História Is That You (Suga) - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Amor, Bts, Drama, Romance, Suga, Superação
Exibições 101
Palavras 6.649
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oláaaaaa <3
Olha quem demorou mais uma vez kkk
Não me matem, estou cheia de coisas para fazer.
Sim, estou em semana de provas e mesmo assim arrumando um jeito de escrever para não deixar vocês na mão, então sejam compreensivos <3
Boa leitura e desculpe qualquer erro <3

Capítulo 21 - I Will Be Here


Fanfic / Fanfiction Is That You (Suga) - Capítulo 21 - I Will Be Here

Meus olhos queimam. Não consigo piscar nem ao menos uma vez. Tenho medo do que ele poderia fazer se eu piscasse por um milésimo de segundo. As lágrimas se acumulam no canto dos meus olhos, mas me recuso a deixá-las escorrerem, eu tenho que ser forte, não posso demonstrar medo ou fraqueza. É isso que ele quer, é disso que ele se alimenta. Como uma cobra peçonhenta, ele se alimenta do medo, ele fareja o medo e eu sinto que estou exalando isso. 

"Não chore, agora não!" - ordeno a mim mesma, mas não é como se eu tivesse escolha.

A lágrima quente escorre pela lateral do meu rosto e um sorriso maldoso aparece em seu rosto.

Tento gritar, tento falar, mas sua mão sobre a minha boca não permite que nada além de gemidos escapem da minha boca.

O peso do seu corpo sobre minhas ancas me prendem no colchão, sua mão grande é o suficiente para prender meus dois punhos em uma posição perigosamente estratégica perto do meu ombro machucado, de modo que se eu tentar levantar e lutar contra ele, em um único movimento ele pode usar meu ombro como ponto fraco.

- Eu vou tirar a mão e você não vai dizer ao menos uma palavra, você ouviu? 

Fico inerte.

- Você me ouviu? - diz, dessa vez com os dentes cerrados. Sua paciência se esvaindo rapidamente, como de costume. Eu sabia que não havia maneira daquilo acabar bem.

Da última vez, estávamos na cozinha, era um lugar aberto onde qualquer segurança poderia entrar á qualquer segundo e mesmo assim, fiquei em um estado deplorável. Agora estamos no meu quarto, nos fundos da BIGHIT. Ninguém vem aqui de noite. Eu esperava o pior, mas não estava preparada para receber o pior. Eu deveria gritar, gritar o mais alto que consigo, assim que ele tirar a mão da minha boca eu só vou ter uma chance de fazer isso, se ninguém escutar, certamente não vou morrer, mas posso chegar bem perto disso. 

Assinto, sentindo mais lágrimas se acumularem.

Eu me sentia suja. Queria sair dalí. 

Lembro dos lábios dele contra o meu pescoço e fecho os olhos me contorcendo um pouco em repulsa.

- Eu ouvi dizer que as americanas são bastante... digamos assim, animadinhas. 

Ele não pode estar querendo dizer isso. Ele não pode, ele não está querendo dizer isso, está ? 

Pensamentos dele me tocando invadem a minha mente me deixando em pânico. 

Balanço a cabeça negativamente, freneticamente. 

- Shh! Você vai ficar caladinha quando eu tirar a mão da sua boca. Você vai me obedecer, certo? Eu mando em você, não mando?

Ele tira a mão da minha boca bem lentamente, tomando o cuidado de inclinar a cabeça para o lado e observar se eu iria fazer algum movimento com a boca que indicasse que eu ia gritar. 

Comprimo os lábios e os olhos, fechando-os fortemente.

Ele acarinha a lateral do meu rosto, mas eu sinto como se a mão dele estivesse me queimando por onde passa. Viro a cabeça para o lado assim que ele toca a outra lateral do meu rosto, a fim de afastar sua mão de mim. 

- Eu mando em você, não é? - Ele agarra ,eu queixo, me forçando a virar para ele. - Olha para mim quando eu estiver falando com você! - esbraveja furioso e fecha os olhos, respirando fundo. - Ah, Samantha, eu estou tentando ser seu amigo. Quero facilitar as coisas para você, uh? Mas você não me deixa te ajudar. - diz suavemente como se estivesse falando com uma criança. - Você me tira do sério. Vamos, diga para mim: "Você manda em mim, Lee-ssi"

Choramingo.

- Você é um maluco por controle, precisa de ajuda, seu psicopata, doente. - esbravejo de volta.

Seus olhos ficaram ainda mais vermelhos, lágrimas brilhavam em seus olhos, mas não eram lágrimas de tristeza, dor ou arrependimento, eram lágrimas de fúria.

- Ora, sua menina insolente. - ele ri, lambendo os lábios. - É assim que se comporta com os mais velhos? A sua falecida mãe não te ensinou como se comportar? Você vivia na rua? 

- Me deixa em paz. - tento me soltar de seu aperto. - Sai! - choramingo. 

- Eu vou te dar apenas mais uma chance! - ele ergue meu corpo em sua direção e me joga contra a cama novamente, dessa vez me prendendo com mais força e pressionando a mão contra o meu ombro doente. A dor lancinante me atinge e eu sinto que vou desmoronar cada vez que ele pressiona mais, tornando a dor mais e mais insuportável.

- DIZ QUE EU MANDO EM VOCÊ! - grita e para a minha surpresa, mas nem tão surpresa assim, dá um tapa no meu rosto, um tapa forte o bastante para fazer minha visão embaçar por alguns segundo. Minha cabeça vira para o lado com o impacto e ele repete o tapa pelo menos três vezes enquanto aperta mais o meu ombro com a outra mão.

- Para! Para! - grito. - ME DEIXA EM PAZ! - grito. - Você manda, você manda em mim. - digo em meio aos prantos quando ele dá repetidos socos no meu ombro. 

Dessa vez eu não consigo conter o barulho e nem me importo com isso. Me sufoco com o meu próprio choro. A dor é duas vezes pior do que quando eu desloquei o braço. Os soluços e o barulho eram ensurdecedores e eu estava tão focada na dor que nem percebi que ele já tinha saído de cima de mim. Levo a mão ao meu braço e pressiono ele contro o corpo, me encolhendo na cama.

"Eu não quero mais viver, eu não quero mais viver. Se for para viver assim, eu não quero mais. Deus, me leva daqui! Me leva para junto da minha mãe!"- eu rezava, implorava, gritava internamente. 

 

- Você me faz tomar medidas drásticas. - tira um pano do bolso e seca a testa delicadamente. - Samantha, você gosta de ler não gosta? Eu vi uma cópia de "A culpa é das estrelas" no seu armário. Espero que não se incomode por eu ter mexido nas suas coisas, eu sou um pouco curioso. Acho que você desperta a minha curiosidade, eu gosto disso. Mais do que isso, eu gosto de uma frase desse livro, eu gosto muito dela mas no momento não consigo recordar. - ele coloca o dedo no queixo, como se estivesse pensativo. - Ah! - ele estala o dedo. - Lembrei!- ele pega o blazer que foi cuidadosamente colocado sobre poltrona  e veste, caminhando em direção a porta. - É mais ou menos assim: "A dor precisa ser sentida" - ele abre a porta. - Eu gosto dessa frase no sentido literal. - um sorriso maldoso e ao mesmo tempo tranquilo surge em seus rosto, era um sorriso de satisfação, prazer. Eu tenho mesmo certeza que ele estava sentindo tudo isso me vendo desse jeito. 

Ele sai e quando a porta está a centímetro de ser fechada ele a abre novamente.

- Ah, Sam! Não esqueça do nosso combinado, uh? - ele coloca o dedo indicador sobre os lábios. - Shh! Segredo nosso. Durma bem! - acena e sorri animadamente. 

 

Quando a porta se fecha e sou deixada sozinha eu me sinto morta por dentro, vazia, oca. Não era isso que eu planejava quando vim morar aqui. Isso não estava nos meus planos, é claro que não, como eu poderia prever isso? 

Eu sou miserável, covarde, fraca. 

Quando me levanto é como se meus pés não suportassem o meu peso e eu caio de joelhos, sentindo os ossos estalarem. Eu não me importo, é só uma dor a mais. Posso lidar com isso, não posso? Não, não posso. Eu só queria entender o porquê de tudo isso. O que eu, que como ele diz sou apenas uma mera faxineira, posso ter feito para despertar tamanho ódio? Tanta maldade? 

A medida que crescemos e vemos as notícias na TV, pessoa morrendo, assaltos, latrocínio, estupros, assassinato, tiroteio, sequestro e todas as outras inúmeras crueldades que acontecem todos os dias a toda hora no mundo inteiro, apesar de ficarmos sensibilizados, impressionados e até mesmo culpados por não contribuir de forma significativa para mudar o mundo, sempre vêm um pensamento à cabeça:

"Essas coisas não acontecem comigo." 

Não consigo evitar rir da ironia da situação. Sim, eu era esse tipo de pessoa que achava que esse tipo de coisa nunca ia acontecer comigo, mas cá estou eu, novamente virando mais um caso para aumentar a taxa do índice de mais alguma pesquisa do governo : órfãos, deserdados, jovens que não possuem ensino superior, jovens que passaram por experiências traumáticas e agora, agressão contra mulher e bullying.

Parabéns para mim, pelo menos para isso eu tenho serventia. 

 

 

 

(...)

 

 

 

- Ei, que cara é essa? Parece que você não dormiu a noite toda. - Mi-Cha senta ao meu lado. - Sam, eu estou preocupada. - pega na minha mão que repousava sobre a mesa mas eu a tiro como se tivesse levado um susto, ela parece ficar sentida.

- Ani (não), está tudo bem. - sorrio e balanço a cabeça negativamente.

Ela desvia o olhar para as mãos em seu colo. 

- Sua aparência está cada vez pior... você nem ao menos consegue ter postura, você está andando toda torta, Sam. M e diz o que está acontecendo. Primeiro você cai da escada, agora você cai na banheira enquanto toma banho. O que é isso ? Você está tentando esconder algo? Eu prometo que não direi nada a ninguém, mas por favor, me deixe saber. Isso está afetando a mim também. Eu não posso ver você desse jeito e ficar calada. Eu já tentei, eu juro que tentei mas eu não consigo ver a minha amiga desmoronando e ficar quieta sobre isso. Sabe o que é não conseguir pregar os olhos de noite procurando respostas na minha mente? Sabe o que é deixar você aqui e já ficar imaginando qual será o próximo acidente? - ela se inclina sobre a mesa com os olhos marejados. - Eu fico assim, eu fico me perguntando de onde você vai cair da próxima vez, qual vai ser o seu próximo machucado... Me diz, Sam! Tem algo errado?

 

Meus olhos se enchem de lágrimas. Eu vejo que ela se preocupa comigo e me faz sofrer vê-la sofrendo, ainda mais quando eu sou o motivo. Eu não imaginei que ela estivesse dando tanta importância a isso embora eu saiba que ela me tem como uma irmã e eu a tenho como uma irmã também. Talvez eu possa contar a ela. Se eu pedir segredo ela não vai contar. Eu preciso tirar isso das minhas costas, eu preciso me abrir para alguém e chorar no colo de alguém enquanto faço isso. Eu quero que a minha dor seja escutada, eu preciso compartilhar esse peso com alguém pelo menos para aliviar essa sensação. Passar por tudo isso sozinha é ruim e duro demais e isso me faz sentir cada vez mais sozinha. Eu confio em Mi-Cha.

- Eu...

- Bom dia. - a voz familiar ressoa no refeitório me fazendo gelar. Os pelos da minha nuca se eriçam. 

Mi-Cha me lançou um olhar que era um misto de confusão, medo, hesitação, tristeza, pânico e mais confusão. 

O que aconteceu? 

Foi aí que eu percebi que ela estava assim por causa da minha expressão. Olhando meu reflexo atrás dela, até eu mesma poderia me assustar. 

Os olhos avermelhados estavam marejados e mais abertos que o normal, eu estava assustada, era como se eu tivesse fobia de Lee. 

 

Mi-Cha desvia o olhar para Lee e faz uma reverência com a cabeça e volta a me olhar, esperando que eu continue a falar.

- Não vai dar bom dia para mim, Samantha?

Travo na mesma hora.

- Bom dia. - digo o melhor que consigo, ainda de costas para ele.

- Não precisam parar de conversar, pode continuar contanto o que ia contar. Não parem por mim. - noto a ironia em sua voz. 

Mi-Cha analisa meu rosto.

- Ah, mas me deixe interromper a conversa apenas uma vez. Você veio de um orfanato não é ? Eu passei por um ontem. - ele se senta na cadeira ao meu lado.

Um orfanato? Calma, Sam. Respire. Existem muitos orfanatos em Seul.

Eu tive que usar muito esforço para não sair dalí às pressas.

- Não é educado fazer esse tipo de pergunta indelicada e pessoal. - Mi-Cha diz.

- Não é muito educado se meter onde não foi chamada também, então acho que estamos quites. - sorri forçosamente.

Me sinto egoísta por desejar isso, mas eu queria que eles continuassem essa discussão e assim desvie a atenção de mim. Eu tenho mais dez minutos de almoço e é claro que ele sabe disso e usará esse tempo para infernizar a minha vida e o pior é que eu não faço ideia de como pará-lo, eu sei que serão os dez minutos mais agonizantes da minha vida, mas desde que ele não pode me bater aqui e agora, acho que posso aguentar por um curto período de tempo. Sim, eu posso.

- Voltando ao assunto. - pigarreia e ajeita o colarinho da camisa. - Eu meio que tenho me sentido muito sozinho, gostaria de aumentar a família.

Aonde ele quer chegar com isso? Ele não pode estar sugerindo...

- Fiquei curioso sobre o orfanato onde você supostamente cresceu. - ri com ironia. 

Ele pensa que Mi-Cha não sabe sobre a minha mãe e está tentando me ameaçar com isso. 

- Ouvi falar muito de você lá. Você era uma pessoa muito apreciada naquele lugar. Todos tinham o que falar sobre Samantha Hastings. As pessoas de lá me cativaram bastante, mas uma pessoinha em especial chamou a minha atenção. - remexe o canudo do copo de suco. 

Meu coração batia sem pausa alguma, eu podia escutar suas batidas e o pulsar das minhas veias nos meus ouvidas e aumentava cada vez mais a medida que ele vomitava as palavras mais covardes e ao mesmo tempo assustadoras para mim. Ele literalmente me tinha nas mãos.

- Acho que era Yang-Mi o nome dela. Você a conhece? 

Mi-Cha dispara o olhar para mim, assustada.

- Não. - digo imediatamente. - Não conheço.

- Sério? Estranho. Ela tinha muito para falar sobre você e eu apreciei muito escutar. - nesse momento ele me lança um sorriso caótico disfarçado e um olhar de puro desafio e "não brinque comigo". - De qualquer modo acho que tenho grandes chances de conseguir adotá-la já que ela é crescida e as pessoas preferem bebês e além disso, eu e Sook somos bastante amigos, tenho essa vantagem também. - ele pisca para mim, colocando o canudo na boca e tomando um longo gole.

Não. Eu podia suportar tudo, eu podia suportar ser agredida, podia suportar as mentiras, as chantagens, TUDO... menos isso.

Eu não posso perder mais uma pessoa.

Eu desejei muito, com todas as minhas forças que Yang fosse adotada por algum casal antes de Lee tentar chegar perto dela. 

Não, ele não pode fazer isso comigo. 

Não posso permitir que esse maluco, nojento chegue perto dela, que toque nela. 

Imagens de Yang ferida, chorando no canto de um quarto mal iluminado aparecem como flashes na minha mente e quanto mais eu corro para salvá-la, mais longe ela fica e mais alto ela me chama. 

Meu coração chora dentro de mim, sem saber como suportar tanta desgraça. Eu não sei de onde vou arrumar forças para suportar tudo isso, mas eu preciso. 

Ele pegou no meu ponto fraco... acho que sou um fantoche agora.

- Yaah, você não pode adotar essa menina. - Mi-Cha interfere.

- É mesmo? - ele a encara por um minuto com um olhar entediado. - E quem vai me impedir? Você? - levanta as sobrancelhas. - Você nem devia estar conversando comigo, esqueceu das regras?

- Vai em frente e me denuncie a Bang Hyuk-ssi. - desafia, ela.

Lee solta uma risada nasal.

- Não farei isso. Eu vou fazer o contrário. Vou fazer o possível para mantê-las sempre aqui. - aponta ao redor- e aqui. - aponta para a palma de sua mão.-  Contem sempre comigo para isso. - disse, mas por trás de sua voz, eu e Mi-Cha sabíamos que não tinha nenhuma boa intenção nelas. 

Seus sapatos fazem barulho contra o carpete enquanto ele anda em direção a porta. Para nossa surpresa ele para no meio do caminho e vira o copo com o restante do suco no chão e sacode ele até que a última gota caísse.

- Opa, acho que sou um pouco desastrado. Samantha, limpe isso, uh? - deixa o copo em cima da mesa e sai.

 

- Esse grande filho da p...

- Eu vou limpar isso. - digo e me levanto. Mi-Cha parece descrente.

- Você precisa denunciar ele para Bang PD, Sam. Isso é bullying. - agarra meu braço.

- Ani, está tudo bem. Foi um acidente. - digo.

- Você é idiota ou cega? Está mesmo ficando do lado dele? Chama isso de acidente? Ele virou o copo mesmo a sua frente. Com o pode ser um acidente? Você está tapando os olhos para não ver, o que...

- ANI, EU JÁ DISSE QUE FOI UM ACIDENTE. - Grito.

Eu sabia que não demoraria a explodir, só não queria que fosse com Mi-Cha.

- AIGOO, O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ? VOCÊ NÃO ERA ASSIM. - Diz com os olhos cheios de lágrimas.

- ESTOU CANSADA DE ESCUTAR E ESCUTAR E ESCUTAR. FOI UM ACIDENTE!

Ahjumma entra na cozinha assustada.

- O que está acontecendo? Porque estão brigando? - seca as mãos com o pano de prato enquanto anda até nós com os olhos arregalados.

- É a Sam, ahjumma. Eu nunca a vi agir desse jeito. - as lágrimas deixam seus olhos mais vermelhos e brilhantes a cada minuto.

- Sam..- ela se vira para mim.

- Ok, mais uma para me dar sermão, vamos lá, estou pronta. Pode falar. - junto as mãos na frente do corpo. Ela parece surpresa. - O meu trabalho é limpar e não questionar se as pessoas sujam propositalmente ou não. Ele disse que foi um acidente, então é o que ele disse. Isso foi um acidente, minha queda da escada foi um acidente e a queda no banho também. Não tem mais o que falar sobre isso, estou saindo. - digo e faço uma pequena reverência com a cabeça antes de sair.

"Isso foi um acidente, minha queda da escada foi um acidente e a queda no banho também."

Eu espero que ela tenha entendido o que eu quis dizer com isso, eu rezo para que sim.

Eu detesto ser dura demais com as pessoas, especialmente com as poucas que me estenderam a mão e que estão do meu lado, mas acontece que estou lidando com muita coisa no momento sozinha. Elas entenderiam se soubessem, mas agora, se ela não tive entendido aquilo, ela não poderá saber. Eu não posso arriscar perder Yang. Eu preciso falar com Sook, eu preciso fazer isso, preciso impedir ele nem que para isso eu tenha que levar toda a surra do mundo. Eu aguentaria por ela, só para que ela não tenha que passar por isso também.

 

Faço meu caminho até o quartinho de limpeza e assim que abro a porta sou puxada lá para dentro.

O lugar é pequeno demais e apertado demais para duas pessoas, o que aumente ainda mais a minha aflição. 

Lee acende a luz.

- O que pensa que está fazendo? Você não tem amor a esse rostinho? - diz com o rosto bem próximo ao meus. Seus olhos vidrados lacrimejavam e estavam vermelhos enquanto ele falava. -  Eu pensei que tivesse deixado bem claro para você que esse é um assunto nosso, um segredinho meu e seu. - ele aponta para si e depois para me cutucando fortemente com o dedo indicador.

- Eu não estava... - tento dizer mas sou cortada por mim mesma. - Você não pode adotar Yang-Mi. - choramingo. - Deixe-a fora disso, se o seu assunto é comigo, resolva comigo. Não envolva as outras pessoas. 

Ele solta uma risada nasal. 

- Ah, resolveu falar agora? - ele apoia o cotovelo na parede e coça a testa. - Vamos fazer um combinado, ok? Você mantém a sua boca fechada e eu não faço nada em relação a pirralha. 

Engulo em seco.

- Como eu poderia confiar em você? - digo tentando parecer forte.

- Isso você tem que descobrir sozinha. Eu sou um homem de palavra, Samantha. Não vou ficar pedindo para que confie em mim, você quem sabe se confia ou não, isso fica a critério seu. - ele pega na maçaneta pronto para sair, mas volta a me olhar. - Ah, por favor, melhore sua aparência. Se continuar assim as pessoas vão começar a desconfiar. Você está com a aparência de um viciado em drogas. Por favor, melhore isso. Está realmente deplorável.  

 

Quando a porta se fecha atrás dele eu me permito deslizar até o chão. 

Dessa vez eu não chorei. Não chorei porque não sentia nada. Nem tristeza, nem dor, nem receio, nem medo ou ansiedade, era isso que mais me assustava, eu não sentia absolutamente nada.

 

Peguei meu celular no fundo do bolso do meu avental. Haviam algumas mensagens.

A primeira era de Mi-Cha:

* Onde você está? Precisamos conversar ainda... por favor vamos para a minha casa hoje. Eu posso cuidar de você lá.*

A outra era de TaeHyung:

* Yah, como você está? Fiquei sabendo que se machucou de novo. Seja mais cuidadosa, uh? Voltaremos em breve, enquanto isso, peça á Bang PD um descanso. Não se esforce demais.*

E tinha uma série de mensagens de YoonGi:

* Sam... o que aconteceu? Como caiu de novo? Você é uma desastrada e sem sorte.*

* Não precisa responder rápido assim, calma...*

*Yah, agora é sério, me responde. Deixe um pouco do orgulho de lado e me mande notícias, estou preocupado.*

*Fico me perguntando porque tenho que receber as notícias de Mi-Cha e não de você e porque sou o único a saber das coisas por último, o que é injusto já que eu e você...somos...próximos*

Próximos? 

Solto uma risada nasal.

No canto superior da tela o ícone do whatsapp aparecia sem parar, quando abri o aplicativo e me deparei com aquilo, eu sorri por um momento.

Haviam criado um grupo: " Quebrando regras 2016" 

 

Tae: Opa, as mensagens estão azuis, isso significa que a Sam está online. 

Jimin: Não diga *0*

Tae: Idiota

 

Solto uma risada.

 

Eu: Vão dormir Zzz

Hobi: Sabrina, ficamos preocupados, o que estava fazendo dentro do banheiro que caiu? 

Suga: Yáh

Tae: Yáh

Jin: Yáh 

 

Os três mandaram na mesma hora.

 

Hobi: Aish, vocês só pensam besteira -.-' 

Jin: Sam, quando você vai se tornar cuidadosa? Não se esforce demais. 

Eu: Okay oppa, mas eu não posso ficar sem tomar banho!

Jin: Realmente..tente usar chinelos, assim não escorrega kkk

Hobi: Adorando os conselhos sobre como não cair no chuveiro >.<

Monnie: Oppa? Está assim já? 

Mi-Cha: Jin oppa, estou com saudades   sinto falta da sopa de algas.

Monnie: Jin oppa? :o 

Mi-Cha: :p 

Jin: Quando voltar farei uma especial.

Monnie: Ela não me chama de oppa, mas chama os outros!

Tae: Aigoo, discutam relacionamento no privado.

Eu: Onde está o JungKook? 

Suga: Porque a preocupação? 

Eu: Aiish..

Kookie: Estou aqui tentando arrumar a bagunça do Jimin, NamJoon hyung, não me faça dividir o quarto com ele de novo, tem embalagem de comida até embaixo da cama.

Jimin: Por que está falando no grupo se estou do seu lado?

Kookie: Por que está me perguntando se estou falando no grupo pelo grupo se estou do seu lado? 

Eu: Não entendi nada..

Jin: Nem eu, parece trava língua.

Suga: Isso é terror psicológico. Vão dormir e parem de lotar meu celular de mensagem.

Eu: Estou saindo, vou trabalhar.

  

 

Volto a colocar o celular no bolso e descanso a testa no joelho.

A porta se abre e sofro em antecipação imaginando que seria Lee, mas é Hyuk-ssi.

- Sam... o que faz aqui? Não se sente bem? - a preocupação é clara em sua voz, ele também parecia confuso.

- Estou bem... - digo. Mas a verdade é que eu me sentia muito cansada e indisposta. Minha testa estava suando. 

- Venha comigo, está queimando em febre. - diz, depois de colocar a mão na minha testa.

 

 

(...) 

 

- Ela está com uma lesão no manguito rotador. - diz o doutor. 

- O que isso significa? É muito sério? - pergunta Hyuk-ssi.

- Eu vou lhe mostrar. - o Dr. diz, virando o monitor para que eu e Bang PD pudéssemos ver.  Eu conhecia a imagem, durante o ensino médio tivemos algumas aulas de anatomia e nossa agenda escolar tinha um atlas do corpo humano, tanto do esqueleto quanto do músculo. O que ele nos mostrava era do músculo. - O manguito rotador é composto por quatro tendões:   supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor. - ele aponta para as partes brancas do músculo, onde ele se insere no osso. - O problema aqui é que esses tendões são de completa importância para o movimento do ombro. Existe um espaço que deve ser respeitado entre os tendões, mas por conta do deslocamento do ombro dela na última vez esse espaço teve uma alteração e ficou muito próximo um do outro, mas era um caso simples até então...

- Era? Porque "era"? 

- Traumas, fraturas ou até um pequeno esforço exagerado podem piorar pequenas lesões como essa. 

Ele muda a tela para visão raio-x do meu corpo. 

- Observe aqui que os tendões estão muito próximo um do outro e isso gerou um atrito entre eles, isso se chama síndrome do impacto. Esse atrito associado à traumas, agressão física...

- Agressão física? Do que está falando? - Bang PD franze a testa, indignado.

Oh não. 

- Ah, me perdoe, me expressei mal. Estou apenas citando fatores que podem piorar a lesão. - sorri confortavelmente e desvia o olhar para mim.

Olho para o chão. Eu sinto que se deixasse ele me olhar, ele poderia descobrir tudo. - solto a respiração. Hyuk-ssi relaxa na cadeira.

- Tudo bem, continue.

- Samantha, onde e quando mais sente dor? - ele se levanta e vem até a maca onde estou sentada, seguido pelo Bang PD.

Engulo em seco. 

Não acredito que estou passando por isso por causa dele. Ele merece ir para o inferno. Até que ponto ele chegou... como eu ficarei agora? Eu vou guardar marcas dele pelo resto da vida, mesmo que eu não queira isso.

- Quando eu...levanto o braço para o alto. Na parte de trás do ombro... - coloco a mão no local. - Quando abaixo o braço também dói... as dores pioram de noite e quando está frio. O quão sério pode ser? - pergunto olhando para as mãos.

- Não se preocupe antecipadamente, temos que fazer alguns exames para que eu possa saber qual ou quais tendões estão lesionados. Mas vou te deixar preparada para o pior. A perda dos movimentos do braço não acontece em todas as lesões do manguito rotador, mas existe a possibilidade dependendo do grau da lesão. É importante que não se exponha a esforço nenhum com o ombro e braço lesionado e que tenha cuidado para não cair ou permitir que o local da lesão piore, está entendendo? É fundamental que esse braço fique livre de contusões. 

- Doutor, me fale mais. O senhor acha que isso é sério a ponto dela perder o movimento do braço? - pergunta apreensivo.

- Nos casos de lesão aguda é normal que sinta fraqueza no braço e não consiga pegar objetos, então não se assuste se isso acontecer.  Creio que no caso da Sam, como ela ainda consegue pegar as coisas e parece ter um pouco de força no braço, a lesão seja parcial. Então o tratamento não será cirúrgico, apenas cuide para que a lesão não se rompa por completo e tenhamos algo mais grave, tente mantê-la estável para que a recuperação seja mais rápida. 

- Ah sim, cuidaremos disso, doutor. 

- Eu vou receitar alguns anti-inflamatórios e assim que o resultado da ressonância sair amanhã, cuidaremos do tratamento. Se minhas suspeitas estiverem corretas com 3 à 6 meses de reabilitação e fisioterapia ela vai estar bem.

- 3 à 6 meses? 

- Sim. - o doutor assente. 

- Eu não.. Não tem algo que seja mais rápido? - sinto meus olhos encherem de lágrimas. 

Eu estava vendo meu sonho de estudar ir pelo ralo novamente, eu não tinha condições de pagar a faculdade e um tratamento que sei que será caríssimo, ao mesmo tempo. Quando as coisas vão parar de dar errado? 

 

(...)

 

- Gomabseubnida. - Faço uma reverência com a cabeça para Hyuk-ssi.

- Samantha, nem tudo está perdido. Anime-se, você vai se recuperar. - sorri calorosamente.

Tento sorrir o meu melhor sorriso de volta e assinto.

 

(...)

 

 

- Onde esteve durante a tarde? - Mi-Cha pergunta se jogando na cama ao meu lado.

- No hospital. - suspiro.

- Yah, você vai ficar boa. - diz, mas sei que ela está muito chateada. - Eu vou te ajudar.

- Como posso ficar bem? Eu não sei como vou conseguir trabalhar sem poder mover o braço, como vou poder sequer pagar o tratamento e a faculdade?

- Não era por causa disso que você estava estudando? Para ganhar uma bolsa? Você não vai precisar pagar, apenas não adie isso novamente, o seu futuro está bem aí. - fala calmamente, olhando para o teto.

- Ani. - emburro o rosto.

Odeio vê-la tão distante e chateada.

- Unnie...

- Hm?

- Foi a primeira vez que brigamos..

- Ye, eu sei. - diz desinteressada.

- Não foi legal? - chacoalho o braço dela.

Ela me olha, séria, tento manter o sorriso no rosto, mas eu estava mesmo assustada com sua expressão, mas logo o velho sorriso de Mi-Cha voltou a brilhar.

- Idiota. - ela bate na minha cabeça. - Você deveria se desculpar com ahjumma.

- Ye, eu sei. Farei isso amanhã.

Estava feliz por estarmos bem novamente, mas triste ao mesmo tempo. Mi-Cha não havia entendido o meu recado e agora, eu não tinha mais chances de contar a ela.

 

(...)

 

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar." - O Menestrel, William Shakespeare.

 

Esse é um dos texto que fez com que eu admirasse profundamente Shakespeare. Me trás um alívio saber que mesmo há anos atrás a falsidade, a fraqueza e o fracasso, os sonhos, apontar o dedo, o amor, os laços criados ao longo da vida e como nos confundimos sobre eles, como nos enganamos sobre tentas coisas e tantas pessoas, as derrotas e todos os conflitos que englobam esses sentimentos e outros diversos já existiam. O que me faz pensar que esse não é um problema da nossa geração apenas. Em 1500 e alguns bocados, as pessoas também passavam por isso. Pode até ser de forma diferente se levarmos em conta que Shakespeare viver séculos atrás, muitas coisas mudaram de lá para cá, mas mesmo de formas e maneiras distintas, esses sentimentos sempre existiram não sumiram com o passar do tempo.

Ele me faz refletir tanto...

"Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve."

Eu estou fazendo isso? Estou indo para qualquer caminho? Eu não sei para onde estou indo e estou cada vez mais perdida.

Ao mesmo tempo que me sinto mais forte lendo um texto como esse me sinto mais injusta também. No momento o que mais ronda a minha mente é a parte em que Shakespeare disse: "Você tem o direito de estar com raiva, mas não tem o direito de ser cruel com ninguém."

Sim, eu admiro com maestria William Shakespeare, mais do que isso, admiro a sua obra e eu, que de tanto ler O Menestrel saberia recitar de cor, fui de contra às palavras.

Fui injusta com ahjumma e com Mi-Cha. Considero Shakespeare um homem sábio, que escrevia com o coração e a consciência de uma só vez. Ele conseguia combinar duas coisas que normalmente, ninguém consegue. Mas ainda assim me pergunto se Shakespeare, mesmo tendo escrito tais palavras, já passou por uma situação onde estava com raiva e foi cruel com alguém que não merecia aquela ira, e se a resposta for não, será que ele sabia que existem limites aos quais as pessoas se forem submetidas a eles "explodem"? Shakespeare se sentiu sufocado por algo que não podia contar para ninguém?

Ainda que seja injusto descontar a frustração nos outros, creio que ele não pensou nas mais divergentes situações em que esse pensamento poderia se enquadrar, não. Nem sempre conseguimos nos controlar, impor limites a nós mesmos sabe por que? Porque a gente cansa de tentar, de se segurar, de guardar tudo, chega a um ponto que cansamos de nós mesmos e até se olhar no espelho é difícil, ao passo que descontamos nos outros a dor de nós mesmos porque se não fizermos isso, vamos descontar em nós mesmos e todos sabemos que isso nunca tem um final feliz. Mas acho que ele sabia disso, porque ele diz: " não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais."

Quando outra pessoa percebe que há algo errado com você ela tenta te ajudar, te estende a mão, por mais que você tenha sido injusto com ela, se ela for sua amiga de verdade ela estende a mão e vai te ajudar até você se recuperar. Acho que isso é uma das melhores coisas na amizade, um está sempre pronto para ajudar o outro e quando você não está bem, por mais que você não saiba como seu amigo descobriu sobre seu estado ele simplesmente sabe porque te conhece bem demais para que você possa disfarçar. E é um grande alívio quando você pode tirar o peso das suas costas e compartilhar pelo menos um pouco com outra pessoa, você se sente mais leve sabe?

"Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte."

O mundo talvez não, mas um amigo sim!

"E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! "

Eu quero acreditar nessas palavras... eu quero que isso seja verdade.

Mesmo não contando para Mi-Cha sobre o que estou passando, eu sinto que não são necessárias palavras para que compartilhemos o meu sofrimento e eu possa me sentir mais leve e ela também sabe. Meus olhos se enchem de lágrimas e meu coração se enche de gratidão quando ela confirma meu pensamento e me puxa para perto e me abraça dizendo as palavras que eu mais gostaria de ouvir naquele momento:

- Vamos dividir a sua dor, fica um pouquinho para mim e um pouquinho para você e assim ela vai passar mais rápido. Eu estou aqui com você e eu não vou embora.

 


Notas Finais


Yaaaah, está me matando escrever sem eles no capítulo mas no próximo eles já vão voltar, prometo!!! Vai dar tudo certo nas nossas vidas kkkkk
Não se esqueçam de comentar porque isso me deixa bem feliz e motivada. <3
Logo logo começarei uma fic com o SuHo (EXO) e o Mark (GOT7) ( não é YAOI, eu não tenho talento pra YAOI, eu só sirvo para ler kkkkkkk)
Bjus no kokoro <3


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