História Intolerantes a Borboletas - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Palavras 3.320
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoas! Voltei e nem demorei tanto, o que as férias não fazem, não é mesmo?

Esse capítulo mexeu muito comigo em particular, chorei escrevendo várias partes e espero que vocês levem a sério o tema abordado, espero também que eu tenha conseguido passar a mensagem.

Obrigada por tudo e estarei respondendo todos os comentários ainda essa semana, agradeço a compreensão quanto a isso, leio todos, mas o ano foi muito corrido.

Boa leitura!

Capítulo 16 - Abismo do ser


Fanfic / Fanfiction Intolerantes a Borboletas - Capítulo 16 - Abismo do ser

Enterre todos os seus segredos na minha pele

Desapareça com inocência

E me deixe com os meus pecados

O ar ao meu redor ainda me parece como uma gaiola

E o amor é só uma camuflagem

para o que se assemelha a raiva novamente


 

Então se você me ama, deixe-me ir

E corra para longe antes que eu perceba

Meu coração está triste demais para se importar

Não posso destruir o que não existe

Me entregue para dentro do meu destino

Se estou só, não posso odiar

Eu não mereço ter você

Meu sorriso foi tomado há muito tempo atrás

Se eu posso mudar, Eu espero que eu nunca saiba

 ( Snuff – Slipknot)

 

Ian Somerhalder

 

 

- O motivo de buscar dor? – Ri dela. – Ela não tem motivo. – Dei de ombros enquanto gesticulava.

 

- Tudo sempre tem um motivo, Ian – A mulher a minha frente começou a bater a ponta da caneta em seu bloco, estava impaciente. Deduzi isso pelo menos, afinal ela disse que sempre anotava tudo o que conversávamos.

 

- Dá mesma forma que o para sempre, sempre acaba? – Ouvi a cadeira ser arrastada e o barulho dos passos vindo em minha direção.

 

- Então diga-me Senhor Somerhalder, o que você é? – Colocou as duas mãos sobre meus ombros, afundando as unhas em minha pele que estava coberta apenas por uma camisa de malha.

 

- O que eu sou? – Ri novamente balançando a cabeça de um lado para o outro. – Eu sou a depressão.

 

-Você é? – Ela parecia surpresa, mas deteve sua calma de sempre, eu não conseguia entender como ela era tão serena vivendo naquele lugar a tanto tempo.

- Sim, eu sou, da mesma forma que ela sou eu. – Pendi a cabeça para o lado, dando um sorriso irônico.

 

- Agora se explica o porquê da garota não te querer. – Ela soltou um risinho e meu sangue borbulhou, segurei no estofado da poltrona e cerrei a mandíbula.

 

- Não sei do que está falando... – Respirei fundo.

 

- A tal Nina deve ter medo de você, da sua falta de vontade em viver. – A mulher parecia a dona da verdade, sempre tão lúcida.

 

- Não fale o nome dela. – Agora ela estava na minha altura, senti a respiração dela tocando minha orelha.

 

- Eu falo e faço o que eu quiser, foi você que veio até mim. – Beijou minha bochecha e eu logo tratei de limpar o lugar, desconfortável.

 

- Realmente. – Levantei-me de supetão. – Eu busquei o diabo.

 

- Não, isso não querido. – Gargalhou. – O diabo já está dentro de você, está dentro de mim, todos sempre têm algo contra o que lutar.

 

- Eu vou me livrar dele. – Engoli a seco.

 

- Pela Nina? – Ela voltou a caminhar pelo quarto.

 

-Nina é uma coisa boa, não quero falar dela. – Cerrei os punhos, eu já queria quebrar algo.

 

-Assim como a Megan? – Segurou meu rosto entre as mãos. – Então quer dizer que você irá destruí-la também? – Provocou-me, ela era a única ali que eu conversava e queria sempre tocar nesse assunto, tocar na ferida que nunca cicatrizava.

 

- Foi um acidente... – Senti uma vontade incontrolável de chorar, a última coisa que eu queria era machucar a Nina, mas eu sou como abraçar um cacto, sempre vai machucar.

 

- Eu sei que foi, meu querido. – Afagou meus cabelos, era bom, me sentia como se estivesse em casa. – Mas você não parece saber disso Ian, diz para os outros que foi um acidente, mas continua a se torturar por dentro.

 

Como eu era tolo. Como eu era quebrado. Como eu era fraco. Chorei.

 

- Eu a amava... – Cai de joelhos. – Ela e Valentina eram tudo o que eu tinha, minha família. – Padeci inconsolável, fazia tanto tempo que eu não chorava assim. Aquele choro que é como a chuva: forte, incontrolável, leva tudo com ela e deixa um estrago, o lamento da culpa.

 

- Família é um bem precioso, que as vezes é tirado da gente ... – Balbuciou sons que pareciam uma negação, um relato triste de mais uma que pertencia aquele inferno na terra. – Já pensou em formar uma família com a Nina? – Tocou minha mão, as mãos enrugadas eram frias.

 

- Não é possível... – Afobei-me. – Eu não sei amar de novo...

 

- Tem certeza? – Deu sua típica risadinha de “ sei o que estou falando”. – Você mesmo disse que sonha todas as noites com ela.

 

Essa velhinha ia me deixar mais doido que eu já era.

 

- Sabe que as coisas são difíceis... – Funguei incomodado.

 

- A partir do momento que você deixar de ser depressão e se tornar amor esse pensamento vai mudar...

 

- Sabe que não é fácil assim... – Relutei.

 

-Tem visita Somerhalder. – Um dos enfermeiros bateu na porta com agressividade, nos assustando..

 

- Às vezes elementos do nosso passado são a chave para o nosso futuro. – As chaves começaram a fazer barulho pelo choque uma com as outras, ele deveria estar procurando a que abria o meu quarto dentre o molho. – Espero que ela tire você daqui.

 

- Eu não entendo... – Abri e fechei a boca várias vezes. – Está falando de quem? – Tentei me concentrar para escutar algo.

- Dessa garota que veio muito aqui nesses três meses, mas você sempre a manda embora. – Riu.

 

- Como a senhora consegue rir? – Voltei minha atenção para a idosa que agora me abraçava fraco.

 

- Se você tivesse visto o que eu vi durante todos esses anos também conseguiria. – Ela suspirou, parecia aliviada. – Mas você não vai ver, sairá daqui bem antes. – Tocou meu rosto com carinho, as mãos eram trêmulas.

 

- A senhora também vai... – Fui tocando seu rosto até encontrar a testa dela, onde dei um beijo.

 

- Já desisti querido. – Tossiu. – Fui esquecida...

 

- A senhora me disse para ter esperança. – Segurei firme em suas mãos.

 

- Depois de um tempo, quando você alimenta a loucura, ela começa a se alimentar de você, Ian. – Acho que ela estava sorrindo. – A loucura já me consumiu, não tem espaço para esperança.

 

- Até logo. – Acenei para ela.

 

-Adeus, meu querido. – Mandou outro beijo para mim.

 

- Como sabe que é um adeus? – Voltei a me sentar na poltrona.

 

- Eu sei que é. – Ouvi os passos arrastados e vagarosos dela até a saída.

 

- Não vou contestar. – Ri da confiança que ela impunha. – Adeus então, Dona Michaela.

 

[...]

 

-Queria saber desde quando três meses de tortura se tornaram tratamento? – Nicole se sentou ao meu lado, no braço da poltrona.

 

- Preciso que me entenda Nikki.... – Ia começar a explicar, mas ela me cortou.

 

-Eu sempre entendi você, escondi segredos por você, entrei em um noivado de mentira e fingi ser uma consumista frenética, tudo para ajudar você... – A morena suspirou pesadamente.

 

- E eu sou grato por tudo isso. – Segurei sua mão.

 

-  Então pare de enrolar e me diga a verdade Ian Somerhalder, quando você vai entender que não foi o único que perdeu o chão naquela tragédia? – Uma lágrima quente tocou minha pele.

 

- Sei disso Nikki...Eu...

 

- Megan era minha melhor amiga e Valentina minha afilhada, perdi as duas... – Seu corpo começou a balançar, os soluços se tornaram altos.

 

- E você conseguiu seguir em frente... – Afaguei suas costas, reprimindo o choro entalado em mim.

 

- Acha mesmo... – Riu. – Se eu tivesse seguido em frente não estaria aqui hoje.

 

- Kellan deixou que você viesse aqui por quase três meses todos os dias, ele não está bravo? – Mudei drasticamente de assunto, uma forma de ganhar tempo diante do assunto que eu tenho certeza que chegaria.

 

- Ele é meu companheiro, Ian. – Tragou o ar. – Ele permitiu que durante anos eu vivesse um relacionamento de fachada com você, foi difícil, mas o amor sempre é mais forte.

 

- Não tenho total certeza disso... – Dei de ombros, chateado.

 

- Você vive num buraco negro Ian, tem que sair dele... – Pegou meu rosto entre as mãos. – Já parou para pensar que Megan tenha seguido em frente e você permanece ai, preso ao passado?

 

- Ou ela está no fundo do poço como eu? – Encolhi o corpo e afundei a cabeça no estofado. – Pode estar pior ainda...

 

- A culpa é um fardo muito grande, Ian. – Levantou minha cabeça. – Tem que se livrar disso.

 

-Eu não consigo, não gosto de mexer nessas feridas abertas, dói muito. – Uma lágrima solitária saiu, contornando meu rosto até a ponta do queixo.

 

- Você guardar isso só vai te destruir. – Nikki também chorava. – Ian, por favor, se dê uma chance.

 

- Eu deveria ter morrido naquela noite Nikki, não a minha pequena Valentina... – Cobri meus olhos com as mãos. – Ela era só um bebê, tão pequena e frágil. – Flashes do rostinho dela vieram à minha mente, sorrindo para mim.

 

Flashback on

 

- Quem é a garotinha do papai? – Cobri meus olhos com os pezinhos dela, que gargalhava.

 

- Vai cobrir ela com a sua baba, amor – Megan entrou no quarto carregando um cesto de roupas e deixou na porta do banheiro. Ela sorriu para mim, Valentina sorriu pra mim e eu me senti o cara mais amado do mundo.

 

- Mamãe está com ciúmes, não liga para ela não minha branquela. – Levantei a blusinha vermelha de bolinhas brancas e passei o nariz pela barriga gordinha. 

 

- Estou com ciúmes mesmo, ninguém mais da atenção para a mamãe. – Falou colocando as mãos sobre a cintura e fez um bico manhoso. – Eu que carreguei essa gordinha por nove meses e ela só tem olhos para esse papai chato. – Empurrou-me para o lado com os ombros e se deitou ao lado da nossa filha.

 

Como eu amava dizer “ nossa filha”.

 

- Ei! – Protestei aos risos. – Não sou chato. – Fingi estar emburrado.

 

- É sim, muito chato. – Riu, a risada dela era linda. – Mas mesmo assim eu sou completamente apaixonada por você. – Abraçou Valentina e eu abracei as duas.

 

- As mulheres da minha vida. – Acariciei o rosto de Megan. – São meu tudo, nunca vou abandonar vocês.

Flashback off

 

- Eu prometi Nikki. – As lembranças me fizeram chorar, a culpa era como um câncer, te matava por dentro, corroí suas entranhas, toma todas as partes. – Prometi que estaria sempre com elas...

 

- Você e a Nina são realmente muito iguais... – Parecia surpresa.

 

- Nina não é quebrada como eu... – Alertei.

 

- Sim, ela é. – Ponderou. – Ela me procurou a dois dias, estava com a Bárbara.

 

- Pensei que a Nina achasse que você era uma vadia sem coração... – Lembrei-me do dia no hospital que ‘libertei” Nikki, deixando ela livre para viver seu amor com Kellan.

 

- Eu também pensava isso. – Seu tom era mais alegre agora. – Até que elas me falaram da carta, colocar o endereço da minha casa e não me avisar, obrigada Ian. 

 

- Precisava que a Nina soubesse que eu não abandonei ela, mesmo ela já tendo me esquecido. – Dizer aquilo doeu, porque eu não esqueci dela nem um só minuto que estive ali.

 

- Ela não esqueceu de você. Se você pudesse vê-la saberia. – Pareceu estar em estado de negação. – Agora ela está como você, se culpando.

 

- Se culpando? – Franzi o cenho, estava confuso. – Pelo que?

 

-Oras, pelo seu sumiço. – Falou como se fosse obvio. – Nina é uma mulher tão bonita, Ian...

 

- Eu sei. – A cortei antes mesmo dela concluir sua fala. Sorrindo em seguida, Nina era realmente linda.

 

- Agora ela está tão magra, parece tão exausta, com olheiras embaixo dos olhos, está sem cor... Como você, Ian. – Entrelaçou as mãos nas minhas. – Ela está apaixonada por você, Ian...

 

- Como alguém pode se apaixonar por mim? – Tentei me manter firme, ignorar a avalanche de sentimentos que colidia dentro de mim.

 

- O Ian que fez a Megan se apaixonar era doce e gentil, nosso garotinho. – Sorri ao lembrar do apelido que as duas me deram na juventude. – O Ian de agora está calejado pela vida, mas nem por isso deixou de ser o que é, você é muito mais que essa escuridão pelo qual está passando Ian!

 

- É tão bonito quando você fala assim, parece até simples... – Estiquei meu corpo e voltei a repousar na poltrona, meu corpo parecia tão cansado, efeitos dos remédios que vinha tomando, eles me deixavam tão robótico.

 

- Não é para ser simples Somerhalder, é para ser difícil, é para machucar, é para ser o que a vida é: um desafio diário. – Disse com gana. – Agora a pouco você me perguntou porque você não se foi no lugar da Valentina...

 

Assenti para que ela continuasse.

 

- Alguns seres humanos vem a terra com uma missão breve, são anjinhos, Valentina era um deles. – Suspirou pesadamente antes de prosseguir sua fala. – Viveu tão pouco, mas mudou o destino daqueles a sua volta, você parou de beber depois do que aconteceu...

 

- Isso foi a única coisa boa. – Dei novamente de ombros. – Eu continuo a ser o homem que brigou com o irmão mais velho, renegou a família que o acolheu, abandonou a mulher que ama por ser um fraco....

 

- Mas você prometeu na carta que voltaria para ela.... – Rebateu.

 

- Tenho medo de fazer com ela o mesmo que fiz com Megan... – Confessei. – Sinto algo tão forte pela Nina que a simples ideia de machuca-la acaba comigo.

 

- Ian, ouça bem o que vou te dizer. – Chamou minha atenção. – Você já se puniu demais, buscou dor demais, foi para isso que decidiu ir para guerra afinal.

 

Concordei de imediato. A dor física era muito melhor que a dor da alma, ou melhor, substituía uma pela outra, eu poderia arrancar minha pele, perder um membro do corpo ou ficar cego como estou, algo que doeu muito, mas era bem mais agradável que as cicatrizes internas.

 

- Uma forma alternativa de sentir dor... – Concordei.

- Eu diria que é mais uma forma de se punir... – Nicole levantou-se e passou a caminhar perto de mim. – Ninguém merece sofrer para sempre Ian, a redenção vem para todos...

 

- Até para os assassinos? – Arqueie as sobrancelhas.

 

Ela bufou, estava perdendo a paciência.

 

- Você não é assassino, foi um acidente Ian, ninguém teve culpa! – Falou alto. – Pelo amor de Deus, você precisa se reerguer – Suplicou.

 

- Não sei se consigo fazer isso... – Cocei minha nuca, nervoso.

 

- Quando Megan descobriu a gravidez os pais dela a expulsaram de casa, você aguentou a barra por ela, por você, por Valentina... – Se agachou a minha frente, tocando meus joelhos, os apertando com força. – Não posso deixar que você desista...

 

- Eu perdi tudo que eu tinha naquela noite Nicole... – Meus olhos novamente lagrimejaram, eu odiava essa vontade repentina de chorar.

 

- Não perdeu não Ian... – Segurou minhas duas mãos e impulsionou meu corpo para cima, para que eu me levantasse com ela. – Venha aqui. – Foi me puxando, para que eu a seguisse.

 

Caminhamos um pouco e depois paramos, logo um vento forte atingiu meu rosto, dando-me vontade de cobrir minha face.

 

- Sente esse vento? – Eu assenti. – Você sente o vento e deixa o oxigênio entrar no seu corpo, respira e inspira, seu coração bate e sua pele é quente, sinal de vida. Então você não perdeu tudo.

 

- Sabe o que eu quis dizer... – Relutei, porém Nikki ignorou minha fala.

 

- Tem a sorte de ter dois pais que te amam incondicionalmente independente dos erros passados, um irmão mais novo que te vê como herói e não desistiu de te procurar nesses três meses, uma melhor amiga incrível e uma alma gêmea que espera você se libertar com ela...

 

- Alma gêmea? – Riu. – Acredita mesmo nisso?

- Por que não acreditar? – Rebateu desafiadora. – A crença espirita diz que certas almas são destinadas a ficarem juntas, evoluírem juntas, sinceramente vocês estão a uns bons meses assim e não desistiram um do outro... – Disse de forma óbvia.

 

- Parece coisa de cinema... – Sorri, mas no fundo eu também me surpreendi com a mudança na minha vida, Nina era insuportável, chata, ranzinza e temperamental, totalmente oposta de Megan. Sim, eu sei, comparações são horríveis, mas nesse caso é diferente. Megan me fez voar além das estrelas, deu-me um conto de fadas digno da Disney e no fim jogou lá de cima, no inferno. Nikolina entrou no inferno que não pertencia a ela, buscou minha alma entregue ao diabo, tomou minhas dores e esqueceu das delas e mesmo quando não está ao meu lado continua a ser a luz que me guia.

 

-Parece coisa de vida real, mas não é o tipo de coisa que se entende, o amor foi feito para se sentir Ian, não para compreender, não para ser eterno, não para ser perfeito, mas para nos ensinar algo, mostrar que o barco só naufraga se você permite.

 

- Acho que meu barco já naufragou. – Senti uma tontura, como se o chão tivesse se tornado gelatina. – Minha cabeça está doendo. – Massageei o lóbulo na tentativa, sempre em vão, de amenizar a dor.

 

-Você sente muito isso? – Envolveu minha cintura e me ajudou a caminhar pelo quarto, quando toquei o colchão macio reconheci minha cama.

 

- Todos os dias, toda hora as vezes... – Sorri tentando tranquiliza-la, mas esse simples ato doeu um pouco. – Efeitos dos antidepressivos, passei muito tempo sem toma-los...- Expliquei.

 

- Você estava melhor sem eles... – Resmungou quando me soltou na cama, meu corpo caiu como uma pedra. – Antidepressivos podem tratar a dor da depressão, mas nunca vão curar esse sentimento de culpa, sabe disso. – Tirou alguns cabelos da minha testa soada.

 

- Eu só não sei mais o que fazer Nikki... – Admiti mais para mim do que para ela. Em algumas circunstancias temos que admitir, não somos capazes de destruirmos nossos monstros sozinhos e mesmo assim, eles nunca vão embora, eles precisam serem domados dentro da prisão particular que cada um carrega em seu peito. – Nada faz mais sentido Nicole.

 

- Não pode basear sua vida e suas ações em policiar-se pelo medo de cometer novos desatinos. – Afagou meus cabelos. – O Rio Jordão em que Jesus foi batizado não é o mesmo de hoje, portando ninguém está fadado a nada, só você pode mudar seu destino.

 

- Mesmo um destino de dor? – Questionei exausto.

- O que você sentia pela Megan? – Jogou na lata, minha boca secou e eu me apeguei a ideia de que era apenas um efeito colateral dos remédios.

 

Abaixei a cabeça e entortei a boca.

 

- Responda! – Pediu num tom autoritário.

 

- Amor... – Respondi e foi como um soco no estômago, fazia tempo que eu não admitia meus sentimentos guardados a sete chaves.

 

- O que sente pela Nina? – Nikki Reed era direta demais, isso assustava-me as vezes.

 

- Não sei explicar, é algo bom, uma força que atinge e quebra minhas barreiras, e na minha vida que não faz mais sentido, que ficou cinza e morta, Nina trouxe a cor e vida, mesmo quando ela grita comigo. -Ambos rimos. – Ela faz com que eu me sinta normal.

 

- Isso porque você é Ian. Sofrer de depressão não te faz um ser de outro mundo, você é um pássaro no poleiro de uma gaiola aberta, sabe que tem a liberdade para sair dali, mas o medo a sua volta te faz ficar...

 

- Mas as pessoas dizem... – Mais uma vez naquele dia Nicole me cortou.

 

- As pessoas não vivem o que você vive, não conhecem os seus demônios, não sabem cultivar as suas flores. O ser humano insiste em julgar sem conhecer, sofrer de transtornos mentais não te faz diferente, você é o que é! Não existe normal, não existe perfeito, mas tem algo que existe: Você! Ser humano falho, cheio de medos, feridas não cicatrizadas, choro reprimido, palavras não ditas, arrependimentos e dias sem fé, um vento sem direção e sem obrigação de ter uma. – Ambos choramos, de novo.

 

“A prova de que estou recuperando a saúde mental, é que estou cada minuto mais permissiva: eu me permito mais liberdade e mais experiências. E aceito o acaso. Anseio pelo que ainda não experimentei. Maior espaço psíquico. Estou felizmente mais doida." – Clarice Lispector

 

 

 

 

 


Notas Finais


Estou tão emocionada com esse capítulo, não tenho mais palavras.

A unica coisa que eu queria dizer é que espero que eu tenha conseguido passar algo a vocês, pessoas que sofrem de transtorno bipolares, depressão ou simplesmente aquelas que vão a um psicologo para tratar da alma não merecem as suas piadas, elas não vão agredir vocês ( ou talvez eu faça isso só pra mostrar o contrario), essas pessoas merecem seu respeito e você merece educação, afinal como já defendia Kant " o homem é aquilo que a educação faz dele". Em resumo, respeito é a chave, amor o caminho.

E não se esqueçam: Não estão sozinhos nessa luta, a vida é uma batalha diária e se precisarem é só chamar( de verdade)

Obrigada por lerem e sou muito grata por apoiarem meu sonho.

<3 No próximo capítulo narração da Nikolina!

Twitter: @biacardoso_bia
Tumblr: http://sweetfiregirl.tumblr.com/

Desculpem se tiver algum erro!

Até breve. Muito amor e força!

Xoxo <3


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