História Invisível - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Invisivel, Oracle, Original
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Palavras 627
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


É vertiginoso ver a influência que temos na vida das outras pessoas, mesmo sem repararmos. E vice-versa.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Hoje de manhã abri os olhos e, ao olhar para o visor do telemóvel e ver que tudo continua o mesmo, permiti que um desejo perverso meu se realizasse. 
          Pus-me de pé, olhei-me ao espelho. Da minha carne fez-se ar, do meu ar fez-se nada. Não precisei de me vestir, muito menos de me adornar com sorrisos falsos. Na minha mochila não levei uma desculpa esfarrapada sequer. "É só sono, não ligues" e "Depois passa": as que eu mais detesto, mas aquelas em que as pessoas mais acreditam. 
           Diria que esta experiência foi melancolicamente deliciosa. Observar as pessoas calmamente no autocarro enquanto deixo o meu peito abrir-se para que o meu vazio possa dar uma volta, esvoaçar por aí até se cansar e voltar para dentro de mim. Eles não olham para mim, mas eu olho através deles. Quando temos tempo para observar, descobrimos coisas até acerca de transeuntes. 
           Marcaram-me falta na faculdade e eu ri-me porque estava lá. Uma amiga minha fez anos. Parabéns, Carolina. Um abraço que não foi sentido. Sigo atrás do grupo dos meus amigos, rumo à cafeteria. Não notei diferença, exceptuando na falta de um olhar para trás. Faziam isso por pura educação e para me incitar a misturar mais com eles no meio de gargalhadas e estômagos borbulhantes de fome. 
         Sentei-me no chão enquanto os via a comer. Afinal, aquele sítio está sempre à pinha e é de louvar quando se arranja um lugarzinho ou uma mesa. Mais uma vez, observo. Tudo corre bem como quando eu estou lá. Estar lá ou não estar acaba por ir dar ao mesmo. No centro do vazio do meu peito nasceu uma pontinha de dor, mas foi varrida pela indiferença. Graças a Deus. 

As aulas acabaram. Foi relativamente bom não ter de ouvir piadas secas dirigidas a mim, não ter de fazer esforço para perceber o que me dizem quando falam muito baixo ou muito rápido e não me sentir ignorante quando não percebo explicações. 
        Mais uma vez, autocarro. Desta vez, concentrei-me na noite e nos tons alaranjados que ela traz consigo através dos candeeiros. Sinto uma estranha ligação. O vazio não quis espairecer desta vez. Aliás, aninhou-se no meu peito como se de uma almofada se tratasse e aumentou mais e mais, mas de uma maneira lenta e leve, tal como fumo. 
            Saí e comecei a subir a rua lentamente. O que é esta dor que deflagra no meu ombro esquerdo, justamente no lado do coração?  Deve ser do peso súbito da mochila. De facto, está mais pesada do que quando parti de casa. Quando abri, constatei que era tristeza. Céus, não acredito que trouxe isto comigo. A falsa indiferença deve ter-me tapado os olhos. Mais cedo ou mais tarde, acabaria por descobrir, de qualquer das maneiras. Pois fiz-me de forte e engoli a tristeza, mas ainda fiz pior. Agora ela estava dentro de mim e era implacável e assustadoramente viciante, ainda que levezinha. "Vou deixar de ser tão negativa". Quebrei a minha promessa.
        Fechei a porta de casa e não ouvi ninguém. O vazio saiu de novo do meu peito e rodopiou pelo ar, juntando-se ao da casa. Aquela mistura de nadas — juntamente comigo — soube-me pela vida. 
      Olhei de novo para o ecrã do meu telemóvel e ainda nada tinha mudado. As palavras serão eternamente secas e o silêncio entre nós ir-se-á alargando e aprofundando como um vale.
   Livrei-me de tudo. Adeus tristeza, adeus raiva, adeus melancolia. Mas continuei a ser ar. Sentei-me a ouvir a chuva, que tinha começado fina, mas que agora batia no vidro melodiosamente. Permiti que o som passasse através de mim. Palavras para quê quando se tem a água assim a sussurrar ao nosso ouvido? 


Às vezes há dias em que precisamos de ser deixados em paz. 


Notas Finais


O texto acabou de me sair espontaneamente. Espero que tenham gostado!!


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