História Inverso do Perfeito - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Hyoyeon, Jessica, Seohyun, Sooyoung, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Hyosoo, Relacionamento Abusivo, Soosun, Taengsic, Taeny, Volta Jessica, Yoonhyun, Yulsic
Visualizações 1.649
Palavras 7.308
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bom, cheguei com outro capitulo dessa fanfic que tá deixando todo mundo puto da vida com a Tiffany ksskjdndmdmddn gente eu imploro que não me matem por isso ok?

E eu vou responder todos os comentários do capitulo anterior assim que der tempo pq nem sei por onde começar, e alias obrigada por tantos comentários ❤❤❤ boa leitura!

Capítulo 10 - Chapter Nine: O Começo do Fim - Parte 2


Taeyeon





— Finalmente encontrei alguém que também gosta de ver filmes de animação. Será que todas essas coisas que nós temos em comum, está relacionada ao fato de sermos duas meninas que não fazem outra coisa além de estudar? — Perguntei antes de dar uma generosa mordida no meu sanduíche.

— Provavelmente, acho que em outra vida nós duas nos conhecíamos por mais tempo. Já estou convencida que esse tempo todo estivemos separadas por uma biblioteca. — Jessica respondeu rindo.

Nunca pensei que algum dia eu me daria o privilégio de estar almoçando em outro canto da escola que não era o refeitório, e na companhia de uma pessoa tão incrivelmente adorável como Jessica. Quando entreguei meu humilde bilhetinho para sua colega de quarto - que eu descobri que era sua colega em circunstâncias vergonhosas para mim - jurei que ela nem iria considerar, ou talvez arranjaria uma forma de se desculpar por não poder ir, mas para a minha felicidade o oposto disso aconteceu.

Por minha aula ter acabado mais cedo, tive a sorte de poder chegar no refeitório mais cedo também e assim não precisaria enfrentar uma fila enorme para pegar meu almoço. O que eu não esperava, era chegar no refeitório praticamente vazio, e encontrar Jessica Jung em seu uniforme perfeitamente passado, com os cabelos totalmente soltos e sem seus óculos de grau que estavam sempre enfeitando seu rosto.

Sim, Jessica ficava linda com os óculos, mas sem eles, ela ficava perfeita.

Minha surpresa foi tanta que por longos segundos, eu fiquei imóvel nas portas de vidro que davam acesso ao local, até mesmo havia me esquecido que fui eu quem pedi para que ela estivesse ali. Jessica literalmente precisou me pegar pela mão e me levar até o almoço ou eu não sairia do lugar tão cedo. Tecnicamente, eu apenas pedi para que ela almoçasse comigo porque bem… Jessica é uma garota legal, estudiosa e muito simpática e eu comecei a entender recentemente, que gosto muito da sua companhia.

E agora nós duas estávamos aqui, embaixo de uma árvore que servia de sombra para as nossas cabeças. Devo agradecer mais tarde por ter mesas no lado de fora do refeitório também, só que isso me fez pensar porque diabos nunca almocei aqui fora antes.

— Tem comida no meu rosto? — Ela perguntou de repente, me pegando de surpresa.

— Hã, não, por quê?

— Porque você está me olhando tanto que nem pisca. — Ela riu. — Tem certeza que não tem?

Outra coisa que eu descobri por conta própria, é que eu gostava de prestar atenção em Jessica quando ela estava distraída. O único problema é que eu a admirava tanto que ela acabava percebendo isso, mas eu não. Jessica tinha uma beleza que eu não sabia explicar nem em um milhão de cálculos ou teorias, seus olhos castanhos pareciam brilhar o tempo todo e ainda tinha o seu sorriso tão impecável, capaz de deixar qualquer um encantado.

— Não, não tem. Só estava… Admirando. — Respondi com um pouco de vergonha. Jessica colocou seu sanduíche de volta na bandeja e passou a me encarar de forma divertida.

— Admirando o que?

— Você.

O pequeno sorriso que Jessica tinha nos lábios acabou sumindo, nesse momento eu comecei a mentalizar uma bíblia em forma de desculpas para pedir, mas meu desespero durou até certo ponto, basicamente quando vi um rubor nas suas bochechas e percebi que ela não ficou constrangida, mas sim com vergonha. Eu pude me ver nela de alguma forma, normalmente sou eu quem fico desse jeito quando recebo algum elogio para a minha pessoa em especial.

— Me… Admirando? — Ela disse, acabando por me tirar daquele pequeno transe.

— Sim, é que você fica tão linda sem os óculos. — O rubor nas bochechas dela acabou aumentando com a minha tentativa de elogio, não demorou nada para que eu começasse a tropeçar nas minhas próprias palavras e ficasse sem jeito diante dela. — Não que você fique feia com eles, na verdade você fica bonita com os óculos e sem eles também e-

Parei de falar no momento que Jessica começou a rir, não era uma risada debochada ou com má intenção, era um som gostoso de escutar. Reparei em absolutamente todos os detalhes nas suas expressões faciais enquanto ela dava risada, até mesmo nos seus movimentos. Como por exemplo, o modo como ela levou uma mão até a boca na tentativa de esconder seu sorriso, ou como os seus olhos se fechavam enquanto ela dava risada e ainda teve algo que quase me deixou viajando em um universo bem distante desse. Quando Jessica se recuperou da crise de risos, ela mordeu discretamente seu lábio inferior e só então voltou a me olhar.

— Você é realmente muito fofa Taeyeon. — Eu a deixei com vergonha, e agora ela me deu o troco. Nada mais justo, eu acho. Jessica limpou suas mãos e viu as horas em seu celular. — Ainda faltam quinze minutos para o sinal bater, quer ficar aqui mais um pouco?

— Se você não se importar em me fazer companhia, com certeza eu quero. — Respondi visivelmente alegre, e não foi necessário uma resposta de sua parte para eu entender que ela não se importava de ficar ali. — Qual sua próxima aula?

— Redação, e a sua?

— A minha é de sociologia e só de pensar nas palestras que o professor Chanhyuk vai passar, já fico com extremo sono. — Acabei por confessar e deixar visível que as aulas de sociologia não prendiam tanto a minha atenção. Algumas pessoas pensam que eu, como uma aluna inteligente e dedicada, não tenho desgosto por nenhuma matéria escolar, só que não é bem assim que funciona.

— Mais uma coisa que temos em comum: eu também morro de tédio nas aulas dele. — Minha surpresa foi grande, porque Jessica realmente faz o perfil de uma aluna que não reclama de nenhuma aula sequer. — Sei que isso vai contra à descrição que os professores dão sobre mim, mas… Não tem como engolir aquelas aulas!

— Ele deveria pegar um assunto social como pauta e fazer um debate, pedir um trabalho sobre ou qualquer coisa. Fazer palestra não ajuda em nada. — Completei enquanto pegava os embrulhos do meu lanche e jogava em sacola, para depois jogar no lixo.

— Concordo. Em um dia todo na biblioteca, lendo os livros de Karl Marx, Emile Durkheim e Max Weber, aprendi mais coisas de uma forma mais interessante, do que assistindo todas as aulas com ele em uma semana. — Novamente, me surpreendi ao perceber que Jessica expandia seus gostos para estudos e não se limitava somente às exatas. Apesar de tudo hoje em dia, tem matemática em alguma parte, também era legal ler teorias e discutir sobre elas. — Você gosta de algum sociólogo?

— Se eu disser que sou fã do Karl Marx, você vai fugir de mim? — Minha pergunta soou divertida, o que fez Jessica rir.

— Não, não vou. Eu também tenho minhas críticas ao sistema capitalista e se você souber guardar segredo… — Jessica se aproximou um pouco de mim até sussurrar no meu ouvido. — Eu sou uma grande admiradora do Max Weber, já cansei de fazer vários artigos sobre ele em minha casa, apenas para guardar para mim mesma.

Aquele assunto estava deveras engraçado, não porque estávamos contando piadas uma para a outra, mas sim porque temos um gosto parecido e considerado abominável entre os demais. Quando ficamos em silêncio, acabei por lembrar que seria hoje a noite que Tiffany e eu iríamos para a sua casa. Sei que provavelmente estou sendo muito estúpida em ter aceitado esse convite repentino depois de ela ter me humilhado verbalmente e até me machucando um pouco quando estávamos tomando banho. Em momentos como esse, eu agradeço imensamente por apenas duas pessoas estarem cientes do meu caso com ela, que seriam Yoona e Hyoyeon.

Eu sei o que elas devem pensar sobre isso, que estou sendo idiota em ficar me derretendo pelos cantos por uma garota tão escrota e que me trata da forma mais abominável possível, e claro que elas devem sentir a maior vontade de me dizer que eu já deveria ter caído fora desse inferno e largado Tiffany de vez. O único problema nessa solução, é que na teoria tudo é muito fácil, dizer que eu deveria desistir de Tiffany é lindo demais e a ideia me parece mais a entrada para o céu, o problema é colocar isso em prática.

As pessoas só compreendem os sentimentos alheios quando elas mesmas viram as vítimas deles.

Também acho que eu deveria desistir da Hwang, isso é o que eu mais quero e desejo. Assim como também desejo não amar ela, não sentir essa necessidade urgente que meu corpo tem por ela e seus toques que me levam do céu até o inferno ardente. Eu sentia que precisava de Tiffany para a minha própria existência, era um amor doentio e que chegava a me deixar doente e eu simplesmente não consigo me livrar dele, nem tentando muito.

— Está tudo bem Taeyeon? — Ouvi Jessica me chamar e sua mão pousar sobre a minha no meu colo, a olhei rapidamente e a mesma estava com um olhar um tanto preocupado. — Você ficou em silêncio de repente.

— Si-sim, estou bem. Só estava pensando! — Me prontifiquei em responder, mas ao mesmo tempo eu me sentia nervosa por sua mão não ter se mexido do lugar.

— Pensando em algo específico? — Sua pergunta não aparentava ser curiosa ou invasiva demais, era só uma tentativa de criar um assunto entre nós que não fossem estudos.

Olhando para Jessica e com todos os meus pensamentos de agora, concluo que posso pedir algum conselho para ela. Uma garota linda e inteligente como ela, que com certeza já deve ter namorado antes, poderia me dizer com sabedoria como lidar com X situação. Claro que não pretendo citar nomes porque para o meu azar, não existe uma única alma nessa escola que não conheça Tiffany Hwang. Infelizmente.

Quem não conhece ela, provavelmente são alunas novas e ainda não foram pra cama com a ruiva.

— Jessica, você acha idiota ser apaixonada por alguém, mesmo com esse alguém te fazendo sentir inútil a maior parte do tempo? — O olhar sereno de Jessica desapareceu no mesmo instante, parecia que ela tinha entendido a mensagem sem eu ter dado muitas pistas. Poderia estar me referindo à qualquer pessoa, mas a fama de horrível que Tiffany tinha era conhecida por todos.

— Inútil… Como? — Perguntou calmamente, voltando a sua expressão de antes. Me senti aliviada de certa forma, pois odeio pensar na possibilidade de mais alguém descobrir sobre Tiffany e eu.

— Do tipo que te deixa ciente de que para ela, você não passa de um objeto. — Respondi olhando fixamente para o céu azul e ensolarado daquele dia.

— Hum, mas por que continuar apaixonada por essa pessoa? — Escutei ela perguntar.

— Sinceramente, não sei. Essa pessoa só sabe te fazer sentir horrível, você sabe disso e mesmo assim não consegue se desvencilhar dela… Parece um mal que te faz de refém e não te deixa viver em paz por nada nesse mundo, mas o pior de tudo, é saber que quanto mais você tenta fugir, menos você consegue. — Lembrar da minha atual situação era tão doloroso e ruim, que nem ao menos percebi quando meus olhos começaram a lacrimejar. Não tive tempo de ao menos conseguir disfarçar, eu sabia que Jessica estava me olhando preocupada, apesar de eu não encará-la naquele momento, mas soube a partir do momento que sua mão segurou a minha. — E isso, dói, dói muito. Mas é tão forte que você simplesmente não consegue ficar longe dessa pessoa porque… Essa pessoa conseguiu enfiar na sua cabeça que sem ela, você não é nada.

As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto descontroladamente, mas meu choro não se tornou algo escandaloso de fazer as pessoas pararem e olharem para o desastre que eu sou, tanto por dentro quanto por fora. O pensamento de que de alguma forma, eu mereça estar passando por essas coisas, sempre me aterroriza. Porque afinal de contas, o que diabos eu fiz nessa vida ou em uma vida passada, para ter que passar por tudo isso? Será que fui uma pessoa tão ruim assim?

Jessica já não segurava mais a minha mão, presumi que ela tenha se afastado silenciosamente para não ter mais que presenciar aquilo. Essa cena ridícula de uma adolescente apaixonada por outra adolescente, que só lhe trata como um lixo e faz ela se sentir uma pessoa que ninguém é capaz de amar. Nem mesmo, os próprios pais.

Um tremor percorreu todo o meu corpo a ponto de me fazer arregalar os olhos, quando senti braços me envolverem carinhosamente e uma mão puxar com delicadeza minha cabeça, até ela que ela deitasse em um ombro. Aquele perfume suave misturado com o cheiro de uma roupa limpinha e passada, o aroma dos cabelos castanhos e soltos que me fizeram suspirar por longos segundos. Era Jessica quem estava me trazendo para si, de forma inesperada, mas que veio em boa hora. Ela não tinha se afastado de mim, apenas soltou minha mão para poder me abraçar.

Meu coração bateu acelerado, parecia que ele estava voltando à vida novamente depois de quase três anos estando aprisionado.

— Eu sei como é sentir uma dor assim Taeyeon. — Ela sussurrou perto do meu ouvido. Sua mão afagava meus cabelos com tanto carinho, que até me permiti fechar os olhos algumas vezes estando ali com a cabeça deitada no ombro dela. Não me lembro se alguma vez na vida, alguém já fez isso por mim. — Sei  o quanto machuca e te destrói por mais que você tente de tudo para se afastar, talvez nossas situações estejam distintas e desproporcionais, mas eu sei que é uma dor que vem do coração e isso basta para mim.

A dor que estava querendo escapar de mim em formas de lágrimas, era tanta, que acabei me permitindo terminar de chorar ali no ombro dela. Jessica quando percebeu, me apertou em seus braços com mais força, como se estivesse tendo todo o cuidado possível com o meu coração despedaçado. A grande verdade é que minhas mãos já estão machucadas demais de tanto tempo que passei juntando todos os cacos e, tentando inutilmente colocar todos no lugar novamente.

Não sei o que aconteceu com Jessica no passado, mas o que realmente importava ali, agora, era que ela entendia e compreendia a minha dor. Nada nunca foi tão especial para mim como naquele momento.












— Vai fugir do país por acaso? — Escutei vindo da minha colega de quarto, que estava esparramada em sua cama enquanto me observava arrumar uma mochila.

— Bem que eu queria. — Respondi fingindo falso desânimo, quando na verdade eu estava uma pilha de nervos por dentro.

— Taeyeon, me diz uma coisa. — Hyoyeon falou em um tom de voz um tanto sério, me virei para ela e nem na cama ela estava mais. E sim em pé, na minha frente. — A Hwang não fez nada pra você depois que te beijei, não é?

— O que quer dizer? — Devolvi a pergunta sentindo o nervosismo correr no meu sangue.

— Quero dizer que não tenho um pingo de medo dessa patricinha que se faz de adolescente revoltada com a vida. Que fique bem claro. — Ela disse com extrema seriedade, eu já começava a ficar com medo. — Você sabe que não sou uma pessoa muito amigável, mas me dou bem com você por dividirmos o mesmo quarto e por você não ser o tipo de pessoa que me causaria alguma dor de cabeça. — Continuou. — Então fique ciente, de que não é problema nenhum para mim, deixar os dois olhos dela roxos e fazer ela engolir um dente ou dois.

Engoli em seco, às vezes eu me esqueço que Hyoyeon sabe brigar como ninguém. O único homem que ela namorou na vida, quase fez ela ser presa por ela ter arrebentado a cara dele, não que ele não tenha merecido justamente por trair ela, mas que dá medo… Ah, isso dá sim!

— Po-por que ta me falando isso?

— Porque quero saber se ela te fez alguma coisa quando te arrastou para longe ontem à noite. Espero que ela não tenha feito, ou faço questão de arrastá-la para o inferno com minhas próprias mãos. — Hyoyeon estava falando sério, muito sério.

Minha vontade era de fazer a maior cena diante dela, chorar ou espernear se fosse preciso. Eu queria dizer que Tiffany me machucou de certo modo e me abusou psicologicamente, mas a coragem pra isso não existia e pensar nessas duas se pegando no tapa já era motivo o suficiente para eu me tremer de medo. Sem falar que isso chamaria a atenção da escola toda e todos passariam a se perguntar por quê duas garotas como elas, estão brigando por alguém como eu.

— Não Hyo, obrigada pela preocupação, mas ela não fez nada. Apenas conversamos e… Ela me chamou pra sair. — Confessei e vi a surpresa na sua expressão.

— Uau, por essa nem mesmo eu, esperava. — Hyoyeon voltou a se deitar em sua cama de modo desengonçado e eu continuei a arrumar minha mala. — E quantos meses pretende ficar lá? Para estar levando tudo isso, acredito que no mínimo você só volte no natal.

— É só até sábado, eu estarei de volta e tudo ficará bem. Só vamos passar alguns dias na sua casa. — Respondi.

— E ela vai te comer todos esses dias, já to até imaginando.

Hyoyeon deu risada e se virou para o lado da parede, provavelmente para que pudesse dormir. Continuei a arrumar as coisas na minha mochila até que ela finalmente estivesse pronta, depois coloquei nas costas e saí do quarto apagando as luzes e fechando a porta.

Eu teria que esperar por Tiffany no portão da escola, e foi lá que eu fiquei tentando me proteger daquele vento gelado e cruel com a minha pele sensível.

Se eu dissesse que não estava ansiosa para passar esses dias ao lado dela, estaria mentindo muito feio. Eu não fazia ideia de como seriam os dias em que ficaríamos juntas, mas esperava que nenhum desastre acontecesse durante esse tempo. Bom, Tiffany praticamente ficaria responsável por mim só pelo fato de eu estar na sua casa, não é como se ela pudesse me deixar sozinha para procurar outra pessoa. Talvez, somente dessa vez, nós duas possamos ter alguma coisa mais única.

— Eu espero… — Comentei baixinho.

— Espera o quê? — Pulei no meu lugar quando escutei sua voz bem perto de mim. Não me surpreendi ao me virar e ver que Tiffany estava ali, linda como de costume e encostada ao portão com um sorriso torto nos lábios.

— Você. Quem mais seria? — Respondi prontamente e ela deu risada antes de segurar meu queixo.

— Acho que já te falei que… Não gosto dessa tua boca respondona. — Tiffany aproximou nossos rostos e me beijou sem mais nem menos, bem ali fora e longe da nossa zona de conforto. Seu beijo foi tão urgente que quando ela apartou ele, eu fiquei ofegante. — Ou talvez eu goste.

Quando estávamos prestes a nos beijar outra vez, um táxi estacionou ali na frente e tudo indicava que era o nosso. Antes que ela abrisse a porta do veículo, eu segurei sua mão.

— Tiffany, posso te pedir um favor? — A ruiva arqueou a sobrancelha em dúvida.

— Peça.

— Promete que não vai fazer eu me arrepender de estar indo com você?

Ela manteve seus olhos em mim, como se estivesse me analisando ou enxergando minha alma. Um sorriso de canto surgiu nos seus lábios e por um lado, senti medo, mas por outro, pensei que tudo ficaria bem. E então ela me deu a resposta que eu precisava ouvir para finalmente entrar naquele carro e me deixar ser levada por ela até sua casa.

— É claro que não. Eu jamais faria isso com você.






Yoona






Hoje era um daqueles dias tanto faz na escola, porque teríamos dois dias de folga (graças ao bom Shinee). Eu não aguentava mais pintar tantos quadros e me sujar de tanta tinta nas aulas extras de artes que solicitei na secretaria, era o que eu mais amava fazer, mas não deixava de ser cansativo e eu sabia que tudo em mim estava implorando por um pouco de descanso.

No começo pensei em voltar para a casa, mas Seohyun me convenceu do contrário quando fez bico para mim dizendo que não queria ficar sozinha até sexta - já que a escola decidiu emendar os dias de conselho com a quinta e a sexta - e eu claro, não tive um pingo de coragem de lhe dizer um mísero não. Quando eu pensei comigo mesma, que ela provavelmente até sábado, iria dormir no quarto de uma garota diferente, acabei me enganando bonito. Já era quase sete e meia da noite e nós duas estávamos no nosso quarto, conversando sobre várias coisas bem aleatórias. Detalhe que Seohyun estava deitada na minha cama, mesmo que tenha duas nesse quarto, ela age como se a minha fosse a única disponível e quase sempre dorme comigo.

— Amanhã vou colocar outro piercing, você vai comigo para segurar minha mão né? — Ela soltou de repente, cheguei até a me assustar.

— Como assim outro? — Perguntei um pouco indignada, nem ao menos sabia que ela já tinha um.

— Ué, amanhã vou colocar outro piercing no umbigo. É o meu segundo. — Ela disse dando de ombros.

— Ok, e quando foi que você colocou o primeiro Joohyun?  

— O primeiro eu coloquei no domingo, um pouco antes de voltar para a escola. — Explicou.

— Ah sim, e onde foi?

Eu não deveria ter perguntado, não mesmo.

Acho que pelo fato de eu ser completamente apaixonada pela minha melhor amiga, ver certas partes do corpo dela me causam certas sensações que não é preciso citar de forma específica. Certo que para mim é até costume ver Seohyun nua, porque sempre que ela enche a cara nas festas, sobra pra mim dar um banho e colocar uma roupa nela depois, sem falar que ela se troca na minha frente como se não tivesse ninguém por perto. Mas sinceramente, ver o local onde ela tinha colocado aquele bendito piercing metálico e em formato de uma jóia, foi o meu fim. O mundo poderia ter acabado naquele momento que eu nem me importaria, a coisa mais linda do mundo estava bem diante de mim.

Seohyun literalmente subiu em cima de mim e ficou sentada sobre o meu corpo, e então, sem mais e nem menos, ela levantou sua camiseta até tirá-la completamente. Só então eu percebi que ela estava sem sutiã por baixo, e pude entender o por quê também.

Porque seu piercing havia sido colocado em seu mamilo.

Não bastava estar de cara com seus seios enormes, fartos e tentadores. Eu ainda tive o privilégio de ver o seu piercing bem colocado em seu mamilo rosado. Claro que muita gente ainda vai ter a mesma sorte que a minha, mas ao menos eu fui a primeira a ver isso e provavelmente vou ser a primeira a ver o outro também.

Fiquei encarando aquele acessório maravilhoso por tempo demais, e ela acabou percebendo.

— Gostou é? — Quando olhei para Seohyun, me deparei com um sorriso malicioso se formando em seus lábios e porra, eu não sabia o que dizer!

— Bastante. — Me limitei a responder.

— Acha que ficou bom mesmo? — Ela me fez o enorme favor de mexer no seu mamilo com a ponta do dedo, fazendo um movimento circular que fez o piercing se mexer junto.

A cena era bem erótica, a posição na qual ela me colocou também. E o fato de ela estar seminua em cima de mim só contribuiu para pensamentos sujos e impróprios brotarem na minha mente. Seohyun poderia tentar ser um pouco menos gostosa e sexy, mas acho que ela não tem essa capacidade.

— Sim, eu acho que ficou ótimo. — Respondi por fim. E quando achei que ela iria continuar a falar alguma coisa, um silêncio se instalou entre nós duas bem repentinamente.

Seu olhar estava preso ao meu, ou vice versa, mas não durou muito tempo quando ela passou a encarar minha boca. Foi impossível não sentir aquela tensão que estava pairando entre nós duas, acho que muitas pessoas já ficaram numa situação semelhante à essa antes. Você estar sozinha com uma pessoa extremamente atraente e depois começar a rolar essas trocas de olhares intensas, se a pessoa estiver em contato físico com você as chances daquela coisa chamada excitação máxima acontecer, são imensas.

— Yoongie, senta um pouco, fazendo o favor. — Ela pediu e logo eu apoiei as mãos no colchão e me sentei, mas a mantendo em meu colo com ambas as pernas ao lado da minha cintura. — Quero tentar uma coisa.

— O que você-

Quando eu estava prestes a perguntar o que ela iria fazer, minha boca foi calada. E da melhor forma possível. Seohyun estava com seus lábios sobre os meus, parecia até um sonho e nos primeiros segundos, morri de medo de acordar e acabar me decepcionando outra vez. Mas não era, não quando ela tentava iniciar um movimento lento entre nossos lábios e eu não fazia nada. Sempre sonhei com o dia em que isso iria acontecer, e está acontecendo bem agora, não posso desperdiçar essa oportunidade por nada nesse mundo!

Fechei meus olhos e correspondi seu beijo com vontade, não era necessário parar apenas para perguntar o que era aquilo, ela estava me beijando e essa era a única explicação que precisava para me convencer de que eu deveria continuar. Timidamente, segurei sua cintura nua e senti ela se arrepiar por causa do contato das minhas mãos, automaticamente as suas pousaram nos meus ombros e seguraram minha blusa com um pouco de força. Seohyun levou uma das mãos até a minha nuca apenas para me puxar para onde não tinha mais espaço, sua boca praticamente amassava a minha naquele beijo caloroso e cheio de sabor. A vantagem de ela estar sem a camiseta, é que eu conseguia sentir o quanto ela estava arrepiada por estarmos nos beijando e isso me causou uma sensação muito gostosa.

Quando senti que nossas línguas iriam se encontrar durante o beijo, a falta de ar se fez presente e nos vimos obrigadas a parar com tudo. Nossas testas estavam encostadas uma na outra, minhas mãos se mantiveram firmes na sua cintura e as dela nos meus ombros. Assim que tomamos algum espaço apenas para nos olhar, eu não sabia qual reação ter, nem com vergonha eu consegui ficar enquanto ela me encarava com aquela cara de quem queria mais um pouco.

— Devo perguntar o que foi isso? — Eu falei assim que minha respiração se normalizou um pouco.

— Fique à vontade. — Respondeu.

— Tudo bem, o que foi isso?

— Hoje quando eu estava indo te buscar na sua aula de artes no final da tarde, escutei algumas garotas que estavam perto da sala, que estavam loucas para saber como era te beijar. — Vi seu semblante ficar sério por alguns instantes, mas logo ele deu lugar à uma expressão superior e maliciosa. — Só me prontifiquei em descobrir antes delas. Porque sou sua melhor amiga e eu tenho todo o direito de fazer isso.

Eu não sabia se ficava com raiva ou achava o máximo esse ciúmes possessivo dela comigo. Não que Seohyun fosse uma Tiffany da vida que adorava fazer das pessoas o seu brinquedinho, mas não permite que exista outras além dela em suas vidas, a prova disso é a Seo ter ido pessoalmente se desculpar com Taeyeon e ter feito de tudo para virar amiga dela. Uma atitude que valorizei bastante de sua parte.

— Você é muito boba mesmo e-

Parei de falar quando aquela sensação horrível me preencheu da cabeça aos pés. Se eu tinha algum sorriso crescendo em meus lábios, ele provavelmente desapareceu junto com a calma que eu estava sentindo a pouco tempo. O sentimento dentro de mim naquele momento era um só: medo.

Olhei para Seohyun e ela me encarava da mesma forma, não que estivesse com a mesma sensação que eu, mas parecia estar perdida com a minha mudança brusca de humor. Sabe quando temos um pressentimento horrível de que alguma coisa muito ruim, está prestes a acontecer? Eu me sentia exatamente dessa forma, mas de um jeito assustador, porque a cada segundo que se passava, aquela sensação aumentava e eu não fazia a mínima ideia do que poderia acontecer enquanto eu estava ali parada.

Era como se algo estivesse tentando gritar para mim, que alguma coisa muito séria ou alguma tragédia, estavam prestes a acontecer, parecia até mesmo coisa de vidente. É normal você sentir essas coisas, mas quando se trata de algo tão intenso assim, então faz todo o sentido começar a se preocupar de verdade.

— Yoona, por que você ficou assim do nada? Está me preocupando! — Ela perguntou chacoalhando de leve meus ombros e me fazendo encará-la. — O que foi?

— Seo, estou com um mau pressentimento. — Respondi.

Havia pavor no meu tom de voz, meus olhos provavelmente respondiam todas as dúvidas que Seohyun deveria estar tendo na sua cabeça sobre esse meu comportamento tão repentino. Era algo que não passava de jeito nenhum e eu estava começando a me sentir tão agoniada, que poderia até mesmo passar mal.

— Como assim? — Ela voltou a perguntar. — Yoona, pelo amor de Deus não me faz ficar nervosa! — Seohyun começou a se alterar junto comigo, mas eu não podia deixá-la nervosa por causa de algo que estava vindo diretamente de mim.

— E-eu não sei, estou sentindo que algo muito ruim vai acontecer. — Respondi, sentindo meu corpo arrepiar inteiro.

— E por que você acha isso?

— Porque… De repente, eu comecei a pensar na Taeyeon.  








Jessica





Eu andava por aquela escola completamente nervosa e agitada, sentia que meu coração poderia parar de bater a qualquer momento e não iria demorar nada para que isso acontecesse. Basicamente, comecei a me desesperar a partir do momento em que deixei Taeyeon voltar para a sala de aula e então, não nos vimos mais. Precisei ligar para o Yunho apenas para dizer que teríamos que cancelar nossa pescaria, iria inventar alguma desculpa de que preciso ficar na escola para montar uma apresentação para alguma aula, mas por sorte ele mesmo acabou desmarcando - depois de ter pedido desculpa umas mil vezes - porque teria que ir até o quartel resolver algumas coisas relacionadas aos seus documentos, nada sério.

O que realmente estava sério ali, era a situação de Taeyeon e que se eu não fizesse nada, poderia ficar mais grave do que já estava. Quando ela começou a me falar aquelas coisas sobre estar apaixonada por alguém que te faz sentir inútil, logo pensei na única pessoa que seria capaz de fazer isso para alguém como ela: Tiffany.

Talvez eu estivesse errada, mas seria coincidência demais. E quando me lembrei da sua reação no jantar com Yunho, quando mencionei o nome de Taeyeon e ela agiu como se estivesse em posição de ataque, tudo fez sentido.

Essa maldita está se relacionando com ela e vai destruí-la se continuar desse jeito. Não consigo esquecer de jeito nenhum a imagem de Taeyeon chorando nos meus braços, enquanto silenciosamente, se lamentava por amar alguém como a minha irmã, que não merece suas lágrimas e muito menos o seu amor. Nem Deus é capaz de imaginar quantos xingamentos eu utilizei na minha mente para me referir à Tiffany, como diabos ela consegue ver em Taeyeon, uma pessoa que pode servir para os seus desejos nojentos por sexo? Eu não consigo entender de verdade, isso sim não faz o menor sentido. Olhei de relance as horas em meu celular e já beirava oito e meia da noite, já fazia um tempo que eu estava ali perto da biblioteca e andando pelos corredores sem parar, sempre que fico nervosa tenho esse hábito e bem, eu estava desesperada!

A única coisa que conseguiu me aliviar mesmo, era saber que minha irmã disse no almoço de domingo que não estaria na escola até domingo, porque voltaria para casa e ficaria por lá mesmo. O que me deixou um pouco curiosa naquele momento, foi ela ter dito isso bem quando Yunho comentou que também não iria estar lá e nem eu, tecnicamente ele não vai estar e eu também não apesar de termos cancelado nossa pescaria juntos e…

Foi então que um desespero do tamanho do mundo, me atingiu sem limites de forças.

— Espera um pouco. — Falei para mim mesma quando parei de andar. — Ela não volta pra casa nem com gente lá, quanto mais sem.

Droga, droga, droga!

Tudo começou a se encaixar a partir do momento em que eu finalmente entendi o que estava acontecendo. Não era novidade para ninguém que Tiffany odiava estar na nossa casa, o que realmente fez ela passar um final de semana todo lá, foi o Yunho. No entanto, eu sabia que ela não pretendia voltar para lá esse feriado que emenda as aulas nem com a presença do nosso irmão, só que havia algumas coisas que não estavam no seu devido lugar. Minha mãe estaria na escola, mas ocupada demais com as reuniões de terça e quarta. Era para eu e Yunho estarmos na estrada em direção a chácara onde íamos pescar à uma hora dessas e como ninguém ficaria em casa, minha mãe iria trancar tudo e ficar com as chaves até que alguém decidisse voltar antes dela. E ela deu as chaves da casa e do portão para Tiffany no domingo, quando ela mencionou que queria ficar em casa até domingo por falta de opção.

Decidi parar de perder tempo pensando e resolvi agir, com um único objetivo em mente: encontrar Taeyeon e fazer de tudo para que ela não respire o mesmo ar que Tiffany até domingo pelo menos. Eu conheço muito bem a irmã que tenho, sei que ela jamais perderia uma oportunidade de ir para festas e ficar longe de casa se tivesse a chance, ainda mais sabendo que não teria ninguém para lhe infernizar o juízo. Até seria plausível a desculpa de que ela realmente quer ficar em casa, mas não com Tiffany, não sabendo que ela simplesmente odeia estar lá sozinha ou acompanhada.

Corri em direção aos dormitórios e fiquei em dúvida sobre qual seria o prédio em que ela morava. Por sorte, acabei me lembrando que as vigias tinham uma lista das alunas de ambos os prédios, então eu poderia ir em qualquer um e perguntar onde era o quarto dela.

— Com licença. — Perguntei para a mulher vestida de guarda, que estava tomando café.

— Sim mocinha?

— Você sabe me dizer onde é o quarto de Kim Taeyeon?

— Só um minuto. — Ela começou a olhar em uma lista na sua prancheta enquanto procurava o nome. — É nesse prédio mesmo. Segundo andar, porta dezoito.

— Obrigada!

Saí correndo em direção às escadas e subi degrau por degrau com a maior pressa do mundo até chegar no segundo andar. Fui passando olhando quarto por quarto até encontrar o número dezoito na porta, ficava bem no final daquele corredor mesmo e era ali que Taeyeon morava e dividia com alguma aluna. Bati na porta e logo no primeiro toque, ela foi aberta, mas não por Taeyeon e sim por uma loira com mechas coloridas no cabelo.

— O-olá. — A cumprimentei, mas a menina continuava com uma cara de quem estava se perguntando quem eu era. — Hum, Taeyeon está? Eu preciso falar com ela e me disseram que esse é o seu quarto.

— Não, não está. Na verdade ela saiu faz uma hora já. — Ela disse e eu estranhei na mesma hora. — Se quiser posso dar recado quando ela voltar. Qual seu nome?

— Jessica. — Respondi e ela fechou a porta do quarto atrás de si.

— Ah, é você a garota por quem ela não cala a boca quando toca no assunto. — Eu sequer consegui prestar atenção no detalhe de que Taeyeon fala de mim para alguém, porque naquele momento minha preocupação era outra.

— Você não pode me dizer onde ela foi? É um pouco urgente! — Tentei manter a calma enquanto falava com essa menina, que parecia estar fazendo muito pouco caso do assunto.

— Se você é outra amiga que ela tem além de mim, namorada ou sei lá o quê, então ela deve ter te contado que ia para a casa da Hwang hoje. — Eu tentei manter a calma, mas foi impossível.

Literalmente toda a minha calma, paciência e otimismo foram embora, depois de ouvir o que essa garota disse. Tudo o que eu senti dali para frente foi medo, pânico e desespero. Só existia uma única aluna naquele colégio inteiro que infelizmente carregava aquele sobrenome. Taeyeon estava com Tiffany, as duas estavam indo para a minha casa e lá, elas ficariam completamente sozinhas.



Essa não









Taeyeon





A casa de Tiffany era maior do que eu pensava, na verdade era enorme e parecia que mais pessoas além dela moravam ali. Se bem que ela havia me dito que tinha irmãos e sua mãe ainda, então faz algum sentido o tamanho dessa casa. Nós saímos do táxi após ela pagar a conta e seguimos para o portão principal, que estava fechado com um cadeado. Tiffany apenas abriu o cadeado com a chave e usou o controle já que era um portão automático, e pronto, já estávamos dentro.

Quando entrei na sua casa, me impressionei por ela ser maior por dentro do que por fora, realmente tinha muito espaço ali. O tempo todo eu segurei as alças da minha mochila porque de alguma forma, eu sentia que estava num território perigoso. Bom, era ali que Tiffany morava e ela poderia fazer o que bem entender comigo enquanto eu estivesse vulnerável na sua presença. Basicamente isso acontece todos os dias.

— Sim, já estou em casa. — Escutei a voz de Tiffany e me virei para ver o que ela estava fazendo. A ruiva estava no celular com alguém enquanto fechava a porta. — Sim, sim, dez minutos. Ok, até mais.

— Era sua mãe? — Perguntei timidamente, porque eu não me sinto no direito de ter satisfação das pessoas com quem ela conversa.

— É, era ela. Apenas ligou para perguntar se eu já cheguei com você. — Ela respondeu vindo da minha direção.

— Sua mãe sabe que estou aqui? — Senti uma pontada de preocupação com aquele detalhe. Tiffany não iria me apresentar para os seus parentes, mas comunicou a eles que me trouxe até sua casa, oi?

— Claro, eu não trago ninguém aqui sem a permissão dela. — Ela respondeu com um sorriso e envolveu minha cintura com suas mãos. — Agora, largue essa mochila em qualquer canto e vamos logo para o quarto. Pretendo bagunçar a cama com você a noite inteira e nada vai me impedir.

Sua voz soou tão sensual e carregada de desejo, que nem percebi quando larguei a mochila ali no chão mesmo e de qualquer jeito. Nós duas já estávamos aos beijos enquanto subíamos apressadas os degraus da escada para o segundo andar, em direção ao seu quarto. Ela mordia minha boca e me apertava de um jeito que me fazia querer tirar todas as roupas do corpo o quanto antes, mas para o meu alívio, chegamos no quarto antes de isso acontecer. Nossos beijos continuaram urgentes, mas eu estava esperando que ela me jogasse na cama ou coisa do tipo. Só que ao invés disso, Tiffany me colocou sentada em uma cadeira, mas sem parar de me beijar.

Nossas bocas só nos separaram quando senti algo prender meus pulsos atrás daquela cadeira, era metálico, duro e frio e eu presumi que aquilo fosse algemas. Fiquei sem entender o que era aquilo, até pensei que ela poderia querer experimentar algum desses fetiches sexuais, mas ao invés disso, ela se sentou na cama à minha frente e me olhou com um olhar perverso.

— A quanto tempo está se encontrando com a Jessica? — As palavras que eu iria usar para perguntar o por quê de ela ter me algemado em uma cadeira, travaram na minha garganta.

Como ela descobriu isso? Pelo amor de Deus, nós duas só saímos da biblioteca uma única vez desde que começamos a estudar juntas.

— Ela é minha parceira para as olimpíadas de matemática, nós estudamos juntas. — Respondi tentando não surtar com aquela situação. — Eu juro!

— Acredito em você, sei que não mentiria para mim e por mais que quisesse fazer isso agora… Não é como se você fosse conseguir. — Aquele sorriso prepotente, arrogante e cínico estava ali novamente para o meu medo aumentar de tamanho ainda mais.  — Você gosta da Jessica, hm?

— Si-sim, ela é uma garota legal e me trata bem. — Respondi da forma mais inocente possível, porque eu não sabia mesmo onde ela queria chegar com aquilo.

Tiffany estava com as chaves daquelas algemas em mãos, mas só até o momento em que ela abriu a gaveta do criado mudo ao lado da cama e as colocou lá dentro calmamente. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas algo me dizia que ela não iria cumprir sua promessa de não me deixar arrependida por estar ali.

— E se eu te dissesse que, esse quarto aqui onde nós estamos, é dela?

Aquele momento foi como se o mundo tivesse parado de girar, ou apenas o meu coração de bater. Comecei a olhar em volta, e só então percebi que fui devagar demais para não ter percebido antes que o quarto estava cheio de fotos da Jessica com outras pessoas. Olhei para a escrivaninha e vi um dos seus cadernos ali em cima, como a porta do seu guarda-roupa estava aberta, pude até mesmo ver o uniforme da escola guardado em um plástico. Aquele quarto era de fato da Jessica.

Tiffany, não

— Po-por quê estamos aqui? — Perguntei mesmo estando com medo da sua resposta.

— Porque não gosto quando meus assuntos se misturam com a minha irmã. — O maior choque da noite veio assim que ela disse a palavra irmã. Jessica e Tiffany… Irmãs? Não pode ser, não pode, as duas são completamente opostas uma da outra. Isso não pode ser verdade pelo amor de Deus! — E por você ter quebrado as regras, vai ser castigada Taetae.

— O que você vai fazer? — O desespero já estava me consumindo totalmente à uma hora daquelas, Tiffany estava me mostrando o seu pior lado. Não que ela tivesse algum que fosse bom, mas se todos os outros eram ruins, então esse conseguia ser pior.

— Eu vou transar muito nessa cama aqui. — Ela apontou para a cama de Jessica e eu arregalei meus olhos.

Naquele momento a porta do quarto se abriu e meu coração quase pulou para fora por pensar que poderia ser Jessica ou a mãe delas, nunca estive tão errada. Uma garota loira com batom vermelho nos lábios, usando roupas curtas, entrou no quarto e Tiffany foi na sua direção. As duas estavam sorrindo de forma maliciosa uma para a outra, a garota olhava na minha direção e dava risada como se eu fosse algum tipo de piada. E eu realmente era, naquele momento, mais do que nunca eu não passava de uma grande piada.

— Como eu disse, vou transar muito nessa cama aqui. — As duas se beijaram na minha frente, e então eu finalmente entendi o motivo para eu estar ali. — Mas não com você.











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