História IRONSIDE DAUGHTER - VIKINGS - Capítulo 5


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Exibições 13
Palavras 4.377
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - CINCO


Fanfic / Fanfiction IRONSIDE DAUGHTER - VIKINGS - Capítulo 5 - CINCO

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O oco som da madeira chocando-se flutuava por todo campo improvisado de treinamento. O céu permanecia em seu cinzento esplendor sossegado com passageiras aparições de aves negras ao longe cortando-o. Siggy mantinha seus olhos com paciência nos jovens tios em uma dança brutal ante suas pelejas. Ouvindo-se urros juntamente com sorrisos de satisfação e olhares firmes transbordando fascínio. O suor percorria seus rostos, braços e peitos vagarosamente em uma fina camada reluzindo-os. A terra negra debaixo de seus pés erguia-se como uma inesperada pequena batida de onda em rocha por conta dos ligeiros movimentos nos bloqueios de golpes duros e astuciosos ataques. Ela jamais vira guerreiros lutando com tanto deleite, no perceber do prazer a cada movimento como agora diante de seus jovens tios. A individualidade de cada um dos irmãos era notável e excitante para qualquer expectador que estivesse contemplando-os. A jovem guerreira sentiu que finalmente havia encontrado pessoas com paixão, assim como ela. Em seu coração sabia que deparava-se com guerreiros de verdade, e estava evidente que o sangue que corria em suas veias também percorria nos jovens. Mesmo que tenha recebido de Bjorn um puro e frio desprezo, havia em si uma pequena, contudo valiosa parte, algo que lhe poderiam negar até mesmo ela própria, porém jamais tirar, pois o peso de tal coisa está além da boca do homem. Siggy Lothbrok.

Muito distraída flutuando em seus pensamentos para notar, uma jovem moça de cabelos louros sujos e vestida com uma simples roupa de combate surgiu ao lado de Siggy. A jovem, no entanto virou-se e lhe examinou atentamente com leve olhar curioso curvando-se ao desdém. Ao sentir a presença da jovem, Siggy deu-lhe uma espiada com sua costumeira expressão neutra, que foi recebida com um pequeno sorriso.

-- Siggy, certo?- perguntou a jovem após um breve momento de silencio na espera de uma saudação, que não aconteceu. Por sua vez, Siggy lhe respondeu com um acenar rápido de cabeça. -- Soube que é boa com a espada.- o tom da jovem estava em desafio e animação, mas sua intenção profunda não havia passado despercebida por Siggy. Ela notara que a jovem lançava olhares espertos em direção a seus jovens tios com o desesperado intuito de mostrar-lhes que estava ali. No momento considerou tudo aquilo patético, mas ao mesmo tempo mantinha-se em curiosidade, pois jamais quis a atenção de algum homem que não a tivera notado antes. Considerava que algo mais chamativo a atenção em si seria sua selvageria quando traçava o caminho em um campo com suas espadas em mãos pronta para guerrear.

-- Não sou nada ruim.- respondeu Siggy. A jovem soltou um leve ar, demonstrando não ter acreditado em suas palavras.

-- Que tal um desafio?- perguntou ela um tanto insistente. Enquanto esperava a resposta de Siggy, seu rosto constantemente percorria o campo, com destino a um filho de Ragnar para outro.

-- Estou só observando por enquanto.- disse Siggy sem muita emoção em sua voz. A jovem permaneceu no lugar olhando-a com um leve constrangimento.

-- As guerreiras da sua vila lhe admiram muito, algumas ousam dizer que é a melhor dentre elas e eu realmente quero ver isso.- Siggy vagarosamente rolou seu olhar para a jovem. Considerou-a uma bela e saudável moça, ainda que não possuísse uma altura relevante ou traços únicos. Aparentava ser talvez um ano, ou dois mais velhos que Siggy. -- É a primeira vez que a vejo, vamos, não há mal nenhum em confraternizar.- O constrangimento havia se ausentado da jovem e incitamento encontrava-se no lugar.

-- Tudo bem.- respondeu Siggy em um dar de ombros. Convicção estava estampado no rosto da jovem com isso.

Ubbe, Hvitserk e Sigurd cessaram seu treinamento para um breve descanso. Os três irmãos caminhando lado a lado em uma conversa humorada, chegaram até Siggy e a jovem. Ao notar a presença da moça, seus olhares transformaram-se em curiosidade juntamente com receio.

-- Unn.- disse Ubbe com sua voz serena habitual. -- O que faz aqui?- Unn sorriu para ele, parecendo feliz com a atenção.

-- A convidei para um duelo amigável.- disse ela com simpatia, que lhe era forçado. Ubbe escorregou seus olhos em Siggy, que a mesma parecia muito além da conversa encarando o campo distraidamente. -- Podemos?

Siggy olhou Unn rapidamente, e mais uma vez deu-lhe seu aceno de cabeça sem muito interesse. Ela não tinha a intenção de lutar com a jovem Unn, pois em sua vila vivia cercada por mulheres e havia sido desafiada por todas as guerreiras consideráveis e vencido-as. Não achou que a jovem loura de olhos castanhos profundos fosse um desafio.

-- Mostrem que ambas possuem algo além da ampla beleza.- disse Sigurd olhando Unn em suave malicia. A jovem lhe ofereceu um sorriso sagaz agradando-se do comentário. Suas lembranças de infância a respeito de Sigurd eram vagas, mas Siggy mantinha o saber de que ele lhe era o mais próximo dos tios naquela época. No instante mirou no rosto de seu jovem tio, mas um de seus olhos lhe chamou a atenção, pois era em semelhança a de uma cobra. Sigurd-Olho-de-Serpente. Em seu olhar carregava o sinal do dragão Fafnir, assassinado por seu avô, também de nome Sigurd. Esta história fora contada por Aslaug, que ferrenhamente afirmava ser filha legítima de Sigurd.

Ambas encaminharam-se para o meio do campo, Siggy atrás de Unn muito lentamente. A jovem virou-se para ela com seu pequeno sorriso em lábios. Seu olhar quedou-se até as mãos de Siggy que estavam livres.

-- Onde está sua espada?- perguntou ela, erguendo sua própria. Com isso, Ubbe avançou um passo para Siggy com objetivo de lhe emprestar a sua, mas a mesma lhe parou com um firme olhar. Ela não esperava que o tio compreendesse o significado, mas para sua surpresa ele compreendeu, pois Ubbe interrompeu-se imediatamente. Unn estava com um confuso olhar em Siggy, que em seguida foi-se para Ubbe.

-- Não precisarei de uma. - começou Siggy voltando-se para Unn. Deste modo atraiu a atenção de grande parte dos guerreiros em volta do campo. Pouco a pouco o baque de espadas silenciou-se e cochichos seguidos de olhares dos curiosos estava presente. -- A que está em sua mão logo a aterei, e certamente você estará neste chão, caída.- Após um observar em Siggy, Unn solta um pequeno riso incrédulo, arrastou seu olhar para Ubbe que tinha seu semblante em pura ansiedade para ver o que Siggy era capaz. Ao sentir tantos olhares a sua volta, Unn sabia que aquilo tornou-se mais que um duelo. Todos estavam ali para presenciar a misteriosa filha de Bjorn Ironside lutar. -- Não se importe com eles.- disse Siggy. -- Se preocupe comigo.

O indiferente olhar de Siggy em Unn desvaneceu-se dando lugar a um frio e impiedoso como as lâminas de suas espadas gemas escondidas por sua avó. Ela não as tinha em mãos, mas ainda que estivessem ausentes, Siggy possuía em seus olhos o começo de sua cobiçosa selvageria. Podia-se sentir a densa atmosfera de intimidação vinda da jovem guerreira. Sem perder tempo, Unn avançou em direção a Siggy ferozmente com sua espada apontada feito um ferrão de abelha. Em um rápido movimento, Siggy facilmente desviou-se do ataque girando para sua direita. Sem o desejo de permitir que Unn reagisse, deu-lhe um pesado murro em seu rosto. A jovem cambaleou, mas ainda estava agarrada a sua espada, tentando evitar que Siggy realmente a tivesse. Estendeu-a para outro ataque em um corte bruto no ar. Siggy quedou-se e a espada passou acima de sua cabeça em um movimento lento a partir de seus olhos, mas para Unn foi questão de segundo. Quando ergueu-se atingiu a jovem abaixo de seu braço com o punho esquerdo, muito próximo de sua costela. Por um natural impulso, Unn largou sua espada na terra negra, que antes era erguida pelo braço atingido. Agachou-se em desespero para alcançá-la, mas Siggy já estava sobre ela. Tudo que Unn conseguiu captar tão rapidamente foi um vislumbre de perna acertando sua mão. A dor instantaneamente rasgou qualquer vestígio de orgulho que Unn mantinha, então ouviu-se o grito de agonia. Caída e agarrada a sua mão, Unn mantinha seus olhos em Siggy, que vagarosamente caminhou até sua espada pegando-a. Ela analisou-a com um olhar muito alheio, como se tivesse esquecido que a jovem estava ali, mas o som dos fungos de Unn fez com que Siggy olhasse para ela. Ela manteve seus olhos na jovem caída cheios de insensibilidade em um pequeno momento.

-- Você é lenta.- disse Siggy calmamente. -- Se move sem pensar, desta maneira não entra na sintonia de uma luta verdadeira. Antes de um ataque com uma rápida análise de postura poderá rebater a reação do adversário antes mesmo de atacá-lo ou defender-se.

Ao ouvir isso, Unn encheu-se de fúria contorcendo seu rosto em uma careta, mas Siggy manteve-se em serenidade.

-- Não estou lhe pedindo conselhos!- rugiu Unn levantando-se. Siggy observou a jovem andar em direção fora do campo com embaraço pesando em si.

-- Em um batalha haverá o momento que não terá mais sua espada. O que fará quando avançarem em você, virará as costas como agora?- perguntou Siggy. Unn virou-se para ela com o olhar carregado de raiva e vergonha. Ubbe jogou sua espada aos pés da jovem. -- Tente outra vez.- Insistiu.

Unn abaixou-se e pegou em mãos a espada, e no mesmo estante correu em direção a Siggy erguendo-a. O golpe fora aparado fazendo ambos braços tremerem com o impacto. O conflito das espadas iniciou-se preenchendo o ar de todo campo. Unn mantinha-se em constante investidas, mas eram aparadas por Siggy, que em nenhum momento lhe atacava. A espada em sua mão parecia viva, pois sua expressão não se alterava. Siggy girou rapidamente sua espada, deixando em mãos a ponta dos gumes. Unn sem desistir lhe atacou outra vez mais rapidamente, no entanto não foi o bastante para atingir Siggy que em um recuo escapou da lamina, e a mesma despencou pesadamente no chão. Antes mesmo de Unn conseguir erguer a espada, Siggy usando-a em um impulsionamento, atingiu a moça mais uma vez em seu rosto com o cabo da espada. Com o batido, Unn girou levemente caindo direto para a terra. Sua boca se encheu de um grosso sangue e ela o cuspiu. A jovem encarou a espada caída sob a negra terra. Rastejou-se para pegá-la com sua mão trêmula. Ao agarrar o cabo da espada, sentiu uma densa dor entre seus dedos, com isso afrouxou o aperto deixando-a cair. Unn não se movia, e não demonstrou sinal de que iria adiante. Siggy soltou um pesado suspiro de desapontamento, com os olhares dos expectadores em si. Ouviu-se mais cochichos e olhares de admiração. Siggy não estava contente com a atenção e não sabia o que tão impressionante todos estavam achando, pois para ela aquilo não chegou nem perto de algo que podia-se chamar desafio. Caminhou até a jovem Unn e jogou sua espada ao seu lado em desdém. Pegou a de Ubbe e levou consigo, voltando-se para onde seus tios permaneciam com olhos vidrados.

-- Você é rápida.- disse Hvitserk. -- Eu quase não a vi levantar- sua voz estava animada. O rapaz possuía um belo rosto, era certo que muito tinha a atenção de jovens mulheres.

-- Essa foi a intenção. -respondeu Siggy.

-- Foi impressionante.- confirmou Sigurd. Seus braços estavam cruzados sob o peito com sua testa franzida.

Siggy lhe ofereceu um pequeno sorriso e voltou-se para a cerca de divisão e apoiou-se nela. Ubbe aproximou-se com um olhar afetuoso, que notara ser o único a demonstrar dentre os quatro irmãos. Ele deixou seus braços em volta dos ombros de Siggy balançando-a.

-- Eles têm razão, foi impressionante.- Siggy olhou em seus olhos, havia uma bruta ternura. Ela devolveu-lhe a espada sentindo o toque de seu jovem tio muito acolhedor. -- Você é minha sobrinha favorita agora.

Siggy solta um pequeno riso para Ubbe.

-- Quantas sobrinhas você possuí?- perguntou ela com bom humor.

-- Apenas você e já é minha favorita.- Ambos trocaram leves risos joviais. Ubbe olhou a sua volta intrigado. -- Onde está Ivar?- perguntou a Siggy. Ao ouvir o nome, desagrado lhe veio.

-- Eu não sei, ele disse-me gentilezas e se foi.- respondeu ela. Ubbe soltou um suspiro e a olhou em conformidade.

-- Ele é um pouco...

-- Detestável.- completou Siggy rapidamente.

-- Difícil.- disse desanimado. -- Ele não quis lhe ofender seja lá o que tenha dito a você. Ivar não se relaciona muito bem com pessoas que não convive. Muitos o teme, sendo sincero até mesmo nós que somos seus irmãos.

Os outros dois jovens irmãos entreolharam-se levemente conformados a respeito da afirmação de Ubbe.

-- De certo modo eu o entendo.- respondeu Siggy com muita honestidade. Ubbe olhou-a confuso com sua repentina compreensão. -- É mais seguro ser temido do que sempre rejeitado.- Siggy aprumou-se e separou-se da cerca.

-- Não se pode escapar da rejeição.- disse uma voz atrás de Siggy. Ao virar-se, deparou-se com Ragnar. Seus olhos pareciam cansados, as cicatrizes e manchas de velhice em seu rosto estavam nítidas com a luz do dia cinzento de Kattegat. Ele estava vestido do mesmo modo que o vira pela primeira e ultima vez. Sua vestimenta de couro negro estava gasta, e o tecido puído. -- Ela lhe rodeia em bons dias, você pensa que livrou-se dela, que não voltará, mas quando isso acontece, ela lhe saúda com uma lamina em seu coração que penetra lentamente deleitando-se em seu sofrimento silencioso.- Com um sorriso excêntrico, Ragnar caminhou até a frente de seus três filhos e sobrinha. Olhou nos olhos de cada um em silencio e pousou em Siggy firmemente. -- A rejeição não é o fim, ela te deixa mais forte e próxima da profunda realidade deste mundo.- Os olhos de Ragnar semicerraram-se em Siggy. -- Abrace-a, faça dela sua maior aliada ou deixe-a lhe consumir em desgraça.

A jovem guerreira não conseguia desviar seus olhos dos de Ragnar, parecia estar hipnotizada com admiração e curiosidade rodeando-a.

-- Disto o senhor entende bem.- disse Ubbe. Ragnar virou-se para ele, e ambos pareciam trocar olhares como em um diálogo que apenas passava-se em suas mentes. Ubbe desviou-se de Ragnar para Siggy que os observava atenta.

-- Você pode chamar Ivar?- perguntou Ubbe rapidamente. Siggy lhe ofereceu um olhar de incredulidade. -- Eu preciso ficar aqui por enquanto.- disse virando-se para o campo onde Unn permanecia isolada. Ubbe voltou seu observar em Siggy com suplica. -- Ele deve estar na praia, perto do porto ao lado das arvores.- Voltou seu olhar para Ragnar que ainda permanecia ali, em conversa com Sigurd e Hvitserk, que ambos pareciam inquietos com a presença do pai.  -- Ele gosta de se isolar. - Ainda assim, Siggy não demonstrava sinal que lhe atenderia o pedido. -- Por favor, é só chamá-lo.- Sustentaram um olhar, Ubbe na espera de uma resposta positiva e Siggy pensando se realmente poderia fazer o que lhe fora pedido. O momento foi quebrado por ela em um pesado suspiro.

-- Irei por ter dito que sou sua sobrinha favorita.- ambos trocaram sorrisos afetuosos. Siggy sorriu para Ragnar, que lhe retribuiu. Então virou-se para ir até onde Ubbe dissera que Ivar estaria. Muito relutante em seus pensamentos, pois sabia que teria de ouvir palavras amargas vindas do Pernas Estranhas.

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A jornada até a praia não era tão curta como imaginara, pois Siggy teve de atravessar o centro da vila e cruzar por casas mais afastadas. Acabou perdendo-se no meio do caminho, mas com ajuda de algumas crianças que brincavam correndo próximos, lhe foi informado por onde poderia ir até chegar a praia. Ela avistou o mar após uma breve caminhada, toda a sua extensão estava coberta pela intensa neblina que varria as águas entre as grandes montanhas. O principal porto de Kattegat estava logo a sua frente e então virou para a esquerda onde havia o bosque em seu primórdio ainda na companhia de rochas e a sossegada água. Andou em direção a beira da praia com o olhar nas calmas ondas. Siggy considerou que tudo em Kattegat era calmo, nebuloso, frio e silencioso. O mar parecia adormecido e as árvores não se agitavam com o vento, pois era ausente. Um tanto distante avistou um menino com as pernas dentro do mar encarando o fundo com suas mãos em posição de garras. Siggy continuou pela praia com os olhos no menino de cabelos louros e pele pálida. Ao se aproximar viu que ele tentava agarrar algo na água, ela parou diante dele em uma pequena distancia permanecendo silenciosa. O pequeno rapaz estava aparentemente descontente com seu fracasso. Outra vez lançou as mãos dentro da água, mas nada saiu entre seus dedos, apenas espuma e areia.

-- O que está fazendo?- perguntou ela. O menino em um breve susto a olhou rapidamente, mas voltou os olhos para o fundo da água.

-- Tentando pegar um peixe.- respondeu ele desanimado. -- Mas acho que eles estão rindo de mim.

Siggy caminhou até o menino e levou seus olhos abaixo dele, não encontrando sinal de peixes.

-- Não conseguirá pegá-los aqui.- ela levou seu observar para mais perto das árvores e apontou. -- Tente mais para lá, eles estão escondidos na água perto das árvores.- o menino acompanhou seu olhar e sem pensar duas vezes começou a caminhar para onde Siggy indicara, mas parou de repente virando-se para ela.

-- Você não vem?- perguntou ele. Siggy então começou a seguir o menino, que andava rapidamente e um tanto desajeitado. Ao chegar próximo ao mar em meio as árvores, o menino tratou de entrar na água e com olhos atentos em sua profundeza. Ele apontou para baixo com seus olhos enormes. -- Estou vendo eles, bem ali!- exclamou o menino muito surpreso. Siggy riu com sua reação e chegou mais perto de onde o menino estava.

-- Muito bem, fique parado.- sussurrou ela. O garoto concordou com a cabeça rapidamente. -- Está vendo aquele ali?- perguntou ela referindo-se ao peixe prateado na água. Mais uma vez o menino assentiu. -- Ele está indo e vindo, é este que queremos.- O menino ficou em posição, suas pequenas mãos estavam prontas para fisgar o peixe. Siggy desviou os olhos do menino com um sorriso. -- Ainda não. Espere mais um pouco.- a ansiedade dele estava estampado em seu rosto. -- Agora!- Rapidamente, o menino lançou sua mão para dentro da água, ao retirá-la o peixe se debatia entre seus dedos. Se apressou em agarrá-lo com ambas as mãos, rindo em total divertimento. -- Jogue-o ali!- disse Siggy apontando para a média pedra próxima a eles. O menino obedeceu, então ela inseriu um pesado murro no peixe e se afastou. -- Rápido!- o menino muito depressa fez o mesmo repetidas vezes. Quando o peixe cessou seu sacudir, totalmente sem vida, o garoto soltou uma doce e sonora risada de vitoria. Contagiada, Siggy sorriu ao observá-lo.

-- Obrigado. Meu pai ficará contente em ver que peguei um peixe com as mãos.- disse ele. -- Estava a tentar por dias!

-- Acredito que ele ficará orgulhoso com seu sucesso. - respondeu Siggy. O menino admirava o peixe em suas mãos, parecendo ainda não acreditar que o tinha pego. -- Qual é o seu nome?

-- Guthrum.- disse ele ainda com seu sorriso. -- E o seu?

-- Siggy.- Colocando suas mãos entre a cintura, Siggy apontou para o fundo onde o menino estava. -- Se fizer sempre deste jeito conseguirá muitos peixes e será um garoto rico.

O menino riu para ela contente ao ouvi-la. Ele Caminhou para fora da água lentamente.

-- Eu preciso ir, minha mãe está me esperando.- dito isso o menino acenou docemente para Siggy e ela retribuiu com um caloroso. Então o pequeno rapaz seguiu seu caminho correndo com o peixe abatido em sua mão. Ela o observou se afastar com sorriso nos lábios.

-- Isso foi tocante.- disse uma voz atrás de Siggy muito familiar, pois estava carregada de sarcasmo e insatisfação. Ao virar-se encontrou com Ivar sentado abaixo de uma árvore encarando-a. -- Mas agora ele sempre virá para cá em busca de peixes, trazendo a mim sua perturbação.

Siggy suspirou e caminhou em direção a Ivar que parecia irritadiço. Os olhos azuis gélidos do rapaz estavam nela com extrema intimidação. Reuniu forças para combater a sólida vontade de ir embora e apenas sentou-se ao seu lado e varrendo o mar em admiração. Ivar sentiu uma leve inquietação por conta de sua aproximação, mas tratou de despachá-la de seu corpo. Siggy virou-se para ele calmamente, seus olhos desceram para suas pernas. As mesmas pareciam lânguidas envolvidas nas grossas tiras de couro que juntava-as. Siggy esperou algum sentimento semelhante a pena vir em si, mas não aconteceu. Ela sabia que Ivar estava longe de ser um fraco, mesmo com suas pernas tentando lhe dizer o contrário.

-- Ubbe me pediu para chamá-lo.- disse ela. Seus olhos tentaram encarar os de Ivar, mas ele os desviou para além do mar. -- De maneira alguma eu quis vir.

Ivar soltou um pequeno riso e ao virar-se para Siggy as mãos da jovem lhe chamou a atenção, pois havia sangue escorrendo de ambas. Inexplicavelmente para si, quis lhe perguntar a respeito, mas isso significaria que lhe era de importância e jamais permitiria que acontecesse tal coisa. Logo voltou-se para frente, em direção ao extenso mar.

-- Agora que deu o recado já pode ir.- respondeu ele rudemente. Siggy desviou-se dele e percebeu que seus apoios de madeira estavam de lado e um tanto distantes, como se Ivar os tivessem lançado com fúria.

-- É fadigante andar com eles?- perguntou ela em uma voz serena. Ivar desviou seus olhos do mar diretamente para ela. Quando Siggy encontrou seu afrontar, ele não conseguiu mantê-lo por um longo momento. Ela mais uma vez desviou-se para as pernas de seu jovem tio. -- Você sente dor?- perguntou levando sua mão até seus membros enfraquecidos. Siggy não sabia o motivo, mas inviavelmente se importava com o rude rapaz. Não o conhecia, ainda sim o sentimento estranho diante da aflição que Ivar desesperadamente tentava ocultar com olhares rudes e palavras afrontosas para ela estava ali presente. De maneira alguma teve a intenção de ver os demônios que ele vigorosamente guardava em si, mas para Siggy aquilo tudo infelizmente lhe era familiar.

Bruscamente foi interrompida por Ivar com sua mão apertando-a. Ao erguer seu olhar para ele, viu seus os olhos cortantes diretamente nos dela. Inesperadamente sentiu o palpitar de seu coração em ritmo acelerado, cada batida como o bater rápido em um tambor. Um estranho, mas agradável aquecimento passou por todo seu corpo em densa lentidão. O maxilar de Ivar apertou-se e sua respiração rápida e pesada alcançou o pescoço de Siggy trazendo-lhe um breve arrepiar. Havia silencio, ambos encaravam-se ainda conectados pelo aperto rude de Ivar que naquela altura de maneira alguma era incomodo. Sentindo a pele macia abaixo do roçar de seu polegar no braço descoberto de Siggy, Ivar fechou seus olhos com força e quando voltou a abri-los, algo tinha sido aprisionado por ele no profundo de si mesmo.

-- Sinto nada além de dor.- Ivar soltou o braço de Siggy duramente. -- Não encoste em mim e vá embora.- rosnou em pura raiva. Siggy quis levantar-se, mas seu corpo simplesmente não a obedeceu. Por algum motivo não queria deixá-lo, pensou que a loucura finalmente a tinha envolvido. Sua relutância pareceu trazer mais força a fúria de Ivar. -- Vá agora, insignificante!- vociferou ele. Os olhos de Siggy arregalaram-se com a sonoro distratamento de Ivar. Engoliu o seco que lhe desceu a garganta em um corte, finalmente levantou-se e simplesmente caminhou para longe, deixando-o sem olhar para trás.

Siggy começou todo o caminho de volta para casa de Torvi com tortura no coração. Não havia mais o querer de voltar ao campo com seus outros tios e avô. Seu único desejo era deitar-se e torcer para que o sono a tomasse por completo. Estava com uma fina decepção e irritação rondando-a, mas não por Ivar e suas palavras, mas sim por não ter conseguido livrar-se da situação em desprendimento como sempre fizera em toda sua vida. Jamais permitiu ser afetada desta maneira por alguém, pois ninguém lhe tinha alcançado em suas brutas muralhas erguidas diante dos verdadeiros e inconvenientes sentimentos. Siggy pôde sentir o perigo que Ivar poderia lhe trazer e temeu por não querer desviar-se dele. Em seu rosto sentia o leve queimar, mas não lhe parecia raiva. Estou doente? Levou a palma de sua mão a testa esperando uma resposta, mas fracassou.

Quando finalmente chegou a porta da casa, abriu-a sem dificuldades. Ao entrar bateu suas botas na soleira, para que pelo menos a grande parte da terra negra saísse das solas. Finalmente terminado, sabendo que não teria mais nada a se fazer, caminhou para dentro da casa, mas um grande homem sentado em frente ao fogo no centro fez interromper-se. Seus olhos de um azul ártico ergueram-se para ela, por um instante ele a encarou intrigado. O homem possuía ombros largos, a sala da casa parecia minuscula com sua presença. Seus cabelos louros nevado estavam trançados formando uma longa trança acima de sua cabeça com os lados raspados. Sua barba era farta também em um louro cinzento. Siggy permanecia em silencio olhando-o, o homem levantou-se.

-- Você é amiga de Torvi?- perguntou ele. Sua voz soou relativamente familiar aos ouvidos de Siggy. Ela não conseguiu respondê-lo, sua garganta parecia ter congelado como se tivesse ficado exposta ao duro inverno noturno, nenhum som saía. O homem aproximou-se dela lentamente. Seus olhos correram por todo seu corpo até que pousaram-se nos dela intrigados. -- Quem é você?- perguntou ele em tom de desconfiança.

Siggy sentiu seu corpo rígido, a respiração estava pesada e tentava desesperadamente controlá-la, mas não obteve sucesso. Torvi surgiu atrás do homem com um menino puxado por sua mão, quando seus olhos encontraram ambos, seu semblante intensificou. Os olhos de Siggy desviaram para o menino ao seu lado, identificando-o com o que tinha ajudado a pegar um peixe na praia. Sua mente pareceu girar com a informação que sabia que viria, ainda que torcesse para estar enganada.

-- Bjorn,- começou Torvi. -- esta é Siggy.



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