História Is That You (Suga) - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Amor, Bts, Drama, Romance, Suga, Superação
Exibições 216
Palavras 6.820
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olha eu aquiiiii <3
Vão ler, ruuum

Desculpem os erros não revisei antes de postar.

Capítulo 18 - My Surrender


Fanfic / Fanfiction Is That You (Suga) - Capítulo 18 - My Surrender

- Por que está tão nervosa?
- Por que você não está? - soco a porta. - EIIII! - grito. - Aish. - beijo a minha mão que latejava devido aos inúmeros socos que dei.
- Se continuar nessa batalha com a porta pode dizer adeus a sua única mão boa.
Isso não é nada engraçado. Eu estava mesmo nervosa, mas não nervosa pronta para ter um ataque de raiva, era um nervoso diferente. Suga ficou com ciúme do doutor que estava apenas me examinando, imagina quando souber que eu estava aqui com o Tae sozinha, imagine se ele descobrir o que aconteceu. Não quero nem imaginar o que poderia acontecer.
Encosto na porta e deslizo até o chão, me sentando, exausta. Tenho a ligeira impressão de que o remédio que Jin me deu era na verdade, um relaxante muscular, porque estou sentindo meu corpo todo mole e estou sonolenta.

Quando Tae finalmente resolve se sentar, já devem ter passado umas duas horas. Mi-Cha vai me matar, Suga vai matar a mim e a Tae, Jin vai me matar por não estar deitada. Jimin vai colocar lenha na fogueira, Hope...bom, não sei o que Hope vai fazer, ele é tão brincalhão que acho que vai entrar na pilha do Jimin..JungKookie deve estar dormindo ou mexendo no celular.
Será que já deram falta de nós? será que estão nos procurando? Eu quero comer.
Faço cara de choro.
Porque não comi antes de vir? O frango parecia realmente bom, meu estômago está reclamando a horas.
- Estou com fome. - reclamo colocando a mão na barriga.
- Você ainda não comeu hoje né?
Faço que não com a cabeça.
- Dizem que se você fica muito tempo sem comer o seu estômago come a si mesmo. - brinca, dando uma risada fraca.
Sorrio.
"Se você ficar sem comer, seu estômago vai se comer sozinho e você vai ficar sem barriga. " - minha mãe dizia antigamente, quando eu  deixava o prato de lado. Embora ela dissesse isso de maneira séria, sempre ria ao ver a minha expressão de espanto. Eu comia até o último talo de brócolis que ela colocava no meu prato. Eu detestava brócolis, mas adorava o rosto de satisfação dela ao me ver limpar o prato. Hoje eu amo brócolis.
- Minha mãe dizia isso...- digo, distraída. - aish...eu comia tudo, ficava morrendo de medo de ficar sem barriga. - pressiono a mão na barriga mais um pouco e dou risada.
- Sua mãe? - Tae pergunta.
Assinto e olho para ele, só aí me dou conta do que acabei de falar. Como vou contornar essa situação?
Merda.
- Pensei que não conhecia sua mãe. - franze a testa.
Tarde demais, tarde demais para inventar outra mentira. Ele vai contar para os outros, todos vão saber que menti, vão perder a confiança em mim. O que diabos eu vou fazer? Merda, boca maldita.
Senti vontade de estapear meu próprio rosto, de me punir por não controlar a língua.
Talvez se eu contar a ele, talvez se eu mostrar que confio nele ele guarde segredo. Eu sei que não tenho motivos para esconder a minha história de todos, mas mesmo assim, é uma parte da minha vida que quero manter isolada só para mim. Eu já acho que tem pessoas demais sabendo, e na minha percepção, quanto menos pessoas souberem menos o assunto aparecerá, menos pessoas vão me olhar com pena e assim se tornaria mais difícil de esquecer tudo. Tolisse, sei que esse não é o tipo de coisa do qual nos esquecemos, apenas podemos mantê-lo adormecido, escondido no canto intocado do cérebro e menos visitado. Eu chamaria essa parte de porão, sabe? onde você guarda as coisas que não quer, as coisas que não usa mais, mesmo que não as queira você não as joga fora e as coisas só acumulam mais e mais no porão, enchem de poeira, tornam-se quase esquecidas, mas sempre estão lá, é mais ou menos assim.
Nos encaramos durante um tempo em silêncio, eu não sabia o que falar. Isso tem acontecido demais ultimamente.


(...)


- Eu não fazia idéia.... - ele disse perplexo, encarando o chão com os olhos esbugalhados. O olhar que eu tanto odiava estava alí, mas dessa vez me deixava de coração partido. A melancolia pairava no ar.
Eu podia jurar que ele choraria a qualquer momento e eu estava quase chorando também.
"Eu nunca vou passar um dia sem chorar?" - pergunto mentalmente.
- Sam, ninguém imagina isso! Eles...
- Me prometa que eles não vão saber! - me ajoelho na frente dele e ele arregala os olhos cheios de lágrimas. - Prometa que eles vão continuar não imaginando isso, me prometa que não vai contar, porfavor. - imploro desesperada.
- Mas Sam, por que? Para quê mentir?- balança a cabeça desacreditado e confuso.
- Só me prometa. é o meu segredo, é a minha vida. Eu não quero que as pessoas saibam. - choramingo e limpo uma lágrima que estava escorrendo.
- O segredo não é meu para que eu conte. Mas posso pelo menos saber o porquê?
Engulo em seco e suspiro, me sentando ao seu lado.
- É complicado... não tenho um motivo específico ou justificável para querer esconder. Eu só não quero que as pessoas saibam porque elas mudam comigo, parece que me vê como um animalzinho indefeso. O modo das pessoas me olharem, me tratarem, tudo mudo. Passa de normal á delicado, como se eu fosse diferente. Eu quero ser tratada normalmente.
- Você sabe que não seria assim conosco, não sabe? - ele me encara pela primeira vez depois que contei, com os olhos avermelhados que faziam meu coração apertar.
Eu sabia, mas mesmo assim não exclui o fato de que eu não quero que as pessoas saibam. Talvez eu conte algum dia, mas não agora. Quero que me conheçam bem o suficiente para que percebam que eu estou "bem" na medida do possível e não preciso ser tratada como uma boneca de porcelana. Não, não quero que tenham uma idéia errada de mim, faria as pessoas pensarem que tudo o que eu consegui até aqui foi me dado de forma mais facilitada pelo meu "estado". Eu sei que talvez tenha sido ido e acredite, só de eu mesma saber disso já torna difícil o bastante de tolerar, com outros sabendo seria praticamente insuportável e eu me sentiria exposta. É tão complicado... porque eles precisam saber? Se eles são mesmo meus amigos, que diferença isso faria? Não vai mudar nada saber  que não estou num orfanato desde pequena e que conheci minha mãe sim e meu pai também. São coisas que já aconteceram e não podem ser mudadas.
- Eu prefiro deixar o assunto intocado... se as pessoas não souberem fica mais fácil para mim não pensar nisso...
Ele assente.
- É por isso que é tão apegada àquela menininha? - pergunta quase num sussurro. - Ela sabe?
Assinto.
- Ela sabe. - encaro as minhas mãos. - apesar dela ser tão mais nova, ela é o que eu chamaria de melhor amiga. Pode rir, mas é a mais pura verdade. Eu considero Mi-Cha também a minha melhor amiga, mas meu laço com Yang é diferente. É quase como se ela fosse uma irmã ou uma filha. Eu queria dar a ela o que eu não tive.
"Eu queria dar a ela o que eu não tive" - perdi a conta de quantas vezes já falei ou pensei nessa frase. Eu queria mesmo ser capaz disso. A dor de saber que ela pode ser adotada e provavelmente irá, ainda está presente e ainda me machuca.
Novamente, ele assente.
- Isso é triste... - ele limpa as lágrimas. - desculpe...
- Tudo bem... - fungo e abraço ele de lado.
- É só que, imaginar você presenciando aquela cena, passando pelo que passou e ver como você corre atrás das coisas, como tem persistido na vida é um exemplo... eu não sei se teria aguentado.. - diz com sinceridade.
Eu nunca havia parado para pensar no modo como eu encarei as minhas perdas repentinas. Talvez eu tenha realmente agido com maturidade, tentando encarar da melhor forma, mas acho que na verdade verdadeira tudo o que fiz foi empurrar a sujeira para baixo do tapete o que me leva a pensar se eu realmente encarei o meu problema ou se eu apenas o evitei. Talvez os dois. Eu encarei o problema e quando me cansava eu o evitava e assim eu venho levando até hoje. Ás vezes tenho a sensação de que tudo a minha volta está desmoronando e que a saudade, a dor, nunca vai passar. Mas ás vezes eu penso "ei, eu vou ficar bem." estou esperando pelo dia em que esse "vou" se transforme em um "estou" e aí meu pedido, feito com um cílio em uma simples brincadeira infantil seria realizado. Mas snceramente, acho que as coisas simples tem mais valor do que as grandes e extravagantes, tudo depende de como você vê. Um dia eu li algo que retrata bem isso, era mais ou menos assim:
" Eu te dei 10 reais. Ele te deu 50. Mas ele tinha 500 reais, eu só tinha 10."
Não tem muito a ver com o assunto, pode até ser uma comparação esdrúxula e sem nexo. Mas o que eu quero dizer é que por mais simples e pouco que seja essa aposta, ás vezes tem muito mais significado do que algo grande e bem elaborado. É mais ou menos isso. Então porque não acreditar? Se o desejo do Tae se realizou, o meu também pode.


POV YoonGi

Minha cabeça está rodando e o silêncio ensurdecedor não está ajudando.
Alguns minutos depois o ranger da porta faz com que eu me levante, mas é apenas Jin.
Estou puto da vida, estou muito irado e eu não sei lidar com esse tipo de merda.
Ela podia pelo menos ter dado notícia e não simplesmente sumir. As pessoas ainda não se tocaram que ela tem uma certa tendência a se meter em encrencas e lugares que não deve, com os dois braços ela já é quase incapaz de se defender, com um então...está fodida.
E o pior é que já fazem horas.
É exatamente por isso que não quero gostar de ninguém, isso é tudo uma grande furada, só esquentação de cabeça.
- Quer saber!? Vou deixar isso para lá. Que se foda. - fecho os olhos e me afundo no sofá.
Eu não vou ficar remoendo isso, não preciso disso. Eu preciso mesmo ir para um bar e foder a primeira que me de bola só porque posso fazer isso. Eu quero esquecer ela e esquecer o modo como ela me deixa louco.
Eu já estava bem antes dela, vou continuar bem. É só fingir que ela não existe, isso é fácil para mim.
- Gente...- J-Hope chama, mas eu nem me dou ao trabalho de abrir os olhos. Da última vez que ele estava exasperado desse jeito, o celular dele tinha "sumido" mas na verdade estava no bolso da calça dele. - O TaeHyung também sumiu.
Abro os olhos.

POV Sam
Um barulhinho irritante ecoa uma e outra vez. Estridente como o grito de uma patricinha. Abro os olhos sonolentos por efeito do remédio.
- Desliga isso...-resmungo.
-Hmm? - Tae se mexe e eu levanto minha cabeça de seu ombro.
- Esse barulho está vindo de onde?
Eu juro que se ele falar que esteve com o celular durante todo esse tempo eu vou estrangulá-lo. Não vou aceitar ter ficado aqui todo esse tempo sendo que ele tinha um celular para pedir ajuda.
Ele tateia o bolso.
- Como não pensei nisso? - os olhos arregalam. - Eu havia esquecido completamente. - ele tira o celular do bolso. O nome que pisca na tela faz com que eu me retraia e Tae faz uma careta apreensiva. Ambos ficamos encarando o nome de Suga brilhando no ecrã.
- Anda... atende..- digo hesitante.
Assim que ele toca na tela do celular para deslizar o ícone verde e atender a ligação, a tela apaga.
- O que? - ele bate no celular.
Posso jurar que suspirei, não sei se foi de alívio ou de tristeza por termos perdido a chance de sair daqui.
Agora a tela dizia "Bateria fraca".
- Qual é, bateria? Você é forte, vamos. - ele chora de brincadeira.
Sinto os ombros pesados quando desencosto da parede, como se a tensão do dia me empurrasse para baixo. O pior é que com o braço imobilizado e ainda dolorido é difícil encontrar uma posição boa, o que me deixa irritada.
- Pelo menos já deram falta de nós...- choramingo. Minha bexiga parecia que iria estourar a qualquer momento.
Nesse momento escuto um estrondo e a porta se abre. Suga e Mi-Cha são os primeiros a entrar no local, seguidos por todos os outros e bom, um JungKook bem sonolento.
Não sei qual dessas coisas me deixa mais apavorada, o fato de todos estarem suados como se tivessem corrido para todos os lados ou a cara deles ao me verem tão próxima de Tae. Isso é uma grande merda.
V se levanta e bate as mãos na bunda, limpando a poeira. Jin se aproxima de mim e coloca as duas mãos embaixo dos meus braços e me ergue com cuidado, como se eu fosse um bebê.
- Como está? eu te disse que precisava descansar.
- Como já vimos eles estão muito bem, não vamos atrapalhar. - A voz de Suga soa atrás de Jin e quando me inclino para olhá-lo ele já está de costas, saindo do local.
Minha boca se abre para falar, mas já é tarde demais.
- Não foi isso...- sussurro.
Jin sorri de canto em um gesto consolador.
- Desçam, eu já levo ela. - Jin instrui.
Hesitante e relutante, Mi-Cha se nega a descer.
- Ela precisa comer e tomar um banho, está parecendo uma mendiga.
- Eu preciso falar com ela, prometo que não vai demorar mais que cinco minuto. Tchau. - Jin resolveu deixar a generosidade de lado por uns segundos.
Ele realmente parece um irmão mais velho, é gostoso de sentir sua proteção sobre mim. Mi-Cha também é como uma irmã e o modo como eles implicam um com o outro só torna mais real o irreal.
- Vamos Mi-Cha, eu vou te levar no cinema. - NamJoon suborda e ela aperta os olhos e depois desvia o olhar para mim.
- Eu estou profundamente chateada por você estar me deixando de lado. Mal conversamos.
Inclino a cabeça para um lado em um gesto manhoso.
- Me desculpe, serei mais atenciosa.
 Ela cruza os braços e olha pro chão. Rap Monster envolve seus ombros com o braço e leva ela de lá.
- Eu falei que ela estava bem. - Jungkook diz em meio ao bocejo.
- Sim, idiota, mas poderia ter aberto logo a boca para dizer que sabia onde ela estava ao invés de esperar uma hora depois que todos já estavam quase ligando pra polícia.- Jimin ri mas ao mesmo tempo ele está bravo.
- O sono me impediu. - ri - vamos descer, vem Tae. Vamos Hobi. - o mais novo abraça o último por trás como se este fosse um apoio e anda tropeçando pelos pés rindo fraco.
Jin e eu somos deixados a sós.
Ele suspira e se inclina sobre o parapeito olhando a cidade enquanto parece estar escolhendo as palavras certas a usar.
Jin sendo cuidadoso com as palavras? Isso é naturalmente dele, mas ele parece estar calculando demais, isso me deixa bastante apreensiva.
- Suga não reagiu muito bem ao saber que você e Tae tinham sumido. Aliás, nenhum de nós reagiu. Não que tenhamos ficado com raiva de você ou coisa do tipo, por Deus, não aconteceu. Mas sabe Sam, quando esse tipo de coisa acontece, quando alguém some sem dar avisos... muitas coisas passam pela nossa cabeça. Imaginamos desde as coisas mais banais até as piores e até coisas impossíveis. Em momento nenhum pensei que você e o V tivessem fugido juntos ou sei lá, mas o Suga gosta de você e a mente de uma pessoa, quando ela gosta de alguém é a pior inimiga quando ocorrem essas coisas, entende?
Assinto, sem saber ao certo como encarar essas palavras ou como responder a elas.
- Suga...Suga é do tipo desapegado, você sabe que ele passou por muita coisa na vida desde novo. Ele se apegou a você mas não quer admitir...e você sabe porque?
Mordo a bochecha internamente e olho para Jin.
- Talvez...
Talvez seja pelo mesmo motivo que eu, motivo esse que eu repito para mim toda hora mas não parece mais ser o suficiente.
- O amor, o gostar, a paixão... nos deixa vulneráveis. Por mais que você diga que não, ele te muda. As pessoas apaixonadas mudam, ficam bobas, preocupadas, o instinto de proteção é enorme. Ou você acha que alguma vez na vida imaginamos que YoonGi ia se meter em uma briga com Lee? Nunca passou pela nossa cabeça, ele não era assim protetor com as pessoas... aliás ele não é protetor com as pessoas, ele é com você. Você tem modificado ele, e isso faz ele se sentir fraco. Você pode pensar que ele me disse isso, mas não. Somos próximos, dividimos o quarto, Suga é calado, ele é muito observador, temos muitas coisas em comum e essa é uma delas, ele não precisou me dizer nada para que eu entendesse tudo. Eu o conheço muito bem. Ele está amedrontado, mais do que deixa transparecer, ninguém nunca mexeu com ele desse jeito, entendeu?
Fico calada.
- Eu sei que seria mais emocionante escutar isso dele, mas eu sei que ele não vai te falar sobre isso tão cedo e eu sinto que você precisa saber onde está se metendo. Ele é como um irmão para mim, mas você... você não merece ter um relacionamento complicado.. já passou por tanta coisa na vida e eu acho que merece alguém que demonstre o que sente e não que te empurre para longe e depois para perto e para longe em seguida novamente. Eu temo que ele não seja a pessoa certa para você, eu não quero ver ambos machucados, Sam. Não estou do lado de ninguém nessa "batalha" - ele fas aspas com o dedo. - Sei que você pode pensar que estou do lado dele ou coisa do tipo porque o conheço a mais tempo e você eu só conheço há alguns meses, mas eu sinto que te conheço de uma vida toda. Quero o melhor para ambos. - hesita. - O que quero deixar claro para você é que sim, ele gosta de você, mas não quer gostar entende? Nem eu mesmo entendo isso tudo. Eu só queria te dizer tudo o que eu percebi dessa história, agora cabe a você decidir se vai ou não prosseguir com isso. Um não querer é o bastante para não acontecer nada.
Diz e hesita um pouco. Um sorriso atravessa seus lábios.
- Sabe o que eu queria mesmo? De verdade?- me olha. - Eu queria ver ele desabrochar... eu queria ver ele se apaixonar e se entregar a isso, todos na vida merecem amar e ser amado. Eu daria tudo pra ver essa "pedra" se esfarelar, eu tenho certeza que se ele se deixasse amar e se ele acreditasse que pode sim ser amado, seria mais feliz. Eu quero vê-lo feliz.

As palavras de Jin me tocavam de uma forma imensurável. Sim, eu preferia que o YoonGi tivesse me falando tudo isso, mas o Jin basta.
Pensei que eu ia entender tudo depois que ele falasse mas só fico mais confusa, a minha mente virou um emaranhado de pensamentos, subjeções e possibilidades. Foi tanta iformação ao mesmo tempo que eu terei que relembrar essas palavras em outra hora e pensar no significado de cada uma delas. Eu quero refletir sobre isso, calcular as minhas palavras também, não é uma coisa que deva ser simplesmente falada sem ser pensado. Jin deve ter pensado muito no que falar durante esse tempo, eu quero ter o meu tempo também, mas creio que a minha resposta tenha que ser dada ao Suga, não a Jin e eu sei que ele também sabe disso, como se lesse minha mente ele sorri descontraído  e faz um gesto positivo com a cabeça lentamente.
- Temos que ir, eu prometi a Mi-Cha que não demoraríamos e que te daria comida. - ele passa o braço pelo meu ombro e caminhamos lentamente até a porta de saída que eu amaldiçoara tantas vezes hoje. Porque diabos uma porta só tem maçaneta de um lado? Que burrice.
- Além disso, você está mesmo parecendo uma mendiga. Algumas horas aqui em cima e parece que estava fazendo serviço de jardinagem. - ri e eu ameaço bater nele, que se protege.


                                                                                  x

Chegando em casa fui direto para o banho. Eu estava apreensiva, era a sensação que eu tinha quando eu cometia um grande erro. Era mais que apreensão, era quase medo, mas não aquele medo tipo pânico, era medo de ter que encarar Suga, ele estava mesmo chateado quando saiu de lá batendo  os pés.
Jin tem razão estamos sempre nesse jogo de puxar e empurrar, é cansativo, desgastante mas é como se o meu coração preferisse isso do que não ter nada. Sim, sou idiota, boba, do modo como Jin disse que somos quando estamos apaixonados, mas a diferença é que eu não estou apaixonada, claro.
É complicado tomar banho usando apenas um braço, mas a água quente contra a pele arroxeada diminui a dor e a tensão das minhas costas.
Tento enrolar a toalha no corpo pelo menos três vezes mas desisto, me seco e visto a blusa e o short que Jin deixou pendurada na porta. Essas são menores que do J-Hope.
Quando visto a blusa o cheiro almiscarado e familiar sobre pelo ar e eu tenho certeza que aquelas roupas são de Suga, me sinto acalorada e confortável. Não que eu não me sinta bem nas roupas de Hope, mas a sensação é diferente. Parece tão íntimo.
Quando saio do banheiro o quarto está vazio. Nenhum sinal de Mi-Cha e de NamJoon quando faço meu caminho até a cozinha, eles devem ter mesmo saído.
Jin está sentado encarando o prato fumegante, assim que me vê ele sorri.
- Vou te fazer companhia. É muito ruim comer sozinho, não!?
Me sentei de frente para ele desajeitadamente.
- Ja estou tão acostumada que para mim é uma coisa comum.
- Aish, você é muito solitária.
- Talvez um pouco. - dou risada e coloco uma colherada de risoto na boca. O gosto é bom e desce maravilhosamente bem. - Isso está maravilhoso, sério mesmo. Você que fez?
Ele sorri orgulhoso e assente. Claro que já sabia que ele quem tinha feito, mas mesmo assim eu gosto do sorriso orgulhoso dele quando elogiam sua comida, é uma das coisas que sei que ele mais gosta de fazer.
Limpo o prato em minutos e tomo um copo grande de água. Minha barriga está estourando.
Jin fica me olhando como se estivesse a espera de que eu falasse algo.
- Estava muito bom... - sorrio. - Obrigada por me fazer companhia.
Ele ri e encosta na cadeira, depois de assentir.
- Está evitando ele? - diz baixinho.
Quase engasgo com a água.
- Não.. não estou não.. - olho para o chão.
- Porque não vai conversar com ele? Ele está no quarto agora. É melhor resolver esse mal entendido do que ficar nesse clima chato, uh? - incentiva.
Assinto.
Ele tem razão, sempre costumo deixar as coisas para depois, adiando, adiando e adiando para mais tarde e acabo tendo que fazer do mesmo jeito. O ditado "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje" se aplica bem à situação agora.
Suspiro e me levanto. Faço menção de pegar o prato mas Jin levanta e segura a minha mão delicadamente, me impedindo de continuar.
- Deixa isso comigo. Vai lá falar com ele. - pisca e sorri de canto, pegando o prato e se virando de costas para mim ficando de frente para a pia.

Ando sem pressa, sem pressa nenhuma mesmo até o quarto. Quando bato na porta YoonGi não responde, ele não está acordado?
Sim, ele está. Mas talvez soubesse que sou eu e por isso não respondeu. Ele está deitado, vestindo uma camiseta preta e um short azul escuro. Uma de suas pernas dobrada e a outra esticada enquanto ele mexe no celular. Quando entro ele não me olha, como se estivesse fingindo que não percebeu a minha presença alí.
Paro ao lado de sua cama, como esperado ele continua sem me olhar.
Todas as palavras que planejei dizer sumiram da minha mente, parecia uma tela em branco. Eu queria falar e até abria a boca para falar, mas nada saía. Eu não sabia o que dizer.
- Algum problema? - tirou os olhos de celular e me olhou.
Balanço a cabeça negativamente.
Ele assente e volta a atenção para o celular.
Irritada arranco o celular da mão dele, o mesmo me encara com raiva estampada no rosto.
- Esse remédio afetou a sua sanidade mental também? Porra. - grita e se levanta eu me encolho, arregalando os olhos estendendo o celular de volta pra ele.
Quando eu piscava era como se a cena com Lee estivesse acontecendo nesse momento. Meus olhos ardem com as lágrimas, me sinto ameaçada.
Sem graça ele pega o celular e passa a mão pelo cabelo, respirando fundo.
- Me desculpe.
- Não precisa ser um babaca. - viro para o lado, limpando a lágrima que escapara sem que ele percebesse.
Ele solta uma risada nasal.
- BABACA? EU? Tudo bem então. Mais alguma coisa princesa?
O fato dele me hamar de princesa ironicamente me dazia ferver.
- SIM, EU TENHO MAIS UMA COISA. - Digo alto mas não o suficiente para ser considerado um grito. - Quero falar do que aconteceu hoje.
- Não, você não precisa. Não me deve satisfações. Aliás, o que ainda está fazendo aqui? Já comeu, já tomou seu remédio, não me canse mais com a sua presença.
Olho para o chão e fico paralisada. Ele está me expulsando. Meu coração se apertou tanto que eu quase queria gritar de dor.
Ele desvia o olhar de mim como se eu estivessendo dando dor de cabeça nele.
De repente tudo o que Jin falou não fazia mais sentido algum mas ao mesmo tempo fazia. Ele está me empurrando de novo, mas dessa vez estou à beira do precipício, se ele me empurrar demais eu caio.
Ele se vira de costas para mim e soca a parede. Me sobressalto e cubro a boca para não gritar. Lágrimas e mais lágrimas embaçavam a minha visão.
Pensei que alguém apareceria aqui a qualquer minuto depois do barulho mas nenhum sinal, o volume da TV na sala está ensurdecedoramente alto enquanto os meninos jogam vídeo game e gritam.
- Você não poderia ser mais previsível...
Eu sabia que esse era o Suga que eu menosprezava, era o Suga que gostava de me machucar com a palavras, que pisava em mim, que conseguia sugar todo o meu ser, que fazia a tristeza se instalar em cada pedacinho do meu corpo.
Por mais que eu tenha levado um susto, eu não estava surpresa com sua atitude.
Permaneço calada. Qualquer coisa errada que eu diga, pode resultar em um discussão feia e mais coisas ruins jogadas para cima de mim.
Vejo sua mão com alguns machucados nos nós dos dedos e me aproximo involuntariamente, ele se afasta. Paro e o encaro.
- Eu só quero ajudar...
- Se quer me ajudar então vai embora. Você ainda não entendeu? - ele faz um gesto em direção a porta.
Seus olhos estão focados no meu, eu desvio o olhar. Pronta para fazer meu caminho fora do quarto, mas me volto para ele.
- Eu vou... só me deixa falar antes. - digo com a voz trêmula, mas o mais confiante que consigo.
Por hábito, ele passa a mão no cabelo mais uma vez. Eu podia ouvir a respiração ofegante saindo de seus lábios, a minha também estava.
Me pergunto que merda estou fazendo, eu nem ao menos sei o que dizer.
Olho para as mãos.
Ele coloca as mãos na cintura, impaciente.
- Eu... eu precisava falar com o Tae. Ele estava chateado porque pensou que ele quem tinha machucado o meu ombro... eu não queria que ele se sentisse culpado.
Ele solta uma risada nasal.
- Culpado? Você já tinha dito pra ele na BigHit que não havia sido ele, Samantha, conta outra. - mexe a cabeça negativamente.
- Sim, eu havia falado Suga. Mas acontece que o embaraço foi tão grande que ninguém estava prestando atenção nisso e sim na briga que estava acontecendo. Eu fui falar com ele porque ele tinha sumido e por isso pensei que ele estivesse chateado e por acaso ele estava. JungKook me falou que ele costuma ficar no telhado, então eu fui até lá. Não sabia que a porta não abria por fora e por isso empurrei o tijolo e ficamos trancados por hora.
Ele ri.
- E o celular dele? Esqueceram disso?
- Eu nem sabia que ele estava com celular, quando ele se lembrou você estava ligando e quando ia atender acabou a bateria.
- Que coincidência mais estranha, não acha? ELE GOSTA DE VOCÊ, SAMANTHA. É CLARO QUE ELE SABIA QUE ESTAVA COM O CELULAR. - fala alto.
- Olha, não importa. Eu não sabia que ele estava e se quer saber, não acredito que ele faria qualquer coisa de propósito que prejudicasse nós dois. - digo, me arrependendo de minhas palavras.
- Nós dois? NÓS? - ele apontou para mim e para ele repentinamente, com uma voz divertida. - Não existe nós. Alguns beijos e amassos e você pensa o que? Que somos amantes? Não mesmo. - revira os olhos e fica de costas para mim.
Minhas pernas pareciam gelatina, eu estava prestes a cair de joelho. Quando essas coisas parariam de acontecer?
Lee me machuca, mas Suga machuca de um jeito bem pior. Para a dor que Lee me causa, existem remédios que curam, a dor que YoonGi me causa é incurável.
- Você é patética. Não está vendo que não quero você aqui? Não quero mais escutar a sua voz. Só porque tivemos um lance não significa que estou interessado em algo mais. E mesmo assim, aqui está você. Querendo se explicar e me dar satisfações com as quais eu não dou a mínima. Volta para o Tae, ele pelo menos quer a sua companhia. Você é a definição do que é patético. - retruca e eu sinto que meus olhos viraram pedra.
- Você não pode pensar assim de mim. - digo com a voz trêmula ao me lembrar de todas as coisas bonitas que ele já me disse e de como brincou comigo no lugar onde me levou... tudo parecia tão diferente, ele parecia outra pessoa, alguém com quem eu poderia ter uma relação, me deixei enganar. Eu me odeio por isso e o odeio também.
- É sim. Vai pra casa. - ele dá o golpe final.
Me aproximo dele e dou um tapa em seu rosto, ele fica imóvel e sério.
Fico de costas para ele depois de lhe dar uma última olhada repleta de dor e caminho até a porta.
- Onde você vai? - pergunta atrás de mim, e ouço seus passos logo ele passa por mim e para na minha frente, bloqueando a passagem.
- Eu vou embora. - digo com a voz determinada, não dando margem para ele argumentar.
Passo por ele e vou para o quarto do Hope, pego uma de suas calças de moletom e vou para o banheiro. Sei que fui mal educada ao pegar uma coisa sua sem sua permissão, mas depois eu darei explicações. Não posso passar um minuto sequer a mais aqui, não posso estar no mesmo ambiente que ele.
Quando me olho no espelho vejo meus olhos avermelhados.
"Ainda não, aqui não é o lugar." - repito uma e outra vez para mim.
Calço meus tênis do trabalho que estão no canto do banheiro e faço um coque bagunçado no cabelo. Ajeito a blusa por cima da calça e me preparo para sair do banheiro. Assim que abro a porta, Suga está parado na soleira. Ver seu rosto é o suficiente para me por a beira das lágrimas. Passo por ele sentindo-as escorrer pelo meu rosto, quando saio do apartamento, passando pela porta da cozinha sinto o olhar perdido e confuso de Jin em mim, mas não posso dar explicações agora. Eu só quero a minha casa.
Desço as escadas de dois em dois degraus sem disposição para esperar o elevador. Nem sei como vou voltar para casa. O moletom ficou grande demais em mim. Assim que chego ao térreo dou de cara com Mi-Cha e NamJoon. Ela abre a boca para falar mas eu corto-a.
- Me levem para casa, por favor. -  imploro.
Posso notar os olhos dela se encherem de lágrimas e ela abaixa a cabeça e assente.

                                                                             X

A viagem até a BigHit pareceu eterna, mas eu sabia que não tinha levado mais de vinte minutos.
Quando chegamos, o prédio estava escuro. Eu sabia que não havia ninguém lá além dos dois seguranças que fazem a guarda do local de noite, mas eles não servem para nada praticamente.
Peço para Mi-Cha me levar até o quarto, estava com medo de cruzar com Lee, da última vez ele estava lá tarde da noite. Pelo menos se alguém estiver comigo pelo menos até chegar no meu quarto, não tem como ele fazer nada comigo.
Ela me leva até o quarto calada e assim que me despeço dela ela se vira para ir embora, mas volta e me abraça. Me abraça forte. Machuca um pouco o ombro mas eu não queria sair daquele abraço.
- Eu estou aqui com você. Te amo. - ela beija a minha testa.
- Amo você. -digo de volta, afundando a cabeça em seu pescoço.
Passamos alguns minutos assim, até que NamJoon buzina e ela vai embora.
Fecho a porta e tranco com a chave. Me aninho em minha cama e me permito chorar até pegar no sono.

Acordo com um barulho do lado de fora do quarto. Era um barulho familiar.
Passou um tempo sem se repetir até que de novo escutei o grunhido e uma voz.
Meu coração acelerou, eu começava a sentir falta de ar. O pânico tomava conta de mim. Lee estava alí fora de novo? Ele iria me machucar.
" Haja o que houver, não abra a porta." - eu dizia para mim mesma internamente.
 "TOC TOC TOC"
Alguém bateu na porta. As lágrimas já escorriam. Tampei a boca, eu queria gritar.
" TOC TOC TOC"
O barulho se repetiu.
"TOC TOC TOC" - dessa vez mais alto e mais forte.


POV YoonGi

Cada vez que eu batia na porta do quarto dela os nós dos meus dedos ardiam. Porque eu fui inventar de socar a porra da parede?

- Sam, posso conversar com você, por favor? - minha voz saiu um pouco enrolada por conta do álcool.
Mais segundos se passam sem nenhuma resposta. Ela deve estar dormindo, claro que está, são três da manhã.
Quando me preparo para chamá-la mais uma vez a porta se abre, revelando a menina baixa, com os olhos assustados e inchados de tanto chorar. Naquele momento eu senti vontade de abraçá-la e apagar o rastro de qualquer tristeza e lágrima que eu tenha causado. Eu sou fodido.
Entro no quarto dela e empurro sua mão delicadamente para fora da maçaneta e fecho a porta.
Ela permanece quieta. Eu prefiro mil vezes quando ela está gritando comigo do que quando está calada.
Ela se senta na cama encostando as costas na cabeceira e eu me sento de lado, de frente para ela. Passo um tempo assim até que ela resolve falar.
- O que quer falar? - sua voz não tinha emoção.
Passo os dedos pelos cabelos. Eu me sinto um idiota completo por ter sido tão imbecil mais cedo. Com o álcool correndo pela minha mente eu queria fazer ela saber que não tem controle sobre mim, mas ainda estando consciente, vejo que fui um completo otário e filho da puta.
- Desculpa... - digo baixo.
Não estou habituado a pedir desculpas, então aqui estou eu, pedindo desculpas, porque ela não aceita de uma vez?
A palavra paira entre nós, ela continua em silêncio.
- Escutou?
- Sim, eu escutei. -ela diz.
Ela está puta, puta e triste. Eu estou puto.
- É muito difícil lidar com você. - digo.
- Difícil? Eu? Você só pode estar brincando. Você quer que eu faça o que, YoonGi? Aceite tudo o que você faz por um pedido de desculpas? Você é cruel comigo, pisa em mim e diz coisas que me causam dores em lugares que eu nem sabia que existiam, então me desculpe se eu sou difícil. - diz. Seus olhos começam a marejar e ela se levanta e vira para a janela.
- Não é de propósito. - digo quase inaudivelmente.
- Não? - ela vira para mim mas mal posso ver seu rosto porque a única coisa iluminando o quarto é a lua. - Você sabe sim que é de propósito.  Você me maltrata sem pena, Suga.
Isso não pode ser verdade, eu não sou tão mal assim.
- Então porque continua falando comigo? Porque não desiste de uma vez? - se faço o que ela diz, porque ainda está insistindo?
Sinto uma coisa estranha no peito quando penso em como seria se ela parasse de falar comigo, me sinto desesperado.
- Eu... - ela começa, mas não sabe como continuar. - eu desisti. Sairei da BigHit em breve - diz e abaixa os olhos.
Não quero que ela se afaste ou que pare de falar comigo, não quero que ela vá embora, não porra. Isso me deixa quase louco. Eu quero ter uma desculpa para vê-la todos os dias, nem que seja para brigar só para poder escutar sua voz, ver como seu pescoço fica vermelho quando ela está com raiva ou o modo como ela serra os punhos pequenos ao lado do corpo durante uma discussão.
- Por favor não faz isso... - as palavras pulam para fora da minha boca.
Ela me olha com aqueles olhoes escuros, os mais lindos que já vi. Tão carregados de emoção, tão confusos e perdidos mas que parecem estar no lugar certo quando estão olhando nos meus.
- Que diferença faria para você? - diz quase em um sussurro. - você se veria livre de mim, como você queria não é? Não seria mais preciso conviver com essa pessoa patética que sou.
Percebo a mágoa por trás de suas palavras. Gostaria de poder reverter tudo isso.
- Você não é patética... eu sou...- digo, olhando para o chão.
Suspiro.
- Não posso discutir quanto a isso. - ela volta a olhar pela janela.
- Acha que sou uma pessoa ruim? - pergunto.
- Acho. - repsonde com convicção, mas ainda sem me olhar.
Não me surpreendo com a resposta, eu a magoei demais, mas não posso negar que queria que ela dissesse que não.
- Eu queria que você... - paro.
Ela me olha.
- O que quer?
Seria ridículo responder que quero que ela me ache bom, parece tão... sei lá.
Fico calado.
- Tem mais algum insulto que queira fazer?
Noto que ela tenta cruzar os braços, mas a tipóia impede e ela apoia no parapeito da janela.
- Não vire as costas para mim, Sam. - quase imploro.
- Já devia ter feito isso há muito tempo, Suga. Teria me poupado muita coisa. - sua voz esta trêmula, sei que está chorando.
Me levanto e me aproximo dela, ela vira de frente para mim e me empurra com a mão boa.
- Não. - diz. - Não sei porque te deixei entrar, você só sabe me machucar e ... está bêbado?
Suas palavras ecoam no meu cérebro.
- Você tem razão, Suga. Eu sou mesmo patética... sou patética por tentar...
Quebro o espaço entre nós e grudo meus lábios aos dela. No início ela não me impede mas logo recua.
- Me beija, Sam... - peço. Preciso dela.
Minha língua toca seus lábios e ela os entreabre. Ela deixa a minha língua passar. Seu corpo se recosta no meu e ela suspira contra a minha boca. Eu levo as mãos ao seus rosto, enxugando as lágrimas que saiam dos seus olhos lindos, eu poderia me perder naqueles olhos. A abraço, assinando de uma vez por todas a minha rendição.

 


Notas Finais


Comentem aiii <3
Desculpem a demora viu <3
Gente como faz pra parar de ouvir Blood Sweat and tears ? :'( to viciada <3


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