História It's just a trick - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Sherlock
Personagens D.I. Greg Lestrade, Dr. John Watson, Jim Moriarty, Mycroft Holmes, Sherlock Holmes
Tags John, Johnlock, Missme, Sherlock
Visualizações 68
Palavras 4.137
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Slash, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E ai pessoal? Perdoem o atraso, estou tendo que usar o notebook da minha mãe porque eu fiz o favor de esquecer o carregador do meu notebook dentro da sala e obvio que quando voltei pra pegar ele não estava lá. Estou esperando o novo chegar u.u"

Capítulo com algumas tretas que vão acabar gerando outros problemas, fiquem avisados. E sim, vai ser confuso. Mas calma, calma, tudo vai ser esclarecido depois.
P.S. O capítulo ficou meio grande hehe

Capítulo 17 - I dont understand


John esfregou as mãos com força, pouco preocupado com o nervosismo claro que estava demonstrando. Estava muito mais preocupado com o problema e o problema era que Philippe Lawrence era a última pessoa que deveria estar na presença de Sherlock Holmes, por um único motivo obvio que agora fazia todos os olhos se arregalarem.

― Bem... ― pigarreou, virando-se para o grupo na mesa. ― Okay, esse é Philippe Lawrence... um amigo.

― Hunf... amigo ― Mycroft debochou revirando os olhos.

― Também é um prazer revê-lo, Mycroft ― Philippe retorquiu sarcástico, arrastando uma cadeira e sentando entre o Holmes e John.

O médico queria muito perguntar como os dois se conheciam, mas se reprimiu, sabendo que seria mais seguro perguntar em particular.

― Vo-você é muito parecido... com Sherlock ― Molly gaguejou pálida.

― E você deve ser Molly Hooper ― Philippe saudou melodiosamente, fazendo-a corar. ― O homem assustado do seu lado deve ser o Inspetor Lestrade, por favor, respirem. John me falou sobre vocês.

― Ele falou de mim? ― Sherlock chamou atenção, inexpressivo.

― Philippe... ― John alertou temoroso.

O olhar de Sherlock transmitia o desgosto com clareza. O detetive não gostava do novo visitante, olhava-o com frieza, analisando cada movimento mínimo como se pudesse ataca-lo a qualquer momento. Para John parecia que o parceiro ia vomitar a qualquer momento.

― John me contou tudo sobre você. Detetive, certo? ― Philippe respondeu mais animado do que deveria, ignorando os chamados do loiro. ― Sociopata altamente funcional e essas coisas.

― E essas coisas? ― Sherlock franziu o cenho atento.

John previu o início de uma discussão e rapidamente interviu, pegando-o pelo pulso e o puxando.

― Certo, Philippe. Precisamos conversar.

― Isso é totalmente verdade ― ele concordou se soltando. ― Mas vai ficar pra depois.

― Philippe, agora. Vamos?

― Parece nervoso, Doutor Watson ― Irene provocou se curvando sobre a mesa. ― Algum motivo especial?

― Não tenho que falar com você ― John retorquiu seco, voltando a sua cadeira ao ver que Philippe não se movia.

O foco de surpresa saiu de Philippe para John, até mesmo o olhar interessado de Sherlock. O pior olhar que o médico poderia receber naquele momento. Era compreensivo. John nunca teve uma opinião certa sobre Irene, se gostava ou não, se sua irritação ia além das mensagens ou dos flertes que ela enviava para o parceiro, mas não era do seu costume agir daquela forma. Repentinamente se sentiu um pouco mais atordoado e enjoado que o esperado. Sempre fora neutro, forçava-se a isso, tendo como exceção apenas o dia em que descobriu que ela fingira a própria morte.

Mas naquele pub? Depois de tudo o que aconteceu? John nem lembrava mais o significado de neutralidade. Tudo o que sentia por Irene Adler claramente oscilava entre irritação e pura raiva.

― Não sei se lhe dei motivos para se irritar comigo ― Irene comentou rodeando com o dedo a borda do seu copo vazio.

― Não sei se ele precisa de motivos ― Philippe rebateu sorrindo de modo convencido.

― Está se deixando levar pela opinião do seu namorado, sr. Lawrence?

John prendeu o fôlego, surpreso pelas palavras e temendo o que viria a seguir. Houve um breve e pesado silêncio, onde os olhares se intercalavam entre A Mulher e o novo visitante. Mas Philippe continuou sorrindo como se a batalha sempre estivesse ganha, levantou-se e se inclinou sobre a mesa, aproximando-se de Irene para responder calmamente:

― John não é meu namorado... ainda, vou mudar isso muito em breve. E não, não preciso me deixar levar pela opinião de ninguém, querida. Sei o suficiente sobre você.

― Sabe mesmo? ― Irene o desafiou.

― Ah sim, eu sei. Você é A Mulher que grudou em Sherlock Holmes como um carrapato, tentando sugar tudo dele para si mesma e que ainda não percebeu que ele não está tão interessado assim.

― Posso garantir que ele está interessado em muita coisa.

― Claro ― Philippe sorriu falsamente. ― Mas o quanto é ruim ele estar interessado em muitas coisas e nenhuma delas ser você?

Os olhos de Irene brilharam perigosamente e John gemeu de frustação, passando as mãos no cabelo em um ato nervoso.

― Oh Inferno...

― Caso não saiba, não sou mulher de família, Sr. Lawrence. Não me apego ou crio vínculos ― Irene respondeu entre dentes.

― Parece que Sherlock Holmes foi uma exceção. É por isso que está tão interessado nele? Por que ele a faz mudar de ideia? ― Philippe questionou voltando a sentar.

― Pensa mesmo isso? ― Irene franziu o cenho, diminuindo o impacto do que ouvira.

― Claro... ou talvez ele seja um desafio, não? Quer fazê-lo mudar de ideia, é isso? ― Philippe abriu um sorriso malicioso. ― Quer fazê-lo parar de olhar para John e olhar para você?

John queria arrastar Philippe para o canto mais distante daquele lugar e perguntar o que infernos ele estava fazendo e o que esperava conseguir com todas aquelas palavras. Aproveitou o novo e tenso silêncio para olhar ao redor, para quem ainda estava na mesa. Lestrade estava com a boca entreaberta, como se não acreditasse em tudo o que via e ouvia, Mycroft demonstrava o mais simples e puro desgosto ao fitar Irene, enquanto Molly tinha o mesmo alvo, mas um olhar muito mais irritado ao segurar o copo com força exagerada. No entanto, quem o preocupava era Sherlock, que estava mais observador e analítico do que nunca, seus olhos brilhavam de uma maneira quase assassina. John sentia como se o parceiro estivesse montando todo um quebra-cabeças em sua mente, um quebra-cabeças banhado em sangue.

― Quero fazê-lo ver o mundo ao seu redor com mais clareza ― Irene respondeu com seriedade. ― Não estou preocupada com a influência de um mero cachorrinho obediente na vida de Sherlock, mesmo porque esse cachorrinho nem é confiável no momento, sequer merece atenção.

― Desculpa, o que disse? ― John arfou indignado.

― Sherlock, vai deixar ela falar assim do John? ― Molly questionou irritada.

― Não perco tempo com quem não merece ― Sherlock respondeu indiferente, dando de ombros. ― Até saber de que lado John está, não ouso fazer nada.

O médico abriu e fechou a boca várias vezes, sem saber o que dizer, assim como todos na mesa. Na verdade não estava surpreso, já ouvira muito da boca do homem que não se importava e as vezes nem notava ao machucar as pessoas. Mas aquelas palavras o magoaram, mais do que previra. Definitivamente assumira o posto de traidor na mente do seu melhor amigo.

― Mesmo depois de tudo o que passamos? Todos esses anos? ― certificou-se com a voz falha.

― Como vou saber que não esteve ao lado de Moriarty todos esses anos?

― Isso é ridículo ― bufou Mycroft. ― E é chamar a si mesmo de idiota.

― Talvez seja, mas por enquanto eu só confio em mim mesmo ― Sherlock garantiu.

― Eu tenho vergonha de ser tão parecido com você, ainda bem que essa semelhança é só física ― Philippe cuspiu forçando uma careta de nojo. ― Fique na minha casa essa noite, John, aposto que Sherlock não hesitou em convidar a Srta. Adler para uma pequena reunião noturna.

John despertou do transe e olhou incrédulo para Sherlock.

― Convidou Irene para o nosso apartamento?

― Ele é mais meu que seu, na verdade ― Sherlock retorquiu bebericando a bebida.

― Mais seu que meu? Dividimos o aluguel!

― Eu passo mais tempo dentro dele.

― Dane-se! Ainda dividimos o aluguel!

― Isso não faz diferença para mim.

John riu sem humor, levantou-se com certo esforço e pegou seu casaco na cadeira.

― Que seja, vamos Philippe ― chamou antes de se virar para Sherlock que o encarava de cenho franzido. ― Se forem transar, fiquem longe do sofá, da minha poltrona e principalmente da cozinha. Você tem um quarto, Sherlock, use-o.

― Ora, não garanto nada. Sherlock sempre foi insaciável ― Irene o interrompeu manhosamente. ― Mas fique mais um pouco, tenho algumas perguntas a fazer.

― Estamos de saída ― Philippe retrucou rudemente, puxando o médico para longe da mesa.

― Diga-me John, como é ser o traidor da vez? ― Irene provocou alto, fazendo-os paralisar. ― Como é ser o alvo da desconfiança de todos nessa mesa?

John engoliu com dificuldade antes de voltar a encará-la. A situação não estava muito clara em sua mente, mas parecia que Irene Adler estava determinada a provoca-lo justamente com os pontos que o médico se esforçava a ignorar. Pensou por um momento se havia um objetivo mais sério por trás da clara provocação, mas notou que sua maior preocupação era se Adler retirava tais implicâncias de fatos que realmente conhecia.

― Não a escute, John ― Molly se pronunciou, firme pela primeira vez. ― Confiamos em você.

― Confiamos? ― Sherlock desacreditou, erguendo uma sobrancelha.

Irene fitou a especialista com diversão e John se sentiu no dever se aproximar, observando a amiga piscar repetidas vezes pelo nervosismo.

― Então? Confiam mesmo? Sequer são amigos? ― incitou. ― Não vejo o Doutor correndo atrás de você, pedindo por auxilio. Talvez ele não queira uma criança no fogo cruzado... ou talvez você só seja inútil mesmo.

― Ei, não fale com ela desse jeito! ― John se intrometeu irritado.

― O que ainda faz aqui? ― Lestrade se pronunciou pela primeira vez com seriedade. ― Se tem planos com Sherlock, espere por ele em Baker Street.

― Parece que estão todos contra mim mesmo ― Irene concluiu indiferente, sem se mover.

― Você vem aqui só criar intriga e ainda quer apoio?

― Apoio, não. Quem sabe um pouco mais de imparcialidade...

― Por favor! ― o Inspetor debochou. ― Pode procurar sua imparcialidade bem longe daqui.

Novamente, John engoliu com dificuldade. Suas mãos tremiam e seu estômago estava dando voltas. Sabia que havia algo errado, clinicamente falando, mas não conseguia raciocinar normalmente. Deveria intervir na discussão, somente assistir ou basicamente se levantar e ir embora?

― John? Tudo bem?

O médico olhou para Philippe que o fitava com preocupação e então olhou ao redor, notando que era o centro da atenção novamente. Mas sua visão estava lenta, assim como seu raciocínio.

― Me dê um minuto.

Levantou-se e, cambaleante, vagou entre as pessoas entretidas. Sentia-se esgotado e ainda nem chegara perto de concluir o plano ou de conseguir alguma resposta que garanta uma batalha ganha contra Moriarty. Algo além disso estava errado, porque sua cabeça doía e seu peito ardia o suficiente para incomodá-lo. Seria uma consequência de tudo o que vem passando e escondendo? De tudo o que já aconteceu?

Repentinamente seus joelhos ameaçaram ceder e John foi forçado a se apoiar no balcão de bebidas, mas logo um par de mãos frias o agarrou e o ajudou a se erguer, levando-o até o banheiro mais próximo. Sem precisar de mais avisos, John foi até a pia e molhou o rosto.

― O que você tem?

A voz lhe causou arrepios, mas fez seu máximo para esconder.

― Não sei, só estou cansado ― respondeu enxugando o rosto.

― Está mentindo ― Sherlock insistiu se encostando na pia, ao seu lado.

― Eu realmente não sei, Sherlock. Por favor, não insista. Temos assuntos mais importantes.

― Se vai falar do-

― Esqueça o beijo, okay? ― John o interrompeu firme. ― Foi um erro e nunca deveria ter acontecido, certo, entendi seu ponto. Mas ainda quero ter meu amigo.

Sherlock franziu o cenho e respirou fundo.

― Acha que é possível? Não só pelo... beijo, mas depois de tudo o que aconteceu? Não sei se ainda confio em você, John.

― E estou disposto a mudar isso ― John respondeu de imediato, em claro desespero. Obrigou-se a parar e respirar fundo antes de continuar, precisava estar calmo e não dar mais motivo para desconfiança. ― Apenas pergunte o que quer saber, Sherlock. Não me importo. Faço qualquer coisa pra fazer você entender que ainda sou seu amigo.

O Detetive o olhou com incerteza e maneou a cabeça antes de, abruptamente, concordar.

― Certo. Me diga o motivo.

― Do quê?

― O motivo de ter se aliado a Moriarty. Seja sincero e completo.

John suspirou, quase se lamentando em alto e bom som. Não estava preparado.

Que inferno... Pense com calma, Watson!

― Foi por causa de Harriet.

John se sobressaltou com o susto e voltou a se apoiar na pia, resmungando.

― Você sempre encontra a hora certa para interromper, não é Mycroft?

― Estava procurando por você, de qualquer forma ― o Holmes mais velho deu de ombros.

― Por causa de Harriet, você disse. Explique ― Sherlock pediu com interesse, quase sem se importar com a intromissão do irmão.

― Moriarty sequestrou Harriet e a família ― Mycroft tentou resumir. ― Nada de Scotland Yard ou Sherlock Holmes.

― Família?

― Harriet é casada e tem uma filha ― John respondeu rapidamente.

― E o que Moriarty queria? ― Sherlock apressou. ― Com certeza pediu algo em troca da liberdade.

John e Mycroft se entreolharam pelo o que pareceu uma eternidade. Mycroft querendo seguir com o plano feito às pressas e John praticamente gritando que Não!, ele não deveria continuar com aquilo.

― Moriarty ia usar John contra você ― Holmes revelou subitamente, fazendo o médico fechar os olhos e abaixar a cabeça, lamentando enquanto este continuava. ― Ele viu que sequestrá-lo só estava irritando você quando o objetivo era destruir completamente. Então... decidiu forçar John a ser o traidor que ninguém esperava.

― Ele achou que uma traição de John ia me afetar o suficiente para me destruir? ― Sherlock questionou com descrença, fazendo algo se contrair dolorosamente dentro do loiro.

― Tinha absoluta certeza, mas nosso querido John jamais trairia o melhor amigo sem tentar procurar uma saída menos dolorosa, não é? ― Mycroft riu com malicia, pegando o celular. ― Foi quando me procurou, pedindo ajuda e me apresentando o saudoso Sebastian Moran.

― Qual a relação de Moran nisso tudo?

― John e Moran serviram no exército na mesma época e se conheceram brevemente antes de enfrentarem a guerra, foi o suficiente. Quando eu disse a John que estava sendo seguido por alguém intitulado Augustus, ele rapidamente reconheceu como Moran.

Sherlock franziu o cenho e olhou sugestivamente para John, questionando a conclusão. O médico piscou saindo do transe e limpou a garganta antes de responder brevemente.

― Moran sempre falava de como o pai, Augustus, era importante no governo e no exército antes de morrer.

― John sabia que Moran começou a trabalhar para Moriarty logo depois que saiu do exército, então ficou interessado em saber qual seria a reação dele ao descobrir que seu braço direito estava tentando se tornar um concorrente ― Mycroft completou profissionalmente. ― Sabíamos que para Moriarty seria o equivalente a uma traição, já que o ex-soldado silenciosamente lhe deu às costas e começou a correr atrás do seu protegido, sabendo de todo o plano. Como John seria um bom traidor se alguém insistia em querer machucá-lo, tornando-o vulnerável?

O Detetive uniu as sobrancelhas levemente surpreso e fitou John novamente:

― Distraiu Moriarty com o próprio traidor?

― Não... não foi bem uma distração ― John respondeu incerto. ― Foi mais uma compensação. Entre eles o assunto também é pessoal, então Moriarty ficou mais feliz quando eu entreguei Moran para ele e não para polícia. Confiou mais em mim desde então.

― Então agora tem a confiança do seu querido consultor criminal. Ótimo.

John ia contestar, mas foi Mycroft que revirou os olhos e respondeu:

― Sem ciúmes, irmão.

― Ciúmes? ― Sherlock rebateu exasperado. ― Tudo o que disse não muda o fato de que John pretendia mesmo me trair! E que se danem os motivos, eu poderia tê-lo ajudado a encontrar uma saída permanente e não apenas um desvio inútil.

John observava a cena com extrema cautela e controle, temendo se mover e acionar uma bomba. Não se importava com Mycroft tomando a frente e falando em seu lugar, mas confessava que o rumo daquela conversa não parecia certo em sua cabeça. Para onde, exatamente, estavam indo?

― Inútil? ― Mycroft retorquiu com frieza, impaciente. ― Graças a esse desvio inútil Harriet e sua família não estão mais sob o poder de Moriarty. E ele sequer notou que elas não estão mais acessíveis porque está ocupado demais tentando punir e arrancar informações do traidor. Se fosse por você, Sherlock, se John tivesse pedido sua ajuda, o nosso único plano seria encontrar uma fraqueza e atacar, aceitando riscos desnecessários como naturais e inevitáveis. E lembre-se que não estamos falando de uma família qualquer!

Sherlock se calou, engolindo com dificuldade. Estava obvio para John, que o amigo estava sendo obrigado a aceitar as informações como fatos e podia imaginar com aquela mente brilhante podia estar uma bela bagunça depois de tudo o que aconteceu. Ainda assim sentia que o futuro de ambos, mesmo como parceiros, estava incerto.

― Onde elas estão? ― o Detetive perguntou a ele, parecendo aflito.

― Seguras ― John respondeu brevemente, sorrindo com compreensão. ― Mycroft garantiu a segurança delas para que eu possa fazer algo, sem restrições, quando Moriarty notar que não vai poder mais usá-las contra mim.

― Nós ― Sherlock corrigiu ganhando um olhar confuso. ― Para que nós possamos fazer algo. Eu jamais faria qualquer coisa que colocasse sua família em perigo, John. Deveria ter me contado, deveria ter confiado em mim.

― Eu confio em você.

― Não se incomode tanto, Sherlock ― Mycroft se intrometeu. ― Nós precisávamos de cautela e quando se trata de John, você é muito... espontâneo.

John imediatamente sentiu seu rosto esquentar enquanto Sherlock desviava o olhar, achando o piso do banheiro subitamente interessante. Mycroft se conteve em apenas revirar os olhos novamente, pelo embaraço de ambos.

― Por favor, parem de agir dessa maneira.

― Dessa maneira? ― Sherlock desconversou.

Um barulho chamou a atenção deles para a porta e John suspirou para o que viu.

― O quê? É uma orgia e não me chamaram? ― Philippe questionou depois de enfiar a cabeça para dentro do banheiro.

― O que foi, Philippe? ― John perguntou em tom cansado.

― Tem duas leoas brigando no beco ao lado. Achei que deviam saber.

Houve alguns segundos de silêncio, onde o trio tentava compreender o significado daquela frase e de repente, abatido pela compreensão, Sherlock pulou de onde estava e correu para fora. John e Mycroft o seguiram, sabendo do que se tratava.

Mesmo assim, John se surpreendeu ao ver Molly engatada em Irene como uma gata raivosa. Paralisou diante da cena, não conseguindo acreditar que a amiga estava mesmo em uma briga com A Mulher, tentando acertá-la a qualquer custo com socos ou tapas, com o rosto rubro e a expressão retorcida de raiva.

Aquela era mesmo Molly Hooper?

― John me ajuda aqui! ― Lestrade pediu com esforço enquanto tentava controlar Irene.

John despertou e correu até Molly, tentando avidamente segurá-la e afastá-la da outra.

― Me solta ou você vai ser o próximo! ― Molly gritou se debatendo.

― O papai finalmente chegou pra controlar a criança ― Irene cutucou desarrumada.

 ― Nunca pensei que se deixaria ser tomada por ações tão primitivas ― Sherlock acusou Adler, olhando-a como se não fosse uma estranha.

― Ás vezes vale a pena perder o controle, Sherlock ― Irene respondeu tentando, em vão, arrumar alguns fios de cabelo solto.

― Tudo bem, John, pode me soltar. Estou mais calma ― Molly pediu emburrada, arrumando suas roupas com a mão livre.

― Fiquei feliz em ser quem desperta o pior em você, srta. Hooper ― Irene alfinetou novamente.

Num ímpeto inesperado, Molly se soltou completamente de John e, como se fosse apenas um único movimento, voltou a se aproximar da Mulher e socou seu rosto com toda a força que conseguiu.

― Pare de se intrometer na vida dele, pare de complicar tudo! ― rosnou contra a expressão surpresa de Irene antes de olhar para Philippe com puro desprezo, fazendo-o arregalar os olhos. ― E você? O que faz aqui?

― E-eu... eu, bem, eu... ― ele gaguejou sem ter o que dizer pela primeira vez.

― Vocês dois não entenderam que era uma comemoração particular? ― Molly voltou elevou a voz novamente, exasperada e quase descontrolada. Abruptamente apontou para Philippe, que se sobressaltou de susto ― Você! Seja quem for, você não pode aparecer aqui, beijando John e provocando Sherlock dessa maneira e você ― apontou para Irene, que ainda massageava o rosto avermelhado ― Não pode nos tratar como seres inferiores só porque é aquela que recebe mais atenção de Sherlock ! Ele é só um imbecil e você ainda é a intrusa aqui!

Cauteloso, John observou os arranhões e a vermelhidão que encobriam o rosto da amiga e decidiu intervir.

― Molly... precisa se acalmar.

― Eu já fiquei calma por tempo demais!

― Tudo bem, tudo bem ― ele tentou novamente, segurando sua mão e a puxando para longe. ― Vem, acompanho você até em casa.

― Eu posso chegar em casa sozinha ― Molly resmungou se soltando. ― Não sou uma inútil mesmo descontrolada.

John balançou a cabeça negando.

― Sei que gosta muito do Sherlock, mas se ferir e entrar no jogo da Irene não vale a pena. Confie em mim.

Molly riu sem humor e se soltou completamente das mãos do médico, que a olhou confuso.

― Você não entende ― disse séria. ― Isso foi por você, John, por vocês dois. Porque estou cansada de ver Irene sempre entre vocês, sempre sendo um empecilho silencioso.

― Mas você...

― Eu sei onde não é o meu lugar. Mas vocês? Não enxergam o obvio nem quando se olham no espelho, não conseguem! É irritante ter que assistir isso por tantos anos e continuar calada. É como se fizessem questão de... de... complicar tudo! E eu cansei disso!

Abruptamente Molly se afastou, deixando para trás um John de olhos arregalados e com um novo finco entre as sobrancelhas.

― Eu sei onde não é o meu lugar? ― murmurou para si mesmo, ponderando a origem daquelas palavras. Então franziu o cenho e olhou para Mycroft, encontrou um sorriso divertido na expressão convencida.

― É melhor eu segui-la na viatura, por garantia ― Lestrade anunciou seguindo o mesmo caminho de Molly.

Ainda sustentando a mesma expressão, Mycroft se aproximou do médico e sussurrou próximo do seu ouvido.

― Se saiu muito bem no banheiro. Um belo improviso.

― Sabe que não entendi absolutamente nada do que aconteceu lá, não é? ― John questionou no mesmo tom. ― Você disse que o plano não mudou, mas contou tudo a ele.

― Nem tudo foi verdade, sabe disso.

― Mesmo assim pode ser o suficiente pra ele. Eu não entendi absolutamente nada do que aconteceu, Mycroft.

― É o suficiente para o que eu quero, agora faça sua parte e vá com Lawrence.

― Para onde? ― John o encarou confuso.

― John ― Sherlock chamou enquanto se aproximava.

O médico mal teve tempo de erguer os olhos quando Philippe entrou no caminho do Detetive, interrompendo e se aproximando com mais rapidez.

― O que acha de uma noite de bebidas? ― perguntou com animação.

― Não ― Mycroft respondeu imediatamente.

― A pergunta foi para o John ― Philippe devolveu arqueando as sobrancelhas.

Mycroft lhe lançou um olhar fuzilante e se direcionou para John:

― Sabe o que acontece quando fica bêbedo na presença desse ser. Perde completamente a compostura e o bom senso. Não vá.

Improvise! A mente confusa de John gritou em meio ao caos dos seus pensamentos.

Mas o que Infernos estava acontecendo? O que eu devo fazer?

― Talvez eu não me importe ― disse repentinamente, sem pensar. Todos os olhos se viraram na sua direção, mas o médico só conseguia fitar a falsa passividade de Irene. ― Talvez eu queira perder a compostura e o bom senso.

― Mas temos um caso a discutir ― Sherlock argumentou. ― Preciso de você em Baker Street.

― Até onde sei você já tem com quem discutir o caso, onde, por acaso, eu sou o suspeito ― John devolveu ferino. ― Estou errado?

Não tinha ideia se estava fazendo o certou ou não, se era isso o que Mycroft esperava ou se estava improvisando da melhor maneira, mas era tudo o que podia fazer. Não sabia ler as pessoas tão bem quanto os Holmes, nem chegava perto, também não estava preparado para nada aquilo e sequer conseguia imaginar o que ia acontecer depois de tantas informações lançadas em um único.

Estava fazendo a única coisa que sabia fazer quando ficava perdido: se arriscar.


Notas Finais


Um enorme agradecimento para quem vem deixando os comentários! Toda vez que estou sem inspiração, eu vou lá e releio tudo haha sempre me motiva.
Esperou que me contem o que acharam desse aqui. Bjs e até a proxima.
P.S. Próximo capítulo já iniciado.


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