História Irresistible Desire - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Orphan Black
Personagens Cosima Niehaus, Dra. Delphine Cormier, Felix "Fee" Dawkins, Paul Dierden
Tags Cophine, Cosima Niehaus, Delphine Cormier, Evelyne Brochu, Masbro, Orphan Black, Tatiana Maslany
Visualizações 49
Palavras 2.642
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - 09 - "É isso que eu sou? Um problema?"


"Felix Dawkins." Ele retribuiu os beijos de Delphine com um sorriso escancarado no rosto. "Prazer em conhecê-la. Ouvi falar muito de você."

Eu queria matá-lo. Pensei seriamente nisso.

"Fico feliz em saber disso." Delphine se sentou ao meu lado, com o braço apoiado no encosto atrás de mim, de modo que seus dedos pudessem casualmente, e possessivamente, acariciar meu braço. "Talvez ainda haja motivos para ter esperança."

Girando a cintura para encará-la, sussurrei em um tom de voz furioso: "O que você está fazendo?"

Ela me fuzilou com um olhar determinado. "O que for preciso."

"Vou dançar." Felix se levantou com um sorriso carregado de malícia. "Volto daqui a pouco."

Ignorando meus olhares de súplica, meu melhor amigo jogou um beijo para mim e se mandou, levando os dois caras com ele. Ao vê-los se afastar, meu coração disparou. Depois de certo tempo, continuar ignorando Delphine se tornaria ridículo, além de impossível.

Meu olhar se voltou para ela. Delphine usava uma calça colada e preta e uma camisa com alguns botões abertos com uma jaqueta de couro por cima, o que lhe dava uma aparência despojada mas ao mesmo tempo sofisticada. Adorei aquela roupa e a suavidade que conferia a ela, apesar de saber que era apenas uma ilusão. Delphine era uma mulher dura, em vários sentidos.

Respirei fundo, sentindo que precisava fazer um esforço para socializar. Afinal de contas, eu não estava reclamando justamente disso? Que ela queria pular os preâmbulos e ir direto aos finalmentes?

"Você está..." Fiz uma pausa. Linda. Maravilhosa. Deslumbrante. Deliciosamente sexy... No fim, acabei dizendo apenas: "Gostei do visual."

Ela ergueu as sobrancelhas. "Ah, de alguma coisa em mim você gosta. Será que é do pacote completo? Ou só da roupa? Só da blusa? Ou talvez da calça?" Eu não gostei do tom de voz em que ela disse aquilo. "E se eu dissesse que só gostei da blusa?"

"Compraria mais umas dez e usaria todo dia."

"Seria uma pena."

"Você não disse que gostou?" Ela estava irritada, falando rápido, emendando uma palavra na outra.

Minhas mãos se contorciam inquietamente no meu colo. "Adorei a blusa, mas também gosto dos seus vestidos."

Ela me encarou um instante, depois acenou com a cabeça. "Como foi seu encontro com o amiguinho movido a pilha?"

Saco. Olhei para o outro lado. Era bem mais fácil falar sobre masturbação pelo telefone.

Mencionar esse assunto diante daqueles olhos âmbar incisivos era uma tortura. "Uma dama nunca comenta esse tipo de coisa."

Ela acariciou meu queixo com as costas da mão e murmurou: "Você ficou vermelha."

Notei em sua voz o prazer que Delphine sentiu ao dizer isso e mudei rapidamente de assunto."

"Você vem sempre aqui?"

Merda. De onde veio esse papinho clichê?

Sua mão desceu até as minhas pernas e agarrou uma das minhas mãos, acariciando a palma com os dedos. "Quando necessário."

Uma pontadinha de ciúme me fez querer endurecer o jogo. Olhei bem para ela, apesar de estar com raiva de mim mesma por me importar com o que ela fazia ou deixava de fazer. "Como assim, necessário? Quando você está no cio?"

Delphine abriu um sorriso sincero, que me deixou abalada. "Quando decisões importantes precisam ser tomadas. Sou a dona deste lugar, Cosima."

Ora, mas que surpresa.

Uma linda garçonete serviu dois copos quadrados com drinques cor-de-rosa bem gelados.

Ela olhou para Delphine e abriu um sorrisinho malicioso. "Aqui está, senhora Cormier. Duas Stoli Elit com suco de cranberry. Mais alguma coisa?"

"Por enquanto não. Obrigada."

Estava na cara que ela queria entrar na calcinha de Delphine, e isso me irritou; ou seja, eu estava distraída demais para reparar no que havia sido servido. Vodca cranberry era o que eu costumava pedir quando saía, era o que eu estava bebendo desde o início daquela noite. Minha cabeça deu um nó. Fiquei só observando enquanto ela dava o primeiro gole, fazia a bebida passear pela boca como se fosse um vinho finíssimo e depois engolia. O movimento de seus lábios me deixou com tesão, mas nada comparável ao efeito da intensidade do seu olhar.

"Nada mau. Ela murmurou. "Veja se acertamos na mistura."

Ela me beijou. Foi um movimento rápido, mas eu vi o que ela estava fazendo e não me esquivei. Sua boca estava gelada e tinha gosto de cranberry com um toque de álcool. Uma delícia. Todo o turbilhão de energia e sentimentos caóticos que vinha se acumulando dentro de mim de repente se tornou grande demais para ser contido. Enfiei a mão entre seus cabelos maravilhosos e os agarrei com força, mantendo-a imóvel enquanto chupava sua língua. Seu gemido foi o som mais estimulante que eu já tinha ouvido na vida, e fez a carne entre minhas pernas enrijecer furiosamente.

Surpresa pela fúria da minha própria reação, recuei, ofegante.

Delphine veio atrás de mim, passando o nariz pela lateral do meu rosto, com seus lábios roçando minha orelha. Sua respiração também estava acelerada, e o som do gelo tilintando contra o copo em sua mão amplificava a agitação dos meus sentidos inflamados.

"Preciso sentir o seu gosto, Cosima." Ela sussurrou. "Estou morrendo de vontade."

Meu olhar passou do drinque para a mesa, pensamentos giravam a mil na minha cabeça, uma orgia de impressões, lembranças e dúvidas. "Como você sabia?"

Sua língua percorreu a cartilagem da minha orelha, e eu estremeci. Era como se cada célula do meu corpo ansiasse por ela. Resistir a Delphine demandava uma quantidade absurda de energia, sugava minhas forças e me deixava exausta.

"Sabia o quê?" Ela perguntou.

"O que eu gosto de beber. O nome de Felix."

Ela respirou fundo e se afastou. Pôs o drinque sobre a mesa, virou-se no sofá e posicionou uma de minhas pernas sobre as suas para permanecer voltada diretamente para mim. Ela pôs o braço novamente no encosto do sofá e com as pontas dos dedos começou a fazer movimentos circulares no meu ombro. "Você passou por outros lugares esta noite. E pagou com cartão de crédito, e o que você bebeu ficou registrado na conta. E o nome de Felix está registrado no contrato de locação do seu apartamento."

Tudo começou a girar ao meu redor. Não acredito... Meu celular. Meu cartão de crédito. Até meu apartamento, merda. Eu não conseguia nem respirar. Cercada por todos os lados por minha mãe e Delphine, tive uma crise de claustrofobia.

"Cosima. Meu Deus. Você está pálida, parece um fantasma." Ela pôs um copo na minha mão. "Beba."

Era o drinque. Virei tudo, esvaziando o conteúdo do copo. Meu estômago se revirou por um momento, mas depois se acalmou. "Você sabe onde eu moro?" Eu estava ofegante.

"Pode parecer estranho, mas eu sei." Delphine se sentou sobre a mesa, virada para mim, com as pernas posicionadas junto às minhas. Pegou o copo e pôs de lado, depois aqueceu minhas mãos geladas com as dela.

"Você é louca, Delphine?"

Ela estreitou os lábios. "Está perguntando isso a sério?"

"Sim, estou. Minha mãe vive me espionando, mas ela faz terapia. Você faz terapia?"

"Atualmente não, mas você está me deixando tão maluca que acho que vou precisar em breve."

"Então esse comportamento não é o seu normal?" Meu coração batia furiosamente. Eu sentia o sangue pulsar nos meus tímpanos. "Ou é?"

Ela passou a mão pelos cabelos, fazendo-os voltar à maneira como estavam quando eu os ataquei durante o beijo. "Apenas acessei informações que você disponibilizou voluntariamente."

"Mas não pra você! Não pra isso que você fez! Deve até ser contra a lei." Olhei bem para ela, mais confusa do que nunca. "Por que você fez isso?"

Ela se dignou a parecer que estava sem graça. Pelo menos isso. "Para poder saber, ora essa."

"Por que você não me perguntou, Delphine? Porra, por que isso é tão difícil pras pessoas hoje em dia?"

"Com você é difícil." Ela apanhou o drinque e virou quase tudo o que restava. "Só consigo ficar com você por alguns minutos, no máximo."

"Claro, você só quer falar sobre o que precisa fazer pra me levar pra cama!"

"Minha nossa, Cosima." Ela sussurrou, apertando minha mão. "Não precisa gritar!"

Eu a observei meticulosamente, estudando cada linha e contorno do seu rosto. Infelizmente, porém, catalogar os mínimos detalhes não diminuiu nem um pouco meu deslumbramento.

Estava começando a desconfiar que nunca ia deixar de me espantar com a aparência dela.

E eu não era a única; via como as outras mulheres e homens se comportavam perto dela. Delphine era podre de rica, coisa capaz de tornar até mesmo os caras mais velhos, carecas e barrigudos figuras atraentes. Não era à toa que ela só precisava estalar os dedos para conseguir uma trepada.

Ela fuzilava meu rosto com o olhar. "Por que está me olhando desse jeito?"

"Estou pensando."

"Em quê?"

"Quero tentar entender algumas coisas, porque acho que talvez eu não esteja valorizando você como deveria."

"Eu também gostaria de entender algumas coisas." Ela rebateu.

"Acho que a abordagem ‘Quero foder com você’ tem um alto nível de sucesso no seu caso."

A expressão de Delphine se fechou em uma impassibilidade inescrutável. "Sobre isso eu não vou falar, Cosima."

"Certo. Você quer saber o que precisa fazer pra me levar pra cama. É por isso que está aqui? Por minha causa? E nem se dê ao trabalho de tentar dizer o que pensa que eu quero escutar."

Seu olhar era límpido e impassível. "Estou aqui por sua causa, sim. Eu providenciei tudo."

De um momento para o outro, minha desconfiança em relação ao promotor da casa passou a fazer sentido. Fomos fisgados por um funcionário das Indústrias Cormier. "Você achava que me trazer até aqui ia render uma trepada?"

Sua boca se curvou em um sorriso, demonstrando certa dose de divertimento reprimido. "Sempre existe a esperança, mas eu sabia que um encontro casual e alguns drinques não seriam suficientes."

"Você está certa. Então por que fazer isso? Por que não esperar até o almoço de segunda?"

"Porque você está solta por aí, totalmente disponível. Não posso fazer nada a respeito do seu vibrador, mas posso impedir que você vá pra cama com uma idiota qualquer que conheceu num bar. Se você quer transar, Cosima, estou bem aqui."

"Não estou totalmente disponível. Estou dissipando a tensão de um dia estressante."

"Pois não é a única." Ela começou a passar os dedos pelo lóbulo de minha orelha, arrepiando-me instantaneamente. "Você sai para beber e dançar quando está tensa. Eu tento resolver de uma vez o problema que está me causando tensão."

Ela disse isso em um tom suave, que despertou um desejo alarmante. "É isso que eu sou? Um problema?"

"Com certeza." Mas havia um esboço de sorriso em seus lábios.

Eu sabia que isso era muito atraente para ela. Delphine Cormier não teria chegado aonde chegou, com tão pouca idade, se aceitasse facilmente um não como resposta. "Para você, o que significa namorar?"

Ela enrugou a testa entre as sobrancelhas. "Eu e uma mulher perdendo tempo com convenções sociais quando poderíamos estar fodendo."

"Você não gosta da companhia de alguém?"

A careta se transformou em uma expressão de desagravo. "Gosto, mas desde que isso não implique expectativas exageradas ou demandas excessivas do meu tempo livre. Descobri que a melhor maneira de garantir isso é separando amizades e relações sexuais em campos opostos."

Mais uma vez, ela vinha com aquele papo de — expectativas exageradas. Obviamente, aquilo era uma questão importante para ela. "Então você tem amigas?"

"É claro." Suas pernas se apertaram em torno das minhas, prendendo-me. "Aonde você quer chegar com isso?"

"Você separa o sexo do restante da vida. Separa da amizade, da vida profissional... de tudo."

"Tenho boas razões para isso."

"Deve ter mesmo. Muito bem, vou dizer o que penso." Era difícil para mim me concentrar estando tão perto dela. "Eu disse que não queria namorar, e não quero mesmo. Meu trabalho é a prioridade número um, seguido de perto pela vida pessoal — uma vida pessoal de mulher solteira. Não quero sacrificar nenhuma das duas coisas em nome de um relacionamento, e não tenho tempo para me dedicar a mais nada além disso."

"Nisso eu concordo com você."

"Mas eu gosto de sexo."

"Ótimo. Faça comigo." Seu sorriso era um convite ao prazer.

Empurrei seu ombro. "Preciso ter uma ligação pessoal com as mulheres com quem durmo. Não precisa ser nada muito intenso ou profundo, mas o sexo precisa ser mais do que uma negociação impessoal pra mim."

"Por quê?"

Eu sabia que ela não estava sendo irônica. Por mais bizarra que aquela conversa pudesse parecer para Delphine, ela a estava levando bem a sério. "Digamos que é uma das minhas manias, e para mim não é fácil dizer isso. Odeio ser usada. Faz com que eu me sinta desvalorizada."

"Não dá pra considerar que é você que está me usando?"

"Com você, não." Ela era poderosa demais, dominante demais.

Um brilho triunfante e predatório surgiu em seus olhos quando expus minhas fraquezas para ela.

"Além do mais." Logo acrescentei. "Isso é só uma questão semântica. O que eu quero nos meus relacionamentos sexuais é uma troca justa. Ou então estar no comando."

"Certo."

"Certo? Você concordou depressa demais, considerando que o que eu quero é juntar duas coisas que você faz tanta questão de separar."

"Não gosto da ideia e não vou fingir que entendo, mas estou ouvindo — é uma questão importante. Me diga como fazer isso."

Minha respiração acelerou. Por essa eu não esperava. Ela era uma mulher que não queria complicações na vida sexual, e eu era uma mulher que considerava sexo uma coisa complicada. Mas isso não significava que ela havia cedido. Pelo menos ainda não.

"Precisamos ter alguma intimidade, Delphine. Não temos que virar melhores amigas ou confidentes, apenas duas pessoas que conhecem um pouco mais sobre a outra do que os contornos do corpo. Pra mim, isso significa que precisaríamos passar algum tempo juntas quando não estivermos trepando. E passar esse tempo juntas em lugares onde seríamos obrigadas a nos controlar."

"Não é isso que estamos fazendo agora?"

"Sim. E é exatamente disso que estou falando. Eu não estava valorizando seu esforço. Você poderia ter feito isso de uma maneira menos invasiva." Tapei a boca dela com os dedos quando ela tentou me interromper. "Mas admito que tentou criar ocasiões para a gente conversar e eu não colaborei."

Delphine mordeu a ponta dos meus dedos, o que me fez dar um grito e puxar minha mão de volta.

"Ei. O que foi isso?"

Ela levou a mão que mordeu até a boca e a beijou onde estava doendo, passando de leve a língua para amenizar a dor. E excitar.

Num movimento de autodefesa, puxei a mão de volta para o colo. Ainda não tinha certeza de que havia esclarecido as coisas entre nós. "Para que você não pense que minhas expectativas são exageradas, quando estivermos perdendo tempo fazendo alguma coisa que não seja trepar, não vou considerar isso um namoro. Certo?"

"Parece um bom acordo." Delphine sorriu, e a decisão de ficar com ela se solidificou dentro de mim. Seu sorriso era como um relâmpago na escuridão, ofuscante, admirável, misterioso, e eu a desejava com tanta intensidade que doía.

Suas mãos se abaixaram para agarrar a parte de trás das minhas coxas. Apertando-me de leve, ela me puxou um pouco mais para perto. A bainha do meu vestido preto curto subiu de maneira quase indecente, e seu olhar ficou vidrado na pele que suas mãos tinham exposto.

Ela umedeceu os lábios com a língua em um gesto tão carnal e insinuante que eu quase senti uma carícia na minha pele.

A voz de Duffy cantando — Mercy ressoava na pista de dança logo abaixo. Uma dor incômoda cresceu no meu peito, e eu o esfreguei com a mão.

Eu já tinha bebido o suficiente, mas ouvi o som da minha voz dizendo: "Preciso de mais um drinque."



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