História Isso não é uma história, é um relato - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ajuda
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Palavras 1.000
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capitulo Único


E um dia ela estava lá, acordei com isso na mente, não sei exatamente o que era... Mas estava lá, ela não apareceu de repente, num susto ou algo assim... Foi aos poucos, ela foi dando um oi, um aparecimento, um sorriso mal encarado... Até finalmente estar ali, e eu perceber. Mas não tão bem.

  Do que estou falando? Uma voz, como outra qualquer, como o meu pensamento... Inicialmente eram duas, um garoto e uma garota... O garoto me dizia o que eu devia fazer, me ajudava e evitava com que eu fizesse besteiras. A garota simplesmente era eu, quase por completo, pensamentos repentinos e do dia-a-dia... Como qualquer outra pessoa teria.

  Mas aí essa terceira surgiu, ela era igual a da garota, era minha própria voz, mas algo me dizia que aquela não era eu, mesmo que eu me convencesse do contrário. Ela começou com opiniões, revoltas, raiva, ódio, tristeza contra todos. Depois se voltou para mim... aí foi que começou, “você é feia” “você é burra” “não é capaz nem de sair dessa cama, acha que vale de algo?” “Seu corpo não está ajudando, olhe esse peso a mais” “Você devia parar de comer, só vai piorar sua situação”.

  Esse foi o inicio... Eu chorava todos os dias, me trancava no banheiro para chorar mais, não queria sair, do quarto, da cama, da casa, não queria, queria ficar em casa, me xingando no espelho, não conseguindo estudar sem uma voz me falando que eu não era capaz.

  Então piorou, da mente veio para o corpo, comecei a adoecer, era febre, dor de cabeça, cólica, mais dor de cabeça, ânsias, e tudo mais... “Ah, deve ser por causa da menstruação” eu dizia a mim mesma e a todos que me perguntavam, afinal, uma garota tão forte, raramente ficava doente, agora estava aí morrendo, incapaz de ir até para escola.

  Não queria ver ninguém, não queria socializar, nem falar com ninguém... Mas meu corpo e mente sim, eu olhava para minha mãe pedindo socorro esperando que ela me visse desesperada, eu escrevia contos e histórias trágicas colocando metáforas de minha própria vida pois era o único jeito de colocar os sentimentos para fora.

  Sentia que ia dar tudo errado, que já estava tudo indo errado, a garota exemplar na escola agora estava pegando recuperação em 10 matérias, “Onde está seu cérebro garota? Perdeu por aí?” a voz não cansava de repetir.

  Até aí ainda estava bem... Eu ainda respondia que estava bem para meus amigos, não queria ajuda, não queria pedir ajuda. Um dia eu estava na escola, plena sexta feira... Uma tristeza começou a invadir meu corpo de uma forma que nem eu sei explicar. E eu desabei em choro, meus amigos perguntavam o que tinha acontecido e eu nem conseguia falar... Meu coração doía, tudo doía.

  Foi naquela hora em que eu decidi procurar ajuda, que eu decidi que precisava mesmo não querendo, corri para a recepção a procura do psicólogo da escola... Ele não estava... Tudo estava dando errado... A moça me levou para a coordenadora que conversou comigo e me ouviu, confesso que me ajudou... Mas eu saí de lá sorrindo falsamente, falando estar muito melhor... Eu só queria chegar em casa e abraçar minha mãe, falar que ta tudo errado e que não agüentava mais... “Mas de que adianta querer abraço? Está sozinha, ela viajou, está longe de você. Você não vai querer estragar a viajem dela com frescura sua!”

  Voltei para casa, cansada, sem vontade de viver, querendo alguém para me confortar... Quando de repente surge uma pergunta em minha mente “Vão sentir minha falta?” Pois é, minha mente pensava que viver não ia adiantar, ninguém ia sentir minha falta, se o mundo acabasse naquela hora eu não ia me importar... Nem mesmo se o mundo acabasse só para mim. Pensei em acabar tudo ali, acabar com minhas doenças, com minhas tristezas e sofrimentos.

  Mas eu fiz algo de bom, perguntei para meu namorado se ele iria sentir minha falta se eu fosse embora... Ele me encheu de lição de moral e disse que eu não podia passar nem mais 5 segundos pensando naquilo. Eu só fazia chorar, naquele dia eu fui dormir cedo, chorando, pensando “e se...”

   Passou um tempo, eu continuava do mesmo jeito, minha mãe chegou e me entupiu de remédio, nada me fazia melhorar, se não fosse para acabar naquele momento era porque meu corpo e minha mente estavam me matando aos poucos.

  Então aconteceu uma coisa inicialmente péssima, que se transformou em uma esperança. Recebi o laudo da escola, dizendo como eu era em sala de aula, nunca tive um pior, lá falava que eu era dispersa, conversava sempre, tinha dificuldade nas matérias e tudo mais que nunca tinha vindo para mim na vida... Aquilo parecia o fim do mundo, toda a bagunça da minha mente tinha se espalhado pela minha vida e o motivo para continuar respirando... Eu perdi no meio da bagunça.

  Mas foi graças a esse laudo que minha mãe parou pra conversar comigo, ela começou a falar que não estava mais me reconhecendo e muito mais, eu só escutava. Até ela falar por um acaso que existe relatos de pessoas suicidas que diziam ter uma voz mandando elas se matarem... Foi nessa hora que eu desabei, lembrei de tudo, e perguntei se era igual à voz que estava na minha cabeça... E ela enxergou, me ajudou a tentar tirar ela de lá... No outro dia eu já estava melhor, já tinha voltado a comer, a sorrir verdadeiramente, a abraçar todo mundo e minha vontade de viver voltava aos poucos... Foi ali que eu me senti vazia, mas um vazio bom, pois o que faltava ali era algo ruim, e só o que sobrou era bom.

  Então para você que constantemente se sente triste, magoado, de alguma forma diferente do feliz que deveria ser... Converse com alguém de confiança. Pois guardar para si não vai adiantar de nada, pode acabar bem pior do que você imagina. 



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