dia. Seus pais compraram uma casa espaçosa, com um lindo jardim – por sinal ainda existia muito por conta de David – e a vida que nenhuma outra na rua teria. Mesmo mal cuidada, ainda havia beleza na fachada e Ingrid olhava atentamente para os detalhes. Voltando a si, subiu os degraus da entrada e pegou a chave, acreditando que naquela hora faria uma surpresa pouco agradável para a filha. Entrou sem fazer qualquer barulho, tomando cuidados que adquiriu com o tempo. Ingrid sabia como abrir as portas sem fazê-las rangerem, sabia como caminhar sobre o piso emadeirado sem fazer o solta dos sapatos ecoarem e principalmente tirar conclusões precipitadas quando percebia algo de novo no ar. Ela se encontrava no meio da sala, tentando entender como a filha nunca mudara os móveis de lugar, porque ela achava a decoração de um mal gosto deprimente. Por isso tantas vezes odiava se sentar para conversar com a mãe no sofá. Ingrid viu as fotos sobre um móvel, nenhuma sua, não gostou. Se virou, caminhando feito gato pelos vãos que sobravam entre os móveis e de repente se viu no pé da escada. Dali dava para ouvir o som do chuveiro no quarto do final do corredor. Ingrid sabia que a filha estava ali, ela deu um passo para subir um degrau, mas foi pega por um som de talher com talher vindo da cozinha.

— Emma, já terminou? Eu vou servir o café...

Ingrid recuou e pensou rápido. Correu para o canto oposto da escada, se escondendo ao lado de um armário alto.

A mesma voz vinda da cozinha vinha se aproximando.

— Emma? Meu amor, você já terminou?

Uma metade do rosto de Ingrid tentava enxergar a dona da voz de onde estava. Uma cara pálida de boneca com cabelos curtos até os ombros e escuros feito a noite. Pareceu-lhe familiar.

— Estou indo. — Agora foi Emma quem disse. — Demorei porque seu perfume ficou impregnado na minha pele. — A moça saltou para o colo da mulher a espera dela no fim da escada. Quando tocou o chão, a beijou nos lábios. — Esse foi tão gostoso quanto o que você deu aqui onde a noite. — A mão de Emma tocou a calça da mulher entre as coxas, dava para ver mesmo tão próximas.

— Se começarmos alguém vai chegar atrasada no trabalho. — disse a mulher, levando Emma aos risos para a cozinha.

As duas começaram uma conversa sobre o Hotel Hooper e a trabalheira que Emma tinha todos os dias. Ingrid se viu livre para sair, mas estava atordoada e levou alguns segundos para acordar. Saiu antes que Regina e Emma voltassem, sem se preocupar com qualquer barulho que fizesse. No entanto, as duas apaixonadas não iam ouvir nada se continuassem conversando e rindo como estavam. O som do brinde pelo café da manhã vivendo juntas abafou o ranger da porta que Ingrid fechou por fora.


Notas Finais


Abusada sabemos que Ingrid é e também imaginamos a sensação que ela começa a sentir a partir de agora. Talvez ela não saiba definir o que foi isso que viu entre a filha e Regina, é no mínimo tudo o que ela não esperava, mas menos pior do que ela andou pensando no diálogo com Gold.

Nos vemos no próximo capítulo, um abraço e fiquem bem.


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