História It's Just A Dream? (2nd Ver) - Capítulo 4


Escrita por: ~ e ~LuanaJapo

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Nãoseiquetagsusar, Taekook, Vkook
Exibições 40
Palavras 5.145
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ANNYEONGHASEYO

por algum milagre do universo eu consegui terminar o capitulo mesmo com as provas, a prova de segmento, os seminarios e afins....
FOI DIFICIL

eu diria q este foi o capitulo mais cansativo de fazer ateh agr e pqp, tava quase desistindo da ideia de fazer isso do ponto de vista do taehyung... puq nn sei se vxs perceberam o jeongguk eh muito minimalista para algumas coisas, diria q mais para objetos do q para pessoas, ele nn se importa muito com os gestos das pessoas em muitos momentos, principalmente qnd tah nervoso e tals
ja o taehyung eh o contrario ele eh muito minimalista para oq as pessoas demonstram, seja sorriso, tristeza, sei lah... e ele pensa muito antes de agir, hesita demais... ao contrario do gukie q eh impulsivo ;-;
eu axo q foi cansativo para eu escrever por conta disso... sei lah... MAS ENFIM isso nn importa muito.... era mais um desabafo

BOM, neste cap vai aparecer um flashback, onde esta escrito [lembranças alteradas] nn significa q algm mudou as lembranças do tae ok? ele nn foi telesequestrado nem nada ! eu quis dizer q ele o passado se misturou com o presente, tendeuu?
se nn entendeu me pergunta ok?

o cap pode ficar meio repetitivo em algumas partes, mas axo q compensa em outras

NO MAIS ERA SOH ISSO MESMO
bjx bjx e ateh as notas finais ^-

BOA LEITURA o.o

Capítulo 4 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction It's Just A Dream? (2nd Ver) - Capítulo 4 - Capítulo 3

[Seul, Coréia do Sul. Março de 2016].

[No mesmo dia]

Taehyung P.O.V

 

Abro meus olhos com a claridade que adentra o quarto. Toda aquela luz faz com que meus olhos ardam e volto a abraça-lo, desta vez escondendo meu rosto na curvatura de seu pescoço. O cheiro de Jeonggukie é bom...

Pera, para tudo, o que Jeon Jeongguk está fazendo na minha cama? E como se fosse mágica, imagens da madrugada passada retornam quase que imediatamente a minha mente e me recordo do por que do pirralho teimoso estar ali, porque eu pedi.

Apoio meu cotovelo no travesseiro e passo a observar Jeonggukie com mais intensidade do que gostaria. Seu peito subia e descia num ritmo calmo – e estranhamente familiar a mim -, seus lábios entreabertos deixavam seus dentinhos proeminentes à mostra, o que deixava aquele ser com um ar ainda mais infantil, sua respiração era um ressonar baixo que reverberava pelo quarto devido ao silêncio. Sem toda aquela teimosia e petulância em seu semblante, Jeongguk ficava ainda mais bonito... Aish, o que eu estou pensando? Vê-lo dessa forma é errado certo? Afinal ele é um homem, mas ainda sim... Ainda sim sinto... Bagunço levemente meus fios a fim de afastar tantos questionamentos e solto um suspiro alto.

Impulsiono meu tronco para frente, sentando na cama, e inclino meu corpo para o lado a fim de pegar meu celular sobre o criado-mudo. São 08h45, a aula começa às 09h30, porém a de Jeongguk começa às 09h15. Nem me pergunte como eu sei disso, é sério, não pergunte.

Decido, por fim, acordar o mais novo antes que ele me culpe por não fazê-lo. Mais uma vez volto a observar aquela criatura e uma vontade de me jogar sobre si e apertar aquelas bochechas me invade, e estou a ponto de fazê-lo quando me repreendo mentalmente. Primeiro, ele ia achar estranho. Segundo, eu acho isso estranho. Terceiro, não temos intimidade. Por fim, resolvo apenas chamá-lo mesmo e rezar para não partir para a agressão.

— Gukie... – minha voz mais rouca que o normal o chama, mas ele apenas coloca um braço sobre os olhos e vira de costas para mim. Fofo. Deixaria o moreno naquela posição, mas temos que ir para a aula, então... – Jeonggukie... – o empurro suavemente com a palma da mão e seu corpo chacoalha um pouco, porém ele não se mexe mais. Ah, dongs, faz isso comigo não, você precisa ir pra aula, eu preciso ir pra aula. Vendo que Jeongguk não acordaria do modo fácil, o faço do modo difícil, ou seja, parto pra ignorância mesmo. – Aish pirralho, acorda! – falo um pouco mais alto e o empurro com mais força do que gostaria, quase o fazendo cair da cama.

Acontece tudo muito rápido. Numa hora ele tava roncando tranquilamente e noutra ele estava sobre mim, suas mãos torcendo o tecido da camisa que eu vestia e seu semblante claramente irritadiço. Seguro a vontade de rir diante daquela situação toda, porém ela se esvai assim que vejo Jeongguk cerrar o punho e aproximá-lo vagarosamente de mim. Nem penso direito no que estou fazendo e quando dou por mim já estou rezando para minha fiel escudeira, vulgo Nossa Senhora da Bicicletinha roxa purpurinada, aquela que sempre me protegeu.

— Por favor, não me mate! – eu acabo soltando mais alto e esganiçado do que gostaria.

— Aish Taehyung, eu não vou te matar! – ele revira os olhos e acabo ficando aliviado. E aí que vejo uma bela oportunidade de provocá-lo um tantinho. Não me julgue, eu quase morri de ataque cardíaco quando esse porco musculoso pulou em mim!

— Vai beijar então? – falo em um tom baixo. É nessas horas que eu agradeço por ter a voz naturalmente grossa. – Porque essa posição que você está é ótima para... – sou interrompido antes que conclua a minha provocação, o que é uma pena porque estava ficando divertido.

— Cala a boca Kim! – vejo suas bochechas corarem e seus lábios se apertarem um contra o outro, como se ele estivesse se segurando para não me xingar – Eu só vou te dar um aviso! – ele cutuca meu peito com o indicador – Nunca, em hipótese alguma me acorde desta forma ok?

— Sim, senhor! – digo que nem um soldado e em seguida bato continência, só para irritá-lo um pouquinho mais – Mais alguma coisa senhor?

— Faça o café da manhã e não ouse tocar nos meus toddynhos! – seu corpo sai de cima de mim e finalmente posso respirar direito. Ele sai do quarto e vai até o banheiro, e eu o sigo já que eu também preciso usá-lo. – Você não ouviu direito ou o que? – porra, eu sei que eu sou irritante, mas também não precisa ser tão grosso, né?

— Calma ô Senhor Simpatia! – digo um tanto amargo – Eu só quero me arrumar antes... – murmuro baixo antes de entrar mais para o fundo do banheiro.

— Ah! – ele diz antes de começar a escovar os dentes.

Enquanto ele está ocupado com aqueles dentes de coelho dele, decido começar a tirar a roupa só para agilizar o processo, assim quando ele terminasse sua higiene eu poderia começar a minha enquanto ele troca de roupa, simples e prático. Retiro minha camiseta que uso como pijama e a jogo no cesto de roupa suja, começo a retirar a calça e quando o cós da mesma se encontra no meio das minhas coxas, ouço o Jeon engasgar. Visto novamente a calça e o encaro sem entender nada.

— Que merda tu pensa que tá fazendo Kim?! – ele fala afobado ainda com a espuma na boca, o que faz com sua voz saia engraçada e tenho que me segurar para não rir.

— Tirando a roupa? – falo como se fosse óbvio, aliás, é bem óbvio. Ele cospe a espuma e enxagua a boca antes de falar.

— Disso eu sei, mas precisa ser na minha frente? – ele se vira de frente para mim.

— Qual seu problema com a minha pessoa desprovida de roupas? – arqueio uma sobrancelha. Mas é sério, qual o problema dele? Nós temos a mesma coisa entre as pernas caralho!

— Primeiro, eu fui traumatizado pelo Nam e o Jin. – ele faz uma pequena pausa e crispa os lábios – Segundo, eu mal te conheço.

— Nós dormimos juntos ontem. – tá aí uma verdade, e ainda dormimos abraçados e foi bom, e é melhor eu parar por aqui que nem eu to me entendendo mais.

— Você fala como se tivesse rolado algo. – noto seu nervosismo e decido provocá-lo mais um pouco.

— Se dependesse de mim... – eu sorrio de canto a fim de deixar a frase com um ar mais sugestivo.

— Ah, meu G-Dragon! – ele olha para cima antes de me olhar com fogo no olho – Vai se foder Tae!

— Se for com você... – eu acabo mordendo o lábio sem querer e minha mente cogita a possibilidade de realmente foder Jeongguk, e puta merda... Porque eu tinha que pensar nisso?! Quantas vezes eu tenho que repetir a mim mesmo que isso é errado?

— Eu não sou gay Kim. – a voz firme dele me tira de meus devaneios e acabo rindo sem querer diante daquela mentira. Tá mais que na cara que essa criatura não curte o sexo oposto.

— Você pode ser tudo Gukie – falo entre risos – menos hetero. – ai, minha barriga tá doendo.

— Se eu não sou, você também não é! – ele fala com um sorriso convencido na cara e eu imediatamente paro de rir – Estou certo? – ele cruza os braços e arqueia a sobrancelha, esperando pela minha resposta.

Meu coração acelera algumas batidas e sinto minhas mãos começarem a suar.

Você não é hetero Taehyung? Eu namorei com uma menina durante dois anos seguidos, é claro que eu sou hetero certo?

Você não é hetero Taehyung? Dois anos, porém eu nunca fui realmente feliz com ela, isso quer dizer que eu ainda não encontrei a garota certa, né?

Você não é hetero Taehyung? Eu nunca amei ninguém, não como ele, mas eu tenho que ser hetero certo?

Você não é hetero Taehyung?

A voz tão grossa quanto a minha começa a repercutir na minha cabeça, como naquele dia.

Você é gay? A porra de um viadinho? Uma bicha? Viu o que você fez? Você sujou meu nome! Você sujou as minhas mãos pela aberração que você é! Você sujou esse chão com o líquido impuro desse filho da puta! Responda-me seu bastardo! Você não é hetero Taehyung?

Não, não, não... Eu tenho tudo para dizer não ao mais novo, que ele não está certo, que sou hetero sim, que não posso ser outra coisa além de hetero. Mas algo em mim me impede de fazê-lo e sem ser realmente minha intenção acabo soltando um “Talvez”.

Saio o mais rápido que posso de dentro do banheiro e corro até meu quarto, batendo a porta com mais força do que gostaria assim que atravesso o batente. Minhas costas escorregam pela madeira fria da porta e sinto que vou desabar. Meu peito dói, minha garganta forma um nó que sei que não posso desatar. Uma única lágrima rola pelo meu rosto. Abraço meu corpo como se desse modo eu conseguisse afastar a dor que era me lembrar daquilo.

Não importa quantas vezes eu fosse ao psicólogo ou desabafasse com Namjoon, parecia que nunca era o suficiente, nunca iria acabar. Às vezes gostaria que isso fosse apenas um sonho, do qual eu acordaria e veria ele novamente do meu lado.

Balanço a cabeça em negação àqueles pensamentos e me levanto do chão gelado. Ando até o criado mudo e retiro da primeira gaveta uma aspirina, que tomo no seco mesmo. Troco minha calça moletom por uma jeans um tanto justa, porém não acho nenhuma camiseta que esteja limpa. Aish, eu tenho que me organizar mais. Vou ter que pedir uma emprestada pro Jeongguk. Merda. Só espero que ele não me pergunte sobre o que aconteceu no banheiro.

Abro a porta a fim de ir ao seu quarto e peço mentalmente para que o dia não seja tão ruim hoje.

~*~

Ele me abraça fraco, meu coração acelera com o contato inesperado – porém bom -, mal tenho tempo de reagir quando ele quebra o contato, o vejo se afastar de mim rapidamente, indo em direção ao prédio reservado às aulas. Ainda estou um tanto atordoado com o gesto quando o moreno se vira novamente para mim.

— Até mais hyung! – ele diz um pouco alto e sai correndo, noto que algumas pessoas nos encaram com uma expressão estranha, porém não ligo. Quando vejo que o mais novo já adentrou totalmente no prédio, ouso sorrir discretamente.

— Até... Biscoito. – rio baixo e passo a andar lentamente para minha sala de aula, que fica no segundo andar. Ainda estou andando, um pouco – muito – distraído, quando sinto alguém esbarrar no meu ombro.

— Oh, desculpe-me! – uma menina baixinha, aparentemente da mesma idade que eu, faz uma pequena reverência como forma de se desculpar – Eu estava distraída e...

— Não tem problema. – sorrio calorosamente – Eu também estava distraído, então diria que a culpa é dos dois. – nós dois rimos e me inclino para ver os livros que a mesma segurava – Você cursa Letras também?

— Ah? – ela me olha confusa e nota que eu vi seus livros, ela cora um pouco – Sim... Estou indo para a sala agora.

— Te acompanho então. – passamos a andar lado a lado até que cheguemos à sala, que não estava longe.

~*~

A menina não parara de tagarelar em momento algum e eu como ótimo ator que sou apenas ria e concordava com quase tudo que a mesma dizia. Pelo o que notei eu tinha todas as aulas desse dia com ela, o que era um saco.

Jiwon era uma menina completamente alegre e extrovertida, diria que isso poderia ser visto até em seus cabelos, que tinham fios num tom de rosa muito chamativo, no entanto, toda essa personalidade animada não era tão ideal assim paras as aulas que exigiam atenção e às vezes concentração.

A pequena garota insistiu em sentar perto de mim em todas as aulas e como sou educado, optei por aceitar sua companhia. O foda era que nesse instante eu precisava realmente me concentrar no que nosso professor de História da Arte estava dizendo, já que não tenho um conhecimento tão grande assim sobre linguagem não verbal, e Jiwon não calava a boca. Eu apenas ria um pouco e tentava ignorar ao máximo sua voz fininha.

Estava quase mandando a de cabelos rosa ir para a puta que pariu quando noto que o professor para de falar e foca sua atenção em algo, ou melhor, alguém. Não demora nem mais um segundo para que a voz melodiosa de meu dongsaeng invada meus ouvidos.

— Com licença, professor. – o mais velho de nós assente e Jeongguk continua a falar – Eu posso sair? Não estou me sentindo muito bem.

— O que está sentindo? – nosso professor franze o cenho e ajeita seus óculos de armação dourada.

— Dor de cabeça, acho que por conta do barulho. – Jeonggukie faz uma careta de dor e começo a ficar preocupado com sua saúde.

— Certo, está liberado pelo resto do dia então. Caso tenha alguma dúvida sobre o conteúdo, não hesite em me procurar ou em perguntar a algum colega. – o Sr. Park concluí.

— Ok! Obrigado senhor Park. – Jeongguk se levanta e pega sua bolsa, fazendo uma reverência à Bogum em seguida.

Estranhamente, Jeongguk parecia de certa forma, animado em ser liberado da aula e aquilo começa a matutar em minha mente. Vejo o mais novo deixar a sala e antes que saia realmente, ele me lança um olhar um tanto quanto, triste? O encaro sem entender muito bem o que acabou de acontecer e o moreno sai completamente do meu campo de visão. Suspiro alto.

O que deu no Jeongguk? Ele se alimentou bem hoje, dormiu bastante, então porque está com dor? Será que as aulas dele foram tão puxadas assim? Recordo que ele dissera que estava com dor por conta do barulho, no entanto a sala estava até quieta... A não ser pela Jiwon.

Será que ele estava com ciúmes? Isso não faz sentido. Ele teria que gostar de mim para sentir ciúmes e isso está fora de cogitação, o garoto quase me matou hoje! Apesar de que ele foi bem gentil depois que Jin hyung chegou... Aish, daqui a pouco vai sair fumaça pelas minhas orelhas de tanto pensar nesse pirralho! Porque você é tão bipolar Jeon Jeongguk?

Massageio minhas têmporas algumas vezes e fecho os olhos por alguns instantes. Sinto alguém me cutucar as costelas e olho para o lado. Quase deixo um suspiro alto escapar pelos meus lábios quando vejo que era apenas a Jiwon falando mais alguma coisa. Ignoro a menina e tento prestar atenção à aula quando ela me cutuca de novo.

— Hum? – resmungo baixo não tirando nem olhos nem atenção do Sr. Park.

— Quer sair comigo depois da aula? – nem ouvi direito o que ela disse, mas mesmo assim concordo – Perfeito! – ela bate palmas, animada e eu a lho sem entender – Que tal irmos naquela sorveteria aqui perto?

— Oi? – arqueio a sobrancelha e finalmente dou a devida atenção a Jiwon – Sorveteria?

— Sim... – ela adquire uma expressão triste e pende a cabeça para o lado – Você nem tava ouvindo né?

— É... – coço a nuca e decido aceitar o convite mesmo não querendo – Eu me distrai, mas eu saio com você sim! – sorrio forçado e ela volta a ficar animada.

— Bom, então nós saímos da aula e já vamos para lá? – ela sussurra no meu ouvido e eu sinto vontade de afastá-la.

— Pode ser... Eu tenho que chegar as sete em casa. – murmuro, logo voltando a prestar atenção na aula.

~*~

— Bom pessoal, se tiverem alguma dúvida é só me procurarem na minha hora atividade! – o professor diz por fim já arrumando suas coisas, antes de sair da sala se vira para a turma e diz – Tenham uma boa noite!

Começo a arrumar meu material e me levanto da carteira, apanho minha bolsa e espero que Jiwon arrume sua bolsa também. Deixamos a sala parcialmente vazia e nos dirigimos para fora do prédio. Caminhamos por alguns poucos minutos e finalmente chegamos a tal sorveteria.

Antes de entrarmos confiro a hora em meu celular e vejo que ainda são 18h47. Saco. Queria voltar pra minha “casa” logo. Encaro a menina sorridente à minha frente e faço o máximo para retribuir o sorriso também.

Entramos no estabelecimento e não demoramos muito para fazer nossos pedidos. Ela escolheu pistache e eu chocomenta. Eu odeio pistache. Escolhemos uma mesa próxima à janela do local, logo nos encontramos sentados e tomando o sorvete.

Mesmo com a boca ocupada, a menina faz questão de continuar a tagarelar e meu deus, que vontade de dar uma voadora na cara bonitinha dela. Eu preciso de silêncio. S-I-L-Ê-N-C-I-O. É pedir muito senhor?

Confiro a hora novamente em meu celular. 19h13. Como a hora passou tão rápido?

— Preocupado com alguma coisa oppa? – sim, eu sou mais velho que ela.

— Ah... É só que, acho que vou chegar atrasado... – resmungo.

— Sua namorada não gosta que se atrase? – ela pergunta, é quase palpável a acidez em suas palavras.

— Eu não tenho namorada. – franzo o cenho – Marquei com meu amigo de chegar às sete. – não sei por que, mas é estranho me referir a Jeongguk como um amigo... Tá mais pra: o ser que tentou me matar três vezes apenas em um dia e meio.

— Ah, sim. – ela sorri fraco e eu foco minha atenção em um ponto qualquer. Que tédio. – Vamos pagar a conta? – o universo ouviu as minhas preces!

— Vamos! – digo mais animado do que seria adequado, mas foda-se o que é adequado, eu só quero minha casa.

Não enrolamos muito para pagar pelo nosso pedido, o qual cada um pagou pelo o que comeu e poucos minutos depois já nos encontramos próximos ao campus. Durante o trajeto por razão de alguma entidade divina, creio eu, Jiwon permaneceu calada e eu pude ter finalmente alguns minutos de paz no dia. Ao chegarmos a área reservada aos “dormitórios” Jiwon abre a boca mais uma vez, porém brevemente.

— Em qual prédio você mora?

— 7º prédio e você? – ela arregala um pouco os olhos e abre um sorriso em seguida.

— No mesmo! Qual andar? – ela me olha com expectativa.

— Oitavo.

— Ah, que pena. – seu sorriso murcha um pouco – Eu moro no quinto.

— Hum. – realmente, não sei como reagir.

— Posso te acompanhar até seu andar? – pondero um pouco sobre, mas logo meneio com a cabeça que sim, afinal que mal faria não é mesmo?

Andamos lentamente até o sétimo prédio do campus e não tardamos em adentrar o mesmo, seguindo diretamente para o elevador. Jiwon aperta o botão com um número oito gravado e as portas de metal se fecham. O elevador dá um pequeno solavanco quando começa a subir e a menina dá um pulinho, assustada, chegando mais perto de mim. Ela crava suas unhas longas em meu braço e aquele toque repentino me incomoda. Sinto sua respiração cada vez mais próxima a meu rosto. Que merda ela tá fazendo? Viro meu rosto em direção a ela e percebo o quanto suas bochechas estão coradas.

— Jiwon, o que você tá... – sou interrompido pelos seus lábios.

A garota pressiona sua boca contra minha e adentra sua língua por entres meus lábios entreabertos, já que antes estava falando, seu músculo explorando cada canto de minha boca, porém sem recíproca. Ela empurra meu corpo contra a parede de metal do elevador e o impacto faz com que eu solte um pequeno gemido de dor, que é mal interpretado por Jiwon já que esta começara a deslizar suas mãos pelos meus braços nus.

Sinto algo vibrar em meu bolso e não demora para que o som de Dear No One se faça presente no cubículo de metal. Fecho meus olhos com força e tento ao máximo cortar aquele beijo, mas apenas consigo fazer com que ela recolha a língua. Suas mãos passeavam por todo meu corpo e eu permanecia imóvel, sem saber o que fazer, sem ter coragem de afastá-la e ser chamado de viadinho. Porém, bastou que eu ouvisse a voz dele para que eu tomasse alguma atitude.

— H-hyung? – ouço Jeongguk gaguejar e empurro Jiwon com força suficiente para que rompa aquele contato não desejado.

Dou alguns passos para frente e Jeongguk alguns para trás. Por fim acabo saindo do elevador, deixando Jiwon sem mais nenhuma explicação, e levando Jeongguk para nosso apartamento. Não sei por que, mas sinto uma coisa estranha em meu peito, como se eu tivesse feito alguma coisa errada, como se eu tivesse errado com ele. Mas o que há de errado em ser beijado por uma garota? Tirando o fato de que ela me beijou a força... Bom, não há nada de errado.

Ao abrir a porta, puxo o Jeon para dentro, logo fechando a porta atrás de si com um baque um tanto alto. Noto que minha mão permanece em seu braço e acabo deslizando-a pelo mesmo até que chegue a seu pulso. Eu poderia tirar minha mão de seu corpo, mas não quero. Meus olhos vão de seu braço a seu tórax, pescoço e rosto, este ultimo não podendo analisar direito já que Jeongguk estava com a cabeça abaixada. Estou prestes a chamá-lo quando o mesmo levanta o olhar, aparentemente me analisando, aproveito para fazer o mesmo, meu olhar percorrendo por cada pequeno traço daquele rosto infantil, parando por alguns instantes sobre uma cicatriz quase que imperceptível na sua bochecha esquerda, e no final fixando-se naquelas orbes de um negrume intenso. Sinto uma estranha familiaridade se apossar de mim.

— Guk... – decido por fim falar alguma coisa e Jeongguk desvia seu olhar para o chão – Aquela menina, Jiwon, ela me agarrou. – falo pausadamente.

― Você não precisa se justificar para mim Taehyung... – ele diz com um tom entediado, porém consigo notar a acidez presente em suas palavras – Não é como se eu fosse algo seu. – ele fala baixo, mas devido à proximidade acabo escutando.

― Eu sei que nós nos conhecemos ontem, mas eu sinto como se te conhecesse há séculos, sabe? – nem eu sei direito o que estou dizendo, mas é exatamente assim como me sinto, sinto como se conhecesse Jeongguk mais do que ninguém, isso é estranho - Provavelmente eu só sou um estranho para você, mas eu já te considero um... – o que iria dizer? Que o considero um amigo? Um colega de quarto legal? Que tenho quase certeza de que já nos conhecemos de algum lugar? Por fim, opto por não dizer nada – Enfim... Me desculpa?

— Não tem pelo o que se desculpar Kim, eu que devo me desculpar por ter atrapalhado vocês dois. – ele diz com certa frieza e acabo me irritando, solto seu pulso.

— Gukie, você não atrapalhou nada! – acabo elevando meu tom mais do que gostaria e Jeongguk recua um passo para longe de mim – Eu nem gosto... – começo a dizer, mas logo e interrompo - Esquece ok? – o olho cansado.

— Ok... – ele sorri fraco e muda totalmente de assunto – Você tá com fome?

—Pra falar a verdade, não... – decido entrar na onda dele e tentar esquecer o que acabou de acontecer – E você? – ele meneia a cabeça em negativa e decido propor a primeira coisa que me ocorre – Quer sei lá... Ver algum filme?

— Pode ser... – ele dá de ombros – Você tem extensão?

— Não, por quê? – franzo o cenho. O que esse ser quer com uma extensão?

— Aish... – ele massageia as têmporas e eu continuo sem entender nada – Vamos ter que ver no meu quarto então. – ele resmunga baixo.

— E isso é ruim? – levanto sutilmente um dos cantos de minha boca.

— Não, é que... – ele olha para mim, porém logo volta a encarar o chão – Nada. – ele solta um suspiro – Vamos? – mal tenho tempo de responder antes que ele comece a andar em direção ao seu quarto, eu o sigo. Vejo ele pegar o notebook que estava sobre a escrivaninha e seguir para sua cama, ele conecta a bateria no computador e depois na tomada – Que filme você quer ver?

— Hum... – coço o queixo, sem ter ideia do que assistir, porém logo um filme me vem à mente – Que tal... – abro um sorriso – Zootopia? Sempre quis ver esse filme.

— Taehyung, lançou esses dias. – ele arqueia a sobrancelha.

— Eu sei, mas eu ainda quero muito ver esse filme! – acabo fazendo um bico. Qual a diferença se lançou esses dias ou não? Osh.

— Tá, tá. – ele mexe um pouco no computador e quando para, se levanta para pegar algumas cobertas – Vem aqui. – ele bate no espaço vazio ao seu lado.

Como ele esta na ponta e acabo engatinhando até chegar ao seu lado, me deitando e chegando mais para perto do Jeon, afinal eu queria ver o filme.

O filme segue muitíssimo interessante e me identifico muito com uns dos personagens, Nick. Não sei ao certo em qual momento do filme meu foco passar a ser Jeongguk. Ou melhor, os lábios cor de pêssego de Jeongguk. Eu sei que isso é errado, muito errado. Mas por que parece tão certo? Aproximo meu rosto de seu pescoço e acabo inalando um pouco de seu perfume, aquele mesmo perfume natural que senti hoje de manhã.

Jeongguk vira seu rosto em minha direção e imediatamente, noto que o mesmo estremece. Seus olhos se focam, pelo o que percebi, em meus lábios e diria que consigo sentir o desejo presente entre nós.

Levo minha mão ao seu pescoço e com as pontas dos dedos, começo a acariciar a pele fria. Por impulso, acabo aproximando meu rosto do seu. Sinto sua mão em minha cintura e me seguro para não arfar. Puxo seu rosto para mais próximo do meu.

Ele fica tão lindo visto de tão perto.

Roço suavemente nossos lábios, meu coração bate rápido, ele fecha os olhos. Sinto um aperto de sua mão em minha cintura, suas unhas arranhando minha camiseta. Afasto meu rosto do seu, ficando a alguns centímetros deste, e procuro por seus olhos. Fico hipnotizado por aquelas orbes tão escuras quanto a imensidão do universo, o brilho em seus olhos tão parecido com a luz dos astros que iluminam o céu a noite, seus olhos eram como uma noite escura iluminada apenas pelas estrelas, assim como naquela noite...

 

Flashback on [lembranças alteradas]

 

Estávamos deitados sob a luz do luar. Mais uma vez, eu havia fugido pela janela do meu quarto a fim de que pudesse ficar com ele do modo que desejava, pois se dependesse de meu pai ou até mesmo de minha mãe, com toda a certeza eu não estaria aqui, abraçado ao corpo nu de Yungjae enquanto que o mais velho acariciava meus fios desgrenhados por conta do que fizemos há poucos minutos atrás.

— Taehyung... – o mais velho me chama baixo, sua voz fazendo com que cada célula de meu corpo estremecesse.

— Sim? – sussurro baixo.

— Tá vendo aquelas estrelas no céu? – eu levanto meu olhar para o céu completamente estrelado acima de nós e assinto levemente com a cabeça – Muitas delas já morreram a milhares, talvez milhões, de anos. Porém a luz de algumas delas nunca se apagou completamente... Assim é meu amor por você Tae. Por mais que os anos passem e ele se desgaste, meu amor por você sempre perpetuará, porque ele é eterno. – sinto meus olhos marejarem e Yungjae me aperta mais contra seu corpo.

— Hyung, eu... – começo a falar, porém sou interrompido pelo som grotesco que é meu pai gritando a plenos pulmões.

— Eu sabia! – ele anda a passos rápidos até nós e me puxa pelo cabelo, eu grito de dor. – Sabia que você era apenas uma merda de viadinho! – ele me joga contra uma árvore, aproxima seu rosto do meu e cospe as palavras sobre mim – Você nem devia ter nascido. – diz pausadamente – Teria sido melhor para todos nós! – ele puxa meu corpo e me joga bruscamente no chão, a lateral de meu tronco caindo sobre uma pedra escondida pelas folhas, arfo com a dor – Você não merece o nome que carrega. – ele chuta minhas costelas, a dor concentrando-se naquele lugar, tenho plena certeza de que quebrei algumas delas. Ele continua a me chutar, costelas, estomago, pernas. – Me diga Taehyung. Você é gay? – ele levanta meu corpo completamente marcado e me encara enojado – A porra de um viadinho? – ele desfere um soco em minha boca e acabo cuspindo sangue – Uma bicha? – ele ri com escárnio.

É tudo muito rápido. Yungjae, que até então estava sem reação, me tira das mãos do monstro do meu pai e dá um soco em seu rosto. O mais velho o encara desacreditado e chuta os joelhos de Yungjae, que cai no chão. Não consigo controlar as lágrimas, fecho os olhos e tento pensar no que fazer, nada me ocorre. O choro vem compulsivamente, abro os olhos mais uma vez e não é mais Yungjae que está ali. O corpo é um tanto menor, os fios loiros substituídos por um tom tão escuro quanto carvão, a pele mais clara ainda. O rosto infantil coberto pelo sangue que fora outrora fora cuspido devido aos chutes e socos em seu rosto. A tez alva marcada com tons horríveis de roxo. Os olhos abertos, um negrume mais intenso consumindo todo o brilho que ali já residira. O peito parado, a pele acinzentada, o sangue espalhado.

Os gritos do meu pai direcionados a mim. “Viu o que você fez? Você sujou meu nome! Você sujou as minhas mãos pela aberração que você é! Você sujou esse chão com o líquido impuro desse filho da puta!”. Não ouço nada, o vazio se faz presente em mim.

Não há mais razões para continuar vivo, continuar respirando.

Por que eu ainda estou aqui?

Meu corpo é chacoalhado, as palavra sibiladas. “Agora, responda-me seu bastardo! Você não é hetero Taehyung?”.

 

Flashback off

 

Não posso permitir que isso aconteça de novo.

Jeongguk se aproxima novamente, os olhos fechados, a boca a milímetros da minha. Abaixo a cabeça e uma lágrima desliza pelo meu rosto, seguida de outra, e outra, até que eu chore que nem uma criança perdida. E talvez eu seja isso mesmo.

Jeongguk nem ao menos me pergunta o que aconteceu, ele apenas deixa o computador de lado e me abraça. Seus dedos acariciando as minhas costas, meu corpo chacoalhando devido ao choro. Sinto-o depositar um selar casto em meu pescoço, de modo a me confortar, e de certa forma funciona. Depois de alguns minutos, eu começo a me acalmar. Afasto meu rosto de seu braço e o encaro. Nem quero imaginar como está minha aparência agora.

Ele abre um sorriso mínimo para mim e beija minha testa. Volta sua atenção para o computador e o desliga. Ele me abraça novamente e me deita na cama, junto consigo. Ele acaricia meus cabelos até que meus olhos se fechem. Meio grogue pelo sono, acabo por abraçá-lo e afundar meu rosto em seu pescoço. Seu perfume nubla meus pensamentos e acabo adormecendo em seus braços. Nem quero pensar nas explicações que terei de dar no dia de amanhã.


 


Notas Finais


CONSEGUIU CHEGAR AKIE? u^u
meus parabens !!!

olha eu gostei um pouco do cap, mas ele sla, nn foi tão satisfatorio para mim... então peço, humildemente, a opinião de vxs a respeito cap, aceito criticas SIM se forem construtivas ><

como jah disse antes, qualquer coisa me perguntem... serio c:

SOBRE TRICKY LOVE:
para quem acompanha essa outra fic minha, da luuh e da laraa... o proximo capitulo provavelmente vai sair lah por volta de domingo ou segunda, vai depender muito, talvez atrase um pouco mais, porque eu precisava da parte delas para escrever minha parte, então nem sei se sai esse mês ainda
para quem lê, me desculpa, sério... vou tentar escrever o mais rápido que conseguir e trazer um capitulo legal para vxs :3

BJXXX DE LUZ <3
BYE BYE BAES ^-


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