História IRONSIDE DAUGHTER - VIKINGS - Capítulo 4


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Palavras 3.508
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - QUATRO


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Escute os ventos vindos das montanhas a sussurrar

O inverno despertou, Sim ele enfim virá 

É tempo de voltar, É tempo de voltar

Recolha o machado, Recolha o escudo

Traga a madeira, Todas que puder carregar

O fogo deve ser alimentado, A família deve ser aquecida

A chama arderá, a chama arderá...O inverno vem, Se prepare 

É tempo de voltar, É tempo de voltar

A cantoria de Torvi estava a ecoar por toda casa e despertando Siggy de seu sono. Com seus olhos ainda preguiçosos e quieta em um pensar, teve de admitir que a mulher possuía uma bela voz. Levantou-se lentamente da larga cama do quarto que foi prestado a ela por Torvi. Encontrava-se com uma angustiante dor em sua cabeça e também sentia um amargo gosto que a desagradava na boca. Ainda permanecia com o vestido da noite, agora tristemente amarrotado e frouxo. Caminhou até a porta do quarto com muita demora, pois até então estava morosa devido o sono que tardou chegando apenas na aurora. Quando finalmente alcançou a porta de madeira escura, abriu-a e Torvi encontrava-se de pé em sua frente do outro lado. Depois de um muito breve momento sendo observada, percebeu que Siggy não diria uma saudação. Em suas mãos, Torvi sustentava uma pequena bacia com aguá onde saía um fino vapor.

-- Que bom que já está acordada.- Finalmente disse Torvi. Ela carregou a bacia para dentro do quarto e Siggy apenas desviou de seu caminho observando-a sem uma expressão relevante em seu semblante. -- Trouxe para que possa banhar o rosto, lhe despertará por completo.- afirmou com um tom em voz muito mavioso.

Deixando a bacia em uma pequena mesa ao lado da cama, caminhou até a frente de Siggy, que com um pesado suspiro a encarou. Torvi era uma bela mulher, com longos cabelos loiros traçados. Possuía lindos olhos verdes e seu semblante era bastante gentil. Mesmo assim, Siggy não afeiçoou-se a ela, sabia que no fundo de seu coração que esta situação era por culpa de Bjorn. Torvi não possuía nenhuma culpabilidade, mas mesmo assim o sentimento de vilipendiar estava presente em suas ações e palavras.

-- Não precisava trazer, pois eu já estava indo buscar sozinha.- respondeu Siggy secamente.

Torvi lhe ofereceu um sorriso amigável, que outra vez foi ignorado por Siggy. Ela apenas olhou-a  indicando que já poderia se retirar. Torvi assentiu um tanto soturna e foi-se para a cozinha da casa. Siggy fechou a porta e caminhou até a bacia, então levou a água a seu rosto com as mãos em conchas. Ainda saía o fino vapor da bacia e Siggy parou por um instante para observar enquanto pingos d'água deslisavam em seu rosto. Pensou como Torvi fora tola em dedicar seu tempo esquentando um bocado de água para alguém que não se agradava dela. Louca... Depois de afastar a soneira, tratou logo de secar o rosto. Caminhou até o baú onde estava seus pertences, tal como roupas e acessórios e foi-se a vestir-se para se encontrar com seus tios e treinar com a espada. Pescou dentre tantos vestidos sua vestimenta de couro negro mais querida, a qual sua avó sempre estava a se zangar-se por usar em ocasiões improprias. Enquanto amarrava as fitas de couro nas laterais de seu corpo, começou a completar em um sussurrar a canção que Torvi entoava.

É tempo de voltar, É tempo de voltar 

Os lobos estão a espreitar, Nas sombrias gélidas florestas irão lhe atacar

Erga seu machado e esteja preparado, Ou corra como um louco berrando sem parar

O inverno bate a porta sem tardar, Pois ele chegou para lhe saudar

 É tempo de voltar, É tempo de voltar

O inverno despertou, Ele está a caminhar

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Saindo do quarto prontamente vestida, Siggy caminhou até o centro da casa, onde havia fogo sendo alimentado por Torvi e em sua volta encontrava-se Lagertha desfrutando de um ensopado quente. Ao ver Siggy se aproximando lhe deu um sorriso, mas não foi retribuído por ela.

-- Pensei que só acordaria perto do yule.- brincou Lagertha mesmo com a carranca de sua neta.

Siggy sentou-se ao seu lado e pegou uma tigela e serviu-se com o ensopado erguido sob o fogo.

-- Onde estão minhas serpentes?- perguntou Siggy. -- Precisarei delas.- Levou a tigela a boca e lentamente tomou o ensopado, pois estava escaldante. Siggy não se agradava de ensopados, mas com o frio que se fazia em Kattegat, estava mais que satisfeita em comer os pedaços de carne e tomar o grasso caldo.

-- Eu as guardei, você poderá pegar alguma espada velha. Não quero que as exiba, pode intimidar as pessoas.- Lagertha olhou firme em seus olhos. -- E por favor, se limite.

Siggy retribuiu o olhar a sua avó, mas de maneira como se ela estivesse beirando a loucura. Nunca Lagertha lhe pediu para esconder suas espadas ou encobrir suas habilidades. Aquilo estava estranho, na verdade Siggy sentia que ela estava estranha desde que pôs os pés em Kattegat. Queria lhe perguntar o real motivo daquilo, mas não quis que Torvi escutasse, já que estava bem próxima a elas.

-- Não é muito sensato sequestrar as espadas de uma guerreira.- respondeu Siggy. -- Pode haver sangue.

Lagetha lançou-lhe um olhar divertido com a resposta de Siggy.

-- Acha que me venceria?- perguntou. -- Provavelmente o sangue seria seu.

-- Talvez sim, talvez não. Não sei se está informada, mas o objetivo de um aprendiz é superar seu mestre, caso contrário todos seus ensinamentos seriam em vão. Estou mais que ansiosa quando este dia chegar, pois nunca soube que era capaz por conta de sua relutância em ir até o fim.

Lagertha soltou um pequeno riso cansado. 

-- Da ultima vez, se bem me lembro, ficamos todo o dia tentando matar uma a outra. Eu interrompi, pois tinha muitos afazeres e você com toda a certeza nunca desistiria.- Siggy deu de ombros e continuou seu desjejum. -- E eu não sequestrei suas espadas, só as confisquei. Você sabe o estrago que consegue fazer quando junta aquelas coisas.

-- Estou treinando novos movimentos, assim posso decepar mais de duas pessoas ao meu redor.- respondeu Siggy rapidamente e animada. Os olhos da jovem pareciam brilhar ao falar do aperfeiçoamento de suas habilidades. Sua avó sabia que a garota era um tanto individualista quando se tratava de armas. Sua jovem neta possuía uma mente próspera com ideias para espadas e técnicas de combate. Orgulho preenchia seu coração, fazendo-a nunca se arrepender de tê-la criado.  Lagertha enrugou o nariz e olhou seu ensopado, depois encarou sua neta.

-- Muito agradável conversa sobre pessoas decepadas logo em nossa primeira refeição do dia.- Lagertha terminou seu ensopado e levantou-se. -- Quando seu pai chegar da outra vila, reunirá alguns guerreiros para tratar dos preparativos da invasão. Eu lhe quero lá, entendeu?

Siggy imediatamente encarou Lagertha surpresa.

-- Você não irá?-peguntou.

-- Não. Você estará com Astrid como minhas representantes para que eu possa tratar de outros assuntos.- respondeu Lagertha jogando suas peles em volta dos ombros. Siggy muito descontente deixou a tigela do ensopado de lado.

-- Que tipo de assuntos tratará sem mim?- perguntou irritada. -- E desde quando Astrid está aqui?

Lagertha suspirou impaciente. Estava acostumada com o temperamento de Siggy e com toda certeza não poderia culpá-la, pois era como estar frente a si mesma anos mais nova. 

-- Logo direi. Ela chegou esta manhã. Astrid está comigo, é mais que natural ela permanecer ao meu lado em Kattegat.- respondeu Lagertha duramente.

-- Ela tem a minha idade e é detestável. Sei que desenvolveu um gosto por mulheres e eu jamais a criticaria por isso, compreendendo os tipos de homens que se relacionou em sua vida, mas poderia arrumar uma mais agradável?

-- Siggy...- advertiu Lagertha.

-- Lagertha tem a quem confiar.- disse uma terceira voz feminina atrás de Siggy. Ao perceber que era Astrid a se aproximar, Siggy levantou-se. -- Diga diante de mim o que acabou de dizer.- disse em um tom desafiador.

Siggy virou-se para ela e caminhou até sua frente. Encarou a jovem de cabelos curtos castanhos e olhos cinzentos que considerava muito grandes para seu fino rosto. Sem vacilar o olhar Siggy cruzou os braços sob o peito.

-- Eu disse que você é detestável.- Insistiu Siggy com desdém, sem vestígio que Astrid conseguira intimidá-la. Siggy não se importava com a existência de Astrid quando elas lutavam juntas em batalhas travadas por Lagertha contra os inimigos e a favor dos interesses da vila. Astrid para ela sempre fora uma garota que se perdia em pensamentos e era tardia no agir em batalhas. Sabia que a jovem tinha uma boa mente para estratégia, mas no fundo sentia que algo perverso também se formava em seus interesses. Sempre que surgia a oportunidade a jovem questionava a liderança de Siggy em pequenas invasões de vilas, não por achar falha, mas para mostrar-se superior a ela. Quando em uma noite, antes de se deitar, Siggy quis desejar uma boa noite para Lagertha, mas ouviu que ela não estava sozinha em seus aposentos. Pela manhã, quando avistou Astrid espreitando-se para fora do quarto, aquilo lhe trouxe aborrecimento.  Nunca formou em seus pensamentos a ideia de sentenciar negativamente sua avó por deitar-se com mulheres, mas podia ser qualquer uma, menos Astrid. 

O olhar intimidador lançado em Siggy vindo da jovem companheira de Lagertha era totalmente inútil. A garota não deixava se intimidar por nada e ninguém. Tinha um forte pensamento de que o mundo seria dela se realmente o quisesse. Astrid era uma bela jovem, boa guerreira, mas agora em frente a Siggy, era ela a se intimidar por seus olhos azuis brilhantes peculiares, sua vestimenta negra e sua alta estatura para alguém de sua idade. A garota jaz uma moça, mas facilmente confundida como uma mulher mais velha, por conta de seu físico e sua maneira de pensar. Siggy era jovem, mas provou ao povo de sua vila que nada e nem ninguém a assustava de modo que a fizesse recuar para preservar sua vida.

-- Não comecem outra vez.- disse Lagertha. Siggy já satisfeita daquela conversa mal-humorada, recuou e caminhou-se até a porta onde saiu sem dizer mais nada. Então foi-se encontrar com seus tios, deixando sua avó e Astrid para trás.

Siggy andou entre o comercio de Kattegat repleto de pessoas. Desviou de casas, tabernas e hospedarias, o lugar logo cedo era movimentado. O tempo estava gélido, mas não lhe incomodava. Lembrando-se do caminho até a casa do rei, rapidamente chegou aos portões como sempre abertos. Seus tios já estavam a porta lhe esperando, todos estando acima da cintura descobertos. Siggy sentiu inveja, claramente seria bem mais livre se pudesse fazer o mesmo. Algumas vezes lamentava-se por ser mulher, mas logo este sentimento era substituído por uma determinação. Sendo mulher, com certeza tudo seria mais desafiador e meritório. Ao ser notada por seus jovens tios, foi recebida com sorrisos calorosos. Ubbe, Hvitserk e Sigurd diminuirão a distancia entre eles. Siggy logo notou que Ivar não estava presente. Ela não o conhecia muito bem, na verdade nada sobre o jovem tio de pernas estranhas possuía em seu conhecimento, mas a curiosidade era incontestável e inevitável e foi pega por si mesma vagando os olhos em busca de Ivar. Siggy lançou os pensamento para longe e se juntou aos seus três tios caminhando para o campo onde os guerreiros se juntavam para praticar entre si. Pelo trajeto lamentou não estar com suas espadas, era como se estivesse nua.

-- Vocês podem me emprestar alguma espada?- perguntou Siggy enquanto andava ao lado dos tios.

-- No outro dia eu a vi com belas duas espadas em suas costas, o que houve?- perguntou Sigurd. Ubbe e Hvitserk esperavam sua resposta assim como ele.

-- Lagertha as pegou.- respondeu Siggy distraída com os olhares curiosos de pessoas que passavam por eles. Ela virou-se para seus tios. -- Por que estão todos nos olhando?

Os jovens  se entreolharam um tanto envergonhados.

-- Não é para nós que estão olhando e sim para você.- disse Ubbe.

-- Estou com a cara suja?-perguntou ela levando as palmas de suas mãos ao rosto. Seus tios soltaram risos.

-- Não. Estão lhe encarando por ser filha de quem é. Algumas pessoas diziam que você estava morta, pois Lagertha não a trazia quando visitava Kattegat.- respondeu Hvitserk com humor. A expressão no rosto de Sigurd antes indiferente mostrava-se tensa, mas não foi notado por seus irmãos e sobrinha.  Siggy riu dos pensamentos tolos do povo, no entanto no fundo compreendeu. Sabia que ninguém se recordava do rosto da filha de Bjorn, pois claramente ele tratou de apagar sua existência.

-- Eu comandava algumas guerreiras na ausência dela.- respondeu Siggy sorrindo para seus tios sem muita emoção. -- E também, quando pequena eu adoecia frequentemente. Não aguentaria a viagem para cá no estado em que me encontrava. Certa vez fiquei de cama por muitas luas e quase parti deste mundo. - disse Siggy calmamente. Ela recordou-se dos dias em que simulava estar saudável para Lagertha com intuito de ser levada a Kattegat para ver seu pai. Lamentou seus antigos e tolos pensamentos de menina que asneava ser amada por aquele que a tinha rejeitado.

-- Como se recuperou?-perguntou Ubbe muito curioso. Siggy se agradava das maneiras de seu tio mais velho. O jovem parecia sempre calmo e controlado e lhe passava muita confiança. 

-- Sussurrei repetidas vezes em minha cama aos deuses que não morreria, que não seria tirada de Midgard tão facilmente. Na ultima lua, consegui me levantar, depois disso nunca mais fiquei doente.

-- Você desafiou os deuses.- disse Ubbe. Siggy lhe ofereceu um pequeno sorriso encorajada por ele. 

-- Então por qual motivo nunca a vimos?- perguntou Hvitserk.

-- Bjorn me queria longe.- respondeu Siggy sem exitar. 

Seus jovens tios não falaram mais nada. Eles sabiam como era o sentimento do abandono de um pai, mas Siggy não fora apenas abandonada, como também rejeitada e jogada aos cuidados de outros. Desprezada pelas duas pessoas responsáveis por sua vida. Ela não sabia o motivo de tanto desgosto por sua existência. Não sabia o que tinha feito de tão terrível para ser afastada por alguém que deveria amá-la. Apesar de tanta tristeza se fazendo presente em sua vida, ela tratou de transformar em um rude incentivo para suas batalhas. Siggy era implacável e ágil em campo, isso devido ao intenso treinamento criado por ela própria. Se iniciava na aurora e só se encerrava quando seus braços e pernas não podiam mais se mover por conta da exaustão. Lagertha muitas vezes lhe repreendia por se esforçar tanto, mas Siggy não lhe dava ouvidos. Em seu interior desejava que o desprezo dado a ela, lhe tornasse alguém forte e temível.

Quando finalmente se achegaram ao pequeno campo de treinamento, já se encontrava alguns jovens guerreiros e guerreiras e rapidamente Siggy observou as jovens mulheres que lutavam em Kattegat. Elas não eram tão ágeis como as de sua vila, pois obviamente não recebiam a atenção apropriada de um forte treinamento. Sentiu o desejo de ajudá-las, compartilhando seus conhecimentos de combate que aprendera desde pequena com Lagertha, pessoa a qual considerava a melhor guerreira entre todas que já conheceu. A vontade de superá-la se tornava mais forte a cada dia. Foi surpreendida ao imaginar-se ensinando as jovens guerreiras de Kattegat, mas claro que o pensamento foi jogado de lado. Aqui não é meu lar.

Siggy virou-se para seus tios que estavam apenas observando os outros jovens em treinamento.

-- Não irão?- perguntou ela.

Ubbe aprumou-se no lugar e sorriu para ela.

-- Sim, estamos apenas nos distraindo, já iremos treinar.

Siggy o olhou confusa, ao perceber Ubbe apontou para três jovens mais adiante lutando entre si. Seria facilmente ignorados por muitos, se não fosse o fato de haver um jovem lutando ferozmente sentado. Ivar. Siggy deu dois passou mais próximo dos três em conflito e admirou a rapidez e força que o Pernas Estranhas se defendia e atacava rudemente seus oponentes. Rapidamente os dois foram derrotados por ele. O sorriso de Ivar se fez presente em sua aparentemente fácil vitoria.

Hvitserk correu para ir de encontro com Ivar, com sua espada erguida e berrando zombeteiro. Ao ver seu irmão, Ivar soltou uma sonora risada. Os dois entraram em uma luta de espadas com berros e chingos exagerados, mas no final, ambos terminaram com uma espada apontada para seus pescoços. Todos ali riram da cena. Ivar lançou um olhar de zombaria para seu irmão que apenas deu-lhe um leve toque no ombro. Hvitserk esperou Ivar pegar seus apoios de madeira entalhada para voltar ao lado de seus irmãos e sobrinha. Com aqueles dois amparos o jovem Ivar se locomovia mais rapidamente. Siggy teve de admitir, mesmo com tantas dificuldades Ivar era um impressionante guerreiro e lamentou ter sido interrompida por sua avó no dia anterior perdendo a oportunidade de tirar a prova tais habilidades. 

Ubbe virou-se para Siggy com seu costumeiro sorriso agradável.

-- Poderei emprestar-lhe a minha.- disse ele erguendo sua pesada espada. -- Mas terá de esperar sua vez.

-- Tudo bem.- respondeu ela simplesmente. 

Os três jovens logo caminharam para o simples campo de treinamento. Siggy notou que muitos guerreiros tinham receio em enfrentá-los, em grande parte os mais novos. Aquilo lhe mostrou que os filhos de Ragnar tinham adquirido um respeito em Kattegat, e ela os admirou por isso. Siggy caminhou até uma cerca de madeira que servia de divisória do campo. Encostou-se e observou os movimentos rápidos e fascinantes de seus três tios com suas espadas. Repentinamente sentiu a presença de Ivar acomodando-se ao seu lado, encarando sua frente, mas virou o olhar para Siggy. Ao não conseguir ignorá-lo por mais tempo, ela virou-se para ele com uma sobrancelha prontamente erguida em desafio. Ivar apenas a olhou de cima a baixo com uma expressão de absoluto desdém. Siggy percebeu que ele era totalmente diferente de seus irmãos. Havia algo nobre no olhar de seus outros tios, algo como coragem e respeito. Mas em Ivar, parecia-lhe que o jovem apenas não agradava-se dela e queria a todo momento demonstrar isso. Siggy virou-se para seus três tios novamente e Ivar fez o mesmo.

-- Eu não sabia que estava viva.- disse Ivar quebrando o silencio que havia entre eles. -- E não me importei em saber se realmente estava.- completou ele em um tom azedo.

Siggy soltou um pequeno riso.

-- Até ontem não me recordava de sua existência, então acho que estamos quites.- respondeu ela. Sentiu outra vez o olhar de Ivar em si, mas ele estava sorrindo desta vez. Impediu-se de olhá-lo, pois sabia que admiraria o belo sorriso do rapaz.

-- Por que está aqui?- perguntou Ivar olhando-a fixamente. -- Por que agora?- sua voz soou intimidadora aos ouvidos de Siggy, fazendo-a virar-se para ele com uma expressão confusa. Os olhos do rapaz se pareciam com os dela, pensou. Antes, estavam diferentes, mas agora olhando-o eles lhe pareciam familiares. -- Seu pai não se importou com você por todos esses anos. Na verdade, ninguém se importou, exceto Lagertha, mas não podemos culpá-lá. Ter um ventre seco deve ter-lhe amolecido o coração.- O rosto se Ivar beirava ao cruel. Siggy sabia que ele queria provocá-la, mas certamente foi pega de surpresa com a indiferença e frieza na voz do rapaz.

-- Por algum motivo insano acha que devo-lhe explicações?- perguntou Siggy sentindo uma onda de raiva vir a seu encontro. 

Mais uma vez Ivar tinha um sorriso em seus lábios, mas estranhamente Siggy sabia que lhe era forçado. Ele aproximou-se centímetros de seu rosto com os olhos encarando-a, e em um breve momento deslizaram até seus lábios. 

 -- Você deve nada a ninguém, Bjornsdotti.- sussurrou. Ivar sustentou seu olhar cortante, mas então se afastou em um puxo. Siggy sentia a densa atmosfera que ele trazia consigo, a vontade de deixá-lo afastando-se para longe era presente, mas ao mesmo tempo queria tentar compreendê-lo. Ivar constantemente mostrava-se ser feroz e destemido, mas em alguns momentos, muito breves, uma lisa camada de tormento transparecia para Siggy.  -- Fiquei um tanto surpreso com sua presença, eu raramente sou surpreendido. Claro que isso não quer dizer que considero você alguém com uma certa significância.- Ivar pegou em mãos seus apoios de madeira. -- Já que se juntará a nós na expedição, tente não morrer, seria desagradável depois de sua volta, e Ragnar pareceu contente em lhe ver. - dito isso, ele simplesmente apartou-se de Siggy. Ela o observou caminhar para longe, conseguindo reparar que o jovem tinha uma certa dificuldade para locomover-se com seus apoios, mostrando que ainda não havia uma familiaridade. 

Inevitavelmente pensou nas perguntas de Ivar. Por anos foi impedida de ir a Kattegat por Lagertha que claramente fora instruída por Bjorn que negava sua existência, mas ainda sim a queria longe. Perguntas começaram a se formar em sua mente. Por que Bjorn lhe permitiu vir com Lagertha? Por que perguntou por ela se nem ao menos a considera sua filha?  A voz de Ivar soou em sua pergunta.  Por que agora? 

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Notas Finais


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