História Isabella - Capítulo 16


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Poesias, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Reencontro


 

"Eu estava correndo. Correndo com minhas próprias pernas. Via de regra, eu estaria feliz por fazer aquilo. Eu vestia um belo vestido rosa florido que ia até os tornozelos. O campo ao meu redor era calmo e tinha um ar alegre. As flores exalavam os melhores aromas que eu já sentira. O Sol aquecia a grama ao meu redor e meu corpo. O límpido céu azul parecia sorrir. Algumas árvores proporcionavam uma sombra reconfortante.

Mas eu não conseguia parar.

Algo me aterrorizava, algo que me fazia ignorar a beleza ao meu redor. Um medo me consumia por dentro, fazendo me correr com tudo. Os espinhos das flores rasgavam meu vestido e as folhas de grama rasgavam minhas pernas. As árvores prendiam meu cabelo e arranhavam meus braços. O Sol queimava a minha pele. O céu parecia se distanciar cada vez mais, deixando-me a sós com o medo.

Ao longe, vi uma pequena silhueta acenar para mim e corri até ela.

- Estela! Aqui, Estela! Estou aqui!

Ao chegar mais perto, vi que o Sol se punha por trás dela. Sua silhueta escura estava parada, diferente do que minha irmã faria. Cheguei até ela e abracei-a fortemente. E ela continuou parada. Soltei-a e me afastei, olhando para ela.

Sua cabeça pendia, os olhos fechados. O cabelo voava ao redor batendo em seu rosto. Seu tronco pequeno estava amarrado com uma forte corda. Ela ergueu a cabeça e falou:

- Você chegou tarde demais, Isa.

As cordas ganharam um tom vermelho-sangue e ela caiu de bruços no chão.

- Estela! - gritei, tentando me abaixar para pegá-la no colo.

- Bella. - dois braços me seguraram pela cintura, prendendo-me longe dela.

- Me largue! - gritei, contorcendo-me para escapar.

- Bella, acorde. - disse a pessoa atrás de mim. - Por favor."

Gritei alto antes de abrir os olhos e recuperar a consciência. Meu corpo todo tremia e meu coração batia forte. Gotas de suor marcavam minha face. Eu ofegava pesadamente, meus olhos se arregalaram. Senti os braços ao redor de mim, lembrando-me do pesadelo. Minha visão entrou em foco e distingui o rosto de Davi do teto branco. Minha audição voltou e escutei-o sussurrando meu nome. Retomando o controle do meu corpo, enlacei seu pescoço e enterrei o rosto coberto de lágrimas em seu peito. Comecei a soluçar por causa do pesadelo. Davi não fez nada além de acariciar meu cabelo e sussurrar palavras reconfortantes. Quando finalmente meu corpo se acalmou totalmente, sentei-me.

- Você está bem, Bella?

- S-sim, eu acho... - encolhi-me. - Foi outro pesadelo. Com Estela.

- Ela está bem, Bella. Está se recuperando na sala ao lado.

- O quê?!

- Eu a trouxe.

- C-como?!

Ele me contou toda a história do resgate de Estela. A cada coisa que ele falava, mais meu coração apertava.

- Eu preciso vê-la! Agora!

- Agora não dá. Os médicos não te autorizaram a sair.

A porta se abriu e uma figura soluçante entrou.

- Filha! Você está bem!

Minha mãe entrou e me abraçou, ainda com lágrimas nos olhos. Logo em seguida, senti que meu pai também me abraçava. Eles haviam me tirado do colo de Davi e me posto de volta na maca.

- Com licença... - começou Davi a falar. - Eu... Eu tenho outra boa notícia para vocês.

Assenti alegremente para eles.

- Ele resgatou Estela!

Eles ficaram surpresos e logo em seguida felizes.

- Onde ela está?!

- Na sala ao lado. Não sei se já terminaram.

- Terminaram...? - falou Papi, desconfiando de algo.

- Sim. - a expressão de Davi ficou séria repentinamente. - Paulo a tinha sequestrado. Eu a encontrei e trouxe até aqui. Ela estava muito ferida, os médicos ainda estão tratando-a.

- Meu Deus! - Mami olhou para Papi. - Eduardo, precisamos vê-la! Agora!

Naquele instante, Martin entrou no quarto e anunciou:

- Terminamos. A pequena está se recuperando. - olhando para mim, continuou: - Vejo que acordou. Se sente bem?

Assenti.

- Posso ver Estela? - perguntei.

- Venham os quatro.

- Ah... Eu preciso de uma cadeira de rodas...

- Ah... Bem, vou pegar... - falou Martin.

- Não precisa ser agora. - falou Davi, levantando e aproximando-se de mim. - Eu posso levá-la até lá.

Martin deu de ombros e nos levou até a sala. Davi me pegou no colo e me levou para a sala. As luzes estavam acesas e o corpo de minha irmãzinha estava ali.

- Estela...? - chamei.

Seus olhos se abriram devagar. Meus pais abraçaram-na forte. Davi me colocou sentada na beira da maca e pude abraçá-la também, com cuidado para não machucá-la. Com o canto do olho, notei que Davi tinha um sorriso um pouco triste no rosto e caminhou silenciosamente até a porta com o intuito de sair. Quando ia chamá-lo, Estela falou:

- Espera, Davi! Não saia! Você me salvou! Fique aqui também, por favor!

Ele parou de andar e virou para nós. Meus pais sorriram para ele e sinalizaram para que voltasse e entrasse no abraço coletivo. A tristeza se esvaiu de sua face e ele voltou, ficando entre eu e meu pai. Naquele momento, soube que era ali que eu queria ficar: Com minha família. Estela interrompeu:

- Ei! Vocês estão me esmagando!

Rindo, afastamo-nos. Notei que Estela estava sorrindo para nós. Davi mantinha uma mão em minha omoplata e um sorriso nos lábios. Sem aviso, Ruy entrou no quarto.

- Aí estão vocês. Isabella, certo? - referiu-se a mim. Assenti. - Você deve voltar ao seu quarto e permanecer em repouso. Talvez amanhã você já tenha alta. Já Estela... - indicou minha irmã. - ela deve permanecer mais uma semana aqui.

- Uma semana?!

- Sim. Os ferimentos foram extremamente graves e ela precisará de um tempo a mais para se recuperar.

Chocada, assenti. Meus pais abraçaram Estela, que começara a chorar sob a perspectiva de ficar uma semana ali. Talvez aquilo a assustasse por minha culpa. Eu tinha um trauma psicológico enorme de hospitais e agulhas. Provavelmente por ter ficado uma semana internada quando eu tinha dois anos. Mas eu sempre perco o controle do corpo todas as vezes que vejo uma injeção ou agulha para exame de sangue ou soro, principalmente quando vem para mim. Até na brincadeira. Uma vez, há pouco mais de três anos, uma época em que ainda tinha pernas ativas, uma amiga esteve internada. Eu fui com meu pai e outra amiga vê-la. Chegamos na hora em que uma enfermeira havia entrado. Meu pai brincou:

- Ah, já trouxe a injeção desta aqui? - apontou para mim.

- NÃO! - gritei, dando um pulo para longe e sentindo lágrimas brotando em meus olhos.

- Calma! - gritou a internada.

Mas já era tarde. Eu tinha começado a chorar muito. E fiquei chorando até a enfermeira sair. Pode parecer demais, mas eu conheço meu corpo o bastante para saber que isso aconteceria de novo.

Acho que
Estela viu escândalos demais vindos de mim para gostar dessa possibilidade.

Sentindo um pouco de culpa pelas lágrimas dela, abracei-a também, fazendo um pedido de desculpas baixinho. Davi timidamente se juntou ao abraço. Quando finalmente nos soltamos, Ruy me mandou de volta para o quarto. Como tinha esquecido da cadeira, Davi me levou de volta no colo. Abracei-o, enterrando o rosto em seu peito. Ele apenas me segurou de volta.

Davi me pôs na maca e cuidadosamente me cobriu com o lençol. Ruy deu a ele a opção de passar a noite ali comigo, coisa que ele prontamente aceitou. O médico saiu e nos deixou a sós. Davi apagou a luz e fui invadida pelo sono. Deitei-me de lado, virada para ele. Sorrindo, ele tomou minha mão dentre as suas e sentou na poltrona. Beijou-a e disse:

- Boa noite, Bella.

- Boa noite, Davi.

Fechei os olhos e um turbilhão de pensamentos invadiu minha mente, roubando meu sono. Apesar de várias tentativas frustradas de dormir, o sono não voltava.

- Davi? - chamei baixinho, temendo acordá-lo. - Você está acordado?

Ele abriu um olho castanho para mim.

- Sim. - ele pausou a fala. - Não consegue dormir?

Balancei a cabeça em negativa.

Davi levantou-se da poltrona onde se encontrava e chegou perto da maca, ajoelhando-se para ficar da minha altura. Ele aproximou seu rosto do meu e beijou-me os lábios suavemente.

- Davi - chamei. -, canta para mim? - falei, um pouco sonolenta.

Vi seu sorriso no escuro.

- Sim.

Baixinho, sua voz invadiu meus ouvidos à medida que ele cantava "Irresistible, One Direction". Meus olhos se fecharam e concentrei minhas energias restantes no som melodioso de sua voz enquanto ele cantava. Aos poucos, mergulhei no mundo dos sonhos. Adormeci feliz pela primeira vez em muito tempo.



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